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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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“Rusá Serro” apresenta olhar de Tiago Aguiar sobre a Festa do Rosário

Serro, Minas Gerais, por Kleber Patricio

Foto: Russa Serro.

Tiago Aguiar, fotógrafo e artista visual multiplataforma, apresenta a instalação fotográfica “Rusá Serro”, mostra que propõe uma imersão sensível na Festa do Rosário, tradição afro-religiosa viva desde 1714 no interior de Minas Gerais. Realizada em espaço público, no conjunto arquitetônico e urbanístico do Serro, a exposição parte da experiência afetiva e espiritual do artista com a celebração. Natural do bairro onde os festejos acontecem, o artista cresceu imerso nesse universo. Com a câmera em mãos, passou a registrar os rituais, encontros e sentimentos que atravessam essa manifestação popular.

A exposição é resultado de uma pesquisa visual iniciada há mais de uma década e organizada em três eixos temáticos: Dançantes, Quermesse e Caravana, que funcionam como guias narrativos do projeto. Em Dançantes, o foco recai sobre os congadeiros e suas fardas tradicionais, revelando a individualidade de cada pessoa em ritual. Quermesse transporta o visitante à atmosfera comunitária e festiva do entorno da igreja e Caravana documenta os vendedores que chegam de outras regiões, evidenciando a diversidade cultural e econômica da festa.

Em Rusá Serro, um percurso com aproximadamente 30 fotografias ampliadas em grandes dimensões são dispostas em 12 instalações artísticas ao longo do trajeto percorrido pelos congadeiros da procissão da festa do Rosário. Organizadas em grupos de imagens e acompanhadas por iluminações pontuais; as instalações intensificam a experiência visual e reforçam a ligação entre imagem e rito.

A relação entre Tiago Aguiar e a Festa do Rosário ultrapassa o campo da observação. Desde 2016, o artista adotou uma abordagem mais íntima, montando um estúdio improvisado na garagem da avó e convidando os dançantes a posarem voluntariamente. Essa prática permitiu maior agência das pessoas sobre suas imagens e o acesso a relatos de dentro da festa. “Pude aprender o que não se aprende de relance”, conta o artista, que repetiu a experiência em 2017. Com o tempo, a pesquisa se transformou em prática espiritual. Em 2019, Tiago passou a integrar oficialmente os Catopês, grupo tradicional do congado no Serro. “O ingresso foi uma resposta natural à relação que já vinha sendo construída há anos — uma entrega que reafirma, a cada passo, minha fé, meu pertencimento e minha responsabilidade com a tradição”. Segundo o artista, essa transição encontra eco na ideia de “arte preceito”, como define Paulo Nazareth: uma arte fundada na escuta, na presença e nos rituais, onde o gesto é mais importante que a imagem e, o cuidado, mais vital que a representação.

A Festa do Rosário, reconhecida como patrimônio imaterial, reúne comunidades negras e outras populações locais em celebrações marcadas por forte tradição e identidade. “Tendo passado dois anos distante do Serro e do Brasil, voltei com o ofício de fotógrafo e um novo modo de ver. Busquei um tema com o qual me relacionei por toda a vida, mas com ainda muito por conhecer”, diz Tiago.

O caráter cultural da exposição reside na valorização e preservação de uma tradição que expressa a identidade da comunidade do Serro. Já seu aspecto educativo está em oferecer acesso e entendimento a práticas culturais pouco conhecidas fora do contexto local, estimulando o aprendizado sobre patrimônio imaterial e processos de resistência por meio da arte. A visita guiada, disponível na primeira etapa da mostra, será conduzida por Tiago Aguiar, que compartilha sua trajetória, histórias e aprendizados ao longo dos anos de pesquisa.

Rusá Serro é, assim, um convite ao olhar e ao sentir. Ao conjugar memória, fé e imagem, a exposição propõe uma experiência que vai além do registro documental. Em diálogo com o território e com as pessoas que o habitam, revela os vínculos profundos entre arte, espiritualidade e pertencimento.

Foto: Divulgação.

Sobre o artista | Tiago Aguiar (1983, Serro, MG) é fotógrafo e artista visual. Sua trajetória se desenvolve a partir da vivência e pesquisa em sua comunidade de origem, com foco nas tradições culturais do congado e da festa de Nossa Senhora do Rosário. Ao longo de mais de uma década, construiu uma relação de proximidade e respeito com a comunidade, produzindo trabalhos que unem documentação, arte e compromisso espiritual. É integrante dos Catopês, grupo tradicional do Rosário do Serro, e seu trabalho tem sido reconhecido por sua sensibilidade em captar a identidade e religiosidade da festa.

Sobre o projeto | Realizado com apoio institucional do Governo do Estado de Minas Gerais e do Governo Federal do Brasil, por meio da Lei Paulo Gustavo, Rusá Serro é uma realização do Movimento Áurea, que busca valorizar as expressões culturais brasileiras por meio de iniciativas com caráter educativo e cultural. Sendo uma mostra inclusiva, “Rusá Serro”, em um espaço especial no Museu Regional Casa Dos Ottoni (Praça Cristiano Ottoni, 72, Serro – MG), apresenta um conjunto de fotografias táteis acompanhadas de audiodescrição, ampliando o alcance da experiência sensorial e permitindo o contato direto com o público.

Serviço:

Exposição Rusá Serro, de Tiago Aguiar

Abertura: 27 de junho, sexta-feira, às 12h

Período: de 27 de junho a 15 de agosto de 2025

Local: Centro histórico de Serro, MG

(Com Silvia Balady/Balady Comunicação)

“Marginal Genet” estreia no Teatro Ruth Escobar

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

Após o polêmico e devastador “Pasolini no deserto da alma”, o diretor Francis Mayer prossegue na sua cartografia de “malditos” levando à cena o texto “Marginal Genet” sobre a vida do transgressor escritor francês Jean Genet, livremente inspirado nas obras “Diário de um ladrão”, de Jean Genet, e “Saint Genet”, de Jean-Paul Sartre.

O autor Jean Genet esteve no Brasil, em 1970, a convite da atriz e produtora Ruth Escobar para a estreia de “O balcão” no Teatro Ruth Escobar.

Não por acaso, o espetáculo “Marginal Genet” – após cinco meses de sucesso no Rio de Janeiro – estreia dia 4 de julho de 2025 no Teatro Ruth Escobar, na Sala Gil Vicente – o mesmo porão onde “O balcão” foi prestigiado por seu autor em sua única visita ao Brasil.

O texto destaca o relacionamento de Jean Genet com quatro personagens, dentre todos citados na sua obra autobiográfica “Diário de um ladrão”, que continua a gerar polêmica até hoje. Temos, então, Renê (garoto de programa), Bernardini (comissário de polícia secreta), Lucien (morador de rua) e Charlotte Renaux (cantora).

Marginal Genet é um convite ao submundo dos marginalizados. Ele sobreviveu pelas ruas de Paris, sendo preso diversas vezes na juventude por roubo, vivendo como mendigo, sustentando-se como ladrão.

No espetáculo, o espectador terá acesso a intimidade de um personagem transgressor com recorte focado nos seus momentos mais intensos, regados a momentos de lirismo. Com linguagem poética e visceral, o texto propõe uma conversa com o seu público, a quem o protagonista autoriza uma imersão em seu universo particular abrindo o seu diário, compartilhando histórias de seus encontros e amores com seres que costumavam viver à margem da sociedade, elevando-os à categoria de heróis.

De Jean Genet, Francis Mayer já produziu Querelle, em 1989, no Teatro Dulcina, lançando Gerson Brenner como ator, tendo Rogéria no elenco; e dirigiu “Alta Vigilância”, em 1997, no Teatro Candido Mendes, com Carlos Machado, Jonathan Nogueira e Luka Ribeiro.

Considerado dono de uma imaginação febril e alegórica, Jean Genet cultuava a valorização do prazer, da beleza e do humano. E recriou em peças e romances a mesma marginalidade radical que caracterizou a sua vida, como “As criadas”, “Querelle”, “O balcão”, “Nossa Senhora das Flores”, “Alta Vigilância” e “Os negros”, entre outros. Sendo um escritor de combate, despertou admiração em um grupo de intelectuais como Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Jean Cocteau, que com sua intervenção, salvou-o de uma prisão perpétua que o levaria à morte.

Francis Mayer tem em seu currículo de diretor os espetáculos (entre outros) “Pasolini no deserto da alma”; “Detentos”; “Querelle”, de Jean Genet; “Angela Maria – Lady Crooner” (musical); “Alta Vigilância”, de Jean Genet; “Cazuza  – Jogado a teus pés” (musical); “Os meninos da Rua Paulo”, com Bruno Gagliasso; “Se você me ama…”, com Danielle Winits; “As meninas”, de Lygia Fagundes Telles; “Namoro”, com Natália Lage, “Betty Blue”, de Philippe Djian; “Teen-Lover”, com Mouhamed Harfouch; “Nó de gravata”, com Luana Piovani; “Zero de conduta”, de Zeno Wilde; “Os campeões”, com Rainer Cadete; “Herdeiros”, com Guilherme Leicam; “Folia Tropical”, com Rogéria; “A noite do meu bem”, de Paulo César Coutinho e “O Hóspede”, baseado no filme “Teorema”, de Pasolini, entre outros.

Serviço:

Marginal Genet

Texto/Direção: Francis Mayer

Elenco/Personagens:

Thiago Brugger (Jean Genet)

Fernando Braga (René)

Vinícius Moizés (Bernardini)

Yago Monteiro (Lucien)

Samuel Godois (Charlotte Renaux)

Duração: 70 minutos

Classificação: 18 anos

Ingressos: R$ 110,00 (inteira) R$ 55,00 (meia)

Apenas oito apresentações – de 4 a 26 de julho de 2025

Sextas às 20h30; sábados, às 20 horas

Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente

Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista – São Paulo

(11) 3284-3382.

(Com Francis Mayer)

Pinacoteca de São Paulo celebra a poesia e a imagem da artista Neide Sá em mostra antológica

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Wilton Montenegro/Cortesia Galeria Superfície.

A Pinacoteca de São Paulo inaugura a exposição “Neide Sá: vida, doce mistério” nas três salas do segundo andar do edifício Pina Luz.

A mostra reúne um recorte significativo da produção da artista, evidenciando sua atuação como arte-educadora, a multiplicidade de linguagens e suportes de seu trabalho e também sua pesquisa de materiais. Essa trajetória responde a questões específicas de cada época: da novidade dos acrílicos, cores e formas de impressão entre os anos 1960 e 1970 ao retorno a narrativas sobre uma origem civilizatória no Brasil, que alcançava 500 anos de chegada dos portugueses na virada dos anos 1990 para os 2000.

As 97 obras em exposição abrangem o período de 1960 até os anos 2000, conectando o começo de carreira da artista a sua produção mais recente. Com curadoria de Lorraine Mendes, a mostra conta com uma sala com obras interativas, como “Momento” (1967), “Reflexível” (1977) e “Nós & nós” (2004). A curadoria deste espaço foi compartilhada com a Área de Ação Educativa da Pinacoteca de São Paulo. Ali, o público pode tocar, interagir e compor seus próprios poemas.

Outra obra icônica que será apresentada é “Ciclo infinito vida-morte” (1968-2010), objeto-poema que, como seu nome anuncia, atravessa o tempo somente para voltar e recomeçar. Dispositivo de leitura desenvolvido pela artista, trata-se de um cubo em acrílico com uma das faces em aço e espelho. Depositado sobre um expositor, esse cubo materializa-se em um livro-metáfora, veículo de uma linguagem codificada criada por Neide em 1968 para refletir sobre a dinâmica e a contínua relação vida-morte-vida.

“Em um fluxo de abrir/fechar, manter/apagar, rever/refazer, viver/morrer, entre os parênteses e colchetes codificados pela artista, entre as camadas de tempo e o acúmulo de dobras, formas e gestos, percebemos um desejo por olhar e desvendar a linguagem e as relações humanas. Vemos a arte como veículo de interação e meio de comunicação, entre fazer refletir e desatar nós, criar e propor caminhos para lidar com aquilo que atravessa o tempo e de alguma forma permanece: a vida.”, afirma a curadora Lorraine Mendes no texto crítico.

Sobre a artista

Neide Dias de Sá é uma das fundadoras do movimento de vanguarda Poema/Processo, que teve seu início em 1967. A artista foi uma das responsáveis pela publicação das obras Ponto 1, Ponto 2, Processo e Vírgula, ligadas ao movimento, que marcou sua trajetória e envolvimento com ideais radicais e politicamente engajados. A partir da década de 80, ela se debruça sobre a criação de obras participativas, em que o corpo do espectador opera como parte integrante da obra de arte.

Em 1976, Neide ingressou na PUC/RJ, onde estudou programação visual, formando-se em 1980. Três anos depois faz pós-graduação em Arte Educação no Instituto Metodista Benett; cursa gravura e fotogravura, com Tereza Miranda; pintura, com Katie Van Sherpenberg e participa da Oficina de Gravura, desenvolvendo pesquisas com gravura em relevo, no MAM/RJ. Em paralelo aos estudos, dirigiu o Núcleo de Arte Heitor dos Prazeres, entre 1966 e 1983.

Participou da Bienal de Veneza em 1978, das Bienais de São Paulo de 1974 e 1978, e da 3ª Bienal Internacional do México, em ­1990, entre outras. Participou da mostra Sol Fulgurante: arquivos de vida e resistência – também com curadoria de Lorraine Mendes, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2024, além de ter obras no acervo da Pinacoteca; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri e Coleção Museu de Arte do Rio.

A exposição Neide Sá: vida, doce mistério é apresentada por Bradesco e patrocinada por Livelo, na categoria Platinum, Mattos Filho, na categoria Ouro e Nescafé Dolce Gusto, na categoria Prata.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Luz | Segundo Andar

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso 2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Biocombustível de coco impulsiona transição energética no Brasil

Aracaju, por Kleber Patricio

Processos da produção de biocombustível a partir da biomassa residual de coco verde. Foto: Unit/ITP.

A crescente preocupação com a pegada de carbono tem incentivado o desenvolvimento de estratégias para a descarbonização das atividades econômicas. Entre as principais abordagens estão a diversificação das fontes energéticas, o aumento da eficiência dos processos e a implementação de tecnologias de captura de carbono. Dentro desse contexto, se destaca a produção de biocombustível a partir da biomassa residual de coco verde, um dos resíduos mais abundantes em Aracaju (SE), onde está instalado o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP).

Vinculado ao Grupo Tiradentes, o ITP abriga o Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (NUESC) criado há 15 anos em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPES) e Petrobras. O núcleo de pesquisa científica se consolidou como um dos mais importantes do segmento, servindo ainda de instrumento para a formação de profissionais de alta qualificação para o mercado local e nacional, em colaboração com os Programas de Pós-graduação Stricto sensu da Universidade Tiradentes (Unit). “O Núcleo tem impacto muito positivo para o equilíbrio ambiental. Em Aracaju, por exemplo, ele contribui para dar nova utilização às 190 toneladas de resíduos de coco verde descartadas por semana na cidade. Transformamos em energia um material que representa um grande desafio para o meio ambiente, em função do alto volume e baixa taxa de decomposição”, esclarece o coordenador-adjunto de Programas Profissionais da Área de Engenharias II na Capes, docente da Unit, pesquisador do ITP e coordenador do NUESC, Cláudio Dariva.

Desafio ambiental

O coco verde é amplamente consumido em regiões tropicais e seu resíduo, especialmente a fibra, representa um grande desafio ambiental em razão do seu alto volume e baixa taxa de decomposição. Em Aracaju, um estudo realizado pela Diretoria de Operações da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) apontou que a cidade gera cerca de 190 toneladas de resíduos de coco verde por semana. E foram identificados 87 pontos de venda, sendo 30 deles considerados grandes geradores, que descartam até 200 kg diários ou 400 kg em dias alternados.

Esse montante de resíduos sobrecarrega a coleta domiciliar e gera um custo anual de aproximadamente R$ 900 mil para a limpeza pública. Além disso, quando não destinados ao aterro sanitário, muitos desses resíduos acabam descartados de forma inadequada, agravando o passivo ambiental da cidade. A conversão desse resíduo em biocombustível não apenas reduz o impacto ambiental, mas também oferece uma alternativa energética renovável e sustentável.

Processo de produção do biocombustível 

A transformação da fibra do coco verde em biocombustível pode ocorrer por diferentes rotas tecnológicas, como a pirólise, a gaseificação e a fermentação. No caso da pesquisa realizada no NUESC do ITP, prioriza-se um processo eficiente e de baixo impacto ambiental:

Secagem e trituração: a fibra do coco é coletada, seca e triturada para facilitar o processamento.

Conversão térmica: a biomassa pode ser submetida à pirólise, que converte o material em bio-óleo, biocarvão e gases combustíveis.

Refino e aproveitamento: o bio-óleo pode ser refinado para uso em motores e geradores, enquanto o biocarvão pode ser utilizado como fonte de energia ou para melhorar a qualidade do solo.

Processo integrado 

Recentemente, avanços tecnológicos permitiram a integração de três etapas essenciais para a produção de combustíveis sustentáveis: extração de óleo, produção de biodiesel e produção de bio-óleo a partir de oleaginosas. Essa tecnologia inovadora emprega fluidos pressurizados, reduzindo significativamente o uso de solventes orgânicos e promovendo uma abordagem ambientalmente sustentável.

De acordo com a pesquisa do ITP, a abordagem maximiza o aproveitamento dos resíduos gerados no processo, contribuindo para uma economia circular e reduzindo o impacto ambiental da produção de combustíveis.

A iniciativa não apenas contribui para a redução da dependência de combustíveis fósseis, mas também melhora a gestão de resíduos urbanos, evitando o acúmulo de lixo orgânico. Além disso, a criação de uma cadeia produtiva em torno do biocombustível fomenta a geração de empregos e o desenvolvimento local, promovendo a economia circular.

Sobre | O ITP integra um robusto ecossistema educacional e de pesquisa em Sergipe que inclui a Universidade Tiradentes (Unit) e o Tiradentes Innovation Center (TIC), fundamentais para o avanço tecnológico e científico do país. As três instituições, cada uma com funções distintas, instaladas no Campus Unit Farolândia, em Aracaju, fazem parte do Grupo Tiradentes que este ano completa 63 anos de história.

(Fonte: Agência FR)

O que move a economia mundial?

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Para o pesquisador teórico-conceitual Orquiza J.C., o ciclo de crescimento econômico atual coloca a humanidade em um estado de esgotamento e colapso ambiental sem precedentes. Afinal, existir nas médias e grandes cidades – segundo estimativas da ONU indicam, até 2050 mais de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas –significa sucumbir a um modelo onde a produtividade existe como sinônimo de qualidade de vida. De acordo com o estudioso, isso acontece porque a produção é colocada acima da exaustão necessária para atingi-la. E é exatamente para buscar uma maneira mais justa de valorar o esforço do trabalhador que ele provoca o leitor a analisar e reavaliar essa relação em “O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial”.

Para o autor, a necessidade de produzir bens e serviços atingiu níveis de dedicação extenuantes. O corpo humano gera e armazena energia a nível celular para se manter vivo e a emprega em qualquer atividade, desde a respiração até um dia completo de trabalho. Orquiza defende, então, que a essência da economia reside nessa força vital.

Ao longo de uma contextualização histórica e de explicações didáticas, ele traz atenção para como a jornada de trabalho moderna excede em muito os limites naturais do corpo humano – nossos ancestrais pré-históricos dedicavam, em média, apenas 1h30 a 2h por dia às práticas essenciais para a subsistência.

Diante disso, o autor questiona se o modelo de oito horas diárias de trabalho é biologicamente viável. A verdadeira sustentabilidade, seja ela ambiental ou fisiológica, pressupõe um sistema que dê espaço para a saúde e para o bem-estar, em vez de exigir uma priorização de exigências produtivas cada vez mais altas.

A obra é resultado da união de conceitos de filosofia, geopolítica, física e sociologia. Ao longo das páginas, o escritor abre espaço para debates acerca do ritmo insustentável da produção industrial moderna.

“Todos os dias, você negocia partes de sua própria vida para permitir o que chamamos de desenvolvimento econômico – esse é o preço invisível que todos pagamos” (O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial, p. 12)

Embasado em mais de uma década de pesquisa interdisciplinar, O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial conecta ciência e humanidade, propondo soluções para um futuro mais equilibrado.

O livro vai além de uma análise econômica e abre um novo horizonte para o entendimento do papel humano no mundo. É um convite à sociedade, educadores, economistas e formuladores de políticas públicas para repensar a forma como trabalho, energia e progresso são interligados. 

Ficha técnica

Título: O Preço da Vida: seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia

Autor: João Carlos Orquiza

ISBN: 978-65-01-24959-9

Páginas: 115

Preço: R$ 51,82

Onde encontrar: Amazon, Clube de Autores, Google Play Store

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal.

Sobre o autor: Enquanto aprofunda os estudos e Psicologia, Orquiza J.C. investiga a interseção entre ciência e economia, explorando como as estruturas biológicas humanas conectam-se à cultura, aos transtornos mentais e à sustentabilidade econômica global. Observador e pensador teórico-conceitual autodidata, é crítico das abordagens intervencionistas e comerciais na pesquisa científica. Publicou em revistas acadêmicas renomadas, incluindo um capítulo expandido do livro O Preço da Vida, Seu trabalho, sua energia, o verdadeiro motor da economia mundial e desenvolve modelos teóricos sobre a centralidade da energia humana na economia mundial. Redes sociais do autor: Instagram | ResearchGate | Site.

(Com Ana Paula Gonçalves/LC Agência de Comunicação)