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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Pinacoteca de São Paulo dedica maior exposição do ano à pop arte brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Detalhe Pietrina Checcacci, Dinheiro, da série O povo brasileiro (1967). Foto: Jaime Aciolo.

A Pinacoteca de São Paulo inaugura a exposição ‘Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70’, na Grande Galeria do edifício Pina Contemporânea. A exposição reúne 250 obras de mais de 100 artistas, muitas delas expostas juntas pela primeira vez, proporcionando uma visão abrangente sobre a arte do período. Com curadoria de Pollyana Quintella e Yuri Quevedo, a mostra se divide em temas que remontam aos grandes acontecimentos do período, como o surgimento da indústria cultural, a ruptura democrática e transformações sociais de diversas ordens. Podem ser vistos trabalhos de Wanda Pimentel, Romanita Disconzi, Antonio Dias e muitos outros. O público poderá ainda vestir e experimentar os famosos parangolés de Hélio Oiticica.

Em um contexto de industrialização e turbulências políticas – Guerra Fria e ditadura civil-militar – a produção artística nacional lida de maneira contestadora e irreverente com a massificação da cultura promovida pela televisão e os grandes veículos da imprensa e da publicidade. A partir da década de 1960, uma série de tendências figurativas internacionais ganham espaço no debate artístico nacional. Dentre essas tendências está a Arte Pop, original do Reino Unido, mas que ganhou fama nos Estados Unidos por meio de figuras célebres com Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Jasper Johns e Robert Rauschenberg.

Claudio Tozzi, Astronautas (1969).

Entretanto, enquanto esses artistas trabalhavam a linguagem em um contexto de país desenvolvido, industrializado e com uma produção massificada, artistas brasileiros lidavam com um cenário de subdesenvolvimento e desigualdade em que tinham de elaborar o trauma de uma sociedade oprimida pelo regime militar. “A exposição lida com um momento da história do país que ainda hoje ressoa em nosso cotidiano. Olhar para essa produção é importante para entender o início da arte contemporânea entre nós, e também as questões disparadoras de muitos dos debates da atualidade. E, diante da reunião dessas obras, podemos entender a força coletiva dos artistas de uma geração que trabalhou para denunciar, protestar e sonhar com uma nova sociedade”, afirmam os curadores.
Sobre a exposição

O interesse dos artistas pela rua, fruto do desejo de ocupar espaços mais diversos e menos institucionalizados, marcou uma série de eventos nos últimos anos da década de 1960 e no início dos anos 1970. Entre eles, figura o ‘Happening das Bandeiras’, realizado em 1968 na Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro, que reuniu artistas como Nelson Leirner, Flávio Motta, Hélio Oiticica, Carmela Gross e Ana Maria Maiolino. Na ocasião, eles expuseram bandeiras serigrafadas em praça pública promovendo uma ocupação coletiva do espaço público, em busca de um acesso mais amplo e democrático para as artes visuais. O conjunto de bandeiras originais abre a exposição na Grande Galeria.

Na sequência, há trabalhos que tratam de uma indústria cultural em formação no Brasil, exibindo estrelas da música popular brasileira, graças aos festivais televisivos, em meio à febre da corrida espacial, que transformou astronautas em ‘ícones pop’ e transmitiu imagens ao mundo do grande marco histórico que foi a chegada do homem à Lua. Grandes nomes do período estão reunidos, como Nelson Leirner, com seu altar para o rei Roberto Carlos na obra Adoração (1966), Claudia Andujar, que fotografou Chico Buarque em 1968, Flávio Império, que retratou Caetano Veloso em Lua de São Jorge (1976), o artista popular Waldomiro de Deus, com seus foguetes característicos, Claudio Tozzi, com as obras Bob Dylan (1969) e Guevara (1967), além de seus astronautas que marcaram a iconografia da pop à brasileira.

O desejo de rua e as rupturas

As restrições impostas pela ditadura civil-militar foram retratadas nas produções artísticas por meio de diferentes estratégias formais, poéticas e políticas. Na exposição, estão reunidas caricaturas de generais, presentes nas obras de Humberto Espíndola, Antonio Dias e Cybele Varela, desenhos dos presos políticos da coleção Alípio Freire, pertencentes ao Memorial da Resistência, registros fotográficos que Evandro Teixeira realizou na emblemática passeata dos 100 mil, além de trabalhos que procuraram intervir diretamente no contexto político, como as garrafas de Coca-Cola de Cildo Meireles, que compõem a obra Inserções em circuitos ideológicos (1970), e as trouxas ensanguentadas (1969) de Artur Barrio. Além disso, o tema da criminalidade também permeava as produções artísticas do período. Frente ao estado opressor, figuras de marginalidade foram evocadas como estratégia subversiva, contestando a moral e as leis. Dentre elas, destacam-se uma cena de crime pintada por Paulo Pedro Leal ainda no início dos anos 1960, o filme Natureza (1973) de Luiz Alphonsus e o clássico A bela Lindonéia (1967), de Rubens Gerchman.

O gesto pop se apropria ainda do imaginário da cidade, por meio de signos e códigos urbanos. É o caso de trabalhos como Marlboro (1976), em que Geraldo de Barros transforma restos de outdoor em pinturas, e as superfícies estruturadas com restos de acrílico e latão de Judith Lauand (Sem título, 1972). Na área central da galeria, estão reunidos trabalhos que expressam a disputa pelo espaço público. Setas, semáforos, festividades e proposições coletivas ganham centralidade nas obras. Buum (1966), de Marcelo Nitsche, Totém de interpretação (1969), de Romanita Disconzi, Lateral de ônibus (1969), de Raymundo Colares, e os emblemáticos parangolés de Hélio Oiticica, apresentados pela primeira vez há exatos 60 anos, na mostra Opinião 65, realizada no MAM-Rio, podem ser vistos pelo público. No caso de Oiticica, o visitante poderá, literalmente, experimentar os Parangolés, vestindo-os no espaço expositivo.

A década de 1960 também foi palco de uma revolução sexual fruto de eventos históricos como maio de 68, na França, e o movimento hippie nos EUA. No núcleo sobre desejo e sexualidade, estão obras de artistas que pensaram as mudanças do estatuto da sexualidade no Brasil, atravessadas também pela cultura de massa. É o caso Wanda Pimentel, com sua série Envolvimento (1968), Teresinha Soares com A caixa de fazer amor (1967) e Antônio Dias em Teu corpo (1967), além de Maria Auxiliadora, Lygia Pape e Vilma Pasqualini.

A exposição Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70 é apresentada por Bradesco e patrocinada por Livelo, na categoria Platinum, Mattos Filho, na categoria Ouro e Nescafé Dolce Gusto, na categoria Prata. A mostra será exibida no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), na Argentina, de 5 de novembro de 2025 a 2 de fevereiro de 2026.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.  

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Contemporânea | Grande Galeria

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Mata Atlântica: biodiversidade sob ameaça exige atenção urgente

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Giulia Squillace/Unsplash+.

Por Britannica Education — A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do planeta. Originalmente, cobria cerca de 1,3 milhão de km² do território brasileiro, estendendo-se por 17 estados e abrigando uma diversidade única de flora, fauna e culturas. Hoje, restam apenas cerca de 12% da vegetação original, fragmentada e sob intensa pressão humana.

O bioma é estratégico: regula o clima, protege o solo, abriga nascentes e fornece água para mais de 70% da população brasileira. É também um reduto de biodiversidade impressionante. Segundo a Britannica Escola, o Brasil é um dos 17 países megadiversos do mundo, concentrando cerca de 20% de todas as espécies descritas – e a Mata Atlântica é um dos principais refúgios dessa vida. Estima-se que o bioma abriga mais de 20 mil espécies de plantas, além de milhares de animais — incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.

No entanto, a expansão urbana desordenada, a conversão de florestas em pastagens ou monoculturas e a perda contínua de habitat colocam a biodiversidade da Mata Atlântica em risco crescente. Mudanças climáticas, poluição, espécies invasoras e tráfico de animais silvestres também agravam a situação.

Apesar do cenário preocupante, há esperança. Iniciativas de restauração ecológica vêm ganhando força, como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que já mapeou mais de 1 milhão de hectares com potencial de regeneração. Governos, organizações não governamentais, setor privado e comunidades tradicionais vêm unindo forças para proteger o que resta e recuperar áreas degradadas. A restauração florestal não apenas protege espécies ameaçadas, mas também gera empregos, promove inclusão social e contribui para a mitigação das mudanças climáticas.

O final do mês de maio marca o início de um importante período de mobilização ambiental. O Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado em 22 de maio, e o Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio, chamam a atenção sobre a urgência da conservação e a conscientização continua em junho com a Semana do Meio Ambiente, que culmina no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Sobre a Britannica Education

A Britannica Education é a divisão educacional da Encyclopædia Britannica, dedicada a transformar o aprendizado por meio de soluções inovadoras baseadas em tecnologia. Com mais de 250 anos de expertise na produção de conteúdo editorial, a empresa consolidou-se como referência global em educação digital, oferecendo plataformas interativas e conteúdos seguros para instituições de ensino, educadores e alunos em todo o mundo.

No Brasil, a Britannica Education desenvolve soluções alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), garantindo materiais educativos adaptados às necessidades do ensino local. Suas plataformas atendem escolas públicas e privadas, incluindo a rede estadual de Minas Gerais, que disponibiliza acesso às soluções da Britannica para 1,6 milhão de alunos. Além disso, parcerias com instituições como a Rede CNA e o Grupo Eleva, Pueridomus e Avenues reforçam seu compromisso com a educação de qualidade. A empresa também investe no letramento digital de educadores, promovendo capacitações para o uso eficiente da tecnologia na sala de aula.

Com um legado de inovação e compromisso com a excelência, a Britannica Education segue ampliando seu impacto na educação global, garantindo acesso a conhecimento seguro, profundo e confiável e promovendo a transformação digital do ensino.

(Com Marcos Viesi/Agência Fato Relevante)

Anelo celebra, na periferia, 25 anos com a música que transforma

Campinas, por Kleber Patricio

Coro Anelo. Foto: Levi Macedo.

Iniciativa social nascida do sonho de um jovem que buscou apoio de comerciantes para alugar o salão onde funcionava um antigo bar, e usá-lo para dar aulas de música, o Anelo celebra neste mês de maio 25 anos de história – e resiliência – graças ao apoio de quem acreditou no projeto. Após sobreviver a momentos de grave crise, a instituição se consolidou como referência no Jardim Florence e fortalece sua atuação a fim de inspirar outras pessoas a buscarem soluções para demandas sociais de suas comunidades. Atualmente, atende 1,2 mil alunos, crianças, jovens e adultos, por ano.

Ao longo dos anos, voluntários apoiaram com ajuda financeira, apoio administrativo, social e pedagógico. O Anelo também contou com o apoio da imprensa para ser reconhecido – em dois momentos, empresários sem ligação com o bairro se sensibilizaram com notícias sobre o risco de fechamento e atuaram para manter os atendimentos. Após 18 anos de atuação, o Anelo se estruturou, obteve aprovação de projetos em editais e acessou recursos através de leis de incentivo (como Lei Rouanet e ProAC), possibilitando o fortalecimento e ampliação dos trabalhos, por meio de patrocínios de empresas que acreditaram no projeto.

A organização firmou ainda colaboração com a Arcevia Jazz Feast, da Itália, Standard Bank Jazz Festival, na África do Sul, e iniciou parceria com a unidade chinesa da Juilliard, uma das escolas de música mais conceituadas do mundo. “A minha maior motivação ao iniciar, lá atrás, o trabalho com o Anelo, era deixar de ser invisível, sair deste lugar em que me sentia só mais um menino preto, esquecido na periferia, sem autoestima e sem perspectiva de um futuro. Nesta jornada, foram muitas pessoas que se conectaram e ainda estão conectadas com o Anelo, e não imaginavam o que ele seria hoje. Fala-se do Anelo hoje como referência, mas a ideia que eu tenho é mais modesta, porque somos uma referência dentro de uma realidade de diversas vulnerabilidades, em meio à ineficiência de políticas públicas”, afirma o fundador Luccas Soares.

Da união de amigos à 1ª banda Anelo

Banda Pretas e Pretos. Foto: Isabelle Andrade.

Em 1997, com 17 anos, Luccas e os amigos Caio Felipe, Wilson Lima e Gilberto Correa iniciavam sem saber um embrião do instituto, montando uma banda inspirados pelos músicos que ouviam na igreja. O instrumento de Luccas foi um teclado financiado no sistema de carnê. Se apresentavam com música gospel e mensagem contra as drogas. O nome escolhido foi Anelo, em referência ao título de uma música que gostavam, sem saber do seu significado como inspiração, que hoje norteia as ações da entidade. “Eu já dava aulas de música em casa, numa viela, mas ela ficou pequena para isso. Vi que o bar onde eu vendia churros fechou. Pensei em alugar a sala e saí em busca de apoio com os comerciantes do bairro para custear o aluguel”, relembra Luccas.

A primeira formação da banda teve fim em 1999, mas o trabalho continuou se transformando em uma ação sociocultural. Neste contexto, o projeto contou com o reforço do músico Guilherme Ribeiro, à época estudante de Música na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), para formar o que é considerada a ‘Primeira Banda Instrumental do Anelo’ – hoje, a Orquestra Anelo. “Conheci o Guilherme em uma apresentação no distrito de Barão Geraldo. Ele veio conhecer o instituto e se engajou. Formamos uma banda instrumental, que foi fundamental para mudar a percepção didática do Anelo”, comenta Luccas.

“Eu tinha um teclado cuja fonte de energia tinha um problema de contato, o Luccas (que foi assistir ao show) me ajudou a resolver. Depois da apresentação, fui agradecer a presença, estendemos a conversa e ele contou que tinha uma escola de música, me convidou a conhecer. Lá, encontrei uma turma de jovens músicos, e me envolvi. Propus atividades e estabeleci uma relação que já dura 25 anos”, conta Guilherme. Ele ressalta que a vontade dos jovens de aprender, um ‘certo brilho nos olhos’ deles, o motivou a contribuir com aulas práticas, nas quais se formavam literalmente uma banda.

Luccas Soares. Foto: Jackie Goulart.

O músico se envolveu também com as áreas operacional e administrativa, além de convidar outros amigos de profissão para conhecer a instituição. Acabou se mudando para São Paulo, mas nunca deixou o contato com o Anelo. Quando deu aulas em um festival na Itália, em 2012, sugeriu ao Luccas que tentasse participar do evento, e o Anelo acabou firmando uma parceria com o festival, mandando alunos e professores para a Europa.  Até o ano de 2025, mais de 40 jovens foram para a Itália, representando o Anelo no Arcevia Jazz Feast, na Itália.

Já no início de 2018, o músico estava escrevendo arranjos para grupos grandes, e sugeriu algo nesse modelo para o instituto. “Então a gente criou a Orquestra Anelo. Apesar do nome, é uma big band, com formação instrumental fixa. Estou à frente desse grupo, escrevendo arranjos, regendo, fazendo a direção artística”, conta. “Talvez seja difícil para as pessoas terem a noção que o Anelo começou com muito pouco, com colaboração de comerciantes, numa salinha. Hoje, uma das conquistas é que o Anelo se colocou na agenda da cidade, é um bem cultural, um patrimônio”, apontou Guilherme Ribeiro.

Voluntários

A engenheira química Gabriela Ibiapina Lira Aguiar foi uma das voluntárias que conheceu o instituto por meio do músico Guilherme Ribeiro, então seu professor de piano, em 2001. Cursando sua segunda graduação, desta vez Jornalismo na PUC (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), Gabriela recebeu de Guilherme a indicação de visitar o Anelo para realizar um trabalho da faculdade. Depois de conhecer o Anelo, se envolveu com a organização e contribuiu na estrutura administrativa e atração de profissionais e apoiadores. Também foi doadora e organizadora de eventos, com amigos, para levantar recursos.

Gabriela Aguiar. Foto: Acervo.

“Logo no começo, foi um trabalho alinhar as expectativas à realidade a fim de não gastar sem ganhar o suficiente para isso para arcar com os custos”, diz, lembrando das dívidas e dificuldades vividas por falta de experiência com o gerenciamento de recursos. “Em 2010, fui presidente do Anelo, e uma missão foi fazer a parte burocrática para obter recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. E fomos aprovados, numa época em que o dinheiro vinha só de doações de alunos e comerciantes”, afirmou Gabriela.

Ainda na sua presidência, foi iniciado um trabalho de tentar patrocínios de empresas privadas e captação via leis de incentivo. Gabi, como é conhecida, também ajudou a apresentar o Anelo a um dos maiores contribuintes do projeto, conhecido como Dr. John. “Acredito na idoneidade do Anelo, no amor do Luccas, é contagiante. O Anelo hoje sonha muito mais alto. As pessoas lá sonham”, finaliza Gabriela.

Dr. John, é o nome pelo qual é conhecido o arquiteto e industrial Johnson Kahung Sieh, um contribuinte importante da instituição. Ele revela que ficou sabendo do trabalho do Anelo em uma festividade com diretores de empresas. “O trabalho simples e humilde, mas com intenções nobres, despertou a minha curiosidade. Meu primeiro encontro com o Luccas foi quando o convidei para uma festa de Natal do Grupo Primavera (entidade com a qual já contribuía), há muitos anos. Ele veio com um grupo de jovens alunos para atuar. Notei que sempre teve como características humildade e entusiasmo pelos jovens”, afirmou Dr. John.

Luccas recebendo a Medalha Carlos Gomes. Foto: Acervo.

Percebendo, em suas palavras, que o projeto atendia não só suas necessidades, mas também ‘as dos outros’, o apoiador ajudou inclusive a planejar um novo espaço físico adequado para as aulas. “O crescimento de Anelo tem sido espantoso, suas imagens e sons são inspiradores, e de grande alcance, da Europa, passando pela Africa, à China. Tal como a era da tecnologia continua a dominar o mundo, a minha esperança para o Anelo permanecerá com o amor e a alegria carinhosa da sua música que transforma”, comemora Dr. John.

Outra apoiadora histórica, a assistente social Maria Madalena Meloni de Oliveira conta que conheceu o Anelo em 2004, por meio de sua atuação numa ONG chamada Cedap (Centro de Educação e Assessoria Popular), e começou a colaborar com orientações e fortalecimento institucional. Foi responsável pela elaboração dos Planos de Trabalho, relatórios e projetos do Instituto.

“O Cedap tinha um projeto de formação de lideranças e de consultoria para as organizações comunitárias. Foi assim que o pessoal do Anelo nos procurou”, esclarece Madalena. “Agora o instituto cresceu, profissionalizou sua atuação e conta com uma equipe multidisciplinar para realizá-la. Hoje sou quase só uma amiga, uma admiradora emocionada e orgulhosa de ver tantas vidas impactadas, talentos revelados, a música expandir-se, famílias convivendo e a comunidade valorizada.”

Crises, ajudas inesperadas e a gratidão de um pai

Segundo Luccas, o risco de fechamento sempre rondou o Anelo durante os 15 primeiros anos. Em um desses momentos, em 2010, uma matéria de jornal mostrou os problemas para manter o aluguel da sede. A situação chamou a atenção do empresário Moacir Cunha Penteado, da construtora Lix da Cunha, que se ofereceu para pagar dois anos de aluguel para o Anelo e ainda comprou instrumentos. “Era algo que eu não sabia como agradecer. Quando fomos formalizar esta contribuição, eu ofereci a ele a única coisa que eu tinha naquele momento, a Medalha de Honra Carlos Gomes”, explicou Luccas.

A medalha é uma honraria concedida pela Prefeitura de Campinas à pessoas que se destacam pelos relevantes serviços prestados nos campos da cultura e da arte, no município, e foi concedida ao Anelo em 2003. “De início, ele não queria aceitar a medalha, mas depois aceitou enfatizando que me devolveria em seu leito de morte, o que graças a Deus, ainda não aconteceu”, aponta Luccas.

Em uma outra oportunidade, a imprensa foi fundamental para dar a visibilidade que a organização precisava, em um momento crítico. Em 2014, uma multa aplicada pela Prefeitura ao dono da sala onde ocorriam as aulas, devido à mudança de finalidade do imóvel – não mais usado como comércio –, e com exigência de mudanças na estrutura, abriu nova crise. Para cumprir as exigências, o dono teria de dobrar o valor do aluguel, ou fecharia. Com nova exposição mídia, desta vez a empresa Colt Security, de Paulínia, procurou o Anelo e ajudou com o pagamento de mais dois anos de aluguel.

Luccas percebeu, porém, que mesmo estando sempre na imprensa, na maioria das vezes o contexto era de sobrevivência em meio a uma região considerada violenta, focando no resgate de jovens da possível criminalidade. Em conversa com o sociólogo Fernando Cordovil, que à época fazia um mestrado na Unicamp sobre o impacto da mídia na jornada do Anelo, Luccas entendeu que esse enfoque de vulnerabilidade era aceito pelo Anelo, normalmente divulgando pedidos de ajuda. “Quando fizemos 15 anos, procuramos a imprensa e fizemos um trabalho de focar em coisas que estavam funcionando. Foi uma mudança importante, mudou a identidade institucional, ajudou a mostrar melhor o trabalho, não apenas nas vulnerabilidades, mas também no impacto na comunidade. Esta mudança de posicionamento de imagem foi extremamente positiva para o Anelo, fortaleceu a autoestima dos moradores locais e os laços da organização com a comunidade”, explica Luccas.

Em rede nacional

Alissa e Luciano Huck. Foto: Acervo.

Por iniciativa do pai de uma aluna, a história do Anelo viveu um capítulo que deu visibilidade nacional à organização, ajudando na posterior chegada de novos apoios. Com a visibilidade alcançada pelo Anelo, empresas de grande porte de Campinas e Região conheceram o projeto e passaram a apoiar.  Essa história começou em 2016, quando Luccas foi até a casa de uma aluna, que corria o risco de perder sua vaga, pois somaria sua terceira falta, no intuito de fazê-la retomar as aulas.

“Era a Alissa. Ela voltou às aulas, não saiu mais e seu pai passou dois anos tentando agradecer. Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas a Alissa estava muito depressiva, e retomar as aulas foi muito importante e contribuiu para a recuperação dela naquele momento. Sem sabermos, o pai da Alissa escreveu uma carta falando do nosso trabalho para o programa Caldeirão do Huck (do apresentador Luciano Huck, da TV Globo). E o Huck apareceu aqui no Anelo, em 2018”, descreve Luccas.

Como resultado desta visita, o Anelo fez uma apresentação no programa com a banda Titãs e DJ Alok, e Luciano Huck. Na ocasião, o Anelo teve a sua história contada por 54 minutos ininterruptos, no dia 29 de dezembro de 2018, feito que projetou nacionalmente a organização.

O pai de Alissa é o professor Manoel Messias Silva Gondim. Ele se recorda que conheceu o Anelo em seu trabalho na Escola Dr. Newton Oppermann (Jardim Florence), onde o Luccas tocava eventualmente em eventos. Independente das ações na escola, o instituto era conhecido no bairro pela oferta de cultura musical, o que atraiu suas sobrinhas e a filha. “Ela passava por um problema de depressão muito sério e a única coisa que fazia com se afastasse disso era a música. Mesmo assim, estava querendo desistir e o Luccas veio atrás. Foi um divisor de águas na questão desse problema. Tenho uma gratidão pessoal, do que o Anelo fez para minha filha, pelas minhas sobrinhas e pelo que faz para os jovens da região”, apontou Manoel.

Guilherme Ribeiro. Foto: Dalton Yatabe.

Sobre a ideia de apresentar o projeto a um programa nacional de TV, ele afirma estar muito feliz por ter conseguido ajudar. “Fico feliz de ter colaborado de alguma forma porque fiz a inscrição, falando do instituto e pedindo para que viessem visitar e entender o que ele representa para a região. Graças a Deus deu certo, vieram, e foi muito significante aquele dia, foi inesquecível. Acredito que de lá para cá o Anelo teve uma visibilidade no Brasil. Eu acho que cedo ou tarde o Anelo seria visto e reconhecido mundialmente”, considerou.

Reconhecimento, futuro e celebração

Além da Medalha Carlos Gomes, ainda em 2003 o Anelo foi reconhecido como entidade de utilidade pública, amparado por lei municipal. Em 2017, recebeu o prêmio IBEF, concedido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), na categoria ’Responsabilidade Social’. Em 2022 recebeu o Grande Colar do Mérito Judiciário da Justiça do Trabalho da 15ª Região e, em 2023, foi até a cidade de Roma, na Itália, representado por Luccas Soares e Levi Macedo, para receber o Prêmio do Festival Tulipani di Seta Nera, na categoria Cinematografia Social, pelo clipe da música Nosso Lugar, adotada como um hino da organização.

Carinhosamente chamado de Nosso Lugar, por alunos e colaboradores, o Anelo funciona em uma sede própria desde 2020, em uma estrutura improvisada, adaptada para as atividades de ensino de música.  O espaço era uma antiga base da Guarda Municipal que foi reformada pela organização. Atualmente, o Anelo busca apoio e dedica-se a encontrar formas para aprimorar e ampliar a estrutura disponível para a realização de suas atividades, tanto pedagógicas quanto artísticas, com espaços mais adequados, acolhedores e sustentáveis.

A ideia para o futuro é também investir ainda mais na qualidade de formação, ajudando a fazer dos alunos agentes multiplicadores. “Que eles inspirem mais pessoas a atuar pelas mudanças que desejam ver em suas comunidades”, comenta Luccas.

Aos 25 anos, o Anelo vai celebrar a marca o ano todo, mas sendo maio o mês de aniversário, a organização realiza uma série de apresentações ao longo do mês, fechando esta etapa de celebrações em 31 de maio, a partir das 9h, com apresentações das bandas Pretas&Pretos, Combo Anelo, Orquestra Anelo, uma Jam Session, e corais infantil, juvenil e adulto, na sede do Anelo – Rua Vicente de Marchi, 718, Jardim Florence.

(Com Claudio Liza/Instituto Anelo)

Grátis neste domingo: Festa Junina Vegana na Rua Augusta

São Paulo, por Kleber Patricio

Festa Junina Vegana da Vegnice. Fotos: Divulgação.

A Festa Junina Vegnice, considerada a maior celebração junina vegana do país, chega à sua 11ª edição em 2025 e estreia um novo palco: a emblemática Rua Augusta, em São Paulo. O evento será realizado nos domingos de junho — dias 1, 8, 15, 22 e 29, das 12h às 20h, com entrada gratuita, classificação livre e espaço pet friendly.

Celebrando uma das festas mais tradicionais da cultura brasileira, a Vegnice mantém as raízes do São João, mas com uma proposta inclusiva e sustentável. O cardápio é repleto de sabores conhecidos do público, agora preparados sem ingredientes de origem animal, sem lactose e com diversas opções sem glúten ou dietéticas.

Entre os destaques gastronômicos estão o tradicional bolinho caipira de Jacareí, arroz doce e canjica feitos com leite de amêndoas, curau e pamonha preparados com leite de coco, vinho quente e quentão, lanches buraco quente e carne louca de jaca, bolos diversos como fubá, cenoura e amendoim – todos sem lactose e alguns sem glúten –, cuscuz nordestino, suco de milho verde, chá de amendoim, doces dietéticos, salgados e espetinhos de churrasco vegano, além de caldinhos reconfortantes e outras delícias de inverno.

A programação também inclui aula gratuita de forró pé-de-serra, área kids, fogueira e expositores com moda autoral, cosméticos naturais e artesanato criativo. Tudo isso reunido em um ambiente acolhedor, que conecta cultura, sustentabilidade e pluralidade.

“O objetivo é manter viva a tradição junina, mas mostrando que é possível celebrar com consciência, sem abrir mão do sabor, da alegria ou da identidade brasileira”, explica Gopi Priscila, idealizadora da Vegnice.

Com acesso fácil pelo Metrô Consolação, a nova localização reforça a proposta de democratizar o veganismo e promover encontros entre diferentes públicos, estilos e gerações.

Serviço:

Festa Junina Vegana Vegnice – 11ª edição

Quermesse gratuita promove cultura brasileira em versão inclusiva com culinária típica e internacional 100% vegana, aula de forró, fogueira, artesanato e programação para toda a família

Datas: 1, 8, 15, 22 e 29 de junho (domingos)

Horário: 12h às 20h

Local: Rua Augusta, 935 – a 800 metros do Metrô Consolação

Entrada: Gratuita

Classificação: Livre

Pet Friendly

Estacionamento privado no local

Mais informações:

Ingresso gratuito: https://www.sympla.com.br/evento/festa-junina-vegana/2953265

Instagram www.instagram.com/vegniceoficial

Facebook www.facebook.com/Vegnice.

(Com Fernanda Spagnuolo/Estrela Comunicação)

Pesquisadores exploram influência francesa no Brasil nos séculos XIX e XX

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

A imigração francesa desempenhou um papel crucial na formação do Brasil, deixando legados duradouros em diversas esferas. Em Franceses no Brasil: Séculos XIX-XX, lançamento da Editora Unesp, os organizadores Laurent Vidal e Tania Regina de Luca reúnem pesquisas que investigam a presença e a atuação de indivíduos e grupos franceses em diferentes regiões do país, revelando como transformaram paisagens urbanas e rurais. A obra oferece uma análise abrangente, abordando desde as motivações dos imigrantes até os impactos de sua presença na política, economia e cultura brasileiras.
Mais do que uma narrativa centrada no tradicional eixo Rio de Janeiro-Paris, o livro explora a circulação de franceses em diferentes regiões do Brasil. Profissionais como comerciantes, médicos, engenheiros, livreiros, artistas, modistas e colonos agrícolas são destacados, evidenciando a diversidade de suas contribuições. Além das trajetórias individuais, os autores discutem os projetos políticos e diplomáticos que impulsionaram essa migração, analisando como os imigrantes se inseriram em variados contextos sociais e econômicos.

“Um mosaico delicioso e curioso que delineia com fragmentos preciosos uma imagem fascinante e abrangente sobre a presença francesa no Brasil entre os séculos XIX e XX”, define a pesquisadora da UFMG Eliana de Freitas Dutra. “Trata-se de uma obra, em reedição ampliada, com leituras fundamentais para todos aqueles que querem conhecer a história dos franceses não apenas no Rio de Janeiro, então capital federal, mas no norte e no nordeste do país, na região sudeste e na região sul; na cidade e no campo; no sertão e no litoral. Sem descuidar das motivações, das expectativas e do perfil dos projetos individuais daqueles que imigraram e escolheram o Brasil como destino, os autores vasculham com igual ênfase os projetos políticos, diplomáticos, econômicos, comerciais, culturais e civilizatórios que subjazem aos deslocamentos dos franceses rumo ao nosso país.” 

Esta segunda edição, revista e ampliada, inclui contribuições inéditas, como a atuação de franceses em Pernambuco, a imigração francófona na segunda metade do século XIX e a história de figuras emblemáticas, como Pedro Théberge, médico francês que viveu no sertão do Ceará. Também são abordados temas como a imprensa francesa no Brasil e projetos de colonização que atraíram trabalhadores europeus para o país.

Publicada originalmente em 2009, a obra se consagrou como referência nos estudos sobre as trocas culturais entre Brasil e França. Relançada durante a Temporada Cruzada França-Brasil 2025, Franceses no Brasil reafirma sua relevância ao explorar os laços transatlânticos e as dinâmicas dessa conexão. “Da ideia inicial de preencher um ‘vazio historiográfico’, o projeto atingiu seu objetivo: consolidou um campo de pesquisa em constante evolução, alinhado a abordagens como a história transnacional”, afirmam os organizadores. “Esta é a edição definitiva de um marco historiográfico.” 

Sobre os organizadores

Laurent Vidal é historiador e professor na universidade de La Rochelle. Dirigiu (2008‐2022) o centro de pesquisa em História Internacional e Atlântica (CRHIA), é atualmente presidente da residência artística internacional Intermondes Humanités Océanes. Foi professor convidado em várias universidades brasileiras.

Tania Regina de Luca é mestre e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo. É professora titular dos cursos de graduação e pós‐graduação em História da Universidade Estadual Paulista, campus Assis, e pesquisadora do CNPq. Desenvolve pesquisas a respeito da história da imprensa.

Título: Franceses no Brasil: séculos XIX‐XX 

Organizadores: Laurent Vidal, Tania Regina de Luca

Número de páginas: 646

Formato: 16 x 23 cm

Preço: R$ 110

ISBN: 978‐65‐5711‐262‐5.

Mais informações sobre a Editora Unesp estão disponíveis no site oficial.

(Com Diego Moura/Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp)