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Tradição centenária vira experiência gastronômica e mobiliza comunidades no litoral de Santa Catarina

Bombinhas, SC, por Kleber Patricio

Estabelecimentos gastronômicos apresentam releituras e criações exclusivas a partir da tainha. Foto: Luciano Dias/Divulgação.

Enquanto o Brasil discute sustentabilidade, preservação cultural e o impacto das atividades econômicas no meio ambiente, uma tradição centenária segue viva no litoral de Santa Catarina, mobilizando comunidades inteiras, movimentando a economia local e ganhando novos significados por meio da gastronomia.

A pesca artesanal da tainha em Bombinhas, reconhecida como patrimônio cultural catarinense desde 2019, é uma prática que atravessa gerações. Herdada dos povos indígenas e aprimorada pelos açorianos a partir do século 18, ela continua sendo transmitida de pai para filho e preserva um modo de vida que resiste ao tempo e às transformações do mercado.

Foto: Luciano Dias.

Mais do que uma atividade econômica, trata-se de um fenômeno social. Em um único lanço de pesca, dezenas de pessoas se organizam em funções específicas (vigias, remadores, redeiros e camaradas) em uma operação coletiva que pode reunir até 80 participantes na praia, em um verdadeiro ritual comunitário.

É justamente esse contexto que inspira a Rota Gastronômica da Tainha, iniciativa que conecta tradição, turismo e gastronomia ao transformar a cultura local em experiência para visitantes. Realizada em Bombinhas (SC), cidade que reúne 17 ranchos de pesca ativos, a rota convida o público a conhecer não apenas os pratos, mas toda a história por trás deles.

O evento mobiliza 13 estabelecimentos que têm como meta apresentar pratos diferenciados com o pescado tão famoso por estes lados. São locais que passaram pela Metodologia Cocriando Sabor e Saber, promovida pelo Sebrae/SC, que forma os empreendedores visando a sustentabilidade dos negócios posteriormente ao evento.

“São oficinas de atendimento, higiene, precificação e o suporte técnico de um chef-consultor que ajuda no desenvolvimento dos pratos criados exclusivamente para o festival gastronômico. É o fortalecimento da atividade de Alimentos e Bebidas em favor também do turismo regional como geração de emprego e renda”, relata a gestora do projeto de Alimentos e Bebidas do Sebrae/SC, Luciane Scheuermann. A Rota Gastronômica da Tainha é uma realização da Prefeitura de Bombinhas com o apoio do Sebrae/SC.

Entre o mar e o prato: cultura, economia e identidade

Foto: Luciano Dias.

A tainha é um peixe sazonal e símbolo do litoral Sul do Brasil, com ocorrência que vai da Argentina ao Rio de Janeiro. Seu ciclo migratório complexo e dependente de fatores ambientais, como temperatura, ventos e salinidade, reforça a conexão entre natureza e cultura na atividade pesqueira. Os cardumes migratórios saem da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, em direção ao norte do país fugindo das frentes frias, buscando assim, águas mais quentes para a desova.

Ao mesmo tempo, a pesca artesanal convive com desafios contemporâneos. A disputa com a pesca industrial, que opera com maior escala e tecnologia, e as discussões sobre cotas de captura colocam em evidência a necessidade de equilíbrio entre preservação ambiental e manutenção de tradições culturais.

Nesse cenário, iniciativas como a Rota Gastronômica da Tainha surgem como uma forma de valorizar o conhecimento tradicional, gerar renda para comunidades locais e promover um turismo mais consciente baseado em experiências autênticas e na valorização da identidade regional.

Uma tradição que vai além da pesca

Pesca artesanal da tainha em Bombinhas é reconhecida como patrimônio cultural catarinense desde 2019. Foto: Ricardo Ruas/Divulgação

A pesca da tainha envolve muito mais do que capturar o peixe. Ela reúne saberes que passam pela construção de embarcações, produção e manutenção de redes, culinária típica, observação das condições climáticas e, principalmente, a oralidade que nada mais é do que as histórias e conhecimentos compartilhados entre gerações.

Preservar essa tradição é, portanto, preservar um patrimônio imaterial brasileiro. Ao transformar esse contexto em uma experiência gastronômica estruturada, a Rota Gastronômica da Tainha não apenas atrai visitantes, mas ajuda a manter viva uma cultura que segue sendo escrita todos os dias, entre o mar, a areia e a mesa.

Conheça os estabelecimentos participantes:

Canto do Macuco

Dom Pedro Bar & Bistrô

Ilha do Sol Restaurante e Eventos

Mar Criado, Cultura e Sabor

Nico’s Restaurante

Quiosque Sol & Mar

Restaurante Camarão da Praia

Restaurante e Petiscaria Villa do Sabor

Restaurante e Pizzaria Vô Lauro

Restaurante Olímpio

Rubia Melo Ateliê de Sabores

Tomatino Cantina Italiana

Vila Rooftop Restaurante Bistrô & Lounge.

SERVIÇO:

O quê: Rota Gastronômica da Tainha

Onde: nos 13 estabelecimentos participantes, em Bombinhas (SC)

Quando: de 27/5 a 2/8

Pratos: de R$ 55 a R$ 180 (para duas pessoas)

Informações: www.instagram.com/rotagastronomicadatainha.

(Com Jo Laps/Oficina das Palavras)

“Gente de Classe”, do Grupo Carmin (RN) estreia no Sesc Avenida Paulista com sátira sobre a classe média em colapso

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Montagem aposta no humor ácido para confrontar gênero, classe e fé em um país à beira de novas rupturas. Foto: Marcia Novaes.

Em 2040, o condomínio de luxo Nova Canaã já não é apenas o endereço de uma família de classe média: tornou-se a metáfora de um país murado; conforto, discurso e medo convivem sob vigilância privada. É nesse território aparentemente protegido que “Gente de Classe”, do Grupo Carmin, com direção de Quitéria Kelly, uma das fundadoras do grupo, criado em Natal há mais de vinte anos, projeta um Brasil que parece futuro, mas fala diretamente do presente. O espetáculo estreia no Sesc Avenida Paulista, dia 29 de maio e fica em temporada até 28 de junho, de quinta a domingo, com algumas sessões às quartas (ver serviço completo no final).

Inspirada nas leituras do sociólogo potiguar Jessé Souza, a dramaturgia constrói um recorte específico da classe média — urbana, escolarizada, moralmente ansiosa — que pode ser reconhecida em diferentes regiões do país. “Não é de uma ‘ficção científica’ clássica, que tenta antecipar o futuro, mas uma crítica do presente a partir da projeção desse futuro possível”, afirma Quitéria Kelly, diretora do espetáculo.

No centro da narrativa está uma mãe solo que cria dois filhos dentro do condomínio blindado “Nova Canaã”. Ela encarna a contradição entre autonomia e sobrecarga, discurso progressista e prática conservadora. Ao seu redor, personagens majoritariamente femininas ampliam o debate: Maria, a inteligência artificial doméstica, e uma ativista do movimento revolucionário disputam o espaço privado e o espaço público. “O protagonismo feminino é uma larga tradição na modernidade. Por que não imaginar que a próxima revolução deste século XXI comece e seja liderada por mulheres?”, provoca a diretora.

Foto: Marcia Novaes.

A encenação tem uma estética assumidamente artificial, limpa e controlada, que reflete um mundo em que as relações humanas passaram a funcionar como um jogo permanente de performance. O cenário, composto por elementos minimalistas e modulares, deixam uma atmosfera “clean”, asséptica e impessoal: tudo parece organizado demais, calculado demais, “como um feed de rede social cuidadosamente editado”, nas palavras da diretora.

Para a diretora, a ideia do condomínio e da casa funcionam como metáfora de uma sociedade obcecada por sucesso, perfeição, status, engajamento e pertencimento: um espaço aparentemente perfeito, mas frágil. “Existe sempre uma sensação de vazio e instabilidade”, diz.

A encenação se distancia da realidade analógica, com o uso de projeções mapeadas. Esse recurso amplia a sensação de gamificação das relações pessoais, em que tudo é mediado por números, likes, rankings, barras de progresso, desafios e recompensas.

Foto: Ligia Jardim.

A escolha do nome “Nova Canaã” também é deliberada. “No Brasil de hoje, é muito forte a manipulação política do discurso evangélico e é justamente a partir da religião que a ideologia dominante opera no imaginário”, destaca a diretora. Para ela, fé, consumo e conservadorismo se entrelaçam na manutenção de privilégios.

Com influência de beats eletrônicos, trap music e da pesquisa musical de Ian Medeiros, a trilha sonora ajuda na construção estética e crítica da obra, ao conduzir a dramaturgia com pulsações, ironias e ritmos. “Em muitos momentos, ela funciona como um mecanismo de distanciamento: interrompe a tensão dramática para permitir que o humor apareça e que a crítica social possa emergir de forma mais aguda. Essa operação cria um contraste importante entre o absurdo das situações e a leveza aparente com que elas são apresentadas, característica marcante da linguagem do Grupo Carmin”, diz.

A direção de movimento acompanha essa lógica de artificialidade e controle: os corpos reproduzem gestos automatizados, poses de felicidade, dinâmicas coreografadas de convivência e comportamento performático.

Foto: Ligia Jardim.

Criada antes da pandemia, a peça foi retomada em 2024, quando o grupo percebeu que as tensões que a motivaram permaneciam ativas. “A surpresa é que, a despeito de estarmos com um governo mais democrático, os temas e as questões levantadas continuavam vivos na sociedade brasileira”, afirma Quitéria Kelly. O conteúdo político, aqui, é assumidamente mais explícito.

Grupo Carmin

Criado em 2007, em Natal (RN) pelas atrizes Quitéria Kelly e Titina Medeiros, o Grupo Carmin, pesquisa temas urbanos, memória e história e os retrata de forma cômica em dramaturgias originais. No seu repertório, peças consagradas como “Jacy” (2013) – um dos 10 melhores espetáculos do ano de 2015, segundo O Estadão; “A Invenção do Nordeste” (2017) – Melhor Dramaturgia (Prêmio Shell 2019), Melhor Espetáculo (Cesgranrio 2019), Melhor Autor e Melhor Ator Coadjuvante (APTR 2019), Melhor Peça, Direção e Texto (Prêmio do Humor 2019).

Além dessas duas peças, o Grupo Carmin tem em sua trajetória as peças “Pobres de Marré” (2007) – que marca o nascimento do Grupo e “Por Que Paris?” (2015), ambas não figuram mais em repertório. Ao longo de quase 20 anos, o grupo Carmin soma mais de 500 apresentações para mais de 30.000 pessoas em 23 estados brasileiros, Portugal e França. Circulou pelo SESC Palco Giratório (2016 e 2023), BR Distribuidora de Cultura e festivais como Mirada (SP), Cena Contemporânea (DF), Flip (RJ), Festival d’Aurillac (França), MICBR (SP), Fringe (PR), FIT BH (MG), FIT Rio Preto (SP), FIAC Bahia (BA). Fez temporadas importantes no Teatro Carlos Gomes (RJ), SESC Pinheiros (SP), SESC Belenzinho (SP); SESC Copacabana (RJ) e Teatro Sesi-Firjan (RJ). Em 2025 estreou sua nova peça intitulada “Gente de Classe”.

Sinopse

Em 2040, um condomínio de luxo deixou de ser apenas o lar de uma família de classe média, para se tornar um retrato das tensões sociais e contemporâneas. Em uma rotina aparentemente comum, uma mãe solo e seus dois filhos vivem cercados pelo conforto e desejo de empreendedorismo; mesmo em um mundo abalado por revoltas sociais e desigualdades crescentes.

Protegido por uma empresa de segurança privada, o condomínio Nova Canaã parece imune ao caos do lado de fora, até que o muro que separa esses dois mundos começa a ruir. Um movimento organizado, liderado por mulheres, propõe uma mudança nessa divisão social.

Ficha Técnica

Direção: Quitéria Kelly

Dramaturgia: Henrique Fontes, Pablo Capistrano e Quitéria Kelly

Elenco: Rafa Guedes, Thuyza Fagundes e Carol Cantídio / Quitéria Kelly

Direção de Movimento: Ana Cláudia Viana

Trilha Sonora: Ian Medeiros

Design de Luz: David Costa

Videomaker: Taline Freitas e Mylena Sousa

Animação: Juliano Barreto

Cenografia: Manar Zind

Figurino: Virginia Borges

Produção: Grupo Carmin e Corpo Rastreado

Assistência de Produção: Rafa Guedes e Lanuk Nagibson

Assistente de Palco: Venâncio Cruz

Comunicação Visual: Gabi Mati e (Estúdio Rima)

Sonoplasta: Ian Medeiros

Projeção Mapeada: Gabi Mati

Costureiras: Valquíria Rosa e Célia Lucena.

SERVIÇO:

Teatro | Gente de Classe | Com Grupo Carmin

Sesc Avenida Paulista – Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo Fone: (11) 3170-0800

Data: de 29 de maio a 28 de junho de 2026. Quinta a sábado, às 20h. Domingo e feriado, às 18h. Dias 10, 17 e 24/6 (quartas), às 15h. *Não haverá sessões nos dias 13/06 (sáb) e 19/06 (sex)

Acessibilidade: 10, 17 e 24/06 às 15h sessões com audiodescrição. 18, 20 às 20h e 21/06 às 18h sessões com tradução e interpretação em libras.

Local: Arte II (13º andar)

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (Meia) e R$ 18 (Credencial plena:). Venda de ingressos online a partir de 19/5, às 17h, e nas bilheterias das unidades a partir de 20/5, às 17h.

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(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Chico Chico apresenta show especial dedicado ao Dia dos Namorados no Qualistage com participação de Maria Bethânia

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O cantor e compositor Chico Chico anunciou um show especial de Dia dos Namorados no dia 12 de junho, no Qualistage, na Barra. A apresentação insere uma data que celebra o amor na rota da turnê Let It Burn / Deixa Arder, que marca uma das fases mais criativas do artista e vem percorrendo palcos pelo Brasil.

Pensado como uma noite para festejar o afeto em todas as formas, Chico acende ali uma chama mais íntima, com canções que tratam de amor, carinho e desejo em faixas como “Tanto Pra Dizer” e “Tempo de Louças”, sem abrir mão da energia que atravessa toda a sua trajetória. O show destaca ainda momentos de sua discografia recente e releituras que já viraram marca registrada de seus concertos, em arranjos que misturam rock, pop e ritmos da cultura popular brasileira.

No vídeo teaser que anuncia a apresentação, Chico escolheu cenas do convívio com seus amores caninos, aproximando o clima do show da ideia de afeto cotidiano: o carinho entre apaixonados, entre famílias, entre pessoas e seus bichos. A turnê celebra o álbum de mesmo nome e leva o público a uma jornada profunda pelo universo do artista. “Estou muito feliz de fazer um show neste dia, em que celebramos os afetos. Tocar com convidados é sempre uma diversão e um prazer para mim, receber artistas que admiro no palco e poder cantar junto”, diz Chico Chico.

A apresentação reforça a parceria de Chico com a LAGOSTAe, responsável pelo booking da turnê, e adiciona um capítulo afetivo à jornada de Let It Burn / Deixa Arder. O show contará ainda com três participações especiais, cujos nomes divulgados até o momento foram Maria Bethânia e Ana Frango Elétrico. Mais um nome deve ser anunciado em breve.

Sobre Chico Chico

Foto: Zabenzi.

Cantor e compositor, Chico Chico é uma das vozes mais potentes e autênticas da nova geração da música brasileira. Desde o início de sua carreira com a banda 2×0 Vargem Alta em 2015, o artista coleciona trabalhos aclamados. Sua canção “A Cidade” foi indicada ao Grammy Latino, e a parceria com Fran Gil na faixa “Ninguém” ultrapassou 23 milhões de plays no Spotify, integrando a trilha sonora da novela Vai na Fé, da Rede Globo. Entre as faixas já lançadas, destaca-se também a versão ao vivo de “Menino Bonito”, atualmente a música com mais streams do artista nas plataformas de streaming.

Seu álbum “Pomares” (2022) foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e teve a canção “Ribanceira” como tema da personagem Maria Bruaca em Pantanal. No mesmo ano, lançou o disco “Ao Vivo na Macaco Gordo”, e em 2024, o álbum “Estopim”, que deu nome à turnê iniciada em sua terceira participação no Rock in Rio. Filho da icônica Cássia Eller, Chico honra o legado familiar enquanto constrói uma trajetória musical própria, marcada por parcerias com Maria Bethânia, Nando Reis e Zé Ramalho.

SERVIÇO:

Apresentação: dia 12 de junho – Show às 21h30 | Abertura dos portões: 19h30

Local: Qualistage

Endereço: Avenida Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ, 22775-004

Classificação: 18 anos. Menores de 18 anos, somente acompanhados de responsáveis legais.

Ingressos a partir de R$ 45,00 | https://qualistage.com.br/chico-chico

Vendas também na Bilheteria Oficial: Shopping Via Parque – Av. Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca – RJ /

De segunda a sábado das 11h às 20h / domingo e feriados, das 13h às 20h

Em dias de shows o horário de atendimento sofre alterações. Confira a programação do local.

Capacidade: 9 mil pessoas em pé ou 3.500 sentadas

O espaço possui acessibilidade.

(Com Rozangela Silva/BT Comunicação)

Montblanc lança programa “Inspire Writing Series” no Brasil

Brasil, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação/Montblanc.

Em um mundo guiado pela velocidade das telas, a escrita à mão resiste como um gesto de presença, memória e expressão pessoal. Mais do que registrar palavras, ela traduz emoções, preserva histórias e transforma pensamentos em algo único e duradouro. É nesse espírito que a Montblanc Brasil promove sua primeira aula online de caligrafia, em formato de Live, dia 8 de junho, segunda-feira, das 19h30 às 20h30.

Aberto ao público, o encontro será conduzido pelo artista e calígrafo Fabio Maca em formato de live, com duração aproximada de uma hora, transmitida pelo site da Montblanc. As inscrições podem ser realizadas até uma hora antes do início da apresentação pelo Link. Após a live, a aula fica gravada para que o público possa assisti-la posteriormente.

A experiência marca a chegada ao Brasil do “Inspire Writing Series”, projeto internacional da Montblanc já realizado em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, e agora também, pela primeira vez, no país. O conceito da iniciativa parte de uma reflexão simples e, ao mesmo tempo, essencial: por que escrevemos? Em alguns momentos, a escrita serve para compartilhar informações ou transmitir instruções. Em outros, torna-se uma forma de eternizar ideias, registrar emoções e criar conexões humanas capazes de atravessar o tempo.

Por meio da Inspire Writing Series, a Maison convida o público a redescobrir o prazer de colocar a caneta no papel, explorando o significado da escrita em workshops conduzidos por calígrafos, artistas e entusiastas da escrita ao redor do mundo. A proposta é inspirar a criatividade, despertar a expressão pessoal e reforçar o valor da comunicação feita à mão em um cenário cada vez mais digital.

Reconexão com a escrita

Com o tema “Mensagens de Amor”, a experiência convida os participantes a se reconectarem com o prazer da escrita à mão, praticando tanto a letra cursiva quanto a criatividade ao transformar sentimentos em palavras destinadas a pessoas especiais. Ao final da aula, os participantes estarão prontos para criar cartões postais e mensagens personalizadas, resgatando a beleza de uma comunicação mais íntima, afetiva e significativa.

Mais do que ensinar técnicas de caligrafia, a iniciativa propõe uma reconexão com o valor simbólico da escrita manual. É um convite para desacelerar, explorar a criatividade e transformar sentimentos em traços capazes de atravessar o tempo.

Os inscritos também receberão gratuitamente um caderno online e exclusivo de exercícios, desenvolvido para acompanhar a aula com orientações práticas e inspiracionais. A experiência foi concebida tanto para iniciantes que desejam explorar o universo da caligrafia quanto para apaixonados pela escrita em busca de novas formas de expressão. Não é necessário ter experiência prévia.

No coração da marca

A valorização da escrita faz parte do universo da Montblanc e se manifesta em diferentes iniciativas da Maison. Entre elas está a campanha “Let’s Write”, criada em parceria com o cineasta Wes Anderson, que celebra a imaginação, a criatividade e o prazer da escrita manual como uma experiência inspiradora e atemporal.

Entre seus célebres instrumentos de escrita, destacam-se coleções como a Montblanc Meisterstück Romeo e Julieta. Lançada este ano, a coleção é inspirada na trágica história de amor de Shakespeare, reinterpretando a paixão, a luminosidade e a dualidade desta obra literária por meio de materiais refinados, detalhes de design simbólicos e do artesanato característico da Maison.

Repleta de metáforas e contrastes emocionais, a história de Romeu e Julieta serve como núcleo conceitual da coleção. Para dar vida aos temas da peça, os artesãos da Montblanc transformaram a narrativa de Shakespeare e seus símbolos mais marcantes em elementos de design intrincados, presentes nas seis edições da coleção.

A experiência da escrita se estende ainda à linha Montblanc Fine Stationery, desenvolvida para transformar o ato de escrever em um ritual sensorial, além do Montblanc Digital Paper, que combina tradição e tecnologia ao reproduzir a sensação da escrita à mão em uma base digital.

Ao final da experiência, os participantes serão convidados a visitar uma boutique Montblanc para escrever um cartão-postal especial. A ação oferece a oportunidade de experimentar o prazer de escrever com uma caneta Montblanc, transformando palavras em um gesto pessoal, elegante e memorável. O cartão será enviado gratuitamente pela própria Maison ao destinatário, eternizando mensagens, afetos e lembranças por meio da escrita manual. “A Montblanc mantém o compromisso de fomentar a cultura da escrita por meio de iniciativas como o projeto ‘Inspire Writing’. A escrita nunca perdeu o seu encanto; permanece sendo a personificação do pensamento, uma ponte para a emoção e um veículo do desenvolvimento da civilização. Ao inspirar a criatividade através da escrita, reafirmamos o contínuo empenho da Maison em apoiar globalmente o vasto mundo das artes em todas as suas facetas”, afirma Juliana Pereira, CEO da Montblanc Brasil.

SERVIÇO:

Evento “Inspire Writing Class Live – Mensagens de Amor” – aula online de caligrafia com Fabio Maca

Data: segunda-feira, 8 de junho | Horário: 19h30

Inscrições gratuitas em: Link

O participante recebe e-mail de confirmação e envio do workbook de atividades no mesmo dia da inscrição. O link para a aula será enviado 1 hora antes da live.

(Com Nilza Botteon/Montblanc Brasil)

“Sedimentos”: exposição de Renata Ramalhosa abre no atelier de Cris Ioschpe

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Silvia Zamboni.

Cris Ioschpe abre as portas de seu atelier para a primeira exposição individual de Renata Ramalhosa. A mostra “Sedimentos” reúne 17 pinturas recentes em acrílico sobre tela e papel e se integra no espaço em que a artista encontrou um lugar de encantamento.

Autodidata nas artes plásticas, Renata sempre cultivou a pintura como expressão pessoal. Aprofundou essa prática no atelier de Cris Ioschpe, que a convidou a apresentar seus trabalhos nesta primeira exposição, que reflete sua sensibilidade criativa e percurso multifacetado.

“Ter passado os últimos dois anos aprendendo e trabalhando ao lado da Cris transformou profundamente a minha maneira de criar e de enxergar a arte. Apresentar minha primeira exposição justamente no ateliê que acompanhou esse processo torna tudo ainda mais especial — é como compartilhar não apenas os trabalhos, mas também a trajetória, as descobertas e os afetos que construí nesse espaço”, comenta a artista.

A abertura de “Sedimentos” inaugura também essa nova configuração, que engloba o espaço de criação à exposição. Gravuras e pinturas da Cris seguirão ocupando algumas paredes do atelier. São obras de diferentes séries instaladas onde além de trabalhar, ela dá aulas e workshops e programa para este ano ainda uma individual sua e pretende convidar outro artista para expor e fazer uma oficina de arte.

“A obra de arte precisa ser vista. Quando permanece guardada, sem encontrar o mundo, ela ainda não se completa. A exposição é o momento em que o trabalho ganha presença, diálogo e sentido na relação entre as obras em si, o espaço e o olhar do público. É nesse encontro – nas relações, interpretações e afetos despertados – que também nasce a reflexão do artista”, explica Cris Ioschpe.

A exposição “Sedimentos” fica em cartaz de 25 de maio a 19 de junho, de segunda a sexta, das 10h às 18h, as visitas devem ser agendadas previamente.

Sedimentos 

Há talentos que dormem em silêncio, acumulados em camadas, como a própria terra que atravessa as telas de Renata Ramalhosa. Não por escolha deliberada, mas por necessidade. Algo que já estava lá, esperando o momento certo para emergir.

Renata é uma mulher multifacetada. Quem a conhece sabe da sua inteligência, da sua presença, da forma como transita com naturalidade por mundos diferentes. Mas havia ainda uma dimensão que ela guardava, talvez de si mesma. Uma sensibilidade que não cabia nas palavras, nas funções, nos papéis que já exercia com tanta competência. Essa dimensão encontrou, finalmente, a tela.

Começou a pintar há pouco tempo. E ainda assim, as obras surpreendem. Surpreendem pela técnica que parece intuitiva, pelo domínio das cores que não foi ensinado mas sentido, pelas composições que se equilibram sem esforço aparente, como se a pintura fosse um idioma que ela sempre soubesse falar, mas nunca tivesse tido ocasião de usar. Há aqui algo raro: imagens que nascem de dentro para fora, não da observação do mundo, não da cópia da realidade, mas de uma memória afetiva, visceral, de quem tem saudade do que ama.

E o que Renata ama é a natureza. Faz-lhe falta. Essa ausência está inscrita em cada pincelada – não como lamento, mas como convocação. As suas paisagens não são representações fiéis de um lugar específico. São estados. São o cheiro da terra molhada, a luz que rasga o horizonte antes da tempestade, a sensação de estar pequeno diante de algo imenso e belo. São sedimentos de experiências vividas, de percursos feitos, de momentos em que o corpo inteiro estava presente na natureza e a natureza estava dentro do corpo.

As cores misturam-se na tela com uma generosidade orgânica – ocres, vermelhos profundos, azuis que pesam como céu antes da chuva, verdes que tremem entre a sombra e a luz. Não há rigidez. Há fluxo. Como camadas geológicas que contam o tempo sem pressa, os seus quadros revelam-se aos poucos, exigem que o olhar se demore, que o observador também se deixe levar.

Sedimentos é exatamente isso: o que fica. O que se deposita. O que a vida vai deixando em nós sem que percebamos – e que um dia, de forma inesperada e inevitável, encontra a sua forma de aparecer.

Esta exposição é uma surpresa. E as melhores surpresas são sempre aquelas que, depois de reveladas, nos fazem pensar: claro. Era óbvio que estava aqui! (Stella Villares)

SERVIÇO:

Exposição Sedimentos | Renata Ramalhosa

Abertura: 23 de maio de 2026 (sábado) das 16h às 20h

Local: Atelier Cris Ioschpe | Rua João Moura, 503/14, Pinheiros – São Paulo – SP

Visitação: de 25 de maio a 19 de junho de 2026

Segunda a sexta, das 10h às 18h

Agendamento de visita: (11) 99199-3972

Renata Ramalhosa nasceu em 1973 em São Tomé e Príncipe e é portuguesa. Construiu uma carreira internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança, com atuação no Reino Unido, Portugal, França, Brasil e América Latina. Durante 18 anos integrou o Governo do Reino Unido, onde desempenhou funções de liderança no Departamento de Comércio Internacional e na rede diplomática britânica, promovendo investimento e relações comerciais entre países.

Foi cofundadora e CEO da Beta-i Brasil, uma consultora global focada em inovação, e atualmente exerce o cargo de Regional Managing Director (Latam) na Kobre & Kim. Paralelamente, integra a direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, coordenando o núcleo do Brasil, e participa ativamente em iniciativas ligadas à governança e inovação.

Autodidata nas artes plásticas, sempre cultivou a pintura como expressão pessoal. Nos últimos dois anos, aprofundou essa prática no ateliê de Cris Ioschpe, apresentando agora a sua primeira exposição — um novo capítulo que reflete a sua sensibilidade criativa e percurso multifacetado.

Cris Ioschpe nasceu em Porto Alegre em 1967, vive em São Paulo desde 2000. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1992. Nos anos 80 estudou pintura e gravura em Porto Alegre com Maria Tomaselli e Anico Herskovits, e em São Paulo, com Paulo Pasta e Claudio Mubarac, respectivamente. Nos anos 90, vivendo em Buenos Aires e novamente Porto Alegre, trabalhou no Museo del Grabado e no atelier da Fundação Iberê Camargo, com Eduardo Haesbaert e pintura com Regina Ohlweiler.

Em seu atelier em São Paulo recebeu orientação de Evandro Carlos Jardim e Ernesto Bonato, participando de vários projetos na área da gravura, como o “Projeto Lambe-lambe”. Em 2010, coordenou workshop de gravura no SESC Pompéia, em 2012 e 2014, oficinas na Chapel School em São Paulo, SP.  Frequentou o curso do Paulo Pasta, “pintura: prática e reflexão” no Instituto Tomie Ohtake em 2013 à 2019.

Participou de diversas coletivas no Brasil, Argentina e Egito e suas principais individuais são: “Passos que imaginei” na Galeria Gravura em Porto Alegre em 2000, “Funil” na Galeria Bolsa de Arte em Porto Alegre em 2004, “Cris Rocha: da gravura e além” na Arteedições Galeria em São Paulo em 2017 e “Quietude” na Ocre Galeria em Porto Alegre em 2024.

Mais informações em https://www.crisioschpe.com/ e https://www.instagram.com/crisioschpe/.

(Com Alisson Schafascheck/Check Matte Assessoria)