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Exposição “O útero também é um punho” terá conversa sobre direitos reprodutivos femininos

Nova York, NY, por Kleber Patricio

Rosa Bunchaft – Tribunal de Família – A Costela de Adão e a Vara – 2023/2025 – Fotoinstalação em cianotipia. Foto: Divulgação.

Como parte da exposição “O útero também é um punho”, na Apexart, em Nova York, será realizada no dia 16 de maio, às 15h, uma roda de conversa on-line com as pesquisadoras e curadoras Carolina Filippini e Fernanda Corrêa. A conversa ampliará as discussões sobre os direitos reprodutivos femininos, tema da exposição curada por Talita Trizoli e Renata Freitas, que apresenta cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma argentina radicada no Brasil feitas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance. O projeto foi o único brasileiro contemplado entre 658 inscritos de todo o mundo que passaram por uma criteriosa seleção da instituição educativa e cultural localizada em Nova York, que tem mais de 30 anos de tradição.

A mostra, que pode ser vista até o dia 23 de maio de 2026, apresenta obras das artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Elas são oriundas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com realidades diversas, mostrando que as discussões sobre o tema perpassam a localidade, idade e raça. “Debater direitos reprodutivos vai muito além da questão de continuar ou não uma gestação. Envolve acesso à educação, transporte público, saúde, educação sexual nas escolas, métodos contraceptivos seguros e eficazes, atendimento médico digno, licença-maternidade, segurança no trabalho e condições que possibilitem uma parentalidade responsável”, dizem as curadoras Talita Trizoli e Renata Freitas.

Mesmo sendo um tema extremamente importante e que vem ganhando cada vez mais discussões na sociedade, no campo das artes visuais ele ainda é muito restrito. Desta forma, a exposição vem cobrir esta lacuna. “Apesar de sua urgência, a justiça reprodutiva permanece amplamente ausente na arte contemporânea brasileira, frequentemente silenciada por censura e resistência institucional”, afirmam as curadoras.

O útero também é um punho – vista da exposição. Foto: Andrew Schwartz.

O nome da exposição é uma referência ao poema da brasileira Angélica Freitas, “O útero é do tamanho de um punho”. “O poema é um clássico feminista e um dos poucos poemas que vai falar de aborto e de violência do corpo feminino. Nele, ela compara o útero a uma unidade de medida, mas também a um karma da corporeidade feminizada. Assim, pretendemos destacar nesta exposição as ambivalências que permeiam a experiência da feminilidade ainda atrelada à dimensão anatômica, e particularmente às suas limitações institucionais”, ressaltam as curadoras.

OBRAS EM EXPOSIÇÃO

A mostra traz trabalhos em diversos suportes, que abordam o tema dos direitos reprodutivos das mulheres sob diferentes aspectos. Desta forma, entre as obras, está “Autonomia condicional”, da artista argentina radicada em São Paulo, Guillermina Bustos, um jogo eletrônico de perguntas e respostas no qual cada participante deve enfrentar a tensão de decidir o que fazer diante de uma gravidez indesejada, levando em consideração uma série de limites e variáveis temporais e contextuais. 

Natali Tubenchlak apresenta obras das séries “Prenhe”, na qual mescla imagens de animais prenhes com corpos de crianças, e a serigrafia inédita “Necrófagos”, que parte da premiada fotografia da mulher indígena amamentando uma criança e um animal, feita pelo fotógrafo Pisco del Gaiso, e substitui pelo corpo de uma mulher branca, com dois urubus se alimentando. A correlação do corpo materno com o animal também aparece na videoperformance “Sua vaca!”, da artista Ludmilla Ramalho, que materializa a objetificação do corpo materno através da sobreposição de um crânio bovino sobre o rosto da performer enquanto ela amamenta sua filha. A obra emerge da experiência traumática que transforma o corpo feminino em “corpo-santo” durante a gravidez e “corpo-vaca” no período de amamentação. A animalidade também está presente na pintura “Efeito Bruce”, de Rikia Amaral, que traz a estratégia biológica de aborto espontâneo que ocorre nos corpos de roedores e chimpanzés diante da adversidade e do estresse ambiental. A artista também apresenta a escultura “Sekhmet”, que representa a deusa egípcia homônima, feita com ovos e cera.

O útero também é um punho – vista da exposição. Foto: Andrew Schwartz.

Há, também, um conjunto de pequenas peças da artista Rosa Bunchaft, intitulada “Tribunal da família: a Costela de Adão e a Vara”, na qual, por meio de cianotipias de fóruns, plantas e retratos de família, ela examina as Varas de Família a partir de sua própria perspectiva, sendo uma mãe neurodivergente que enfrentou violência institucional sob a misógina Lei da Alienação Parental (LAP). Ela também apresenta o autorretrato “Como a dama do mar”, na qual aparece grávida, boiando na imensidão do oceano.

Alguns trabalhos falam mais diretamente do gesto abortivo, como é o caso da instalação “O alívio”, da artista Raffaella Yacar, feita com um manto de veludo, seda, argila e água gelificada do rio Limmat, em Zurique, onde mora. A instalação se desdobra como uma composição enigmática, de caráter onírico, que dialoga com debates sobre os direitos reprodutivos das mulheres, tendo relação com o aborto espontâneo. Já outras representações são mais sutis, como as aquarelas “Existência anulada”, de Mariana Feitosa, onde um corpo grávido existe apenas através das manchas deixadas no tecido. Já Leticia Ranzani, que passou por duas depressões pós-parto, apresenta desenhos feitos em fotografias de seus próprios filhos, que falam de uma mulher que vai sumindo aos poucos no delírio dos outros.

Na instalação “Licença poética”, Renata Freitas trabalha com lençóis hospitalares, que vestem o espaço com sobreposições de camadas translúcidas. Em algum momento da vida, 100 milhões de mulheres terão contato com esses lençóis, seja em partos ou exames ginecológicos. Entre delicadeza e força, a obra expõe a tensão entre cuidado, controle e autonomia e reflete sobre o poder de decisão de cada mulher sobre o seu próprio corpo.

O útero também é um punho – vista da exposição. Foto: Andrew Schwartz.

Liane Roditi tem o corpo muito presente em seu trabalho, seja na pintura “Sucção”, em que uma massa branca de dedos, centralizada sobre um fundo terroso na tela, apresenta uma incerteza de movimentos – não se sabe se as mãos estão sendo puxadas para dentro ou lutando para emergir, seja na videoperformance “Desvio”, em que artista filma suas pernas nuas, por onde escorre um líquido vermelho em direção ao chão branco. Alternativas possíveis para lidar com a maternidade também aparecem na exposição, como nas obras de Leíner Hoki, que traz outras possibilidades de maternagem a partir de relações homoafetivas, ou mesmo as vias alternativas para lidar com a gravidez indesejada. A artista também apresenta uma releitura da icônica obra “A Fazedora de Anjos” (1908), de Pedro Weingartner, que pertence à Pinacoteca de São Paulo.

SOBRE AS CURADORAS

Talita Trizoli é historiadora da arte, curadora e pesquisadora brasileira, especializada em arte feminista brasileira e em questões de gênero e ética sob uma perspectiva sistêmica, com publicações de referência na área. Foi curadora de diversas exposições no Brasil, todas com perspectiva feminista. Coordenadora do G.A.F. desde 2020, foi recentemente contemplada com a Mellon Fellowship como High Impact Scholar na UT Austin. Também realizou pós-doutorado no IEB-USP com bolsa Capes/Fapesp. 

Renata Freitas é artista visual, pesquisadora e curadora brasileira, doutora em Comunicação e Semiótica. Sua prática articula teoria feminista, a pesquisa artística sobre corpo, memória, gênero e poder, desenvolvendo trabalhos em pintura, performance e instalação no Brasil e internacionalmente. 

SOBRE A APEXART

A Apexart é uma instituição artística educacional que tem atuado como um importante espaço de incubação para curadores e criativos por mais de 30 anos. Desde sua fundação, em 1994, a Apexart apresentou 269 exposições em 39 países, proporcionando visibilidade profissional a mais de 1.200 artistas. Mais de 240 artistas e curadores de mais de 50 países já receberam bolsa da Apexart. Somos movidos pela ideia de que a exclusividade é contrária à criatividade. Nossos editais enfatizam a transparência e processos de seleção justos, realizados por grandes júris descentralizados, e nosso programa de Bolsas oferece importantes oportunidades de reflexão para que artistas considerem novas ideias e questões. 

SERVIÇO:

Conversa na exposição “O útero também é um punho” 

Dia 16 de maio, às 15h, com as pesquisadoras e curadoras Carolina Filippini e Fernanda Corrêa, através do link: https://www.eventbrite.com/e/talk-with-carolina-filippini-and-fernanda-correa-da-silva-tickets-1983164059086?aff=oddtdtcreator

Exposição: até 23 de maio de 2026

Local: Apexart

Endereço: 291 Church St. NYC

Funcionamento: de terça a sábado, das 11h às 18h

Entrada gratuita.

(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)

Cinco destinos para vivenciar um verão europeu diferente em 2026

Europa, por Kleber Patricio

O verão europeu já está começando. O período é considerado o momento mais aguardado do ano para quem busca experiências diferenciadas no continente. Para além dos roteiros clássicos e destinos já consagrados, cresce o interesse por viagens mais personalizadas, que valorizam autenticidade, ritmo próprio e conexões genuínas em cada destino. Atenta a este movimento, a Singular Luxury Travel, agência boutique especializada em itinerários sob medida, reuniu cinco destinos menos óbvios que revelam novas perspectivas sobre a estação mais querida do ano, combinando exclusividade, paisagens belíssimas e vivências cuidadosamente pensadas. Confira:

1 – Braga – Portugal

Fotos: Divulgação/Singular Luxury Travel

Tradição e modernidade se encontram no extremo norte de Portugal, mais precisamente em Braga, um destino fascinante com mais de dois mil anos de história. Sua riqueza arquitetônica, diversos vestígios da época romana e o número expressivo de igrejas fazem com que ela seja conhecida como ‘Roma Portuguesa’ e, durante o verão, grandes festivais de música tomam conta da cidade. Para Gabriel Leite, sócio e fundador da Singular Luxury Travel, visitar o Santuário do Bom Jesus do Monte, conhecida pela escadaria barroca impressionante que leva a uma vista panorâmica da cidade, além da Sé de Braga, a catedral mais antiga de Portugal, são dois passeios indispensáveis. “Outra ponto forte do destino é sua rica gastronomia. Recomendo experimentar as Figideiras, o Bacalhau à Braga, as papas de Sarrabulho, o pudim Abade de Priscos ou os irresistíveis Fidalguinhos”, destaca.

2 – Bordeaux – França

Se Braga é considerada a ‘Roma Portuguesa’, Bordeaux, no sudoeste francês, é conhecida por ser ‘a pequena Paris’. Para além do vinho reconhecido mundialmente, a cidade une arte, gastronomia, tranquilidade e agito. Seu centro histórico, repleto de praças elegantes e fachadas de calcário, é considerado Patrimônio Mundial da Unesco, tornando-o um paraíso para quem é apaixonado por arquitetura. “Para explorar as belezas de Bordeaux, a dica é andar pelas ruas a pé ou de bicicleta. Pare nas margens do rio Garonne, conheça os mercados de rua que são ícones da cidade e aproveite as festividades locais. Vale lembrar que Bordeaux também é conhecida por ser a capital mundial do vinho, então há muitas vinícolas renomadas para os apreciadores da joie de vivre”, aponta Gabriel. “Na gastronomia, não deixe de provar os Canelés”.

3 – Rotterdam – Holanda

A Holanda pode ser majoritariamente tranquila, mas entre seus destinos há uma cidade vibrante, diversa e que une diversas etnias em um só lugar. Rotterdam é conhecida por ser uma metrópole que respira arte e cultura, principalmente por ter inúmeras galerias, museus magníficos e street art. Seu principal mercado, Markthal, é uma verdadeira obra de arte e reúne estandes com produtos locais e restaurantes com pratos típicos. “Rotterdam é uma grande aposta para aproveitar o verão europeu. A dica é explorar os arredores de bicicleta para aproveitar a paisagem e visitar alguns dos pontos turísticos, como o complexo de casas-cubo, que desafia a gravidade, além da Euromaster Tower, com uma vista panorâmica incrível. É claro que não posso deixar de indicar os festivais de música e as praias urbanas, como a Kralingse Plas, que deixam tudo mais animado”. 

4 – Bergen – Noruega

Se o viajante ama lugares que se parecem cenas de filmes, Bergen, na Noruega, é o destino perfeito. Ali é a porta de entrada para os magníficos fiordes noruegueses e é cercada por sete montanhas, proporcionando paisagens naturais incríveis. Seu antigo cais hanseático, Bryggen, foi considerado Patrimônio Mundial da Unesco e nada mais é que um labirinto colorido de ruas estreitas e construções de madeira. “Além de ser a segunda maior cidade da Noruega, Bergen é uma das mais charmosas. Para quem quer ter uma vista panorâmica da cidade ou para os fiordes, a dica é pegar o funicular Floibanen que leva o viajante ao topo do Monte Floyen. Já sua cena cultural é bem eclética e cativa os mais variados perfis. Na gastronomia, aposte nos frutos do mar fresquíssimos que o destino oferece”, destaca Gabriel.

5 – Mostar – Bósnia e Herzegovina

Por mais que não seja tão conhecida, Mostar é uma das cidades mais belas da Bósnia e Herzegovina e uma das principais razões é a diversidade arquitetônica presente por todos os cantos. Seu principal símbolo é a ponte reconstruída em cima do Rio Neretva, intitulado Stari Most, que oferece um ponto de observação privilegiado e é um local onde mergulhadores tradicionalmente saltam. “Entre os pontos para visitar estão a Casa Turca e a Mesquita Koski Mehmed-Pasha, assim como as tradicionais residências do Império Otomano, são locais importantes para aprender mais sobre a herança otomana da região. No verão, as ruas são tomadas por festivais e eventos ao ar livre. Já sua cozinha é uma mistura interessante entre a culinária turca e balcã”, finaliza Gabriel.

Vivenciar o verão europeu é abrir o leque de possibilidades e conhecimento através de paisagens incríveis, história e cultura, principalmente em destinos que saem do óbvio. Para aproveitá-los sem abrir mão da tranquilidade, a Singular Luxury Travel possui roteiros sob medida, unindo conforto, exclusividade e luxo. Confira as novidades através do site ou Instagram @singularluxurytravel.

(Com Cíntia Banús/CB PR MKT)

Clássico do teatro brasileiro, “As Centenárias” estreia no Sesc Bom Retiro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Andrea Nestrea.

Quase duas décadas depois de marcar o teatro brasileiro com as interpretações de Marieta Severo e Andréa Beltrão, a peça “As Centenárias”, com texto de Newton Moreno, acaba de ganhar uma nova montagem, com a estreia em abril, no Rio de Janeiro. O espetáculo, dirigido por Luiz Carlos Vasconcelos, tem agora sua temporada de estreia paulistana no Sesc Bom Retiro de 14 de maio a 14 de junho.

Desta vez, a peça, em versão musical inédita, é protagonizada por Juliana Linhares e Laila Garin, que revisitam a obra a partir de uma perspectiva contemporânea, sem perder a força da tradição que consagrou o texto. O elenco conta ainda com o ator Leandro Castilho, que interpreta mais de seis personagens na montagem.

A nova encenação aprofunda a relação da dramaturgia com a cultura popular ao incorporar 16 canções originais que passam a conduzir a narrativa, compostas por Chico César, que também assina a direção musical, ao lado de Elísio Freitas.

A trama acompanha duas mulheres centenárias que percorrem o sertão realizando rituais de despedida — uma história que equilibra humor e emoção ao retratar a força das tradições, da oralidade e da ancestralidade nordestina.

Para Laila Garin, assumir uma personagem marcada na história do teatro brasileiro é também um processo de reinvenção. “É muito doido tirar do papel essas personagens muito inspiradas, pela montagem de Aderbal Freire Filho, com Marieta Severo e Andréa Beltrão. Inclusive, fui pedir a bênção de Marieta Severo para encarnar Dona Socorro e ela me deu essa bênção, graças a Deus. E agora nos ensaios estamos descobrindo o nosso caminho, qual é a cara dessa montagem”, afirma a atriz, que destaca o processo de construção da personagem como uma jornada de descobertas.

Juliana Linhares ressalta que a nova leitura nasce do encontro entre teatro, música e identidade regional. “Eu já tinha vontade de fazer algum projeto com a Laila há muito tempo, e um dia surgiu a ideia: e se a gente fizesse ‘As Centenárias’? Com duas atrizes nordestinas e cantando. Como o carpir está ligado ao canto, pensei que as canções poderiam surgir desse choro. A música para mim é um motor dessa montagem”, comenta.

Leandro Castilho, que interpreta mais de seis personagens na trama, relata as dificuldades desse tipo de atuação. “É sempre um desafio porque cada peça tem uma linguagem diferente. A transição entre eles é uma coisa que não dá nem para pensar muito. Nesse espetáculo, eu estou no processo de desenhar cada personagem, porque trabalho muito a partir do corpo. O corpo sugere uma voz, que sugere um trejeito, e assim vou criando esse desenho desse personagem, esse contorno. Mas agora, estou no momento de dar uma suavizada nesses contornos todos, trazer um pouco mais para mim”.

Responsável pela trilha inédita, Chico César explica que o processo de composição partiu diretamente da dramaturgia de Newton Moreno. “Eu recebi o texto do Newton Moreno já com indicações de lugar onde ele queria as canções, já com letra. No geral, respeitei aquilo, alterei uma coisa ou outra. O texto é muito bonito, muito forte. Acho que trazer essa voz da mulher brasileira com essência nordestina é uma alegria para mim”, diz o compositor.

À frente da direção, Luiz Carlos Vasconcelos reforça a importância do acesso à cultura. “Para que mais brasileiros consumam teatro, é fundamental investir em políticas públicas. Ninguém gosta do que não conhece. É fundamental que, desde a escola, as crianças tenham acesso à arte, ao teatro e ao cinema, e sejam estimuladas a assistir. Assim, podem desenvolver esse interesse e ter a possibilidade de escolha. É necessário incentivar esse contato desde cedo e facilitar a circulação das obras: que o poder público, federal, estadual e municipal, promova espetáculos, festivais e mostras. Só assim as pessoas terão mais acesso e poderão consumir arte, teatro e cinema”.

O autor, Newton Moreno, destaca que se interessou pela adaptação musical da obra assim que a ideia lhe foi sugerida. “É importante considerar que as carpideiras realizam uma base relevante de seu trabalho por meio de cantos, rezas, ladainhas. Há uma demanda musical muito forte na orquestração do luto”.

Apresentado por:

Lei Rouanet | Bradesco Seguros

Correalização: Sarau – Cultura Brasileira

Realização: Sesc | Ministério da Cultura | Governo do Brasil

Ficha Técnica

Texto e letras: Newton Moreno

Letras e músicas: Chico César

Uma encenação de Luiz Carlos Vasconcelos

Direção Musical e Arranjos: Elísio Freitas

Direção de Movimento e Assistente de Direção: Vanessa Garcia

Direção Geral e Produção artística: Andréa Alves

Diretora de Projetos: Leila Maria Moreno

Com: Laila Garin e Juliana Linhares

Ator convidado: Leandro Castilho

Desenho de som: Gabriel D’Angelo

Iluminadora: Elisa Tandeta

Cenógrafa: Aurora Campos

Figurinistas: Kika Lopes e Heloisa Stockler

Visagista: Mona Magalhães

Coordenadora de produção: Hannah Jacques

Produção Executiva: Matheus Castro

Projeto gráfico: Beto Martins

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação.

Sinopse | A peça acompanha duas carpideiras profissionais do sertão nordestino – que, ao longo da narrativa, encontram muitos personagens e expõem suas histórias, amores perdidos, fragilidades e tensões.

SERVIÇO:

Temporada: 14 de maio a 14 de junho (exceto nos dias 23 e 24 de maio)

De quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h – exceto dias 23, 24/5 e 13/6.

*Sessões extras dias 5, 12 e 13 de junho, às 15h.

Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos, São Paulo

Ingressos: R$60 (inteira), R$30 (meia-entrada) e R$18 (credencial plena).
Vendas online em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo.

Classificação: 14 anos

Duração: 110 minutos

Capacidade: 291 lugares.

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Sessão com acessibilidade: Dia 6/6 – audiodescrição | Dia 7/6 – libras.

Estacionamento do Sesc Bom Retiro – (vagas limitadas): O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com deficiência, além de bicicletário. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529. Valores: R$8 a primeira hora e R$3 por hora adicional (Credencial Plena). R$17 a primeira hora e R$4 por hora adicional (Outros). Valores para o público de espetáculos: R$ 11 (Credencial Plena). R$ 21 (Outros).

Horários: Terça a sexta: 9h às 20h. Sábado: 10h às 20h. Domingo: 10h às 18h.

Importante: Em dias de evento à noite no teatro, o estacionamento funciona até o término da apresentação.

Transporte gratuito: O Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito circular partindo da Estação da Luz. O embarque e desembarque ocorrem na saída CPTM/José Paulino/Praça da Luz.

Consulte os horários disponíveis de acordo com a programação no link https://tinyurl.com/3drft9v8.

(Com Flávio Aquistapace/Assessoria de imprensa Sesc Bom Retiro)

“Oposições Geométricas”: Paulo Kuczynski aproxima obras de Mavignier e Piza em nova exposição

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Arthur Luiz Piza década de 1960 – colagem de papel e areia sobre cartão – 21,5 x 37,5 cm. Foto: Alexandre Silva.

Paulo Kuczynski Galeria inaugura, no dia 16 de maio, a exposição “Oposições Geométricas”, que reúne obras de Almir Mavignier e Arthur Luiz Piza. Com texto curatorial de Paulo Venancio Filho, a mostra coloca em relação duas trajetórias fundamentais da abstração construtiva que, embora tenham na geometria um ponto de partida comum, se desenvolvem a partir de princípios distintos.

Esse contraste também se manifesta em seus percursos: Piza atuou em Paris, em um momento de deslocamento de sua centralidade no circuito moderno, enquanto Mavignier se formou na Alemanha do pós-guerra, em meio à renovação das vanguardas e à emergência de uma nova geografia artística europeia, mais dispersa e interconectada.

Na obra de Arthur Luiz Piza, desenvolvida entre colagens, relevos e gravuras, a geometria se manifesta como matéria e relação. Seus relevos partem do recorte manual de pequenos quadrados de papel, montados um a um, compondo superfícies que, à primeira vista, parecem regulares. Um olhar mais atento revela assimetrias deliberadas, deslocando o interesse da forma ideal para a comunicação entre os elementos.

Almir Mavignier, Vorn und Hinten M 3 (1968) – óleo sobre tela, 40 x 30 cm. Foto: Alexandre Silva.

Essa investigação tem início nas colagens sobre papel e se desdobra em experimentações com suporte e materialidade. Após anos de trajetória, o artista encontra nos carpetes de sisal um suporte que amplia as possibilidades do relevo, incorporando posteriormente recortes metálicos. Seu processo se desenvolve de modo contínuo, em que cada etapa contém, em potência, desdobramentos futuros.

Em Almir Mavignier, a geometria se organiza a partir do controle e da precisão. Sua trajetória é marcada por um processo de redução formal que culmina na adoção do ponto como elemento constitutivo. A partir do final dos anos 1950, desenvolve um procedimento técnico no qual a tinta é depositada em pequenos volumes que se organizam em tramas rigorosas.

A repetição controlada do gesto confere à sua pintura um caráter sistemático, no qual cada ponto resulta de uma operação precisa. Inserida no contexto das pesquisas ópticas do pós-guerra, sua obra se articula em torno de efeitos visuais que se revelam na percepção do conjunto, produzindo vibrações e deslocamentos na leitura da forma.

Como observa Paulo Venancio Filho no texto curatorial, “A impregnação visual nas obras de Piza é mais lenta e densa, mais introvertida que extrovertida, mais de profundidade que de superfície, resultado de uma tensão entre o efeito puramente óptico, característico de Mavignier e a lentidão da absorção pictórica. Entretanto, em Piza como em Mavignier, realiza-se a mesma experiência de indagação sobre a persistência e as possibilidades de uma racionalidade estritamente visual […] a construção geométrica vai se prolongar em ambos de maneira divergente, mas correlata.” 

Arthur Luiz Piza A 19, 1982 – relevo em metal sobre sisal, 30,5 x 25 x 5 cm. Foto: Alexandre Silva.

Oposições Geométricas constrói um diálogo entre Mavignier e Piza, que começa muito antes de sua concepção. Amigo de Piza, em Paris, e admirador à distância da obra de Mavignier, Paulo Kuczynski vem, há cerca de 15 anos, colecionando trabalhos de ambos, adquirindo-os na Europa, onde viveram e produziram algumas de suas obras mais importantes. Hoje, ao reunir um conjunto de grande relevância, a galeria tem a satisfação de conceber esta mostra — acompanhada de um catálogo — e, finalmente, apresentar ao público esse acervo de obras cuidadosamente garimpadas.

Sobre a galeria

A arte brasileira do século passado — em particular o modernismo, o concretismo e o neoconcretismo — constitui o foco de interesse do marchand e colecionador Paulo Kuczynski, que há cinquenta anos vem contribuindo para a formação de coleções privadas e institucionais no Brasil e no exterior.

Kuczynski aprimorou seu olhar para identificar, no período mais fértil de cada artista, as melhores obras. E foi graças a esse olhar que alguns dos trabalhos mais relevantes de Volpi, Pancetti, Segall, Frans Krajcberg, Lygia Clark, Cildo Meirelles, Tarsila, Ismael Nery, Di Cavalcanti e Guignard, entre outros, passaram a integrar importantes acervos.

Marco zero do percurso de Kuczynski, a obra de Alfredo Volpi o acompanharia a partir da década de 1960, quando o marchand vendeu uma tela sua. Encarregado de comercializar outros quadros do pintor, ele se apaixonou pelas obras e as comprou, iniciando assim sua coleção particular. Volpi, com quem manteve uma relação muito próxima, frequentando seu ateliê por vinte anos, foi, pois, o estopim da dupla atividade de Kuczynski, a de colecionador e a de marchand.

Arthur Luiz Piza A 52, 1982 – relevo em metal sobre sisal, 30 x 25,4 x 4 cm. Foto: Gustavo Bighetti.

Incontáveis aquisições e vendas, mostras e publicações de Paulo Kuczynski em suas cinco décadas de atividade incluíram, em 2019 — apenas as mais recentes —, a venda ao MoMA de A Lua, de Tarsila do Amaral. Em 2023, com A coleção imaginária, exposição no Instituto Tomie Ohtake, nos apresentou um panorama da arte brasileira a partir de peças que passaram por suas mãos. E em 2024 trouxe ao Brasil o quadro A viúva, de Segall, que, confiscado pelos nazistas em 1937 é dado por perdido, reaparecera em Paris.

Comandada por Paulo Kuczynski, Anita Kuczynski e Alexandre Santos Silva, a PK Galeria de Arte segue oferecendo obras que sublinham seu protagonismo ao garimpar as melhores produções de artistas que marcaram a história da arte brasileira.

SERVIÇO:

Oposições Geométricas

Texto curatorial: Paulo Venancio Filho

Endereço: Alameda Lorena, 1661 – Cerqueira César, São Paulo

Período expositivo: 16 de maio a 22 de agosto de 2026

Horário: Segunda a sexta, das 9h30 às 18h e aos sábados, das 11h às 15h

Entrada gratuita

Classificação: livre

Mais informações: pkgaleria.com/.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)

AquaRio: maior aquário marinho da América do Sul apresenta jantar imersivo

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

No terceiro andar do maior aquário marinho da América do Sul, o azul profundo do Grande Tanque Oceânico cria uma atmosfera singular. Centenas de peixes cruzam o espaço em movimentos contínuos, enquanto a alta gastronomia ganha protagonismo em um jantar exclusivo no AquaRio, com menu assinado pelo Laguiole.

Realizado anteriormente apenas no formato privativo para empresas, o Jantar no AquaRio passa, a partir de maio, a contar também com vagas avulsas abertas ao público. A experiência é única no Brasil e acontece uma vez por mês, com número limitado de participantes. A programação do jantar tem início às 18h, com um tour completo e exclusivo pelo aquário, sem a presença de outros visitantes. Durante uma hora, o percurso convida à contemplação, revelando os 26 mil metros quadrados do espaço, seus 4,5 milhões de litros de água e cerca de 10 mil animais de 350 espécies.

O túnel que cruza o Grande Tanque Oceânico amplia a sensação de imersão e se torna o cenário ideal para o coquetel de boas-vindas, que acontece às 19h, com carta de vinhos, espumantes e drinks. Às 20h, tem início o jantar, com entrada, prato principal e sobremesa acompanhados de vinho branco e tinto. Entre um prato e outro, o olhar acompanha o ritmo contínuo do oceano, em uma experiência que equilibra sabores, texturas e contemplação. O encerramento, às 21h30, respeita o ciclo biológico dos animais, que precisam dormir. Com o apagar gradual das luzes do tanque, a noite também se despede, reforçando uma proposta que valoriza a experiência dos visitantes e o bem-estar dos animais.

Informações gerais

Frequência: mensal, com vagas limitadas

Valor: sob R$ 1.400 por pessoa (inclui drinks, espumante e vinhos)

Próxima data: 20 de maio de 2026

Reservas e informações: (21) 3613-0705 ou site oficial do AquaRio (www.aquariomarinhodorio.com.br)

Modalidade: experiências avulsas e corporativas disponíveis.

(Com Giovanna Cavalieri Longo Firmato Glória/FSB Comunicação)