Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

“Berimbau Grooves”: da tradição oral da capoeira à música contemporânea

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Primeiro trabalho solo da artista Clara Rodriguez chega às plataformas digitais em 13 de agosto com releituras de cantigas populares da Capoeira Angola, aproximando ancestralidade brasileira e sonoridades contemporâneas. Fotos: Divulgação.

A tradição oral é uma das principais responsáveis por manter viva a história da capoeira. Durante gerações, mestres e mestras transmitiram cantigas, ensinamentos e memórias por meio da música, preservando um patrimônio cultural que resistiu ao tempo sem depender da escrita. É justamente desse legado que nasce “Berimbau Grooves”, primeiro trabalho solo da sanfoneira, cantora, atriz, pesquisadora e arte-educadora Clara Rodriguez. O projeto estreou no dia 13 de agosto, com o lançamento do single “Pau Pra Fazer Canoa” nas plataformas digitais, e ganha uma versão audiovisual no dia 19 de agosto, quando a artista apresenta a live session do projeto no YouTube.

Mais do que revisitar cantigas populares, Clara propõe uma continuidade para essa história. Em Berimbau Grooves, o berimbau dialoga com baixo, teclado, guitarra, percussão e vozes para criar arranjos contemporâneos que preservam a essência ritual dessas canções enquanto ampliam suas possibilidades sonoras. O resultado é uma música profundamente brasileira, dançante e aberta ao diálogo com diferentes culturas, reafirmando que tradição não é sinônimo de permanência, mas de movimento.

A proposta nasceu da trajetória da artista, que reúne pesquisa, prática e criação em um mesmo percurso. Formada em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Clara é pesquisadora da afinação do berimbau e Trenela de Capoeira Angola, experiências que alimentam uma produção artística comprometida com a valorização das culturas populares brasileiras. “Essas músicas chegaram até nós porque alguém escolheu cantá-las, ensiná-las e mantê-las vivas. Berimbau Grooves nasce desse desejo de honrar essa trajetória, preservando sua essência enquanto abre espaço para novas possibilidades sonoras. A tradição continua existindo justamente porque ela se transforma”, afirma.

Essa ideia também orienta a estética do projeto. Em vez de transportar a capoeira para um ambiente contemporâneo, Clara permite que ela revele sua vocação natural para o diálogo. Os grooves, harmonias, improvisações e texturas musicais não substituem a tradição, mas criam novas camadas para que essas cantigas continuem encontrando ouvintes, corpos e territórios. A primeira live session de Berimbau Grooves materializa essa proposta. Registrada em formato audiovisual com oito artistas em cena, a produção transforma o lançamento em uma experiência coletiva na qual música, performance, movimento e memória se encontram. O espectador não acompanha apenas uma apresentação, mas é convidado a entrar em uma roda onde passado e presente compartilham o mesmo compasso.

O trabalho também presta homenagem aos mestres, mestras e compositores que mantiveram vivas essas canções ao longo das gerações. “Muitas delas chegaram aos dias de hoje sem o devido registro de autoria, consequência de uma tradição construída pela oralidade. Por isso, sempre que possível, o projeto buscará identificar e creditar seus autores, reconhecendo aqueles que fizeram da memória um instrumento de resistência e preservação cultural”, reforça Clara.

Ao lançar Berimbau Grooves, Clara Rodriguez propõe uma reflexão que ultrapassa a música. Se a tradição oral permitiu que essas cantigas atravessassem séculos, talvez o maior gesto de preservação seja permitir que elas continuem encontrando novas vozes.

Sobre Clara Rodriguez

Clara Rodriguez é sanfoneira, cantora, atriz, pesquisadora, arte-educadora e Trenela de Capoeira Angola. Formada em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolve pesquisas sobre a afinação do berimbau e dedica sua trajetória à valorização das culturas populares brasileiras. Sua produção artística conecta tradição oral, improvisação, performance e sonoridades contemporâneas, criando experiências que aproximam ancestralidade e inovação. Em seu primeiro trabalho solo, Berimbau Grooves, transforma cantigas populares da capoeira em paisagens sonoras atuais, reafirmando a música como um território vivo de memória, criação e encontro entre diferentes tempos.

SERVIÇO:

Lançamento do single “Pau Pra Fazer Canoa”

Data: 13 de agosto de 2026

Local: Spotify e demais plataformas de streaming

Lançamento da Live Session “Berimbau Grooves”

Data: 19 de agosto de 2026

Local: Canal oficial de Clara Rodriguez no YouTube.

(Com Carolina Cerqueira/Fábrica de Histórias)

MACS apresenta exposição do artista visual Marcelino Melo

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Obra Raimundo Jacó, 2026, da série Etnogênese, de Marcelino Melo, Performance + fotografia em papel Hahnemühle, 100 x 100 cm.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) abre ao público, em 15 de agosto, “Etnogênese – O que é, e o que pode ser”, exposição individual de Marcelino Melo com curadoria de Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges. A mostra apresenta a nova série do artista, concebida como continuidade de Quebradinha, conjunto de esculturas pelo qual se tornou conhecido ao reproduzir construções das periferias brasileiras. Agora, Marcelino desloca o foco da arquitetura para as pessoas que constroem e habitam esses espaços. A visitação segue até 15 de novembro de 2026.

Conhecido pelas esculturas em miniatura que reproduzem a arquitetura das quebradas, o que lhe rendeu o apelido, Marcelino expande nesta série a pesquisa da construção para a figura humana que a habita. O barro e o tijolo, materiais que sustentam toda a obra do artista, permanecem como base: o tijolo funciona como elemento visual e conceitual, tecnologia derivada do barro que, segundo o artista, atravessa desde mitologias sobre a criação humana até o cotidiano das quebradas.

Entre as obras da série estão “Èmí, o sopro da vida”, baseada no mito iorubá da criação humana, e a instalação “O que é, e o que pode ser”, composta por 64 peças. O título parte do conceito antropológico de etnogênese, usado para designar o aparecimento de uma identidade étnica ou o modo como um grupo passa a se reconhecer e a ser reconhecido como distinto. Melo aproxima o termo da experiência periférica e toma o ser favelado e sua relação com o lugar como ponto de partida. A mudança não abandona a Quebradinha: observa quem existe dentro dela e as formas pelas quais essas identidades são construídas.

Obra Raimundo Jacó, 2026, da série Etnogênese, de Marcelino Melo, Performance + fotografia em papel Hahnemühle, 100 x 100 cm.

Luiza Testa situa a série menos no nascimento de uma população do que no reconhecimento político de quem já estava ali. Para a curadora, a exposição “trata mais do reconhecimento, e não necessariamente do surgimento, de um ser-político periférico que já existe há muito tempo”. A leitura acompanha a mudança de escala no trabalho de Melo: das miniaturas de casas, vielas e estruturas urbanas para figuras que deixam de aparecer apenas como habitantes implícitos dessas construções.

“É impossível ser moderno sem transformar a realidade”, afirma Emicida ao analisar o trabalho de Marcelino Melo. Ao aproximar a pesquisa do artista com a arquitetura brasileira, identifica na escala um recurso para tornar visível o que a cidade costuma ignorar. Em sua leitura, as construções de Oscar Niemeyer e os barracos das periferias respondem, por caminhos distintos, às condições concretas da vida no país.

Marcelino Melo, também chamado de Nenê ou Quebradinha, nasceu em 1994 em Carneiros, no sertão de Alagoas, e vive na zona sul de São Paulo. É artista visual, fotógrafo aéreo e arte-educador. Ficou conhecido pela série Quebradinha (2019), esculturas em miniatura que reproduzem a arquitetura das periferias brasileiras, hoje presente em acervos como Instituto Moreira Salles, Museu das Favelas e Fazenda Vista Verde. Em 2024 apresentou Etnogênese – O que é, e o que pode ser, sua primeira individual, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2025.

SERVIÇO:

Etnogênese – O que é, e o que pode ser 

Marcelino Melo

Curadoria: Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges

Pré-abertura para convidados: 14 de agosto, das 18h às 22h

Abertura: 15 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de novembro de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Horário: terça a sexta, das 10h às 17h | sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS e Ministério da Cultura

Apoio: Dan Galeria, Fazenda Vista Verde e Secretaria de Cultura de Sorocaba

Patrocínio: Lei Rouanet, Laranjinha Itaú, Itaú e White Martins.

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)

Espaço João Balda transforma o teatro em ferramenta para desenvolver confiança e amplia atuação para o público adulto

Indaiatuba, SP, por Kleber Patricio

Criado pelo ator João Baldasserini, espaço em Indaiatuba utiliza metodologia própria para fortalecer expressão, autonomia e protagonismo. Fotos: Divulgação/EJB.

O Espaço João Balda nasceu com a proposta de transformar vidas por meio da arte. Instalado em Indaiatuba, o espaço foi idealizado pelo ator João Baldasserini e desenvolveu uma metodologia exclusiva que utiliza o teatro como ferramenta de desenvolvimento humano, fortalecendo habilidades como confiança, comunicação, criatividade, autonomia e inteligência emocional.

Inicialmente criado para crianças de 6 a 14 anos, o Espaço João Balda inicia agora uma nova etapa de sua trajetória ao ampliar sua atuação também para o público adulto. A novidade marca o crescimento da escola, que passa a oferecer oficinas e encontros voltados a pessoas que desejam desenvolver presença, expressão e segurança para enfrentar desafios da vida pessoal e profissional.

O homem por trás do método

Conhecido nacionalmente por personagens marcantes na televisão e no cinema, João Baldasserini afirma que a inspiração para criar o Método Balda nasceu muito antes dos palcos.

Aos 16 anos, encontrou no teatro um ambiente onde pôde compreender sua própria forma de existir e descobrir que não precisava esconder quem era para ser aceito. Anos depois, transformou essa experiência em uma metodologia estruturada para que outras pessoas, especialmente crianças, não precisassem esperar tanto tempo para desenvolver confiança e pertencimento. “O teatro não forma atores. Forma pessoas que não precisam diminuir de tamanho para caber no mundo.”

Segundo João, o objetivo nunca foi ensinar apenas técnicas de interpretação, mas oferecer um espaço de acolhimento, escuta e desenvolvimento.

Teatro como ferramenta de desenvolvimento humano

O Método Balda parte de uma premissa simples: confiança não é uma característica inata, mas uma habilidade que pode ser ensinada, praticada e fortalecida ao longo da vida. O teatro é o caminho utilizado para desenvolver competências que impactam diretamente o cotidiano das pessoas.

A metodologia trabalha aspectos como: comunicação verbal e não verbal; criatividade; inteligência emocional; capacidade de trabalhar em grupo; iniciativa; protagonismo; relação saudável com o erro; autoconhecimento e autoestima.

Cada atividade possui objetivos pedagógicos específicos e faz parte de um processo estruturado de desenvolvimento, no qual o palco deixa de ser um fim para se tornar um laboratório para a vida. “Comunicação não começa na palavra; começa no sentir. Ensinamos a criança a se conectar com o outro além do que é dito”, destaca João.

Aulas

As aulas infantis são destinadas a crianças de 6 a 14 anos e divididas em duas etapas conforme o desenvolvimento de cada faixa etária. Cada encontro tem duração de aproximadamente duas horas e é organizado em cinco blocos pedagógicos: acolhimento, percepção, integração, criação e reflexão. Toda a estrutura foi desenvolvida para estimular, de forma gradual, confiança, expressão e autonomia. “Espaço João Balda é o lugar que eu gostaria que tivesse existido quando eu era criança. É o abraço em forma de técnica que prepara seu filho para ser protagonista da própria vida”, enfatiza João.

Outro diferencial do Método Balda é o acompanhamento individual da evolução dos alunos. Ao longo do trimestre, professores avaliam indicadores comportamentais como expressão, iniciativa, relacionamento em grupo, autoconhecimento e a forma como a criança lida com os próprios erros. As famílias recebem um Mapa de Desenvolvimento, além de registros em vídeo que permitem visualizar a transformação ao longo do processo.

Nova fase: o Método Balda chega aos adultos

Em 2026, o Espaço João Balda amplia sua atuação e passa a oferecer atividades também para o público adulto. A proposta é levar os princípios do Método Balda a pessoas que desejam aprimorar habilidades de comunicação, vencer a timidez, fortalecer a presença, desenvolver segurança para falar em público e ampliar o autoconhecimento.

SERVIÇO:

Espaço João Balda

Alameda Ezequiel Mantoanelli, 331 – Indaiatuba/SP

Aulas para crianças de 6 a 14 anos

Novas oficinas para adultos

Informações: (19) 99198-0930 | @espacojoaobalda | www.espacojoaobalda.com.br.

(Com Flavia Girardi/EJB)

Zora Tikar Santos apresenta “O fim é uma outra coisa” no Sesc 24 de Maio

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo dirigido por Grace Passô e Gabriel Cândido transforma o ato de cozinhar e comer junto em experiência sensorial atravessada por memórias, saberes ancestrais e sonoridades. Fotos: Kika Antunes.

O Sesc 24 de Maio recebe, de 20 a 23 de agosto, o espetáculo “O fim é uma outra coisa”, criação da atriz, pesquisadora da culinária afro-mineira e cozinheira Zora Tikar Santos. Em cena, a artista conduz um encontro em que seus saberes alquímicos e ancestrais sobre alimentos que nutrem, curam, envenenam e enfeitiçam se entrelaçam a memórias, sonhos e reflexões sobre as influências intelectuais dos povos indígenas e negros no país, em tensão com o próprio passado presente colonial do Brasil.

A partir da combinação de instrumentos culinários e musicais, que se confundem e se reinventam em um fluxo de acontecimentos, a obra constrói uma instalação sensorial permeada por cheiros, sons, sabores e texturas. Nesse ambiente, o público é convidado a experimentar um universo de possibilidades estéticas, poéticas, tecnológicas e políticas, que emerge do ato coletivo de cozinhar e compartilhar alimentos.

Ao reunir pessoas em torno da comida e da convivência, O fim é uma outra coisa propõe uma reflexão sobre temporalidade, memória e comunidade. A obra desloca a ideia linear de começo, meio e fim para imaginar outros caminhos possíveis, nos quais as presenças se retroalimentam e se provocam para muito além de apenas comer, digerir e excretar.

Embora a mistura criada em cena nunca esteja completamente pronta, ela é oferecida a quem quiser se alimentar. E, como sugere o próprio título da obra, esse gesto, no entanto, não será o fim.

FICHA TÉCNICA

Idealização e atuação: Zora Santos.

Direção geral: Grace Passô e Gabriel Cândido.

Direção musical: Maurício Badé.

Direção de produção: Lucas Ferrazza.

Dramaturgia: Dione Carlos e Zora Santos.

Musicistas/músicos: Maicou Yuri, Maurício Badé Renato Ihu e Rubi Assumpção.

Obra Cenográfica: Lúcio Ventania.

Confecção da obra cenográfica: Cerbambu.

Figurino: Zora Santos.

Desenho de som: André Papi.

Desenho de luz: Danielle Meireles.

Operação de som: André Papi

Operação de luz: Juliana Jesus.

Traquitanas sonora: Teo Ponciano.

Preparação vocal: Josy.Anne.

Identidade visual: Thaís Regina.

Contrarregra: Diego Roberto e Leonardo Oscar.

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena.

Coordenação de produção e produção de campo: Ketully Oliveira.

Produção executiva: Casa Cume Produções.

SERVIÇO:

O Fim é outra coisa, com Zora Tikar Santos

Data: 20 a 23/8, de quinta a sábado, às 19h e domingo, 17h

Local: Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô

Classificação: 14 anos

Ingressos: no site sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 11/8 e nas bilheterias das unidades Sesc SP, a partir de 12/8 – R$40 (inteira), R$20 (meia) e R$12 (Credencial Sesc).

Duração: 90 minutos

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Acompanhe nas redes:

facebook.com/sesc24demaio

instagram.com/sesc24demaio

sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)