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Bani Vadanaha: povo Deni do Xeruã retoma festa tradicional após mais de duas décadas

Amazonas, AM, por Kleber Patricio

Vista aérea da aldeia Boiador, Terra Indígena Deni, no Amazonas, durante a celebração do Bani Vadanaha. Fotos: Bruno Kelly/OPAN.

Depois de mais de duas décadas sem ser realizada, uma das mais importantes expressões culturais do povo Deni do rio Xeruã foi retomada entre os meses de junho e julho, na Terra Indígena Deni, no Amazonas. O Bani Vadanaha, que significa “festa da caça”, reúne caça, cantos, rituais, pinturas, brincadeiras e alimentos em uma celebração que fortalece vínculos entre famílias e promove a transmissão de conhecimentos entre gerações.

A retomada da festa foi uma decisão coletiva dos Deni. Em abril de 2025, lideranças de todas as aldeias do território se reuniram na Aldeia Itaúba para discutir a realização da celebração. A proposta foi aprovada por unanimidade. Na ocasião, também foram definidos os rituais e cantos que fariam parte do Bani Vadanaha, além da divisão de tarefas e do calendário de preparação.

A iniciativa partiu dos mais velhos, que perceberam que muitos jovens, já com suas próprias famílias e assumindo responsabilidades comunitárias, ainda não haviam vivenciado a celebração. A preocupação estava relacionada à continuidade de conhecimentos tradicionais, como cantos, rituais e práticas que fortalecem a cultura, os vínculos comunitários e a relação com o território. “Agora, fizemos uma grande luta para realizar novamente a festa, porque os mais velhos estão indo embora e, com eles, parte dos conhecimentos. Fizemos esse grande esforço para repassar esse conhecimento para os mais jovens”, afirma Vabishi Deni, liderança do povo Deni e um dos organizadores da festa.

Itavari: vínculos que atravessam gerações

Itavari é um compromisso afetivo de acolhimento e companheirismo entre o povo Deni.

Um dos momentos centrais do Bani Vadanaha é a formação dos itavari, relação equivalente ao compadrio, estabelecida entre duas famílias a partir de um compromisso de companheirismo e cuidado mútuo por toda a vida. “Itavari significa a gente unir a nossa família com a do outro para formar uma grande família”, explica Pha’avi Deni, presidente da Associação do Povo Deni do Xeruã (Aspodex).

Para fortalecer esse vínculo, uma grande caçada é organizada. Cinco grupos, formados por caçadores e suas famílias e reunindo cerca de 100 pessoas, permaneceram durante 18 dias em diferentes pontos da floresta. Enquanto os caçadores percorriam a mata em busca dos animais, outros integrantes das famílias preparavam e defumavam as carnes nos acampamentos, mantendo o fogo aceso continuamente.

O processo exige conhecimentos transmitidos entre gerações. Na floresta, os caçadores interpretam sons, cheiros, rastros e sinais do céu para localizar os animais. Nos acampamentos, o manejo do fogo requer experiência para manter uma intensidade baixa e constante, garantindo a conservação da carne. “É uma relação harmônica entre humanos e não humanos. Uma ecologia plural, uma relação íntima dos Deni com os seres que vivem no território. A vida vai correndo através da floresta e da água, de forma bonita e natural”, observa Karina Nymara, indigenista da Operação Amazônia Nativa (OPAN), que acompanhou a celebração junto aos Deni.

Crianças, homens e mulheres disputam uma corrida com seus itavari.

Enquanto os caçadores estavam na floresta, a comunidade na aldeia Boiador também se preparava para a chegada. Foram organizados alimentos e bebidas, construídas pontes e abertos caminhos para a passagem dos caçadores. O retorno não tinha data anunciada: a chegada surpresa é parte da celebração.

Uma aldeia em festa

Já passava da meia-noite quando os primeiros pontos de luz começaram a surgir na floresta. Da aldeia Boiador, os Deni acompanharam a chegada dos caçadores enquanto a liderança mais velha, Doutor Barros, narrava, na língua Deni, a jornada realizada na mata.

A chegada foi marcada por cantos, pinturas, adornos e uma corrida entre os itavari. Crianças, homens e mulheres participaram da disputa, em que os caçadores tentavam alcançar seus itavari que haviam permanecido na aldeia e tomar deles pequenos cocares ou flechas adornadas, que representam troféus.

Em seguida, as caças foram levadas ao centro da aldeia e recebidas por uma grande roda, ao som do Bani Tamidi, o canto da caça. Os alimentos foram posteriormente destinados às famílias dos itavari e compartilhados no terreiro da aldeia, junto a produtos dos roçados, como banana, macaxeira, abacaxi, cará e farinha, além do kirihá, bebida fermentada feita com patauá e goma de farinha de tapioca.

A celebração continuou nos dias seguintes com brincadeiras tradicionais, como Manu (macaco cairara), Hizama (queixada) e Hava Pashu (cobra d’água). À noite, os cantos Zazaha e Mishe Biriharu ecoaram pela aldeia.

Celebração do Bani Vadanaha é histórica para o povo Deni.

A festa completa se estendeu por mais de 40 dias, desde a formação dos itavari até a brincadeira do Shiri, que envolve uma disputa por pedaços de cana-de-açúcar e abacaxi. Ao final, as famílias retornaram para suas aldeias, levando consigo a memória dos dias de encontro.

Cultura e território

A retomada do Bani Vadanaha foi apoiada pelo projeto Raízes do Purus, realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) em parceria com a Petrobras. A equipe de indigenistas do projeto acompanhou a celebração e participou dos diferentes momentos da festa, fortalecendo a relação com o povo Deni e ampliando o conhecimento sobre seus modos de vida e práticas culturais. “Presenciando todo esse processo da festa e observando a relação do povo com a natureza e com as suas tradições, percebemos o quão forte a cultura Deni é”, afirma Raimundo Francisco, indigenista da OPAN.

Para os Deni, a retomada do Bani Vadanaha representa também uma oportunidade de garantir que os conhecimentos transmitidos pelos mais velhos continuem vivos entre as novas gerações. Mais do que uma celebração da caça, a festa reúne território, memória, relações de parentesco, alimentação e cultura em uma experiência coletiva que reafirma os vínculos do povo Deni com seu território.

(Com Jéssica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)

Aos 52 anos, piloto transforma paixão de infância em volta ao mundo solo

Forteleza, CE, por Kleber Patricio

Voo de teste, adaptações na aeronave e autorizações internacionais fizeram parte de um plano conciliado com a carreira e a família. Fotos: Divulgação.

O piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, que tirou o brevê aos 44 anos, concluiu no Ceará, em 12 de setembro de 2026, uma volta ao mundo solo em monomotor iniciada em 15 de março. A expedição durou 182 dias e, somou 77 mil quilômetros, 297 horas de voo e pousos em 33 países de cinco continentes. Frota criou o Frotas Pelo Mundo como um diário de viagem, que passou a documentar a preparação e o percurso da viagem. Ele desenvolveu o projeto enquanto conciliava a carreira no mercado financeiro com a vida familiar.

A aviação fazia parte de seus interesses desde a infância, mas a decisão de aprender a pilotar veio na vida adulta. Depois do brevê, a ideia de voar cada vez mais longe ganhou dimensão até se tornar um plano de atravessar o planeta. O intervalo entre as duas etapas importa para esta história: Frota já tinha uma profissão, esposa e filhos quando começou a organizar uma ausência de meses e uma viagem que dependeria de decisões técnicas, financeiras e pessoais.

A experiência de começar projetos na maturidade também aparece nos dados sobre negócios. Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo 2025, divulgado pelo Sebrae em abril de 2026, pessoas com mais de 45 anos representaram 33,7% dos empreendedores iniciais no Brasil. Foi a maior participação dessa faixa etária desde o início da série, em 2000.

O levantamento trata da criação de empresas, mas ajuda a situar uma discussão que vai além do trabalho: como objetivos novos passam a disputar tempo e recursos com responsabilidades já estabelecidas.

Da ideia ao primeiro teste

Em 2022, Frota começou a organizar a expedição em etapas. Antes de definir uma rota pelos cinco continentes, precisava descobrir até onde poderia voar com segurança, quais autorizações seriam necessárias e quanto tempo conseguiria dedicar à preparação. “Desde 2022, a gente vem trabalhando mês a mês, divide o projeto em projetinhos menores”, explica o piloto. Era uma maneira de avançar sem tratar a viagem inteira como uma decisão a ser tomada de uma só vez.

Esse ritmo também precisava caber na carreira. Como gestor de recursos, Frota continuou trabalhando enquanto o plano deixava de ser uma ideia distante e passava a exigir providências concretas. Prazos, disponibilidade financeira e avaliação de riscos, assuntos presentes em sua atividade profissional, também faziam parte da organização da viagem. Na aviação, porém, ele precisava desenvolver conhecimentos específicos e ganhar experiência antes de assumir trajetos mais longos.

Em 2024, fez um voo de Fortaleza aos Estados Unidos e retornou ao Brasil. O percurso de cerca de 15 mil quilômetros, 60 horas de voo e passagem por dez países serviu para testar a aeronave, as comunicações aéreas em inglês e os procedimentos exigidos em aeroportos internacionais. A travessia menor ofereceu respostas que o planejamento em terra não poderia dar. Também mostrou quais pontos ainda precisavam de ajustes antes de uma ausência de quase seis meses.

A aeronave experimental passou por uma revisão de 40 dias. Os tanques das asas foram ampliados e um reservatório adicional ocupou o lugar do banco traseiro, elevando a autonomia para quase 15 horas. A mudança respondia à distância entre escalas em alguns trechos. Para alcançar regiões com poucas alternativas de pouso e abastecimento, era necessário adequar a estrutura do avião às exigências do percurso.

Frota também precisou considerar a distância da esposa e dos filhos. Ele ainda não havia passado tantos meses longe da família e o apoio deles entrou no planejamento junto com a rota e o trabalho. A decisão de partir afetaria a rotina de quem ficava. Por isso, a preparação envolveu tanto as condições para viajar quanto as consequências pessoais de passar quase meio ano fora de casa.

O que muda quando se começa depois dos 40

Tirar o brevê aos 44 anos significou aprender uma nova atividade quando Frota já tinha responsabilidades profissionais e familiares estabelecidas. A licença abriu uma possibilidade que só depois ganharia a dimensão de uma expedição internacional. Para quem considera iniciar um projeto nessa fase da vida, sua trajetória traz questões concretas: quanto tempo será necessário para aprender, quais compromissos precisarão ser reorganizados e o que ainda deve ser testado antes de assumir um risco maior?

A preparação lhe deu mais informações sobre os próprios limites. Durante a expedição, o piloto enfrentou falhas de navegação, uma pane elétrica, vazamento de combustível e frio de 22 graus negativos na Groenlândia. Em cada etapa, era necessário avaliar se havia condições de seguir. “O perigo existe e continua lá. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda”, ressalta.

Nem todas as dificuldades estavam sob seu controle. Autorizações atrasaram a viagem nas Filipinas e mudaram o caminho de volta no México, levando o piloto a retirar a passagem pela América do Sul daquela expedição. Frota havia reservado dias para esse tipo de contratempo. “No planejamento geral, já tinha previsto isso, então deixava em alguns lugares bolsões de reserva de dias”, afirma o gestor.

A disposição para rever uma etapa foi tão necessária quanto o esforço para chegar até ela. O objetivo continuava sendo completar a volta ao mundo, mas o roteiro precisava acompanhar as condições encontradas. A experiência acumulada ajudava a avaliar alternativas; reconhecer o que dependia de terceiros permitia ajustar expectativas e preservar a continuidade da viagem.

Entre aprender a pilotar e concluir a expedição, passaram-se oito anos. A trajetória de Frota não indica que exista uma idade ideal para iniciar um projeto ambicioso. Ela mostra o que foi necessário neste caso: desenvolver a habilidade, medir as exigências do objetivo e ajustá-lo às responsabilidades que já faziam parte da vida. A maturidade aparece nesse conjunto de decisões, que permitiu transformar uma paixão antiga em uma realização construída ao longo do tempo.

Sobre Alex Frota

Alex Frota é administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, com certificações CGA, CFP® e CEA.

Apaixonado por aviação desde a infância, tirou o brevê aos 44 anos. Aos 53, lidera o Projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa com a qual realizou a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro cruzando os cinco continentes.

Alex Frota é mais conhecido como Alex Bacana, apelido que ganhou em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.

Sobre o Frotas Pelo Mundo

O Frotas Pelo Mundo nasceu como um diário de viagem e se transformou em um projeto de alcance internacional, com comunidade digital ativa e estrutura de produção dedicada. Concluída em setembro de 2026, a jornada percorreu 77 mil quilômetros ao longo de 182 dias, somou 297 horas de voo e teve pousos em 33 países, atravessando cinco continentes. O projeto contou com cobertura multiplataforma e desdobramentos em educação, cultura, tecnologia e impacto social. Para mais informações, acesse o site, canal do Youtube ou o Instagram.

(Com Carolina Lara/Lara Visibilidade Estratégica)

Espetáculo “Histórias da Boiadeira” resgata memórias da antiga Estrada Boiadeira do Taboado

Noroeste Paulista, por Kleber Patricio

Projeto realizará 20 apresentações gratuitas, com tradução em Libras, além de oficinas de contação de histórias para professores. Fotos: Divulgação.

Duas figuras se encontram no meio de uma estrada. João Bugre, antigo cozinheiro de comitiva, viaja acompanhado de seu burrinho na tentativa de recuperar as lembranças que o tempo começa a apagar. Zé da Boiadeira, velho peão de gado, percorre o mesmo caminho em busca de um grande amor perdido no passado. É desse encontro entre memória, saudade, causos e encantamentos que nasce “Histórias da Boiadeira”, espetáculo teatral que revisita as narrativas e o imaginário da antiga Estrada Boiadeira do Taboado.

O projeto propõe uma verdadeira viagem pela memória do Noroeste Paulista, levando o espetáculo para dez municípios da região: Rubinéia, Três Fronteiras, São João das Duas Pontes, Santana da Ponte Pensa, Bálsamo, Urânia, Santa Salete, Estrela d’Oeste, Valentim Gentil e Meridiano. Ao todo, serão 20 apresentações gratuitas, realizadas em espaços alternativos de vilarejos, distritos e pequenos municípios, todos com menos de 15 mil habitantes. Todas as apresentações contarão com tradução em Libras, ampliando o acesso do público à produção cultural.

A Estrada Boiadeira do Taboado teve papel fundamental na formação histórica, econômica e cultural da região. Aberta no final do século XIX e consolidada no início do século XX, a rota ligava o interior paulista ao Porto do Taboado, no Rio Paraná, por onde passavam grandes comitivas de gado vindas do Centro-Oeste. Ao longo do caminho, surgiram pousos, armazéns e pequenos núcleos de povoamento que contribuíram para a formação de diversos municípios do Noroeste Paulista.

É nesse território de travessias que o espetáculo busca suas histórias. No palco aparecem personagens e acontecimentos que habitam o imaginário popular, como o boi bravo que fugiu e nunca mais foi capturado, dando origem ao nome do córrego do Marruco; o peão fantasma que assombrava as proximidades do cemitério; e a moça do lenço florido, personagem de uma antiga história de amor e saudade. Entre situações cômicas, assombros e momentos de encantamento, a montagem recupera costumes, modos de vida e histórias das antigas comitivas.

A criação é assinada por Edivaldo Costa e Daniel Cuculo, artistas naturais de Três Fronteiras e Santa Fé do Sul, respectivamente. Depois de construírem suas trajetórias artísticas fora de suas cidades de origem, os dois retornam às próprias raízes para transformar em cena as memórias do território. A dramaturgia também dialoga com os estudos do professor Ciro César Rocha de Oliveira, natural de Três Fronteiras, que dedicou sua pesquisa à memória da estrada e de suas comunidades.

Além das apresentações, o projeto prevê a realização de 10 oficinas de contação de histórias destinadas a professores da rede municipal de ensino. A proposta é utilizar a tradição oral como ferramenta pedagógica e estimular que as histórias e memórias da região continuem sendo compartilhadas pelas novas gerações.

Após cada apresentação, artistas e espectadores também participarão de rodas de conversa, criando um espaço para que as lembranças presentes no espetáculo encontrem as histórias vividas ou ouvidas pelos próprios moradores. Dessa forma, cada apresentação poderá incorporar novas memórias ao repertório coletivo da Boiadeira.

Mais do que contar histórias sobre uma antiga estrada, “Histórias da Boiadeira” busca reencontrar as pessoas que ajudaram a construir a história do território. O espetáculo transforma a memória em experiência artística e convida diferentes gerações a reconhecerem, por meio do teatro, os costumes, personagens, afetos e trajetórias que ajudaram a formar o Noroeste Paulista.

A iniciativa pretende contribuir para o fortalecimento da identidade cultural regional e para que as histórias da antiga Boiadeira continuem circulando — não apenas como lembranças do passado, mas como narrativas vivas, capazes de encontrar novos públicos e ganhar novos significados no presente.

SERVIÇO:

Espetáculo Histórias da Boiadeira

Circulação: Rubinéia (23/10), Três Fronteiras (21/10), São João das Duas Pontes (11/11), Santana da Ponte Pensa (30/10), Santa Salete (18/11), Estrela d’Oeste (06/11), e Bálsamo, Urânia, Valentim Gentil e Meridiano com datas a confirmar.

Apresentações: 20 sessões gratuitas

Acessibilidade: Todas as apresentações com tradução em Libras

Ações formativas: 10 oficinas de contação de histórias para professores da rede municipal

Após as apresentações: Rodas de conversa com artistas e público

Criação: Edivaldo Costa e Daniel Cuculo

(Fonte: Mirabolante Cia. I Produção e Arte)

Paulo Ricardo e Seu Jorge apresentam “Sangue Bom”, parceria inédita que propõe reflexão sobre a violência contra mulheres e crianças

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Após mais de uma década de desenvolvimento e aprovação da família de Marvin Gaye, canção ganha versão em português e chega acompanhada de videoclipe. Foto: Bella Pinheiro.

Em um momento em que a violência contra mulheres e crianças segue entre os temas mais urgentes da sociedade, Paulo Ricardo e Seu Jorge unem suas vozes pela primeira vez em “Sangue Bom”. O novo single transforma um dos maiores clássicos da música mundial em uma reflexão contemporânea sobre empatia, respeito à vida, consciência coletiva e a construção de uma cultura de paz.

Disponível desde 23/09 em todas as plataformas digitais, a faixa chega acompanhada de videoclipe e marca a realização de um projeto desenvolvido ao longo de mais de uma década. A música nasceu a partir de “What’s Going On”, composição lançada em 1971 e reconhecida internacionalmente por sua relevância artística e cultural. Transformar a obra em uma versão oficial em português exigiu um longo processo de desenvolvimento, que incluiu a aprovação da família de Marvin Gaye, conhecida pelo rigor na preservação de seu legado. “O lançamento de ‘Sangue Bom’ representa a realização de um sonho antigo. Algumas versões chegam até mim de forma quase intuitiva, como se estivessem esperando o momento certo para existir. Foi exatamente o que aconteceu aqui. Desde a primeira demo até o lançamento, foram muitos anos de dedicação, cuidado e respeito à obra original”, afirma Paulo Ricardo.

A autorização concedida pelos herdeiros do artista norte-americano permitiu que a canção ganhasse uma nova interpretação para o público brasileiro, preservando a força de sua mensagem e ampliando seu alcance para novas gerações.

Capa do single.

Em “Sangue Bom”, Paulo Ricardo e Seu Jorge abordam questões que permanecem presentes no cotidiano contemporâneo, como violência, intolerância, empatia e valorização da vida. A interpretação dos dois artistas reforça o papel da música como instrumento de conscientização e diálogo, conectando arte e reflexão social em uma mensagem que permanece atual. “Essa canção sempre me emocionou pela forma como fala de assuntos tão profundos e universais. Décadas depois de seu lançamento, ela continua dialogando com o presente e provocando reflexões necessárias. Foi isso que me motivou a apresentar essa versão ao público brasileiro”, destaca Paulo Ricardo.

A gravação também concretiza um desejo cultivado por Paulo Ricardo e Seu Jorge ao longo de quase duas décadas de amizade. Entre encontros, conversas e momentos compartilhados pela música, surgiu a vontade de realizar um trabalho conjunto, que encontrou em “Sangue Bom” o projeto ideal. “Nos conhecemos há cerca de vinte anos e sempre existiu a vontade de fazer algo juntos. Quando chegou a hora certa, tudo aconteceu de maneira muito natural. Seu Jorge trouxe talento, personalidade e uma interpretação que elevou a canção a outro patamar”, comenta o artista.

A produção musical ficou sob o comando de Waldo Denuzzo, parceiro de Paulo Ricardo no álbum “Toquinho e Paulo Ricardo Cantam Vinicius”. Em busca do balanço e da identidade sonora que a faixa pedia, o produtor reuniu integrantes históricos do lendário Trio Mocotó, Nereu Gargalo e João Parahyba, referências fundamentais da música brasileira.

A gravação foi construída para valorizar o encontro entre os universos artísticos dos dois intérpretes, resultando em uma sonoridade sofisticada e contemporânea, reforçada pela mixagem de Lucas Nunes e Leo Marques.

Dirigido por Leo Liberti, o videoclipe acompanha o espírito colaborativo do projeto e registra momentos do processo criativo e das gravações. Parte das imagens foi captada durante encontros musicais que ajudaram a moldar a identidade da obra.

A dimensão artística de “Sangue Bom” também se reflete em sua identidade visual. A capa foi criada por Speto, um dos nomes mais influentes da arte urbana brasileira, reconhecido por incorporar referências da cultura popular nacional em trabalhos de forte impacto visual. O resultado é uma composição vibrante que dialoga diretamente com o conceito da canção.

Ao reunir dois grandes intérpretes da música brasileira em sua primeira colaboração, “Sangue Bom” transforma uma espera de mais de uma década em um encontro artístico de grande significado. Uma obra construída com tempo, respeito e admiração, que conecta diferentes gerações por meio de uma mensagem universal de consciência, solidariedade e amor. “Como costuma dizer o Seu Jorge, demorou, vai ser melhor. Nesse caso, valeu a pena esperar. Tenho muito orgulho de finalmente compartilhar essa música com o público”, conclui Paulo Ricardo.

O videoclipe de “Sange Bom” está disponivel em https://www.youtube.com/watch?v=YLP9zeUQb0c.

(Com Costabile Salzano Junior/The UltimateMusic PR)

Museu da Energia de São Paulo recebe exposição inédita sobre o cavalo reunindo mais de 100 obras

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Mostra pode ser visitada até 22/11 e percorre um arco que vai da Dinastia Han à produção contemporânea. Fotos: Denise Andrade.

O Museu da Energia de São Paulo, gerenciado pela Fundação Energia e Saneamento (FES), está com a exposição “O Cavalo na Arte Sino-Brasileira”, aberta ao público até 22 de novembro. A mostra, inédita no mundo, reúne mais de 100 obras de diferentes períodos e culturas. A iniciativa integra o “Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro” e é executada e patrocinada pela CTG Brasil, uma das líderes em geração de energia limpa no país e patrocinadora master do Museu da Energia de São Paulo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Com curadoria de Anna Paola Baptista e Clay D’Paula, a exposição percorre diferentes períodos históricos, da Dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.) à produção contemporânea, reunindo trabalhos de artistas brasileiros e chineses. Realizado durante o Ano Cultural Brasil-China, o projeto tem como tema o Cavalo de Fogo, associado, na tradição chinesa, a movimento, transformação, energia e renovação.

A escolha do Museu da Energia, localizado no centro da capital paulista, estabelece uma relação direta com a proposta da mostra. Antes da eletricidade, o cavalo estava entre as principais forças de movimento utilizadas pelo ser humano, enquanto o fogo representa uma das primeiras formas de energia dominadas pela humanidade. A partir dessa conexão, a exposição investiga as diferentes representações do animal ao longo da história e sua associação com força, poder, beleza e transformação.

A realização também amplia a atuação do Museu como espaço de preservação, cultura e diálogo com diferentes públicos. Instalado em um antigo palacete histórico, o prédio passa a integrar uma experiência que aproxima patrimônio, artes visuais e referências culturais brasileiras e chinesas.

“Para o Museu da Energia de São Paulo, receber o festival é uma oportunidade de reafirmar o museu como um espaço vivo, de encontro, diálogo e produção de novas conexões. A aproximação entre as culturas brasileira e chinesa, por meio de diferentes linguagens artísticas e experiências, amplia nosso olhar sobre aquilo que nos une e sobre nossas diferenças”, afirma Salete da Hora, presidente do Conselho de Administração da FES.

Percurso expositivo

A exposição está organizada em cinco núcleos. “A Prática da Representação” aborda o cavalo como inspiração para a arte; “Poder, Glória e Serventia” trata da relação com força e poder; “Mitos e Símbolos” explora o imaginário fantástico; “Diversão e Alegria” destaca o aspecto lúdico; e “Confluências Culturais” aproxima referências brasileiras e chinesas, com destaque para o Cavalo de Fogo.

Entre os destaques estão obras de Djanira, Francisco Faria, Sofia Borges, Flávia Junqueira e Leandro Júnior, além de trabalhos do artista chinês Hua Tunan, apresentados pela primeira vez na América Latina. A seleção reúne, ainda, peças do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), Museu Oscar Niemeyer, Museu do Ipiranga e Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, além de coleções privadas do Brasil e da China.

“A exposição procura abordar variadas facetas do tema a fim de destacar as características marcantes de um animal que combina potência e beleza, força e graça”, afirma Anna Paola Baptista. Para Clay D’Paula, a seleção revela a permanência do cavalo no imaginário artístico de diferentes sociedades. “É uma experiência estética singular. As obras revelam o fascínio atemporal que o equino exerce sobre a psique artística”, conclui.

Além da exposição, o Brasinês terá saraus de literatura, encontros de poesia, experiências gastronômicas que aproximam sabores brasileiros e chineses, além de atividades sensoriais e imersivas. O nome do festival é um neologismo formado a partir das palavras “brasileiro” e “chinês” e sintetiza a proposta de aproximar as duas culturas por meio de diferentes manifestações artísticas e culturais.

SERVIÇO:

Exposição “O Cavalo na Arte Sino-Brasileira”

Mostra integra “Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro”

Período: 23 de setembro a 22 de novembro de 2026

Patrocínio master: CTG Brasil

Local: Museu da Energia de São Paulo

Endereço: Alameda Cleveland, 601 – Campos Elíseos, São Paulo

Visitação: Terça a domingo. Fechado às segundas-feiras

Ingressos:

Terças-feiras, das 11h às 18h: gratuito; quarta a sexta-feira, das 10h às 18h: R$ 50 (inteira) – R$ 25 (meia); sábados e domingos, das 10h às 18h: R$ 60 (inteira) – R$ 30 (meia)

Ingresso família: R$ 80

Professores das redes pública e privada: gratuito todos os dias, mediante comprovação de vínculo.

Sobre o Museu da Energia de São Paulo

O Museu da Energia de São Paulo é uma unidade da Fundação Energia e Saneamento (FES), instituição sem fins lucrativos dedicada à preservação, pesquisa e difusão do patrimônio histórico e cultural relacionado à energia, ao saneamento, à tecnologia e ao desenvolvimento urbano e industrial. Inaugurado em 2005, o Museu está instalado em um casarão histórico construído entre 1890 e 1894, no Complexo Santos Dumont, em Campos Elíseos, região central de São Paulo. O espaço promove exposições, atividades culturais e ações educativas que convidam públicos de diferentes idades a conhecer a história da energia e suas relações com a transformação da cidade, além de estimular reflexões sobre sustentabilidade, cidadania e o futuro da energia.

(Com Lucas Machado/Betini Comunicação)