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Arte & Cultura

Rio de Janeiro, RJ

Danielian leva ao Palácio Capanema o processo de criação dos grandes murais de Portinari

por Kleber Patrício

Os estudos e pinturas que antecederam os monumentais painéis de Ciclos Econômicos Brasileiros, de Cândido Portinari, poderão ser vistos de perto no próprio Palácio Capanema, onde o conjunto está instalado. De 1º de outubro a 12 de novembro, a exposição “Portinari e o Brasil Moderno” apresenta nove trabalhos de grandes dimensões no Salão Portinari, revelando parte do processo de […]

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Núcleo Ás de Paus leva “Encontro de Gigantes” ao Sesc Pompeia em curta temporada

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cia Ás de Paus em cenas de Encontro de Gigantes. Fotos: Valéria Félix.

Duas figuras excêntricas chegam para assistir a um esperado encontro de gigantes. O problema é que ninguém aparece. Enquanto esperam, começam a discutir se gigantes realmente existem e como podemos saber que alguma coisa existe. É a partir desse jogo entre humor, imaginação e questionamentos filosóficos que se desenvolve “Encontro de Gigantes”, espetáculo do Núcleo Ás de Paus, de Londrina (PR), que faz uma curta temporada no Sesc Pompeia nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2026.

A montagem será apresentada na Área de Convivência, com duas sessões no sábado (10), às 17h e às 20h, e uma sessão no domingo (11) e outra na segunda-feira (12), às 17h. As apresentações são gratuitas e têm classificação livre.

Concepção da montagem

A peça coloca em cena duas figuras cômicas, interpretadas por Camila Feoli e Thunay Tartari, que chegam ao espaço como se fossem parte do público e passam a ocupar a cena. Entre brincadeiras e provocações, elas tentam entender o que define um gigante e onde começa a imaginação. A partir dessas perguntas, o espetáculo constrói um jogo entre o que se vê, o que se imagina e aquilo que o teatro é capaz de transformar diante do público.

A busca por esse gigante ganha uma dimensão concreta com a presença de uma terceira figura, interpretada por Rogério Francisco Costa, que surge sobre pernas de pau. A partir do encontro entre os três personagens, a montagem brinca com a ideia de tamanho e com a própria definição de gigante, aproximando o universo das pernas de pau de uma experiência comum a diferentes idades: a descoberta de que crescer também significa aprender a olhar o mundo de outras maneiras.

Pernas de pau como metáfora do amadurecimento

“Encontro de Gigantes celebra a origem milenar das pernas de pau e faz uma metáfora com o processo de crescer. Como a gente vai, infelizmente, perdendo o encantamento pela vida quando passa da infância para a fase adulta”, explica Camila Feoli, que assina o texto do espetáculo. A dramaturga também destaca que a montagem foi criada para dialogar com diferentes idades: “A gente nunca quis escrever um espetáculo só para criança, mas um espetáculo que servisse para criança, para adulto, para todo mundo.”

A relação entre a perna de pau e o trabalho teatral está no centro da pesquisa do Núcleo Ás de Paus. O grupo surgiu em Londrina a partir de uma oficina realizada por Rogério Francisco Costa, em 2006, cujo objetivo era investigar a perna de pau não apenas como técnica circense, mas como elemento de criação cênica. Desde então, o coletivo desenvolveu espetáculos em que o objeto aparece associado a personagens, dramaturgia, música, cenografia e figurino. Ao longo da trajetória, o grupo também desenvolveu um modo de criação compartilhado, sem a figura de um diretor ou diretora fixa, em que os próprios integrantes participam de diferentes frentes do processo artístico.

Equipe criativa

Em Encontro de Gigantes, essa pesquisa se relaciona diretamente à dramaturgia. A perna de pau deixa de ser apenas um recurso para ampliar a altura dos artistas e passa a funcionar como uma extensão do corpo e como elemento simbólico. No final do espetáculo, as personagens sobem nas pernas de pau, retomando a ideia de reaprender a andar e de enfrentar o desequilíbrio associado ao processo de crescimento.

A criação também reúne elementos recorrentes no trabalho do grupo, como música executada ao vivo, personagens cômicos, cenografia e figurinos integrados à construção do universo visual. As canções originais, compostas por Thunay Tartari, participam da condução da narrativa e da experiência sensível do público.

A dramaturgia de Camila Feoli nasceu de uma pesquisa sobre a história das pernas de pau. Ao buscar referências históricas, a artista encontrou poucos registros escritos sobre o uso desse objeto, apesar de sua presença em diferentes culturas e contextos ao longo do tempo. A pesquisa também se voltou para a figura dos gigantes nos contos e para a recorrente associação desses personagens com ameaça e perigo. Encontro de Gigantes desloca essa imagem para o campo do encantamento e da possibilidade de ampliar a maneira de olhar o mundo.

Histórico

O espetáculo estreou em 2019 e já passou por cerca de 50 cidades de seis estados brasileiros, somando mais de 150 apresentações. Em 2023, recebeu quatro prêmios no Troféu Gralha Azul, principal premiação do teatro paranaense: Melhor Espetáculo para Crianças, Melhor Dramaturgia para Camila Feoli, Melhor Direção de Espetáculo para Crianças para Camila Feoli, Rogério Francisco Costa e Thunay Tartari, e Melhor Atriz de Espetáculo para Crianças para Camila Feoli.

A temporada no Sesc Pompeia marca a primeira vez que o Núcleo Ás de Paus realiza uma temporada em São Paulo. Embora o grupo tenha passado pela cidade em apresentações e festivais ao longo de sua trajetória, a circulação sempre aconteceu de maneira pontual. A vinda com Encontro de Gigantes abre a possibilidade de apresentar o trabalho do coletivo de forma mais próxima ao público e ao circuito teatral paulista.

Em 18 anos de trajetória, o Núcleo Ás de Paus realizou cerca de 550 apresentações em mais de 150 cidades de 21 estados brasileiros, com público estimado em 180 mil pessoas. O coletivo mantém uma organização colaborativa e divide entre seus integrantes diferentes frentes da criação, como dramaturgia, direção, música, cenografia e figurino.

Ficha Técnica

Direção: Núcleo Ás de Paus

Texto: Camila Feoli

Direção Musical: Thunay Tartari

Elenco: Camila Feoli, Rogério Francisco Costa e Thunay Tartari

Cenografia: Rogério Francisco Costa

Figurino: Alex Lima

Costureiras: Bianca Baggio e Maria Higa

Operador de som: Luís Sandrim

Arte Gráfica: Studio Lasca

Produção: Ibirá das Artes.

SERVIÇO:

Encontro de Gigantes – Núcleo Ás de Paus

Sesc Pompeia – Área de Convivência – Rua Clélia, 93 – Pompeia, São Paulo, SP

Dia 10 de outubro, sábado, às 17h e às 20h

Dias 11 e 12 de outubro, domingo e segunda-feira, às 17h

Grátis

Classificação: livre | Duração: 1h10.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Nova exposição do MIS explora a vivência coletiva no Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas, culturais e populares do Brasil

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Imagem da série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto.

No dia 06 de outubro, às 19h, o MIS – Museu da Imagem e do Som inaugura a quinta exposição do Nova Fotografia 2026 com a série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto. O ensaio propõe uma imersão fotográfica documental na vivência coletiva do maior festejo religioso do país, onde a fé, a tradição e a cultura popular se entrelaçam. O projeto investiga o rito como expressão simbólica e espaço de construção identitária — a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, que remonta ao século 18 em Belém, transformando-se em palco de memória, pertencimento e metamorfose social.

Sem se limitar ao registro da fé, o ensaio amplia o foco para as engrenagens humanas que sustentam o Círio: a manutenção da festa em coletividade, os gestos de cuidado que circulam pela multidão — como a água que refresca, hidrata e mantém vivos os corpos em trânsito — e o papel central dos pagadores de promessa, que performam a devoção com intensidade física e emocional. Entre o sagrado e o profano, entre a corda que arrasta multidões e as vielas onde a promessa encontra seu território, o trabalho revela como a força do rito reside também na solidariedade, na organização espontânea e nas práticas comunitárias que fazem o Círio acontecer todos os anos.

Imagem da série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto.

Nessa intersecção entre fé, corpo e resistência, a série convida o espectador a refletir sobre a cultura popular como extensão viva do Brasil — uma manifestação multifacetada que, ao mesmo tempo em que celebra a devoção, expõe o país em toda a sua complexidade, sensibilidade e potência coletiva.

Para Fabrício, ocupar o MIS com essa exposição amplia uma trajetória de uma década dedicada à fotografia. “Existe uma distância geográfica entre Ferraz de Vasconcelos e Belém, mas ela não muda a existência de uma conexão muito forte na maneira como a cultura, a fé e a vida coletiva atravessam esses territórios. Chegar ao MIS com esse trabalho é também levar comigo o lugar de onde eu vim e tudo o que ele representa na minha formação”, afirma.

O projeto nasceu de uma experiência de intercâmbio cultural que levou Fabricio a Belém do Pará para pesquisar e fotografar o Círio de Nazaré. Em 2025, o artista foi convidado pelo Mídia Ninja e pela Casa Amazônia para cobrir o festejo e a experiência deu origem ao ensaio que agora chega ao MIS.

Imagem da série “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto.

A exposição parte da fotografia documental para observar o Círio para além da representação da fé. O ensaio acompanha os pagadores de promessas, a multidão que percorre as ruas, os gestos de cuidado, a distribuição de água, a organização coletiva e as práticas de solidariedade que surgem durante o percurso.

As vinte fotografias aproximam o visitante dessas experiências por meio de planos fechados, luz e sombra, texturas e cenas amplas. Contrapondo sagrado e profano, a exposição alterna imagens associadas à profissão de fé e à interação dos corpos, criando um contraste visual que atravessa todo o trabalho. A intenção é aproximar fotografia documental e arte contemporânea e tensionar a distância entre quem observa e quem participa.

O resultado é um registro do Círio como catarse coletiva. A devoção a Nossa Senhora de Nazaré é entrelaçada a questões de memória, pertencimento, identidade e transformação social. O trabalho observa os corpos em movimento e os vínculos que são formados nas ruas, onde a fé convive com manifestações culturais e práticas populares.

Sobre o fotógrafo 

Fabricio Augusto é fotógrafo, produtor multimídia e documentarista, nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na periferia da Grande São Paulo. Sua prática pensa cinema e fotografia como extensões de um mesmo olhar, investigando o corpo, o pertencimento e a cultura popular brasileira. É estudante de produção multimídia e antropologia, com extensão universitária em memória e território pela USP. Em 2024, completou dez anos de carreira com a exposição Trajetos e trajetórias: uma década de fotografia. Seus trabalhos já circularam pelo Brasil, passando pelo Museu das Favelas, o MIS Araraquara, o Centro Cultural Octo Marques e o Museu de Arte do Espírito Santo, e internacionalmente, em Toronto, no Canadá. Em 2026, foi finalista do Prêmio Transatlântico de Fotografia, consolidando uma trajetória dedicada à investigação da imagem, dos corpos e dos territórios que compõem a identidade brasileira.

Sobre o Nova Fotografia

O projeto anual do MIS seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, novos fotógrafos para uma exposição individual no museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.

SERVIÇO:

Nova Fotografia 2026 – Exposição “Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”

Abertura: 06 de outubro, às 19h

Período expositivo: de 06 de outubro a 15 de novembro de 2026

Local: Sala Nova Fotografia

Ingresso: gratuito

Classificação: livre.

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e MIS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Pirelli, Alcaçuz, Telium, Kaspersky e Play Audiovisual.

O projeto Nova Fotografia tem apoio da Canson, Imagens de Papel e Busca Vida.

(Com Diego Andrade de Santana/MIS São Paulo)

Projeto da Cia Bendita pesquisa história do teatro infantil brasileiro e apresenta mostra de repertório gratuita no Teatro Cacilda Becker

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Terremota. Foto: Maria Clara Diniz.

Em outubro, a Cia Bendita ocupa o Teatro Cacilda Becker com uma mostra gratuita de seu repertório: entre os dias 10 e 24, os espetáculos Terremota (2012), Gagá (2017), Elagalinha (2019), Fábula (2022) e O Retrato de Janete (2024) serão apresentados em sessões às 11h e às 16h (confira o serviço completo abaixo). No fim do mês, também no Cacilda Becker, acontece a Mostra Panorama, com a leitura dramática de textos selecionados com a participação de grupos de diversos territórios de São Paulo. A programação integra o projeto realizado pela companhia em 2026, com apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, dedicado à pesquisa, ao resgate e à difusão da história do teatro infantil brasileiro.

Fundada em 2012 por Jackie Obrigon e Marcelo Romagnoli, a Cia Bendita desenvolve há 14 anos uma trajetória dedicada à criação artística para as infâncias. Seus espetáculos também acumularam prêmios e reconhecimentos por seu trabalho artístico: Terremota (2012) recebeu o Prêmio APCA de Melhor Texto e os prêmios Coca-Cola Femsa de Melhor Texto e Melhor Atriz, além de ter seu livro homônimo distinguido com o selo de Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil (FNLIJ); Gagá (2017) foi premiado pelo APCA nas categorias Melhor Texto e Melhor Cenário e recebeu o Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem de Melhor Cenário. Já Elagalinha (2019) recebeu o APCA de Melhor Espetáculo de Rua e foi contemplado pelo ProAC no programa de Incentivo à Criação e Publicação Literária, dando origem ao livro publicado pela Editora Patuá.

Cena de Gagá. Foto: Maria Clara Diniz.

A mostra integra um projeto mais amplo que propõe um mergulho na produção dramatúrgica voltada às infâncias, de 1948 aos dias atuais. Ao longo de 2026, a Cia Bendita reúne artistas, pesquisadores, educadores e grupos teatrais em um processo de investigação que procura recuperar obras, autores e experiências que ajudaram a construir o teatro infantil brasileiro.

As atividades partiram de perguntas lançadas pelos diretores sobre o lugar ocupado pelo teatro para as infâncias na cultura brasileira: “como preservar a memória de uma produção artística fundamental para a formação cultural das crianças e, ao mesmo tempo, criar condições para que ela continue sendo reinventada?”.

Para Marcelo Romagnoli, cofundador, dramaturgo e diretor da Cia Bendita, “o projeto é também uma forma de abrir espaço para essa conversa, recuperar uma história e pensar o que estamos fazendo hoje e para onde queremos ir”.

Elagalinha. Foto: Luiz Doro Neto.

Entre as ações estão intercâmbios entre coletivos de diferentes territórios de São Paulo, leituras dramáticas de textos históricos, mesas de debate, aulas, podcasts, publicação de um livro e ações de acessibilidade cultural.

“É importante tratar a dramaturgia para crianças como literatura e como arte, e não apenas como entretenimento. Existe uma história, existe uma pesquisa e existe um campo artístico com muitas possibilidades. Se não falarmos sobre isso, essa memória vai desaparecendo”, afirma Romagnoli.

Mostra de Repertório

A Mostra de Repertório apresenta os cinco espetáculos do repertório da companhia: Terremota, de 2012, integra o início da trajetória do grupo; seguidos por Gagá (2017) e Elagalinha (2019); Fábula (2022) e O Retrato de Janete (2024) representam trabalhos mais recentes.

Fábula. Foto: Maria Clara Diniz.

“A reunião dessas obras no palco do Cacilda Becker permite acompanhar diferentes linguagens, temas e perspectivas desenvolvidos pela companhia ao longo dos anos. Continuamos dialogando com o dia de hoje”, afirma Jackie Obrigon. A programação também amplia o acesso ao repertório, com todas as sessões gratuitas e recursos de acessibilidade nas apresentações das 11h.

Leituras dramáticas

Como parte da pesquisa, quatro grupos de diferentes regiões da cidade foram convidados a investigar dramaturgias de autores fundamentais do teatro para as infâncias. “A proposta foi escolher os textos que representassem a trajetória dos autores e pudessem estabelecer diálogo com os coletivos envolvidos”, coloca Jackie.

O Grupo Pandora de Teatro apresenta O Dia de Alan, de Vladimir Capella, escrita em 1989. A obra aborda preconceito, diferenças socioeconômicas e bullying no ambiente escolar. O Grupo Rosas Periféricas apresenta História de Lenços e Ventos (1974), de Ilo Krugli, que aborda liberdade, opressão, imaginação e amizade e marcou uma transformação na linguagem do teatro infantil brasileiro ao utilizar materiais como lenços, papéis, jornais e latas na construção da cena.

O Retrato de Janete. Foto: Ronaldo Gutierrez.

Também integram a pesquisa o Grupo Pasárgada, com Pluft, o fantasminha (1955), de Maria Clara Machado, e a Cia Lúdicos de Teatro Popular, com A Sopa de Pedra (1988), de Tatiana Belinky.

Cada coletivo participou de encontros presenciais e virtuais e de uma aula ministrada pelo pesquisador Lucas Larcher, artista-docente com pós-doutorado pela Unesp e especialista em teatro infantojuvenil. Além das apresentações em seus territórios, os grupos integram a Mostra Panorama, prevista para setembro e outubro, com encontros e mesas de conversa. As ações serão gravadas e disponibilizadas posteriormente no YouTube.

Além das leituras e da Mostra de Repertório, o projeto inclui podcasts sobre a história do teatro para crianças, publicação de um livro com dramaturgias, mesas de discussão, aulas on-line e ações voltadas à acessibilidade cultural. A consultora e fundadora da Incluir Pela Arte, Vanessa Br, desenvolveu e apresentou duas aulas on-line sobre como ampliar o acesso às artes cênicas, especialmente às produções voltadas às infâncias. As aulas estão disponíveis no canal da Cia Bendita no YouTube.

Sobre a Cia Bendita

Fundada em 2012 por Jackie Obrigon e Marcelo Romagnoli, a Cia Bendita é um grupo de São Paulo dedicado à produção teatral para crianças e jovens. Ao longo de 14 anos de trajetória, desenvolveu uma dramaturgia contemporânea e ações de formação que incluem encontros de dramaturgia, oficinas, materiais didáticos, encontros com educadores e atividades com estudantes da rede pública.

A companhia recebeu prêmios como APCA, Coca-Cola Femsa e Prêmio SP de Incentivo ao Teatro Jovem. Seu núcleo artístico é formado também por Guto Togniazollo, Fausto Franco e Bruno Garcia. Atualmente, mantém parceria com a Corpo Rastreado na produção de seus projetos.

O repertório da Cia Bendita reúne Terremota (2012), Gagá (2017), Elagalinha (2019), Fábula (2022) e O Retrato de Janete (2024).

SERVIÇO:

Mostra de Repertório Cia Bendita

Teatro Cacilda Becker

Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo

Terremota

10/10, sábado | 11h e 16h

Com texto e direção de Marcelo Romagnoli, inspira-se em Mafalda, de Quino, e Pippi Meialonga, de Astrid Lindgren, para criar um universo de fantasia em que liberdade, autoridade, educação e limites entram em tensão. Com linguagem simples e direta, o espetáculo propõe às crianças uma reflexão sobre o mundo real e o mundo que gostariam de construir.

Gagá

11/10, domingo | 11h e 16h

Uma comédia do absurdo para todas as idades que fala sobre o tempo, o movimento circular da vida, a velhice e a infância. Com direção e dramaturgia de Marcelo Romagnoli, o espetáculo acompanha Lelé e Tantã enquanto esperam a visita de seu cuidador. Em um espaço sem portas nem janelas, os dois alternam humor, memória e lirismo e preparam uma surpresa para o Sr. Gagá.

Elagalinha

17/10, sábado | 11h e 16h

O espetáculo é uma fábula moderna para todas as idades, com música ao vivo, humor e filosofia. No caminho para seu primeiro dia de escola, uma galinha de seis anos é capturada por um monstro e transforma sua própria jaula em sala de aula, ensinando a partir do que traz no coração. Com texto e direção de Marcelo Romagnoli, o espetáculo aborda a educação como uma experiência que ultrapassa os muros da escola e acompanha todos nós ao longo da vida.

Fábula

18/10, domingo | 11h e 16h

Fábula é um espetáculo intimista que combina teatro de sombras, narração poética e ação para contar a história de Hari, um leão criado por carneiros que parte em busca de sua verdadeira natureza. Com texto e direção de Marcelo Romagnoli, a peça é livremente inspirada em um conto ancestral da literatura Vedanta, com mais de 3 mil anos.

O Retrato de Janete

24/10, sábado | 11h e 16h

Neste espetáculo solo, com música ao vivo, uma atriz melodramática de mais de 200 anos está confinada a um camarim na companhia de uma vespa de estimação que sonha em escapar. Assim, ela revisita uma carreira esquecida. Escrita e dirigida por Marcelo Romagnoli, a montagem aborda memória, liberdade, afeto e etarismo, ao mesmo tempo em que celebra a imaginação, a arte e a potência de reinventar a própria história. Todas as sessões das 11h terão intérprete de Libras. Entrada gratuita.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Taraz, no Rosewood São Paulo, apresenta nova fase de sua experiência gastronômica com menu renovado e desayuno inspirado na América Latina

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Do café da manhã ao jantar, restaurante amplia celebração da diversidade gastronômica sul-americana com novos pratos, sobremesas, coquetéis autorais e uma experiência matinal que percorre sabores, ingredientes e tradições de diferentes territórios do continente. Fotos: Rubens Kato.

O Taraz, restaurante sul-americano do Rosewood São Paulo, comandado pela chef-executiva Rachel Codreanschi e pela chef Gabriela Franceschi com menu assinado pelo chef Felipe Bronze, apresenta uma nova etapa de sua proposta gastronômica. Com a renovação do menu à la carte e o lançamento do Desayuno, o restaurante reforça sua vocação de explorar a riqueza culinária da América Latina por meio de ingredientes brasileiros, técnicas contemporâneas e experiências pensadas para diferentes momentos do dia.

Inspirado pela diversidade cultural e gastronômica do continente, o novo momento do Taraz amplia a jornada oferecida aos clientes, convidando-os a percorrer diferentes territórios latino-americanos desde a primeira refeição da manhã até os encontros ao redor da mesa no almoço e no jantar. A proposta permanece fiel à identidade do restaurante: celebrar o fogo, os ingredientes locais e o espírito generoso da culinária sul-americana sob uma perspectiva contemporânea.

Taraz – Huevos Bravos.

No jantar e almoço, o novo menu à la carte apresenta receitas que transitam entre referências brasileiras e latino-americanas. Entre os destaques estão o ceviche de caju, releitura vegetariana preparada com leche de tigre de castanha-de-caju, castanhas tostadas e pimenta dedo-de-moça; o taco de peixe branco, servido em tortilha de banana com aioli de rocoto; e as lulas tostadas mole poblano, acompanhadas de avocado, salsa verde e patacones.

Entre os pratos principais, a cozinha explora ingredientes emblemáticos da região em preparações como o bobó de mandioquinha com palmito grelhado, o arroz cateto com costela angus, servido com tucupi, pimenta-de-cheiro, maxixe e coentro, e o peixe assado ao curry verde, acompanhado de batata-doce, erva-doce, leite de coco e biju de milho.

Na grelha, o tradicional bife de chorizo ganha nova composição ao lado de batatas bolinha e sour cream de ervas frescas, enquanto a cotoletta milanesa, criação da chef Gabriela Franceschi, é servida com molho de iogurte e uma salada de PANCs.

Taraz – Pães e Acompanhamentos.

A confeitaria também recebe novidades assinadas pela chef pâtissière Saiko Izawa, que desenvolveu três novas sobremesas para o restaurante: pudim com doce de leite e cumaru, fondue com frutas frescas e calda de chocolate e bolo de banana invertido com nozes, canela e linhaça.

Complementando a experiência, a carta de bebidas passa a contar com novos coquetéis autorais que exploram aromas e ingredientes característicos do continente. Entre eles estão o Mari Mari, o refrescante Pacha Mama, o agridoce Ai Cabrón e o cremoso Dulce Passion.

Expandindo a narrativa gastronômica para o início do dia, o restaurante também lança o Desayuno, uma experiência de café da manhã disponível para hóspedes e visitantes. Desenvolvido pela chef Gabriela Franceschi, o menu foi concebido como um percurso gastronômico inspirado nas tradições matinais da América Latina.

Taraz – Misto Quente.

A experiência começa com uma seleção servida à mesa que inclui chipa, pão francês, telha de tapioca, ricota de búfala Almeida Prado, manteiga com flor de sal, compotas artesanais, doce de leite defumado, iogurte com frutas tropicais, granola da casa e mel de abelha nativa.

Na sequência, os clientes escolhem um prato principal entre opções que homenageiam diferentes países da região, como huevos bravos, chilaquiles, burrito de frango orgânico, waffle de pão de queijo com porco glaceado, taco de carne assada e preparações à base de cogumelos, avocado e tortilhas de banana-da-terra.

As bebidas também desempenham papel fundamental na experiência. Além de cafés, chás e sucos da estação, o Desayuno apresenta clássicos latino-americanos como Chicha Morada, preparada com milho roxo andino, Horchata, à base de arroz e amêndoas, e Mate Gelado com especiarias e limão.

Taraz – Taco de Carne.

Com o novo menu e o lançamento do Desayuno, o Taraz reafirma seu compromisso de apresentar a diversidade gastronômica da América Latina de forma contemporânea, valorizando ingredientes, histórias e tradições que aproximam culturas e transformam cada refeição em uma experiência de descoberta.

TARAZ

Desayuno

Terça a sexta, 08h às 10h; sábado e domingo, 08h às 11h

R$180 por pessoa + 10% de taxa de serviço

Almoço e Jantar

Terça a Quinta: 12h às 23h

Sexta e Sábado: 13h às 00h

Domingo: 19h às 23h

Domingos no Taraz

Domingo: 13h às 17h

R$380 por pessoa + 10% de taxa de serviço

Reservas: via e-mail para saopaulo.restaurantes@rosewoodhotels.com.

Destaques

– O Taraz apresenta uma nova fase de sua proposta gastronômica com menu à la carte renovado e lançamento do Desayuno.

– A experiência explora a diversidade da culinária sul-americana por meio de ingredientes brasileiros e referências latino-americanas.

– Entre os novos pratos estão ceviche de caju, taco de peixe branco, arroz cateto com costela angus e peixe assado ao curry verde.

– A confeitaria recebe novas sobremesas criadas por Saiko Izawa e a carta de bebidas passa a contar com novos coquetéis autorais.

– O Desayuno propõe um café da manhã inspirado em diferentes países da América Latina, com pratos, bebidas e ingredientes típicos da região.

– A proposta reforça o posicionamento do Taraz como um restaurante dedicado à celebração da cultura gastronômica latino-americana do amanhecer ao anoitecer.

Saiba mais:

O que há de novo no Taraz | O restaurante lançou um novo menu à la carte e passou a oferecer o Desayuno, uma experiência de café da manhã inspirada na diversidade gastronômica da América Latina.

Quem assina a proposta gastronômica do Taraz | A cozinha é liderada pela chef-executiva Rachel Codreanschi e pela chef Gabriela Franceschi, com menu assinado pelo chef Felipe Bronze.

Quais são os destaques do novo menu | Entre os destaques estão o ceviche de caju, taco de peixe branco, lulas tostadas mole poblano, arroz cateto com costela angus, bobó de mandioquinha com palmito e peixe assado ao curry verde.

Restaurante oferece opções vegetarianas | O menu inclui diversas preparações à base de vegetais, como o ceviche de caju e o bobó de mandioquinha com palmito, além de outras receitas que valorizam ingredientes brasileiros.

Sobremesas adicionadas ao menu | A nova seleção inclui pudim com doce de leite e cumaru, fondue com frutas frescas e bolo de banana invertido.

O que é o Desayuno | É a experiência de café da manhã do Taraz, criada para celebrar ingredientes, receitas e tradições matinais de diferentes países da América Latina.

Pratos que fazem parte do Desayuno | Entre as opções estão huevos bravos, chilaquiles, burrito de frango orgânico, waffle de pão de queijo com porco glaceado e taco de carne assada.

Quais bebidas especiais estão disponíveis no Desayuno | A experiência inclui Chicha Morada, Horchata, mate gelado, cafés, chás, sucos da estação e refrescos preparados com ingredientes frescos e sazonais.

Sobre Rosewood São Paulo

Rosewood São Paulo é um oásis urbano regenerativo, onde a vibrante cultura local e a energia artística florescem em harmonia com a natureza. Instalado em uma antiga maternidade e em uma torre visionária de jardim vertical, projetada pelo vencedor do Prêmio Pritzker Jean Nouvel, o hotel traz nova vida a um enclave histórico da cidade.

Os interiores são uma ode ao ecletismo de São Paulo. Cada um dos 181 quartos e suítes, além das 100 Rosewood Residences, é cuidadosamente curado com livros, obras de arte e paredes de madeira, enquanto mais de 450 peças encomendadas a talentos brasileiros compõem uma verdadeira galeria de arte.

A gastronomia também é inspirada culturalmente; uma homenagem à efervescente cena culinária da cidade. Seis restaurantes e bares, comandados por chefs em ascensão, oferecem sabores globais a qualquer hora do dia. Com aulas dinâmicas de fitness, piscinas emolduradas por áreas verdes e um Asaya Spa by Guerlain, o bem-estar aqui reflete os diversos ritmos do Brasil.

Sobre Rosewood

Rosewood é uma coleção global em constante evolução de hotéis, resorts e residências, criada a partir da descoberta de lugares extraordinários. Com 44 destinos únicos, cada propriedade celebra a cultura e a comunidade que lhe dão identidade, preservando a visão de uma hospitalidade capaz de transformar e enriquecer tanto hóspedes quanto anfitriões. Cada detalhe é cuidadosamente concebido para contar a história do lugar, proporcionando momentos inesperados de descoberta e conexão. As Rosewood Residences estendem esse mesmo espírito, inspirando um estilo de vida em que o senso de pertencimento e a curiosidade tornam cada dia mais significativo.

(Com Lígia Prestes/Comidah Mídia)

Danielian leva ao Palácio Capanema o processo de criação dos grandes murais de Portinari

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Lenhadores (Pau-Brasil), 1938 – Candido Portinari, carvão sobre papel, 96,5×145 cm. Foto: Divulgação/Danielian.

Os estudos e pinturas que antecederam os monumentais painéis de Ciclos Econômicos Brasileiros, de Cândido Portinari, poderão ser vistos de perto no próprio Palácio Capanema, onde o conjunto está instalado. De 1º de outubro a 12 de novembro, a exposição “Portinari e o Brasil Moderno” apresenta nove trabalhos de grandes dimensões no Salão Portinari, revelando parte do processo de criação dos murais. A mostra é realizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), com parceria da Danielian, Ethel e Ministério da Cultura.

Os trabalhos reunidos na exposição foram utilizados por Portinari e seus assistentes durante a execução dos murais e permitem acompanhar diferentes etapas da criação de um dos conjuntos mais emblemáticos da produção do artista. A experiência ganha uma dimensão particular por acontecer no próprio Palácio Capanema, considerado o primeiro projeto oficial de arquitetura moderna do Brasil. Construído entre 1938 e 1945, o edifício reuniu Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Portinari, aproximando arquitetura, artes visuais e a construção de uma nova imagem cultural para o país.

Índios com cesto, 1937 – Candido Portinari, carvão sobre papel, 97×76 cm.

No centro dessa relação estão os painéis de Ciclos Econômicos Brasileiros. A partir da trajetória da economia nacional, Portinari criou 12 pinturas que percorrem diferentes atividades e ciclos produtivos, da extração do pau-brasil à exploração da carnaúba. Ao apresentar nove trabalhos relacionados a esse processo, a mostra permite observar a dimensão monumental do projeto a partir de seus estudos e evidencia o papel do desenho na produção do artista.

Rafael Peixoto e Marcus Lontra assinam o texto de apresentação da mostra Portinari e o Brasil Moderno, segundo eles a exposição evidencia as relações entre o modernismo brasileiro, a produção artística e o contexto histórico em que o Palácio foi construído: “A partir da conceituação de Afonso Arinos de Mello Franco sobre a trajetória da economia brasileira, Portinari realizou 12 pinturas que traçam um panorama que vai da extração do pau-Brasil até o período de crescimento da exploração da carnaúba. Os nove desenhos que formam a exposição não só revelam a grande habilidade de Portinari como desenhista, mas também sua importância como figura central na assimilação do modernismo como utopia de um país.”

A exposição nasce no contexto da Conferência Estadual de Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo CAU/RJ no Palácio Gustavo Capanema. Ao aproximar as discussões contemporâneas sobre arquitetura e urbanismo de um edifício em que arte e arquitetura foram concebidas como partes de um mesmo projeto, a iniciativa retoma a dimensão transformadora do modernismo e sua relação com a vida das pessoas. Essa perspectiva também está presente nos painéis de Ciclos Econômicos Brasileiros, nos quais Portinari coloca os trabalhadores no centro da narrativa sobre o desenvolvimento nacional. É justamente essa centralidade no humano que, segundo João Paulo Balsini, do CAU/RJ, estabelece uma conexão entre a obra do artista e o pensamento que orienta o projeto moderno: “Ao consagrar o homem como centro da obra, Portinari evoca o mesmo propósito que confere sentido ao espaço construído: as pessoas. A modernidade tangível se realiza na escala humana, a construção de um país se fundamenta na garantia do princípio da dignidade da pessoa humana e a cidade se concretiza no pleno direito dos cidadãos ao território. No encontro entre a poética do artista e a construção de mundo, reafirma-se o compromisso único: o de projetar a vida a partir de quem a vive.”

Pés, 1937 – Candido Portinari, carvão sobre papel, 55×86 cm.

Com a reabertura do Palácio Capanema ao público em 2025, após um minucioso processo de restauro, a exposição oferece a oportunidade de ver os trabalhos ligados ao processo de criação de Portinari dentro do próprio edifício que abriga seus murais.

Portinari e o Brasil Moderno | Os murais do Palácio Capanema

Texto de apresentação: Rafael Peixoto e Marcus Lontra

Local: Palácio Capanema – Salão Portinari

Endereço: Rua Evaristo da Veiga, 16 – Centro – Rio de Janeiro

Abertura: 1º de outubro às 20h

Período expositivo: 1 de outubro a 12 de novembro de 2026

Horários: terça a domingo, das 9h às 17h.

(Com Carolina Amoedo/Cor Comunicação)