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Arte & Cultura

Rio de Janeiro, RJ

Clássico do balé mundial, “La Fille Mal Gardée” volta ao palco do Theatro Municipal RJ

por Kleber Patrício

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro traz de volta ao palco principal o balé “La Fille Mal Gardée”, um dos títulos mais tradicionais do repertório clássico. A obra que ficou 20 anos fora da programação do Ballet e da Orquestra da casa, teve nova montagem apresentada em 2024, e agora, com Patrocínio Oficial Petrobras, chega […]

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Temporada de baleias começa cedo no Litoral Norte

Litoral Norte de São Paulo, por Kleber Patricio

Avistamentos antecipados reforçam o potencial da região como destino de ecoturismo e animam o trade para o período. Foto: Paulo Stefani.

O Litoral Norte de São Paulo abre mais uma temporada de avistamento de baleias e cetáceos com expectativas históricas. Após um 2025 recorde, com mais de 800 registros, os primeiros avistamentos de 2026 foram confirmados ainda em abril, antecipando a movimentação nas cinco cidades que integram o Circuito Litoral Norte: Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba.

Entre maio e novembro, as águas do litoral paulista se tornam rota de passagem e permanência das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), que migram das regiões frias do hemisfério Sul em direção às águas mais quentes do Brasil para reprodução e cuidado dos filhotes. A rica biodiversidade marinha da região, que abriga 4 espécies de baleias, 7 espécies de golfinhos, além de tartarugas, raias-manta e tubarões-baleia, transforma o Litoral Norte em um dos principais destinos de turismo de natureza do país durante o período de baixa temporada.

Foto: @projetobaleiaavista.

“O avistamento de cetáceos já está consolidado como um importante produto turístico do Litoral Norte e ganha força a cada temporada. Hoje, essa experiência movimenta toda a cadeia do turismo na baixa temporada, atrai visitantes em busca de contato com a natureza e reforça o posicionamento da nossa região como referência em ecoturismo sustentável. O mais importante é que esse crescimento é realizado com responsabilidade, por meio da qualificação das operadoras, da educação ambiental e da preservação da nossa biodiversidade marinha. Esse é um ativo valioso que gera emprego, renda e desenvolvimento para os municípios, ao mesmo tempo em que promove conscientização e valoriza uma das maiores riquezas que temos, que é o nosso patrimônio natural”, afirma o presidente do consórcio turístico, Toninho Colucci.

Avistamentos em abril: flutuação natural

O primeiro registro de baleias-jubarte em abril, antes do pico da temporada, que historicamente ocorre entre junho e julho, é explicado pelo Instituto Baleia Jubarte como parte do comportamento natural da espécie.

“Já existiu registro de avistamento de baleias-jubarte no mês de abril em anos anteriores, e isso é normal. Há uma flutuação e variação natural na chegada delas. Além disso, as baleias podem passar mais próximas à costa ou mais distantes — quando passam mais distantes, podem não ser vistas. Nossa temporada no Litoral Norte de SP tem uma maior concentração de baleias nos meses de junho e julho”, explica a coordenadora do Instituto Baleia Jubarte no Litoral Norte de São Paulo, Rafaela Souza.

Expectativas altas para 2026

Foto: Divulgação/PMSS.

A demanda por informações sobre avistamento de cetáceos já cresceu antes mesmo do início oficial da temporada, sinal do amadurecimento desse segmento no Litoral Norte.

“As expectativas estão altas. Muitas pessoas já estão procurando informações sobre o avistamento de baleias. Para nós, a expectativa é sempre de uma temporada de sucesso, com um turismo sendo realizado de maneira responsável. Todos os anos preparamos ações para orientação sobre as regras de avistagem, educação ambiental para a conservação das baleias, golfinhos e ambientes marinhos, e além disso, de ver a economia local crescer e girar nesse período considerado como baixa temporada”, destaca Rafaela.

O turismo de avistamento de cetáceos tem papel estratégico para os municípios da região justamente por movimentar a economia durante os meses de menor fluxo turístico, gerando renda para guias, operadores náuticos, pousadas, restaurantes e toda a cadeia do turismo local.

Passeios com empresas credenciadas: segurança para o turista e para os animais

Avistamento de golfinhos em Ilhabela. Foto: Divulgação.

Um dos pontos mais importantes para quem deseja viver a experiência do avistamento de baleias é a escolha de operadoras habilitadas, que seguem as normas legais de conduta e participam de programas de qualificação em conservação ambiental.

“Algumas prefeituras, como Ilhabela e São Sebastião, criaram um selo para incentivar o turismo responsável, com o cadastramento de empresas que cumprem diversos requisitos, dentre eles, participar da oficina de boas práticas que o Projeto Baleia Jubarte realiza, com o apoio das prefeituras. A busca por empresas cadastradas valoriza o turismo seguro, tanto na navegação quanto no avistamento, o que é muito importante para o turista, que procura um passeio que respeite as normas e a natureza”, afirma a representante do Instituto Baleia Jubarte.

Além da segurança, a escolha de operadores credenciados conecta o turista diretamente à ciência. “Nós, do Projeto Baleia Jubarte, também realizamos parceria com alguns operadores e saímos embarcados no turismo, realizando palestras pré-embarque e acompanhando a saída com os turistas. Dessa forma, integramos educação ambiental, pesquisa e incentivamos a ciência cidadã”, completa.

Regras de avistamento

Para garantir a segurança dos animais e a qualidade da experiência, as embarcações devem seguir normas estabelecidas por legislação federal:

– Distância mínima de 100 metros de qualquer cetáceo

– Proibido perseguir ou interromper o curso natural dos animais

– Motor desengatado ao se aproximar das baleias

– Proibido mergulhar ou nadar com as espécies

O descumprimento dessas regras está sujeito a penalidades e compromete a continuidade da atividade na região.

Sobre o Circuito Litoral Norte

O Consórcio Intermunicipal Turístico Circuito Litoral Norte de São Paulo integra os municípios de Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba. A entidade atua na gestão integrada e no desenvolvimento sustentável do turismo regional, promovendo as cinco cidades como um destino único, rico em diversidade natural, cultural e gastronômica.

Para contratar passeios com operadoras credenciadas, acesse o guia de fornecedores oficial: circuitolitoralnorte.tur.br/guiageral

Mais informações sobre experiências na região: circuitolitoralnorte.tur.br.

(Com Eliria Buso/Assimptur)

“Eu Chorei Rios”: FGV exibe arte dos povos originários da América

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Manto Tupinambá. Foto: Lucena de Lucena.

A FGV Arte inaugurou, no dia 6 de maio de 2026, na sede da Fundação Getulio Vargas, Zona Sul do Rio de Janeiro, a exposição “Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”, com curadoria de Glicéria Tupinambá Paulo Herkenhoff. Este é o oitavo projeto expositivo realizado pela instituição desde a sua inauguração em 2023.

A mostra apresenta um conjunto amplo e heterogêneo de produções que operam como formas de pensamento, conectando imagem, matéria e narrativa. Pinturas, fotografias, esculturas, objetos, mantos, instalações e artefatos históricos compõem um panorama plural de linguagens e cosmologias, reunindo criações de diversos povos originários da América Latina. Ao confrontar leituras universalizantes, o projeto inscreve essas produções no campo expandido da arte contemporânea, em diálogo direto com disputas territoriais, institucionais e epistemológicas do presente.

Eu chorei rios se constrói também como desdobramento da exposição Adiar o fim do mundo, apresentada em 2025 na FGV Arte e orientada pelas reflexões de Ailton Krenak, deslocando o foco do diagnóstico da crise para a afirmação de práticas e presenças que persistem e transformam mundos. Para Herkenhoff, “se antes a questão do antropoceno era colocada em xeque como narrativa dominante, aqui ela se expande em múltiplas formas de existência que recusam a separação entre natureza e cultura, sujeito e território, reconfigurando a arte como espaço de continuidade, contraposição e invenção”.

A participação de Glicéria Tupinambá na curadoria introduz uma inflexão decisiva, ao trazer para o centro da exposição aquilo que ela define como “nhe’ẽ se”, o “desejo de fala”: “A gente chega na arte com esse desejo de falar, de falar de um lugar que nunca foi ouvido, sempre foi silenciado”, observa a curadora. “Os povos indígenas sempre fizeram arte, mas não tinham o direito de dizer o que aquilo era.” A atuação de Glicéria integra arte, pesquisa e ação comunitária, atravessando a mostra com uma perspectiva que amplia o campo de leitura das obras e desloca seus próprios fundamentos.

Daiara Tukano – Uawa Busa Manto do Urubu Rei – Cortesia Daiara Tukano e Almeida & Dale. Foto: Ana Pigosso.

Nesse contexto, a presença de artistas como Daiara Tukano, Yaka Edilene Sales Huni Kuin, Lastenia Canayo e Rita Pinheiro Sales Kaxinawá evidencia o papel central das mulheres nas cosmologias indígenas e na produção artística. Seus trabalhos operam como enunciações de mundo, articulando grafismos, narrativas, cantos e sistemas de conhecimento que atravessam gerações, ao mesmo tempo em que tensionam leituras historicamente marginalizantes.

A exposição se organiza como um campo de visibilidade em disputa, em que diferentes temporalidades e regimes de representação se confrontam. Obras contemporâneas convivem com peças históricas, artefatos, registros fotográficos e produções audiovisuais, evidenciando tanto a persistência quanto os conflitos em torno das imagens indígenas. Nesse conjunto, destacam-se trabalhos de Ailton Krenak, Claudia Andujar, Denilson Baniwa, Djanira, Gustavo Caboco, Keyla Sobral, Lygia Pape e Mestre Valentim.

A noção de território atravessa o projeto não apenas como tema: pinturas, mantos, objetos, vídeos e intervenções espaciais configuram a exposição como um espaço de demarcação simbólica, em que a arte atua como prática de inscrição e reivindicação. “Os cantos, as histórias, o que a gente vive no corpo: é isso que preserva a memória”, afirma Glicéria. “A nossa cultura não está só na materialidade. Ela é cantada, celebrada, dançada, e passa de geração em geração.”

A mostra se expande para além do espaço expositivo, ocupando a fachada e a esplanada da FGV com intervenções que ampliam a experiência do público. Entre elas, a pintura de Xadalu Tupã Jekupé, um jardim circular concebido especialmente para a ocasião e a presença de obras que ativam o espaço externo como campo sensorial. A instalação de Jaider Esbell atua como um gesto de acolhimento, introduzindo o visitante em uma dimensão cosmológica da exposição. “É uma imersão. O corpo entra nesse espaço e começa a experimentar essas diferentes camadas”, observa a curadora.

Daiara Tukano – Cortesia Daiara Tukano e Almeida & Dale. Foto: Ana Pigosso.

Também presente na mostra como artista, Glicéria Tupinambá desenvolve um dos eixos centrais a partir do Manto Tupinambá, apresentado tanto como obra quanto em uma ação na abertura. Distanciando-se da ideia de performance como linguagem formal, ela propõe uma ativação que convida o público à experiência. “O que eu faço é convidar as pessoas a sentirem. Rezar não dói, cantar não dói, dançar não dói. É uma forma de tirar o manto da vitrine e colocá-lo em movimento no corpo e no mundo.” Ao deslocar o manto de sua condição museológica, o gesto reinsere essa forma em um circuito vivo, abrindo novas possibilidades de percepção e relação.

Eu chorei rios contribui para reconfigurar os próprios termos de visibilidade das produções indígenas. “A gente não está impondo nada aqui. A intenção é um processo de diálogo, de construção, de fazer o outro entender como a gente vê o mundo.” Nesse sentido, a exposição se inscreve como um gesto de escuta e posicionamento institucional, no qual a arte se apresenta como meio de pensar, sustentar e demarcar mundos possíveis.

A FGV Arte reafirma seu compromisso com a formação de público e a democratização do acesso à arte e à cultura por meio de um programa educativo e acadêmico estruturado. Ao longo da exposição, a instituição receberá mais de 100 escolas e cerca de 5 mil estudantes da rede pública de ensino em visitas mediadas, promovendo experiências qualificadas de aproximação com a arte. Em diálogo com essa frente, o programa acadêmico se organiza como um eixo complementar de reflexão e produção de conhecimento, reunindo atividades formativas e iniciativas voltadas ao aprofundamento crítico dos temas propostos pela exposição.

Sobre a FGV Arte

Localizada na sede da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a FGV Arte é um espaço voltado para a valorização, a experimentação artística e os debates contemporâneos em torno da arte e da cultura, buscando incentivar o diálogo com setores criativos e heterogêneos da sociedade, dividindo-se em três eixos principais: exposições, publicações e atividades educacionais – acadêmicas e práticas. Tem como curador chefe, o crítico Paulo Herkenhoff.

SERVIÇO:

Eu chorei rios: arte dos povos originários da América

Curadoria: Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff

Abertura: 6 de maio de 2026 | Encerramento: 20 de setembro de 2026

Local: FGV Arte | Esplanada da Fundação Getúlio Vargas – End: Praia de Botafogo, 186 – Botafogo, Rio de Janeiro | RJ

Tel: (21) 3799-5537

Website: Link | Instagram: @fgv.arte

Horários de funcionamento:

De terça a sexta, das 10h às 20h Sábados e domingos, das 10h às 18h

Entrada gratuita| Classificação livre.

(Com Márcia Gomes/Insight Comunicação)

Ideia Coletiva promove visitas guiadas gratuitas ao MIS Campinas

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

O Instituto Ideia Coletiva abre ao público uma oportunidade especial de conhecer de perto a história do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas. Por meio do projeto “Ecos do Ideia”, serão realizadas visitas guiadas gratuitas que convidam os participantes a explorar não apenas o prédio histórico, mas também as trajetórias do cinema, da fotografia e da produção audiovisual na cidade. As visitas guiadas são gratuitas, sem necessidade de agendamento prévio e serão realizadas nos dias 12 e 19 de maio às 9 e às 14 horas.

As visitas acontecem em formato de percurso pelas salas expositivas do MIS, com mediação de Gabi Perissinotto, revelando diferentes camadas de memória e cultura. A experiência vai além da visita: o público também participa de uma sessão de cineclube com exibição de filmes do acervo, seguida de um bate-papo mediado pela equipe do projeto. Com duração aproximada de duas horas, a atividade propõe uma vivência acessível, educativa e envolvente, ideal para quem deseja se conectar com a história local de forma leve e dinâmica.

O projeto “Ecos do Ideia” integra uma série de ações voltadas à produção, difusão e democratização cultural em Campinas. Realizado pelo Ponto de Cultura Ideia Coletiva, conta com apoio da Política Nacional Cultura Viva e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. “A proposta é ampliar o acesso à cultura e fazer ressoar as ações que desenvolvemos há mais de quinze anos na cidade, promovendo experiências que conectam memória, arte e território”, destaca o presidente do Instituto Ideia Coletiva, Roberto Limberger.

Sobre o Instituto Ideia Coletiva

O Instituto Ideia Coletiva é um ponto de cultura, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e possui reconhecimento do Ministério da Justiça e demais órgãos públicos. Atua na formação e difusão cultural por meio de diversas linguagens artísticas, idealizando e executando projetos em todo o território nacional.

Serviço: 

Visitas guiadas ao MIS de Campinas – Projeto “Ecos do Ideia”

Datas: 12 e 19 de maio

Horários: 9 e 14 horas

Local: Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas – Rua Regente Feijó, 859 – Centro – Campinas/SP

Entrada gratuita – Não é necessária inscrição prévia.

(Com Carol Cerqueira/Fábrica de Histórias)

Em homenagem ao Dia das Mães chef do Le Cordon Bleu revela receita de família

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Chef Vitor, chef de Cuisine do Le Cordon Bleu São Paulo. Fotos: Gustavo Ferreira.

Muito antes de técnicas elaboradas e receitas sofisticadas, é dentro de casa que nascem as primeiras referências gastronômicas. Para muitas pessoas, o primeiro contato com a culinária vem de suas mães, ou de figuras maternas, que, entre panelas e cadernos de receitas, transmitem além de apenas modos de preparo. São ensinamentos que atravessam gerações, carregando histórias, sabores e vínculos emocionais.

A chamada “cozinha afetiva”, termo bastante conhecido, está presente no cheiro que remete à infância, no tempero feito “de olho” ou na receita que nunca foi escrita por completo, mas que vive na memória. Nesse sentido, não há como negar: as mães ocupam um papel central como inspirações culinárias, despertando o interesse, a curiosidade e até mesmo a paixão pela gastronomia.

Outro símbolo marcante dessa herança são os cadernos de receitas. Manuscritos, muitas vezes simples e repletos de anotações pessoais, eles funcionam como verdadeiros arquivos de família. Não se trata apenas de reunir ingredientes e instruções – esses cadernos guardam histórias: adaptações feitas ao longo do tempo, pratos preparados em ocasiões especiais e até segredos compartilhados entre gerações, além de serem verdadeiros guardiões de memórias.

Resgatar essas tradições é também uma forma de valorizar toda uma cultura alimentar e fortalecer conexões. Em um mundo cada vez mais acelerado e digital, revisitar receitas antigas ou reproduzir pratos de família se torna um gesto de permanência.

Neste Dia das Mães, celebrar a gastronomia é também reconhecer essas raízes e valorizar aquelas que fazem mais que apenas nutrir. Cada preparo carrega consigo uma narrativa e, em muitos casos, essa história começa com uma mãe, que nos ensina que cozinhar pode ser, acima de tudo, um ato de cuidado e carinho.
Antes de dominarem as técnicas complexas da culinária francesa, muitos dos grandes chefs do mundo tiveram um ponto de partida comum: a cozinha de casa. A gastronomia, embora técnica e precisa, também pode ser fundamentada na memória. A partir do observar o preparo de um almoço de domingo ou até sentir o aconchego do cheiro de um bolo recém-assado que nasce, muitas vezes, o desejo de transformar o ato de cozinhar em profissão. Vítor Oliveira, chef de Cuisine do Le Cordon Bleu Brasil, unidade São Paulo, revela que suas primeiras referências vêm justamente desse ambiente familiar, marcado por afeto, simplicidade e tradição. Criado em uma família de origem italiana, Vítor relembra os encontros de fim de semana na casa da avó, figura que descreve como uma segunda mãe. “Todos reunidos no quintal, fazendo massa juntos. Uma massa simples, que depois seria servida com um molho vermelho e um frango assado. Nada sofisticado, mas, ao mesmo tempo, algo muito simbólico para mim.”

As lembranças vão além do prato e se concentram no ato de cozinhar e nas lembranças de um ambiente acolhedor. “Lembro de varais espalhados pelo quintal, cheios de talharins pendurados, secando, esperando o momento de ir para a panela. Era quase uma cena de filme”, recorda. “Mesmo quando minha avó já não tinha tanta força, ela continuava ali, sentada, paciente, enrolando as massas, como quem não abre mão do amor que coloca naquilo”, conta Vítor.

Ao revisitar essas memórias, o chef destaca a influência decisiva das mulheres de sua família em sua trajetória, tanto pessoal quanto profissional. “Cresci cercado por mulheres muito fortes e especiais, minha avó, minhas tias, minha mãe, cada uma, à sua maneira, me formando, me cuidando e me ensinando. Muito do que eu sou hoje devo a elas”, afirma.

Para o chef, o Dia das Mães carrega um significado profundo, que vai além da celebração e se conecta diretamente à sua trajetória na gastronomia. “Por tudo isso, só existe uma palavra que faz sentido: obrigado.” 

Como forma de homenagear essas memórias e compartilhar um pouco dessa herança afetiva, o chef Vítor Oliveira compartilha uma receita clássica de sua infância, marcada pela simplicidade e pelo sabor: o talharim ao molho rústico de tomates.
Confira a receita abaixo:

Talharim ao Molho de Tomates:

Massa:

200 g de farinha de trigo

160 g de gema de ovo

Molho rústico de tomates:

10 unidades de tomates italianos bem maduros

½ unidade de cebola

4 dentes de alho

25 g de extrato de tomate

50 g de azeite de oliva

5 g de açúcar

Manjericão

Salsinha

Sal

Pimenta do reino

Finalização:

100 g de parmesão

Modo de preparo:

Para a massa:

Colocar a farinha de trigo sobre a bancada. Abrir uma fonte ao centro da farinha.

Com um garfo, juntar a gema de ovo com a farinha e sovar bem a massa, até obter uma massa lisa e homogênea.

Deixar descansar a massa por cerca de 30 minutos.

Utilizando um cilindro de massas, abrir a massa até chegar em uma espessura de 2 mm. (Caso não tenha, pode utilizar uma garrafa de vinho vazia, eu vi essa cena muitas vezes em casa, minha avó sempre fazia isso).

Cortar os talharins e deixar secar. (Caso queira cozinhar na hora, pode seguir a receita e pular a etapa de secagem).

Colocar uma água para ferver em uma panela.

Cozinhar a massa por cerca de 2 minutos. Escorrer e passar um pouco de azeite de oliva para não grudar as massas após cozidas.

Para o molho:

Cortar a cebola e o alho finamente. Os tomates, cortar em pedaços pequenos.

Em uma panela, adicionar o azeite de oliva e aquecer. Juntar a cebola e o alho picados e refogar bem.

Juntar o extrato de tomate, e deixar dar uma breve dourada.

Adicionar os tomates cortados, o manjericão e água se necessário, para cozinhar.

Deixar cozinhar por cerca de 1h, adicionando água sempre que necessário.

Ao final, adicionar o açúcar para mascarar um pouco a acidez.

Finalizar o molho com salsinha finamente picada e temperar com sal e pimenta do reino.

Finalizar a massa com o molho por cima e servir com um bom pedaço de parmesão ralado.

Dica do Chef: Servir com um frango assado para acompanhar.

Sobre o Le Cordon Bleu | O Le Cordon Bleu é a principal rede global de institutos de artes culinárias e gestão de hospitalidade, com uma herança de 130 anos. A rede mantém presença global com 35 escolas em mais de 20 países, formando cerca de 20 mil alunos de mais de 100 nacionalidades diferentes todos os anos. As técnicas culinárias tradicionais francesas permanecem no coração do Le Cordon Bleu, mas seus programas acadêmicos são constantemente adaptados para incluir novas tecnologias e as inovações necessárias para atender às necessidades crescentes da indústria. Presente no Brasil desde 2018, possui unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde oferece programas de alta qualidade, como o Grand Diplôme, o Diploma de Cozinha Brasileira, o Diplôme de Wine & Spirits, Diplôme de Plant Based, entre outros.

(Com Julianne Gouvea/Le Cordon Bleu SP)

Clássico do balé mundial, “La Fille Mal Gardée” volta ao palco do Theatro Municipal RJ

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Os solistas Manuela Roçado e Rodrigo Hermesmeyer na montagem de 2024. Foto: Divulgação.

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro traz de volta ao palco principal o balé “La Fille Mal Gardée”, um dos títulos mais tradicionais do repertório clássico. A obra que ficou 20 anos fora da programação do Ballet e da Orquestra da casa, teve nova montagem apresentada em 2024, e agora, com Patrocínio Oficial Petrobras, chega em mais uma temporada com dois atos no mês de maio. A concepção e coreografia são de Ricardo Alfonso. A regência, de Jésus Figueiredo, com supervisão artística de Hélio Bejani e Jorge Teixeira. As récitas serão nos dias 13/5 (Ensaio Geral), 14 (estreia), 15, 16, 20, 21 22 e 23, às 19h | 17 e 24, às 17h | 19, às 14h (Projeto Escola). Os ingressos estão disponíveis (3º lote) pelo site theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro.

Criado no século XVIII, o balé estreou em julho de 1789 no Grand Théâtre de Bordeaux. Desde então, a obra vem sendo remontada por diferentes gerações de coreógrafos. Um dos principais nomes a revisitar o título foi Marius Petipa, que apresentou sua versão em 1885, em São Petersburgo. Ao longo do século XX, novas montagens mantiveram o balé em circulação nos principais palcos internacionais. “La Fille Mal Gardée é um ballet de repertório que encanta a todos. Unindo o clássico com o cômico, está entre os mais pedidos pelo nosso público e por isso está de volta na temporada de 2026, que tem o patrocínio oficial da Petrobras. Não perca a oportunidade de assistir ao Corpo de Baile e a Orquestra Sinfônica do TMRJ. Esperamos você!”, ressalta a presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Clara Paulino.

Os primeiros bailarinos do TMRJ Juliana Valadão e Cícero Gomes no palco do Municipal. Foto: Daniel Ebendinger

Sinopse:

Ato 1

Narra o romance de Lisa, filha de Simone, uma rica proprietária de uma fazenda, com um camponês chamado Colas. Este é despedido, pois Simone pretende casar sua filha com Alan, filho do rico Thomas. Em um encontro em pleno campo para reunir o gado, todos os personagens se definem. Lisa e Colas declaram seu grande amor. Alan brinca infantilmente e a viúva namora Tomás. Tudo é interrompido por uma tempestade.

Ato 2

A viúva continua preparando Lisa para o casamento e a filha finge consentir para afastar a desconfiança da mãe. Chegam Tomás, a mãe Simone e Alana no momento em que Lisa está experimentando o vestido de noiva. Enquanto os três tratam do casamento, a viúva entrega a chave do quarto de Lisa para Alan. Quando ele abre a porta do quarto, encontra Lisa nos braços de Colas, mas o destino premia os dois jovens que finalmente se casam com as bênçãos da mãe, a ira do velho Tomás e a indiferença infantil de Alan.

Sobre Jésus Figueiredo

Foto: Philippe Gregori.

Maestro Jésus Figueiredo é mestre pela Haute École de Musique de Genève (Suíça), com especialização em música antiga, regência, órgão e cravo. Atualmente é maestro colaborador da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atua na preparação de óperas, concertos e regência de balés.

Foi maestro titular do Coro do Theatro Municipal por vários anos, participando de inúmeras produções operísticas. Entre as óperas que regeu destacam-se Orfeo (Monteverdi), Dido and Aeneas (Purcell), O Chalaça (Mignone), La Serva Padrona (Pergolesi), L’elisir d’amore (Donizetti), La tragédie de Carmen (Bizet/Brook), Theodora (Handel) e Rei Arthur (Purcell). Recebeu o Prêmio APCA pela preparação do coro em Don Quixote, de Massenet, O Colombo e Lo Schiavo, de Carlos Gomes, e esta última com destaque internacional pela crítica especializada.

Na regência de balés, conduziu títulos como O Quebra-Nozes, Don Quixote, O Corário, Giselle, Les Sylphides, Copélia, Raymonda, Le Spectre de la Rose e Catulli Carmina, com companhias como o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e a Cia Brasileira de Balé. Em 2022, regeu a estreia mundial do balé Macunaíma, de Ronaldo Miranda, transmitido pela TV Brasil.

Vencedor do Concurso Nacional de Ópera de San Juan (Argentina, 2010), já regeu diversas orquestras no Brasil, Argentina e Suíça. Desde 2022, dirige o Ensemble Gravidades, com o qual vem divulgando repertórios barrocos e brasileiros na Europa. É também diretor musical da Associação de Canto Coral.

Sobre Ricardo Alfonso

Foto: Divulgação.

Formado pela Escola Nacional de Dança de Montevidéu, Uruguai, em 1986 ingressou no Corpo de Dança SODRE de Montevidéu, Uruguai, onde participou de todos os trabalhos por ela apresentados, como Giselle, Lago dos Cisnes, Coppélia, Baile de Graduados, Interpley, Mozartíssimo, As Quatro Estações, Carmina Burana, Dom Quixote, Gayané, etc.

Para o Ballet Hoy, dirigido por Ines Camou, Alfonso cria as suas primeiras coreografias profissionais. Com a Sociedade Uruguaia Pró-Ópera e Ballet Hoy, Alfonso intervém na encenação de Maria de Buenos Aires (Piazzolla-Ferrer) como assistente de direção cênica e coreógrafo e interpretando um dos personagens principais (El Gato); em Evita como dançarino e coreógrafo, e em Jesus Christ Superstar como dançarino.

Em 1994, juntamente com o Ballet Hoy, apresentou Sonata (Bach) e Entre Azul y Verdi (G.Verdi), obra que passou a fazer parte do repertório do Ballet SODRE.

O jornal EL País de Montevidéu considera a sua obra Entre Azul y Verdi como uma das “melhores obras coreográficas dos últimos tempos”, considerando Alfonso a “revelação coreográfica do ano”. 

No Brasil, ele trabalha ao lado de Maria Waleska Van Helden, participando de diversas edições do Dança Alegre Alegrete, prestigiado evento brasileiro de dança. Em Santa Fé, junto com outros profissionais, fundou a TAIARTE, assumindo a direção de seu próprio grupo, o Ballet Contemporâneo de Santa Fé, para o qual criou Opus 3, Solo Vivaldi, Aires y Danzas Antiguas, Brahms para 10 bailarinos, Estrofas al Viento, entre outros.

No Ballet del Sur, sob a direção de Violeta Janeiro, Alfonso é professor e coreógrafo onde encena obras como: Entre Azul y Verdi, Canon, Sonata, Opus 64, Acto de las Sombras de Bayadere, Gayané e La Fille Mal Gardée. Juntamente com o Prof. Edgardo Blumberg, realiza Seminários de História da Dança e da Música para a Dança, desde a Antiguidade até o Século XIX, no Instituto Superior de Música, da Faculdade de Letras e Ciências da Universidade Nacional do Litoral. De 2010 a 2021 foi Diretor Principal do Ballet del Sur de Bahia Blanca. Obras que apresentou: Dom Quixote, Carmina Burana, Lago dos Cisnes, La Fille Mal Gardée, Cinderela, Giselle, La Sylphide, Las Silfides, Gayane, Cantares, Adaggietto, Tangos en Gris, Carnaval dos Animais, Ato das Sombras de La Bayadere, Retrato in memoriam: Edith Piaf, Mozartissimo, As 4 Estações, Opus 64, Entre Azul e Verdi, Concerto, Opus 3, Stabat Mater, Ares e Danças Antigas, Estâncias ao Vento, Sempre Buenos Aires, Memórias de um Lugar Amado , Suíte Napoli, Suíte Raymonda, On Target, Rodeio, A Visita de Terpsicore, Pas de Deux de Sylvia, Pas de Deux de Tchaikovsky, La Source Pas de Deux, A Morte do Cisne. Passeios a Buenos Aires (Gala Internacional de Buenos Aires, La Sylphide com Ludmila Pagliero), A Frutillar, Chile (Giselle com Marianela Nuñez, La Sylphide com Ludmila Pagliero), Dança Alegre Alegrete, Brasil, Guamini, Necochea, Mar del Silver com Iñaki Urlezaga em sua despedida do palco. Rodolfo Lastra Belgrano, Oscar Araiz, Domingo Vera, Liliana Belfiore, Sabrina Streiff, Gigi Caciuleanu são alguns dos coreógrafos convidados durante sua gestão. Em 2015, Alfonso foi o vencedor do Prêmio Máscara concedido pela Prefeitura de Santa Fé em reconhecimento à sua carreira. Em 2016 foi jurado do Prêmio Escenário do jornal UNO, de Santa Fé e de 2017 até o momento, jurado do Bahia Blanca do “Prêmio Federal Hugo”. Em 2019, o Ballet del Sur recebeu a Menção ao Mérito dos Prêmios Konex por estar entre as cinco melhores companhias da Argentina nos últimos 10 anos, período que coincide com a gestão de Alfonso como Diretor Principal. Em 2023, apresentou sua versão de La Fille Mal Gardée no Ballet Nacional SODRE, em Montevidéu, Uruguai. Desde dezembro deste ano é Coordenador do Teatro Municipal e Produção Artística 1º de Mayo da cidade de Santa Fé, Argentina.

Marcela Borges como Lise. Foto: Divulgação.

Elenco:

Lise – Juliana Valadão / Manuela Roçado / Marcela Borges / Tabata Salles

Colas – Cícero Gomes / Alyson Trindade / Owdrin Kaew / Rodrigo Hermesmeyer

Madame Simone – Edifranc Alves / Saulo Finelon

Alain – Alyson Trindade / Luiz Paulo / Rodrigo Hermesmeyer

Datas elenco:

Dias 14/5 (estreia), 16 e 21 – Juliana Valadão e Cícero Gomes

Dias 13/5 (geral), 17 e 23 – Marcela Borges e Alyson Trindade

Dias 15/5, 20 e 24 – Manuela Roçado e Rodrigo Hermesmeyer

Dias 19/5 (Projeto Escola) e 22/5 – Tabata Salles e Owdrin Kaew

Ficha Técnica:

Concepção e Coreografia: Ricardo Alfonso

Supervisão Artística: Hélio Bejani e Jorge Texeira

Coordenação de Remontagem: Jorge Texeira

Ensaiadores: Jorge Texeira, Mônica Barbosa, Celeste Lima e Filipe Moreira

Cenografia: Manoel dos Santos

Figurinos: Tania Agra

Iluminação: Paulo Ornellas

Regente: Jésus Figueiredo

Design Gráfico: Carla Marins

Direção Geral: Hélio Bejani

Direção Artística Temporada 2026: Eric Herrero

Presidente FTM: Clara Paulino.

Serviço:

La Fille Mal Gardée

Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal

Dias: 13/5, às 19h (Ensaio Geral) | 14 (estreia), 15, 16, 20, 21 22 e 23/5, às 19h | 17 e 24/5, às 17h | 19/5, às 14h (Projeto Escola)

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/n° – Centro

Duração: 1h45 + intervalo

1º ato – 50 min

2º ato – 35 min

Ingressos:

Frisas e Camarotes – R$90,00 (ingresso individual)

Plateia e Balcão Nobre – R$80,00

Balcão Superior e Lateral – R$50,00

Galeria Central e Lateral– R$30,00

Ingressos através do site www.theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro.

Palestras gratuitas antes dos espetáculos

Classificação: Livre

Patrocinador Oficial @Petrobras

Onde tem Patrocínio Petrobras, tem Governo do Brasil

Apoio: Livraria da Travessa, Rádio MEC, Rádio Paradiso Rio, Amadança

Realização Institucional: Fundação Teatro Municipal, Associação dos Amigos do Teatro Municipal

Lei de Incentivo à Cultura

Realização: Ministério da Cultura e Governo do Brasil, do Lado do Povo Brasileiro.

(Com Claudia Tisato)