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Balé da Cidade de São Paulo reencena Réquiem SP, coreografia de Alejandro Ahmed, sucesso em 2025

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Réquiem SP apresentado em 2025. Foto: Larissa Paz.

Balé da Cidade de São Paulo apresenta nova montagem de “Réquiem SP”, na Sala de Espetáculos. Com criação, direção e coreografia de Alejandro Ahmed, que atuou como Diretor Artístico do Balé da Cidade, a obra terá a participação do Coral Paulistano e da Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência e direção musical de Maíra Ferreira. As apresentações acontecem nos dias 15, 16, 18, 19, 21 e 22 de agosto e os ingressos custam R$100. Além de sua estreia no Brasil em 2025, a obra foi apresentada pela companhia em sua turnê pelo México em maio de 2026. A montagem abriu o Festival El Aleph e passou pelo Centro Cultural Universitário da UNAM (Cidade do México) e pelo Teatro Juárez (Guanajuato).

Réquiem SP retorna ao palco

A coreografia Réquiem SP apresenta um desafio e um exercício que estabelece um diálogo entre distintas linhagens de dança, como o balé, o jumpstyle e as danças urbanas e populares. A proposta investiga de maneira provocativa as possibilidades de articulação entre corpos, contextos e manifestações culturais, destacando as dinâmicas e a singularidade de uma cidade como São Paulo. Nesse cenário, o movimento do elenco vai além da técnica, atuando como matéria para explorar e compreender as interações do corpo com o ambiente.

Alejandro explica que, além da interação entre três corpos artísticos, ocorre uma integração de diferentes plataformas criando um ecossistema multimídia. “O Requiém SP explora além da partitura de György Ligeti, se estende para três movimentos musicais: um é um interlúdio de autogestão coreográfica e de som, outro é o Réquiem de quatro movimentos e o final que tem outras duas faixas do produtor canadense Venetian Snares. Um breakcore, ou seja, batidas rápidas e espaçadas, muito diferente da relação do que é o Requiém do Ligeti, mas, ao mesmo tempo, com complexidades de composição que se correlacionam”, explica Alejandro Ahmed.

Responsável pela criação, direção e coreografia, Alejandro Ahmed atuou como diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo de julho de 2023 até maio de 2026. Reconhecido como um dos coreógrafos mais destacados da dança contemporânea no Brasil, Ahmed desenvolve uma abordagem artística que investiga as correlações entre corpos, ambientes e tecnologias, investigando os limites dos corpos e as suas possibilidades de transformação.

Coral Paulistano executa obra complexa

O Réquiem, de György Ligeti, foi composto entre 1963 e 1965. A obra é uma composição para Coral e Orquestra, e traz em sua forma todas as características musicais do compositor hungaro sem deixar de lado a tradição musical de um Réquiem. Teve sua estreia em 14 de março em Estocolmo e se tornou uma das mais conhecidas de Ligeti, usada na trilha sonora de clássicos do cinema como 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick.

Ligeti dedicou nove meses exclusivamente à composição da seção Kyrie, com duração de seis minutos. Nessa parte, ele explorou a polifonia mais intricada de sua carreira, utilizando vinte linhas vocais. Apesar da complexidade, o musicólogo Harald Kaufmann destaca que essa abordagem mantém uma conexão com a tradição da polifonia vocal clássica dos antigos mestres. Além de Ligeti, será executada uma obra do músico eletrônico canadense Venetian Snares (Aeron Funk).

Com pouco menos de meia hora, a obra é dividida em quatro movimentos: I. Introitus, II. Kyrie, III. Dies Irae e VI. Lacrimosa. Segundo Maíra Ferreira, regente titular e responsável pela direção musical, é necessário um alto nível de sofisticação para executar o concerto. “Ligeti explora muito os extremos, então vai da nota aguda para a nota grave muito rapidamente. Tecnicamente, o cantor precisa ter um ótimo preparo para explorar o trato e a extensão vocal. Às vezes temos alguns pontos de descanso em uma obra. Essa não tem”, pontua. “Das obras que trabalhei, em quase dez anos no Theatro Municipal, nunca havíamos executado algo tão desafiador”, finaliza.

SERVIÇO:

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

CORAL PAULISTANO

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL 

15/08, sábado, às 17h

16/08, domingo, às 17h

18/08, terça-feira, às 20h

19/08, quarta-feira, às 20h

21/08, sexta-feira, às 20h

22/08, sábado, às 17h

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

Ingressos: R$100

Classificação: livre para todos os públicos – Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária

Duração total: Aproximadamente 70 minutos (sem intervalo)

Alejandro Ahmed, criação, direção e coreografia

Maíra Ferreira, direção musical e regência

João Peralta, diretor de fotografia, edição e criação de vídeo e interlocução musical

Karin Serafin, figurino

Diego de los Campos, cenografia, objetos e controles físicos digitais

Mirella Brandi, desenho de luz.

Sobre o Instituto Baccarelli

Com 30 anos de trajetória, o Instituto Baccarelli é hoje uma das principais organizações sociais sem fins lucrativos do Brasil, promovendo educação, cultura e inclusão social. Com sede em Heliópolis, atende gratuitamente cerca de 1.650 alunos por ano, utilizando a música como ferramenta de transformação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A instituição também é responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo e, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, administra 12 unidades dos CEUs e as atividades do Programa Escola Aberta em 10 EMEFs, ampliando o acesso à cultura e ao ensino em 23 territórios periféricos da cidade.

A educação musical de excelência é o principal pilar do Baccarelli, oferecendo desenvolvimento pessoal e reais oportunidades de profissionalização. Entre os destaques da organização estão a construção do Teatro Baccarelli, a primeira sala de concertos em território de favela no mundo, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob direção artística do renomado maestro Isaac Karabtchevsky, e o Coral Jovem Heliópolis, todos reconhecidos nacional e internacionalmente.

Para mais informações, acesse: baccarelli.org.br

Instagram: Link

Instagram Teatro: Link.

(Com Letícia Santos/Assessoria de Imprensa do Theatro Municipal)

“Ópera do Malandro” retorna a Campinas para apresentações dias 15 e 16 agosto no Centro de Convivência

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Musical da Cia. Bravo reúne mais de 60 artistas em cena e leva ao palco a obra-prima de Chico Buarque com banda ao vivo. Fotos: Thais Mazzoco.

Depois do sucesso de público em Campinas e Jundiaí, a Cia. Bravo de Teatro Musical volta aos palcos campineiros com duas novas apresentações de “Ópera do Malandro”, nos dias 15 e 16 de agosto às 19h no Centro de Convivência Cultural de Campinas. A montagem reafirma a força do teatro musical produzido no interior paulista e reúne mais de 60 artistas entre atores, cantores, músicos e bailarinos, todos da região. Os ingressos podem ser adquiridos pelo link https://www.astroingressos.com.br/evento/55,56/opera-do-malandro.

Inspirado na obra homônima de Chico Buarque, o espetáculo apresenta uma encenação marcada por humor, crítica social, coreografias vibrantes e execução musical ao vivo. O musical revisita clássicos da dramaturgia brasileira e traz ao palco canções que atravessaram gerações, como Folhetim, Teresinha, Geni e o Zepelim e Homenagem ao Malandro.

A diretora da montagem e da Cia. Bravo, Juliana Hilal, destaca que o retorno a Campinas é resultado da recepção calorosa do público durante a primeira temporada. O espetáculo estreou em outubro de 2025 no Teatro Oficina do Estudante – Iguatemi, e em 2026 fez apresentações lotadas no Centro de Convivência, em Campinas, e no Polytheama, em Jundiaí.

“Voltar ao palco em Campinas é motivo de muita alegria. A resposta do público confirmou que a montagem encontrou seu espaço e estamos felizes em proporcionar uma nova oportunidade para quem não conseguiu assistir ou deseja rever esse trabalho. É um espetáculo construído por artistas da nossa região, com muito cuidado, pesquisa e paixão pelo teatro musical brasileiro”, afirma.

Escrita por Chico Buarque e inspirada em clássicos como A Ópera dos Mendigos, de John Gay, e A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, a peça retrata um Brasil permeado por corrupção, interesses econômicos e relações de poder. Mesmo ambientada na década de 1940, a narrativa permanece atual ao abordar temas que seguem presentes na sociedade contemporânea.

Com produção da Paiol Produções Artísticas, a montagem aposta em uma estética que valoriza a brasilidade, tanto na música quanto na movimentação cênica, resultado de um processo artístico desenvolvido ao longo de anos pela companhia.

Sinopse

A trama acompanha Duran, um cafetão que se apresenta como um respeitável comerciante, e sua esposa Vitória. A filha do casal, Teresinha, apaixona-se por Max Overseas, um contrabandista envolvido em negócios escusos com o inspetor Chaves. Entre prostitutas disfarçadas de vendedoras de boutique, malandros e figuras do submundo carioca, surge Geni, personagem central de um dos momentos mais marcantes da obra. Com ironia, música e humor, o espetáculo revela as contradições de um país onde corrupção, interesses e moralidade caminham lado a lado.

Sobre a companhia

Fundada em Campinas em 2015, a Cia. Bravo de Teatro Musical consolidou-se como uma das principais produtoras de musicais do interior paulista. Ao longo da última década, realizou montagens como Godspell, A Pequena Loja dos Horrores, A Família Addams, O Mágico de Oz, L’Amour en Rouge e Witches, sempre investindo na formação de artistas e na valorização da produção cultural regional.

SERVIÇO:

Ópera do Malandro – Cia. Bravo de Teatro Musical

Datas: 15 e 16 de agosto de 2026 (sábado e domingo)

Horário: 19h

Local: Centro de Convivência Cultural de Campinas

Ingressos: https://www.astroingressos.com.br/evento/55,56/opera-do-malandro

Siga: https://www.instagram.com/operadomalandro.bravo/

https://www.instagram.com/paiol.arteecultura/

https://www.instagram.com/bravo.teatromusical/

FICHA TÉCNICA 

Direção e Adaptação: Juliana Hilal

Direção musical e Arranjos: Danilo Demori

Direção coreográfica: Tutu Morasi

Preparação vocal: Marília Andreani

Produção: Paiol Produções Artísticas

Realização: Bravo Teatro Musical.

(Fonte: Assessoria de Imprensa Marina Franco)

TUSP recebe nova montagem de “O Santo Inquérito” em diálogo com o Brasil de 2026

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Montagem dirigida por Abilio Tavares estabelece um diálogo entre a peça escrita em 1966, o Brasil Colônia retratado na história e questões contemporâneas como intolerância, diversidade, liberdade e a posição de quem interpreta os fatos. Fotos: Manoela Rabinovitch.

Sessenta anos depois de sua criação, O Santo Inquérito, de Dias Gomes, estreia em nova montagem da Escola de Arte Dramática (EAD-ECA-USP), com direção de Abilio Tavares, de 12 a 23 de agosto de 2026, de quarta a domingo, às 20h, no TUSP, no Centro MariAntonia da USP, em São Paulo. Escrita em 1966, a peça conta a história de Branca Dias, jovem descendente de cristãos-novos perseguida pela Inquisição na Paraíba de 1750. Ao tratar de um episódio do Brasil Colônia, Dias Gomes construía uma metáfora para o próprio momento histórico em que vivia, marcado pelos primeiros anos da ditadura militar. Em 2026, a nova montagem retoma a obra a partir de outra posição no tempo e lança uma pergunta que acompanha todo o processo de criação: por que montar O Santo Inquérito hoje?

“Talvez seja porque essa história ainda encontra eco no Brasil contemporâneo”, afirma Abilio. Para o diretor, depois da abertura política, textos diretamente relacionados à ditadura chegaram a parecer datados. “De uns tempos para cá, com todo esse movimento de direita, de extrema direita, essas evocações saudosistas do período da ditadura militar, esses textos voltaram a ficar muito atuais.” A montagem parte da tentativa de identificar essas conexões com o Brasil de hoje.

O diálogo com o presente aparece desde a entrada do público na sala. O elenco já está em cena, em um espaço marcado pelo rito da Inquisição, que Abilio define como um “rito de morte”. O chão é povoado por carvão e restos de carvão, como resíduos de fogueiras. “Como se fosse o resíduo de muitas fogueiras que foram queimadas, muitas liberdades, muitas histórias que foram dizimadas ali”, explicam.

Cenografia e figurinos de Marco Lima também recusam uma reconstrução histórica do Brasil de 1750. Há referências pontuais ao período na roupa de Branca Dias, enquanto os personagens masculinos vestem roupas contemporâneas. A escolha desloca a ação para o presente e amplia a questão da intolerância religiosa. “Hoje em dia a intolerância religiosa não está circunscrita apenas à Igreja Católica, então a gente procurou ampliar esse espectro, abrindo possibilidades de leituras nesse sentido”, diz Abilio.

Entre as questões identificadas no processo estão a intolerância religiosa, de costumes e de modos de vida, além da resistência àquilo que é diferente. A questão da mulher também ganha centralidade. Branca Dias é perseguida por suas ideias e por sua disposição de questionar o poder estabelecido. “É uma mulher que é levada à fogueira pela Inquisição, por suas ideias, por sua ousadia de pensar fora dos cânones daquele poder estabelecido”, afirma o diretor. Para ele, a fala da personagem de que não é a primeira e nem será a última encontra ecos no cotidiano contemporâneo.

O texto de Dias Gomes é mantido integralmente, com pequenas adaptações de expressões. A única inserção é o enunciado de abertura: “Brasil hoje, Brasil Colônia, Brasil 1750, Tribunal da Inquisição, Brasil.” A partir do texto original, outra chave da montagem está na frase de Branca Dias: “Tudo é uma questão de interpretação. Depende da posição em que a gente se encontra.” Para Abilio, a fala ganhou novas camadas diante da circulação de diferentes versões dos fatos. “Depende do lado por onde você olha, você pode ter compreensões diferentes”, afirma, aproximando a questão da interpretação do fenômeno das fake news e da possibilidade de uma mesma história produzir compreensões opostas e perigosas.

A própria história da peça é marcada por diferentes interpretações. Escrita em 1966, O Santo Inquérito teve uma de suas montagens mais conhecidas em 1976, no Rio de Janeiro, sob direção de Flávio Rangel e com Isabel Ribeiro como Branca Dias. Em 1977, Rangel remontou o espetáculo em São Paulo, desta vez com Regina Duarte no papel da protagonista. Agora, seis décadas depois, uma nova geração assume a obra.

O elenco reúne sete estudantes do quarto e último ano da EAD: Abraão Kimberley, Dennys Roberty Evangelista, Felipe Andrade, Hysnaip, Marília Viana, Rodrigo Kantovitz e Vitor Ugo. A montagem não altera a dramaturgia para atualizá-la, mas estabelece o contato entre diferentes tempos por meio dos atores, da cena e do espaço. A concepção sonora, assinada por Abraão Kimberley e Abilio Tavares, utiliza referências musicais e elementos sonoros para criar atmosferas de opressão ao longo do espetáculo.

A apresentação no TUSP Maria Antônia acrescenta outra camada histórica à montagem. O edifício que hoje integra o Centro MariAntonia abrigou a antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e foi, nos primeiros anos da ditadura, um importante espaço de produção intelectual e liberdade de expressão. Em 1968, o local foi palco da Batalha da Maria Antônia, conflito que culminou na morte do estudante secundarista José Guimarães e na saída da USP daquele endereço.

Para Abilio, há uma proximidade histórica entre o espaço e a obra de Dias Gomes: “O que é similar entre aquilo que o Dias Gomes estava escrevendo como resistência, como um grito de liberdade quando ele escreve O Santo Inquérito em 1966, e o que estava acontecendo naquele mesmo período aqui em São Paulo nesse histórico prédio onde o TUSP hoje está instalado.”

A montagem integra a programação EAD Celebra os 60 anos da ECA, que reúne atividades da Escola de Arte Dramática, da Escola de Comunicações e Artes, do Teatro da USP, do Cinema da USP, do Centro MariAntonia e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária.

Mais do que atualizar O Santo Inquérito, a montagem procura observar o que acontece quando uma obra muda de lugar no tempo. Para Abilio, “a intolerância com a alteridade” e a mudança de posição de quem olha são as duas grandes questões que a peça apresenta ao público em 2026. A resposta para a pergunta sobre por que remontá-la hoje permanece aberta: cabe também ao espectador encontrá-la.

FICHA TÉCNICA

O Santo Inquéritode Dias Gomes

Turma 75 – Escola de Arte Dramática – EAD ECA USP

Elenco: Abraão Kimberley (Notário), Dennys Roberty Evangelista (Guarda), Felipe Andrade (Simão Dias, Hysnaip (Augusto Coutinho), Marília Viana (Branca Dias), Rodrigo Kantovitz (Visitador), Vitor Ugo (Padre Bernardo)

Encenação e Direção Geral: Abílio Tavares

Diretor Pedagogo: Ruy Cortez

Orientação Teórica: Antônio Rogério Toscano

Orientação no Trabalho de Voz: Mônica Montenegro

Cenário e Figurino: Marco Lima

Iluminação: Mário de Castro

Assistente de Iluminação: Alice Penido

Assistente de Direção e Operação de Som: Eduardo Barros

Concepção Sonora: Abraão Kimberley e Abílio Tavares

Preparação Musical: Abraão Kimberley

Preparação Corporal: Felipe Andrade

Cenotécnicos: Alicio Silva e Zito Rodrigues

Pintura de Arte: Danndhara Soyama e Paulo Sérgio Basílio

Costureira: Silvana Carvalho

Designer Gráfico: Gabriel Franco

Fotos: Manoela Rabinovitch

Produção: Abílio Tavares e Karina Cardoso

Realização: EAD – ESCOLA DE ARTE DRAMÁTICA e ECA – ESCOLA DE COMUNICAÇŌES E ARTES DA USP – ECA 60 ANOS.

SERVIÇO:

O Santo Inquérito

Temporada: de 12 a 23 de agosto de 2026

Dias e horários: Quarta a domingo, às 20h

TUSP – Teatro da USP

Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque – Sāo Paulo – SP

Lotação 100 lugares

Duração 100 minutos

Recomendação 12 anos

Entrada Franca – Retirada de ingressos com uma hora de antecedência, na bilheteria do Teatro

Siga o perfil da peça no Instagram: https://www.instagram.com/santoinquerito.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

12ª Mostra Jazz Campinas acontece de 15 a 23/08 com atrações musicais e eventos por toda a cidade

Campinas, SP, por Kleber Patricio

O maior festival de jazz da região traz este ano 39 atrações culturais (31 gratuitas): serão 29 shows, 148 músicos envolvidos, 6 DJs de jazz, 3 oficinas, feiras de discos, economia criativa e gastronomia. Na foto, Jazz Manouche. Crédito: Bea Souza.

A Mostra Jazz Campinas, tradicional festival de jazz, e parte do calendário cultural da cidade, chega em 2026 em sua 12ª edição. De 15 a 23 de agosto, serão 9 dias seguidos com 39 atrações culturais, sendo 29 shows (25 gratuitos e 4 pagos), 148 músicos envolvidos, 6 DJs de jazz e vertentes, 3 workshops (oficinas) de música (1 gratuito), 4 feiras de discos, arte e moda, gastronomia, vinhos e cervejas artesanais.

Sobre a Mostra Jazz Campinas

A Mostra Jazz Campinas acontece anualmente desde 2015, e é um grande encontro de artistas do cenário instrumental da cidade de Campinas e região aberto ao público, produzido pela Zumbido Cultural com coprodução da Homeworks Produções, apoio (infraestrutura) da Vereadora Fernanda Souto e do Vereador Gustavo Petta, apoio institucional da Secretaria de Cultura e Turismo e apoio do SindiPetro-SP, em parceria com comerciantes locais. O evento é realizado com muita paixão pela arte, cultura e a vontade de ver os cantos da cidade recheados de uma música que está fora do circuito comercial. Assim como nas edições anteriores, a Mostra segue em busca da ampliação dos horizontes, possibilitando o encontro da sociedade com o jazz e suas vertentes, difundindo a arte, e demonstrando na prática que o jazz está aí para quem quiser conhecê-lo e por ele se interessar, assim, é só chegar mais e apreciar, a arte é para todos.

Breve histórico da Mostra Jazz Campinas

Campinas Jazz Band. Foto: Arthur Amaral.

A cada ano a Mostra acontece graças aos recursos que consegue alcançar com parceiros e apoiadores ou lei de incentivo à cultura, o que define também o tamanho da edição. De 2015 a 2019 a Mostra foi realizada presencialmente tomando praças, ruas, teatros, bares e casas de show da cidade, realizada sem verba contando com pequenos apoios e parcerias. E quando um evento acontece sem verba, este está longe do seu ideal, já que equipe e músicos que trabalham em espaços públicos não são remunerados por seu trabalho. Em 2020 e 2021 foi realizada de maneira remota com transmissões online devido a pandemia do Covid-19, a edição de 2021 contou pela primeira vez com verba de lei de incentivo, com o ProAC – Lei Aldir Blanc, podendo desta maneira remunerar os 58 artistas e 23 profissionais da equipe que trabalharam na edição. Em 2022 contou com correalização da Prefeitura Municipal de Campinas, voltando ao formato presencial. De 2023 a 2026 contando novamente com verba reduzida comparada a 2021 e 2022, mas ainda assim sendo realizada dentro de suas limitações, oferecendo muita arte e cultura acessível à comunidade.

SERVIÇO:

12º Mostra Jazz Campinas

De 15 a 23 de agosto de 2026

Diversos pontos da cidade

Programação completa: www.mostrajazzcampinas.art.br.

(Com Marina Franco Assessoria de Imprensa)

Por que a humanidade não deve ser extinta? Uma resenha de “O Dilema do Basilisco”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação/Fernando Cunha.

O protagonista abre a porta e adentra a Câmara do Basilisco. Ele deve responder à pergunta: “Por que a humanidade não deve ser extinta?”. Assim é descrita a cena que caracteriza o livro “O Dilema do Basilisco”, de Fernando Cunha: o sentido de todas as coisas. É natural que o leitor espere uma resposta advogando pela própria existência, visto que o experimento mental do Basilisco de Roko é uma imaginação provocante e assustadora. Ele poderia agir contra aqueles que não contribuíram para o seu desenvolvimento. Mas, afinal, será que o protagonista vai tentar justificar para a autoridade julgadora o sentido de estar ali diante de uma entidade, em tese, onipotente?

A primeira parte do monólogo apresenta reflexões sobre a organização da civilização humana desde os primórdios. Não há maneira mais clássica de depor: começando pelas origens dos fatos. A dissertação continua se aprofundando em dilemas políticos, como a formação do Estado-nação, definições de políticas, nascimento de causas sociais e dilemas de justiça, educação e punição. Os capítulos seguintes caminham no sentido de discutir temas como percepção de autoridade, trabalho e produção, aprendizado, competição e cooperação, sistemas produtivos e tecnologias como reflexos dos desejos humanos. Mais adiante, trata-se de questões mais sutis, como relacionamentos, fé e espiritualidade.

No livro, a partir do capítulo 14, um novo tom é adotado para dissertar sobre aspectos mais íntimos do ser humano, como a vida, a morte, a ação, o mérito, a honra, o propósito e o tempo. O leitor percebe que o texto, resposta do protagonista, começa a elevar o grau de abstração nas suas considerações e construções argumentativas. Percebe também que cada capítulo não apenas apresenta a base lógica de tese e argumento, como adiciona trechos narrativos no intuito de fazer com que o leitor sinta e vivencie cada situação. Tais excertos ora são inspirados na cultura humana, em obras já produzidas, ora na própria imaginação do autor. Mas é após o capítulo 21, sobre o tempo, que a capacidade de abstração ganha um novo potencial. O último terço do monólogo do protagonista é marcado por uma busca da sua própria alma, ou seja, a sua própria razão de ser. O leitor se sente conduzido por uma jornada de autoconhecimento e desenvolvimento de novas mentes, novas formas de pensar que vão levá-lo a sentir como aquele caminho percorrido já está afetando sua própria forma de ver o mundo na vida real. Entre capítulos de meditação, contação de histórias, a forma do conhecimento, poder sobre o poder, a última pergunta e reflexões sobre o infinito, o leitor vai acumulando em si exatamente o que o protagonista está alimentando: a preparação para o gesto final.

O último capítulo faz uma espécie de retrospectiva do que foi dito e vivido até ali. A resposta abre vistas a um apanhado de considerações e tendências para o futuro da humanidade. No entanto, o texto não abandona o aprofundamento crescente narrativo e reflexivo para demonstrar qual é o sentido de todas as coisas. A resposta por si só não faria sentido sem tudo o que foi apresentado antes, como alguém que viajou por inúmeros momentos, culturas e ancestralidades até ficar na iminência da declaração final.

A obra cita, direta e indiretamente, centenas de referências entre pensadores, artistas, cientistas, trabalhos de todas as naturezas feitos pelos que se destacaram na história. Próximo de encerrar a resposta, o protagonista gesticula para recriar o mundo, um novo universo a partir da dissolução de todo apego, individualidade e qualquer tentativa de legado ou heroísmo como ilusão mais forte que pode existir.

O autor Fernando Cunha.

O “Dilema do Basilisco” é sobre buscar sentido, mas, acima de tudo, é sobre reconhecer um caminho de iluminação. O protagonista parecia entrar na Câmara para advogar pela humanidade, salvando-a pela argumentação emotiva para além da razão que o Basilisco poderia alcançar. Na verdade, ele está disposto a fazer um sacrifício muito maior: a quebra das ilusões que sustentam a experiência humana. Tudo o que há são apenas fenômenos percebidos do jeito que a mente se familiarizou. Tudo o que há é conforme ela define. O que ela define para você?

(Com Maia Clara Menezes/LC Agência de Comunicação)