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Microplásticos invadem a mesa

Toledo, PR, por Kleber Patricio

Microplásticos já foram identificados em sal de cozinha, açúcar, água potável, cerveja, frutas, vegetais e alimentos ultraprocessados. Foto: Divulgação.

*Por Taiane Camargo e Alberto Evangelista

Durante décadas, a imagem mais conhecida da poluição plástica foi a de tartarugas presas em redes abandonadas ou aves marinhas alimentando seus filhotes com tampas de garrafa. Essas cenas continuam chocantes, mas talvez não sejam mais as mais preocupantes. O problema mudou de escala. E mudou de endereço.

Hoje, a grande questão não é apenas o plástico que vemos. É o plástico que não vemos. Os microplásticos — partículas menores que 5 milímetros resultantes da degradação de embalagens, roupas sintéticas, pneus, tintas e inúmeros produtos do cotidiano — já ultrapassaram as fronteiras dos oceanos, dos rios e dos solos. Eles chegaram ao interior do corpo humano.

A descoberta mais inquietante dos últimos anos não ocorreu em uma praia poluída nem em uma área industrial. Ela aconteceu dentro de laboratórios que analisavam tecidos humanos. Em 2024, pesquisadores da Universidade do Novo México encontraram microplásticos em todas as 62 placentas humanas analisadas. O dado é particularmente preocupante porque a placenta é um órgão temporário, formado durante a gestação, o que sugere uma exposição contínua e crescente da população.

No mesmo período, estudos detectaram microplásticos em sangue humano, pulmões, fígado, rins e cordões umbilicais. Mais recentemente, pesquisadores identificaram concentrações ainda maiores no cérebro humano, em níveis superiores aos encontrados em outros órgãos analisados. Além disso, os estudos indicam um aumento significativo dessas concentrações entre 2016 e 2024.

A imagem é perturbadora. Por muito tempo, acreditou-se que o plástico era um problema ambiental. Hoje, ele se apresenta também como uma questão de saúde pública.

Acontece que os microplásticos não surgem espontaneamente. Eles são o estágio final de um modelo de consumo baseado no descarte. Uma garrafa plástica abandonada em um terreno baldio não desaparece. Ela se fragmenta. Uma sacola carregada pelo vento não deixa de existir. Ela se transforma em milhares de partículas microscópicas. Um pneu desgastado pelo atrito com o asfalto libera partículas que podem ser transportadas pela chuva, pelo ar e pelos sistemas de drenagem urbana.

Esses fragmentos acabam chegando aos rios, lagos e oceanos. Ali são ingeridos por organismos aquáticos e entram na cadeia alimentar. No litoral do Paraná, uma pesquisa conduzida pela oceanógrafa Fernanda Possatto identificou microplásticos em 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados da região. Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentavam partículas no trato digestório.

O dado não significa que o consumo desses peixes represente automaticamente um risco imediato à saúde humana. A própria pesquisadora faz essa ressalva. Porém, ele evidencia um fenômeno mais amplo: o plástico já está circulando pelos mesmos sistemas ecológicos que sustentam nossa alimentação.

E não apenas nos pescados. Microplásticos já foram identificados em sal de cozinha, açúcar, água potável, cerveja, frutas, vegetais e alimentos ultraprocessados. Em outras palavras: evitar completamente a exposição tornou-se praticamente impossível.

Uma das maiores dificuldades desse debate é que a ciência ainda está construindo respostas. Não existe, até o momento, consenso definitivo sobre quais concentrações representam risco direto à saúde humana, nem sobre os efeitos acumulativos ao longo de décadas de exposição.

Mas a ausência de respostas definitivas não significa ausência de riscos. Diversos estudos experimentais sugerem que microplásticos e nanoplásticos podem desencadear processos inflamatórios, estresse oxidativo, alterações metabólicas e danos celulares. Também cresce a preocupação com compostos químicos associados aos plásticos, como ftalatos e bisfenóis, conhecidos por interferirem no funcionamento hormonal do organismo.

Há ainda um agravante frequentemente ignorado: os microplásticos funcionam como uma espécie de “ônibus molecular”. Durante sua trajetória no ambiente, podem adsorver metais pesados, pesticidas, compostos tóxicos e microrganismos patogênicos. Quando ingeridos por organismos vivos, transportam consigo esses contaminantes. É como se o problema não fosse apenas a partícula plástica, mas também a carga invisível que ela carrega.

Ao mesmo tempo em que nunca houve tanta preocupação com alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, nunca produzimos tanto plástico. Segundo estimativas internacionais, a produção mundial de plástico supera atualmente 400 milhões de toneladas por ano e continua crescendo. Grande parte desse volume é destinada a embalagens de uso único que permanecem no ambiente por décadas ou séculos.

É como se estivéssemos tentando cuidar do corpo enquanto ampliamos continuamente a contaminação do ambiente de que dependemos para viver. A natureza não possui um sistema capaz de processar rapidamente essa avalanche de polímeros sintéticos. O resultado é previsível: eles se acumulam. Primeiro, nos rios; depois, nos oceanos; e, por fim, nos alimentos. E agora, em nós.

A boa notícia é que existem soluções. Tecnologias de tratamento de água, sistemas de filtração mais eficientes, melhorias nos processos de reciclagem, desenvolvimento de biopolímeros e embalagens biodegradáveis representam avanços importantes. Mas nenhuma inovação tecnológica será suficiente se a cultura do descarte permanecer inalterada.

Reduzir o consumo de plásticos de uso único continua sendo a medida mais eficaz. Optar por recipientes reutilizáveis, evitar aquecer alimentos em embalagens plásticas, ampliar programas de coleta seletiva e exigir políticas públicas mais rigorosas são ações que parecem pequenas individualmente, mas que se tornam relevantes quando adotadas em escala social.

A história da saúde pública mostra que as grandes transformações costumam ocorrer antes da certeza absoluta. Foi assim com o tabagismo, com o amianto, com o chumbo na gasolina. Primeiro surgem os sinais. Depois vêm as evidências acumuladas. Por fim, a sociedade reconhece que ignorou, por tempo demais, algo que estava diante de seus olhos.

No caso dos microplásticos, talvez estejamos exatamente nesse momento. A pergunta já não é se eles chegaram ao ambiente, mas quanto tempo levaremos para reagir ao fato de que eles chegaram ao nosso próprio organismo.

Taiane Mota Camargo é doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos e pesquisadora. Alberto Gonçalves Evangelista é doutor em Ciência Animal e pesquisador.

(Fonte: Central Press)

Falta de humanidade nas cidades vira pintura em mostra gratuita no centro de São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

“Tudo sobre mim” estreia dia 23 de julho no Espaço República e marca volta de Maazo Heck às exposições individuais após 7 anos com 25 pinturas inéditas. Fotos: Maazo Heck.

Uma exposição gratuita no centro de São Paulo parte de uma inquietação bem atual: a sensação de impotência diante da falta de humanidade nas grandes cidades. “Tudo sobre mim”, do artista visual Maazo Heck, ocupa o Espaço República entre 23 de julho e 3 de agosto com 25 pinturas inéditas produzidas ao longo de cinco anos de pesquisa. A exposição marca a primeira mostra individual do artista na capital paulista.

Como parte da programação especial da mostra, o público poderá participar de duas atividades gratuitas conduzidas pelo artista Maazo Heck e pela curadora Michaela A F. No dia 25 de julho, das 15h às 16h, será realizada uma demonstração prática de pintura ao vivo, seguida de um bate-papo sobre o processo criativo, a pesquisa artística e os conceitos que permeiam a exposição.

Já no dia 1º de agosto, também das 15h às 16h, os visitantes poderão acompanhar uma visita guiada com o artista e a curadora, que apresentarão detalhes sobre as obras, os símbolos presentes na série e os caminhos que deram origem à mostra Tudo sobre mim.

Ao entrar na mostra, o visitante encontra pinturas que transitam entre a figuração e a abstração. Corpos parcialmente ocultos por tecidos dividem espaço com imagens que se aproximam do símbolo, criando composições de forte impacto visual em que as dobras, os volumes e as formas assumem protagonismo.

O título Tudo sobre mim carrega uma ironia. Embora a série tenha origem nas inquietações pessoais do artista, as pinturas não propõem uma narrativa autobiográfica. A partir de experiências íntimas para construir imagens abertas a diferentes interpretações, Maazo transforma questões individuais em uma reflexão sobre a condição humana.

A série nasceu da inquietação que acompanha o artista há anos. O contato cotidiano com a realidade das pessoas em situação de rua e a sensação de impotência diante da crescente falta de humanidade nas grandes cidades tornaram-se o ponto de partida para a pesquisa desenvolvida desde 2020. “Minha angústia é a falta de humanidade. Convivo diariamente com cenas que me atravessam e permanecem comigo. A pintura foi a forma que encontrei de transformar esse incômodo em reflexão”, afirma Maazo.

Segundo a curadora Michaela A F, os tecidos ocupam um papel central na construção da série, revelando e ocultando simultaneamente figuras, formas e significados. “Em alguns momentos, deixam de remeter a um corpo específico e passam a operar como símbolos abertos, evocando vestígios cuja significação permanece em suspensão.”

Formado em Belas Artes, Maazo desenvolveu grande parte de sua trajetória artística em Salvador, onde realizou sua última exposição individual, no Palacete das Artes, atual Museu Rodin Bahia. Desde então, participou de exposições coletivas e salões de arte, mantendo ativa sua pesquisa artística e integrando um grupo permanente de cinco artistas que se reúne para discutir processos criativos e arte contemporânea.

Hoje, mantém seu ateliê no Espaço República, ambiente que considera fundamental para o desenvolvimento de seu trabalho. A convivência diária com outros artistas e o incentivo promovido pelo gestor do espaço, o artista plástico Philip Haji-Touma, ampliam as oportunidades de diálogo, intercâmbio e circulação de sua produção. “Uma exposição sempre muda quando sai do ateliê e encontra o público. É nesse momento que o trabalho ganha outra dimensão. Minha expectativa é de que as pessoas percorram esse caminho comigo e construam suas próprias interpretações”, conclui Maazo.  

SERVIÇO:

Exposição “Tudo sobre mim”

Entrada gratuita

Artista: Maazo Heck

Curadoria: Michaela A F

Período: 23 de julho a 3 de agosto

Horário de visitação: Das 13 às 19h

Local: Espaço República | Avenida São Luís, 86, 5º andar – São Paulo

Programação especial: 25 de julho | 15h às 16h: Pintura ao vivo e bate-papo com o artista Maazo Heck e a curadora Michaela A F

1º de agosto | 15h às 16h: Visita guiada com o artista Maazo Heck e a curadora Michaela A F.

(Com Amanda Galdino/DR Comunicação)

“Entre Irmãos” retorna a São Paulo em nova configuração cênica no espaço de convivência do Teatro Vivo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Após o sucesso em 2025, comédia dramática que investiga os afetos masculinos retorna em uma encenação intimista, convidando o público a vivenciar, com ainda mais proximidade, o confronto visceral entre dois irmãos. Foto: Heloisa Bortz.

Um dos espetáculos mais comentados da temporada paulistana de 2025 está de volta. “Entre Irmãos”, a comédia dramática de Otávio Martins com direção de Marcos Damigo e atuação de Fernando Pavão e Otávio Martins, retorna aos palcos de São Paulo em nova temporada no Espaço de Convivência do Teatro Vivo. As apresentações acontecem a partir de 24 de julho, às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos às 18h, com classificação etária de 16 anos e duração de 75 minutos.

A volta chega com um elemento que muda radicalmente a experiência do espectador: o Espaço de Convivência do Teatro Vivo permite uma configuração cênica de extrema proximidade entre plateia e atores, colocando o público literalmente dentro do velório, como convidado presente no momento mais íntimo e explosivo do reencontro entre os dois irmãos. Se o minimalismo já era a marca da produção, palco nu, sem cenografia, um único foco de luz representando o caixão do pai, agora esse recurso ganha uma dimensão ainda mais visceral. Não há onde se esconder. Nem para os personagens, nem para quem os assiste. “Vai ser interessante, inclusive para quem já viu a peça, experimentar essa nova configuração, onde os atores estão no mesmo espaço que os espectadores. A história ganha força com uma experiência assim, mais imersiva”, explica Marcos Damigo.

Um espetáculo que já provou sua força

Desde a estreia em fevereiro de 2025, no Teatro Colinas de São José dos Campos, com casa cheia, Entre Irmãos percorreu o Teatro FAAP em São Paulo e seguiu em turnê por diversas cidades do Brasil ao longo de 2025, acumulando cobertura em veículos como Veja SP, IstoÉ, Terraço Paulistano e R7 Entretenimento. O espetáculo foi recebido como um evento cultural de relevância por tratar, sem moralismo e sem fórmulas fáceis, de um tema profundamente universal: o que acontece com os afetos dentro de uma família quando o silêncio dura mais tempo do que o amor consegue suportar.

A combinação de dois atores amplamente reconhecidos pelo público, Fernando Pavão, vencedor do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator por Mary Stuart, e Otávio Martins, vencedor do Prêmio Contigo! De Melhor Ator por Sideman, uma direção precisa de Marcos Damigo e o texto de Otávio Martins que equilibra gargalhadas e emoção genuína transformou Entre Irmãos em mais do que teatro. Transformou numa conversa que o público leva para casa. “Há algo nessa peça que as pessoas reconhecem imediatamente, mesmo que nunca tenham vivido exatamente aquela situação. Todo mundo tem uma história de silêncio com alguém que ama. A gente só coloca isso em cena”, diz o ator e dramaturgo Otávio Martins.

Fernando Pavão reforça: “Fazer essa peça noite após noite nunca é igual. O público traz a energia do que está vivendo. Nas cidades por onde passamos, as pessoas ficavam na plateia depois do espetáculo sem querer ir embora. Isso diz muita coisa sobre o que Entre Irmãos toca.

O que está em cena — e por quê importa

Entre Irmãos narra o reencontro de dois irmãos no velório do pai após mais de duas décadas de afastamento. O mais velho sacrificou projetos e paixões para cuidar da família. O mais novo, hoje fotojornalista premiado, fugiu em busca de si mesmo pelo mundo. Quando se encontram diante do caixão, os ressentimentos acumulados emergem com força total. Mas uma revelação inesperada do passado obriga os dois a revisitar quem eram, o que sofreram e o que fizeram um ao outro.

A peça coloca a saúde mental masculina no centro da narrativa: a dificuldade de nomear a dor, a culpa transmitida entre gerações, os mecanismos de defesa que impedem o cuidado emocional. Faz isso sem sermão e sem simplificação, com humor, com inteligência e com uma honestidade que raramente se vê em cena.

Em um momento cultural em que o debate sobre masculinidade, herança emocional e vínculos familiares está no coração das conversas públicas, Entre Irmãos chega a essa nova temporada com ainda mais relevância do que tinha em sua estreia.

FICHA TÉCNICA

Texto: Otávio Martins

Direção: Marcos Damigo

Elenco: Fernando Pavão e Otávio Martins

Trilha Sonora: Ricardo Severo

Cello: Ana Eliza Colomar

Iluminação: Beto de Faria

Fotos: Heloísa Bortz

Design Gráfico e Produção: Patrícia Scótolo

Realização: Engrenagem de Produção.

(Fonte: Vivo)

Turismo de Natureza: o destino baiano onde você pode ver baleias, mergulhar, explorar trilhas e navegar por águas cristalinas na mesma viagem

Cairu, BA, por Kleber Patricio

Quem escolhe visitar Cairu (BA) encontra muito mais do que belas praias. O arquipélago-município, que reúne destinos como Morro de São Paulo, Boipeba e Gamboa, oferece experiências capazes de conectar o visitante aos diferentes ecossistemas da região, entre Mata Atlântica preservada, manguezais, recifes de corais, praias de águas cristalinas e uma rica vida marinha. Para quem deseja desacelerar, respirar ar puro e viver dias de contato intenso com a natureza, o destino reúne atividades para diferentes perfis de viajantes. Sejam os aventureiros e os que buscam apenas contemplação, ambos têm ótimas opções de diversão.

1 – Observar baleias-jubarte em seu habitat natural

Baleia-jubarte em saltos que podem ser avistados durante a temporada migratória e que passam por Cairu entre julho e novembro. Foto: Todd Cravens/Unsplash.

Entre julho e outubro, podendo se estender a novembro, a experiência mais aguardada acontece em alto-mar. Durante a temporada, embarcações autorizadas levam visitantes para acompanhar o comportamento das baleias-jubarte. O Passeio das Baleias tem duração de 4 horas e acontece de forma responsável, credenciada pela Prefeitura de Cairu e com a capacitação do Projeto Baleia Jubarte. A depender das condições climáticas e comportamento das baleias, é possível avistar saltos, batidas de cauda e momentos de interação entre mães e filhotes.

2 – Explorar a Mata Atlântica em trilha

Trilhas em Cairu revelam a Mata Atlântica de um jeito diferente para quem gosta de aventura em meio à natureza. Foto: Greg Rosenke/Unsplash.

Para quem prefere colocar os pés na trilha, há empresas que apresentam uma imersão em diferentes paisagens naturais. O roteiro reúne caminhadas por trechos preservados de Mata Atlântica, mirantes, praias praticamente intocadas, paredão de argila, cachoeira e deslocamentos de barco e veículo 4×4, revelando um lado ainda pouco conhecido do arquipélago de Cairu.

3 – Navegar em barco transparente

Foto: SJ/Unsplash.

Imagine deslizar sobre águas cristalinas enquanto observa peixes, corais e toda a vida marinha logo abaixo dos seus pés. Os passeios em barcos transparentes proporcionam exatamente essa experiência, permitindo contemplar o fundo do mar sem precisar entrar na água ou mergulhar. É uma das experiências mais fotogênicas de Cairu, na qual, visitantes de todas as idades podem contemplar a vida marinha de um jeito diferente, unindo lazer, contemplação e contato com a natureza.

4 – Descobrir o fundo do mar em mergulhos de snorkel

Um mergulho, além de uma surpresa, leva os visitantes a uma vivência da vida marinha bem próximo aos peixes, corais e diferentes espécies da vida marinha. Foto: Gallih Handoko/Unsplash.

Para quem quer um contato maior com a vida marinha, as águas de Cairu escondem um universo com diversas espécies marinhas. Em locais como Morro de São Paulo e Boipeba, tanto iniciantes quanto mergulhadores experientes encontram excelentes pontos para mergulho autônomo e snorkel, aproveitando a boa visibilidade característica da região em diferentes épocas do ano. Para uma experiência profissional, há agências que proporcionam passeios completos e com os equipamentos ideais.

5 – Conhecer os manguezais em passeios de canoa

Os manguezais de Boipeba revelam a fauna e flora da região com avistamento da vegetação típica e espécies que fazem parte desse ambiente. Foto: Timothy K/Unsplash.

Entre praias, recifes e mar aberto, os manguezais de Boipeba revelam outra face de Cairu. Considerado um dos ecossistemas mais importantes do litoral brasileiro, esse ambiente proporciona uma experiência de contemplação da fauna, da flora e da cultura local. Conduzidos por canoeiros locais, os passeios percorrem canais cercados pela vegetação típica, permitindo observar aves, caranguejos, ostras e outras espécies que fazem desse ambiente um verdadeiro berçário da vida marinha.

Um destino para viver a natureza em diferentes formas

A diversidade de experiências faz com que muitos visitantes prolonguem a estadia, mas em poucos dias, é possível navegar por águas cristalinas, caminhar por trilhas em meio à Mata Atlântica, mergulhar entre recifes, explorar manguezais e testemunhar um dos maiores espetáculos naturais do planeta.

Mais do que um destino de praia, Cairu se consolida como referência em turismo de natureza, reunindo paisagens preservadas, biodiversidade e experiências que despertam um novo olhar sobre o litoral baiano. Durante a temporada das baleias-jubarte, essa conexão se torna ainda mais intensa, transformando a viagem em uma oportunidade de contemplar, aprender e criar memórias que permanecem muito depois do retorno para casa.

Como chegar a Cairu

Chegar ao arquipélago baiano de Cairu é mais simples do que muitos imaginam. O acesso pode ser feito a partir de Salvador, com diferentes opções de trajeto que combinam transfer terrestre e marítimo, além de voos regionais e catamarãs regulares. Uma das formas é o traslado semi-terrestre, que une trecho de carro e travessias de lancha, com duração média de 3h a 4h. O mais rápido é o catamarã direto, saindo do Terminal Náutico da Bahia, que leva cerca de 2h30 a 3h, proporcionando uma chegada ao destino com a possibilidade de contemplar belas paisagens do litoral baiano.

Para quem parte de outras regiões do Brasil, o Aeroporto Internacional de Salvador concentra os principais acessos ao destino, tornando Cairu uma opção prática para quem deseja vivenciar praias paradisíacas, clima tropical e experiências autênticas em um dos cenários mais encantadores da Bahia.

*** Imagens ilustrativas.

(Com Priscila Saraiva/Inefável PR)

Museu Lasar Segall recebe a mostra coletiva “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Obra de Paulo Penna na mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”. Fotos: Divulgação.

A exposição “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”, com curadoria de Luiz Armando Bagolin, abre no dia 18 de julho de 2026 (sábado), das 15h às 19h, no Museu Lasar Segall, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Com entrada gratuita, segue em cartaz até 19 de outubro de 2026.

Reunindo gravuras de doze artistas visuais — Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista —, a mostra celebra o fazer gráfico em seu campo expandido, que vai da gravura em metal e da xilogravura à monotipia e ao desenho.

No centro da exposição está o ateliê de gravura como espaço coletivo de trabalho: o lugar onde a imagem não nasce pronta, mas se constrói por etapas, é reimpressa e se transforma a cada passagem pela matriz. Os doze artistas partilham essa prática comum — muitos deles formados ou atuantes em ateliês de gravura de São Paulo — e trazem para a sala um recorte dessa produção feita a muitas mãos.

Obra de Cláudio Caropreso na mostra.

A escolha do Museu Lasar Segall tem sentido preciso. A casa que foi residência e ateliê do pintor abriga, há décadas, um ateliê coletivo de gravura em plena atividade. Expor ali é aproximar as obras do próprio lugar em que muitas delas foram pensadas e impressas, e lembrar que o museu, antes e além de sala de exposição, é também um espaço de fazer. Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu não é um percurso que proponho: o primeiro trajeto é o que a casa vê quando se vira para dentro; o segundo, o que estas obras já fazem quando entram no acervo. E há um terceiro, que dispensa a sala: do lado de fora, a gráfica se cola ao muro, exposta ao tempo e a quem passa”, afirma o curador Luiz Armando Bagolin.

SOBRE OS ARTISTAS

Amália Barrio é artista visual, formada pela Universidade Estadual de Campinas. Sua pesquisa parte da relação entre fotografia e gravura, investigando a imagem fotográfica como linguagem gráfica. A paisagem natural constitui o principal eixo de seu trabalho, desenvolvida por meio de processos de impressão e experimentações com transparências, sobreposições, formas e cor. Seu interesse está na construção de imagens que transitam entre diferentes técnicas e suportes, explorando as possibilidades gráficas.

Cláudio Caropreso nasceu em 1975, em São José dos Campos, onde vive e trabalha. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Paraíba. Pós-Graduado em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília. Como artista, desenvolve pesquisa com procedimentos ligados à gravura em relevo colorida e a processos criativos.

Comtrario Pereira nasceu em 1993, em São Caetano do Sul. Desenvolve, desde 2018, uma pesquisa em torno da matéria (principalmente tinta de parede e seu próprio sangue, por ele mesmo retirado) para dar corpo à sua investigação central: a violência institucional. Esgarçando e expandindo o termo, centralizado em agentes ou instituições do Estado que causam sofrimento físico, psicológico, moral e/ou patrimonial, aprofunda seu olhar nas instituições sociais que estabelecemos enquanto sociedade: trabalho, amigos, família, relacionamentos e com nós mesmos.

Obra de Comtrario Pereira na mostra.

Francisco Maringelli nasceu em São Paulo, onde vive e trabalha e onde atua como artista gravador, pintor e professor. Formação: Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP, 1979-1984) e Artes Plásticas (ECA-USP, 1984-1990), com frequência dos ateliês do Museu Lasar Segall (1980–81). Mostras individuais: “Os estigmas da palma da mão, as crateras no meio da rua e o rombo do coração” (Atelier Piratininga, São Paulo, 2025); “Maringelli: Percurso Gráfico” (Caixa Cultural Sé, SP, 2012); “Um Pouco do Retrato de Todos Nós” (Oficina Cultural Oswald de Andrade, SP, 2012). Mostras coletivas: “Fabulações Matriciais” (Espaço Cultural Sesc, Rio/Flamengo, RJ); “Gravura na Ponta da Faca” (Hemeroteca da Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, 2016); além de participações na Galeria Gravura Brasileira, na Graphias-Casa da Gravura, na Galeria Mezanino e nas Mostras da Gravura Cidade de Curitiba, de 1986 a 2000. Recebeu a Bolsa Vitae de Artes Visuais / Grandes Formatos na Gravura em Relevo (1995), com projeto exposto no CCSP.

Paulo Penna nasceu em 1970, em São Paulo, onde vive e trabalha. Doutor em artes visuais pela USP, fez estudos de pós-graduação na Byam Shaw School of Arts, em Londres, e pós-doutorado na Universidade do Quebec em Montreal e na USP, na área de artes visuais. É proprietário, com Adalgisa Campos, da Casateliê, espaço independente de produção, ensino e venda de arte em São Paulo. Tem seu trabalho regularmente exposto no Brasil e no exterior, com destaque para as individuais “Corpo, mapeamentos” (Galeria Gravura Brasileira), “Desenho, fluxo, imagem” (Oficinas Culturais Oswald de Andrade) e “Figuren aus Brasilien” (Galerie Wildeshausen, Alemanha). Participa regularmente de coletivas, entre elas “Gravura Extrema — Europalia Brasil” (Le Centre de la Gravure et de l’Image Imprimée, La Louvière, Bélgica) e “Do Cordel à Galeria” (MASP). É professor dos cursos de Artes Visuais da FAAP e do Centro Universitário Belas Artes e coordena o Ateliê de Gravura do Museu Lasar Segall.

Obra de Amalia Barrio na mostra.

PF Cozinha da Gravura (2024, São Paulo) é um coletivo formado por Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella. Desenvolvem em conjunto trabalhos de gravura como extensão das reflexões que pesquisam individualmente e como forma de estreitar o diálogo sobre o fazer gráfico. Os trabalhos do coletivo participaram de projetos como a 6ª edição do PQF (Portões Que Falam), bienal de arte urbana que ocupa quatro quarteirões de Santo André, além de ações educativas na exposição “O Paisagismo Modernista na Produção Artística de Lasar Segall”.

Pedro Pessoa nasceu em 1986, em São Paulo, onde vive e trabalha. Interessa-se pelas coisas da natureza e nunca parou de desenhar. De 2004 a 2008, frequenta o curso de design gráfico do Senac, onde desenvolve trabalhos em ilustração, animação e quadrinhos. Passou a frequentar e a movimentar o ateliê de gravura, onde encontra um ambiente de desenvolvimento pessoal e artístico, e o professor Ernesto Bonato, que o incentiva na busca pelo desenho de observação e pelo corte das goivas na madeira. Em 2007, passa a ser residente no Atelier Piratininga, desenvolvendo com mais afinco uma obra gráfica em xilogravura e gravura em metal. Estuda e trabalha nos ateliês do Museu Lasar Segall e do Instituto Tomie Ohtake. É artista membro do Atelier Piratininga desde 2011, onde coordena as atividades educativas e promove exposições, oficinas, cursos e palestras.

Rafael Kenji nasceu em São Paulo, em 1987, onde vive e trabalha. Artista visual, é mestrando em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e bacharel em Design pelo Centro Universitário Senac (2010). Desde 2010, dedica sua pesquisa artística principalmente às linguagens do desenho e da gravura. Em sua obra está sempre presente a observação do tempo, dos movimentos cíclicos, de vida, morte e recomeço, e o interesse pela transformação da matéria. Em sua pesquisa recente, “Corpos desenhados pela água”, esses elementos são permeados por aspectos da história social e pela relação entre natureza e cultura. Realizou mostras no Brasil e no exterior — Espanha, França, Itália, Peru, Argentina, China, Bulgária e EUA.

Obra de PF Cozinha da Gravura na mostra.

Raphael Giannini nasceu em São Paulo, onde vive e trabalha. Formado em 2009 pelo Centro Universitário Belas Artes no curso de Artes Visuais, onde teve aulas de gravura com Augusto Sampaio, Katia Salvany e Paulo Penna. Concluiu uma pós-graduação em educação pela mesma instituição em 2010. Desde então, dedica-se à arte-educação, atuando em diversas instituições culturais. Em 2014, chega ao Atelier Piratininga, onde retoma a produção com aulas de Ulysses Bôscolo e Julia Goeldi. Desenvolve pesquisa sobre gravuras de pequeno formato, com matrizes cujo lado maior não ultrapassa 10 cm.

Ulysses Bôscolo de Paula nasceu em 1977, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formou-se em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP sob orientação do Prof. Dr. Luiz Claudio Mubarac. Atualmente desenvolve seu projeto de doutorado na Unicamp sob orientação de Luise Weiss. Sua produção abrange gravuras, pinturas, objetos, fotografias, vídeos, colagens, esculturas e ilustrações de livros, com destaque para a ilustração de “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski (Ed. 34, 2008). Recebeu prêmios de residência artística na 15ª Biennale Internationale de la Gravure de Sarcelles e na Cité Internationale des Arts, em Paris, pelo programa de intercâmbio da FAAP. Em 2017, foi indicado ao Prêmio PIPA e, em 2020, ao Programa Itaú Cultural.

Zizi Baptista (Ana Elisa Dias Baptista) é artista visual e gravadora, formada em Licenciatura Plena – FAAP e mestre em Peritagem e Precificação de Obras de Arte pela Faculdade Santa Úrsula. Com trajetória de mais de três décadas dedicadas às artes visuais, desenvolve um trabalho reconhecido pela excelência técnica na gravura e pela pesquisa poética de sua produção. Participou de importantes exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com mostras em países como Estados Unidos, México, Itália, Portugal, Alemanha, França e Holanda. Recebeu diversos prêmios em salões de arte contemporânea e possui obras em acervos públicos e institucionais, entre eles o Museu de Arte Contemporânea de Campinas, a Casa do Olhar, a Prefeitura de Guarulhos e o HCor. Sua produção transita entre a gravura, o desenho e projetos ligados às artes cênicas, consolidando uma atuação marcada pelo diálogo entre técnica, memória e experimentação.

SERVIÇO:

Mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”

Curadoria: Luiz Armando Bagolin

Artistas visuais: Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista

Período: 22 de julho a 19 de outubro de 2026

Visitação: quarta a segunda, das 11h às 19h

Entrada: gratuita e livre

Local: Museu Lasar Segall

Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo/SP 04120-040

Tel: (11) 2159-0400

E-mail: info@mls.gov.br

Site: www.mls.gov.br

Redes sociais:

Museu Lasar Segall @museu_lasar_segall

Luiz Armando Bagolin @labagolin

Amália Barrio @amaliabarrio

Cláudio Caropreso @caropresoxilogravura

Comtrario Pereira @comtrario

Francisco Maringelli @franciscomaringelli

Paulo Penna @paulocpenna1970

PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella) @pf.cozinhadagravura

Pedro Pessoa @pedro_pessoa1

Rafael Kenji @kenji.rafa

Raphael Giannini @raphael_com_ph_

Ulysses Bôscolo @ulyssesbo

Zizi Baptista @zizibaptista.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Obra de Paulo Penna na mostra “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”.