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Aman Venice lança Palazzo Kitchen Table, fusão intimista de culinária veneziana e técnicas japonesas

Veneza, Itália, por Kleber Patricio

The Palazzo Kitchen Table – chef executivo Matteo Panfilio na cozinha do Aman Venice.

O Aman Venice apresenta o Palazzo Kitchen Table, uma nova experiência gastronômica criada para celebrar a excelência dos ingredientes sazonais da região do Vêneto. Com apenas oito lugares, a experiência intimista destaca o melhor da sazonalidade italiana por meio de uma combinação cuidadosa de técnicas culinárias italianas e japonesas, refletindo a visão gastronômica e as paixões do chef executivo Matteo Panfilio.

Ao redor de um balcão aberto em estilo teppanyaki, localizado no térreo do palácio do século XVI, o menu degustação de 10 etapas conduz os convidados por uma jornada inspirada na filosofia omakase, ao mesmo tempo em que homenageia a região do Vêneto com ingredientes como alcachofras-violetas da ilha de Sant’Erasmo, ervas silvestres da costa de Cavallino e frutos do mar frescos do Mar Adriático.

Esses ingredientes são valorizados por técnicas japonesas, como teppanyaki e yakiniku, escolhidas para preservar a pureza e a integridade de cada elemento, e complementadas por molhos e temperos japoneses leves. O calor intenso da chapa teppanyaki preserva os sucos naturais dos ingredientes, enquanto a grelha yakiniku adiciona delicadas notas defumadas e uma sutil caramelização, criando um equilíbrio sofisticado entre intensidade e leveza.

Para completar a experiência, o Aman Venice oferece harmonização de vinhos selecionados a partir da carta da propriedade, além da oportunidade de tornar a noite ainda mais especial com rótulos raros e prestigiados da Master’s Collection.

Para reservas e mais informações, acesse https://www.aman.com/hotels/aman-venice/dining/palazzo-kitchen-table.

Sobre o Aman Group

O Aman foi fundado em 1988 com a visão de criar uma coleção de refúgios intimistas, com a hospitalidade discreta e acolhedora de uma elegante residência particular. O primeiro empreendimento, Amanpuri (“lugar de paz”), em Phuket, na Tailândia, deu origem a esse conceito e, desde então, a marca cresceu para reunir 35 hotéis, resorts e residências de marca, reconhecidos por sua serenidade e exclusividade, distribuídos entre destinos urbanos e remotos em 20 localidades ao redor do mundo. O Aman também mantém um sólido pipeline de novos projetos em desenvolvimento.

Nos últimos anos, o Aman Group expandiu seu estilo de vida para além da hotelaria, lançando a Aman Skincare (2018), a linha de suplementos Sva (2020), a coleção Aman Fine Fragrance (2020), a linha de roupas The Essentials by Aman (2021), a linha de skincare de alta performance Aman Essential Skin (2023) e a Aman Interiors (2023), que oferece peças de mobiliário exclusivas inspiradas no universo Aman.

Tendo a inovação como um dos pilares da filosofia da marca, em 2020 o Aman lançou uma nova bandeira hoteleira: Janu, palavra que significa “alma” em sânscrito. A marca propõe uma nova expressão da hospitalidade, inspirando e energizando seus hóspedes por meio de espaços transformadores, experiências gastronômicas inovadoras e instalações de bem-estar de última geração em uma escala sem precedentes. Em março de 2024, o primeiro hotel da marca, o Janu Tokyo, abriu suas portas, e diversos outros empreendimentos Janu já estão em desenvolvimento.

(Com Erica Jhiane/Azzi+Co.)

Com visto dispensado até 2029, destinos fora da rota clássica ganham espaço no Japão

Japão, por Kleber Patricio

Castelo de Kanazawa, na região central do Japão. Foto: Divulgação/Pixabay.

A decisão do governo japonês de prorrogar até 2029 a isenção de visto para turistas brasileiros chega como um incentivo para quem sonha em conhecer a chamada “Terra do Sol Nascente” ou mesmo voltar. Com menos burocracia para planejar e realizar a viagem, cresce o interesse por roteiros que vão além das paradas em Tóquio, Kyoto e Osaka, revelando um Japão marcado por tradições regionais, paisagens naturais, gastronomia e experiências culturais ainda pouco conhecidas pelos brasileiros. Segundo a Japan National Tourism Organization (JNTO), mais de 110 mil brasileiros visitaram o Japão em 2025 (um aumento de 29% em relação a 2024), reforçando o interesse crescente pelo destino. Para a Quickly Travel, especializada em viagens ao país e integrante do grupo japonês JTB, a prorrogação da isenção de visto deve estimular não apenas as primeiras viagens, mas também roteiros mais personalizados.

Para Mami Fumioka, CEO da Quickly Travel, além de facilitar o planejamento e diminuir custos, a renovação da isenção de visto transmite segurança para quem deseja visitar o país asiático. “A extensão da facilidade até setembro de 2029 reduz uma etapa do planejamento e reforça a confiança do viajante em escolher o Japão como destino. Isso também abre espaço para que as pessoas pensem em roteiros mais completos, incluindo regiões menos conhecidas, e até considerem uma segunda viagem para explorar outras partes do país”.

Com o acordo firmado, brasileiros podem ficar no país por até 90 dias consecutivos. A isenção não é válida para viajantes que exerçam no Japão trabalho remunerado ou atividades que exijam um visto específico.

Seis destinos para descobrir um Japão além da rota clássica

Entre os destinos que podem entrar no roteiro do viajante que quer conhecer um Japão fora do óbvio está Kanazawa, famosa pelos jardins tradicionais, bairros históricos preservados e pela rica gastronomia. Nos alpes japoneses, Takayama conquista visitantes com ruas centenárias, mercados locais e festivais que mantêm vivas tradições japonesas.

Já a pequena ilha de Naoshima tornou-se referência internacional ao transformar arte e arquitetura em suas principais atrações. No sul do país, Kyushu reúne águas termais, vulcões, natureza exuberante e cidades históricas, enquanto Tohoku, no norte, oferece paisagens preservadas, lagos, montanhas e festivais tradicionais que permanecem fora da rota da maioria dos turistas internacionais.

Para quem deseja vivenciar uma das experiências mais tradicionais do Japão, a recomendação é incluir no roteiro uma hospedagem em um ryokan. A tradicional estalagem japonesa combina arquitetura típica, gastronomia regional, trajes típicos que podem ser utilizados pelos visitantes, camas de futon e banhos termais mais conhecidos como onsen. As já citadas regiões de Takayama e Kyushu oferecem muitas opções para quem busca a experiência. Outra opção é Hakone, cidade localizada a cerca de 100 quilômetros de Tóquio e que, em dias de céu aberto, oferece uma bela vista para o Monte Fuji.

Segundo Mami, a facilidade de entrada no Japão por 90 dias também favorece um novo olhar sobre o destino. “Hoje, percebemos que muitos viajantes querem vivenciar o Japão de forma mais profunda. Não se trata apenas de visitar os lugares mais famosos, mas de entender as particularidades de cada região, experimentar sabores locais e viver experiências que dificilmente cabem em um roteiro de poucos dias ou que inclua somente as cidades mais populares”, conclui.

(Com Karina Fusco/Business Factory)

Musical inédito sobre infância de João Guimarães Rosa estreia no Teatro do Sesi-SP

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Inspirado no livro “João Joãozinho, Joãozito – O Menino Encantado”, espetáculo acompanha os primeiros anos de vida do escritor mineiro e transforma sua infância em uma celebração da imaginação, da leitura e da cultura popular brasileira. Fotos: Alan Catan.

Antes de se tornar um dos maiores escritores brasileiros, João Guimarães Rosa (1908–1967) foi um menino curioso, apaixonado pelos livros, pelas línguas, pelos animais e pela descoberta do mundo. É essa infância, vivida em Cordisburgo, interior de Minas Gerais, que inspira “João, Joãozinho, Joãozito”, espetáculo musical inédito que estreia em 29 de agosto no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp. A temporada segue até 13 de dezembro de 2026, com sessões às quintas e sextas, às 11h, e aos sábados e domingos, às 15h. Todas as apresentações de sábado e domingo contam com interpretação em Libras e audiodescrição.

O espetáculo, com direção e dramaturgia de Márcio Araújo, propõe às crianças e aos adultos uma viagem pela imaginação, pela literatura e pela formação de Guimarães Rosa. Com idealização do produtor Daniel Palmeira e inspirado no livro “João, Joãozinho, Joãozito: o Menino Encantado”, de Claudio Fragata, o musical acompanha a infância do escritor, diplomata e médico e sua descoberta do mundo por meio dos livros, dos animais, da natureza e das histórias vividas em sua cidade natal.

A montagem volta o olhar para o menino que foi um observador apaixonado pelo mundo. A narrativa acompanha João desde o nascimento até sua mudança para Belo Horizonte. “O espetáculo mostra como a infância foi determinante para tudo o que Guimarães Rosa se tornou. É um convite para que as crianças percebam que a curiosidade, a imaginação e o desejo de aprender podem transformar seus próprios caminhos”, afirma Márcio Araújo, também compositor na peça, cuja longa carreira está ligada ao universo infantil (entre seus trabalhos, foi um dos criadores do programa “Cocoricó”, da TV Cultura).

Ao longo da narrativa, a montagem também estabelece um diálogo entre a biografia do escritor e sua produção literária. Personagens e referências de algumas obras como “Grande Sertão: Veredas” e um amigo imaginário inspirado em Miguilim acompanham o protagonista ao longo da trama, que surgem na narrativa como pequenas descobertas para quem já conhece o universo roseano e como possível porta de entrada para novos leitores.

Uma das escolhas marcantes da montagem é a construção coletiva do protagonista: todo o elenco se reveza no papel do menino João em diferentes momentos do espetáculo. “Queremos que toda criança se veja no palco, que possa imaginar que também pode ser cientista, médica, escritora, viajar pelo mundo ou aprender outras línguas. Independentemente de onde venha, ela precisa acreditar que seu futuro também lhe pertence”, destaca o diretor. O símbolo da gravata-borboleta, marca pessoal do escritor, migra entre os corpos em cena como laço, presilha ou gravata, unificando essa pluralidade.

“Receber João, Joãozinho, Joãozito no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp, é uma oportunidade de aproximar crianças e famílias da trajetória de um dos maiores escritores da literatura brasileira. A montagem transforma a infância de Guimarães Rosa em uma experiência sensível e inspiradora, que valoriza a curiosidade, a imaginação e o conhecimento como instrumentos de descoberta do mundo. O espetáculo dialoga com o compromisso do Sesi-SP de ampliar o acesso gratuito a produções artísticas de excelência e ao fomento de peças inéditas, promovendo experiências culturais que estimulam a formação de novos públicos e o contato com o patrimônio literário brasileiro”, ressalta Tais Lara, diretora do Centro Cultural Fiesp.

Cenário, figurino, bonecos e trilha sonora original

O projeto foi desenvolvido ao longo de sete anos de pesquisa e traz uma linguagem que privilegia a imaginação. Para tanto, usa bonecos artesanais e outras referências de brinquedos antigos, típicos do interior do Brasil e, particularmente, de Minas Gerais. O cenário de Bruno Anselmo é formado por peças que se transformam continuamente e convidam o público a completar cada imagem com seu próprio olhar.

A trilha sonora original, composta por Tato Fischer e Araújo, tem direção musical de Dagoberto Feliz e reúne nove canções que também dialogam com as situações das infâncias e das manifestações tradicionais. Folia de Reis, cururu, catira e cantos tradicionais ajudam a construir a atmosfera do espetáculo; e os figurinos de Clau Carmo inspirados nas colchas de retalhos e brinquedos artesanais reforçam a memória afetiva de uma infância antiga. Os 19 bonecos são criações de Jésus Sêda, o mesmo do Castelo Rá Tim Bum.

O elenco é formado por nove atores, músicos e manipuladores de bonecos, artistas de diferentes trajetórias e todos se dividem na interpretação de João ao longo do espetáculo, enquanto tocam, cantam, dançam e manipulam: Beatriz Amado, Conrado Caputo, Daniel Aureliano, Elix, João Paulo Bienermann, Neusa de Souza, Rita Almeida, Thiago Claro França e Thiago Mota.

Sinopse

João, Joãozinho, Joãozito acompanha a infância de João Guimarães Rosa em Cordisburgo (MG), sua cidade natal até se mudar para Belo Horizonte, cercado por livros, animais, brincadeiras e descobertas. Em uma narrativa musical e linguagem lúdica, o espetáculo convida crianças e adultos a embarcarem na jornada do menino que transformaria suas vivências no sertão nas obras que o consagraram um dos maiores escritores do Brasil.

Sobre o Sesi-SP

O Sesi-SP oferece atividades culturais gratuitas em linguagens como música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e difusão literária. Juntas, as atividades promovidas já alcançaram a marca de quase 20 milhões de pessoas. São 19 teatros, sete centros culturais, oito espaços de exposição, três estações de cultura, 95 núcleos para iniciação e formação de pessoas nas áreas de música, teatro, dança e circo, além de uma unidade móvel que percorre todo o estado. Em 2026, mais três teatros e três centros culturais devem ser inaugurados.

A entidade reforça seu compromisso de oferecer ao público uma programação diversa, contundente e sempre gratuita, alinhada aos aspectos sociais e artísticos da contemporaneidade. Também de atuar na área de produção cultural, impulsionando a economia criativa e contribuindo para o aperfeiçoamento artístico. Em 2024, a instituição comemorou seis décadas de história, cultura e inovação de um de seus mais importantes projetos de democratização do acesso à cultura: o Teatro do Sesi-SP, palco de espetáculos marcantes ao longo das últimas décadas.

Sobre o Centro Cultural Fiesp

A arquitetura moderna do edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da Fiesp, que também abriga o Sesi, o Senai São Paulo, o Ciesp, e o Instituto Roberto Simonsen (IRS), o torna ponto de referência no skyline da cidade e permite a realização de inúmeras atividades que integram o Centro Cultural Fiesp à Avenida Paulista, incluindo a livre circulação em seu interior e o uso de espaços alternativos, como a área externa e o foyer do Teatro do Sesi-SP, para diferentes manifestações artísticas e culturais que surgem em sua ampla e diversificada programação. O Centro Cultural Fiesp é um importante equipamento de acesso à cultura mantido pela indústria paulista e administrado pelo Sesi-SP; uma referência de qualidade e patrimônio cultural apreciado dos paulistanos. O Sesi-SP é uma instituição que trabalha pela educação, onde a cultura é parte fundamental. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição tem como objetivo a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita, além da promoção da economia criativa nacional.

Ficha técnica

João, Joãozinho, Joãozito, a partir do livro de ​​Claudio Fragata

Texto e adaptação: ​​​Marcio Araújo

Direção Artística​​​: Marcio Araújo

Músicas compostas​​​: Tato Fischer/Marcio Araújo

Direção Musical/arranjos​​: Dagoberto Feliz

Assistente de Direção: ​​​Adriana Salcedo

Elenco/Músicos​​: Rita Almeida, João Paulo Bienermann, Daniel Aureliano, Neusa de Souza, Elix, Conrado Caputo, Beatriz Amado, Thiago Claro França e Thiago Mota

Paisagista Sonoro​​​: Marcelino Ziggy

Desenho de Som​​​: Labsom – Kleber Marques, Juma e Marcelino Ziggy

Microfonista: ​​​​Juma (Juliana Maria)

Técnico de Som: ​​​Kleber Marques

Iluminador/Desenho de Luz: ​​Guilherme Bonfanti

Operador de Luz​​​: Felipe Bonfante

Cenografia: ​​​​Bruno Anselmo

Cenotécnico: Reserva Cênica

Design: Leandro Madeiros

Figurino​​​​: Clau Carmo

Costureira/Modelista: ​​​Salomé Abdala​

Aderecista​​​​: Nilton Araújo

Bonequeiro​​​​: Jésus Sêda

Visagista​​​​: Jonathan Faria

Projeto gráfico: ​​André Kitagawa

Fotógrafo​​​​: Ale Catan

Assistente de Fotografia: ​​Rafael Sá

Vídeos: ​​Sucata Filmes – Vinícius Faé

Preparação Corporal​​​: João Paulo Bienermann​​​

Preparação de Manipulação de bonecos: ​​Eduardo Alves

Direção de Palco: ​​​Marco Loureiro

Maquinista​​​​: Atila Quirino (Chin)

Contrarregra: Arthur Gerizani

Camareira: Cris Quirino

Assessoria de Imprensa: ​​Canal Aberto Comunicação

Mídias Sociais: Tatiana Machado

Intérprete de Libras​​​: Fabiano Campos

Áudio-Descrição: Ver com Palavras

Produção Executiva​​​: William Gibson

Direção de Produção​​​: Daniel Palmeira

Coordenação Financeira​​: Cleo Chaves

Assessoria Contábil​​​: DW Gonzalez Contábil

Assessoria jurídica: Marcelo Mayer

Coordenação Geral /Produção: ​Penta Querobin Produções.

SERVIÇO:

João, Joãozinho, Joãozito

Temporada: 29 de agosto a 13 de dezembro de 2026

Sessões: quintas e sextas, às 11h; sábados e domingos, às 15h

Atenção: Libras e audiodescrição em todos os sábados e domingos da temporada

Local: Centro Cultural Fiesp – Teatro Sesi-SP | Av. Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Ingressos gratuitos. Reservas pelo www.sesisp.org.br/eventos

Classificação indicativa: Livre, indicado para todas as idades.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Paço Imperial realiza seminário sobre produção artística do Nordeste

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Evento gratuito acontece nos dias 21 e 22 de agosto com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, e integra a exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir”. Fotos: @pavoa.

Com o objetivo de refletir sobre a produção artística da região Nordeste do país, será realizado nos dias 21 e 22 de agosto de 2026 o seminário da exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir”, no Paço Imperial. Com entrada gratuita, o seminário contará com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, como as curadoras e professoras Izabela Pucu, Luiza Interlenghi e Marisa Flórido Cesar; o historiador, sociólogo e pesquisador Alexandre Barbalho; os artistas Alan Adi, Simone Barreto e Dinho Araujo; a psicóloga, professora e arte-educadora Mariana Bessa e a artista, gestora cultural, educadora e curadora Samantha Moreira. “Esses encontros contam com a participação de curadores locais, artistas e convidados, reforçando a importância dos espaços de diálogo, da roda de conversa e da troca como forças motrizes do pensamento artístico”, afirmam as curadoras Jacqueline Medeiros e Cecília Gallindo.

O seminário terá duas rodas de conversa, uma no dia 21 e outra no dia 22 de agosto, ambas com entrada gratuita. A primeira será “Nordestes e pesquisas em trânsito”, no dia 21 de agosto, sexta-feira, às 16h, que propõe um espaço de diálogo sobre a região e a sua produção a partir do olhar de Izabela Pucu, Luiza Interlenghi, Marisa Flórido, Alexandre Barbalho e Alan Adi. Mais do que pensar o Nordeste como uma unidade homogênea, a ideia é reconhecer o que emerge de diferentes territórios, experiências, temporalidades e modos de produzir conhecimento. Cada pesquisa constrói, desloca ou tenciona determinadas imagens e sentidos atribuídos à região. Assim, a roda busca abrir espaço e alargar conceitos para que diferentes vozes e experiências revelem as diferenças, as contradições, os deslocamentos e as reinvenções. Nesse movimento, a produção artística também se apresenta como campo de criação e disputa, capaz de inventar outras imagens e possibilidades para os Nordestes. Entre pesquisas, produções e experiências, a arte aparece como espaço de trânsito.

No dia 22 de agosto, às 15h, será realizada a conversa “Territórios, imaginação e educação – processos educativos”, que propõe um encontro entre artistas que, em diferentes edições do projeto, também participaram da construção e da experiência dos processos educativos. A partir dessas vivências, a conversa busca refletir sobre as relações entre arte, território e educação, compreendendo o educativo não apenas como mediação, mas como espaço de encontro, escuta, experimentação e produção coletiva de sentidos. As experiências dos participantes permitem pensar como diferentes territórios atravessam as práticas artísticas e educativas e como a imaginação pode criar outras formas de perceber, ocupar e narrar esses espaços. Nesse percurso, a roda pretende compartilhar experiências e pensar coletivamente os caminhos possíveis para processos educativos que sejam sensíveis às particularidades dos territórios e às múltiplas formas de produzir conhecimento.

A exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir” pode ser vista até o dia 6 de setembro de 2026, no Paço Imperial. Com curadoria de Jacqueline de Medeiros e curadoria adjunta de Cecília Gallindo Cornélio, a mostra apresenta 216 obras de 110 artistas da região Nordeste do Brasil, em uma itinerância iniciada em 2023 no Recife, que já passou por Fortaleza, Natal, São Luís, Teresina, João Pessoa e Aracaju até chegar ao Rio de Janeiro.

A exposição e o seminário integram o programa Nordeste Expandido, que tem o objetivo de atualizar o acervo artístico do Banco do Nordeste com obras de artistas de diversas áreas de atuação, reduzindo as lacunas quantitativas e de diversidade étnica, racial e de gênero. Após a finalização do processo de aquisição, o Banco volta a esses estados para apresentar o conjunto geral de obras, integradas com rodas de conversas entre os artistas e curadores participantes, nas quais o público pode conhecer melhor as dinâmicas da produção artística de cada região. 

SOBRE OS PARTICIPANTES 

Izabela Pucu

Curadora, pesquisadora, gestora cultural e professora.  Doutora em História e Crítica da Arte pelo PPGAV/EBA/UFRJ, 2017. Coordenadora geral da Plataforma Mario Pedrosa atual desde 2018. Pesquisadora associada do projeto Amérique Latine no Oficial. Centre Georges Pompidou, 2023. Vencedora do Prêmio Jabuti, 2020, indicada e semifinalista em 2024. Ministrou, entre outros, o curso “Arte, crítica e política na América Latina (MASP, 2026). Co-organizadora do livro Mario Pedrosa Atual (MAR, 2019), Roberto Pontual: obra crítica (Prefeitura do Rio/Azougue, 2012), entre outros, de inúmeros seminários, entre eles Vetores do Sul: Mario Pedrosa, crítica de arte e política na América Latina (CPF/SESC, 2023). Co-curadora de exposições como Os avesso do avesso da Liberdade (Solar,2025), Ensaios para o Museu das Origens (Tomie Ohtake/ Itáu Cultural, 2023/24), curadora de mostras como Loucura Suburbana 25 anos (Futuros, 2025), Pintura de Borda, Mirela Luz (Casa França Brasil, 2024), Fio-ação, de Mariana Guimarães (Paço Imperial, 2023). Diretora e curadora do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (2014-2016), Coordenadora de Educação do Museu de Arte do Rio (2018-2020), curadora do Solar (2025). Professora substituta do Instituto de Artes da Uerj (2008-2012).

Luiza Interlenghi

Curadora e professora do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio. É Doutora em História e Crítica da Arte, PPGAV, EBA-UFRJ (2015), com a tese Arte em Campo Instável sobre artistas que testam as bordas dos espaços institucionais da arte. Ministrou cursos de história da arte no Masp – Escola e no SESC Nacional, entre outras instituições. É curadora de diversas exposições, como Visualidades Brasileiras – Funarte 50 Anos (Mezanino Palácio Gustavo Capanema, Funarte, 2026); Entrelinhas, de Valeria Costa Pinto (Galeria Gaby Índio da Costa, RJ, 2024); Kalunga Kia Kolelaku, de Luanda Francisco (Abapirá, RJ, 2023); e cocuradora de Parada 7 – Arte em Resistência (coletiva, Centro de Arte Hélio Oiticica e Centro Cultural da Justiça Federal, RJ, 2022); Publicou, ensaios sobre Beatriz Milhazes; Maria Pólo; Danilo Di Prete e Eliseu Visconti no catálogo da 60ª Bienal de Veneza, Itália (2024). É autora dos ensaios: O que é…? sobre exposição de Ricardo Basbaum (Gal. Marli Matsumoto, 2024); Essa vontade de cor, em Ione Saldanha: A cidade inventada, São Paulo: MASP, 2022; Beatriz Milhazes: Life and Work, em Beatriz Milhazes, Taschen, 2022; além de Arte em campo instável (2016) e junto a Frederico Morais A felicidade é o problema fundamental da arte, (2014), ambos na Revista Arte & Ensaios (PPGAV – UFRJ).

Marisa Flórido Cesar

Professora do Departamento de História e Teoria da Arte e do PPGartes do Instituto de Arte da UERJ. Crítica de arte e curadora independente. Possui livros e textos sobre artes visuais em livros, revistas acadêmicas, catálogos e periódicos no Brasil e no exterior.

Alexandre Barbalho

Possui licenciatura em História pela UECE, bacharelado em Ciências Sociais e mestrado em Sociologia pela UFC e doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA. Fez estágio pós-doutoral em Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. É professor adjunto do curso de História e professor permanente dos PPGs em Sociologia e em Políticas Públicas da UECE e em Comunicação da UFC. Tem experiências nas áreas de Política, Cultura e Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: política cultural, política de comunicação, mídia e cidadania, mídia e minorias, mídia e política, elites. É autor ou organizador, entre outros, de: Democracia radical e pluralismo cultural. Para ler Chantal Mouffe (2015); Política cultural e desentendimento (2016) – edição em espanhol: Política cultural y desacuerdo (2020); Cultura e democracia (2017); e Sistema Nacional de Cultura. Campo, saber e poder (2019).  Comunicação e cultura das minorias (com Raquel Paiva, 2005 – edição em espanhol: Comunicación y cultura de las minorías, 2012 );  Cultura e desenvolvimento: Perspectivas políticas e econômicas (com Lia Calabre, Paulo Miguez e Renata Rocha, 2011); Federalismo e políticas culturais no Brasil (com Lia Calabre e José Márcio Barros , 2013); Políticas culturais no governo Dilma (com Albino Rubim e Lia Calabre, 2015); Os trabalhadores da cultura no Brasil: criação, práticas e reconhecimento (com Elder Maia e Mariela Vieira, 2017); e Retratos do Ceará moderno: emergência de um padrão de modernização cultural nas margens (com Mariana Barreto, 2020).

Alan Adi

O trabalho de Alan Adi (Aracaju, 1986) passa por pesquisar comumente temas relacionados à formação da sociedade brasileira partindo da perspectiva da região Nordeste, evidenciando a produção artística vinda dessa região ao mesmo tempo em que essa produção dá suporte para a construção de trabalhos que discutem questões sobre migração, economia, história e educação. Interações entre a herança social das imagens associadas ao Nordeste e o atual contexto de nação povoam boa parte de sua pesquisa recente que se atrela aos formatos usuais daquilo que ficou historicamente demarcado como a poética visual oriunda da região. 

Simone Barreto (Fortaleza, Ceará, 1984) é artista visual e educadora. Sua prática investiga as relações entre trabalho, memória, maternidade e narrativas autobiográficas femininas, tendo a linha — do desenho, da costura e do bordado — como elemento central de sua pesquisa. A partir de arquivos familiares, memórias e experiências cotidianas, desenvolve desenhos, objetos, livros de artista e trabalhos têxteis que transformam gestos historicamente associados ao universo doméstico em linguagem poética e reflexão crítica sobre gênero, cuidado e trabalho. Foi indicada ao *Prêmio PIPA 2020, recebeu o Prêmio Principal do 69º Salão de Abril (2018) e participou de exposições, residências e programas de pesquisa no Brasil e na Colômbia. É idealizadora do Õwã Brincar, projeto dedicado às poéticas da infância.

Dinho Araujo é artista e educador nascido no Maranhão, na região da Baixada. É licenciado em Educação Artística pela UFMA, Mestre em Antropologia pela UFPB, professor substituto do Departamento de Artes da UFMA e gestor cultural do Chão, espaço independente em São Luís. A partir de mídias como a fotografia, o lambe e a careta, seu trabalho investiga raça e aparições. Participou das exposições coletivas “Um defeito de cor”, no Museu de Arte do Rio (2022), Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (MUNCAB) em Salvador (2023) e Sesc Pinheiros (2025), Nordeste expandido: estratégias de (re) existência, do Banco do Nordeste Cultural (2023/25), “Lélia em nós: festas populares e amefricanidade”, no Sesc Vila Mariana (2024), Preamar (SP-Art), em São Paulo (2022), Cais, na Galeria Galatéa (2023), Residência ao Acaso, na Galeria Luciana Brito (2024). Realizou circulação nacional com a cena expandida “Performance Preta no Brasil”, com Elton Panamby, pelo Palco Giratório (2019), programa de pesquisa e intercâmbio sobre a produção negra e indígena no campo da performance. Sua individual, História dos animais e árvores, foi exibida no 33º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, em 2024.

Mariana Bessa é Psicóloga, Professora e Arte-Educadora, e dedica-se à tessitura de conexões entre esses campos do saber, instaurando diálogos entre subjetividade, arte e educação. Sua prática se orienta por uma investigação crítica das múltiplas formas de ser, fazer e existir no mundo contemporâneo. Acredita na criatividade como força transformadora, capaz de instaurar experiências dotadas de sentido, e na cultura como potência política e estética para a reinvenção do mundo.

Samantha Moreira

Artista, gestora cultural, educadora e curadora. Fundadora do Ateliê Aberto (Campinas/SP 1997), do CHÃO SLZ (São Luís/MA 2015), coordenadora institucional do JA.CA Centro de Arte e Tecnologia e do Arrudas Pesquisa em Artes (Nova Lima e Belo Horizonte/MG desde 2018). Uma das idealizadoras do PREAMAR ações em rede a partir do Maranhão, do Fundo Colaborativo para artistas e criadores, organizado por um grupo de espaços independentes parceiros; co-curadora da VERBO Mostra de Performance Arte em São Paulo, São Luís e em Fortaleza (2018 a 2023), co-curadora da Novas Aquisições Coleção Maranhão – Centro Cultural Banco do Nordeste; Poema aos Homens do nosso Tempo – Hilda Hilst em diálogo, Prêmio Rede Nacional Funarte; Comestível, Prêmio ProAc; Depois das Fronteiras – Paisagens sonoras e visuais no planalto, Daquilo que me habita no CCBB Brasília, Instante experiência/acontecimento – co-curadoria do núcleo de performances audiovisuais, SESC Campinas (2012), entre outras exposições e prêmios. Juri de seleção e orientadora do Programa LABCULTURAL 2021 do BDMG Cultural. Juri de seleção e coordenação e curadoria do Bolsa Pampulha (2018/2019). Integrou as comissões de seleção/ou premiação do 46 Edital MARP Ribeirão Preto, 25 Salão Anapolino de Arte (2021), Seleção dos projetos inscritos na Lei Aldir Blanc – Secretaria de Cultura de Campinas, (2020), 4a Laboratório de Artes Visuais do Porto de Iracema das Artes -Fortaleza (2017), ProAC para Espaços Independentes – Sec. da Cultura do Estado de São Paulo (2016), Prêmio Foco – ArtRio (2016), 5a Edição do Prêmio Marcantônio Vilaça (2015),Programa de Exposições do Museu de Arte de Ribeirão Preto, (2013), entre outros. Participou de exposições como 32°Panorama da Arte Brasileira no MAM, Rumos Artes Visuais Itaú Cultural, Temporada de Projetos Paço das Artes. Junto ao JACA coordenou o Programa CCBB Educativo entre 2018 e 2022, o 7 Bolsa Pampulha 2018/2019, integrou o conselho consultor da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará na implementação e coordenação das exposições de abertura da Pinacoteca do Ceará.
 Organizadora dos livros Ano13 frutos, sementes, árvores, jardim – JA.CA 2023, Thiago Martins de Melo – 2018 Ed. Capivara, Metadados – Ateliê Aberto – Prêmio ProAc Espaços Independentes, 2015, IndieGESTÃO – como chupar cana e assobiar ao mesmo tempo – JÁ.CA e Ateliê Aberto Prêmio Rede Nacional 

SERVIÇO:

Seminário Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir

Dia 21 de agosto de 2026, às 16h – “Nordestes e pesquisas em trânsito”

Dia 22 de agosto de 2026, às 15h – “Territórios, imaginação e educação – processos educativos”

Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial [Sala dos Archeiros]

Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ

Entrada gratuita

Capacidade: 80 lugares

Realização: Banco do Nordeste Cultural, Paço Imperial e Iphan

Apoio: Atlantis e Associação de Amigos do Paço Imperial.

(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)

Aberto Solo inaugura novo espaço para artes visuais no Teatro Cultura Artística

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Luísa Matsushita estreia “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite” em mostra inédita concebida especialmente para o edifício. Foto: Ruy Teixeira

A plataforma Aberto lança a Aberto Solo, iniciativa dedicada à realização de exposições individuais concebidas a partir do diálogo entre artistas contemporâneos e espaços singulares da cidade. Sua primeira edição acontece em parceria com o Cultura Artística e marca a inauguração da nova área expositiva da instituição, localizada no primeiro andar do edifício.

Em cartaz entre 15 de agosto e 27 de setembro, “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite”, de Luísa Matsushita, inaugura simultaneamente o programa e o novo espaço. Previsto no projeto original concebido por Rino Levi na década de 1950, o ambiente ganha vida mais de 70 anos depois de sua criação, ampliando a atuação do Cultura Artística e incorporando de forma permanente as artes visuais à sua programação.

Obra “Três abraços”, 2026. Foto: Erika Mayumi.

A inauguração concretiza uma vocação histórica do edifício. Desde sua origem, o projeto de Rino Levi propunha a integração entre arquitetura, arte e vida cultural, entendendo as artes plásticas como elemento constitutivo da experiência do público. A ativação dessa área resgata e atualiza essa visão, estabelecendo um diálogo entre o patrimônio modernista e a produção artística contemporânea. “Com Aberto Solo, inauguramos um novo capítulo da plataforma. Enquanto as edições principais reúnem diversos artistas em diálogo com arquiteturas de grande relevância, este formato nos permite aprofundar a pesquisa e o universo de um único artista”, explica Filipe Assis, idealizador e diretor geral da Aberto.

Conhecida internacionalmente como Lovefoxxx, vocalista da banda Cansei de Ser Sexy (CSS), Luísa Matsushita apresenta um conjunto de pinturas inéditas produzidas especialmente para o Cultura Artística. As obras partem de suas memórias afetivas do centro de São Paulo e da intensa vida noturna do Baixo Augusta, região onde viveu no início de sua trajetória artística.

Foi justamente na Rua Augusta, onde acompanhou de perto o renascimento da cena noturna paulistana nos anos 2000, que Matsushita reuniu o repertório de imagens que hoje viram pintura. “Os ritmos dos notívagos, a vida no clube, suas personagens e suas descontinuidades são traduzidos para uma linguagem pictórica abstrata”, descreve o crítico Rodrigo Moura, autor do texto que acompanha a mostra, sobre obras com títulos como Antes da noite e Fila do baile.

“O dia não sustentou o que a noite esboçou”, 2026. Foto: Erika Mayumi.

Além do conjunto de obras da mostra, a artista criará uma instalação site-specific de 15 metros de largura para o saguão principal do Teatro, expandindo a ocupação para além da sala expositiva e estabelecendo um diálogo direto com a arquitetura do edifício. A intervenção reforça a proposta da Aberto Solo de desenvolver projetos concebidos em estreita relação com os espaços que os recebem.

As telas são construídas por camadas sucessivas de tinta a óleo, aplicadas lentamente até que os campos de cor se encostem sem nunca se misturar — uma economia de meios que, na leitura do crítico Rodrigo Moura, aproxima o trabalho de uma linhagem da abstração brasileira que passa por Cícero Dias, Roberto Burle Marx, Lygia Clark e Ernesto Neto. Para Moura, o controle preciso dessas variáveis formais, somado aos títulos hiper-sugestivos das obras, faz de Matsushita “uma voz fresca entre os pintores de sua geração que optaram pela abstração”.

Ao ocupar a nova área expositiva do Cultura Artística, a mostra estabelece conexões entre memória, cidade e experiência urbana. Ao mesmo tempo, inaugura um programa que pretende aproximar artistas contemporâneos de arquiteturas e contextos carregados de história, ampliando as formas de encontro entre arte e público.

“Antes da noite”, 2026. Foto: Erika Mayumi.

A abertura marca um novo capítulo na trajetória do Cultura Artística, reconstruído e reinaugurado após o incêndio de 2008, e reforça sua vocação como um espaço aberto à cidade, conectado à produção contemporânea e à intensa circulação cultural de seu entorno.

A iniciativa também reativa uma dimensão histórica da instituição, cuja identidade visual é marcada pelo painel Alegoria das Artes, de Di Cavalcanti — o maior já realizado pelo artista. Ao inaugurar sua frente dedicada às artes visuais em parceria com a Aberto, o Teatro amplia seu papel como ponto de encontro entre patrimônio, arte contemporânea e cidade, reafirmando sua vocação para o diálogo entre diferentes linguagens artísticas.

Um detalhe guardado a sete chaves até pouco antes da abertura: na instalação do foyer, a artista escondeu uma mensagem secreta que só aparece no reflexo do chão. Como ela mesma contou ao crítico Rodrigo Moura, autor do texto que acompanha a exposição, está escrito ali um simples “Você veio”.

Exposição dá origem a colaborações inéditas

“Espiral de veludo”, 2026. Foto: Erika Mayumi.

A primeira edição da Aberto Solo também reúne iniciativas desenvolvidas em parceria com marcas que compartilham o interesse pelo diálogo entre arte, design e criatividade. As colaborações expandem a pesquisa de Luísa Matsushita para diferentes suportes, aproximando sua produção de tradições artesanais e do universo da joalheria.

Em parceria com a Bordallo Pinheiro, a artista apresenta Memória de Planta, obra que revisita um dos símbolos mais emblemáticos da marca: a folha de couve. Desenvolvida a partir de residências artísticas promovidas na Fábrica de Faianças em Caldas da Rainha, Portugal, a peça propõe uma leitura contemporânea desse ícone. “A couve é um símbolo da Bordallo Pinheiro e eu quis retrabalhar esse ícone a partir de uma visão contemporânea. Se você se permitir olhar, dá para ver todo um universo dentro delas, como os afluentes desaguando em um rio, como veias de um corpo”, afirma a artista.

A pesquisa de Matsushita também inspira uma colaboração inédita com a HStern. A partir da pintura Hambagu (2023), a joalheria desenvolveu uma pulseira que transpõe para a escala do corpo as formas e relações cromáticas presentes na obra. Produzidas em Prata de Lei e composta por rubis, esmeraldas e safiras azuis e amarelas, a joia traduz o universo visual da artista e reafirma o diálogo entre a arte contemporânea, design e alta joalheria.

Sobre a Aberto

Fundada por Filipe Assis, a Aberto é uma plataforma expositiva dedicada à arte e ao design brasileiros em diálogo com arquiteturas emblemáticas. Desde 2022, realizou exposições em casas modernistas assinadas por arquitetos como Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas, além de ocupar espaços ligados aos legados de Tomie Ohtake e Chu Ming Silveira. Em 2025, a plataforma realizou sua primeira edição internacional na Maison La Roche, projetada por Le Corbusier, em Paris, registrando o maior público desde a abertura da casa à visitação, em 1968. Em 2026, apresentou uma edição especial na Casa Bola, de Eduardo Longo, e lançou o projeto ABERTO RUA, dedicado a intervenções artísticas no espaço urbano.

Sobre o Cultura Artística 

Fundado em 1912, o Cultura Artística é um espaço dedicado à música e à formação de público, reconhecido por sua atuação na difusão de repertórios e na construção de experiências musicais relevantes. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um dos principais palcos do país, reunindo artistas nacionais e internacionais. Reaberto em agosto de 2024, o teatro reafirma sua vocação ao mesmo tempo em que amplia sua programação, incorporando novas frentes e linguagens. Saiba mais em https://culturaartistica.org.

Sobre a artista 

Foto: Pedro Bucher.

Luísa Matsushita desenvolve uma pintura marcada por composições vibrantes, nas quais cor, gesto e humor transformam elementos cotidianos em formas autônomas e singulares. Sua pesquisa explora as relações entre campos tonais e a capacidade da pintura de criar espaços íntimos, imaginários e afetivos.

Artista visual, musicista e autodidata, vive e trabalha em São Paulo. Cofundadora da banda Cansei de Ser Sexy, também foi conhecida internacionalmente como Lovefoxxx, construindo uma trajetória na música antes de direcionar sua atuação para as artes visuais. Paralelamente, aprofundou pesquisas em sustentabilidade, bioconstrução e agroecologia.

Desde 2013, desenvolve sua prática pictórica e realizou exposições individuais como Se não for pra chorar, eu nem saio de casa (Galeria Luisa Strina, São Paulo, 2023), ELA (Galerie L’Amazonie, Manaus, 2015) e Animal (Percy Gallery, Oakland, EUA, 2014). Em 2015, participou da residência artística Igarapé do Mariano, em Manaus, ampliando sua investigação sobre meio ambiente e natureza. Atualmente é representada pela galeria Mazzucchelli Cardoso.

SERVIÇO: 

Aberto Solo – Tudo que eu sei, eu aprendi à noite, de Luísa Matsushita 

Abertura: 15 de agosto, a partir das 13h

Período expositivo: até 27 de setembro

Cultura Artística – R. Nestor Pestana, 196, Consolação, São Paulo, SP

Tel.: +55 (11) 3256-0223

Grátis

Horários: Quarta a sexta, das 12h às 20h; sábados, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 18h.

(Com Patrícia Marrese/Cor Comunicação)