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Meio Ambiente & Responsabilidade Social

Ubatuba, SP

Instituto Argonauta auxilia baleia-jubarte emalhada em Ubatuba

por Kleber Patrício

A Equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha foi acionada para atender uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) juvenil avistada emalhada nas proximidades da Ponta Grossa, em Ubatuba. O animal, conhecido como Lena, já havia sido registrado na região no ano passado e voltou a ser avistado neste ano […]

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Instituto Argonauta auxilia baleia-jubarte emalhada em Ubatuba

Ubatuba, SP, por Kleber Patricio

Foto: Schliff/Pixabay.

A Equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha foi acionada para atender uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) juvenil avistada emalhada nas proximidades da Ponta Grossa, em Ubatuba.

O animal, conhecido como Lena, já havia sido registrado na região no ano passado e voltou a ser avistado neste ano durante sua passagem pelo litoral norte paulista. Após a chegada ao local, a equipe constatou a presença de petrechos de pesca presos ao
corpo da baleia. A situação exigiu avaliação cuidadosa e a aplicação de técnicas específicas de desenredamento, que auxiliaram na remoção da rede e dos cabos que restringiam os movimentos do animal.

Após a intervenção, Lena passou a se locomover com mais agilidade e afastou-se nadando rapidamente. A equipe acompanhou o animal por algum tempo e não observou novos sinais aparentes de emalhe, sendo possível verificar que a baleia havia conseguido se desvencilhar completamente da rede. Segundo Danilo Camba, integrante da equipe de desenredamento de grandes cetáceos do Instituto Argonauta, a rápida comunicação da ocorrência foi essencial para o atendimento. “Felizmente conseguimos atuar a tempo e acompanhar uma resposta positiva da baleia após a liberação. Cada caso é diferente e exige muito cuidado durante toda a operação.”

A ação foi conduzida por equipe habilitada e autorizada para atividades de desenredamento de grandes cetáceos por meio da licença SISBIO nº 99585-1, emitida pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio), seguindo protocolos técnicos e de segurança específicos para esse tipo de ocorrência. O Instituto Argonauta é a única instituição autorizada para a realização desse tipo de atividade no litoral de São Paulo.

A ocorrência reforça a importância do acionamento rápido das equipes capacitadas e da  colaboração de pescadores, navegadores, operadores de turismo e demais
usuários do mar, que frequentemente são os primeiros a identificar situações que
demandam atenção especializada. O acompanhamento da ocorrência contou também com o apoio das imagens aéreas registradas por Leandro Coelho (@horizontesdemar), que contribuíram para a observação do comportamento do animal e para a documentação da ação realizada pela equipe.

Os registros de baleias emalhadas têm se tornado cada vez mais frequentes ao longo da costa brasileira durante a temporada migratória. Essas ocorrências reforçam a importância do monitoramento, da comunicação rápida entre os usuários do mar e da adoção de boas práticas que favoreçam a convivência entre as atividades humanas e a presença desses animais. Para Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, a ocorrência também reforça a importância da observação responsável. “As baleias utilizam nosso litoral durante sua migração e a presença desses animais tem se tornado cada vez mais comum. Por isso, é fundamental que a observação seja realizada de forma responsável, respeitando seu comportamento natural e permitindo que sigam sua rota sem interferências.”

O caso também serve como um importante lembrete sobre a observação responsável de cetáceos. A aproximação de embarcações deve sempre respeitar as normas vigentes e o comportamento natural dos animais, evitando perseguições, cercamentos ou qualquer ação que interfira em seu deslocamento.

Em áreas onde há atividade pesqueira, esse cuidado torna-se ainda mais importante.
Permitir que a baleia mantenha sua rota natural reduz situações de estresse e minimiza o risco de interação com redes e outros petrechos presentes no ambiente marinho. Da mesma forma, embarcações de observação devem evitar posicionar-se de forma a direcionar ou restringir a movimentação dos animais.

Em casos de baleias emalhadas, a orientação é não tentar remover cabos, redes ou qualquer material preso ao animal. Além dos riscos envolvidos, intervenções inadequadas podem dificultar futuras ações de desenredamento. O recomendado é manter distância segura, registrar a localização e acionar equipes habilitadas para esse tipo de atendimento.

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, instituição criada pela
diretoria do Aquário de Ubatuba, atua há mais de 28 anos na pesquisa, conservação e
educação ambiental voltadas aos ecossistemas costeiros e marinhos. Por meio de ações de monitoramento, resgate, reabilitação e proteção da fauna marinha, trabalha para promover a conservação da biodiversidade e a convivência harmoniosa entre as atividades humanas e o ambiente marinho.

Sobre o Instituto Argonauta | O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1998, a partir da iniciativa da diretoria do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de promover a pesquisa científica, a conservação ambiental e a educação para a sustentabilidade no litoral norte paulista. Desde 2015, o Instituto Argonauta integra a rede de instituições executoras do Projeto de
Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

(Com Catherina Monteiro/Instituto Argonauta)

Iphan lança licitação para restauração da Igreja de São Sebastião (AM)

Manaus, AM, por Kleber Patricio

Foto: Cinthia Silva.

A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas publicou, no dia 10 de junho, o aviso de licitação para a restauração da Igreja de São Sebastião, monumento centenário localizado em frente ao Teatro Amazonas, no Centro Histórico de Manaus (AM). A concorrência prevê a contratação semi-integrada de empresa especializada para a elaboração dos projetos executivos e execução da obra. O edital está disponível no Portal de Compras do Governo Federal. A abertura das propostas está marcada para 30 de julho de 2026.

A licitação marca uma etapa aguardada pela população. A Igreja de São Sebastião está fechada há mais de um ano após o desplacamento de parte do forro ocorrido em janeiro de 2025. O incidente levou o Iphan a interditar a igreja preventivamente e, após investigação, foram descobertos problemas na cobertura do monumento, sendo necessária nova intervenção para correção. Desde então, o Iphan trabalha para garantir que a restauração seja realizada com o rigor e segurança que o patrimônio exige.

A segunda etapa das obras prevê recuperação da cobertura, reforço estrutural da torre sineira, restauração da fachada, serviços de restauração do forro e das telas artísticas, além de implantação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas, climatização e recuperação dos pisos.

Os recursos, de mais de R$ 6 milhões, são provenientes de emendas parlamentares solicitadas pela Arquidiocese de Manaus e foram disponibilizadas pelos senadores Eduardo Braga, Omar Aziz e Plínio Valério e dos deputados federais Adail Filho, Capitão Alberto Neto, Amon Mandel, Silas Câmara e Átila Lins.

Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, a publicação do edital representa um avanço concreto rumo à reabertura da igreja. “Nossa meta é fazer a contratação para arrumar a cobertura, a torre sineira, a fachada e outros serviços, e reabrir a Igreja de São Sebastião para que esse patrimônio possa estar disponível para toda a comunidade de forma segura novamente”, afirmou.

Após a homologação da licitação, que deve ocorrer até a metade de agosto, a empresa tem 18 meses para a conclusão da obra.

Uma das igrejas mais antigas do Centro Histórico de Manaus, São Sebastião é um dos símbolos da arquitetura religiosa da capital amazonense e integra o conjunto urbano tombado pelo Iphan em 2010.

Mais informações:

comunicacao@iphan.gov.br

www.gov.br/iphan

www.facebook.com/Iphangov

www.x.com/IphanGovBr

www.instagram.com/iphangovbr

www.youtube.com/IphanGovBr.

(Fonte: IPHAN)

Musical em homenagem a Dalva de Oliveira está em cartaz em São Paulo com Soraya Ravenle no papel da diva

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Em temporada até 12/7 no Teatro do SESI-SP (localizado na Av. Paulista), espetáculo traça a linda relação de Borghi com a estrela da era de ouro do rádio antes e depois de conhecê-la. Foto: João Caldas.

Tudo começou com um Renato ainda menino. Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de ‘A Branca de Neve’, onde a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira. Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções – culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar”, diz Renato Borghi.

Impulsionado por este amor incondicional, Borghi revisita suas memórias para homenagear uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Minha Estrela Dalva é a celebração dessa história, um reencontro do artista com sua musa.

Em 2026, essa memória ganha novo corpo e voz no palco através de um encontro de gigantes. Soraya Ravenle, que iniciou sua brilhante carreira no teatro musical integrando o coro de “A Estrela Dalva” (1987), grande sucesso de Borghi com Marília Pêra, retorna agora para ocupar o centro do palco e encarnar a própria Estrela. Com sua potência vocal e sensibilidade única, ela não interpreta apenas a “Rainha do Rádio”, mas a força da natureza que cantou a dor rasgada antes disso virar moda, a mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto e a garganta em chamas. Soraya traz à cena o mito humano, o “Rouxinol do Brasil” que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando cantado, vira beleza. “Nem nos meus mais belos sonhos eu poderia imaginar estar ao lado de Renato Borghi para falar de seu amor e devoção por Dalva de Oliveira, considerada por Villa-Lobos e tantas outras pessoas como a maior cantora popular brasileira. E meu primeiro musical foi A Estrela Dalva, com texto e atuação do próprio Renato, estrelado por Marília Pêra. É uma volta de 360° na minha vida, quase toda dedicada ao teatro musical brasileiro. Tenho pensado que assim como me aconteceu com Carmen, Dolores, e Isaurinha, o que faço é um trabalho de tradução. Me aproximo, investigo, estudo, decifro os códigos dessa língua Dalva Vicentina de Oliveira. De que lugar ela canta? Que caminhos sua voz faz? Que histórias essa voz conta para nós ainda hoje? Não me interessa a cópia da casca, me interessa chegar perto da sua alma e colocar a minha bem coladinha com a dela, para que juntas falemos de amor, música, machismo, coragens e medos, alegrias e tristezas de uma artista brasileira, grandiosa, inesquecível. Obrigada Dalva, por sua existência!”, declara Ravenle.

Em um jogo cênico vertiginoso, Renato Borghi divide a cena com sua própria juventude. Elcio Nogueira Seixas, que, além de dirigir o espetáculo, interpreta o Renato de 1969 — um jovem ator da contracultura que, entre a rebeldia do Teatro Oficina e o glamour do rádio, descobre em Dalva a alma do Brasil. “Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento. Só que o meu bolachão de 78 rotações foi o próprio Borghi. Hoje dirijo Minha Estrela Dalva ao lado de meu amado amigo e mestre Elias Andreato — que foi quem me aproximou do Renato. E no palco, sou ele jovem — o menino de sete anos que ouviu aquela voz pela primeira vez e nunca mais foi o mesmo. Neste espetáculo, sigo a receita antropófaga de Oswald de Andrade e faço a devoração de Renato e Dalva”, diz Elcio Nogueira Seixas.

Completando esse triângulo de paixões, Ivan Vellame empresta sua voz de rara beleza para dar vida aos amores de Dalva, com destaque para o compositor Herivelto Martins, trazendo ao palco os sambas imortais e os conflitos públicos e midiáticos que marcaram a era de ouro do rádio. “A Dalva que Renato nos traz é uma convocação para adentrarmos a vida de uma mulher que viveu de alma nua, vocacionada para o Amor e para a Arte. Eu entro representando uns cabras que estranhavam o Amor. Construindo com a direção chegamos à uma encenação não documental, onírica e mítica, mas que não perde o valor de reflexão de que esses homens, os estranhos ao Amor mas que amavam muito – Bruno, Herivelto e Kiko – viam o feminino como sinônimo de desqualificação do masculino. Eu espero que, principalmente, os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões. Se eu for vaiado em cena, por perceberem que homens assim já não estão com nada há muito tempo, vai ser lindo. Eu espero que – Homens, honremos a feminilidade que nos é intrínseca”, enfatiza Vellame.

A direção do espetáculo é dividida com o renomado Elias Andreato. O ator e diretor empresta toda sua sensibilidade e experiência para extrair o melhor de cada ator e dar forma ao texto poético escrito por Borghi. “Em Minha Estrela Dalva, Renato Borghi escreve uma declaração de amor à sua musa eterna, Dalva de Oliveira. Ao lado de Elcio Nogueira Seixas, construímos um espetáculo que é memória, música e exposição profunda. Soraya Ravenle não interpreta Dalva, ela a faz pulsar, e ver Renato se confrontar com sua própria história em cena é testemunhar um dos gestos mais íntimos e corajosos do teatro”, destaca Andreato.

“Minha Estrela Dalva” está em cartaz no Teatro do SESI-SP (Avenida Paulista, 1313), de quinta a domingo, e os ingressos são gratuitos através do site www.sesisp.org.br/eventos.

Sobre o SESI-SP

O SESI-SP oferece atividades culturais gratuitas em linguagens como música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e difusão literária. Juntas, as atividades promovidas já alcançaram a marca de quase 20 milhões de pessoas. São 19 teatros, sete centros culturais, oito espaços de exposição, três estações de cultura, 97 núcleos para iniciação e formação de pessoas nas áreas de música, teatro, dança e circo, além de uma unidade móvel que percorre todo o estado. Em 2026, mais três teatros e três centros culturais devem ser inaugurados.

A entidade reforça seu compromisso de oferecer ao público uma programação diversa, contundente e sempre gratuita, alinhada aos aspectos sociais e artísticos da contemporaneidade. Também de atuar na área de produção cultural, impulsionando a economia criativa e contribuindo para o aperfeiçoamento artístico. Em 2024, a instituição comemorou seis décadas de história, cultura e inovação de um de seus mais importantes projetos de democratização do acesso à cultura: o Teatro do SESI-SP, palco de espetáculos marcantes ao longo das últimas décadas.

Sinopse do espetáculo

Minha Estrela Dalva não é uma biografia, é um encontro impossível. Em cena, o ator e dramaturgo Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira, para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor a ela um espetáculo revolucionário onde a “Rainha da Voz” cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Neste “delírio documentado”, passado e presente se fundem sob a direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas — que também sobe ao palco para dar vida ao Renato jovem. Borghi, interpretando a si mesmo, dialoga com uma Dalva no auge de sua glória e vulnerabilidade, vivida pela premiada atriz Soraya Ravenle. Ao lado deles, o ator Ivan Vellame dá vida aos amores tempestuosos que marcaram a história da cantora, ampliando o olhar sobre sua trajetória pessoal.

A encenação ganha vida através dos arranjos e da direção musical de William Guedes, que conduz a sonoridade afetiva do espetáculo. Em cena, os corpos dos atores se movem sob a delicada direção de Roberto Alencar e Irupe Sarmiento. A atmosfera visual — criada pelo cenário monumental de Márcia Moon, pela iluminação ao mesmo tempo onírica e brutal de Wagner Pinto e pelos figurinos glamourosos de Fábio Namatame — constrói um universo onde o esplendor das rádios dos anos 50 encontra a crueza do teatro épico de Brecht, revelando a mulher por trás do mito e o fã por trás do ator.

Dalva de Oliveira e o empoderamento feminino

Em Minha Estrela Dalva, cada homem que passou pela vida de Dalva de Oliveira exerceu sobre ela uma variação do mesmo poder: o poder de definir quem ela era, quanto valia e quando deveria desaparecer. Herivelto, o marido compositor, dizia: “Fui eu que te fiz, sua caipira” — e cobrava a dívida como se o talento dela fosse propriedade dele. Kiko, o segundo marido, queria transformá-la numa diva europeia bem-comportada. Bruno roubou seu dinheiro e fugiu. A televisão acendeu um canhão de luz no seu rosto e disse que não havia como fazer um close naquela mulher envelhecida. A resposta de Dalva, que atravessa a peça como um refrão, é uma só: “Eu não tenho dono.”

Chamaram-na de Messalina, de indigna de ser mãe, de cafona, de acabada. Pelos jornais dos anos 1950, Dalva foi submetida ao mesmo linchamento público que as redes sociais aplicam hoje a qualquer mulher que ousa viver fora do roteiro. A tecnologia mudou. A lógica, não.

Mas Dalva transformou cada golpe em canção. Quando o ex-marido a difamou, ela gravou “Errei sim” e devolveu: “Que venha logo a primeira pedra me atirar.” Quando quiseram enterrá-la, cantou “Bandeira Branca” no Maracanã e o público se ajoelhou. “Se meu coração está machucado, deixo sangrar — eu canto melhor assim, de peito aberto.”

Renato Borghi, que a amou desde os seis anos de idade, escreveu esta peça não para embalsamá-la em nostalgia, mas para devolvê-la ao palco viva, contraditória e indomável — uma mulher que bebe demais, que mostra as pernas, que faz reza forte contra os ex-companheiros, que briga com o diretor e reescreve as próprias cenas. Borghi tem a sabedoria de não a idealizar, porque o que torna Dalva uma figura poderosa para as mulheres de hoje não é a perfeição — é a inteireza.

No clímax do espetáculo, Dalva canta “Jenny dos Piratas”, de Brecht e Kurt Weill: a história da mulher humilhada que um dia será a única de pé quando tudo ruir. É a convergência exata entre a emoção visceral da maior cantora popular brasileira e o teatro político. Quando lhe perguntam quem deve morrer, Jenny responde: “Todos.” É a fantasia de justiça de todas as mulheres que foram esmagadas e se recusaram a ficar no chão.

Sua história não é relíquia. É espelho. E o que vemos nele hoje é que a luta de Dalva continua sendo a de todas as mulheres.

Músicos

Nath Calan: Bateria e Percussão

Giancarlo Barletta: Baixo

Gustavo Fiel: Piano elétrico

William Guedes: Violão

Denise Ferrari: Violoncelo

Eliza Monteiro: Viola

Mica Marcondes: Violino

Ficha técnica

Idealização: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas

Dramaturgia: Renato Borghi

Direção Artística: Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas

Elenco: Renato Borghi, Soraya Ravenle, Elcio Nogueira Seixas e Ivan Vellame

Direção de Movimento: Roberto Alencar e Irupe Sarmiento

Direção Musical e Arranjos: William Guedes

Cenografia: Márcia Moon

Assistência de Cenografia e Direção de Palco: Márcio Zunhiga

Assistência de Produção e Contrarregragem: Anderson Conceição

Cenotécnico: Denis Chimanski

Figurinista: Fábio Namatame

Assistência de Figurino: Luisa Galvão

Produção de Figurino: Eliana Liu

Modelagem: Juliano Lopes

Costura: Lenilda Moura e Fernando Reinert

Design de Perucas: Feliciano San Roman

Camareiras: Aline Delgado e Maria da Graças

Maquiagem: Matheus Delgado

Colaborações na preparação vocal de Soraya: Felipe Abreu e Gilberto Chaves

Cabelo de Soraya: Beto Carramanhos

Desenho de Luz: Wagner Pinto

Assistência e Produção de Luz: Carina Tavares

Operação e Programação de Luz: Jorge Forjaz

Desenho e Operação de Som: Cecília Lüzs

Desenho de Som Associado: Roberta Helena

Direção de Produção e Administração Financeira: Lukas Cordeiro

Produção Executiva: Camila Bevilacqua

Assessoria de Imprensa: Agência Taga

Projeto Gráfico: Werner Schulz

Fotografia: João Caldas

Assistência de Fotografia: Andréia Machado

Assessoria Jurídica: Carolina Wanderley

Contabilidade: Fato Assessoria Contábil

Audiodescrição: Gangorra Audiodescrição

Interpretação em Libras: Space Libras

Redes sociais: Instagram – https://www.instagram.com/dalvaomusical.

SERVIÇO:

“Minha Estrela Dalva”

Centro Cultural Fiesp | Teatro do SESI-SP – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp)

Temporada: até 12/07

Sessões: Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Classificação etária: 14 anos

Duração: 90 minutos

Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.

Ingressos gratuitos. Reservas pelo site www.sesisp.org.br/eventos.

(Com Valentina Dewers/Agência Taga)

Roberto Camasmie apresenta exposição “Gotejar” com visita guiada

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: João Liberado.

O artista plástico Roberto Camasmie apresenta “Gotejar”, uma exposição que marca uma nova e expressiva fase de sua trajetória artística. A mostra propõe uma imersão estética onde o gesto espontâneo do gotejamento dialoga com a memória, a figuração e a força da matéria pictórica. Nesta série inédita, Camasmie explora sobreposições, texturas e camadas de cor que transformam a tela em um território de emoção e movimento. Tons vibrantes, contrastes intensos e intervenções gestuais criam composições que transitam entre o clássico e o contemporâneo, revelando uma linguagem visual renovada e profundamente autoral.

Entre os destaques da exposição está uma obra especial desenvolvida na mesma técnica da série Gotejar: uma grande tela inspirada na bandeira do Brasil incorporando os rostos dos jogadores da Seleção Brasileira. A obra presta uma homenagem aos atletas que representam o país e simboliza a união, a paixão nacional pelo futebol e a esperança do povo brasileiro na conquista do tão sonhado hexacampeonato mundial.

Como parte da programação da exposição, o artista receberá convidados para uma visita guiada especial, compartilhando os processos criativos, inspirações e reflexões que deram origem a esta nova fase.

(Com Elaine Veloso)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta “Tristão e Isolda”, de Richard Wagner

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena da montagem de Tristão e Isolda de Allex Aguilera, no Teatro de la Maestranza.
Foto: Roberto Alcain.

Conforme anunciado para a programação 2026, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta, entre os dias 22 de julho e 2 de agosto, a ópera “Tristão e Isolda” em três atos com música e libreto de Richard Wagner. A produção reúne a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal sob direção musical de Roberto Minczuk. A direção cênica, que anteriormente seria de Daniela Thomas, passa a ser do diretor brasileiro Allex Aguilera, que traz a montagem realizada no Teatro de la Maestranza, em Sevilha.

Descrita pelo próprio Wagner como o trabalho mais audacioso de sua carreira, a obra representa um marco na história da música ocidental ao expandir os limites da tonalidade e da harmonia tradicional. Seu célebre “acorde de Tristão”, apresentado logo no prelúdio, tornou-se símbolo das transformações que influenciaram profundamente a música dos séculos seguintes.

Baseada na versão de Gottfried von Strassburg para um dos mais conhecidos mitos medievais e inspirada pela filosofia de Arthur Schopenhauer, a trama acompanha a paixão avassaladora entre Tristão e Isolda, desencadeada pela ingestão acidental de uma poção de amor. O relacionamento proibido entre os dois culmina em um desfecho trágico, marcado pela célebre ária final Liebestod, um dos momentos mais emblemáticos da história da música.

O elenco conta, alternadamente, com os tenores Simon O’Neill e Michael Weinius no papel de Tristão, e as sopranos Annemarie Kremer e Eiko Senda como Isolda. Completam o elenco Leonardo Neiva (Kurwenal), Denise de Freitas (Brangäne), Hernan Iturralde (Rei Marke), Paulo Queiroz (Marinheiro) e Jessé Vieira (Timoneiro).

SOBRE O INSTITUTO BACCARELLI

Com 30 anos de trajetória, o Instituto Baccarelli é hoje uma das principais organizações sociais sem fins lucrativos do Brasil, promovendo educação, cultura e inclusão social. Com sede em Heliópolis, atende gratuitamente cerca de 1.650 alunos por ano, utilizando a música como ferramenta de transformação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A instituição também é responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo e, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, administra 12 unidades dos CEUs e as atividades do Programa Escola Aberta em 10 EMEFs, ampliando o acesso à cultura e ao ensino em 23 territórios periféricos da cidade.

A educação musical de excelência é o principal pilar do Baccarelli, oferecendo desenvolvimento pessoal e reais oportunidades de profissionalização. Entre os destaques da organização estão a construção do Teatro Baccarelli, a primeira sala de concertos em território de favela no mundo, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob direção artística do renomado maestro Isaac Karabtchevsky, e o Coral Jovem Heliópolis, todos reconhecidos nacional e internacionalmente.

Para mais informações, acesse: baccarelli.org.br.

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(Com André Santa Rosa/Theatro Municipal)