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Com mais de 20 mil m² de arte e interatividade, experiência noturna “Brilha Sonhos” chega a São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

A partir do dia 14 de maio, São Paulo recebe “Brilha Sonhos”, uma experiência imersiva ao ar livre que promete transformar o Parque Villa-Lobos em um universo onírico de luz, arte e interatividade.

Com uma proposta visual e sensorial envolvente, Brilha Sonhos convida o público a explorar diferentes cenários que combinam instalações luminosas de grande escala, elementos interativos e performances ao vivo, em um formato pensado para encantar todas as idades. A experiência ocupa mais de 20 mil m² e reúne instalações desenvolvidas por artistas proporcionando uma imersão única no universo da luz e da imaginação.

Uma jornada imersiva entre luz, imaginação e interação

A experiência acontece em um percurso ao ar livre, permitindo que cada visitante explore os ambientes no seu próprio ritmo, com diferentes pontos de interação e contemplação ao longo do caminho.

A jornada começa com um portal monumental iluminado, marcando a entrada para esse novo mundo, e evolui para espaços cada vez mais imersivos — como um corredor de laser que cria a sensação de atravessar feixes de luz, ou um “bosque de luz” formado por centenas de tubos de LED que mudam de cor e intensidade ao longo da experiência.

Ao longo do percurso, o público encontra também instalações interativas, como um conjunto de mais de 200 “piano pads” iluminados que reagem ao movimento com luz e som, criando uma experiência dinâmica e participativa.

Cada ambiente foi desenhado como um universo próprio, com estética e estímulos distintos. Entre os destaques estão cenários que exploram contrastes visuais — desde espaços mais lúdicos e contemplativos, como um jardim iluminado com milhares de pontos de luz que simulam vagalumes, até ambientes mais intensos e imersivos que utilizam luz, som e efeitos visuais para criar atmosferas surpreendentes.

A experiência também inclui esculturas e instalações em grande escala, além de marionetes iluminadas manipuladas por artistas, que interagem com o público e reforçam o caráter artístico e sensorial do percurso.

Desenvolvido para todos os públicos, Brilha Sonhos combina tecnologia, cenografia e interação em um formato acessível, ao ar livre e pensado para famílias, grupos de amigos e casais em busca de experiências noturnas diferenciadas.

Produzido pela Fever, principal plataforma global de descoberta de entretenimento ao vivo, Brilha Sonhos reforça a presença da empresa no Brasil com experiências imersivas de grande escala que conectam criatividade, tecnologia e entretenimento.

Os ingressos já estão disponíveis no app ou no site da Fever.

(Com Camila Florio/Sherlock Communications)

Casa Triângulo abre as portas para primeira individual de Thix na galeria

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Pequenos incêndios em terras onde tentaram nos arrancar tudo, 2026. Óleo sobre tela. 80 X 100 cm. Fotos: Cortesia Casa Triângulo, São Paulo.

A Casa Triângulo apresenta a primeira exposição individual de Thix na galeria: “Quarto de dormir, sala de não estar”, reunindo um conjunto inédito de 40 pinturas, objetos e desdobramentos instalativos. O texto crítico é de Maykson Cardoso.

A mostra é também a primeira em que a artista lança mão da instalação, do ready-made e do escultórico como meios de expressão para além da pintura. Na “sala de não estar” da galeria – não lugar que toda galeria é, pois que nelas ninguém habita, mas está sempre de passagem – Thix rearranja carcaças de móveis: cada uma delas é um fragmento com o qual recompõe uma nova totalidade, criando “teatralmente a atmosfera onírica e perturbadora de um ‘quarto de não dormir’”.

Thix. Faceshopping II, 2026. Óleo sobre tela. 70 X 60 cm.

Esse cenário é o centro nevrálgico da exposição, a partir do qual o público é conduzido à recepção das demais obras – todas elas informada pela inquietante biografia da artista: esse quarto é também aquele onde um menino “encarcerado” sonhava ser essa mulher que hoje se tornou. O vestido rosa, que tanto desejava na infância e lhe era vetado, multiplica-se não só nas pinturas, como nos cabides dependurados.

Tudo nessa exposição é, por isso, uma espécie de autorretrato; não só pelas conhecidas cenas de teor narrativo em que a artista se auto representa, mas também naqueles pequenos quadros camp em que figuram bibelôs inventados como “alegorias de si”. É um mergulho no imaginário da artista, atravessado por processos de transformação, luto e fabulação e articulando referências da pintura acadêmica, do artifício performático e de imaginários queer em composições levadas a explorar a fronteira entre o humano, o monstruoso e o alegórico, abarcando o desconforto de existir. Produzir presença no limiar do desaparecimento.

A exposição também inaugura o interesse da artista pela pintura como território expandido, não apenas enquanto técnica, mas como linguagem capaz de contaminar objetos. Trazendo referências da cultura queer, do barroco, da moda e da iconografia religiosa, Thix articula sedução e estranhamento, elaborando uma mitologia própria construída através da artificialidade assumida e da autoficção.

Em suas esculturas, vê-se algo semelhante: sua história estilhaçada e remontada. Remontada não porque restitui o estilhaçado à forma “original”, mas porque lhe confere uma nova, uma outra configuração. A cartela de unhas postiças agiganta-se e torna-se um móbile semelhante à “cadeia de DNA”; a crinolina de ferro lembra mais uma gaiola do que a peça estruturante da indumentária. Mas nada disso é capaz de deter a mulher livre que recusa fixar sua identidade à biologia e interroga, como em um belo verso de Raquel Alves: “como desligar a cópia do modelo | se o bicho copula | com a jaula?”. 

Thix. Sacro Coração, 2026. Óleo sobre linho. 40 x 20 cm.

Desde o processo de começar a pintar um retrato a partir da grisalha – isto é, a partir da “camada morta” e a posterior “velatura” que confere à sua pintura o contraste do chiaroscuro –, tomando como referência uma pintora de envergadura como Artemisia Gentileschi (1593–1654) ou até mesmo através do mobiliário pesado com que reconstrói seu quarto, Thix atualiza algo da estética barroca.

Marca incontestável do Barroco foi a “transitoriedade expressa no lema ‘memento mori’ – ‘lembra-te de que morrerás’ – que se encontrava sua imagem na vanitas”. No trabalho de Thix, a “transitoriedade”, porém, ganha outro sentido. Se a artista nos lembra da morte – como no quadro em que segura sua cabeça outrora barbada –, é para nos lembrar que pode haver muitas mortes necessárias em uma vida e muitas vidas possíveis após uma morte. Isto é, diferente dos artistas barrocos, que aceitavam melancolicamente a finitude inelutável, Thix aqui nos afirma que é preciso lutar, com unhas e dentes e de peito aberto, pela vida. 

SOBRE A ARTISTA 

Thix (Porto Alegre, 1982) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua produção transita entre questões de identidade, memória, corpo e fabulação, articulando diferentes linguagens visuais em exposições individuais e coletivas no circuito contemporâneo brasileiro.

Entre suas individuais recentes destacam-se Retificação (2025), no Paço das Artes, em São Paulo, com texto crítico de Bru Novaes, e Réquiem para um nome (2024), na Galeria Silvia Cintra + Box 4, no Rio de Janeiro, com curadoria da Comadre — Gabriela Davies e Maíra Marques — e texto crítico de Thiago Honório.

Participou de exposições coletivas, como Memento MoriQue Seja Casa, O Amor. Ainda Que Amar Desabrigue (2026), no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba; A Coisa Drag (2025/2026), apresentada no Centro Cultural da UFMG e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; Apocalipse, na Casa França-Brasil; além de Pequenos Formatos e O que te faz olhar pro céu?. Foi indicada ao Prêmio Pipa 2025. 

SERVIÇO:

Exposição Quarto de dormir, sala de não estar – Thix

Texto crítico: Maykson Cardoso

Abertura: 23 de maio – 14h às 18h

Período da exposição: 23 de maio a 04 de julho de 2026

Horário de funcionamento: de terça a sexta das 10h às 19h e sábado das 10h às 17h

Local: Casa Triângulo

Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins – São Paulo

Telefone: (11) 3167-5621 | www.casatriangulo.com  info@casatriangulo.com

Entrada gratuita.

(Com Bernadete Druzian/A4&Holofote Comunicação)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera “Intolleranza 1960”, de Luigi Nono, inédita na América Latina

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Ópera narra a trajetória de um trabalhador migrante em um contexto de violências e opressões; conhecida pelo uso de técnicas experimentais, obra é célebre por montagens inovadoras e experiências surpreendentes. Foto: Rafael Salvador.

Segunda ópera da temporada de 2026, “Intolleranza 1960”, de Luigi Nono, será apresentada no Theatro Municipal de São Paulo em uma estreia da obra no Brasil e na América Latina. Categorizada como uma “azione scenica”, a apresentação dessa obra ao público da capital paulista será sob a direção de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, ambos artistas renomados das artes visuais, além de escritores e cineastas. Criada no pós-guerra, ecoando as marcas do fascismo e da bomba de Hiroshima, a ópera ganha datas nos dias 5 e 6 de junho. A apresentação terá Priscila Bomfim na direção musical e Hernán Sánchez Arteaga na regência do Coro Lírico Municipal.

Com música e libreto do próprio Nono a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino, a obra narra a trajetória de um trabalhador migrante confrontado pela opressão: preso e levado a um campo de concentração, ele se torna símbolo das violências e da luta por direitos humanos no século XX. Segundo Carola Nielinger-Vakil em seu livro “Luigi Nono: a composer in context”, a obra do compositor se trata de “uma combinação única de composição de vanguarda com compromisso político”. A ópera tem patrocínio de Bradesco e Elevadores Atlas Schindler.

Foto: Rafael Salvador.

O libreto reúne textos e referências de grandes nomes do pensamento e da poesia, compondo uma dramaturgia fragmentada e intensa. Ao mesmo tempo, Intolleranza se destaca como criação de vanguarda pelo uso de técnicas experimentais, como projeções, filmes, textos e sons eletrônicos. Nono dedicou a obra ao seu sogro, Arnold Schoenberg, compositor austríaco de música erudita e criador do dodecafonismo, um dos mais revolucionários e influentes estilos de composição do século XX.

Responsável pela montagem ao lado de Eduardo Climachauska, Nuno Ramos explica os signos escolhidos para guiar a dinâmica cênica da obra. Intolleranza 1960 é uma ópera que trata a contemporaneidade enquanto catástrofe. Dessa gigantesca catástrofe elegemos alguns signos. Talvez o mais forte deles seja a cúpula que restou da explosão atômica de Hiroshima. Vamos replicar essa cúpula no palco do Theatro Municipal, e ela será um personagem forte dentro do trabalho”, pontua.

A cenografia é assinada por Renan Marcondes e Marcus Garcia, enquanto o design de luz fica a cargo de Mirella Brandi. O figurino é criado pelo estilista João Pimenta, Celso Kamura é responsável pelo desenvolvimento de visagismo e a direção de movimento e coreografia é de Alejandro Ahmed, diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo. O design de vídeo é desenvolvido por Vic Von Poser e a assistência de direção cênica e musical é realizada por Piero Schlochauer.

Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, responsáveis pela montagem de Intolleranza 1960. Foto: Divulgação.

No dia 6, o elenco conta com Peter Tantsits como Um Imigrante, Maria Carla Pino Cury como Sua Companheira e Caroline De Comi como Soprano Solo. Já no dia 5, os papéis de Um Imigrante, Sua Companheira e Soprano Solo são interpretados, respectivamente, por Giovanni Tristacci, Gabriela Geluda e Laryssa Alvarazi.

“Esta é uma experiência única que o Theatro Municipal propõe ao público brasileiro e latino-americano, afinal, trata-se de uma ópera inédita aqui e de raras montagens ao redor do globo”, explica Andrea Caruso Saturnino, superintendente do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. “Por trabalhar com uma diversidade de linguagens artísticas e acionar temas tão interessantes, essa obra tem sido inesquecível sempre que apresentada. É um acontecimento e uma alegria para todos nós ter esse título no nosso Theatro”, completa.

Vozes, gritos e sobreposições sonoras que transformam o palco em uma espécie de praça pública onde arte e política se confundem e se tensionam continuamente. Pouco conhecida do público brasileiro, Intolleranza se revela um acontecimento artístico radical, intenso e inesquecível, reafirmando sua importância para a renovação da criação operística no século XX e sua potência crítica.

SERVIÇO:

Intolleranza 1960

Ópera com música e libreto de Luigi Nono a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

Datas e horários

5 de junho, sexta-feira, às 20h

6 de junho, sábado, às 17h

Direção musical

Priscila Bomfim

Regência do Coro Lírico Municipal

Hernán Sánchez Arteaga

Direção cênica

Nuno Ramos e Eduardo Climachauska

Cenografia

Renan Marcondes e Marcus Garcia

Design de luz

Mirella Brandi

Figurino

João Pimenta

Desenvolvimento de visagismo

Celso Kamura

Direção de movimento e coreografia

Alejandro Ahmed

Design de vídeo

Vic Von Poser

Assistente de direção cênica e musical

Piero Schlochauer

Elenco

Dia 6

Peter Tantsits – Um Imigrante

Maria Carla Pino Cury – Sua Companheira

Caroline De Comi – Soprano Solo

Dia 5

Giovanni Tristacci – Um Imigrante

Gabriela Geluda – Sua Companheira

Laryssa Alvarazi – Soprano Solo

Todas as datas

Marly Montoni – Uma Mulher

Isaque Oliveira – Um Argelino

Anderson Barbosa – Um Torturado

Programa

Intolleranza 1960

Editor original: Schott Music

Representante exclusivo: Barry Editorial

Ingressos de R$ 47 a R$ 290 (inteira)

Duração de 80 minutos

Classificação: Acima de 14 anos.

(Com Letícia Santos/Theatro Municipal de São Paulo)

Espaço Porto inaugura exposição “Fotoperformance Popular”, de Alex Oliveira

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Trabalho poderá ser visitado gratuitamente na capital paulista a partir do dia 6 de junho. Foto: Alex Oliveira.

O Espaço Porto inaugura no dia 6 de junho, sábado, a exposição Fotoperformance Popular, do artista visual Alex Oliveira. A abertura acontece das 15h às 19h. A visitação gratuita acontece de quarta à sexta das 14h às 18h e finais de semana mediante agendamento prévio até 8 de agosto. Como parte da programação, Oliveira também realiza um workshop de seis dias que culminará em uma intervenção urbana na favela Monte Azul. Informações no Instagram @portodecultura.

A mostra apresenta um recorte da série desenvolvida pelo artista desde 2019 em diferentes cidades brasileiras. Na obra, transeuntes, ambulantes, trabalhadores autônomos, amigos e o próprio retratista ocupam estúdios improvisados montados em ruas, feiras livres e praças para performar identidades móveis diante da câmera. Natural de Jequié (BA), Alex Oliveira atua como fotógrafo, artista visual e filmmaker, desenvolvendo pesquisas que articulam fotografia, cultura popular e performatividade.

Alex Oliveira constrói retratos frontalizados que dialogam tanto com a fotografia de estúdio quanto com a espontaneidade da rua. A tensão central da série surge justamente do contraste entre a precariedade do dispositivo fotográfico e a formalização rigorosa da imagem, deslocando o estatuto social do retrato produzido no espaço urbano.

O projeto também propõe uma circulação expandida das imagens. Após cada sessão fotográfica, os participantes recebem cópias impressas de seus retratos em formato de postal, enquanto parte das imagens retorna ao território em forma de lambe-lambes instalados nas próprias ruas onde foram realizadas.

Desde 2025, imagens da série Fotoperformance Popular integram a coleção Fonds Brésilien de Photographies Contemporaines, da Bibliothèque Nationale de France. E, atualmente, parte das obras podem ser vistas na Sorbonne Art Gallery, em Paris.

Como desdobramento da exposição, Alex Oliveira ministra o workshop Fotoperformance: Corpo, Cidade e Ação, com duração de seis dias e carga horária total de 24 horas. Ao final das atividades, os participantes irão instalar os lambe-lambes produzidos durante as aulas na favela Monte Azul, em uma ação realizada em parceria com a Galeria Sérgio Silva. O valor das inscrições é de R$ 980.

Informações:

Instagram: @portodecultura

Site: https://portodecultura.com.br/

Exposição

O quê: Exposição Fotoperformance Popular, do artista visual Alex Oliveira em Sâo Paulo (SP)

Quando: de 6 de junho a 8 de agosto de 2026

Abertura: 6 de junho, sábado, das 15h às 19h

Visitação: de quarta a sexta, das 14h às 18h e finais de semana mediante agendamento prévio

Onde: Espaço Porto (Rua Harmonia, 925 (próximo da estação Vila Madalena do metrô)

Quanto: entrada franca

Workshop

Quando:

9 e 10 de junho – terça e quarta, das 19h às 21h

13 de junho – saída fotográfica em local a ser definido com o grupo – sábado, das 9h às 18h

16 e 17 de junho – terça e quarta, das 19h às 21h

20 de junho – colagem de lambe no Foto Beco – sábado, das 9h às 18h

Vagas limitadas

Valor: R$980

Inscrições: no site Fotoperformance.

(Com Isidoro B. Guggiana Assessoria de Imprensa)

Nova exposição da Japan House SP explora simbologia da cor branca na cultura japonesa

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Obras de Ayumi Shibata. Foto: Ayumi Shibata.

No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão.  É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do japonês), que estreou ontem, 2 de junho, na Japan House São Paulo (JHSP). A mostra, inédita, segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de outubro com entrada gratuita.

Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata – durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um, em junho do ano passado –, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, afirma Natasha.

Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.

Tomohiro Kajiyama durante criação de Land Art na neve. Foto: AOILO Co., Ltd.

No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washiKōzo, Mitsumata e Gampi também estarão em exibição.

Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.

Tomohiro Kajiyama durante criação de Land Art na neve. Foto: AOILO Co., Ltd.

Já o núcleo Neve aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as “Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. “Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.

A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).

Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.

Tomohiro Kajiyama durante criação de Land Art na neve. Foto: AOILO Co., Ltd.

A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.

Sobre os artistas:

Ayumi Shibata (Yokohama, 1982)

Artista de kiri-ê estudou xilogravura e técnica mista na National Academy School of Fine Arts, em Nova Iorque, explorando materiais e métodos de expressão. Transferiu a sua base de atuação para Paris, onde desenvolveu iniciativas internacionalmente por dois anos, incluindo a criação e exposição de suas obras no Atelier 59 Rivoli, mantido pela prefeitura de Paris. Retornou ao Japão em 2018, que tem sido sua base de atividades desde então.

Kaoru Hirano (Nagasaki, 1975)

A artista cria instalações a partir do desfazer e reconstruir, fio por fio, de roupas antigas, guarda-chuvas e outros materiais. Seu trabalho explora a memória individual, bem como relações sociais e históricas. O obteve doutorado pela Universidade Municipal de Hiroshima (2003). Realizou residências artísticas em Nova Iorque e Berlim com o apoio do Programa Artístico Japão-EUA e da Agência de Assuntos Culturais do Japão, além da bolsa de apoio da Pola Art Foundation (2010). Em 2025, recebeu uma bolsa de apoio da Fundação Adolph e Esther Gottlieb, atuando nacional e internacionalmente

Tomohiro Kajiyama (Shizuoka, 1985)

Mudou-se para Hokkaido em 2018, para Nakasatsunai Village, uma região com de cerca de 3.800 habitantes no norte do Japão. Com o objetivo de redescobrir os recursos locais, em 2019 passou a produzir snow art de forma autodidata e estabeleceu seu estilo autoral “free-leg”, baseado em caminhar livremente sobre a neve, seguindo o instinto. Criadas passo a passo em meio ao frio extremo e rigoroso, suas obras simbolizam a postura de abrir o próprio caminho na vida, além de despertar surpresa e emoção em muitas pessoas.

SERVIÇO:

Exposição “Shiro: uma escala de nuances”

Período: 2 de junho a 25 de outubro de 2026

Local: Japan House São Paulo, andar térreo – Av. Paulista, 52 – São Paulo/SP

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

Entrada gratuita.

Sobre a Japan House São Paulo (JHSP)

A Japan House é uma iniciativa internacional com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre a cultura japonesa da atualidade e divulgar políticas governamentais. Inaugurada em 30 de abril de 2017, a Japan House São Paulo foi a primeira a abrir suas portas, seguida pelas unidades de Londres e Los Angeles. Estabelecida como um dos principais pontos de interesse da celebrada Avenida Paulista, a JHSP destaca em sua fachada proposta pelo arquiteto Kengo Kuma, a arte japonesa do encaixe usando a madeira Hinoki. Desde 2017, a instituição promoveu mais de 50 exposições e cerca de mil eventos em áreas como arquitetura, tecnologia, gastronomia, moda e arte, para os quais recebeu mais de 4,7 milhões de visitantes. A oferta digital da instituição foi impulsionada e diversificada durante a Pandemia de Covid-19, atingindo mais de sete milhões de pessoas em 2020. No mesmo ano, expandiu geograficamente suas atividades para outros estados brasileiros e países da América Latina. A JHSP é certificada pelo LEED na categoria Platinum, o mais alto nível de sustentabilidade de edificações.

Confira as mídias sociais da Japan House São Paulo:

Site: https://www.japanhousesp.com.br

Instagram: https://www.instagram.com/japanhousesp

YouTube: https://www.youtube.com/japanhousesp 

Facebook: https://www.facebook.com/japanhousesp 

LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/japanhousesp.

(Com Bruna Janz/Suporte Comunicação)