Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Cia Bendita apresenta Mostra Panorama no CCSP; iniciativa revisita autores fundamentais do teatro infantil brasileiro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Programação gratuita de 27 a 31 de outubro reúne leituras encenadas, mesas de debate com artistas e pesquisadores e lançamento de livro. Fotocomposição: Divulgação.

A Cia Bendita realiza entre os dias 27 e 31 de outubro no Centro Cultural São Paulo (CCSP) a Mostra Panorama – Que História é Essa?, com leituras encenadas, mesas de debate e encontros entre artistas, dramaturgos e pesquisadores dedicados à história do teatro infantil brasileiro. A programação é gratuita e integra o projeto desenvolvido pela companhia em 2026 com apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, voltado à pesquisa, ao resgate e à difusão da dramaturgia para as infâncias.

A mostra integra um projeto mais amplo da Cia Bendita – fundada em 2012 por Jackie Obrigon e Marcelo Romagnoli – que propõe um mergulho na produção dramatúrgica voltada às infâncias, de 1948 ao ano 2000, num recorte entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ao longo de 2026, a Cia Bendita reuniu artistas, pesquisadores, educadores e grupos teatrais em um processo de investigação que procura recuperar obras, autores e experiências que ajudaram a construir o teatro infantil brasileiro.

Como parte da pesquisa, quatro grupos de diferentes regiões da cidade foram convidados a investigar dramaturgias de autores fundamentais do teatro para as infâncias. “A proposta foi escolher os textos que representassem a trajetória dos autores e pudessem estabelecer diálogo com os coletivos envolvidos”, coloca Jackie.

A Mostra Panorama reúne textos de autores fundamentais do teatro para as infâncias: A Sopa de Pedra, de Tatiana Belinky (1919-2013); Histórias de Lenços e Ventos, de Ilo Krugli (1930-2019); O Casaco Encantado, de Lucia Benedetti (1914-1989); e Pluft, o fantasminha, de Maria Clara Machado (1921-2011), e O Dia de Alan, de Vladimir Capella (1951-2015). As leituras serão realizadas pelos seguintes grupos, respectivamente: Cia Lúdicos de Teatro Popular, Grupo Rosas Periféricas, Cia Bendita, Grupo Pasárgada e Grupo Pandora de Teatro. “É importante tratar a dramaturgia para crianças como literatura e como arte, e não apenas como entretenimento. Existe uma história, existe uma pesquisa e existe um campo artístico com muitas possibilidades. Se não falarmos sobre isso, essa memória vai desaparecendo”, afirma Marcelo Romagnoli, cofundador, dramaturgo e diretor da Cia Bendita.

As leituras são acompanhadas por mesas de debate que abordam diferentes períodos e perspectivas dessa produção. No dia 27, o encontro Histórias daquela Cena, com mediação de Gabriela Romeu, reúne Ronaldo Ciambroni, Angelo Brandini e Osvaldo Gabrieli. No dia 28, Lucas Larcher medeia a conversa Que História é Essa? A cronologia do teatro infantil brasileiro, com Maria Lucia Pupo, Eduardo Bartolomeu e Cris Lozano.

Em 29 de outubro, a mesa Histórias daquele Palco, mediada por Mônica Rodrigues Costa, conta com Theodora Ribeiro, Luiz Amorim e Cibele Troyano. No dia 30, Dib Carneiro Neto conduz Histórias de Hoje – O moderno teatro para crianças, com Carla Candiotto, Tuna Serzedello e Amauri Falseti. Os encontros aproximam diferentes gerações de artistas e pesquisadores para discutir a memória, as transformações e os caminhos do teatro para as infâncias.

No último dia da mostra, 31 de outubro, às 15h, acontece o lançamento do livro Dramaturgia – Cinco textos de teatro para todas as idades, de Marcelo Romagnoli. Às 17h, o Grupo Pandora de Teatro realiza, no espaço externo do CCSP, a leitura de O Dia de Alan, de Vladimir Capella.

Sobre a Cia Bendita

Fundada em 2012 por Jackie Obrigon e Marcelo Romagnoli, a Cia Bendita é um grupo de São Paulo dedicado à produção teatral para crianças e jovens. Ao longo de 14 anos de trajetória, desenvolveu uma dramaturgia contemporânea e ações de formação que incluem encontros de dramaturgia, oficinas, materiais didáticos, encontros com educadores e atividades com estudantes da rede pública. A companhia recebeu prêmios como APCA, Coca-Cola Femsa e Prêmio SP de Incentivo ao Teatro Jovem. Seu núcleo artístico é formado também por Guto Togniazollo, Fausto Franco e Bruno Garcia. Atualmente, mantém parceria com a Corpo Rastreado na produção de seus projetos.

O repertório da Cia Bendita reúne  Terremota (2012), Gagá (2017), Elagalinha (2019), Fábula (2022) e O Retrato de Janete (2024).

SERVIÇO:

Mostra Panorama – “Que História é Essa?”

Data: 27 a 31 de outubro de 2026 | Entrada Gratuita

Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo

27/10, terça-feira

18h – Leitura de A Sopa de Pedra, de Tatiana Belinky, pela Cia Lúdicos de Teatro Popular

19h30 – Mesa “Histórias daquela Cena”

Mediação: Gabriela Romeu

Participantes: Ronaldo Ciambroni, Angelo Brandini e Osvaldo Gabrieli

28/10, quarta-feira

18h – Leitura de Histórias de Lenços e Ventos, de Ilo Krugli, pelo Grupo Rosas Periféricas

19h30 – Mesa “Que História é Essa? A cronologia do teatro infantil brasileiro”

Mediação: Lucas Larcher

Participantes: Maria Lucia Pupo, Eduardo Bartolomeu e Cris Lozano

29/10, quinta-feira

18h – Leitura de O Casaco Encantado, de Lucia Benedetti, pela Cia Bendita

19h30 – Mesa “Histórias daquele Palco”

Mediação: Mônica Rodrigues Costa

Participantes: Theodora Ribeiro, Luiz Amorim e Cibele Troyano

30/10, sexta-feira

18h – Leitura de Pluft, o fantasminha, de Maria Clara Machado, pelo Grupo Pasárgada

19h30 – Mesa “Histórias de Hoje – O moderno teatro para crianças”

Mediação: Dib Carneiro Neto

Participantes: Carla Candiotto, Tuna Serzedello e Amauri Falseti

31/10, sábado

15h – Lançamento do livro Dramaturgia – Cinco textos de teatro para todas as idades, de Marcelo Romagnoli, na Biblioteca do CCSP

17h – Leitura de O Dia de Alan, de Vladimir Capella, pelo Grupo Pandora de Teatro, no espaço externo do CCSP.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Carioca Matsuri transforma o Rio em uma grande imersão na cultura japonesa

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Evento acontece de 31/10 a 2/11 com mais de 80 horas de programação e expectativa de receber 35 mil pessoas; entre os destaques um restaurante temático comandado pelo chef estrelado Michelin André Kawai. Fotos: Divulgação/Carioca Matsuri.

O Carioca Matsuri, a maior experiência imersiva em gastronomia e cultura japonesa do Brasil, será realizado entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro de 2026 no Riocentro, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Com uma proposta contemporânea e sensorial, o Carioca Matsuri 2026 reunirá gastronomia, cultura tradicional japonesa, universo otaku e atrações musicais. Serão mais de 80 horas de programação, distribuídas por uma área de mais de 11 mil m², com expectativa de receber cerca de 35 mil pessoas. O impacto econômico é estimado em R$ 7 milhões, com a geração de mais de 300 empregos diretos e indiretos.

A gastronomia ocupa papel central no festival. Além de pratos tradicionais, haverá comidas de rua famosas no Japão e ainda pouco encontradas no circuito de restaurantes cariocas. Entre os chefs confirmados está André Kawai, um dos principais nomes da gastronomia japonesa no Brasil, Embaixador da Boa Vontade para a Difusão da Culinária Japonesa pelo Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão. O título oficial reconhece profissionais que promovem a cultura alimentar do Japão e seus produtos no exterior.

Workshop de Origami.

Detentor de uma estrela Michelin, Kawai é embaixador gastronômico do Carioca Matsuri e presidente da Nagoya Sushi School — considerada a maior escola especializada em gastronomia japonesa do mundo — e da Associação Geral de Sushi do Brasil. No evento, comandará um restaurante temático com uma experiência premium para o público.

O festival também oferecerá oficinas gratuitas de gastronomia em um espaço dedicado aos sabores e às tradições da culinária japonesa. Ao longo dos três dias, chefs e profissionais de destaque da gastronomia japonesa no Brasil estarão à frente das atividades. Os participantes poderão acompanhar de perto o preparo de diferentes pratos, conhecer técnicas e ingredientes e degustar as receitas preparadas durante as próprias aulas. O acesso será gratuito e por ordem de chegada, sem necessidade de inscrição ou retirada antecipada de ingresso.

Inspirado nos festivais populares japoneses, que celebram cultura, convivência e comunidade, o Carioca Matsuri 2026 propõe um encontro que atravessa linguagens e gerações. Ao longo dos três dias, o público poderá acompanhar apresentações de taikô, danças tradicionais, workshops culturais, demonstrações de artes marciais, shows musicais e atrações da cultura pop japonesa, incluindo dubladores, bandas de anime songs e painéis temáticos.

Nikuman.

Haverá ainda desfiles diários de cosplay, com participação do público e inscrições no próprio local. No dia 31 de outubro, também haverá uma categoria especial destinada a personagens e caracterizações inspirados no Halloween. O Carioca Matsuri também será palco da grande final do Mega Cosplay, com premiação total de R$ 15 mil: R$ 8 mil para o campeão, R$ 4 mil para o vice-campeão, R$ 2 mil para o terceiro colocado e R$ 1 mil para o destaque.

Além da loja oficial do Carioca Matsuri em parceria com a Super Fan, o público poderá visitar os expositores do festival e encontrar uma seleção de artigos, produtos e acessórios ligados à cultura japonesa e ao universo otaku, com opções para levar um pedacinho do Japão para casa.

Apresentações musicais e atrações para toda a família

Entre as atrações musicais estará o YuYu20, responsável pelas versões brasileiras das músicas do anime Yu Yu Hakusho, levando aos palcos a trilha sonora que marcou milhares de fãs e se tornou um verdadeiro clássico da cultura pop japonesa. Grandes nomes da canção japonesa e anime songs como Elize Fleury, Karen Ito, Susana Sano, Pamela Yuri, a dupla Cintia Nishimura e Humberto Kenji Sasazaki, entre outros, participarão do evento, assim como Rodrigo Rossi, que apresentará o show “Esferas do zodíaco” ao vivo em comemoração aos 40 anos de Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball. Haverá apresentação do Ryuka Sousaku Eisa Taiko, que se dedica à preservação e divulgação da cultura de Okinawa por meio do Sosaku Eisa, uma expressão contemporânea que une taikos, música, figurinos tradicionais e coreografias vibrantes em um espetáculo cheio de energia e emoção.

Guioza.

Também marcará presença o Tamagusuku Ryu Kotaro Kai Omine Hatsue  Ryubu Dojo, que se dedica à preservação do Ryukyu Buyo (Odori), a tradicional dança clássica de Okinawa, reconhecida por sua elegância, delicadeza e riqueza de movimentos que atravessam gerações.

Entre as atrações para as crianças, o parque inflável Hello Kitty and Friends reúne personagens como Hello Kitty, My Melody, Kuromi e Cinnamoroll em uma experiência lúdica repleta de brincadeiras, cenários temáticos e diversão para toda a família. As crianças poderão explorar um circuito com infláveis, escorregador, cama elástica, área de fotos e atividades interativas, proporcionando uma experiência divertida que celebra a amizade, a imaginação e a magia dos personagens mais queridos da Sanrio.

A programação também contará com os prestigiados dubladores Guilherme Briggs, Wendel Bezerra, Feh Dantas, Tati Keplmair, Vyni Takahashi, entre outros. A Sato Company marca presença com exposição de armaduras a partir de trajes icônicos de séries como Kamen Rider Black e Jaspion e do Cine Sato Company, um espaço dedicado à exibição de trailers, prévias, conteúdos especiais e novidades do universo do tokusatsu, anime e cinema asiático.

Sky Bridge Experience.

Durante todos os dias do evento, a Arena Dance Party vai colocar todo mundo para dançar, com sessões de freeplay e desafios em um espaço totalmente dedicado ao game que já conquistou o público dancer. O Carioca Matsuri contará, ainda, com o Press Start, evento gamer itinerante que reúne games, tecnologia, nostalgia e experiências interativas para diferentes gerações. No Carioca Matsuri, o Press Start ganhará uma edição especial, com uma curadoria de jogos e consoles japoneses, além de experiências para jogar, explorar e se divertir.

Haverá ainda workshops gratuitos de mangá, origami, pixel art, shuji, oshibana, ikebana e bonsai e demonstrações de artes marciais, como Judô, Karatê-Do, Sumô, Aikido e Kendo, com participação do público, atividades de undokai, gincanas lúdicas para toda a família, uma área de games com jogos tradicionais gratuitos e o espaço Kimono Experience, em que os espectadores podem vestir Kimonos e Yukatas originais do Japão.

O evento conta com Rodrigo Coelho, o “Coelho no Japão”, como Embaixador Otaku do festival. Uma das maiores referências em Nintendo e cultura japonesa no Brasil, Rodrigo construiu uma grande comunidade nas redes sociais compartilhando experiências no Japão, curiosidades culturais e os bastidores do universo gamer. Durante os três dias, ele estará no palco principal comandando conteúdos sobre cultura otaku e games, além de receber criadores de conteúdo, convidados e fãs no Lounge VIP.

Tradição e futuro marcam o festival

Pixel Art.

Outro eixo central do Carioca Matsuri 2026 é a construção de uma experiência cenográfica inspirada na dualidade entre tradição e futuro, marca registrada do imaginário japonês. A proposta é reunir, em um mesmo espaço, manifestações culturais históricas ao lado de ativações tecnológicas e elementos da cultura otaku oriental.

A atração internacional Sky Bridge Experience, da Japan Foundation, conecta o evento a essa experiência tecnológica no Rio de Janeiro. O Sky Bridge, originalmente desenvolvido para os planetários no Japão, foi convertido especialmente para a plataforma VR (realidade virtual), e faz parte de uma série de projetos de arte cênica de cooperação internacional da Fundação Japão. O projeto trata do intercâmbio cultural em sua totalidade, ou seja, artes plásticas, música, poesia e trabalho em conjunto. Neste caso, as relações entre japoneses e brasileiros, juntos, organizando um projeto não só para o Japão e o Brasil, mas para o mundo.

“O Carioca Matsuri nasce da vontade de criar uma experiência cultural ainda mais completa e surpreendente para o público carioca. Existe um desejo muito grande de aproximar as pessoas de aspectos da cultura japonesa que elas normalmente só encontrariam em grandes festivais internacionais ou até mesmo no próprio Japão”, afirma Takao Sato, CEO da Tasa Eventos, realizadora do festival ao lado da Agência Siga.

Yuyu.

O Carioca Matsuri é idealizado a partir do legado do Rio Matsuri, festival que construiu forte conexão afetiva com o público ao longo dos anos e aconteceu pela última vez em 2020, reunindo historicamente mais de 120 mil pessoas. Em nova fase, com nova identidade e nova gestão, o projeto se consolida como a principal celebração imersiva da cultura japonesa no Estado do Rio de Janeiro.

Sobre o Carioca Matsuri

O Carioca Matsuri nasce como a evolução do legado do consagrado Rio Matsuri, ampliando sua proposta e consolidando-se como uma das principais celebrações da cultura japonesa no Estado do Rio de Janeiro. O festival reúne tradição e contemporaneidade em uma programação diversa, oferecendo ao público uma experiência completa que conecta gastronomia, arte, cultura, entretenimento e imersão cultural em um só lugar. O evento conta com apoio da Emirates e apoio institucional da Sakura Alimentos e da Ajinomoto Food Service.

Tasa Eventos

É a maior produtora de Matsuris (os festivais de cultura japonesa) do Brasil, com uma edição anual em Maringá (PR), quatro em Santa Catarina, oito no Estado de São Paulo, além do Jungle Matsuri (em Manaus) e agora o Carioca Matsuri, no Rio de Janeiro.  Vencedora de 12 Prêmios Caio Nacional, sendo cinco Jacarés de Ouro na categoria evento artístico-cultural com o case “Festival Nipo Brasileiro de Maringá”. O Prêmio Caio é considerado o mais importante prêmio do mercado de eventos no Brasil.

Agência Siga

Agência de eventos e experiência de marca que atua no Rio de Janeiro, desde 2021, com projetos voltados para grandes players do mercado – como L’Oréal, Magalu, Águas do Rio, Época Cosméticos, Allos, Rádio Tupi, Senac entre outros. Desde 2022, a SIGA investe em projetos proprietários voltados à aquisição direta (verba marketing) ou via leis de incentivo (renúncia fiscal), com destaque para o “Festival 021” – três edições realizadas com 60 mil pessoas presentes, e o “Press Start”, evento itinerante de games em shoppings que já passou por 10 cidades e reuniu mais de 90 mil pessoas.

SERVIÇO:

Carioca Matsuri 2026

Data: 31 de outubro, 1 e 2 de novembro de 2026

Horário: 11h às 22h

Local: Riocentro – Rio de Janeiro (RJ)

Ingressos: disponíveis pela plataforma Ticketmaster

https://www.ticketmaster.com.br/event/carioca-matsuri-2026

Gratuidade para crianças de até 10 anos e 11 meses acompanhadas de um adulto pagante

Realização: Tasa Eventos e SIGA.AG

Site oficial: https://cariocamatsuri.com.br/

Instagram: https://www.instagram.com/cariocamatsuri/.

(Com Beatriz Caillaux)   

SESI-SP apresenta comédia afetiva “Meu Remédio”, de Mouhamed Harfouch, em Campinas

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo em que o ator canta e toca violão desembarca em cinco cidades do Interior do Estado. Fotos: Claudia Ribeiro.

O ator, cantor e compositor Mouhamed Harfouch leva o solo “Meu Remédio”, inspirado na própria história, aos palcos do SESI no Interior de São Paulo, em uma turnê de 24 sessões por cinco cidades. A montagem já passou por Rio Claro, Itapetininga e Sorocaba e agora chega ao Teatro do SESI Campinas Amoreiras (Av. das Amoreiras, 450 – Pq. Itália), de 21 a 24 de outubro. Na sequência, a circulação segue para Ribeirão Preto, com apresentações programadas até 1º de novembro. De graça. Escrito, produzido e interpretado pelo próprio ator, com direção de João Fonseca (dos musicais “Djavan – uma história pra contar”, “Tim Maia: Vale Tudo”, “Cazuza: pro dia nascer feliz” e “Cássia Eller”, entre outros espetáculos), o solo autobiográfico chega premiado (Melhor Solo pelo Prêmio Arcanjo 2025 e Melhor Dramaturgia na FITA – Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis) depois de reunir mais de 10 mil espectadores em três temporadas seguidas de casa cheia no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Com mais de 30 anos de carreira, Harfouch é filho de pai muçulmano sírio e mãe católica brasileira, criado no Rio de Janeiro nos anos 1980 entre duas heranças que levou tempo para conciliar. Meu Remédio nasceu, segundo o próprio autor, com vocação de estrada: “Eu quis criar esse espetáculo pra ser meu espetáculo de bolso, pra eu poder ter sempre debaixo do meu braço e levar pra onde pudesse”, conta. “Ele foi pensado pra ser simples, pra funcionar em qualquer lugar e poder ser adaptável.” É essa vocação, aliada a um cenário assinado por Nello Maresse e a uma dramaturgia que dispensa grandes estruturas técnicas, que agora permite à peça circular por cinco teatros do SESI no interior paulista sem perder a potência que já emocionou plateias no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Não tem nada inventado ali, é tudo que aconteceu comigo, nessa minha tentativa de me entender enquanto filho de imigrantes e pertencente a tantas culturas”, resume Harfouch sobre o texto.

Comédia afetiva

Em 2020, ainda na pandemia, Harfouch e Fonseca haviam estreado on-line um primeiro monólogo do ator, Homem de Lata, sobre paternidade. Passada a pandemia, era desejo do diretor remontá-lo nos palcos, mas o ator sentiu que o texto tinha ficado datado e decidiu escrever uma história nova. Foi o início de Meu Remédio, que levou dois anos para ficar pronto. “Eu escrevia uma parte e deixava, tipo vinho, encostado”, relembra. “Achei que realmente eu não ia montar essa peça”. Coube a Fonseca não o deixar desistir. “Se não fosse o João, eu não sei se eu teria elaborado tudo, porque ele ficava no meu pé”, reconhece Harfouch, que assumiu sozinho quase todas as frentes do projeto. “Nesse espetáculo eu fui meio polvo: escrevi, produzi, fiz a trilha, atuo”, brinca, e preferiu não também dirigir. “Eu tinha curiosidade, pensei em dirigir. Aí eu falei: não tenho condição, já faço muita coisa. E o João foi um parceiro fundamental, porque ele tem um olhar muito doce, muito assertivo.”

O processo de escrita funcionou também como elaboração pessoal, ainda que Harfouch nunca tenha feito análise. Muitos psicólogos, terapeutas e psicanalistas que assistiram ao espetáculo acharam que só podia ser fruto de anos de terapia e chegavam a chamá-lo de “paciente em remissão”. “Eu sempre dizia que nunca tinha feito análise”, conta. “Na verdade, o teatro foi meu grande terapeuta.” A definição que prefere para o gênero da peça nasceu da mesma lógica, quando descartou o rótulo ‘comédia terapêutica’, sugerido por parte da crítica: “É uma comédia afetiva”, corrige. “Terapêutica”, explica, “soa clínico demais”. Ele já perdeu a conta de psicólogos que o procuraram depois de assistir ao espetáculo.

Há ainda uma coincidência que o próprio autor gosta de destacar: Meu Remédio estreou, em janeiro de 2025, no mesmo teatro carioca onde Harfouch debutara como ator, 30 anos antes. “Tudo ligado. Muito simbólico”, resume. O resultado é, segundo ele, deliberadamente despretensioso. Chegou a resistir a incluir música e violão em cena, por temer parecer “aquele ator que quer mostrar que é polivalente”, até que as canções se encaixaram sozinhas na narrativa, como Carimbador Maluco, de Jorge Ben Jor, que dialoga com uma fala do próprio texto: “Meu nome era um carimbo, um rótulo, um crachá.”

Mais de 10 mil espectadores e duas temporadas esgotadas

A trajetória de Meu Remédio já rendeu números que poucos solos autorais alcançam. Depois da estreia carioca, em janeiro de 2025, e de passagens pela FITA (Festa Internacional de Teatro de Angra) e por Juiz de Fora, o espetáculo ficou em cartaz no Rio até agosto: praticamente um ano seguido de fins de semana em cena, segundo o próprio ator. Em São Paulo, foram duas temporadas consecutivas: primeiro no Teatro Santos Augusta, entre fevereiro e abril, onde, nas palavras de Harfouch, “a gente bombou, lotou, esgotou”; depois no Teatro Multiplan, no Morumbi Shopping, onde soma quase cem apresentações. No total, mais de dez mil pessoas já viram a peça.

A crítica também endossou: em resenha de quatro estrelas, o jornalista Miguel Arcanjo Prado descreveu Meu Remédio como “uma sofisticada ode à ancestralidade” e “um antídoto contra o preconceito”. Já Tânia Brandão, do blog Folias Teatrais, brincou com as farmácias vizinhas ao teatro para recomendar a peça: “esqueça a farmácia e escolha ir ao luminoso teatro, para tratar de si com mais carinho”. 

Direção de João Fonseca é focada no ator

A direção de João Fonseca, ele explica, “é focada na atuação do Mouhamed e na sua capacidade em interpretar diversos personagens diferentes apenas através do seu trabalho corporal e vocal”. Fonseca diz que “o cenário e o figurino vão se transformando junto com o personagem, e a luz preenche o palco vazio ajudando a criar todos os lugares da jornada dele”. João conheceu Mouhamed na Cia Limite 151 onde o ator fez uma substituição num espetáculo que havia dirigido. “Desde então queríamos trabalhar juntos. Antes da pandemia começamos a elaborar um projeto que teve que ser interrompido e se transformou no Homem de Lata, espetáculo on-line de sucesso. Assim que acabou a pandemia, retomamos a ideia de um espetáculo presencial e daí nasceu Meu Remédio.”

Diversidade e pertencimento

Se o ponto de partida é a própria biografia do ator (um pai que fala outra língua, uma família paterna que ele nunca conheceu pessoalmente porque ficou na Síria, um nome que soava estranho no Rio de Janeiro dos anos 1980), o alcance da peça extrapola a origem árabe. “Esse espetáculo, na verdade, comunica com todo mundo que é imigrante. Não é sobre uma cultura, mas é sobre diversas culturas”, afirma Harfouch. Ele guarda um episódio recente como símbolo desse alcance: um jovem ator judeu assistiu ao espetáculo e voltou no fim de semana seguinte acompanhado do próprio pai, também judeu, que “adorou o espetáculo”.

Para o autor, o cerne da peça não é a xenofobia em si, mas o que ela provoca em quem cresce tentando pertencer a um lugar que não é totalmente seu. “A partir do momento que uma criança tenta repelir o seu nome e a sua origem só porque quer ser aceita, a gente está falando de camadas profundas, de um preconceito que o imigrante, ou o filho de imigrante, acaba importando: querer pertencer a uma coletividade que não é sua e negar a sua própria para poder existir”, explica. Não é incomum, segundo ele, encontrar espectadores que já assistiram ao espetáculo cinco vezes e que, a cada nova sessão, levam um parente diferente. Crianças também aderem: “As crianças piram no espetáculo porque é muito lúdico”, conta, lembrando que a turma inteira do filho, de nove anos, foi assistir. Não por acaso, a sinopse oficial resume o mote do texto numa frase que também funciona como sua segunda linha de assinatura: todo nome guarda uma história para contar.

Há também uma camada mais silenciosa por trás da peça. Harfouch estreou o espetáculo em janeiro de 2025 e, um mês depois, perdeu a própria mãe, a mesma que interpreta em cena, ao lado do pai e de outros personagens da família. “Minha mãe nem viu a peça. Não teve tempo”, diz. “São coisas que a gente não sabe o porquê, mas eu intuo que o teatro me fez escrever isso para ser meu processo de luto e de passagem. Quando você fala da sua verdade, ela comunica, ela ecoa”, resume o ator, citando Liev Tolstói e Ariano Suassuna como referências para a ideia de que o regional, quando é verdadeiro, se torna universal. Há quem já sugira a Harfouch outros desdobramentos para a história (um livro, uma série, um filme), mas por ora ele prefere esgotar a temporada em palco: “Ainda tenho o Brasil inteiro para viajar com essa peça”, projeta.

Ficha Técnica 

Idealização e texto: Mouhamed Harfouch. Elenco: Mouhamed Harfouch. Direção: João Fonseca. Figurinos: Ney Madeira e Dani Vidal. Cenário: Nello Maresse. Iluminação: Dani Sanches. Produção executiva: Edmundo Lippi. Coordenação geral: Gustavo Merighi. Operação de som e luz: Ícaro. Contrarregra: Marcelo. Programação visual: Lucas Sancho. Mídia e tráfego: GuiiuG Comunicação. Fotografia: Gustavo de Freitas. Assessoria de imprensa: Arte Plural — M. Fernanda Teixeira e Mauricio Barreira. Realização: Gustavo Merighi Produções Artísticas.

SERVIÇO:

Meu Remédio — Turnê Sesi Interior de São Paulo

Comédia dramática de e com Mouhamed Harfouch. Direção de João Fonseca.

Duração aproximada de 70 minutos. Classificação livre. Gratuito.

Campinas 

Teatro do SESI Campinas Amoreiras. Av. das Amoreiras, 450 – Pq. Itália. 

Tel.: (19) 3772-4100.

21, 22, 23 e 24 de outubro de 2026, 20h.

Link para reservas.

Circulação pelo Interior:

Ribeirão Preto

Teatro do SESI Ribeirão Preto. R. João Ignacchitti, 20-364 – Jardim Castelo Branco.

Tel.: (16) 3603-7300.

29, 30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 2026.

(Com Mauricio Barreira/Arteplural Comunicação)

Projeto Arapenas promove oficinas gratuitas de costura e reaproveitamento de tecidos

Indaiatuba, SP, por Kleber Patricio

Iniciativa utiliza técnicas de upcycling para transformar restos de tecidos em objetos e peças utilitárias, estimulando práticas ligadas à economia circular, criatividade e geração de renda. Fotos: Kora Prince.

Transformar aquilo que seria descartado em uma nova possibilidade de uso é a proposta do Projeto Arapenas, que realiza, em outubro, oficinas gratuitas de iniciação artística e costura em diferentes espaços de Indaiatuba, município da Região Metropolitana de Campinas (SP). A iniciativa utiliza técnicas de upcycling, conceito relacionado ao reaproveitamento criativo de materiais, para ensinar os participantes a transformar restos de tecidos em novos objetos e peças utilitárias.

Durante as oficinas, os participantes terão contato com elementos das artes visuais, como desenho, fotografia e moda, enquanto aprendem a produzir objetos a partir de sobras de tecidos. Cada oficina terá seis horas de duração e, além da formação para a confecção das peças, pretende oferecer conhecimentos que possam ser utilizados posteriormente na produção e comercialização dos objetos, aproximando a atividade dos princípios da economia criativa e da geração de renda.

A programação é voltada prioritariamente a mulheres de diversos bairros e pessoas em situação de vulnerabilidade social, e integra uma proposta que relaciona sustentabilidade, empoderamento feminino e geração de renda. O projeto prevê seis oficinas de iniciação artística, com 12 vagas cada, além de eventos culturais para apresentar as peças produzidas e estimular a economia criativa. Em Indaiatuba, as oficinas serão realizadas na Casa Anália Franco, no Instituto Atos 4, na Casa da Fraternidade e na Associação de Bairro do Jardim Brasil. As inscrições serão feitas presencialmente nas próprias instituições. O projeto contará ainda com três eventos de encerramento, em que as participantes receberão certificados de participação, poderão expor as obras em uma feira de artesanatos e participarão de um evento cultural com música, desfile e fotografia. Dois deles serão realizados nos dias 31/10, às 16 horas, na Associação de Bairro do Jardim Brasil, e 04/11, na Casa Anália Franco.

A proposta dialoga com um desafio ambiental que cresce junto com o consumo de roupas. Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartados anualmente pelos domicílios brasileiros. Parte desse material é encaminhada aos aterros sanitários, aumentando a pressão sobre o sistema de gestão de resíduos e contribuindo para impactos ambientais associados à produção, ao descarte e à decomposição dos tecidos. Nesse cenário, a economia circular propõe uma mudança na forma de olhar para os materiais. “Em vez de considerar um produto como algo que tem valor apenas até o momento do descarte, a lógica é prolongar sua utilização, reaproveitar seus componentes e criar novos ciclos de uso. No Arapenas, esse conceito é trabalhado de forma prática, por meio da costura e da criação artística”, explica Roberto Limberger, arte-educador do projeto.

O Arapenas é realizado pela Papillon Produções Artísticas, com apoio do Instituto Ideia Coletiva, e conta com patrocínio da MANN + HUMMEL por meio do ProAC ICMS, programa de ação cultural do Estado de São Paulo.

SERVIÇO:

Projeto Arapenas SP: Oficinas gratuitas de costura e reaproveitamento de tecidos

Casa Anália Franco (2 oficinas)

Data: 19, 21, 26 e 28/10 – segundas e quartas-feiras

Horário: das 13h30 às 16h30

Endereço: Rua Celestino Guimarães, 74, Centro – Indaiatuba

Instituto Atos 4 – Abrigo Institucional Feminino (1 oficina)

Data: 26 e 27/10 – segunda e terça-feira

Horário: das 9 às 12 horas

Endereço: Rua Ademar Von Ah, 840, Jardim Aldrovandi – Indaiatuba

Casa da Fraternidade (1 oficina)

Data: 20 e 27/10 – terças-feiras

Horário: das 14 às 17 horas

Endereço: Rua Antônio Vaciloto, 275, Jardim Oliveira Camargo – Indaiatuba

Associação de Bairro do Jardim Brasil (2 oficinas)

Data: 22 e 29/10 – quintas-feiras

Horário: das 9 às 12 horas e das 13 às 16h30

Endereço: Rua Lourenço Martins do Amaral, 271, Jd. Brasil – Indaiatuba

Eventos de encerramento:

Casa Anália Franco

Data: 04/nov – quarta-feira

Horário: das 13h30 às 16h30

Endereço: Rua Celestino Guimarães, 74, Centro – Indaiatuba

Associação de Bairro do Jardim Brasil

Data: 31/10 – sábado

Horário: das 16 às 18 horas

Endereço: Rua Lourenço Martins do Amaral, 271, Jd. Brasil – Indaiatuba.

(Com Carol Cerqueira/Fábrica de Histórias)

Artestil apresenta “A Doce Arte de Viver”, de Juarez Machado, em homenagem ao artista

Curitiba, PR, por Kleber Patricio

Imagens: Divulgação/Artestil.

A Artestil Galeria de Arte inaugurou no último sábado, 17 de outubro, a exposição “A Doce Arte de Viver – La Dolce Art de Vivre”, de Juarez Machado. A mostra estava pronta e com abertura marcada quando o artista faleceu, no último dia 6 de outubro, aos 85 anos.

Representante de Juarez Machado, a galeria consultou a família sobre o futuro da exposição. A decisão foi mantê-la. “Vamos continuar com a exposição porque meu pai gostaria que suas obras continuassem vivas”, afirmou João Machado, filho do artista. Com isso, a mostra ganha um novo sentido: passa a ser uma homenagem a Juarez e à sua família. A Artestil assume o compromisso de realizar esse desejo e de celebrar a vida do artista e sua contribuição imperecível ao mundo da arte.

O título da exposição resume o espírito de sua obra. Em telas de cores intensas, Juarez Machado retratou a boemia, a música, a dança e os encontros, com personagens elegantes e teatrais que se tornaram sua assinatura. Reunidas agora, as obras convidam o público a celebrar justamente aquilo que o artista mais pintou: o prazer de viver.

Juarez Machado nasceu em Joinville (SC), em 1941, e estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Pintor, escultor, desenhista e ilustrador, construiu um universo próprio, reconhecível à primeira vista. Em 1986 mudou-se para Paris, onde viveu e trabalhou por quatro décadas. De lá, levou o olhar brasileiro ao mundo, com exposições em diversos países e obras em importantes coleções. Sua arte permanece, seu traço permanece, sua história permanece.

(Com Emelin Leszczynski/Isabela França Conteúdo Estratégico)