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Show ‘Bar Brasil – Canções, Histórias e Encontros’ reúne Beto Guedes, Luiz Carlos Sá, 14 Bis e Tuia nesta sexta-feira (14) no Espaço Unimed

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Bar Brasil reúne pela primeira vez Beto Guedes, Luiz Carlos SÁ, 14 Bis e Tuia. Artes: Divulgação.

Um espetáculo que é um território vivo da música brasileira – essa é a definição do projeto “Bar Brasil – Canções, Histórias e Encontros”, que chega ao Espaço Unimed na sexta-feira (14), com Beto Guedes, Luiz Carlos Sá, 14 Bis e Tuia. No palco os artistas se encontram, guiados pelo espírito do lendário Bar Brasil. Mais que unir repertórios, trata-se praticamente de uma conversa que atravessa gerações. Tuia dá continuidade ao rock rural pioneiro de Sá. Beto Guedes traz a força atemporal da música mineira e do Clube da Esquina. 14 Bis é o elo pulsante, a banda que foi a base de SÁ & Guarabyra e depois criou uma identidade única, costurando o rural à sofisticação pop-rock. Juntos, recriam no palco o clima de liberdade e emoção daquele bar mítico. É uma celebração afetiva, onde poesia, melodia e história se fundem em uma experiência compartilhada. É um diálogo musical que mantém viva a alma inventiva brasileira.

O Bar Brasil 

Cartaz do espetáculo.

O Bar Brasil é um daqueles lugares que ajudam a contar a história da música brasileira. Ponto de encontro da turma do Clube da Esquina, o bar reunia artistas, poetas, compositores e amigos que ali faziam da noite uma extensão natural da criação.

Foi nesse ambiente livre, afetivo e musical que Beto Guedes cantarolou pela primeira vez a melodia que viria a se tornar “Sol de Primavera”, anotada por sua esposa num guardanapo. Uma cena que por si só define a alma do local.

Nos anos 90, o Bar Brasil voltou a pulsar como referência, agora como reduto de uma nova geração de músicos e bandas, que dividia mesas, histórias e sonhos com nomes já consagrados.

O “Bar Brasil – Canções, Histórias e Encontros” é um projeto único, onde o rock rural encontra o Clube da Esquina, a poesia encontra a estrada e as vozes se unem para confirmar que algumas músicas, assim como os homens e os sonhos, não envelhecem.

SERVIÇO:

Bar Brasil com Beto Guedes, Luiz Carlos Sá, 14 Bis e Tuia no Espaço Unimed 

Data:14 de agosto de 2026 (sexta-feira)

Horários: Abertura da casa: 20h | Início do show: 22h

Local: Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo – SP)

Ingressos – Setor Platinum:  R$ 480,00 (inteira) e R$ 240,00 (meia-entrada) | Setor Azul Premium: R$ 420,00 (inteira) e R$ 210,00 (meia-entrada) | Setor Azul: R$ 380,00 (inteira) e R$ 190,00 (meia-entrada) | Setores A, B, C: R$ 340,00 (inteira) e R$ 170,00 (meia-entrada) | Setores E, F, G: R$ 280,00 (inteira) e R$ 140,00 (meia-entrada) | Setores I, J: R$ 240,00 (inteira) e R$ 120,00 (meia-entrada) | Camarote A: R$ 420,00 |  Camarote B:  R$ 380,00 | Setor PCD: R$ 240,00 (meia-entrada) e R$ 120,00 (meia-entrada)

Compras de ingressos:  Online pelo link https://www.ticket360.com.br/evento/33255/ingressos-para-bar-brasil-com-beto-guedes-luiz-carlos-sa-14-bis-e-tuia ou na bilheteria do Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795 – 01156-000, Barra Funda – São Paulo/SP). Funcionamento de segunda a sábado, das 10h às 17h – exceto feriados. Bilheteria virtual: A compra pela bilheteria virtual não tem acréscimo de taxa de serviço e tem como forma de pagamento cartão de crédito ou pix. Para ativar a compra através do aplicativo, esteja no local no raio máximo de 500 metros (isento da taxa).

Classificação etária: 18 anos

Acesso para deficientes: sim

Objetos proibidos: Câmera fotográfica profissional ou semi profissional (câmeras grandes com zoom externo ou que trocam de lente), filmadoras de vídeo, gravadores de áudio, canetas laser, qualquer tipo de tripé, pau de selfie, camisas de time, correntes e cinturões, garrafas plásticas, bebidas alcóolicas, substâncias tóxicas, fogos de artifício, inflamáveis em geral, objetos que possam causar ferimentos, armas de fogo, armas brancas, copos de vidro e vidros em geral, alimentos e bebidas, latas de alumínio, guarda-chuva, jornais, revistas, bandeiras e faixas, capacetes de motos e similares.

(Com Paola Correa/Access Mídia)

Sesc Belenzinho apresenta vivências gratuitas de Balé Afro e Samba Rock

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Programação de agosto destaca a dança como linguagem sensível, ancestral e patrimônio cultural com encontros conduzidos por artistas e companhias convidadas. Foto: Rafel e Vitor.

Ao longo de agosto, o Sesc Belenzinho promove uma programação de vivências em dança que convida o público a experimentar diferentes formas de expressão corporal a partir de tradições afrodiaspóricas e da cultura urbana paulista. Gratuitas e voltadas para pessoas a partir de 12 anos, as atividades ocorrem na Praça Central e no Térreo, propondo experiências que valorizam o movimento como espaço de criação, convivência e reconhecimento das diversas matrizes culturais presentes na formação brasileira.

Integrando o projeto Dança em Si, a Vivência de Balé Afro, com Rafel e Vitor, parte das danças tradicionais da Guiné Conacri, especialmente das culturas Malinke, Sussu e Baga, para investigar o corpo como território de percepção, memória e imaginação. A proposta estabelece conexões entre essas matrizes e manifestações afro-brasileiras, como samba, funk, hip hop e capoeira, estimulando cada participante a construir gestos próprios, em uma prática que privilegia a escuta do corpo e a autonomia criativa.

Já o projeto Conexões Dançantes dedica sua programação de agosto ao Samba Rock, reconhecido como patrimônio cultural imaterial e expressão marcante da cultura negra paulista. Conduzidas por Bruno Magnata e pela Cia Samba Rocker’s, as vivências apresentam a dança como prática coletiva, baseada na escuta, na improvisação e na condução compartilhada. Os encontros abordam o Samba Rock como linguagem, memória e espaço de encontro entre diferentes corpos, gerações e histórias.

Ao reunir essas duas propostas, a programação destaca a dança como prática artística e social capaz de fortalecer vínculos, ampliar repertórios corporais e aproximar o público de saberes transmitidos por meio do movimento. Em comum, as atividades reconhecem o corpo como produtor de conhecimento e valorizam experiências acessíveis, inclusivas e abertas à diversidade de trajetórias e níveis de experiência.

ATIVIDADES

Vivência de Balé Afro | projeto Dança em Si

Com Rafel e Vitor

De 01 a 29/8

Sábados, 15h30 às 17h

Local: Praça central

Grátis. Aberto ao público.

Recomendado para maiores de 12 anos.

A atividade se afasta de padrões coreográficos rígidos para valorizar a autonomia corporal e a construção de gestos autorais, promovendo uma escuta interna que amplia a consciência do corpo em movimento. Ao mesmo tempo, estabelece pontes entre as tradições africanas e as expressões afro-brasileiras, como o samba, o funk, o hip hop e a capoeira, reconhecendo o corpo como produtor de conhecimento e território de atravessamentos culturais.

Vivência de Samba Rock: Da batucada ao Groove | projeto Conexões Dançantes, com Bruno Magnata e a Cia Samba Rocker’s

De 02/8 a 30/8

Domingos, das 15h30 às 17h, na Praça Central;

Terças, das 19h às 20h, no Átrio.

Grátis. Aberto ao público.

Recomendado para maiores de 12 anos.

As aulas propõem uma imersão prática e reflexiva nessa expressão da cultura urbana paulista, compreendendo a dança como linguagem, memória e território de encontro, onde o corpo é atravessado por histórias, afetos e contextos sociais, e que a dança se constrói na relação: entre pessoas, ritmos, espaços e culturas. O Samba Rock é apresentado não apenas como técnica ou repertório de passos, mas como prática viva, coletiva e em constante transformação.

SERVIÇO:

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Transporte público:  Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Estacionamento: De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.    Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | @sescbelenzinho.

(Com Andressa Santiago/Sesc Belenzinho)

Três países, três estilos: a Albariño mostra sua versatilidade

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Da Galícia ao litoral uruguaio, uma mesma uva encontra novas formas de se expressar. Foto: Divulgação.

Poucas uvas brancas conseguem ser tão frescas, aromáticas e gastronômicas ao mesmo tempo quanto a Albariño. Nascida na Galícia, no noroeste da Espanha, ela viajou o mundo e encontrou em Portugal e no Uruguai novos terroirs para se expressar, sempre preservando o que a torna única: vinhos vibrantes, elegantes e com uma acidez que conquista à primeira taça. A uva tem até seu dia: o Dia da Uva Albariño, celebrado no dia 1º de agosto. A sommelière Stephani Mercado selecionou três rótulos que traduzem como Espanha, Portugal e Uruguai interpretam a uva Albariño, cada um a seu modo. “A Albariño carrega em qualquer lugar do mundo aromas intensos e acidez vibrante, mas cada terroir imprime sua assinatura. Na Espanha, mineralidade e elegância. Em Portugal, volume de boca e equilíbrio. No Uruguai, a salinidade e o frescor oceânico”, explica a sommelière.

A clássica espanhola

O rótulo Mar de Frades Albariño é um dos grandes nomes da Denominação de Origem Rías Baixas. A proximidade do Oceano Atlântico dá ao vinho frescor e uma mineralidade marcante, com aromas de frutas cítricas, frutas brancas e toques florais delicados. É a porta de entrada perfeita para quem quer conhecer a Albariño em sua versão mais tradicional, ideal para acompanhar ostras, peixes e frutos do mar. Onde comprar: https://www.topwines.com.br/vinho-branco-mar-de-frades-albarino.

O frescor português

Em Portugal, a uva ganha o nome de Alvarinho e origina vinhos elegantes e aromáticos, como o Vila Nova Alvarinho. Notas de frutas brancas e cítricas dividem espaço com toques minerais, enquanto na boca o vinho surpreende pelo volume e pelo final fresco e equilibrado. Combina bem com saladas, sushis, sashimis e qualquer refeição leve em dia de calor. Onde comprar: https://www.topwines.com.br/vinho-branco-vila-nova-alvarinho.

A influência oceânica uruguaia

Já o Don Pascual Coastal Albariño nasce sob forte influência atlântica e resulta em um vinho vibrante, com aromas de melão, limão siciliano e notas herbáceas. Na boca, a acidez se une a sutis notas salinas e a um final longo e refrescante, uma boa escolha para harmonizar com ceviches, frutos do mar e comida japonesa. Onde comprar: https://www.costibebidas.com.br/vinho-don-pascual-coastal-albarino-750ml.

(Com Gabriella Garland/Hercog Comunicação)

Coral Armênio celebra centenário com extensa programação cultural

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Imigrantes celebram centenário em calendário de música e ações de valorização da cultura armênia. Foto: Divulgação.

Há exatamente um século, um grupo de imigrantes armênios sobreviventes do genocídio perpetrado pelo Império Otomano encontrou na música a força necessária para reconstruir sua identidade. Nascido em São Paulo, o Coral Vahakn Minassian atinge em 2026 o marco de 100 anos de atividades ininterruptas.

Para celebrar o centenário, a SAMA-Clube Armênio, entidade que abriga o Coral, convida para uma programação especial de concertos, ações de preservação patrimonial e o lançamento de uma obra que pretende eternizar o centenário do grupo em um livro histórico-fotográfico.

PROGRAMAÇÃO CULTURAL

Homenagem ao Coral Vahakn Minassian

Organizado pelo comissário para Assuntos da Diáspora da Armênia no Brasil. Durante a cerimônia, os integrantes e lideranças do coral receberão certificados, além da Medalha de Honra e Homenagem da República da Armênia.

Data: 30 de agosto (domingo)

Local: SAMA Clube Armênio

Av. Professor Ascendino Reis, 1450 – Vila Clementino, São Paulo – SP, CEP 04027-000

Apresentação do Coral Vahakn Minassian – Centenário e Lançamento de Livro Comemorativo

Espetáculo especial para celebrar os 100 anos do coral.

Data: 8 de novembro (domingo)

Local: Teatro Maria Imaculada, Av. Bernardino de Campos, 79 – Paraíso, São Paulo – SP, CEP 04004-041

Memória registrada em livro

A historiadora Dra. Sonia Maria de Freitas (USP), especialista na imigração armênia no Brasil e pesquisadora aposentada do Museu da Imigração, prepara um novo livro dedicado exclusivamente à trajetória do coral. O lançamento está confirmado para o dia 8 de novembro de 2026. A obra encerra uma trilogia fundamental da autora sobre a herança armênia em São Paulo, que já conta com os títulos Presença Armênia em São Paulo (2019) e Entrelaçando linhas e memórias: bordadeiras armênias em São Paulo (2023).

Resgatar o passado, unir gerações

Fundado em 1926 como Coral Kussan Armênio de São Paulo, o grupo é considerado a primeira manifestação cultural organizada da diáspora armênia no Brasil. O termo Kussan significa “trovador” em armênio, uma menção direta aos guardiões da tradição musical oral. Desde a sua criação, o coral assumiu a missão de salvaguardar uma herança musical que remonta a pelo menos quatro milênios antes de Cristo. Incorporado pela Sociedade Artística e Musical Melodias Armênias (SAMA), fundada em 1941, o Kussan passou a ser denominado ‘Melodias Armênias’, que frequentemente se apresentava no programa radiofônico semanal produzido pela entidade. Ao longo das décadas, o grupo consolidou-se como símbolo de resistência cultural. Suas apresentações passaram por igrejas, teatros, clubes e festivais de prestígio, tanto no Brasil quanto no exterior.

Marcos históricos e legado

A trajetória do coral confunde-se com a própria história da imigração armênia no país. Sob a liderança do maestro e compositor Vahakn Minassian, seu organizador, o grupo construiu um repertório robusto que transita pela música folclórica, popular e erudita. Entre seus momentos de maior orgulho está o ano de 1950, quando o grupo protagonizou a primeira montagem mundial fora da Armênia da ópera “Anuch” — uma das obras mais importantes do cancioneiro armênio. Em 1983, o grupo passou a ser denominado Coral Vahakn Minassian, imortalizando o legado artístico do grande maestro.

Mais do que festejar uma instituição centenária, as comemorações de 2026 jogam luz sobre a contribuição do coral para a diversidade cultural brasileira. O projeto demonstra como a arte foi capaz de guiar e mobilizar uma comunidade de sobreviventes do Genocídio Armênio na preservação de sua identidade através de sucessivas gerações.

(Com Bruno Passos Cotrim/Libris)

Pesquisa internacional resgata concertos de sociedade musical criada por Maurice Ravel e que marcou época na Europa no início do século 20

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Os nove fundadores da Sociedade Musical Independente em foto de junho de 1910. Foto: Wikicommons.

Idealizada no início do século 20 pelo francês Maurice Ravel (1875–1937) e um marco importante dos movimentos de renovação da música contemporânea, a Société Musicale Indépendante (Sociedade Musical Independente, ou SMI) ganhou o mais completo dossiê já feito sobre os seus 26 anos de existência. O trabalho é resultado de uma longa investigação liderada por pesquisadores franceses em parceria com a brasileira Danieli Verônica Longo Benedetti, pianista, professora e pesquisadora do Instituto de Artes da Unesp.

Do espetáculo inaugural em 20 de abril de 1910 até a apresentação derradeira em 3 de maio de 1935, a documentação dos 172 concertos organizados pelos “independentes” da França está disponível ao público em geral, contribuindo para o entendimento do processo histórico de renovação pelo qual passava a música erudita francesa e europeia no começo do século passado. O material está disponível na plataforma Dezède, rede de pesquisa de arquivamento digital sobre a produção de espetáculos na França, fundada por professores das universidades de Rouen Normandia, Toulouse Jean Jaurès e Paul-Valéry Montpellier.

O dossiê, de 421 páginas no total, começou a ser elaborado em março de 2022 e foi lançado oficialmente em 18 de junho passado. Os editores científicos são o pesquisador francês Manuel Cornejo, fundador e presidente da Associação Amigos de Maurice Ravel, e a docente da Unesp. O professor Yannick Simon, da Universidade Toulouse Jean Jaurés, também colaborou com o processo de construção do trabalho, agora apresentado como referência sobre a Sociedade Musical Independente. Até então, o livro “L’avant-garde musicale et ses sociétés à Paris de 1871 a 1939”, lançado em 1997 pelo pesquisador canadense Michel Duchesneau, era a principal fonte sobre a sociedade de concertos criada por Maurice Ravel e outros oito músicos.

Em 1910, um grupo de nove compositores assina o manifesto de fundação da SMI como reação à conduta pouco receptiva a novas tendências musicais por parte da Société Nationale de Musique (Sociedade Nacional de Música, ou SNM). O órgão, subvencionado pelo governo francês, foi criado sob um enraizado espírito nacionalista instalado na França nas décadas posteriores à Guerra Franco-Prussiana (1870–71). Nesse sentido, enquanto a sociedade nacional, que existu de 1871 até 1998, apoiava basicamente o mesmo grupo de compositores franceses, os “independentes” franceses se associavam para divulgar a música contemporânea sem distinção de escola ou nacionalidade.

O manifesto do comitê fundador da SMI é um dos documentos digitalizados para o dossiê na Dezède, junto com correspondências trocadas pelos membros do comitê da sociedade, a produção da imprensa especializada da época e os programas das salas de concerto, que estavam espalhados por arquivos da França, Áustria, Espanha, Estados Unidos e Itália.

A Sociedade Musical Independente abriu espaço a musicistas e um grande número de obras em um contexto histórico de “virada de página” do romantismo. A partir de 1921, a presença cada vez mais significativa de compositores estrangeiros agregados ao grupo levaria a criação de um comitê estrangeiro da SMI, com nomes como o húngaro Béla Bartók, o espanhol Manuel de Falla, o austríaco Arnold Schönberg, o italiano Alfredo Casella, o romeno George Enescu e o russo Igor Stravinsky, figura central do modernismo musical. “A Sociedade Musical Independente era aberta e curiosa a toda novidade da música contemporânea, independentemente se a nacionalidade era francesa ou não. Por isso também a participação do (brasileiro Heitor) Villa-Lobos e de compositores de outras nacionalidades”, afirma a professora Danieli Longo Benedetti.

Algumas segmentações especiais integram o dossiê, como uma voltada às mulheres compositoras de obras exibidas nos concertos da Sociedade Musical Independente e outra destinada aos brasileiros que participaram de alguma forma dos concertos organizados pela sociedade, esta última realizada por influência da professora da Unesp. A pesquisa em torno dos brasileiros destacou oito pessoas: os compositores Heitor Villa-Lobos, Oswaldo Guerra e Luciano Gallet; e as intérpretes Elsie Houston, Lucília Villa-Lobos, Julieta de Menezes, Yecla de Menezes e Magdalena Tagliaferro. “Foi uma pesquisa feita com fontes primárias e buscamos esgotar as possibilidades de levantamento sobre a programação em análise, valorizando todo tipo de pequena informação existente, colocando algumas notas sobre quem estava presente no dia do concerto e a forma como a imprensa, geral ou segmentada, noticiava (os espetáculos)”, afirma a professora, que estuda as sociedades musicais francesas há duas décadas.

Foi no contexto de afirmação dos ‘independentes’ franceses como sociedade de concertos que Maurice Ravel, um dos líderes do movimento, compôs o “Bolero”, obra feita em 1928 para a bailarina russa Ida Rubinstein e que se tornou uma das músicas eruditas ocidentais mais tocadas no século passado, além de um grande estudo de instrumentação de orquestra. “Quando Ravel escreveu o Bolero, o tonalismo – quando uma composição é escrita em torno de uma tonalidade – já não era mais uma referência (próprio de movimentos artísticos e estéticos de séculos anteriores). No caso do Bolero, Ravel compôs um tema simples e o repetiu, explorando os diferentes timbres de uma orquestra: flauta, fagote, oboé…”, resume a professora Danieli Longo Benedetti. Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.

(Fonte: Assessoria de imprensa Unesp)