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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Duas exposições ocupam o Marcio Gobbi Escritório de Arte

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Obra de  Sergio Vidal.

O Marcio Gobbi Escritório de Arte, em São Paulo, apresenta simultaneamente as exposições “Mestres da Pintura Espontânea” e “Kaleidos”, ambas sob curadoria de Fedra de Faria Rugiero e Marcio Gobbi. Realizadas no mesmo espaço, as mostras colocam em diálogo obras de artistas da pintura espontânea brasileira e a produção de três artistas contemporâneos. A ocasião marca também o relançamento do livro “Mestres da Pintura Espontânea”, de Roberto Rugiero, dedicado à obra de expoentes dessa arte brasileira. A abertura acontece no dia 22 de abril.

A exposição Mestres da Pintura Espontânea apresenta cerca de quarenta obras de artistas reunidos no livro homônimo. A seleção reúne nomes de diferentes regiões do país e evidencia a diversidade de linguagens presentes na chamada pintura espontânea brasileira. Acrílica, óleo e pastel sobre tela, além de grafite e lápis de cor sobre papel, compõem o conjunto de técnicas presentes na mostra. O projeto dialoga diretamente com a pesquisa conduzida por Roberto Rugiero, cuja publicação se tornou referência para o estudo e a divulgação dessa vertente artística, ao reunir e contextualizar a produção de artistas de diferentes regiões do Brasil. É uma oportunidade ímpar de apreciar, lado a lado, os expoentes dessa pintura livre e verdadeira, inerente à manifestação da arte feita por pessoas simples e autodidatas, com seus símbolos próprios e contextos pessoais.

Céu D’Ellia – Bodhisattva Ex Machina, Lápis de cor sobre papel.

Na sala ao lado, a mostra Kaleidos — palavra de origem grega associada à ideia de “formas belas” — reúne trabalhos de Alexandre Segrégio, Ana Tamanini e Céu D’Ellia. Embora desenvolvam pesquisas visuais bastante distintas, os três artistas são aproximados pela curadoria a partir da relação entre luz e forma. Alexandre Segrégio apresenta pinturas que exploram a paisagem natural com rigor hiper-realista, frequentemente centradas em representações de florestas. Ana Tamanini, artista que iniciou sua trajetória ainda na adolescência e teve como professores Wesley Duke Lee e Otto Stupakoff, desenvolve uma investigação pictórica baseada em estudos da geometria sagrada e dos chamados quadrados mágicos presentes em tapetes orientais. Já Céu D’Ellia, conhecido internacionalmente por sua atuação no cinema de animação, revela parte de sua pesquisa estética que (segundo a crítica de arte Denise Mattar) “borram as fronteiras entre as linguagens verbal e visual, dilatando os limites artificialmente construídos pela crítica”. Ao aproximar artistas de formações e linguagens distintas, Kaleidos propõe olhar os diferentes modos de traduzir luz em forma. A exposição reúne cerca de quinze obras e destaca a diversidade de abordagens presentes na produção contemporânea.

Apresentadas simultaneamente, Mestres da Pintura Espontânea e Kaleidos estabelecem um encontro entre diferentes tempos e perspectivas da produção artística. Enquanto a primeira destaca a força expressiva da pintura espontânea brasileira reunida na pesquisa de Roberto Rugiero, a segunda aproxima três artistas contemporâneos cujas investigações visuais simultaneamente colidem, somam e se opõem. No conjunto, as duas mostras convidam o público a percorrer um panorama que atravessa tradições, linguagens e sensibilidades.

SERVIÇO:

Exposições Mestres da Pintura Espontânea e Kaleidos

Curadores: Fedra de Faria Rugiero e Márcio Gobbi

Abertura: 22 de abril, quarta-feira, das 18 às 22h

Período: de 23 de abril a 22 de maio de 2026

Local: Marcio Gobbi Escritório de Arte

Endereço: Rua dos Ingleses, 165 – Bela Vista, São Paulo, SP – 01329-000

Telefone: (11) 99941.6481

Horário: de segunda a sexta-feira das 11 às 17hs

E-mail: Marciogobbi@gmail.com.br | fedra@galeriabrasiliana.com.br

Site: – www.marciogobbi.com.br | www.galeriabrasiliana.com.br

Instagram: @gobbi_escritoriodearte | @galeriabrasiliana.

(Com Silvia Balady/Balady Comunicação)

Fantasia e cumplicidade em “À Procura de João”, estreia infantil no Teatro Arthur Azevedo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo de Paula Autran transforma uma história real em viagem imaginária sobre alteridade, afeto e comunicação. Fotos: Massashi Saito.

Com dramaturgia de Paula Autran e direção assinada por ela em parceria com Fabio Brandi Torres, “À Procura de João”, novo trabalho da Cia das histórias que não se contam, estreia no Teatro Arthur Azevedo. Em temporada gratuita de 25 de abril a 17 de maio, aos sábados e domingos, às 16h (com sessões extras em 6 de maio, às 10h30 e 14h), a montagem é protagonizada por Camila dos Anjos, José Trassi e Rafael de Bonna, revezando com Bianca Lopresti e Marcos Gomes. Inspirado em um caso real, o espetáculo fabula sobre uma família atravessada por desafios de comunicação e aposta na imaginação como forma de permanência do vínculo.

Na dramaturgia criada por Paula Autran, João é um menino que, após uma doença repentina, deixa de se comunicar. Para tratar do tema, a autora opta por fabular a situação. O foco da montagem está na relação do personagem-título com a irmã mais nova, Carol — é ela quem permanece mais próxima dele, inventando formas sensíveis de interação.

“Os dois descobrem uma maneira secreta de se comunicar. Quando estão sozinhos no quarto dele, à noite, conversam e brincam bastante. É um mundo que os adultos não conseguem acessar. Intrigados por essa situação, João e Carol resolvem buscar uma cura e, inspirados pelos livros, passam a visitar outros Joões para conseguir ajuda”, conta Autran, que divide a direção com Fabio Brandi Torres.

A dupla viaja para um mundo fantástico à procura de João e o Pé de Feijão, João e Maria, João Pestana (figura folclórica portuguesa que carrega um pó mágico para fazer as pessoas dormirem) e João Grilo (personagem oriundo das histórias de cordel). Ao final, mesmo sem encontrar um antídoto, o laço entre eles se fortalece, pois viveram uma grande aventura juntos. “A cumplicidade se torna mais importante do que qualquer coisa”, completa a dramaturga Paula.

Sobre a encenação

A encenação aposta na ludicidade para encantar o público. “Não falamos explicitamente sobre a situação do menino. Nos interessa mais a relação entre essas personagens. O pai, por exemplo, tem uma dificuldade de conexão muito grande com o garoto e isso se transforma no final”, comenta Torres.

Além disso, para a narrativa estar no campo mágico, a cama gigante, onde o protagonista fica, se transforma em navio, avião, carro de corrida, moto e outros meios de transporte. Os objetos cênicos também apostam na força da imaginação. As criações do cenógrafo Julio Dojcsar envolvem um feijão grande, gravetos e outros itens bastante coloridos.

Uma cortina de voal chamativa complementa o ambiente. Inclusive, haverá cenas em que a ação acontece por meio das sombras, atrás dessa estrutura. Os figurinos de Anne Cerutti são pijamas cheios de cores – exceto a roupa do pai, que remete diretamente a uma vida fora de casa.

Outro ponto crucial para a construção de À Procura de João foi o trabalho corporal. Mônica Brito Bernardes elaborou coreografias para representar as crises de um jeito poético. “Por meio da música e dos movimentos, percebemos quando o personagem está feliz, e quando acontecem os momentos de tristeza”, diz Fabio.

A trilha sonora é original e será executada ao vivo. Os atores-músicos tocam ukulele, violão e percussão, dando o tom à narrativa.

Atividades paralelas

Ao longo da temporada, os artistas realizam a oficina A escrita do texto teatral e a alteridade: como criar esse outro de mim mesmo? Com duração de 10 horas, a atividade é composta de quatro encontros online.

Por meio de exercícios práticos e explicações teóricas, os participantes conhecem características da escrita teatral. A ideia é refletir sobre como sair de si para dar voz ao outro que é o personagem teatral, além de outros questionamentos pertinentes.

Outra ação do projeto é fazer quatro apresentações destinadas apenas aos alunos da rede pública, contribuindo para a formação cultural deles.

Sinopse | Inspirado em uma história real, À Procura de João acompanha João e sua irmã Carol, que descobrem uma forma secreta e mágica de se comunicar quando estão sozinhos no quarto dele. Intrigados por esse mistério, os dois embarcam numa viagem imaginária pelo universo das histórias para encontrar outros personagens chamados João — como João do Pé de Feijão, João e Maria, João Grilo e João Pestana. Em meio a aventuras e encontros fantásticos, os irmãos percebem que a força que os une e a imaginação compartilhada são capazes de transformar a realidade e abrir caminhos para novas descobertas.

Sobre a Cia das histórias que não se contam

A Cia das histórias que não se contam, capitaneada por Paula Autran e Fabio Brandi Torres, nasceu em 2015 do desejo de falar sobre temas delicados. Em carreira solo, Paula já havia focado em outra questão sensível, a leucemia, na peça O armário mágico, pela qual foi indicada ao Prêmio Femsa de Autor Revelação em 2009. Em seu primeiro trabalho, a Cia levou à cena a questão da fissura de lábio palatina com a peça O menino que não sabia chorar (2015) e que concorreu ao Prêmio Femsa de Melhor Ator para Fernando Fecchio. Este espetáculo foi remontado em 2025. Agora, a Cia se debruça sobre o difícil tema de uma criança que, a partir de uma doença, acaba tendo que viver na cama, sem movimentos e a capacidade de comunicação, no espetáculo À procura de João, contemplado na 21a Edição do Prêmio Zé Renato. A Cia se propõe a tratar estes assuntos complexos a partir das relações familiares, principalmente entre irmãos, que acabam por sensibilizar toda a família. As montagens apostam na criatividade e na musicalidade para envolver o público e sensibilizá-lo por meio da diversão.

FICHA TÉCNICA

Texto: Paula Autran

Direção: Fabio Brandi Torres e Paula Autran

Elenco: Camila dos Anjos, José Trassi, Rafael De Bona

Stand-ins: Bianca Lopresti, Marcos Gomes

Cenário: Julio Dojcsar

Figurino: Anne Cerutti

Direção Musical e Música original: Sérvulo Augusto

Letras das músicas: Sérvulo Augusto, Fabio Brandi Torres e Paula Autran

Iluminação: Lucas Gonçalves

Coreografia: Monika Bernardes

Confecção da cama: Serralheria Zito

Costura Cênica: Atelier de Costura Dona Cecília

Costureiras dos Figurinos: Benedita Apelina e Lis Regina

Fotos e filmagem: Massashi Saito

Mídias Sociais: Flávio Petins e Clarissa Tobar

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

Operação de som: Leandro Goulart e Aratan Brasil

Operação de luz: Yorran Soares

Produção e Narração de Audiodescrição: Adamy

Produção Geral: Stella Tobar e Fernando Maffia

Este projeto foi contemplado pela 21ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

SERVIÇO:

À Procura de João | Cia das histórias que não se contam

Data: 25 de abril a 17 de maio, aos sábados e domingos, às 16h | Dia 6 de maio, às 10h30 e às 14h

Local: Teatro Arthur Azevedo – São Paulo – Av. Paes de Barros, 955, Mooca, São Paulo, SP

Apresentações gratuitas

Recomendação: a partir de 6 anos

Duração: 60 minutos

Acessibilidade: teatro é acessível para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida | Haverá 1 apresentação em LIBRAS.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Maior exposição mundial de Yoshitaka Amano chega ao CCBB RJ

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Obra: Japan, 1995.

Chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, a partir do dia 22 de abril de 2026, a maior exposição da carreira do artista japonês Yoshitaka Amano, um dos grandes ícones da cultura pop mundial. Com 218 obras originais, incluindo trabalhos inéditos, a mostra “Yoshitaka Amano – Além da Fantasia” apresentará pinturas e ilustrações de um dos mais celebrados artistas da atualidade.

Com curadoria e idealização de Antonio Curti, a mostra ocupará todas as salas do segundo andar do CCBB RJ e incluirá um espaço imersivo, que completará a experiência do público por meio da tecnologia. Esta será uma oportunidade para o público ver de perto a obra deste aclamado artista. “Os visitantes poderão conhecer obras nunca exibidas, incluindo grandes peças em alumínio – algo que só pode ser plenamente apreciado ao ver o trabalho original pessoalmente”, afirma o artista, que está muito animado com a exposição. “Fico verdadeiramente feliz em ver uma nova mostra sendo realizada no Brasil, depois da exposição em São Paulo, em 2024. É uma honra ter essa oportunidade, especialmente com o projeto se expandindo de maneira tão significativa. Estou ansioso por isso”. 

Dividida em sete núcleos temáticos – Tatsunoko, Final Fantasy, Candy Girl, Devaloka, Vampire Hunter D, Angel’s Egg e Colaborações – a mostra revela as múltiplas facetas do trabalho de Yoshitaka Amano. “Yoshitaka Amano é uma lenda tanto no mundo da arte quanto no universo geek”, afirma o curador Antonio Curti. A exposição irá surpreender tanto quem acompanha o trabalho do artista, quanto quem nunca teve contato com a sua obra. “Para quem já conhece Amano, a mostra aprofunda o entendimento de sua trajetória e revela obras raras, processos e nuances que poucos tiveram a oportunidade de ver de perto. Para quem chega a ele pela primeira vez, é uma porta de entrada para um universo visual absolutamente singular, onde cada linha, cor e movimento carregam uma poética própria. A ideia é que todos, fãs ou iniciantes, encontrem aqui uma experiência que os conecte com a sensibilidade e a imaginação extraordinária desse artista”, afirma Curti.

The City, 1994.

A trajetória de Yoshitaka Amano começou na Tatsunoko, estúdio responsável por marcos da animação japonesa, mas foi com Final Fantasy que Amano marcou seu lugar na história. Ao criar o design de personagens, a identidade visual e o espírito estético da franquia de games, ele estabeleceu a base que moldou não apenas uma das séries de videogame mais conhecidas do mundo, mas também o imaginário de gerações de jogadores e artistas. “Amano é um dos precursores em levar para os games o apuro estético de um verdadeiro artista visual. É um mercado que hoje movimenta um investimento bilionário mundo afora e um campo profissional em contínua ascensão, que atrai milhares de pessoas. Mas para além de proporcionar uma experiência única para uma legião de fãs e conhecedores de jogos, o nosso objetivo com a realização dessa exposição é nos conectar com diversos públicos e ampliar a percepção desse universo como espaço de arte, esporte e cultura”, afirma Sueli Voltarelli, gerente geral do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.

O trabalho de Amano une o mitológico, o fantástico e o surreal em uma estética que combina tradição japonesa com ecos do art nouveau, surrealismo e pop arte. “Suas criações habitam um espaço onírico onde natureza, tecnologia e fantasia se encontram, refletindo uma visão de mundo que dialoga com o passado e aponta para o futuro”, destaca o curador.

Entre as atmosferas góticas de Vampire Hunter D, a leveza estilizada de séries como Candy Girl e colaborações com personagens icônicos como Batman, Superman e Sandman, além de projetos para a DC Comics e para a Vogue Itália, sua versatilidade comprova a rara capacidade de transitar entre mundos sem perder identidade.

Candy Girl M-14, 2016.

Apresentada pelo Ministério da Cultura e com patrocínio da BB Asset por meio da Lei Rouanet, a exposição chega ao CCBB RJ após grande sucesso no CCBB BH, onde alcançou a marca de 118 mil visitantes. Após a temporada carioca, até 22 de junho de 2026, a mostra seguirá para o CCBB Brasília (DF).     

A mostra estará dividida em sete núcleos temáticos:

Candy Girl 

Obra referência: Candy Girl M-14

Neste núcleo serão apresentadas pinturas da série Candy Girl, em sua maioria feitas com tinta automotiva sobre painel de alumínio. Iniciada nos anos 2000, mistura fantasia, arte pop e surrealismo. As obras usam cores vibrantes e saturadas capazes de refletir a capacidade do artista de explorar temas de inocência, feminilidade e a complexidade do crescimento em um mundo imaginário. Além de reverenciar suas origens, ele traz influências da pop art, como Hello Kitty e Betty Boop, e segue os passos de artistas pop americanos como Andy Warhol e Roy Lichtenstein.

Tatsunoko

Obra de referência: Casshern and Luna

Em 1967, Amano encontrou na Tatsunoko Production o laboratório ideal para seu florescimento. Com apenas 15 anos, passou pelo treinamento e certificação do estúdio onde permaneceu até 1982. Nesse período, colaborou em produções que marcaram gerações, como Speed RacerGatchaman e Tekkaman: The Space Knight. Seu talento rapidamente chamou a atenção do fundador, Tatsuo Yoshida, que o promoveu de animador a character designer, uma função inédita à época, que unia arte e narrativa visual. Foi nesse período que Amano desenvolveu sua linguagem: personagens de traços longos e etéreos, mundos vibrantes e trágicos, uma estética que unia o design gráfico japonês às formas da arte ocidental.

Neste núcleo, portanto, estão as obras mais antigas da exposição, do início da trajetória de Amano. Os trabalhos possuem várias técnicas, que vão desde desenho sobre papel até pinturas em painéis de alumínio. Esse é o único núcleo que possui células de animação – folhas transparentes de acetato utilizadas na animação tradicional, onde personagens e objetos em movimento são desenhados e pintados à mão. Essas camadas transparentes são sobrepostas a um fundo fixo e fotografadas quadro a quadro para criar a ilusão de movimento, técnica padrão antes da era digital.

Angel’s Egg

Obra de referência: Angel’s Egg — 想空・そら – Ideia Vazia

Entre 1982 e 1986, Amano mergulha em uma fase experimental que culmina no filme Tenshi no Tamago (Angel’s Egg), criado em parceria com o visionário Mamoru Oshii (Ghost in the Shell). Ambos já tinham trabalhado juntos na Tatsunoko em algumas versões dos filmes de Lupin III que nunca viram a luz do dia. A animação, quase sem diálogos, é uma meditação sobre fé, solidão e criação, e foi relançada recentemente. Cada cena é uma pintura em movimento: uma arquitetura gótica submersa em penumbra, figuras frágeis e luminosas que caminham em um mundo sem tempo.

Nesse núcleo haverá obras do início da carreira do artista, datadas de 1985. São desenhos com tinta acrílica sobre papel e sobre tela, que deram origem ao filme, que consolidou Amano como um poeta visual, alguém que não precisa de palavras para narrar. É, talvez, sua obra mais espiritual, um sonho desenhado em luz.

Devaloka

Obra de referência: Devaloka

Obras em grandes dimensões fazem parte deste núcleo, incluindo painéis de alumínio pintados com tinta automotiva e desenhos sobre papel. A única obra tridimensional feita pelo artista também estará neste núcleo: uma pintura políptica feita sobre um biombo japonês. Em Devaloka, palavra sânscrita para “mundo dos deuses”, Amano dá forma ao seu próprio cosmos. Cores incandescentes, figuras aladas, templos imaginários e constelações de ouro se misturam em um cenário que parece flutuar entre o físico e o espiritual. Cada pintura é um portal para o divino: deuses, anjos, espíritos e entidades híbridas habitam esse universo onde o tempo se dissolve. Devaloka é mais do que uma série de obras, é uma cosmogonia pessoal. Amano se torna, aqui, não apenas um artista, mas um criador de mundos, reinventando o mito à sua própria imagem. Essa fase sintetiza tudo o que o define: a fusão entre técnica e transcendência, tradição e futuro, corpo e sonho.

Final Fantasy

Obra de referência: Final Fantasy 35th Anniversary

Esse será o maior núcleo da exposição, com pinturas e desenhos cobrindo os 16 jogos de Final Fantasy, bem como artes originais inspiradas nos jogos. A obra Monster será exposta pela primeira vez.

Desde 1987, Amano é o arquiteto visual de Final Fantasy, franquia que revolucionou os videogames e redefiniu o conceito de fantasia moderna. Seu traço deu forma a heróis e heroínas eternos, criaturas etéreas e mundos inteiros, criando uma mitologia contemporânea que une poesia visual e tecnologia. Seu estilo distintivo, caracterizado por linhas fluidas, cores vibrantes e uma fusão de elementos fantásticos com a tradição japonesa, ajudou a criar um visual icônico que se tornou sinônimo da franquia. Ele trouxe para os jogos um senso de grandeza e melancolia raramente visto no gênero, elevando o jogo ao status de obra de arte.

Vampire Hunter D

Obra de referência: The Nobel Army that Disappeared

Esse núcleo possui artes originais do anime Vampire Hunter D, incluindo cinco obras que serão expostas pela primeira vez. No sombrio universo de Vampire Hunter D, Amano se une ao escritor Hideyuki Kikuchi para criar um épico gótico que mistura ficção científica, horror e poesia trágica. Suas ilustrações capturam o silêncio e a elegância do protagonista, um vampiro solitário que caça sua própria espécie, com uma beleza melancólica e enigmática. A estética de Amano para Vampire Hunter D é cinematográfica: sombras densas, detalhes barrocos e contrastes sutis entre o grotesco e o sublime. Essa colaboração consolidou Amano como um dos maiores ilustradores do gênero fantástico. Sua arte deu à série uma dimensão mítica, transformando-a em referência estética para toda uma geração de artistas e diretores de animação. 

Colaborações

Obra de referência: Sandman – Capa da edição brasileira de Caçadores de Sonhos (nº137 da exposição)

De Sandman, de Neil Gaiman, à Vogue Itália, passando por Magic: The Gathering, DC Comics e outras parcerias internacionais, Amano expande continuamente suas fronteiras criativas. Sua arte habita tanto galerias quanto revistas, capas de livros, cartas colecionáveis e universos digitais, sempre com a mesma assinatura etérea e inconfundível. Para Sandman: Dream Hunters, Amano criou imagens que capturam o tom onírico e sombrio da narrativa de Gaiman, transformando o quadrinho em um conto visual de rara delicadeza. Na DC Comics, reinterpretou ícones como Batman e Mulher-Gato sob a ótica de um artista japonês que enxerga o herói como arquétipo mitológico. Sua colaboração com Magic: The Gathering trouxe novas dimensões visuais ao jogo, enquanto sua participação na campanha histórica da Vogue Itália em 2020 marcou a primeira edição da revista sem modelos, substituídas por ilustrações que redefiniram o conceito de beleza feminina.

Esse núcleo contém desenhos, pinturas e objetos, como revistas em quadrinhos e cartas de jogos, que foram ilustrados por Amano para diferentes empresas.  

EXPERIÊNCIA IMERSIVA

Como parte da exposição, uma sala imersiva, desenvolvida em parceria com a AYA Studio, convidará o visitante a adentrar a obra de Amano por meio da tecnologia. Treze obras da série Devaloka foram escolhidas para dar vida à imersão. Neste trabalho, Amano sintetiza todas as suas influências artísticas em uma mitologia pessoal, onde referências orientais e ocidentais convergem.

“Cores incandescentes aplicadas sobre painéis de alumínio com tinta automotiva metálica, figuras aladas, deuses e demônios, criaturas psicodélicas e elementos de ficção científica compõem um universo onde o tempo se dissolve entre o material e o espiritual”, conta Felipe Sztutman, diretor executivo da exposição. O desafio, segundo ele, não era animar, mas revelar o que já existe latente nessas obras: ondas que se expandem, serpentes que circulam, personagens que respiram. “Essa experiência partiu de um estudo técnico sobre como expandir as ilustrações além do suporte bidimensional. Cada imagem foi digitalizada, recortada, separada em camadas e transformada em movimento, sempre respeitando a fluidez do traço original e a intensidade poética que o caracteriza”, ressalta Sztutman. 

SOBRE O ARTISTA

Yoshitaka Amano, que vive hoje em Tóquio, nasceu em 1952, na província de Shizuoka, aos pés do Monte Fuji, no Japão. Criado em uma família modesta, era o mais novo de quatro irmãos. Seu pai, Yoshio Amano, era artesão e dominava as técnicas tradicionais de laca em madeira, um ofício que utiliza pigmentos intensos de preto, vermelho e dourado, cores que se tornaram uma marca essencial na obra do artista.

Desde a infância, Amano é fascinado por histórias e personagens. Passava horas copiando as criações de Osamu Tezuka, o lendário autor de Astro Boy e pioneiro do mangá moderno. Em 1967, aos 15 anos, passa por um treinamento e certificação ao ingressar na Tatsunoko Production, um dos estúdios mais inovadores do Japão. Lá, iniciou uma trajetória que o transformaria em um dos artistas mais influentes do universo pop, quadrinhos e games da atualidade.

SOBRE O CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.

Serviço:

Yoshitaka Amano – Além da Fantasia

22 de abril a 22 de junho de 2026

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (2º andar)

Quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças-feiras.

Classificação indicativa: livre

Entrada gratuita

Ingressos disponíveis na bilheteria física ou pelo site do CCBB – bb.com.br/cultura.

Realização: Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil

Patrocínio: BB Asset

Centro Cultural Banco do Brasil  

Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (RJ)

Contato: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Mais informações em bb.com.br/cultura

Siga o CCBB nas redes sociais:

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Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças).

ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h, horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017).

(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)

Concerto “Tempo Pascal” apresenta raridades do século XVIII em igrejas de São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto do Coro Polifonia Paulista e o Sonare Antico. Crédito: Cauê Godinho.

Nos dias 25 de abril (16h) na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade (Praça Olavo Bilac, 63 – Campos Elíseos) e 26 de abril (13h30) na Igreja da Consolação (Rua da Consolação, 585 – Consolação), o maestro Jésus Figueiredo rege o concerto “Tempo Pascal – Do Barroco Italiano ao Rococó Brasileiro”, reunindo o Coro Polifonia Paulista e o conjunto de instrumentos históricos Sonare Antico.

O programa articula repertório sacro do século XVIII a partir do significado litúrgico da Páscoa, passando pela Paixão, pela profissão de fé e pela celebração da ressurreição. A abertura é a Sinfonia em si menor “Al Santo Sepolcro” (RV 169), de Antonio Vivaldi, escrita para a Semana Santa e estruturada em dois movimentos — Adagio molto e Allegro ma poco. “A ideia do Tempo Pascal é construir um percurso musical que acompanha o significado litúrgico da Páscoa, da contemplação do Santo Sepulcro à afirmação do ‘Et resurrexit’, articulando obras consagradas a repertórios pouco frequentados nas salas de concerto brasileiras”, afirma o maestro Jésus Figueiredo.

Na sequência, o concerto apresenta cinco motetos de José Maurício Nunes Garcia — Gradual para Domingo de RamosImproperiumDomine JesuPopule Meus e Sepulto Domino — compostos para celebrações da Semana Santa no Rio de Janeiro. A presença dessas obras evidencia o diálogo entre modelos europeus e a prática musical desenvolvida no Brasil entre o período colonial e o início do Império.

Grupo Sonare Antico. Foto: Matheus Biscaro.

Credo (RV 591), de Vivaldi, organiza-se segundo as principais seções do texto litúrgico, incluindo o “Crucifixus” e o “Et resurrexit”, estruturando musicalmente o núcleo teológico do ciclo pascal.

O encerramento traz o Te Deum em ré maior (1763), de Niccolò Jommelli. Pouco executada no Brasil e rara também na Europa, a obra terá sua primeira apresentação no país, segundo os organizadores. O compositor, conhecido sobretudo por sua produção operística e por sua atuação em centros como Nápoles, Roma e Stuttgart, é menos frequente nas programações brasileiras de música sacra. “Existe no Brasil um patrimônio coral do século XVIII ainda insuficientemente explorado. Colocar lado a lado Vivaldi, José Maurício e Jommelli é evidenciar como dialogavam tradições europeias e a prática musical desenvolvida aqui, num momento decisivo da nossa história”, destaca Figueiredo.

Como solista convidado, participa o contratenor Jeziel Coelho, natural de Guarulhos (SP). Com atuação recorrente no repertório barroco e clássico, já interpretou obras como o Messiah, de Händel, o Magnificat, de Bach, e o Gloria, de Vivaldi. Sua presença reforça o eixo vocal do programa, especialmente nas seções solísticas do repertório sacro do século XVIII.

Coro e orquestra Polifonia Paulista Igreja da Consolação. Foto: @caue_godinho.

A interpretação adota instrumentos históricos e princípios de performance informada, buscando aproximação com práticas do século XVIII. A proposta considera também a acústica dos espaços religiosos como parte da experiência sonora.

À frente do projeto, Jésus Figueiredo tem trajetória dedicada ao repertório coral histórico. Foi titular do coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dirige a Associação de Canto Coral (ACC-RJ) e desenvolve pesquisa em acústica musical e música antiga, com formação no Brasil e na Suíça.

O Coro Polifonia Paulista dedica-se à música coral de concerto, com ênfase no repertório sacro e na produção brasileira. Fundado em 2025, sob direção do maestro Jésus Figueiredo e com regência preparatória de Diego Pellegrini Totaro, o coro paulistano apresenta mais um concerto em parceria com a Associação de Canto Coral (ACC), como parte de sua programação artística.

Grupo Sonare Antico. Foto: Matheus Biscaro.

O Sonare Antico dedica-se à interpretação de obras dos séculos XVII e XVIII em instrumentos de época, com base nos princípios da performance historicamente orientada. Formado por músicos especializados, com trajetória no Brasil e no exterior, o conjunto desenvolve pesquisa contínua sobre articulação, afinação, retórica musical e práticas interpretativas do período barroco.

Seu trabalho busca recriar a paleta sonora característica da época por meio do uso de violinos, violas, violoncelos e contrabaixo barrocos, além de cravo e teorba, explorando contrastes de timbre, dinâmica e ornamentação. As apresentações evidenciam uma sonoridade transparente e incisiva, em que o rigor histórico se alia à expressividade e à vitalidade artística, aproximando o repertório antigo da escuta contemporânea.

Concerto de Tempo Pascal

Do Barroco Italiano ao Rococó Brasileiro

Programa:

Sinfonia em Si menor para cordas “Al Santo Sepolcro” (RV 169)

Antonio Vivaldi (1678-1741)

Adagio molto

Allegro ma poco

Motetos para a Semana Santa

José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)

Gradual para domingo de Ramos

Improperium

Domine Jesu

Popule Meus

Sepulto Domino

Credo (RV 591)

Antonio Vivaldi (1678-1741)

Allegro: Credo in unum Deum

Adagio: Et incarnatus est

Largo: Crucifixus

Allegro: Et resurrexit

Te Deum, em ré maior (1763)

Niccolò Jommelli (1714-1774)

Allegro spiritoso: Te Deum, coro

Andantino: Te ergo quaesumus, mezzosoprano

Allegro: Aeterna fac, coro

Alla breve: In te Domine speravi, coro

SONARE ANTICO

Violinos I – Lucas Biscaro – spalla, Renan Vitoriano e Letícia Andrade

Violinos II – Carol Colepicolo e Mathews Alves

Violas – Leonardo Marques e Gabriel Del Corso

Violoncelos – Victor Romero Pinho e Thiago Faria

Contrabaixo – Gilberto Chacur

Cravo – Fernando Cardoso

Trompetes – Marcelo Carvalho e Michel Machado

POLIFONIA PAULISTA

Sopranos: Dani Lamim, Márcia Marques, Sara Regina, Mariana Ferrari e Helena Crispim

Contraltos: Juliana Ferrari, Isabel Ferrari, Mônica Cardoso e Bel Cristina

Tenores: Diego Pellegrini, Marcos Lúcio, César Oliveira e Otávio Moreno

Baixos: Paulo Martins, Fernando Magosso, Daniel Moura e Vitor Barrak

Solistas do coro: Dani Lamim, César Oliveira e Vitor Barrak

Ficha Técnica

Regência e direção musical: Jésus Figueiredo

Coro Polifonia Paulista – Regente preparador: Diego Pellegrini Totaro

Pianista do coro: Helena Crispim

Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação

Sonare Antico – Direção artística: Lucas Biscaro

Sonare Antico – Produção: Gilberto Chacur

Produção geral: Associação de Canto Coral.

Serviço:

Tempo Pascal – Do Barroco Italiano ao Rococó Brasileiro

Regência: Jésus Figueiredo

Coro Polifonia Paulista e Sonare Antico

Solista convidado: Jeziel Coelho

Duração: 50 minutos | Grátis

25 de abril de 2026 (sábado), às 16h

Catedral Anglicana da Santíssima Trindade – Praça Olavo Bilac, 63 – Campos Elíseos, São Paulo, SP

26 de abril de 2026 (domingo), às 13h30

Igreja da Consolação – Rua da Consolação, 585 – Consolação – São Paulo (SP).

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)