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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Projeto brasileiro reinventa vinil como experiência híbrida e colecionável no álbum “Caminhos e Memória”

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Capa do álbum.

No dia 24 de abril de 2026, às 20h, o PIG Orkestra Trio lança oficialmente o álbum “Caminhos e Memória” em apresentação especial no Castelo Cultural, em Sorocaba (SP). Idealizado por Paulo Godoi, o projeto instrumental avant-garde/free revisita compositores como Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Tom Jobim, Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti em arranjos autorais que cruzam o erudito, o popular e o jazzístico. Concebido como Edição Física Advanced, o álbum transforma o vinil em objeto artístico expandido — peça colecionável com acesso digital integrado — e integra a pesquisa de mestrado do idealizador, conectando criação, método e experiência estética. O evento terá acesso mediante lista de convidados.

Mais do que um lançamento fonográfico, Caminhos e Memória propõe uma experiência que ultrapassa o áudio. Concebido como Edição Física Advanced, o projeto reinventa o vinil como objeto híbrido: peça estética e colecionável que amplia a escuta por meio de desdobramentos digitais integrados.

A edição física inclui:

– Fonogramas do álbum

– Backing tracks das obras

– Partituras e arranjos originais

– Videoclipes e making off

– Photobook exclusivo

– Carta aberta sobre o modelo de Produção Executiva aplicado ao projeto

– Acesso a uma conversa orientada com o idealizador sobre o modelo de Produção Integrada que sustenta o projeto.

Encarte.

Em um cenário dominado pelo streaming e pela escuta fragmentada, o projeto devolve ao público a experiência tátil e ritualística do álbum físico. Inspirado nos trios sem bateria de Jimmy Giuffre e na cena experimental dos anos 1960, o PIG Orkestra Trio constrói uma sonoridade camerística marcada pelo diálogo entre saxofone/flauta, guitarra e contrabaixo acústico. A formação privilegia silêncio, textura e improvisação, criando uma estética minimalista que equilibra rigor e liberdade.

O repertório revisita tradições brasileiras sob nova perspectiva, cruzando referências eruditas e populares. A identidade audiovisual do álbum homenageia e dialoga com a força poética de Sebastião Salgado, reforçando o caráter imagético e sensorial da obra. “Um disco para ouvir devagar — e deixar que permaneça abrindo caminhos na memória”, afirma Paulo Godoi.

O projeto também se destaca por integrar criação artística e pesquisa acadêmica. O álbum compõe a pesquisa de mestrado Da Ideia ao Palco: Guia Prático de Produção Integrada com PIG Orkestra Trio, transformando o processo criativo em práticas sobre produção musical contemporânea.

Com tiragem especial e proposta estética singular, a Edição Física Advanced posiciona-se como item de coleção para apreciadores de música instrumental autoral e projetos de alta curadoria, reforçando o valor da experiência estética em um cenário dominado pelo consumo digital imediato.

SERVIÇO:

Lançamento Álbum Caminhos e Memória – PIG Orkestra Trio

Data: 24 de abril de 2026

Horário: 20h

Local: Castelo Cultural

Endereço: Av. São Francisco, 195 – Sorocaba (SP)

Acesso: Evento gratuito exclusivo mediante confirmação em lista de convidados

Confirmações: (15) 99716-1558.

(Com Paulo Godoi/Toque Soluções Culturais)

Cinco mentiras que estão te contando sobre o leite

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: FreePik.

O Dia da Mentira, celebrado no último dia 1º de abril, é bem conhecido por ser uma boa ocasião para se pregar pegadinhas e brincadeiras com os amigos. Mas em tempos de redes sociais, em que mentiras e informações falsas viralizam a uma velocidade assustadora, o 1º de abril é também uma data importante para refletirmos sobre a qualidade das informações que recebemos e compartilhamos. Quando essas informações erradas podem afetar a nossa saúde e alimentação, o cuidado precisa ser redobrado.

O leite, alimento que está na base nutricional de várias populações mundo afora, infelizmente tem sido uma das vítimas das fake news. Inúmeros perfis nas redes sociais e até mesmo em veículos de comunicação com certa credibilidade difundem recorrentemente informações equivocadas e, por vezes, até falsas sobre o leite.
Para não cair nas armadilhas das falsas informações e deixar de usufruir os vários benefícios que esse importante alimento pode oferecer, confira cinco mitos sobre o leite:

1 – O leite é um alimento inflamatório

Essa é uma mentira recorrente, e que pode estar impactando no não cumprimento da meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza o consumo de 200 litros per capita anuais, para uma dieta considerada saudável e balanceada. De acordo com a nutricionista Carolina Nobre, que atua no centro clínico Órion Complex, em Goiânia, esse questionamento se difundiu muito em conteúdos sensacionalistas da internet.

Segundo ela, o leite não é inflamatório para a grande maioria da população mundial. O que há, na verdade, são peculiaridades sobre de cada organismo em relação ao consumo do leite.  “Muitas vezes, encontramos pessoas produzindo conteúdo rápido e superficial, que é o que mais vende e chama atenção, mas não fazem uma pesquisa de fato ou aprofundam o conteúdo. Na verdade, o que existe são particularidades de cada organismo, e essas afirmações generalistas só colaboram para a desinformação”, explica a nutricionista.

Segundo a nutricionista, é um equívoco atribuir ao leite, em especial o de vaca, o poder de inflamar ou não a um único alimento. “Temos que olhar para o contexto da alimentação. Uma pessoa que tem em sua rotina o hábito de comer muitos alimentos industrializados, embutidos, e cheios de conservantes, cria um contexto propício para essa inflamação do corpo. A verdade é que apenas pessoas com alergia à Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) ou intolerância à lactose podem ter desconforto após o consumo. E mesmo assim, aquelas que têm intolerância podem consumir o leite sem lactose ou fazer uso de medicamentos que ajudam na digestão da lactase”, explica a nutricionista.

2 – O leite desnatado é leite integral com água

Essa é outra mentira antiga sobre o leite de vaca. O leite, naturalmente, já é composto por 87% de água, mas em momento algum nos processos de esterilização e de pasteurização é inserido água no alimento, seja o leite integral, semidesnatado ou desnatado. De acordo com Vinícius Junqueira, diretor da indústria de laticínios Marajoara, em Goiás, o que diferencia esses três tipos de leite é o percentual de gordura em cada um. “Os leites desnatados ou semidesnatados, nada mais são do que o leite integral com um percentual de gordura bem menor. Não há inserção de água nesse processo, só a redução da quantidade de gordura. A redução desse teor não afeta em nada o nível de nutrientes, que são a vitaminas, proteínas e sais minerais. O que é reduzido de fato é só a gordura do leite”, explica o diretor da indústria.

3 – É necessário ferver o leite de caixinha antes de consumir

Esse é um mito sobre leite que pode ter se mantido devido às antigas formas de comercialização do produto, quando muitas vezes era vendido em embalagens de plásticos (o antigo leite de saquinho) ou diretamente pelo produtor. Mas, com o advento do processo UHT (Ultra High Temperature ou Ultra Alta Temperatura) e das embalagens longa vida, o procedimento de ferver o leite para ser consumido é totalmente desnecessário, a não ser que você prefira um leite quentinho ou morno. Vinícius Junqueira, da indústria Marajoara, explica que o UHT é um processo de esterilização que elimina 99,9% das bactérias do leite, não sendo necessário fervê-lo antes do consumo. E o envase em embalagem asséptica, hermética e sem contato com a luz, assegura a conservação do alimento fora de refrigeração por até quatro meses. Ele só lembra porém, que após aberta a embalagem, aí sim o leite deve ser mantido refrigerado e consumido em até três dias. “Com o uso da técnica UHT e das embalagens longa vida é possível transportar o produtor para distâncias bem maiores e com isso chegar a muito mais pessoas”, diz Vinícius.

4 – Alergia ao leite e intolerância à lactose são a mesma coisa

Essa é uma mentira que pode custar caro para a saúde de quem a considera verdade. De acordo com a nutricionista Yumi Kuramoto, nutricionista que atende no Órion Complex, em Goiânia, intolerância à lactose e alergia ao leite são coisas bem diferentes e requerem cuidados específicos ao se consumir o leite.

Segundo ela, a alergia é um quadro mais grave em que o sistema imunológico da pessoa reage a determinados alimentos ou alguns de seus componentes. Para algumas pessoas, o leite pode ser um desses alimentos alérgicos, e nessa situação o seu consumo deve ser totalmente restringido. Já a intolerância à lactose não é uma alergia, mas sim uma dificuldade maior de digerir esse açúcar existente no leite. “Essa é uma reação que pode ou não ocorrer e varia de pessoa para para pessoa, inclusive, pode ser que a intolerância não se manifeste numa determinada fase de vida, mas ocorra em outro momento”, esclarece a nutricionista.

Ela destaca que hoje, para contornar essa questão da intolerância à lactose, já existem várias opções de medicamentos modernos que auxiliam na digestão da lactose e há também o leite sem lactose, em cujo a composição, este tipo de açúcar já é processado. “Vale lembrar que os sintomas de alergia costumam ser bem mais intensos e graves do que a intolerância alimentar, que em geral se restringem a um desconforto intestinal”, alerta Yumi.

5 – O leite UHT é totalmente modificado e cheio de substâncias tóxicas

Essa é uma mentira que já foi desmentida por informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em reportagem publicada no site do órgão, em 23 de abril de 2023, o MAPA esclarece que o processo térmico UHT nada mais é do que um tratamento ao qual o leite de vaca é submetido para eliminar microorganismos patogênicos — que fazem mal à saúde — e deteriorantes, que são bactérias que estragam o produto. O processamento térmico não tem nenhuma relação com a adição de substâncias tóxicas para conservar o alimento. Na verdade, o tratamento é uma esterilização que também garante que o leite se mantenha em temperatura ambiente sem a necessidade de refrigeração. Inclusive, a adição de conservantes no leite de caixinha é proibida por lei no Brasil e fiscalizada pelo Mapa.

(Com Raquel Pinho/Comunicação Sem Fronteiras)

Denilson Baniwa reorganiza elementos para entender o mundo atual em exposição n’A Gentil Carioca SP

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Obra “Máscaras de Jurupary” (2025) de Denilson Baniwa n’A Gentil Carioca SP.

A Gentil Carioca São Paulo apresenta “Denilson Baniwa: Yawara Akanga. A nova mostra do artista visual indígena apresenta 10 obras inéditas feitas em fibra de tururi produzidas em 2025, em que dá continuidade à sua pesquisa sobre a presença não indígena na região do Rio Negro e no território amazônico. O texto crítico fica a cargo do curador chefe do Museo Universitário del Chopo da Cidade do México, Miguel A. López. É a segunda solo na unidade paulista, precedida pela mostra “Moqueca de Maridos”, realizada em 2023.

Suas obras revisitam o passado por meio da reinterpretação de imagens de tradições e representações locais, instituições europeias e norte-americanas (incluindo o Musée du Quai Branly, na França; o Museu Nacional de Etnologia de Lisboa, em Portugal; a Biblioteca da Universidade de Princeton e a Fundação Getty, ambas nos Estados Unidos), bem como arquivos fotográficos de internatos católicos e missões salesianas em aldeias amazônicas.

Uma ode à natureza

Obra “Solve et Coagula (Dissolver e Coagular)”(2025), de Denilson Baniwa n’A Gentil Carioca SP. Foto: Pedro Agílson/A Gentil Carioca.

Criadas com pigmentos naturais, carvão e penas de aves sobre fibras de casca de árvore, essas peças funcionam tanto como testemunhos ancestrais quanto como diagramas contemporâneos das forças que moldam os corpos e a vida na Amazônia.
Frases como “Antes do pecado, todos bebiam Caxiri!” ou “Fé! Fé! Luta! Luta!” destacam a transição entre a imposição religiosa e as formas de resistência anticolonial, enquanto a presença de imagens de deuses e espiritualidades indígenas ao lado de figuras da mitologia grega e romana demonstra uma tentativa de posicionar as histórias amazônicas como pontos de partida para repensar a filosofia e a história ocidentais.

“Ao mesmo tempo, as obras mostram a construção da subjetividade indígena como um processo constante de negociação e resistência, no qual — diferentemente da perspectiva ocidental moderna — animais, plantas e forças espirituais ocupam um papel de liderança”, afirma o curador Miguel A. López em seu texto.

Instalação multimídia

Recentemente, ele apresentou a videoinstalação “O Jardim” (Trilogia das Plantas 2), juntamente com o cineasta Felipe M. Bragança, de nov/2025 a jan/2026, na mesma unidade da Gentil carioca, na Travessa Dona Paula, em Higienópolis, em São Paulo. O projeto é parte de uma trilogia que mistura narrativas do povo Baniwa com a filosofia do italiano Emanuele Coccia (que faz uma participação na obra) para projetar a ideia de uma iminente “revolução vegetal”. A obra foi realizada com o apoio do Rumos Itaú Cultural.

Sobre Denilson Baniwa

O artista visual indigena Denilson Baniwa. Foto: CABREL Escritório de Imagem/Fundação Bienal de São Paulo.

Artista amazônida de origem na nação Baniwa, tem como base de trabalho a pesquisa sobre aparecimentos e desaparecimentos de indígenas na História Oficial do Brasil, ao mesmo tempo em que busca nas cosmologias indígenas e suas representações artísticas um possível método de compartilhar conhecimentos ancestrais e ao mesmo tempo criar um banco de dados com essas cosmologias como modo de salvaguardá-las.

Participou de exposições no CCBB, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Centro de Artes Hélio Oiticica, Museu Afro Brasil, MASP, MAR, Museu do Amanhã, Bienal de Sidney, Bienal de São Paulo, Getty Museum em Los Angeles, Museo Amparo no México e Inhotim, dentre outros. Em 2024, foi um dos curadores do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza.

Serviço:

Denilson Baniwa: Yawara Akanga

Texto crítico: Miguel A. López

Em cartaz: 08 de abril a 23 de maio de 2026

Visitação: De segunda a sexta, das 10h às 19h

Sábado, das 11h às 17h

Local: A Gentil Carioca – São Paulo

Travessa Dona Paula, 108 – Higienópolis, São Paulo/SP – 01239-050

Site: https://www.agentilcarioca.com.br/.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

43º Festival de Dança de Joinville divulga atrações das noites especiais

Joinville, SC, por Kleber Patricio

“Don Quixote” em montagem da Cia. Jovem Basileu França, de Goiânia (GO).

O Festival de Dança de Joinville chega à 43ª edição em 2026 reafirmando seu papel de maior evento de dança do mundo e referência nas artes para milhares de bailarinos com duas noites de espetáculos especiais para destacar as tradições e reforçar a importância de inovar sem perder a essência. A venda de ingressos para estas e para as demais atrações irá iniciar em 14 de abril, pelo site festivaldedanca.com.br.

A Noite de Abertura trará ao palco o clássico “Don Quixote”, interpretado pela Companhia Jovem Basileu França (Goiânia/GO), em apresentação acompanhada pela Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás. A Noite de Gala contará com performances de dança clássica com convidados especiais — os brasileiros Marcelo Gomes e Luiza Lopes e os portugueses António Casalinho e Margarita Fernandes — e com o espetáculo “De Tangos y Sombras”, da The Tango Company (Buenos Aires/Argentina), uma obra visualmente impactante que combina a expressividade da dança popular argentina com elementos contemporâneos.

Noite de Abertura com espetáculo de balé e orquestra

A Noite de Abertura do Festival de Dança de Joinville ocorrerá em 20 de julho no Centreventos Cau Hansen, e terá como atração um espetáculo que unirá balé e música ao vivo. “Don Quixote” é um dos balés mais vibrantes e virtuosos entre as obras clássicas de repertório, com uma história que acompanha as aventuras do cavaleiro sonhador pela Espanha, enquanto se desenrola a história de amor entre Kitri e Basílio, dois jovens que enfrentam obstáculos para viver seu romance. Com música de Ludwig Minkus e coreografia de África Guzmán, a partir do original de Marius Petipa, a obra estreou em 1869 e se tornou conhecida por sua energia, técnica brilhante e atmosfera festiva.

Em cena estarão 120 bailarinos da Cia. Jovem Basileu França, além dos músicos da Orquestra Sinfônica, em um espetáculo que marca a história da companhia, um dos grandes orgulhos da Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França. A instituição, administrada pelo Governo do Estado de Goiás, completa 59 anos em 2026.

Com presença recorrente no Festival de Joinville, o grupo acumula resultados expressivos: são quatro títulos de Melhor Grupo — incluindo as edições de 2023, 2024 e 2025 —, além de premiações como Melhor Bailarino, Melhor Bailarina, Prêmio Daniel Camargo (voltado a jovens talentos masculinos no balé) e mais de 50 colocações entre primeiro e terceiro lugares. Em 2026, na condição de companhia convidada, os alunos da EFG em Artes Basileu França não participarão das mostras competitivas nas categorias clássicas.

“Retornar ao Festival de Dança de Joinville como convidado para a Noite de Abertura é a realização de um grande sonho para toda a equipe e bailarinos. É o reconhecimento de um trabalho sério, consistente e apaixonado pela arte”, ressalta Simone Malta, diretora artística da Cia Jovem.

Gala com estrelas internacionais do balé clássico e com tango argentino

“De Tango y Sombras”, da The Tango Company, da Argentina.

A Gala, em 26 de julho, terá dois momentos: a primeira parte contará com performances de balé clássico com dois casais de bailarinos que são reconhecidos internacionalmente pela excelência. A noite será aberta pelo bailarino Marcelo Gomes, que fará sua despedida oficial dos palcos. Ele, que tem passagens como destaque em companhias como o American Ballet Theatre, escolheu Joinville para sua última performance como bailarino. Atualmente com 46 anos, ele é diretor de ensaios na Ópera de Viena, na Áustria.

A despedida em Joinville tem um significado especial: foi no palco do Festival de Dança que ele, aos 13 anos, recebeu o primeiro grande prêmio da carreira, ao ser escolhido como Revelação na edição de 1993. Mais de 30 anos depois, ele retorna à Capital Nacional da Dança para marcar sua aposentadoria como bailarino, e dançará com Luiza Lopes.

Luiza, que é primeira bailarina no Royal Swedish Ballet, uma das companhias de dança mais antigas e prestigiadas do mundo, também tem sua trajetória ligada ao Festival de Joinville, onde brilhou nos palcos das mostras competitivas no início dos anos 2000. Juntos, Marcelo e Luiza interpretarão um trecho de “Romeu e Julieta”, além de uma obra assinada pelo próprio Marcelo.

Em seguida, sobem ao palco os jovens talentos do balé internacional António Casalinho e Margarita Fernandes. Naturais de Portugal, eles ocupam posições de destaque no Balé da Ópera de Viena. O casal esteve em Joinville em 2025, quando fizeram uma apresentação especial na abertura de uma Noite Competitiva, e retornam ao Brasil especialmente para o Festival de Dança. Considerado um prodígio do balé, Casalinho também ministrará uma Masterclass na Programação Didática do evento.

A segunda parte da Noite de Gala será embalada pelos ritmos latinos com a The Tango Company, da Argentina. Sob a direção de Marcos Ayala, “De Tangos y Sombras” propõe uma experiência cênica que combina a potência do teatro musical à intensidade expressiva da dança.

Inspirado no mito grego de Hades e Perséfone, o espetáculo narra a história de um ser do submundo, incapaz de amar, que sobe à superfície e escolhe uma jovem para acompanhá-lo em uma jornada rumo às profundezas. No entanto, o inesperado acontece: o amor surge entre eles, transformando seus destinos e os de todos ao redor.

Reconhecido como um dos mais inventivos coreógrafos da Argentina e um dos grandes nomes do tango contemporâneo, Marcos Ayala acumula premiações internacionais por sua trajetória e por suas criações. Em suas obras, constrói narrativas atuais por meio da dança, sem jamais se afastar da essência do tango.

O Festival de Dança de Joinville será realizado de 20 de julho a 1º de agosto de 2026. A bilheteria abre com venda antecipada para membros do Programa Sócio Mais em 1º de abril, e para o público em geral em 14 de abril. Além das Noites Especiais, também estarão disponíveis ingressos para atrações como a Mostra Competitiva, o Festival Meia Ponta e o Festival 40+. As vendas de ingressos, assim como a adesão ao Programa Sócio Mais, poderão ser realizadas pelo site festivaldedanca.com.br.

Noite de Abertura

Quando: 20 de julho, às 19 horas

Onde: Centreventos Cau Hansen (Av. José Vieira, 315 – América, Joinville)

Apresentação:

“Don Quixote”, com a Cia. Jovem Teatro Basileu França e Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás

Classificação indicativa: 10 anos

Noite de Gala

Quando: 26 de julho, às 19 horas

Onde: Centreventos Cau Hansen (Av. José Vieira, 315 – América, Joinville)

Apresentações:

Marcelo Gomes (Ópera de Viena) e Luiza Lopes (Royal Swedish Ballet)

António Casalinho e Margarita Fernandes (Ópera de Viena)

Classificação indicativa: livre

“De Tango y Sombras”, com a The Tango Company (Argentina)

Classificação indicativa: 14 anos

Sobre o Festival de Dança de Joinville

O Festival de Dança de Joinville é considerado o maior evento de dança do mundo em número de participantes, com registro no Guinness World Records. Ele foi criado em 1984 em Joinville (SC), e reúne mais de 16 mil bailarinos inscritos ao longo de duas semanas, em uma programação que envolve espetáculos, mostras competitivas, apresentações em espaços públicos, cursos e dezenas de atividades de arte e entretenimento que envolvem a dança.

(Fonte: Instituto Festival de Dança de Joinville)

Romance policial no sertão: quando o passado volta à cena do crime

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa.

Ambientado na cidade fictícia de Aroeira, no sertão da Paraíba, entre as décadas de 1970 e 1990, “Mortes no Sobrado” mergulha em uma atmosfera densa, onde o calor da terra se mistura aos silêncios carregados de medo e memória. No romance marcado por regionalismo, mistério e críticas sociais, a professora e especialista em Literatura Brasileira, Fátima Sá Paraíba, apresenta a história de um sobrado antigo, envolto em lendas e violência. Ali repousa o passado sombrio da influente família Gomes Barreto, cujos segredos atravessam gerações e continuam a ecoar pelas ruas da região.

Noutra época, o casarão pertenceu ao temido Coronel Gomes, homem de poder áspero e com fama cruel devido a acusações de abusos e assassinatos que ecoaram por todo o sertão. O filho, Zé Gomes, herdou as terras e a dureza do pai, perpetuando um legado de opressão. Tempos depois, foi encontrado morto ao lado de uma jovem, em uma cena oficialmente tratada como suicídio por envenenamento, mas cercada de suspeitas que nunca se calaram.

Anos mais tarde, Aroeira volta a estremecer quando dois corpos desconhecidos aparecem boiando na fonte do sobrado, como se o passado viesse à tona para cobrar dívidas. O delegado Tião recorre ao experiente inspetor Pingo D’Água, conhecido pela habilidade em desvendar crimes complexos. À medida que a investigação avança, as pistas conduzem às feridas abertas desta impetuosa família. Enquanto isso, surge Fedorento, o enigmático flautista da praça, que observa tudo em silêncio, como quem guarda informações ocultas que o tempo ainda não conseguiu apagar.

“Finalmente, chegaram ao local do ocorrido. Como sempre, já havia uma grande aglomeração, o jeito era dispensar todos do local. Pingo esperou a reação do delegado, afinal ele apenas investigava, não delegava nada. Como o delegado não tomou nenhuma providência, ele agiu. Re- solveu expulsar todos dali e o fez. Precisava de cada prova ou indícios de algo maior que se podia observar. Detalhes imperceptíveis, por exemplo. Olhos atentos.”

(Mortes no Sobrado, p. 52)

Com elementos culturais e expressões próprias do sertão paraibano, a trama combina a investigação policial em estilo clássico — conduzida com pistas e reviravoltas — a elementos de crenças populares, segredos familiares e traumas. Assim, o mistério ultrapassa o crime e imerge nas camadas mais profundas da memória e da identidade de um povo marcado pelas próprias lendas. “Embora seja um romance policial, a obra também se apoia em ambientação regional e linguagem típica, o que dá profundidade cultural e senso de lugar à narrativa”, explica Fátima Sá Paraíba.

Apesar da escuridão que envolve os crimes, Mortes no Sobrado ilumina a busca incansável por justiça como força capaz de romper ciclos de opressão. Ao longo da investigação, a persistência do bem se revela nos gestos firmes e na consciência ética do inspetor, cuja trajetória pessoal também é atravessada por dúvidas e conflitos. É nesse percurso que surge a possibilidade de redenção, mostrando que, mesmo em meio às sombras, ainda há espaço para transformação.

FICHA TÉCNICA

Título: Mortes no Sobrado

Subtítulo: Mistérios no sertão da Paraíba

Autora: Fátima Sá Paraíba

Editora: Fonte de Papel Editora

ISBN/ASIN: 978-65-5340-0009-2

Páginas: 218

Preço: R$ 59,90

Onde comprar: Fonte de Papel Editora

Divulgação/Fátima Sá Paraíba.

Sobre a autora: Nascida em São José da Lagoa Tapada (PB), Fátima Sá Paraíba é professora, formada em Letras, especialista em Literatura Brasileira pela UFPB e em Serviço Social pela Estácio de Sá. Autora de obras como Rompendo a Aurora entre Versos, Rimas e Prosa e Meu Sertão entre Rimas e Refrão, ela constrói uma escrita que une rigor acadêmico e sensibilidade poética. O seu lançamento, o suspense policial Mortes no Sobrado, convida o leitor a refletir sobre a persistência do mal, ao mesmo tempo em que aborda a incansável busca por justiça e redenção.

Instagram: @fatimasa03

Facebook: literatura03

Youtube: @fatimasapoesia1215 

Site: https://fatimasaparaiba.com.

(Com Maria Clara Menezes/Fonte de Papel Editora)