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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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CCBB São Paulo apresenta “Atlântico Sertão”, exposição inédita com mais de 70 artistas brasileiros

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

S/Título, da série Travessia de retorno, 2022. Márvila Araújo. Foto: divulgação.

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) apresenta, a partir de 15 de abril, a exposição inédita “Atlântico Sertão”. São mais de 70 artistas, de diferentes regiões, para apresentar o sertão como um território ampliado de resistência. O projeto ocupa todos os andares do edifício com pinturas, esculturas, fotografias e instalações que, sob uma perspectiva decolonial, transforma a arte em memória e afirmação. A mostra articula os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão” em uma narrativa crítica sobre espaços historicamente marcados por violência e exclusão, reconfigurando-os como um campo de criação e defesa de direitos humanos. “O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar diferentes narrativas sobre o país”, explica Ariana Nuala, que assina a curadoria ao lado de Marcelo Campos, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. “Sertão é uma palavra construída, inventada para lugares distantes”, destaca Marcelo Campos. “Na exposição, atualizado pelos artistas, apresentamos o sertão da tecnologia, do couro, aquele que reflete sobre ecologia e preservação ambiental”, completa o curador.

Atlântico Sertão se baseia nas pesquisas acadêmicas de Marina Maciel, responsável pela direção geral e concepção do projeto. “Adotamos o sentido metafórico de Guimarães Rosa: ‘O sertão está em toda parte’. Esse espaço irrestrito é ressignificado como lugar de resistência e (re)existência de grupos historicamente minorizados que, pelas veredas artísticas, rompem as cadeias da opressão colonial em defesa dos direitos humanos”, pontua Marina Maciel.

O projeto expográfico é assinado por Gisele de Paula, primeira mulher negra a assinar a expografia da 36ª Bienal de São Paulo. Sua proposta cria um percurso imersivo pelos pavimentos do CCBB, utilizando cores intensas inspiradas na paisagem cromática da região: “Refletimos sobre um sertão vivo. A intenção é transformar o espaço expositivo em uma experiência sensorial que conecta as diversas narrativas presentes nas obras”, comenta a arquiteta.

O impacto durante a visita ocorre tanto pela presença das obras de arte quanto pela transição simbólica das cores das paisagens sertanejas. O percurso inicia-se com o verde profundo das vegetações que resistem e brotam nas veredas sertanejas, representando a força da vida que teima em florescer. Em seguida, o olhar é conduzido pela imensidão do azul absoluto do céu, que reflete a liberdade e a espiritualidade contida nos horizontes abertos. A jornada culmina no calor do laranja, vermelho e amarelo vibrantes do pôr do sol, tonalidades que banham o sertão ao fim do dia e simbolizam o fogo das lutas e a esperança que se renova em cada entardecer. 

Os seis núcleos curatoriais

Pedra Latente, 2023. Rodrigo Braga. Foto: divulgação.

Estruturada em seis eixos, a mostra reúne diferentes perspectivas curatoriais que, juntas, constroem uma leitura múltipla e contemporânea do sertão como território vivo, colorido, atravessado por dimensões históricas, espirituais, políticas e ambientais.

No núcleo Sertão Atlântico, com curadoria de Marcelo Campos, a mostra parte da relação entre terra e mar para abordar heranças indígenas, africanas e populares. Em Cosmologias em Movimento, da curadora Rita Vênus, os destaques são as práticas espirituais como formas de organização da vida e leitura do mundo. Em Ecologias Ancestrais e Futuros da Terra, de Thayná Trindade, está o sertão como um campo de conhecimento ancestral que resiste a lógicas externas e projeta possibilidades de continuidade.

A dimensão coletiva ganha centralidade em Comunidade, Retomada e Sertões Negros, com curadoria de Amanda Rezende, que evidencia modos de vida baseados na partilha, na oralidade e na memória. Em Arquivos Vivos, Grafias e Inscrições da Terra, a curadora Ariana Nuala propõe o sertão como um sistema ativo de registro, onde inscrições ancestrais dialogam com tecnologias contemporâneas e novas formas de arquivo.

Encerrando o percurso, Sertão AtlânticoTravessias e Poeiras que Vêm do Saara, de Jean Carlos Azuos, amplia a perspectiva ao conectar Brasil e África por meio de relações geológicas, históricas e culturais. O núcleo evidencia fluxos de pessoas e saberes que atravessam o Atlântico, reforçando a ideia de que o sertão é também um território de circulação e permanência, onde diferentes tempos e geografias seguem em diálogo.

Os trabalhos apresentados em Atlântico Sertão são majoritariamente originários das regiões Norte e Nordeste, comunidades afrodescendentes e indígenas. Entre os participantes estão os artistas Antonio Obá, Ayrson Heráclito, Aline Motta, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Jaime Lauriano, Lidia Lisboa, Maria Macedo, Nádia Taquary, Rafael Bqueer, Rosana Paulino, Tunga, Ziel Karapotó e muitos outros (confira a lista completa no final deste texto).

A mostra apresenta trabalhos inéditos comissionados especialmente para a exposição, com destaque para a instalação da premiada artista multimídia biarritzzz. Projetada para o térreo do CCBB São Paulo, a obra reúne múltiplas telas digitais em uma estrutura triangular que dialoga com o imaginário do sertão, em referência ao triângulo, instrumento icônico dos trios de forró.

Concebida especialmente para o circuito CCBB, Atlântico Sertão permite uma experiência ampliada por meio de uma programação paralela que inclui visitas guiadas, debates com artistas e atividades educativas focadas no direito ao sonho, na reparação histórica e no papel da arte na defesa dos direitos humanos. Para Cláudio Mattos, Gerente Geral do CCBB São Paulo, “a mostra promove reflexões sobre identidade, inclusão e diversidade, por apresentar o sertão como espaço de invenção, resistência e multiplicidade cultural de forma potente e plural, demonstrando que a arte é instrumento de pensamento crítico e construção de novas narrativas sobre o Brasil’. Após a temporada paulista, a exposição segue para o CCBB Salvador, em setembro, e para o CCBB Brasília, no início de 2027.

Coletivo Atlântico navega pela arte decolonial para avançar na defesa dos direitos humanos

Atlântico Vermelho, 2017. Rosana Paulino. Foto: divulgação.

A reflexão sobre a defesa dos direitos humanos pela arte tem origem na pesquisa de Marina Maciel, iniciada no mestrado e aprofundada em seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), sob o tema “Direitos Humanos Achados na Arte” (MACIEL, 2024). Essa investigação ultrapassou o campo teórico ao focar em ações concretas de transformação por intervenções artísticas. Em 2023 iniciaram-se as articulações do Coletivo Atlântico, como um movimento social, artístico, jurídico, político e filosófico. Sob essa construção coletiva, a escolha da nomenclatura “Atlântico” se deu em virtude de o oceano representar morte e sofrimento por empreitadas coloniais. Agora, pela arte decolonial, ele é ressignificado como um mar de vida e resistência.

As intervenções do Coletivo consolidam-se como um projeto contínuo de mobilização. O percurso teve início com a edição “Atlântico Vermelho”, título inspirado na obra da artista Rosana Paulino, que utiliza a cor para denunciar o massacre e a escravização da população negra em um espaço não apenas geográfico, mas histórico. Nessa ocasião, pela primeira vez na história, o prédio principal da ONU em Genebra recebeu uma exposição com 22 artistas afro-brasileiros e uma delegação de 50 pessoas que realizaram palestras, performances e apresentações musicais. Ao final, os integrantes do Projeto Atlântico Vermelho construíram coletivamente uma sugestão de recomendação internacional que foi entregue na ONU.
A repercussão internacional levou à idealização da segunda edição: “Atlântico Floresta”. Inaugurada em novembro de 2024 no Museu de Arte do Rio (MAR), durante a cúpula do G20, a mostra reuniu cerca de 50 expoentes da arte contemporânea para denunciar o genocídio e o servilismo impostos aos povos originários. As ações serviram como plataforma de mobilização em defesa das demarcações de terras e do meio ambiente equilibrado, manifestando oposição às práticas exploratórias do agronegócio.
Como desdobramento prático, o Coletivo articulou também a minuta do Projeto de Lei nº 1.928/2024, que visa regulamentar a profissão de artista visual no Brasil e tramita no Congresso Nacional desde maio de 2024.
A exposição Atlântico Sertão foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com o apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, Ministério das Relações Exteriores (IGR/MRE) e Museu de Arte do Rio (MAR).
Artistas participantes de Atlântico Sertão: Abiniel João Nascimento (PE), Adenor Gondim (BA), Alessandro Fracta (AM), Aline Motta (RJ), Amanda Melo (PE), Ana Neves (PE), Ana V. Lopes (RJ), André Vargas (RJ), Antonio Obá (DF), Antônio Sandes (AL), Aura do Nascimento (PE), Ayrson Heráclito (BA), biarritzzz (PE), Clemilton (AL), Dalton Paula (DF), Denilson Baniwa (AM), Eliana Amorim (PE), Fykyá Pankararu (PE), Genauro (AL), George Teles (BA), Gervane de Paula (MT), Gilson Plano (GO), Gonçalves (AL), Gustavo Caboco (PR), J. Cunha (BA), Jaime Lauriano (SP), Jonas Van (CE) / Juno B (CE), Joaci do Pandeiro (AL), Joaci Lima (AL),  José Alves (PE), José Cícero (AL), José Rufino (PB), Juraci Dórea (BA), Juniara (PE), Leonardo França (BA), Lidia Lisbôa (PR), Lita Cerqueira (BA), Lucélia Maciel (BA), Luiz Barroso (PB), Maria Lira Marques (MG), Maria Macêdo (CE), Maré de Matos (MG), Marlene Almeida (PB), Marcos da Matta (BA), Márvila Araújo (BA), Mayra Carvalho (RJ), Mestre Benon (AL), Mitsy Queiroz (PE), Moara Tupinambá (PA), Mônica Barbosa (PI), Nádia Taquary (BA), Naywá Moura (PI), Rafa Bqueer (PA), Rafael Chavez (RN), Rebeca Miguel (MG), rOnA (RJ), Rodrigo Braga (AM), Rose Afefé (BA) / Bysmarke Vaqueiro (BA), Rosana Paulino (SP), SouPixo (CE), Tainan Cabral (RJ), Thaís Iroko (RJ), Thiago Costa (PB), Trojany (CE), Tunga (PE), Ventura Profana (BA), Véio (SE), William Maia (RJ), Wisrah Villefort (MG), Xamânica (RJ) / Tayná Uràz (RJ), Yacunã Tuxá (BA), Yhuri Cruz (RJ), Zé di Cabeça (BA), Ziel Karapotó (AL), Zumví Arquivo Afro Fotográfico (BA), Àwọn arákùnrin oníṣẹ́-ọnà mẹ́ta (BA)
SERVIÇO:
Exposição Atlântico Sertão
Local: CCBB São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Data: 15 de abril a 3 de agosto de 2026
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Gratuito
Informações CCBB São Paulo
Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Contato: (11) 4297-0600 | E-mail: ccbbsp@bb.com.br
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Entrada acessível CCBB SPpessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.  
 
Contato Coletivo Atlântico
 

(Fonte: CCBB SP)

Maio no Theatro Municipal tem estreia da ópera “Intolleranza”, de Luigi Nono, montada primeira vez na América Latina

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Orquestra Sinfônica Municipal. Foto: Rafael Salvador.

Em maio, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta uma programação intensa e diversa. O destaque fica com “Intolleranza 1960”, com direção dos artistas plásticos Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, além do concerto “Ecos de Berio”, da Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência do maestro convidado Vimbayi Kaziboni, mais uma edição do Teatro no Theatro com a peça “Na Sala dos Espelhos”, na Cúpula.

Um dos destaques do mês é o concerto “Mahler: Sinfonia dos Mil”, nos dias 1º, sexta, e 2, sábado, às 17h, na Sala de Espetáculos. Sob regência de Roberto Minczuk, a Orquestra Sinfônica Municipal se une ao Coro Lírico Municipal, ao Coral Paulistano e ao Coro Infantojuvenil da Escola Municipal de Música de São Paulo, além de um elenco de oito solistas, para interpretar a Sinfonia nº 8, de Gustav Mahler. Conhecida como Sinfonia dos Mil, a obra exige forças musicais ampliadas e raramente é apresentada devido à sua complexidade.

Carolina Manica, indicada ao APCA 2025 de melhor atriz. Foto: Paulo Vainer.

O repertório conta com “When the World as You’ve Known It Doesn’t Exist”, da compositora norte-americana Ellen Reid, vencedora do Prêmio Pulitzer, em uma abertura que também coloca a voz em evidência. As apresentações contam com patrocínio Ticket. Os ingressos custam R$100, a classificação é livre e a duração de 110 minutos, com intervalo.

Ainda no início do mês acontece o Teatro no Theatro com a peça “Na Sala dos Espelhos”. As sessões acontecem no dia 1º, sexta-feira, às 20h, 2, sábado, às 20h, 3, domingo, às 18h, 8, sexta-feira, às 20h, 9, sábado, às 20h, e 10, domingo, às 18h.

Com direção de Michelle Ferreira e Maíra De Grandi, e atuação de Carolina Manica, a montagem adapta a obra de Liv Strömquist e propõe uma reflexão sobre os padrões de beleza e seus impactos na formação de jovens mulheres. A peça tem ingressos gratuitos, com distribuição de 50% dos lugares 48 horas antes de cada espetáculo, e o restante 60 minutos antes de cada espetáculo, a classificação é de 14 anos e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

Regente convidado Vimbayi Kaziboni. Foto: Divulgação.

Nos dias 8, sexta-feira, às 20h, e 9, sábado, às 17h, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta “Ecos de Berio” na Sala de Espetáculos. Com regência de Vimbayi Kaziboni. O concerto tem em seu repertório obras que abordam questões sociais atuais, como “Dreydl”, de Olga Neuwirth; “He stretches out the north over the void and hangs the earth on nothing”, de Hannah Kendall; “Your Network is Unstable”, de George Lewis, e encerra com “Sinfonia”, de Luciano Berio. As apresentações contam com Patrocínio Mobilize. Os ingressos variam de R$13 a R$100, a classificação é livre e a duração de 100 minutos, com intervalo.

O maestro convidado, Vimbayi Kaziboni, é nascido no Zimbábue e reconhecido internacionalmente por sua atuação na música contemporânea e por sua abordagem expressiva e inovadora. Desde 2018, é professor assistente no Boston Conservatory at Berklee. Já regeu grandes orquestras em diversos países e se apresentou em algumas das principais salas de concerto do mundo, como Carnegie Hall e Filarmônica de Berlim. É especialmente celebrado por estreias de obras contemporâneas e colaborações com importantes compositores e conjuntos.

No dia 10, domingo, às 11h, a Orquestra Experimental de Repertório apresenta “Metacosmos” na Sala de Espetáculos sob regência de Leonardo Labrada e com participação da soprano Ludmilla Bauerfeldt. O repertório tem “Metacosmos”, da islandesa Anna Thorvaldsdottir, e “Sinfonia nº 4”, de Gustav Mahler. Os ingressos variam de R$13 a R$50, a classificação é livre e a duração é de 1h10 minutos, sem intervalo.

Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Leonardo Labrada. Foto: Rafael Salvador.

No dia 14, quinta-feira, às 20h, o Quarteto Convida Daniel D’Alcantara. Em um concerto especial, reúne o Quarteto de Cordas de São Paulo e o trompetista Daniel D’Alcantara em homenagem ao mestre Johnny Alf, precursor da bossa nova, marcado por sua sofisticação harmônica e lirismo singular. O repertório ganha novos contornos em arranjos inéditos de Gustavo Bugni e Fernando Corrêa, valorizando a delicadeza melódica e a riqueza rítmica de sua obra. Com uma formação inusitada, quarteto de cordas, trompete e sessão rítmica com Thiago Alves, contrabaixo, e Paulinho Vicente, bateria, revela uma sonoridade única e contemporânea. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

No dia 28, quinta-feira, às 20h, o Quarteto de Cordas da Cidade apresenta “Diálogos: Mozart, Haydn e Bingen”. O concerto propõe um diálogo entre estilos e épocas, destacando a riqueza e continuidade da tradição musical. Os ingressos custam R$50, com duração de 60 minutos, sem intervalo.

O encerramento do mês fica com a ópera que estreia na América Latina, “Intolleranza 1960”, de Luigi Nono, na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. A abertura começa no dia 29, sexta-feira, às 20h, e conta com récitas às 17h nos fins de semanas, como dia 30, sábado, 31/5, domingo, e 6/6, domingo. E às 20h, nos dias de semana, como dia 2, terça-feira, 3, quarta-feira, e 5/6, sexta-feira. As apresentações dos dias 30 de maio e 2 de junho contam Patrocínio Bradesco.

Quarteto de Cordas. Foto: Larissa Paz.

Com direção musical de Roberto Minczuk e direção cênica de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, a obra, definida pelo compositor como uma “ação cênica”, reflete sobre temas como opressão, migração e violência, em uma narrativa intensa e politicamente engajada. Combinando coro, orquestra, recursos eletrônicos e elementos teatrais, a montagem reúne um elenco internacional e propõe uma experiência imersiva e contemporânea. Os ingressos variam de R$47 a R$290, a classificação é de 14 anos e a duração é de 1h20, sem intervalo.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensa Theatro Municipal)

Monitoramento de tartarugas-verdes em Tetiaroa celebra 20 anos de conservação

Tetiaroa, Polinésia Francesa, por Kleber Patricio

Com apoio do The Brando, associação Te mana o te moana realiza desde 2006 o monitoramento desses animais fascinantes. Fotos: Divulgação.

Há duas décadas a Te mana o te moana (associação de proteção das tartarugas marinhas), com o apoio do The Brando, da Tetiaroa Society e da Direção do Meio Ambiente da Polinésia (DIREN), realiza o monitoramento das tartarugas-verdes em Tetiaroa, registrando cada ninho, cada rastro e cada filhote.

Tudo começou em fevereiro de 2006 nas praias quase desertas de Tetiaroa, onde uma equipe científica testemunhou pela primeira vez o nascimento de uma tartaruga-verde. Frágeis e fascinantes, os filhotes seguiram em direção ao oceano, deixando rastros que se tornaram dados científicos preciosos. Foi nesse momento que, com o apoio da DIREN, a Te mana o te moana lançou o primeiro programa científico de monitoramento e conservação do atol: o Monitoramento de Nidificação de Tartarugas-Verdes de Tetiaroa.

Na época, Tetiaroa era praticamente desabitada. As equipes percorriam as praias dia e noite, observando e registrando cada sinal de atividade. Um trabalho paciente e rigoroso, ainda em estágio inicial, mas guiado por uma visão clara: compreender para proteger.

A criação da Tetiaroa Society, em 2010, fortaleceu essa ambição. Já em 2014, a presença contínua proporcionada pelo eco resort The Brando marcou um ponto de virada decisivo. O monitoramento tornou-se mais abrangente, os dados mais precisos e as ações de conservação mais eficazes. O que começou como uma série de observações transformou-se, ao longo dos anos, em um pilar essencial para a conservação das tartarugas-verdes no atol. De apenas 10 a 15 ninhos registrados nos primeiros anos, Tetiaroa já contabilizou mais de 1.400 rastros de tartarugas desde 2007.

Dados da temporada de tartarugas

Todos os anos, entre outubro e abril, as praias de Tetiaroa tornam-se palco de um dos ciclos mais incríveis da natureza, a nidificação das tartarugas-verdes. Nesse período, as fêmeas retornam para depositar seus ovos nas mesmas praias onde nasceram, guiadas pelo instinto e pelos ritmos do oceano.

A Te mana o te moana, com o apoio da Tetiaroa Society e parceiros locais, monitora cuidadosamente esses eventos. Desde a identificação das fêmeas e o registro dos ninhos até a proteção dos ovos e o acompanhamento dos filhotes, cada etapa é documentada com precisão. Cada ninho conta uma história, contribuindo para quase duas décadas de dados científicos essenciais para a proteção dessa espécie ameaçada e dos ecossistemas frágeis do atol.

Alguns dados e principais números da temporada 2024–2025

430 rastros observados;

161 ninhos confirmados;

15.614 filhotes estimados;

113 avistamentos de fêmeas, incluindo 19 indivíduos identificados;

10 novas fêmeas registradas e 9 retornando após 4 a 8 anos;

227 filhotes resgatados e soltos, sendo 17 encaminhados ao centro de reabilitação para cuidados especializados.

Graças ao empenho das equipes da Te mana o te moana, da Tetiaroa Society, dos colaboradores do The Brando e de voluntários treinados, essas criaturas frágeis são monitoradas e protegidas em todas as etapas, garantindo sua sobrevivência e a preservação deste santuário único.

Vídeo sobre essa linda história

Em um vídeo, a Dra. Cécile Gaspar, fundadora da Te mana o te moana, compartilha a história do programa de monitoramento, sua paixão pelas tartarugas e a urgência de sua proteção. “Se a temperatura continuar subindo, não haverá mais filhotes. Estamos avançando rapidamente para uma fase de extinção se não agirmos”, declara Dra. Cécile.

Como boa notícia desta temporada, sensores de temperatura instalados nos ninhos revelaram um resultado promissor: 54% dos filhotes são machos. Esse dado é especialmente relevante, já que o aumento da temperatura da areia tende a gerar predominantemente fêmeas, tornando esse equilíbrio essencial para o futuro da espécie. Link do vídeo aqui: https://app.air.inc/a/ccd014f26.

(Fonte: TL Voice)

Pinacoteca de São Paulo apresenta primeira mostra institucional de Paulo Pedro Leal

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Afogamento de mendigos (1965).

A Pinacoteca de São Paulo inaugura “Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio”, nas galerias expositivas do 2º andar do edifício Pina Luz. Primeira mostra institucional do artista carioca reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro. A curadoria é de Pollyana Quintella e Renato Menezes.

Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século XX, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.

Sobre a exposição

A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra. Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).

Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.

Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).

A Pinacoteca de São Paulo publica também o catálogo da exposição, que inclui dois ensaios inéditos, que buscam situar a obra de Paulo Pedro Leal em seu contexto histórico. O livro conta ainda com artigos de jornal, textos críticos fundamentais, uma cronologia e uma entrevista com o pintor Maxwell Alexandre.

SOBRE O ARTISTA

Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) foi um leitor assíduo de jornais, ex-estivador, empregado doméstico, iniciado desde cedo nos cultos jeje-nagô, vendedor ambulante de quadros e brinquedos de madeira e papelão no Passeio Público. PPL – abreviação criada pelo próprio artista e que depois passou a ser utilizada de forma corrente e afetuosa – construiu uma obra baseada sobretudo no fluxo da vida nas ruas, à margem dos circuitos institucionais da arte brasileira do século XX.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO:

Pinacoteca de São Paulo  

Edifício Pina Luz | 2º andar

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Todos os Olhos”: documentário que mergulha no universo inventivo de Tom Zé estreia no SESCTV

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Dirigido por Jorge Brennand Junior, filme reúne depoimentos de artistas, familiares e parceiros para revisitar a trajetória de um dos criadores mais singulares da música brasileira. Foto: Rodrigo Palazzo.

Antes de ser celebrado como inventor, Tom Zé foi, sobretudo, um observador. Um menino de Irará, no interior da Bahia, que aprendia escutando as conversas dos adultos e passava noites em claro tentando entender o que tinha ouvido. Talvez venha daí a curiosidade que atravessa sua obra, a sensação de que cada canção é uma pergunta aberta ao mundo. É nesse território de investigação que se move “Todos os Olhos”, documentário dirigido por Jorge Brennand Junior e produzido pelo SescTV que estreou no canal, na plataforma e no app Sesc Digital em 10 de abril.

Com 1h45 de duração, o filme constrói um retrato do compositor por meio de sua própria voz e de depoimentos de artistas, músicos, intelectuais e familiares que acompanharam diferentes momentos de sua trajetória. Entre lembranças pessoais e reflexões sobre arte, o documentário acompanha o percurso de um criador que sempre tratou a música como campo de experimentação.

O compositor e pesquisador Luiz Tatit relembra a diferença de rumos dentro da geração tropicalista: enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil buscavam dialogar com a música que ocuparia o rádio nos anos seguintes, Tom Zé preferiu seguir investindo em processos experimentais. Para Tatit, é justamente essa disposição para testar caminhos que continua despertando o interesse de novas gerações.

Ao longo do filme, artistas de diferentes campos comentam o impacto de sua obra. A cantora Mallu Magalhães observa a capacidade do compositor de permanecer conectado ao presente e ao futuro. Já a cantora Fernanda Takai destaca sua imprevisibilidade criativa, enquanto Ná Ozzetti chama atenção para a habilidade técnica que sustenta suas invenções musicais. Para o compositor José Miguel Wisnik, a música de Tom Zé nasce de um processo de elaboração constante, em que ideias se expandem como “comprimidos de música”.

Outras vozes ajudam a compreender o alcance dessa trajetória. O jornalista Leonardo Lichote observa que a obra do artista reúne referências que vão do sertão baiano à publicidade, do jornalismo à cultura urbana. Diante dessa mistura, sugere uma imagem curiosa: Tom Zé seria uma espécie de “cientista do sertão”, alguém que investiga sons, palavras e comportamentos como quem conduz um experimento.

Todos os Olhos também revela o lado íntimo do músico. A produtora Neusa Martins, companheira de Tom Zé há mais de cinco décadas, fala do cotidiano e do processo criativo do artista. O médico Ewerton Martins, seu filho, relembra a distância da infância e o momento em que passou a compreender a dimensão do trabalho do pai. Já os netos Maria Clara e João Gabriel compartilham memórias familiares e a experiência de ver o avô no palco.

Entre relatos de criação, histórias de bastidores e reflexões sobre arte e vida, o documentário constrói um retrato de um artista que nunca se acomodou à própria trajetória. No filme, Tom Zé diz que não pensa em parar de trabalhar e que, se a morte vier, prefere que seja no palco. Mais do que revisitar uma carreira, Todos os Olhos acompanha o pensamento de um criador que continua tratando a música como pergunta.

SERVIÇO:

TODOS OS OLHOS

Documentário

Direção: Jorge Brennand Junior

Produção: Eureka Imagens e Ideias

Realização: SescTV

Duração: 105 minutos

Classificação indicativa: Livre

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SOBRE O SESCTV

O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação.

(Com João Cotrim/Assessoria de Imprensa SescTV)