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“Sedimentos”: exposição de Renata Ramalhosa abre no atelier de Cris Ioschpe

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Silvia Zamboni.

Cris Ioschpe abre as portas de seu atelier para a primeira exposição individual de Renata Ramalhosa. A mostra “Sedimentos” reúne 17 pinturas recentes em acrílico sobre tela e papel e se integra no espaço em que a artista encontrou um lugar de encantamento.

Autodidata nas artes plásticas, Renata sempre cultivou a pintura como expressão pessoal. Aprofundou essa prática no atelier de Cris Ioschpe, que a convidou a apresentar seus trabalhos nesta primeira exposição, que reflete sua sensibilidade criativa e percurso multifacetado.

“Ter passado os últimos dois anos aprendendo e trabalhando ao lado da Cris transformou profundamente a minha maneira de criar e de enxergar a arte. Apresentar minha primeira exposição justamente no ateliê que acompanhou esse processo torna tudo ainda mais especial — é como compartilhar não apenas os trabalhos, mas também a trajetória, as descobertas e os afetos que construí nesse espaço”, comenta a artista.

A abertura de “Sedimentos” inaugura também essa nova configuração, que engloba o espaço de criação à exposição. Gravuras e pinturas da Cris seguirão ocupando algumas paredes do atelier. São obras de diferentes séries instaladas onde além de trabalhar, ela dá aulas e workshops e programa para este ano ainda uma individual sua e pretende convidar outro artista para expor e fazer uma oficina de arte.

“A obra de arte precisa ser vista. Quando permanece guardada, sem encontrar o mundo, ela ainda não se completa. A exposição é o momento em que o trabalho ganha presença, diálogo e sentido na relação entre as obras em si, o espaço e o olhar do público. É nesse encontro – nas relações, interpretações e afetos despertados – que também nasce a reflexão do artista”, explica Cris Ioschpe.

A exposição “Sedimentos” fica em cartaz de 25 de maio a 19 de junho, de segunda a sexta, das 10h às 18h, as visitas devem ser agendadas previamente.

Sedimentos 

Há talentos que dormem em silêncio, acumulados em camadas, como a própria terra que atravessa as telas de Renata Ramalhosa. Não por escolha deliberada, mas por necessidade. Algo que já estava lá, esperando o momento certo para emergir.

Renata é uma mulher multifacetada. Quem a conhece sabe da sua inteligência, da sua presença, da forma como transita com naturalidade por mundos diferentes. Mas havia ainda uma dimensão que ela guardava, talvez de si mesma. Uma sensibilidade que não cabia nas palavras, nas funções, nos papéis que já exercia com tanta competência. Essa dimensão encontrou, finalmente, a tela.

Começou a pintar há pouco tempo. E ainda assim, as obras surpreendem. Surpreendem pela técnica que parece intuitiva, pelo domínio das cores que não foi ensinado mas sentido, pelas composições que se equilibram sem esforço aparente, como se a pintura fosse um idioma que ela sempre soubesse falar, mas nunca tivesse tido ocasião de usar. Há aqui algo raro: imagens que nascem de dentro para fora, não da observação do mundo, não da cópia da realidade, mas de uma memória afetiva, visceral, de quem tem saudade do que ama.

E o que Renata ama é a natureza. Faz-lhe falta. Essa ausência está inscrita em cada pincelada – não como lamento, mas como convocação. As suas paisagens não são representações fiéis de um lugar específico. São estados. São o cheiro da terra molhada, a luz que rasga o horizonte antes da tempestade, a sensação de estar pequeno diante de algo imenso e belo. São sedimentos de experiências vividas, de percursos feitos, de momentos em que o corpo inteiro estava presente na natureza e a natureza estava dentro do corpo.

As cores misturam-se na tela com uma generosidade orgânica – ocres, vermelhos profundos, azuis que pesam como céu antes da chuva, verdes que tremem entre a sombra e a luz. Não há rigidez. Há fluxo. Como camadas geológicas que contam o tempo sem pressa, os seus quadros revelam-se aos poucos, exigem que o olhar se demore, que o observador também se deixe levar.

Sedimentos é exatamente isso: o que fica. O que se deposita. O que a vida vai deixando em nós sem que percebamos – e que um dia, de forma inesperada e inevitável, encontra a sua forma de aparecer.

Esta exposição é uma surpresa. E as melhores surpresas são sempre aquelas que, depois de reveladas, nos fazem pensar: claro. Era óbvio que estava aqui! (Stella Villares)

SERVIÇO:

Exposição Sedimentos | Renata Ramalhosa

Abertura: 23 de maio de 2026 (sábado) das 16h às 20h

Local: Atelier Cris Ioschpe | Rua João Moura, 503/14, Pinheiros – São Paulo – SP

Visitação: de 25 de maio a 19 de junho de 2026

Segunda a sexta, das 10h às 18h

Agendamento de visita: (11) 99199-3972

Renata Ramalhosa nasceu em 1973 em São Tomé e Príncipe e é portuguesa. Construiu uma carreira internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança, com atuação no Reino Unido, Portugal, França, Brasil e América Latina. Durante 18 anos integrou o Governo do Reino Unido, onde desempenhou funções de liderança no Departamento de Comércio Internacional e na rede diplomática britânica, promovendo investimento e relações comerciais entre países.

Foi cofundadora e CEO da Beta-i Brasil, uma consultora global focada em inovação, e atualmente exerce o cargo de Regional Managing Director (Latam) na Kobre & Kim. Paralelamente, integra a direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, coordenando o núcleo do Brasil, e participa ativamente em iniciativas ligadas à governança e inovação.

Autodidata nas artes plásticas, sempre cultivou a pintura como expressão pessoal. Nos últimos dois anos, aprofundou essa prática no ateliê de Cris Ioschpe, apresentando agora a sua primeira exposição — um novo capítulo que reflete a sua sensibilidade criativa e percurso multifacetado.

Cris Ioschpe nasceu em Porto Alegre em 1967, vive em São Paulo desde 2000. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1992. Nos anos 80 estudou pintura e gravura em Porto Alegre com Maria Tomaselli e Anico Herskovits, e em São Paulo, com Paulo Pasta e Claudio Mubarac, respectivamente. Nos anos 90, vivendo em Buenos Aires e novamente Porto Alegre, trabalhou no Museo del Grabado e no atelier da Fundação Iberê Camargo, com Eduardo Haesbaert e pintura com Regina Ohlweiler.

Em seu atelier em São Paulo recebeu orientação de Evandro Carlos Jardim e Ernesto Bonato, participando de vários projetos na área da gravura, como o “Projeto Lambe-lambe”. Em 2010, coordenou workshop de gravura no SESC Pompéia, em 2012 e 2014, oficinas na Chapel School em São Paulo, SP.  Frequentou o curso do Paulo Pasta, “pintura: prática e reflexão” no Instituto Tomie Ohtake em 2013 à 2019.

Participou de diversas coletivas no Brasil, Argentina e Egito e suas principais individuais são: “Passos que imaginei” na Galeria Gravura em Porto Alegre em 2000, “Funil” na Galeria Bolsa de Arte em Porto Alegre em 2004, “Cris Rocha: da gravura e além” na Arteedições Galeria em São Paulo em 2017 e “Quietude” na Ocre Galeria em Porto Alegre em 2024.

Mais informações em https://www.crisioschpe.com/ e https://www.instagram.com/crisioschpe/.

(Com Alisson Schafascheck/Check Matte Assessoria)

Teatro Bradesco recebe espetáculo “Tom Jobim Musical”, sobre a vida e obra do compositor

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Caio Gallucci.

O Teatro Bradesco, em São Paulo, recebe a temporada de Tom Jobim Musical, espetáculo que retrata a trajetória de Antônio Carlos Jobim, um dos principais nomes da música brasileira. A montagem é estrelada por Elton Towersey no papel de Tom Jobim, Leopoldo Pacheco como Vinicius de Moraes e Rodrigo Salva interpretando João Gilberto.

Com texto de Nelson Motta e Pedro Brício e direção de João Fonseca, o musical acompanha diferentes momentos da vida do compositor, desde a juventude em Ipanema até o reconhecimento internacional com a consolidação da Bossa Nova. A narrativa inclui episódios marcantes, como o concerto no Carnegie Hall, em Nova York, além de destacar parcerias fundamentais ao longo de sua carreira.

O espetáculo conta com um elenco de 19 atores e 9 músicos em cena, apresentando ao público canções como “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, “Águas de Março” e “Wave”. A proposta é revisitar a obra de Jobim e seu impacto na música brasileira e internacional.

A montagem também traz referências a artistas que fizeram parte desse contexto, como Elis Regina, Jair Rodrigues, Frank Sinatra, Elza Soares e Dolores Duran, compondo o cenário artístico da época.

Tom Jobim Musical é apresentado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Mapfre, apoio da Unisys e realização da Atual Produções e Bonus Track.

FICHA TÉCNICA

Texto: Nelson Motta e Pedro Brício

Direção: João Fonseca

Direção Musical: Thiago Gimenes

Arranjos e Orquestração: Thiago Gimenes, Ivan de Andrade e Tiago Saul

Coreografia: Gabriel Malo

Cenografia: Natália Lana

Visagismo: Anderson Bueno e Simone Momo

Figurino: Theodoro Cochrane

Iluminação: Caetano Vilela

Design de Som: Tocko Michellazo

Direção Videográfica: Batman Zavareze

Produção Geral: Luiz Oscar Niemeyer, Júlio Figueiredo e Bárbara Guerra

Apresentação: Ministério da Cultura

Patrocínio: Mapfre

Apoio: Unisys

Realização: Atual Produções e Bonus Track.

SERVIÇO:

Tom Jobim Musical

Teatro Bradesco

Rua Palestra Itália, 500 – 3º piso – Bourbon Shopping São Paulo – Perdizes

www.teatrobradesco.com.br

Data e horário: de 12 de junho a 28 de junho de 2026
Múltiplas sessões

Ingressos: A partir de R$ 22,50 | Vendas em até 12x | Link de vendas: Uhuu.com

Duração: aproximadamente 90 minutos

Classificação: Livre

Acessibilidade

Ar-condicionado

Capacidade: 1.439 pessoas

Canais de venda oficiais

Uhuu.com – com taxa de serviço

https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/tom-jobim-musical-15948

Bilheteria do Teatro Bradesco – sem taxa de serviço

3º Piso do Bourbon Shopping São Paulo

Rua Palestra Itália, nº 500 – Loja 263 – Perdizes – São Paulo/SP

Segunda a sexta: 12h às 15h | 16h às 19h; sábados, domingos e feriados: 14h às 20h

Em dias de evento, a bilheteria permanece aberta até 30 minutos após o início do espetáculo.

Bilheteria do Teatro Sabesp Frei Caneca – sem taxa de serviço

7º Piso do Shopping Frei Caneca

Rua Frei Caneca, nº 569 – Consolação – São Paulo/SP

Segunda-feira: fechada / terça a sexta: 12h às 15h | 16h às 19h / sábados, domingos e feriados: 14h às 20h

Em dias de evento, a bilheteria permanece aberta até 30 minutos após o início do espetáculo.

Bilheteria Vibra São Paulo – sem taxa de serviço

Avenida das Nações Unidas, 17955 – Vila Almeida – São Paulo/SP

Segunda a sexta: 12h às 15h | 16h às 19h / sábados, domingos e feriados: fechado, salvo em dias de evento

Formas de pagamento

Bilheterias: dinheiro, cartão de crédito e débito

Site Uhuu.com: cartão de crédito

Cartões aceitos: Visa, Mastercard, Diners, Hipercard, American Express e Elo

Estacionamento: Bourbon Shopping – consulte valores e horários em bourbonshopping.com.br.

(Com Luiz Henrique Lino/Opus Entretenimento)

Theatro São Pedro apresenta a ópera cômica “A Escada de Seda”, de Rossini

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Foto: Íris Zanetti.

Uma das mais importantes obras do emblemático compositor de óperas italiano Gioachino Rossini (1792–1868) será apresentada no Theatro São Pedro nos dias 28, 29, 30 e 31 de maio: “A Escada de Seda” (La scala di seta), com realização da Academia de Ópera e da Orquestra Jovem do Theatro São Pedro. Os ingressos custam de R$ 31 (meia-entrada) a R$ 102 (inteira) e estão à disposição no site do Theatro São Pedro.

Chamada por Rossini de farsa, gênero teatral veneziano de um ato que floresceu no final do século 18 e início do século 19, A Escada de Seda terá direção cênica de João Malatian e o maestro Gabriel Rhein-Schirato, à frente da Orquestra Jovem do Theatro São Pedro, na direção musical. Com libreto de Giuseppe Foppa, a obra narra as atribulações do casamento secreto de Giulia com seu amante Dorvil, que é felizmente revelado quando ela arma o casamento do marido escolhido por seu tutor, Blansac, amigo de Dorvil, com sua prima Lucilla.

Soprano Elouise Miranda será Giulia nas récitas de 28 e 30/05. Foto: Divulgação.

Estreada em Veneza em 1812, a ópera cômica tinha o desafio de capturar a atenção do público desde a abertura, sendo marcante por apresentar uma abertura vibrante e popular, com suas cores orquestrais frescas e brilhantes e escrita encantadora para instrumentos de sopro, capturando todo tipo de ouvidos. Assim, foi o primeiro grande e estrondoso sucesso de Rossini e um exemplo acabado das eficazes técnicas cômicas que o jovem de 20 anos continuaria a manejar com maestria ao longo de sua carreira.

A frenética execução de colcheias sobre um acompanhamento harmônico simples fornece o pano de fundo para a animada interação entre instrumentos contrastantes, e diversas ocorrências do famoso “crescendo de Rossini” já exercem seu efeito humorístico – o compositor adorava compor crescendos: aumentos graduais no volume da música. Foi a primeira abertura de Rossini a conquistar popularidade e é muito tocada como peça isolada em concertos e gravações.

Transmissão ao vivo

As récitas dos dias 29 e 30 de maio serão transmitidas online e de forma gratuita pelo canal de Youtube do Theatro São Pedro

Temporada Academia de Ópera e Orquestra Jovem do Theatro São Pedro

A Escada de Seda (La Scala di Seta)

Academia de Ópera do Theatro São Pedro

Orquestra Jovem do Theatro São Pedro

Gabriel Rhein-Schirato, direção musical

João Malatian, direção cênica

Beto Mainieri, cenografia

Nicolas Marchi, iluminação

Angélica Chaves, figurino

Malonna, visagismo

Elenco

Elouise Miranda, Giulia (récitas I e III: 28 e 30/05)

Thainá Biasi, Giulia (ensaio geral, récitas II e IV: 26 e 29/05 e 31/05)

Anita Andreotti, Lucilla (ensaio geral, récitas II e IV: 26 e 29/05 e 31/05)

Camila Ceuta, Lucilla (récitas I e III: 28 e 30/05)

Sérgio Cardonha, Dormont

Felipe Bertol*, Dorvil (ensaio geral, récitas II e IV: 26 e 29/05 e 31/05)

Pedro Ohoe, Dorvil (récitas I e III: 28 e 30/05)

Daniel Luiz, Blansac

Robert Willian*, Germano

Paula Uzeda, participação especial

*Solistas convidados

GIOACHINO ROSSINI (1792–1868)

La Scala di Seta – 90’

[Editora: Casa Ricordi SRL, Milão. Representada por Melos Ediciones Musicales S.A., Buenos Aires www.melos.com.ar]

Ensaio geral aberto e gratuito: 26 de maio, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 28, 29, 30 e 31 de maio

Quinta, sexta e sábado às 20h; domingo às 17h, Theatro São Pedro

Ingressos: aqui

Plateia central – R$ 51 (meia-entrada) e R$ 102 (inteira)

1º Balcão superior – R$ 36 (meia-entrada) e R$ 72 (inteira)

2º Balcão superior – R$ 31 (meia-entrada) e R$ 62 (inteira)

Classificação etária: 12 anos.

THEATRO SÃO PEDRO

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Entre memória e afeto, mostra “Para falar de amor” ocupa quatro andares de prédio histórico na capital paulista

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Exposição propõe experiências sensoriais no edifício que abriga o Espaço Kura com visitação até 7 de junho. Foto: Vivian Bera.

O público que atravessa as portas do Edifício Cotonifício, no Largo do Paissandu, agora sede do Espaço Kura, encontra uma exposição que se desdobra em quatro andares e se organiza como um campo de experiências. Aberta de sexta a domingo, das 13h às 19h, até 7 de junho, a segunda edição da mostra “Para falar de amor” articula obras, instalações e intervenções em um prédio em transformação. A classificação é livre, com ingressos disponíveis online e entrada gratuita às sextas-feiras, das 13h às 15h, conforme a capacidade.

Com curadoria de Saulo di Tarso e Kauê Fuoco, idealizador da plataforma Kura, a exposição reúne cerca de 50 artistas, com trabalhos desenvolvidos especialmente para o espaço, e apresenta um recorte da arte urbana contemporânea. A proposta se estrutura a partir de um eixo que atravessa tanto a memória da arte urbana quanto a construção de novas formas de relação. “O cerne da exposição encontra duas vertentes. Número um, um abraço histórico, dado pelo Jaime Prades e pelo Guto Lacaz”, afirma Saulo.

Artista brasileiro nascido na Espanha em 1958, Jaime Prades integrou, nos anos 1980, o coletivo Tupinãodá, referência nas ações artísticas em espaços públicos urbanos. Já Guto Lacaz é um artista multimídia cuja produção atravessa desenho, ilustração, design, cenografia e projetos gráficos. “O Guto se destaca como um artista pioneiro da cidade lúdica e da questão do Arte Cidade, que é um evento que a cidade esqueceu”, completa o curador. A retomada proposta pela mostra não se baseia na nostalgia, mas no deslocamento. “Assim como eu tento fazer uma conexão para memória dos artistas, aqui eu estou entregando uma conexão para quem passa”, diz. “O que tem de diferente do passado para agora é que aqui a gente está ressignificando relações, e não só a relação das pessoas com a cidade, mas as relações entre si”, explica Saulo.

Ao longo dos andares, essa dimensão relacional se afirma como matéria da exposição. O curador explica que “Para falar de amor” foi concebida inicialmente para vencer a polaridade política, mas que agora enfrenta um novo desafio. “Uma vez que a polaridade começa a ser vencida, onde a nossa capacidade pode nos levar? Aqui, não queremos colocar a sujeira para debaixo do tapete. Queremos lidar com isso frontalmente e buscar soluções”, ressalta como uma das provocações da mostra para o público. “Acho que existem artes que a sociedade contemporânea ainda não identificou, e a arte das reações é uma delas”, completa.

Matéria viva

Exposição reúne cerca de 50 artistas. Foto: Divulgação.

A ideia de arte como processo, e não como produto, aparece de forma direta nas obras. No espaço do artista Felipe Yung, conhecido como Flip, a trajetória se organiza em objetos mínimos. “Eu trouxe o meu espaço para cá para mostrar trabalhos que já estão prontos e outros que estão no processo”, diz. “Aqui, tem bicos que eu nunca usei, que são do passado”, comenta em referência a uma peça, em formato de caixa em acrílico, que reúne diferentes tipos de bicos de spray acumulados ao longo dos anos. “Tem bicos de latas que carregam toda a minha caminhada e todas as minhas memórias”, afirma. “Quando eu fui falar disso, fiquei muito emotivo com o que eu faço das memórias. Isso aqui é a síntese total do meu trabalho”, pontua.

Com mais de 30 anos de trajetória iniciada no graffiti, Flip constrói uma produção que atravessa muralismo, pintura e escultura, mantendo a rua como campo contínuo de experimentação. No trabalho de Alexandre Vianna, a experiência se expande para o campo sensorial. “Minha pesquisa é sobre campo vibracional de alta frequência”, afirma. “Eu pesquiso como os sons influenciam no corpo sutil das pessoas”, explica. As imagens que compõem suas obras partem de fotografias sobrepostas. “Eu comecei a fazer trabalhos em camadas porque eu queria emular o campo energético e vibracional que a pessoa estava inserida quando eu fotografei ela”, diz. “Essas camadas são os sons”, complementa.

No edifício, ele apresenta uma escultura que integra diferentes dimensões. “Essa escultura é, pela primeira vez, visual, sonora e tátil. É uma obra sensorial total, onde eu coloco o som de alta frequência e a pessoa dentro da própria obra. Esses sons, para mim, são de cura”, completa.

Entre os artistas participantes está também Alex Senna, que apresenta um trabalho que mergulha na ideia de amor-próprio, atravessado por sentimentos como melancolia e nostalgia. No espaço, ele criou um mural que dialoga diretamente com a arquitetura do ambiente e traz uma figura rodeada por pombas e outros elementos. A instalação se desdobra em uma relação entre personagem e sombra, sugerindo um encontro íntimo consigo mesmo. “A obra chama a atenção para o amor-próprio, uma vez que a personagem está encostando na parede, tendo uma relação com a própria sombra”, explica. A participação também carrega um significado pessoal. “Eu frequentava muito esse lugar quando tinha 14 anos. Fazer parte agora é um sentimento que me leva para a adolescência”, comenta.

Olhar e presença

Obra de Alex Senna melhora na ideia de amor-próprio. Foto: Divulgação

A fotografia atravessa a exposição como um eixo transversal, especialmente no trabalho de Vivian Bera. “Participar dessa exposição tem sido uma experiência muito feliz, profunda. O meu trabalho nasce muito da observação das relações humanas, da paisagem, da memória”, diz. Para a artista, a imagem funciona como deslocamento afetivo. Ela ressalta que a fotografia é uma forma de amor, uma vez que, através dela, é possível entregar todo o amor que ela vê e sente do mundo.

Sua produção, que inclui séries realizadas na América Latina, como manifestações culturais no Peru, parte de um interesse pelo que é íntimo e, ao mesmo tempo, compartilhável. “Sempre me interessou fotografar tudo aquilo que é mais sensível e que, ao mesmo tempo, é universal”, afirma. “A fotografia é um transporte afetivo”, pontua.

O curador Saulo di Tarso reforça a singularidade desse olhar. “Quando ela retrata alguém, ela cria um retrato espectral dessa pessoa”, diz. “Quando as pessoas estão diante da lente dela, elas entregam os olhos, e você vê isso na foto”, observa.

Esse deslocamento também se manifesta na instalação da artista Fernanda Romão, concebida como um labirinto. “É um espaço para as pessoas virem para o mundo”, explica Saulo. “Você sai de uma perspectiva do céu para as janelas da cidade, para um céu que se limita por uma urbanidade onde respeita ser livre”, diz.

Ao ocupar integralmente o edifício, a mostra constrói uma experiência em que o visitante transita entre linguagens, escalas e estados de percepção. Em vez de um discurso único, apresenta um conjunto de investigações abertas sobre memória, corpo, cidade e vínculo. “Aqui é um encontro de ativações. Para falar de amor pode acontecer sempre, em qualquer lugar, de toda maneira, e o Kura é uma forma de lidar com a cidade que ressignifica os lugares. É construir junto com o que existe e com quem está ali”, sintetiza Kauê Fuoco, curador e idealizador do espaço.

SERVIÇO:

Segunda edição da Mostra “Para falar de Amor”

Local: Edifício Cotonifício (Espaço Kura) – Avenida São João, 354, Largo do Paissandu

Período: Até 7 de junho

Visitação: Sexta a domingo, das 13h às 19h

Entrada: Gratuita às sextas-feiras, das 13h às 15h (sujeita à capacidade); demais dias, consultar bilheteria

Classificação: Livre

Ingressos disponíveis aqui.

Sobre Saulo di Tarso

Saulo di Tarso é artista visual e curador, especializado em estética comparada das artes visuais e da música moderna e contemporânea, arte urbana e novas mídias. Pesquisador de arte brasileira e sul-americana, colabora com diversas instituições de arte e cultura na América Latina. Além de ser ensaísta, museógrafo, produtor e arte-educador, coordenou espaços expositivos e programas de arte-educação, incluindo a Casa das Rosas e o Paço das Artes. Também atuou como curador em importantes instituições como o Museu Afro Brasil, a Casa do Olhar Luis Sacilotto, a Galeria da Unicamp e idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García.

Sobre Kauê Fuoco

Produtor cultural, artista plástico e empreendedor, Kauê Fuoco é o idealizador do Kura, empresa que atua e transforma o mercado com eventos, arte, curadoria e marketing para marcas/empresas. Além disso, produz experiências itinerantes proprietárias que unem entretenimento, cultura, arte e gastronomia, de uma forma lúdica, buscando agregar para a cidade e para a comunidade por meio do upcycle e da revitalização urbana. Kauê é um entusiasta de histórias, propõe resgates culturais e urbanos reintegrando narrativas, espaços e materialidades. Em seus projetos une cultura, arte, sustentabilidade e entretenimento, criando ecossistemas sólidos e rentáveis de negócio.

Sobre o Kura

O Kura é uma plataforma de experiências, idealizada por Kauê Fuoco, que combina eventos, arte, curadoria e marketing para marcas e empresas, promovendo entretenimento e cultura por meio de eventos itinerantes e projetos de revitalização urbana. Com foco em upcycling e narrativa lúdica, busca ressignificar e reintegrar pessoas à cultura. A empresa opera em duas frentes: criação de experiências autorais e instalações artísticas para eventos próprios, e desenvolvimento de experiências personalizadas e estratégias de posicionamento para empresas. Instagram: @kura.te.

(Com Bartira Betini/Betini Comunicação)

JARARACA[S], novo espetáculo do Grupo Pavilhão da Magnólia, estreia no Itaú Cultural

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo, com dramaturgia do multiartista pernambucano Giordano Castro e direção do cearense Murillo Ramos, traz à cena os últimos dias de vida de “Jararaca” (José Leite de Santana), um dos principais cangaceiros do bando de Lampião. Fotos: Allan Diniz.

JARARACA[S], novo trabalho do Grupo Pavilhão Magnólia, com sede em Fortaleza, no Ceará, representa mais um passo em sua trajetória de 21 anos de revelar histórias e personagens que compõem a construção social e cultural do país. O espetáculo, com dramaturgia do multiartista pernambucano Giordano Castro e direção do cearense Murillo Ramos, traz à cena os últimos dias de vida de “Jararaca” (José Leite de Santana), um dos principais cangaceiros do bando de Lampião. A obra estreia e faz curta temporada do dia 28 ao dia 31 de maio de 2026, no Itaú Cultural.

Na história, os quatro atores em cena acompanham os sete dias finais de Jararaca, após ser baleado, capturado, preso e morto pela polícia. Em 1927, o bando de Lampião saiu de Pernambuco, atravessou a Paraíba e tentou invadir Mossoró (RN). Após a fracassada investida, conhecida como “Chuva de Bala”, o grupo foge em direção ao Ceará. No confronto, dois cangaceiros ficam para trás: entre eles, José Leite de Santana, o Jararaca. Baleado ao tentar salvar seu companheiro Colchete, ele é capturado e permaneceu preso por sete dias, torturado, até ser assassinado em 20 de junho de 1927.

Os jogos políticos, religiosos e econômicos que atravessam esse período estruturam o espetáculo, que lança um olhar crítico sobre as violências de Estado, ontem e hoje. Para o grupo, a narrativa que reduz o cangaceiro à figura de “bandido” revela-se insuficiente diante das complexas violências sociais que atravessavam o sertão no início do século XX: a seca, a fome e a desigualdade são imposições históricas.

A obra propõe uma reflexão sobre memória e apagamento, evidenciam, assim, processos que atingem, sistematicamente, corpos pretos, marginalizados e periféricos. Nessa jornada, o espetáculo busca, de forma metafórica, resgatar esse corpo e suas narrativas, criando espaços de fabulação crítica.

“Reafirmamos a urgência de falar sobre o Nordeste: de onde viemos e quem somos”, diz o ator Nelson Albuquerque. O grupo lembra que o cangaço também carrega um imaginário meio pop, cultuado de forma meio festeira, com fantasias, um estereótipo do que é o Nordeste. Hoje, Jararaca é reverenciado como “santo popular”, não oficializado pela igreja, na cidade de Mossoró (RN). “Nos interessa ir além do arquétipo do cangaceiro e das histórias já cristalizadas e limitantes desse universo”, completa.

A transformação de um cangaceiro em santo popular instiga a criação e dialoga com o imaginário fantástico presente na literatura de cordel. “Ao mesmo tempo em que o cangaço é visto por alguns como movimento social e por outros como bandidos, ele tem um traço meio pop. Tem uma fantasia do cangaceiro, do estereótipo do Nordeste. Nós questionamos um pouco esse lugar do estereótipo”, revela.

A desproporcionalidade com que essas violências atingem corpos negros e pobres revela um padrão estrutural que não se configura como exceção, mas como regra. JARARACA[S] propõe, assim, um olhar expandido sobre a criação contemporânea, implicando seus artistas nos temas abordados e abrindo caminhos para novas leituras, deslocamentos e redescobertas.

A obra também tensiona paralelos entre passado e presente, ao questionar as violências do Estado em seu projeto de Necropolítica. Que histórias se repetem? Quais vidas são marcadas previamente pela morte? As perguntas ecoam: quem mandou matar Jararaca? Quem mandou matar Marielle?

Com JARARACA[S], o Grupo Pavilhão da Magnólia reafirma sua prática artística coletiva, baseada em pesquisa e compartilhamento de saberes. Ao longo de sua trajetória, o grupo já criou vinte espetáculos e recebeu reconhecimento nacional, incluindo o Prêmio Shell de Teatro – Destaque Nacional (2025) pelo trabalho continuado, além de participação em importantes festivais no Brasil e no exterior.

SINOPSE

O espetáculo investiga os últimos dias de vida de Jararaca, cangaceiro morto pela polícia e hoje reverenciado como santo popular em Mossoró/RN, tensionando as fronteiras entre memória, mito e apagamento histórico. A obra propõe um olhar crítico sobre as violências de Estado que atravessam passado e presente, refletindo sobre quem tem o direito de narrar a história. Ao confrontar o público, lança perguntas inquietantes: Quais vidas são marcadas para morrer? E que outras versões ainda seguem soterradas pelo silêncio?

FICHA TÉCNICA

Concepção e Criação: Grupo Pavilhão da Magnólia

Dramaturgia: Giordano Castro

Direção: Murillo Ramos

Elenco: Silvianne Lima – Jota Junior Santos – Nelson Albuquerque – rudriquix

Criação e Operação Musical: rudriquix

Letras (Músicas Originais): Murillo Ramos

Gravação Música SETE: Venícius Gomes e Jocasta Britto

Iluminação: Wallace Rios

Cenografia: Rodrigo Frota

Figurinos: Themis Memória

Direção de Movimento: Clarissa Costa

Fotos Divulgação e Vídeos Projeção: Allan Diniz

Colaboração na Pesquisa: A Máscara de Teatro – Mossoró/RN

Coordenação de Produção: Som e Fúria

Produção Executiva: Silvianne Lima e Jota Junior Santos

Apoio: Casa Absurda

Produção/SP: Corpo Rastreado

Comunicação: Canal Aberto Comunicação

Realização: Itaú Cultural

Coprodução: HUB Cultural Porto Dragão. 

SERVIÇO:

Espetáculo JARARACA[S]

Com Pavilhão da Magnólia

Estreia no Itaú Cultural – Av. Paulista, 149 – Bela Vista

De 28 a 31 de maio (quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo às 18h)

Teatro (piso térreo)

Capacidade: 224 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação Indicativa: 16 anos

Entrada gratuita. Reservas de ingressos a partir de 26 de maio (terça-feira), às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br

*Essa atividade contará com acessibilidade em libras.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)