Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Baleia-jubarte é atendida em Ilhabela (SP)

Ilhabela, por Kleber Patricio

Baleia Jubarte em Ilhabela (SP). Fotos: Instituto Argonauta.

Uma operação de resgate mobilizou, na manhã da última segunda-feira (16), a equipe do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, organização da sociedade civil que tem origem na atuação e na visão conservacionista do Aquário de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A ação foi realizada para atender uma ocorrência envolvendo uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) presa em petrechos de pesca nas proximidades de Ilhabela.

O alerta inicial partiu de Éverton, da empresa Abordo Turismo, que rapidamente acionou Júlio Cardoso, do Instituto Baleia à Vista, responsável por localizar o animal um pouco afastado da costa. Enquanto aguardavam a chegada da equipe técnica, Júlio e o pesquisador Rafael Mesquita acompanharam a baleia e desempenharam um papel essencial ao afastar embarcações de curiosos, garantindo segurança tanto ao animal quanto à operação.

Instituto Argonauta atua na operação de desemalhe de baleia em Ilhabela.

A Equipe de Resposta do Instituto Argonauta, composta por profissionais capacitados e experientes, realizou as manobras técnicas necessárias e iniciou os procedimentos de desemalhe. Toda a operação seguiu rigorosamente os protocolos internacionais de segurança, priorizando o bem-estar da baleia e a integridade da equipe. No entanto, com o avanço da hora e o comportamento cada vez mais reativo da baleia e às condições de segurança, a operação foi concluída com a retirada parcial dos petrechos de pesca envolvidos no emalhe. O Instituto permanece monitorando a região e mantém sua equipe em prontidão para uma nova tentativa de liberação completa, caso o animal seja novamente localizado em condições favoráveis. “Esse trabalho reflete diretamente nossa missão e nosso compromisso com a conservação marinha. O Instituto Argonauta surgiu há mais de 25 anos a partir da atuação do Aquário de Ubatuba, com o propósito de ampliar nossa contribuição para a proteção dos oceanos. Seguimos mobilizados e preparados para responder a emergências como essa e para desenvolver ações contínuas de conservação”, afirma Hugo Gallo Neto, oceanógrafo, diretor do Aquário de Ubatuba e presidente do Instituto Argonauta. 

Conservação com responsabilidade

O desemalhe de grandes cetáceos é uma atividade de alto risco, que exige capacitação técnica, equipamentos especializados e autorização legal. No Brasil, essa atividade é regulamentada pela Portaria Conjunta MMA/IBAMA/ICMBio nº 3, de 8 de janeiro de 2024, que define protocolos rigorosos para garantir a segurança dos animais e das equipes.

Baleia Jubarte em Ilhabela.

Intervenções não autorizadas colocam em risco tanto a vida dos animais quanto a segurança humana. Por isso, caso alguém aviste uma baleia enredada ou qualquer outro animal marinho em situação de risco, deve acionar imediatamente as autoridades ambientais ou o próprio Instituto Argonauta.

O emalhe de baleias é considerado um acidente, decorrente principalmente da sobreposição das rotas migratórias desses animais com áreas de atividade pesqueira. Ações integradas de monitoramento, resposta emergencial e educação ambiental são fundamentais para mitigar esses impactos e proteger a biodiversidade marinha.

Sobre o Instituto Argonauta

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, fundada em 1998 a partir da iniciativa do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de ampliar as ações de conservação marinha na região. Atua em três frentes principais: pesquisa científica, educação ambiental e resposta a emergências envolvendo fauna marinha, como encalhes, reabilitação e manejo de grandes mamíferos marinhos, além de monitoramento ambiental e desenvolvimento de tecnologias voltadas à conservação.

Visite e participe

O público pode conhecer mais sobre este trabalho visitando o Museu da Vida Marinha, uma iniciativa do Instituto Argonauta em parceria com o Aquário de Ubatuba, localizado na Avenida Governador Abreu Sodré, 1067, Perequê-Açu, Ubatuba/SP, aberto diariamente.

Serviço de resgate de fauna marinha

Encontrou mamíferos, tartarugas ou aves marinhas — vivos, debilitados ou mortos? Ligue para:

0800-642-3341

(12) 3833-4863 | 3833-5789 | 3834-1382 (Aquário de Ubatuba)

WhatsApp: (12) 99785-3615

Baixe também o Aplicativo Argonauta, disponível gratuitamente para iOS (App Store) e Android (Play Store). Nele, é possível informar ocorrências de animais marinhos e problemas ambientais nas praias, facilitando o acionamento dos órgãos competentes.

Saiba mais:

www.institutoargonauta.org

facebook.com/InstitutoArgonauta

Instagram: @institutoargonauta.

(Com Luanna Chaves/Instituto Argonauta)

Casos de feminicídios crescem mais de 40% na cidade de São Paulo em 2024, revela análise do Instituto Sou da Paz

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Mehran Biabani/Unsplash.

O estado de São Paulo registrou 251 vítimas de feminicídios no ano de 2024, um aumento de 18,3% em relação às 212 vítimas deste crime em 2023. A capital teve um aumento de 44,4% de casos, foram 52 vítimas em 2024, enquanto no ano anterior foram registrados 36 casos. Este é o segundo ano consecutivo de forte aumento dos feminicídios no estado. A análise do Instituto Sou da Paz a seguir tem como base os microdados de feminicídios divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo, que trazem informações de 245 dos 251 crimes cometidos em 2024.

Para Malu Pinheiro, pesquisadora do Instituto Sou da Paz, o aumento no número de feminicídios consumados e tentados no estado aponta para uma lacuna na atuação das forças de segurança. “A violência contra mulher, seja sexual ou letal, tem crescido no estado, contudo as principais políticas adotadas na atual gestão não priorizam atuar na prevenção desses tipos de crimes”, comenta. “Há ações possíveis de serem implementadas como a ampliação das unidades físicas das Delegacias de Defesa das Mulheres, central para que o suporte qualificado seja dado desde as primeiras denúncias de violência evitando que as mulheres permaneçam num ciclo de violência de repetição”, diz Malu.

Esta alta dos feminicídios no estado em 2024 se concentrou principalmente na capital paulista. A macrorregião do interior, por sua vez, registrou um aumento de 14,4% nos feminicídios consumados, concentrados sobretudo na região do Deinter 7 – Sorocaba, que mais que dobrou o número de feminicídios, e do Deinter 5 – São José do Rio Preto.

Região dos feminicídios consumados  2023 2024 Variação %
DECAP – Capital 36 52 44,4%
DEMACRO – Região Metropolitana 44 42 -4,5%
DEINTER 1 – SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 16 14 -12,5%
DEINTER 2 – CAMPINAS 17 18 5,9%
DEINTER 3 – RIBEIRÃO PRETO 20 24 20,0%
DEINTER 4 – BAURU 11 14 27,3%
DEINTER 5 – SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 8 16 100,0%
DEINTER 6 – SANTOS 11 7 -36,4%
DEINTER 7 – SOROCABA 13 28 115,4%
DEINTER 8 – PRESIDENTE PRUDENTE 7 6 -14,3%
DEINTER 9 – PIRACICABA 22 20 -9,1%
DEINTER 10 – ARAÇATUBA 7 4 -42,9%
TOTAL 212 245 15,6%

Chama a atenção o intenso aumento das tentativas de feminicídios no estado, que tiveram um crescimento de 51,3% em 2024. Isso pode ter se dado tanto devido ao aumento do fenômeno em si (já que os feminicídios consumados também aumentaram), mas também pela melhoria do registro de crimes que antes eram classificados como homicídio tentado ou agressão corporal.

Feminicídios tentados e consumados no Estado de São Paulo – 2023 e 2024
Tipo 2023 2024 Variação %
Feminicídios Consumados 212 245 15,6%
Feminicídios Tentados 433 655 51,3%
Total 645 900 39,5%

Perfil das vítimas

A maioria das vítimas de feminicídio em 2024 no estado possuía entre 18 a 39 anos de idade (53,8%). O maior número de vítimas se concentra na faixa etária de 30 a 39 anos, com pouco menos de um terço de todas as mortes de feminicídio no estado.
Idade das vítimas dos feminicídios consumados em 2024
2023 2024 Variação %
12 a 15 anos 6 3 -50,0%
16 a 18 anos 4 7 75,0%
18 a 29 anos 63 64 1,6%
30 a 39 anos 52 70 34,6%
40 a 49 anos 50 54 8,0%
50 a 59 anos 21 29 38,1%
60 anos ou mais 14 17 21,4%
Não informado 2 1 -50,0%
Total Geral 212 245 15,6%

Em relação a raça/cor das vítimas, as vítimas brancas (54,7%) são maioria, seguidas pelas vítimas negras (42,9%). Esta distribuição segue aproximadamente a distribuição racial da população do estado de acordo com o Censo de 2022, que registrou 57,8% da população do estado como branca, 8% preta e 32,9% como sendo parda.

Tipo do local e instrumentos dos feminicídios

Cerca da metade dos feminicídios consumados no estado de São Paulo foram cometidos com o uso de objetos cortantes ou perfurantes, enquanto cerca de 18% foram cometidos com o uso de armas de fogo: o número de vítimas de feminicídios cometidos com armas de fogo aumentou 34,4% em 2024 em relação com o ano anterior.

Meios usados nos feminicídios consumados em 2023 e 2024 2023 2024 %variação
Arma de fogo 32 43 34,4%
Enforcamento/Força corporal 22 40 81,8%
Não especificado 8 5 -37,5%
Objeto contundente 20 11 -45,0%
Objeto cortante ou perfurantes 98 122 24,5%
Outros 32 24 -25,0%
TOTAL 212 245 15,6%

A residência é o local onde foram cometidos cerca de 7 a cada 10 feminicídios no estado de São Paulo, enquanto as vias públicas foram cenário de 20% dos feminicídios consumados. 21 dos 164 feminicídios cometidos em casa (12,8%) utilizaram armas de fogo como meio da morte, enquanto 91 destes crimes em residências (55,4%) utilizaram objetos cortantes ou perfurantes.

“Os crimes de feminicídio, por sua natureza, cometido majoritariamente por familiares ou companheiros e fora das vias públicas, necessita de intervenções diferentes das utilizadas pela polícia em outros casos de crimes contra a vida. O acompanhamento de mulheres que solicitam medida protetiva de urgência, por exemplo, tem sido uma estratégia positiva utilizada em outras unidades federativas, como o caso do Programa Integrado Patrulha Maria da Penha, implementado pelo governo da Paraíba”, destaca Malu Pinheiro. “A integração e ampliação dos serviços disponíveis para o acolhimento de mulheres em situação de violência também é um passo importante para a ampliar a capacidade das vítimas de não permanecerem em situação de violência”, completa.

Tipo de local dos feminicídios consumados em 2024 Casos % do total
Residência 164 66,9%
Via Pública 49 20,0%
Zona rural 11 4,5%
Comércio 9 3,7%
Hospital/unidade de saúde 4 1,6%
Outros 8 3,3%
TOTAL 245 100,0%

Já dentre os 49 casos de feminicídios consumados em vias públicas, 14 assassinatos (28,5%) foram cometidos com armas de fogo, e 21 mortes (342,8%) cometidas com o uso de objetos cortantes e perfurantes. “Também é importante destacar o impacto negativo da redução da verba disponibilizada para a Secretaria de Políticas Para a Mulher, conforme indicada na Lei Orçamentária Anual de São Paulo (LOA), em que houve uma redução de 99,75% do valor destinado a políticas para a mulher no estado. Esse tipo de decisão política traz impactos concretos para a vida da população feminina”, explica Malu Pinheiro.

(Fonte: Instituto Sou da Paz)

Patagônia chilena: conheça o hotel que fica dentro de uma reserva natural com mais de 100 quilômetros de trilhas

Patagônia Chilena, por Kleber Patricio

Futangue Hotel & Spa encanta aventureiros com atividades como trekking, pedaladas por campos de lava e pesca com mosca. Fotos: Divulgação.

O Parque Futangue é um refúgio escondido entre montanhas, cachoeiras, vulcões e florestas ancestrais que pertencem à região Norte da Patagônia chilena. Aos pés dos Andes e às margens do lago Ranco (um dos maiores do país), a reserva natural privada se estende por 13.500 hectares e concentra cenários naturais remotos que, durante muitos anos, estiveram inacessíveis aos turistas. Entretanto, após um projeto que começou em 1997, a área ganhou mais de 100 quilômetros de trilhas e até um hotel-boutique, chamado Futangue Hotel & Spa.

Inaugurado em 2018, o Futangue Hotel & Spa iniciou sua temporada 2025 no dia 20 de junho com diversas atividades, como caminhadas com raquetes de neve e visitas a termas. São 26 acomodações que oferecem muito conforto, aconchego e exclusividade aos viajantes que desejam se conectar com a natureza e a cultura patagônica. Presente na seleção de hospedagens recomendadas pelo conceituado Guia Michelin, a propriedade funciona como ponto de partida para atividades ecoturísticas autoguiadas ou conduzidas por guias especializados no Parque Futangue e em seus arredores.

Entre as inúmeras opções de trilhas, destaca-se a Darwin’s Trail, que tem apenas dois quilômetros de extensão e propõe que os participantes procurem o sapo de Darwin (espécie descoberta pelo naturalista britânico Charles Darwin), famoso pela camuflagem. Outra boa pedida é o caminho de sete quilômetros que passa pelas margens do rio Riñinahue e pela Floresta Valdiviana até chegar à belíssima lagoa do rio Pichi, onde as águas esverdeadas contrastam harmoniosamente com a vegetação. Ali, inclusive, é realizada uma das atividades mais tradicionais do destino: a pesca com mosca.

Também é possível aproveitar a viagem para fazer passeios de barco, rotas de caiaque e conhecer de perto a geologia fascinante de Piedras Quemadas – campos de lava formados por uma erupção vulcânica ocorrida em 1922 – em excursões com e-bikes. Além disso, há atrações focadas na riquíssima fauna da região – onde vivem pumas, pudús, condores e até monitos del monte, que figuram entre os marsupiais mais antigos do mundo – e nas tradições dos povos nativos.

Essa grande preocupação em valorizar os elementos típicos do Norte da Patagônia chilena se estende ao cardápio do El Mesón del Caulle, restaurante do Futangue Hotel & Spa. Ali, é possível provar receitas preparadas com frutos típicos da Floresta Valdiviana, como murta e maqui. O menu também explora ingredientes como cogumelos selvagens, batatas nativas, vegetais fresquinhos produzidos em hortas locais e frutos do mar provenientes da costa de Valdivia.

Outro local imperdível para mergulhar nos aromas, sabores e texturas do destino é o Triwe Spa, situado a poucos passos de distância do hotel, em uma área cercada por montanhas e cachoeiras. Com arquitetura que valoriza elementos em madeira e rochas vulcânicas, o centro de bem-estar é perfeito para renovar as energias após dias agitados de passeios, já que oferece massagens com óleos nativos da floresta e piscina com vistas espetaculares.

Mais informações podem ser obtidas aqui, no Instagram parquefutangue ou e-mail info@sayaestudio.cl.

(Com Ana Davini/AD Comunicação & Marketing)

Direitos humanos em foco: novo livro propõe pedagogia do viver em comum

Curitiba, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Em sociedades atravessadas por desigualdades, conflitos identitários e crises democráticas – onde as diferenças entre etnias, nações e culturas são frequentemente acentuadas – como promover uma convivência pacífica e respeitosa? Essa é a reflexão proposta pelos sociólogos Casimiro Balsa (Universidade Nova de Lisboa) e Lindomar Wessler Boneti (PUCPR) no novo lançamento da PUCPRESS, editora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná: Uma pedagogia para o viver em comum – Direitos e deveres dos seres humanos e das comunidades”.

Reunindo contribuições de pesquisadores de renome internacional, o livro propõe uma reflexão interdisciplinar e crítica sobre os fundamentos éticos, sociais e políticos da convivência humana. Diante de um cenário marcado pela crescente fragmentação social e pelo enfraquecimento de marcos normativos universais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os organizadores apresentam uma abordagem inovadora: uma pedagogia que articula direitos e deveres como dimensões inseparáveis da cidadania e do viver em comum, buscando superar tanto o individualismo liberal quanto os particularismos identitários.

Dividida em cinco partes, a obra percorre desde os fundamentos filosóficos e históricos dos Direitos Humanos até suas implicações nas políticas públicas, nas práticas educacionais e nas questões de gênero. Ao longo dos capítulos, são discutidas as tensões entre universalidade e singularidade, os desafios da convivência em sociedades marcadas pela fragmentação, os limites das estruturas sociais contemporâneas e os caminhos possíveis para a construção de vínculos sustentados na solidariedade, no reconhecimento mútuo e no cuidado com o bem comum.

A publicação ainda examina criticamente o papel da educação na formação cidadã, os desafios enfrentados pelas instituições escolares na efetivação dos direitos fundamentais e as possibilidades de práticas pedagógicas transformadoras. No campo das políticas públicas, discute-se a responsabilidade do Estado, os princípios que sustentam o Estado de direito e os riscos de uma pedagogia estatal que, sob o pretexto da proteção, pode assumir contornos de controle social. Questões de gênero e justiça social são igualmente tratadas como dimensões estruturantes da convivência democrática.

Uma pedagogia para o viver em comum configura-se como um projeto intelectual e político de grande relevância para os campos das Ciências Sociais, da Educação e dos Direitos Humanos. Com linguagem precisa e densidade teórica, a obra se dirige a pesquisadores, educadores, formuladores de políticas públicas e a todos que se dedicam à construção de uma sociedade mais justa, plural e solidária. Em tempos de retração democrática e banalização da intolerância, este livro se apresenta como uma leitura imprescindível para quem deseja compreender – e transformar – as condições de possibilidade do viver em comum.

Serviço:

Uma pedagogia para o viver em comum – Direitos e deveres dos seres humanos e das comunidades    

Editora: PUCPRESS

Organizadores: Casimiro Balsa e Lindomar Wessler Boneti

Outras informações: www.pucpress.com.br.

Sobre a PUCPRESS | A PUCPRESS, editora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é referência no mercado editorial brasileiro, com mais de 40 anos de história e um catálogo diversificado de títulos acadêmicos e científicos em áreas como Filosofia, Educação, Direitos Humanos, Inovação e Tecnologia, Bioética, Cidades, Saúde e Biotecnologia, Energia, Tecnologia da Informação e Comunicação. Alinhada aos valores do Grupo Marista e às áreas estratégicas da PUCPR, a editora busca disseminar conhecimento de qualidade, promover o avanço da ciência e impactar positivamente a sociedade. Com publicações que abrangem desde livros impressos a e-books e audiobooks, a PUCPRESS também colabora com iniciativas globais, como o SDG Publishers Compact da ONU, reafirmando seu compromisso com a educação, inovação e sustentabilidade. Outras informações: www.pucpress.com.br 

(Com Aline Anile)

Instituto Tomie Ohtake apresenta “Manuel Messias – Sem Limites”

São Paulo, por Kleber Patricio

Manuel Messias – Cristo na Terra, 1968 – xilogravura sobre papel – 85×42. Fotos: Jaime Acioli.

O Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e o Instituto Tomie Ohtake apresentam a exposição “Manuel Messias – Sem limites”, que conta com o patrocínio do Nubank, mantenedor do Instituto Tomie Ohtake, e o apoio da Danielian Galeria de Arte. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, a mostra, primeira individual institucional do artista, reúne cerca de 70 xilogravuras e traça um panorama sensível e contundente de um artista que manteve uma produção contínua e coesa, apesar de ter enfrentado grandes dificuldades por ser um homem negro, nordestino e que viveu nos limites da pobreza e da loucura. “Sem limites”, como ele próprio se definia, Manuel Messias é hoje reconhecido como um importante membro de sua geração e um dos mais destacados nomes da gravura brasileira do século XX.

Em cartaz até 3 de agosto de 2025, a mostra perpassa três décadas de produção artística, revelando a potência poética e crítica de Manuel Messias dos Santos (1945–2001), sergipano radicado no Rio de Janeiro desde a infância. Segundo os curadores, foi através de sua mãe, que trabalhou como empregada doméstica na casa de nomes influentes da cena artística carioca, que Messias pôde frequentar aulas de arte no início dos anos 1960, particularmente o curso livre de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Conforme apontam Lontra e Peixoto, durante o processo de investigação em diversas e dispersas coleções, o que resultou na publicação Manuel Messias – Do tamanho do Brasil (2021), as obras do artista foram se agrupando com base em afinidades visuais e temáticas, o que possibilitou identificar a lógica de criação em séries. Compõem a exposição xilogravuras das séries Fome e Loucura, do início de carreia na virada dos anos 1960, nas quais o artista manifesta uma consciência dramática e uma linguagem gráfica intensa, influenciado tanto pela literatura de cordel quanto pelo expressionismo de Oswaldo Goeldi. Do mesmo período, a série YUWW, única apresentada como álbum, traz um alfabeto inventado e códigos visuais próprios, indecifrados por mais de 50 anos.

Manuel Messias – Posição humana de fecundação, 1968 – óleo sobre tela – 50×70.

O grupo de trabalhos reunidos na série Nossa abordam a desigualdade social e revelam de modo subliminar um olhar político e crítico sobre a ditadura militar. Para os curadores, a série Via Sacra marca a maturidade do artista, com composições rigorosas que reinterpretam episódios da vida de Cristo. Em sua fase final, marcada por dificuldades financeiras e por uma crescente instabilidade psíquica, Messias mistura memória, símbolos da morte e referências autobiográficas nos trabalhos da série Your Life – M’fotogram. A curadoria aponta que essas gravuras, ao mesmo tempo caóticas e profundamente humanas, funcionam como um inventário visual de sua trajetória.

Manuel Messias dos Santos é um artista de qualidade e relevância inquestionáveis. Sua vida e obra revelam as marcas das injustiças e dos problemas estruturais brasileiros. Sua trajetória pessoal escancara uma realidade escondida e esquecida às margens, invisibilizada pelo racismo estrutural, pela desigualdade histórica e geográfica e pela nossa incapacidade e desinteresse em viver em harmonia social. Esta exposição, a primeira mostra institucional dedicada à sua obra, nasce da necessidade de reconhecimento e de inclusão definitiva de sua produção na escrita das tantas e tão plurais histórias da arte brasileira”, finalizam os curadores.

A esta exposição soma-se um programa público de encontros, oficinas e vivências, com programação atualizada pelo site e redes sociais do Instituto ao longo do período expositivo.

Amigo Tomie

O Programa de Amigos do Instituto Tomie Ohtake quer aproximar o público de um dos espaços de arte mais emblemáticos da cidade de São Paulo. Além de apoiar, o Amigo Tomie fará parte de uma comunidade conectada à arte, contará com benefícios especiais e experiências únicas. São três categorias de apoio, contribuindo com novas exposições, programas educativos, orçamento anual e manutenção do Instituto.

Serviço:

Manuel Messias – Sem limites

Abertura: 12 de junho, às 19h

Em cartaz de 13 de junho a 3 de agosto de 2025

De terça a domingo, das 11h às 19h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros SP

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Fone: (11) 2245 1900.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake).