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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Em junho, Theatro Municipal de São Paulo apresenta sequência de três concertos com a Orquestra Sinfônica Municipal

São Paulo, por Kleber Patricio

Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Paulistano em concerto. Foto: Larissa Paz.

Em um mês repleto de programação para os amantes da música clássica, o Theatro Municipal apresenta três concertos que passeiam por um repertório de grandes nomes, como Benjamin Britten, Florence Price, Frédéric Chopin e Gustav Mahler. A começar, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Paulistano, sob regência de Roberto Minczuk, apresentam ‘War Requiem’, que conta com a participação do Coro Lírico Municipal e Coro Infanto-juvenil da Escola Municipal de Música de São Paulo. As apresentações acontecem nos dias 6, sexta-feira, às 20h, e 7, sábado, 17h, na Sala de Espetáculos.

Os solistas elencados para o concerto são: Natalya Romaniw, soprano que recentemente obteve destaque internacional com um papel no Royal Opera House; Joshua Stewart, tenor norte-americano que foi aclamado por papéis de Street e Elijah na ópera X: The Life and Times of Malcolm X na Seattle Opera, e Homero Velho, barítono conhecido por diversos papéis dentro e fora do país, como Fígaro, em The Ghosts of Versailles (Corigliano), Don Giovanni (Mozart), O Caixeiro da Taverna (G. Bernstein) e outros.

O repertório terá Requiem de Guerra, op. 66, de Benjamin Britten. Concluído em janeiro de 1962, a obra foi escrita para a consagração da nova catedral de Coventry, no condado inglês de Warwickshire, construída após a estrutura original do século XIV ter sido destruída em um bombardeio da Segunda Guerra Mundial. Esta é uma peça de larga escala que incorpora as crenças pacifistas e humanitárias de Britten. Os ingressos custam de R$11 a R$70, a classificação é livre e a duração é de 80 minutos, sem intervalo.

O segundo concerto da sequência será da Orquestra Sinfônica Municipal, desta vez, sob regência de Mélanie Léonard, maestra canadense e diretora musical da Symphony New Brunswick, e com a participação da pianista Ingrid Uemura, vencedora do Concurso Internacional Chopin, realizado em Varsóvia. Intitulado de Entre-Eras: Price e Chopin, a apresentação celebra os compositores nos dias 13, sexta-feira, às 20h e 14, sábado, às 17h, na Sala de Espetáculos.

O repertório terá Starburst, de Jessie Montgomery, Concerto para piano nº 2, de Frédéric Chopin, e Sinfonia nº 1, de Florence Price. Além de uma das composições da juventude do renomado Chopin, também contará com Florence Price, a primeira compositora negra norte-americana a ter uma sinfonia estreada por uma grande orquestra. Os ingressos custam de R$11 a R$70, a classificação é livre e duração de 110 minutos, com intervalo.

Por fim, nos dias 20, sexta-feira, às 20h, e 21, sábado, às 17h, na Sala de Espetáculos, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Paulistano, sob regência de Roberto Minczuk, apresentam Mahler: Ode à Natureza, com a participação do Coro Infanto-juvenil da Escola Municipal de Música de São Paulo, do Coro Jovem da Escola Municipal de Música de São Paulo e da mezzo-soprano, Carolina Faria.

O repertório terá a Sinfonia nº 3, de Gustav Mahler. De um autor pouco conhecido em sua época para um dos compositores mais executados na atualidade: em 25 anos de uma produtividade surpreendente, Gustav Mahler criou todo um universo de emoções na música. Em suas 45 canções e 10 sinfonias, mergulha nas profundezas da alma humana. Suas obras orquestrais são hoje presença obrigatória nas salas de concerto de todo o mundo. Os ingressos custam de R$11 a R$70, a classificação é livre, a duração é de 100 minutos, sem intervalo.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de Imprensa do Theatro Municipal)

Os impasses das migrações contemporâneas na peça ‘eXílio’, do Coletivo Comum

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Fernando Reis.

Para o Coletivo Comum, os deslocamentos forçados de pessoas por conta de guerras, violações de direitos humanos, condições climáticas e perseguições de qualquer tipo são um dos principais temas da atualidade, envolvendo questões individuais e coletivas, políticas e subjetivas. O grupo decidiu, então, fazer desses deslocamentos o seu material de pesquisa para construir o espetáculo ‘eXílio’, que fica em temporada no Teatro Paulo Eiró entre 30 de maio a 15 de junho de 2025, com sessões de quinta a sábado, às 20h30, e, aos domingos, às 18h. Na sequência, a peça segue para o Galpão do Folias, entre 19 e 30 de junho, com apresentações de quinta a sábado, às 20h30, domingos, às 18h e, segunda-feira (30/06), às 20h30.

Mantendo a tradição de fazer teatro documental, o Coletivo Comum estruturou 30 cenas para dar conta da multiplicidade de abordagens referentes ao tema do exílio. São quadros independentes, nos quais o elenco formado por Fernanda Azevedo, Maria Carolina Dressler, Ícaro Rodrigues, Renata Soul e Roberto Moura narra diferentes dimensões que envolvem migração, refúgio e exílio.

“Optamos por deixar o ‘X’ em caixa alta no nome do espetáculo para reforçar o tema da encruzilhada, do conflito e das oposições”, afirma o diretor Fernando Kinas, acrescentando a relevância dos debates diante dos conflitos na Palestina e na Ucrânia, e da posse de Trump nos Estados Unidos. Assim, a obra eXílio é mais um capítulo na ampla investigação do grupo sobre os desafios civilizacionais contemporâneos.

Ao se debruçar sobre a temática das migrações, a companhia decidiu ampliar a discussão, incluindo exílios dentro do próprio país, descrito pelo crítico literário Antonio Candido como o sentimento que algumas pessoas têm de não se sentirem representadas pelo seu país ou regime político, como no caso das ditaduras militares. Outro tema abordado é o exílio interno, já destacado por Ovídio no primeiro século da era cristã. “Estamos discutindo também o sentimento de não pertencimento a uma comunidade, mesmo dentro da sua própria cidade ou país. Há pessoas que se sentem exiladas de seu próprio corpo. Neste sentido, procuramos fazer uma discussão ampla, incluindo questões que envolvem, por exemplo, a população LGBTQIAP+, que sofre todo o tipo de preconceito e violências”, completa Kinas.

Sobre a encenação

Para a construção da dramaturgia, foram utilizados muitos materiais, como o livro Conversas de Refugiados, escrito por Bertolt Brecht durante seu exílio na Finlândia e nos Estados Unidos nos anos 1940 por conta do nazismo. O livro foi traduzido e comentado por Tercio Redondo, professor da USP que participa como consultor do projeto. Também são utilizadas notícias veiculadas na imprensa, cartas de migrantes, documentos de órgãos oficiais, entre outros materiais.

De acordo com o ACNUR (Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), atualmente, mais de 110 milhões de pessoas estão vivendo, de forma não voluntária, fora dos seus locais de origem. Nesse contexto, elas estão sujeitas a violências anti-imigração, como estupro, discriminação e humilhação.

E, em meio a tantas informações, o grupo se inspirou em algumas personagens reais para criar as cenas, como o imigrante congolês Moïse Kabagambe, espancado e morto do Rio de Janeiro após cobrar duas diárias de trabalho atrasadas; a militante brasileira Dorinha, exilada durante a ditadura militar no Brasil que acabou tirando sua própria vida no exílio; e o crítico literário palestino Edward Said, que aborda o conceito de orientalismo como criação do ocidente.

O trabalho busca o compartilhamento entre atores, atrizes e público. Por isso, o coletivo apostou em um dispositivo cênico circular, apoiado pelo uso de barreiras, evocando campos de refugiados e de deportação. “Estamos chamando nosso espaço cênico de campo, já que essa expressão está intimamente ligada ao refúgio. Campo de averiguação, de concentração, de triagem… No nosso caso, é também um campo de batalha, em que a memória e a resistência também estão presentes. E, de certa forma, quando o elenco está mais perto do público, ele está exilado da cena”, conta Beatriz Calló, que assina a assistência de direção e colaborou no roteiro ao lado de Fernando e do grupo.

A trilha sonora ganhou muita importância na encenação. Tanto que duas pessoas da área musical fazem parte do elenco, Renata Soul e Roberto Moura, este último também assina a direção vocal. Além das canções executadas pelo elenco, uma cuidadosa trilha sonora evoca os temas da migração.

Sinopse | Atualmente, mais de 110 milhões de pessoas no mundo, segundo dados oficiais, foram obrigadas a se deslocar por causa de guerras, violações de direitos humanos, condições climáticas e perseguições de todo tipo (políticas, religiosas, étnicas, por orientação sexual). Elas estão sujeitas a violências anti-imigração, como estupro, discriminação, humilhação. Muitas perderam suas vidas. A experiência do exílio também pode ser vivida dentro do próprio país, como no caso das ditaduras e nos processos de desumanização. eXílio é um trabalho teatral, proposto pelo Coletivo Comum, que parte desta atualidade brutal, mas também da perspectiva de que as fronteiras são criações históricas e que, portanto, podem ser alteradas e suprimidas.

Ficha Técnica

Roteiro: Fernando Kinas, com a colaboração de Beatriz Calló e elenco

Direção: Fernando Kinas

Elenco: Fernanda Azevedo, Maria Carolina Dressler, Renata Soul, Ícaro Rodrigues e Roberto Moura

Assistência direção: Beatriz Calló

Cenografia: Julio Dojcsar

Iluminação e operação de luz: Dedê Ferreira

Figurino: Beatriz Calló, com a participação do Coletivo Comum e pessoas em condição de migração e refúgio

Treinamento e direção vocais: Roberto Moura

Pesquisa musical e trilha: Fernando Kinas, com a colaboração de Eduardo Contrera

Assessoria dramatúrgica: Tercio Redondo (Bertolt Brecht e o exílio)

Interlocução crítica: Clóvis Inocêncio (Berna), Beatriz Whitaker, Leneide Duarte-Plon, Dominique Durand e Cimade (Paris), Organon Art Cie (Marseille), Jean-Michel Dolivo (Lausanne), Rabii Houmazen (Marrocos e São Paulo), Museu da Imigração do Estado de São Paulo, Arro (Afeganistão e São Paulo), Padre Assis (Cabo Verde e São Paulo)

Desenho e operação de som: Lienio Medeiros

Programação visual: Casa 36|Camila Lisboa

Fotografia: Fernando Reis

Serralheiro: Fernando Lemos (Zito)

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto | Márcia Marques, Daniele Valério e Carol Zeferino

Produção: Patricia Borin

Realização: Coletivo Comum.

Serviço:

eXílio

Duração: aproximadamente 140 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Teatro Paulo Eiró

Temporada: 30 de maio a 15 de junho de 2025, de quinta a sábado, às 20h30, e, aos domingos, às 18h.

Endereço: Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo – SP

Ingresso: gratuito

Sessão com intérprete de libras: 13 de junho

Galpão do Folias

Temporada: 19 a 30 de junho de 2025, de quinta a sábado, às 20h30, domingos, às 18h, e, segunda-feira (30/06), às 20h30

Endereço: R. Ana Cintra, 213 – Campos Elíseos, São Paulo – SP

Ingresso: gratuito

Sessão com intérprete de libras: 27 de junho

Reservas: circulacaoexilio@gmail.com / Instagram: @coletivocomum

Redes sociais e site: www.coletivocomum.com.br | Instagram @coletivocomum.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

MASP amplia horário de visitação às terças, sextas e sábados

São Paulo, por Kleber Patricio

Claude Monet, Casa de jardineiro em Antibes [Maison de jardinier à Antibes], 1888. Cortesia do Cleveland Museum of Art, Ohio, Estados Unidos.

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP ampliou o horário de funcionamento para receber os visitantes da exposição ‘A Ecologia de Monet’. Às terças-feiras — dia de entrada gratuita —, sextas e sábados, o público poderá visitar o museu até às 22h, com última entrada até às 21h. O Sextou no MASP, que já oferecia entrada gratuita a partir das 18h às sextas-feiras, também terá seu horário ampliado, sendo válido até às 22h.

Desde a estreia da exposição A Ecologia de Monet, em 15/5, até o último domingo, 25/5, o MASP recebeu 37.470 visitantes. É um aumento de cerca de 60% em relação ao público dos 10 primeiros dias da exposição recordista até o momento, ‘Tarsila Popular’, em 2019. Desde a abertura de Monet, a média de visitação diária do museu mais do que dobrou.

Serviço:

A Ecologia de Monet

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

16/5 —24/8/25

1° andar, Edifício Lina Bo Bardi

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 22h (entrada até as 21h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 22h (entrada gratuita das 18h às 21h); sábado das 10h às 22h (entrada até as 21h); domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada).

(Fonte: Assessoria de Imprensa MASP)

Pinacoteca de São Paulo dedica maior exposição do ano à pop arte brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Detalhe Pietrina Checcacci, Dinheiro, da série O povo brasileiro (1967). Foto: Jaime Aciolo.

A Pinacoteca de São Paulo inaugura a exposição ‘Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70’, na Grande Galeria do edifício Pina Contemporânea. A exposição reúne 250 obras de mais de 100 artistas, muitas delas expostas juntas pela primeira vez, proporcionando uma visão abrangente sobre a arte do período. Com curadoria de Pollyana Quintella e Yuri Quevedo, a mostra se divide em temas que remontam aos grandes acontecimentos do período, como o surgimento da indústria cultural, a ruptura democrática e transformações sociais de diversas ordens. Podem ser vistos trabalhos de Wanda Pimentel, Romanita Disconzi, Antonio Dias e muitos outros. O público poderá ainda vestir e experimentar os famosos parangolés de Hélio Oiticica.

Em um contexto de industrialização e turbulências políticas – Guerra Fria e ditadura civil-militar – a produção artística nacional lida de maneira contestadora e irreverente com a massificação da cultura promovida pela televisão e os grandes veículos da imprensa e da publicidade. A partir da década de 1960, uma série de tendências figurativas internacionais ganham espaço no debate artístico nacional. Dentre essas tendências está a Arte Pop, original do Reino Unido, mas que ganhou fama nos Estados Unidos por meio de figuras célebres com Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Jasper Johns e Robert Rauschenberg.

Claudio Tozzi, Astronautas (1969).

Entretanto, enquanto esses artistas trabalhavam a linguagem em um contexto de país desenvolvido, industrializado e com uma produção massificada, artistas brasileiros lidavam com um cenário de subdesenvolvimento e desigualdade em que tinham de elaborar o trauma de uma sociedade oprimida pelo regime militar. “A exposição lida com um momento da história do país que ainda hoje ressoa em nosso cotidiano. Olhar para essa produção é importante para entender o início da arte contemporânea entre nós, e também as questões disparadoras de muitos dos debates da atualidade. E, diante da reunião dessas obras, podemos entender a força coletiva dos artistas de uma geração que trabalhou para denunciar, protestar e sonhar com uma nova sociedade”, afirmam os curadores.
Sobre a exposição

O interesse dos artistas pela rua, fruto do desejo de ocupar espaços mais diversos e menos institucionalizados, marcou uma série de eventos nos últimos anos da década de 1960 e no início dos anos 1970. Entre eles, figura o ‘Happening das Bandeiras’, realizado em 1968 na Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro, que reuniu artistas como Nelson Leirner, Flávio Motta, Hélio Oiticica, Carmela Gross e Ana Maria Maiolino. Na ocasião, eles expuseram bandeiras serigrafadas em praça pública promovendo uma ocupação coletiva do espaço público, em busca de um acesso mais amplo e democrático para as artes visuais. O conjunto de bandeiras originais abre a exposição na Grande Galeria.

Na sequência, há trabalhos que tratam de uma indústria cultural em formação no Brasil, exibindo estrelas da música popular brasileira, graças aos festivais televisivos, em meio à febre da corrida espacial, que transformou astronautas em ‘ícones pop’ e transmitiu imagens ao mundo do grande marco histórico que foi a chegada do homem à Lua. Grandes nomes do período estão reunidos, como Nelson Leirner, com seu altar para o rei Roberto Carlos na obra Adoração (1966), Claudia Andujar, que fotografou Chico Buarque em 1968, Flávio Império, que retratou Caetano Veloso em Lua de São Jorge (1976), o artista popular Waldomiro de Deus, com seus foguetes característicos, Claudio Tozzi, com as obras Bob Dylan (1969) e Guevara (1967), além de seus astronautas que marcaram a iconografia da pop à brasileira.

O desejo de rua e as rupturas

As restrições impostas pela ditadura civil-militar foram retratadas nas produções artísticas por meio de diferentes estratégias formais, poéticas e políticas. Na exposição, estão reunidas caricaturas de generais, presentes nas obras de Humberto Espíndola, Antonio Dias e Cybele Varela, desenhos dos presos políticos da coleção Alípio Freire, pertencentes ao Memorial da Resistência, registros fotográficos que Evandro Teixeira realizou na emblemática passeata dos 100 mil, além de trabalhos que procuraram intervir diretamente no contexto político, como as garrafas de Coca-Cola de Cildo Meireles, que compõem a obra Inserções em circuitos ideológicos (1970), e as trouxas ensanguentadas (1969) de Artur Barrio. Além disso, o tema da criminalidade também permeava as produções artísticas do período. Frente ao estado opressor, figuras de marginalidade foram evocadas como estratégia subversiva, contestando a moral e as leis. Dentre elas, destacam-se uma cena de crime pintada por Paulo Pedro Leal ainda no início dos anos 1960, o filme Natureza (1973) de Luiz Alphonsus e o clássico A bela Lindonéia (1967), de Rubens Gerchman.

O gesto pop se apropria ainda do imaginário da cidade, por meio de signos e códigos urbanos. É o caso de trabalhos como Marlboro (1976), em que Geraldo de Barros transforma restos de outdoor em pinturas, e as superfícies estruturadas com restos de acrílico e latão de Judith Lauand (Sem título, 1972). Na área central da galeria, estão reunidos trabalhos que expressam a disputa pelo espaço público. Setas, semáforos, festividades e proposições coletivas ganham centralidade nas obras. Buum (1966), de Marcelo Nitsche, Totém de interpretação (1969), de Romanita Disconzi, Lateral de ônibus (1969), de Raymundo Colares, e os emblemáticos parangolés de Hélio Oiticica, apresentados pela primeira vez há exatos 60 anos, na mostra Opinião 65, realizada no MAM-Rio, podem ser vistos pelo público. No caso de Oiticica, o visitante poderá, literalmente, experimentar os Parangolés, vestindo-os no espaço expositivo.

A década de 1960 também foi palco de uma revolução sexual fruto de eventos históricos como maio de 68, na França, e o movimento hippie nos EUA. No núcleo sobre desejo e sexualidade, estão obras de artistas que pensaram as mudanças do estatuto da sexualidade no Brasil, atravessadas também pela cultura de massa. É o caso Wanda Pimentel, com sua série Envolvimento (1968), Teresinha Soares com A caixa de fazer amor (1967) e Antônio Dias em Teu corpo (1967), além de Maria Auxiliadora, Lygia Pape e Vilma Pasqualini.

A exposição Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70 é apresentada por Bradesco e patrocinada por Livelo, na categoria Platinum, Mattos Filho, na categoria Ouro e Nescafé Dolce Gusto, na categoria Prata. A mostra será exibida no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), na Argentina, de 5 de novembro de 2025 a 2 de fevereiro de 2026.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.  

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Contemporânea | Grande Galeria

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Mata Atlântica: biodiversidade sob ameaça exige atenção urgente

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Giulia Squillace/Unsplash+.

Por Britannica Education — A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do planeta. Originalmente, cobria cerca de 1,3 milhão de km² do território brasileiro, estendendo-se por 17 estados e abrigando uma diversidade única de flora, fauna e culturas. Hoje, restam apenas cerca de 12% da vegetação original, fragmentada e sob intensa pressão humana.

O bioma é estratégico: regula o clima, protege o solo, abriga nascentes e fornece água para mais de 70% da população brasileira. É também um reduto de biodiversidade impressionante. Segundo a Britannica Escola, o Brasil é um dos 17 países megadiversos do mundo, concentrando cerca de 20% de todas as espécies descritas – e a Mata Atlântica é um dos principais refúgios dessa vida. Estima-se que o bioma abriga mais de 20 mil espécies de plantas, além de milhares de animais — incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.

No entanto, a expansão urbana desordenada, a conversão de florestas em pastagens ou monoculturas e a perda contínua de habitat colocam a biodiversidade da Mata Atlântica em risco crescente. Mudanças climáticas, poluição, espécies invasoras e tráfico de animais silvestres também agravam a situação.

Apesar do cenário preocupante, há esperança. Iniciativas de restauração ecológica vêm ganhando força, como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que já mapeou mais de 1 milhão de hectares com potencial de regeneração. Governos, organizações não governamentais, setor privado e comunidades tradicionais vêm unindo forças para proteger o que resta e recuperar áreas degradadas. A restauração florestal não apenas protege espécies ameaçadas, mas também gera empregos, promove inclusão social e contribui para a mitigação das mudanças climáticas.

O final do mês de maio marca o início de um importante período de mobilização ambiental. O Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado em 22 de maio, e o Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio, chamam a atenção sobre a urgência da conservação e a conscientização continua em junho com a Semana do Meio Ambiente, que culmina no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Sobre a Britannica Education

A Britannica Education é a divisão educacional da Encyclopædia Britannica, dedicada a transformar o aprendizado por meio de soluções inovadoras baseadas em tecnologia. Com mais de 250 anos de expertise na produção de conteúdo editorial, a empresa consolidou-se como referência global em educação digital, oferecendo plataformas interativas e conteúdos seguros para instituições de ensino, educadores e alunos em todo o mundo.

No Brasil, a Britannica Education desenvolve soluções alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), garantindo materiais educativos adaptados às necessidades do ensino local. Suas plataformas atendem escolas públicas e privadas, incluindo a rede estadual de Minas Gerais, que disponibiliza acesso às soluções da Britannica para 1,6 milhão de alunos. Além disso, parcerias com instituições como a Rede CNA e o Grupo Eleva, Pueridomus e Avenues reforçam seu compromisso com a educação de qualidade. A empresa também investe no letramento digital de educadores, promovendo capacitações para o uso eficiente da tecnologia na sala de aula.

Com um legado de inovação e compromisso com a excelência, a Britannica Education segue ampliando seu impacto na educação global, garantindo acesso a conhecimento seguro, profundo e confiável e promovendo a transformação digital do ensino.

(Com Marcos Viesi/Agência Fato Relevante)