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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Banda Carlos Gomes retorna aos palcos de Campinas

Campinas, por Kleber Patricio

Banda Carlos Gomes. Foto: Arquivo.

A Banda Carlos Gomes realiza, no próximo dia 4 de julho, às 20h, um concerto especial no Teatro Castro Mendes, que celebra os 130 anos de sua fundação. Os ingressos, que tem valor simbólico, já estão à venda pela plataforma Sympla.

Sob regência do maestro Wilson Dias e participação especial da soprano Marina Gabetta, o concerto reunirá mais de 40 músicos em um repertório que homenageia grandes nomes da música brasileira como: Pixinguinha, Guinga, Duda, Aldir Blanc e o próprio Carlos Gomes.

O Teatro Castro Mendes. Foto: Divulgação.

O evento marca o retorno da tradicional banda campineira, que ficou quase uma década sem atividades e retoma seu compromisso de levar música de qualidade para toda comunidade. Fundada em 1895 por imigrantes italianos, a Banda Carlos Gomes é um símbolo da história cultural da cidade e referência no cenário musical do interior paulista. “Essa retomada representa não apenas a preservação de um patrimônio histórico-musical de Campinas, mas também um novo ciclo de integração com o público e valorização das raízes culturais da cidade”, comenta Carlos Eduardo da Silva, presidente da Banda.

O concerto Banda Carlos Gomes – Um novo Ato tem classificação livre, acontece no dia 4/7, às 20h, no Teatro Castro Mendes, que fica na rua Conselheiro Gomide, Vila Industrial, Campinas (SP). Os ingressos custam R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia entrada) e já estão à venda na plataforma Sympla.

Repertório

Ouro Negro – Joaquim Antônio Naegele

Hino das Artes – Antônio Carlos Gomes

Conselhos – Antônio Carlos Gomes

Quem Sabe – Antônio Carlos Gomes

Carinhos – Pixinguinha e João se Barros

Suíte Pernambucana de Bolso – José Ursino da Silva (Duda)

Baião de Lacan – Guinga e Aldir Blanc

Guarany Overture – Antônio Carlos Gomes.

Serviço:

Concerto Banda Carlos Gomes – Um novo Ato

Data 4/7 | Horário 20h

Local Teatro Castro Mendes | Endereço: Rua Conselheiro Gomide, Vila Industrial, Campinas (SP) – mapa aqui

Classificação Livre

Ingresso R$5 (inteira) e R$2,50 (meia entrada) aqui

Informações (19) 99341-4163

Instagram @banda.cgomes.

(Com Samanta De Martino/Armazém da Notícia)

“Oposicantos”, no Theatro São Pedro, enuncia a dúvida como princípio fundamental da inteligência humana

São Paulo, por Kleber Patricio

Flo Menezes, compositor de Oposicantos. Foto: Helô Borges.

O Theatro São Pedro apresenta nos dias 3, 4, 5 e 6 de julho “Oposicantos”, do compositor brasileiro Flo Menezes, sob a direção musical de Eduardo Leandro e a direção cênica de Alexandre Dal Farra.

Embora faça parte da temporada lírica do Theatro, a obra não se trata de uma ópera tradicional, mas de uma ação musical multimídia em um ato constituído por 13 situações para vozes solistas, coro, 2 pianos, vasta percussão, orquestra e eletrônica. “Situações”, para Menezes, seriam segmentos formais de diversas obras assentadas sobre a ação cênica. “A ópera parafraseia o Lied (canção) como gênero e tem como cerne semântico fundamental a oposição binária entre noções, ideias e atitudes propostas pela trama poética, em estratificações e rebatimentos múltiplos. Oposicantos é uma ode à dialética. Alfa e ômega se veem contrapostos ao mesmo tempo que conjugados em um mesmo contexto, permanentemente”, diz o professor do Instituto de Artes da Unesp, fundador e diretor do Studio PANaroma de Música Eletroacústica.

Em Oposicantos, inexiste qualquer libreto linear. Os textos, em 8 línguas – alemão, espanhol, chinês, francês, inglês, italiano, latim e português –, provêm de épocas distintas e são apresentados em parcial sincronicidade, fazendo formulações poéticas contrastantes coabitarem o mesmo espaço-tempo: oposição de cantos (também no sentido dos Cantos de Dante Alighieri ou de Ezra Pound); mas também oposição de cantos do espaço. “À exceção das esferas ética e política, nas quais certos posicionamentos e atitudes revelam-se, por vezes, como irreconciliáveis, quase tudo que se vê por um ângulo ganha sentido mesmo se visto pelo ângulo oposto. Trata-se, aqui, de enunciar a dúvida como princípio fundamental da inteligência humana”, destaca Menezes.

Se em Ritos de Perpassagem – ópera de Flo Menezes apresentada no Theatro São Pedro em 2019 – a base se assentava no pitagorismo, Oposicantos tem no estoicismo seu esteio semântico: transcriações (textos poeticamente reformulados pelo compositor) dos fragmentos de Crisipo de Solos, principal estoico e único “personagem” da ópera, emergem em meio à profusão de textos que ora se contradizem, ora simplesmente divergem e trazem à luz visões distintas sobre uma mesma coisa.

Desafios cênicos e musicais

Cantor Gustavo Lassen será Crisipo. Foto: Íris Zanetti.

Para o diretor cênico Alexandre Dal Farra, Oposicantos é sobretudo uma obra de música especulativa, no sentido de ser uma composição musical que procura outras possibilidades sonoras, outras perspectivas musicais que não são aquelas que tradicionalmente estamos acostumados a ouvir. “Trata-se, portanto, de um espetáculo disruptivo na sua própria base, sua estrutura, que renega os caminhos tradicionais da música com que temos contato diariamente, sempre baseada numa narrativa sensorial previsível, um caminho repetido que sempre já sabemos onde vai dar, sem que sequer nos demos conta disso. Como proposta radical de especulação musical, exploração de outras sensibilidades, a obra musical é de complexidade extrema – não só pela música em si, mas também pela densidade das referências textuais”, afirma Dal Farra, salientando a importância da concepção visual de Raimo Benedetti para o espetáculo, no sentido de carregar o público visualmente por essa viagem de complexidades. “Embora haja muita sobreposição e muitas referências, não se trata de caos. Um princípio ordena a obra como um todo, e como que se transmuta em diversas formas: o princípio da oposição, como sugere o título. O conceito central, me parece, é o de que as oposições, aqui, não se excluem, não existem em uma relação de disputa, de embate (ou de conflito, como se diz no universo do drama), que precisa ter um embate e um desfecho, em que um dos lados vence. Aqui, a oposição não se resolve, sequer chega a haver conflito – mas há tensão, ou, ainda, tensões”, diz.

Na visão do diretor musical Eduardo Leandro, que estará à frente da Orquestra do Theatro São Pedro, Oposicantos é uma obra que desafia definições de gênero, pois utiliza elementos operativos, mas também de canção ou Lieder, desafia noções de instrumentação (orquestra-música de câmera-solo), da função da voz (poesia-narração), de espaço virtual (camadas-pêndulos imaginários) e real (disposição dos cantores e instrumentistas por volta da plateia), além do uso de sons desencarnados (eletrônicos) e também produzidos por um piano físico, mas sem pianista presente. “Ela utiliza instrumentos quase motivos, como o tam-tam de Stockhausen (um gongo enorme colocado no centro do palco), os sixxens (instrumentos de percussão de metal idealizadora por Iannis Xenakis). A plateia em um ponto da obra também vira músico participante, e os músicos, muitas vezes sentados na plateia, viram espectadores. O compositor por vezes é executante, operando dispositivos eletrônicos, e o regente vira compositor participante quando gerencia partes orquestrais em que os músicos reagem a gestos não predeterminados, criando um discurso sonoro exploratório e livre”, explica Leandro, que completa: “O que é inspirador no projeto do Theatro São Pedro é que essa equipe criativa, depois de montar tantos projetos de compositores vivos e ativos, tem a experiência necessária para encarar algo como Oposicantos. Poderíamos dizer que é uma orquestra fluente nessa linguagem da ópera contemporânea, coisa que até alguns anos atrás não existia no país. O fato de existir uma companhia no Brasil que tem a coragem de montar obras inéditas que demandam recursos, tanto humanos como materiais dessa amplitude, é encorajador.”

Serviço:

Oposicantos  

Orquestra do Theatro São Pedro

Coro Contemporâneo de Campinas

Equipe criativa

Eduardo Leandro, direção musical

Alexandre Dal Farra, direção cênica

Maíra Ferreira, regente coral

Raimo Benedetti, concepção visual e vídeo

Mirella Brandi, iluminação

Awa Guimarães, figurino

Paulo Itaboraí, realizador de informática musical

Vinicius Baldaia, assistente de realização de informática musical

Ronaldo Zero, direção de palco e assistente de direção

Paulo Galvão, assistente de regência

Elenco

Gustavo Lassen (baixo), Crisipo/ Chrysippus

Katia Guedes, soprano

Luisa Francesconi, mezzo-soprano

Aníbal Mancini, tenor

Isaque Oliveira, barítono

FLO MENEZES (1962 -)

Oposicantos – 90’

Ensaio geral aberto e gratuito: 1 de julho, 19h

Récitas: 3, 4, 5 e 6 de julho

Quinta, sexta e sábado às 20h; domingo às 17h, Theatro São Pedro

Classificação etária: 14 anos

Ingressos: Plateia: R$ 124/ R$ 62 (meia)

1º Balcão: R$ 102/ R$ 51 (meia)

2º Balcão: R$ 82 / R$ 41 (meia)

Link

Theatro São Pedro

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Danilo Gonzaga apresenta “Tango-Canção” com participação de Paola Albano no Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Daniel Kersys.

No dia 3 de julho, quinta-feira, às 20h, o Sesc 24 de Maio recebe o cantor e compositor Danilo Gonzaga com o show “Tango-Canção”, que conta com a participação da cantora Paola Albano. A apresentação propõe uma viagem musical pelas origens do tango, explorando sua era gardeliana, temas românticos e canções suburbanas que marcaram o gênero.

No palco do teatro, o concerto ganha vida na voz e no violão de Danilo Gonzaga, acompanhado pelo pianista Marcelo Ahumada, que imprime ao repertório um arranjo com sotaque tangueiro e rio-platense. A presença de Paola Albano acrescenta novas camadas interpretativas, ampliando a experiência estética do espetáculo.

Sobre o artista

Foto: Diogenes Miranda.

Danilo Gonzaga iniciou sua trajetória profissional na música em 2009, ao formar o Trio José com o músico e parceiro Victor Mendes. O grupo lançou o álbum Puisia (2015), inspirado nos versos do poeta mineiro Juca da Angélica e apresentado no programa Sr. Brasil, da TV Cultura.

Radicado em São Paulo há mais de 15 anos, Danilo desenvolve trabalhos ao lado do poeta e letrista Paulo Nunes e colabora com diferentes compositores. Em 2018 lançou seu primeiro disco solo, Alta Velocidade Parada. Seu trabalho mais recente é 3 Tangos e um Chamamé (2023), em parceria com o violonista e maestro argentino Osvaldo Burucuá.

Ouça:  Apple Music / YouTube Music / Amazon Music  | Veja: You Tube.

Serviço:

Danilo Gonzaga – Tango-Canção – Participação especial de Paola Albano

Data: 3/7, quinta, às 20h

Local: Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô

Classificação: Livre

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 24/6 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 25/6 – R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$18 (Credencial Sesc).

Duração do show: 80 min

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Acompanhe nas redes:

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sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino /Sesc 24 de Maio)

Fundação FEAC abre inscrições para a 25ª edição de seu Prêmio de Jornalismo com foco em Desenvolvimento Territorial

Campinas, por Kleber Patricio

Troféu do Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo do ano passado; para 2025 o foco deve ser o desenvolvimento territorial. Foto: Manuel Correia.

O desenvolvimento territorial comunitário é um processo que busca promover o bem-estar social de forma integrada e duradoura em áreas específicas, respeitando suas particularidades e articulando ações que se coordenam, inclusive escutando e envolvendo os moradores para que haja uma transformação econômica, social, ambiental e política. Seu objetivo é garantir uma evolução equilibrada, respeitando a identidade e os recursos locais, de forma que cada território seja visto como protagonista de sua própria trajetória.

Devido à grande relevância do assunto, ‘Desenvolvimento Territorial – Integrando Esforços para Alavancar Transformações Duradouras’ é o tema escolhido para a 25ª edição do Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo, com o objetivo de destacar reportagens e conteúdos que demonstrem como ações articuladas em diferentes territórios podem promover bem-estar social, inclusão e qualidade de vida de forma sustentável.

Renato Nahas, presidente do Conselho Curador da Fundação FEAC, destaca que a iniciativa visa reconhecer a importância do jornalismo e da comunicação na construção de uma sociedade mais equitativa, por meio da disseminação de pautas que reforcem o papel das políticas públicas, da convivência comunitária, do acesso a direitos e da inclusão produtiva como pilares para o fortalecimento de comunidades. “É uma honra chegarmos ao jubileu de prata do nosso Prêmio de Jornalismo. Com esse tema, queremos inspirar os profissionais de comunicação a serem agentes dessa transformação. Que suas pautas não apenas contem histórias, mas também provoquem um futuro melhor”, afirma.

Para Claudia Dias, gerente de Comunicação e Marketing da Fundação FEAC, esse movimento se alinha diretamente com a atuação da instituição nos últimos anos. “Temos trabalhado de forma intensa e integrada nos territórios mais vulnerabilizados de Campinas. Ao lançar essa nova edição do Prêmio, queremos incentivar jornalistas e comunicadores a aprofundarem esse olhar sobre os territórios e contribuírem para visibilizar soluções sociais que nascem dentro das comunidades. A comunicação é, sem dúvida, uma ferramenta estratégica para fortalecer vínculos, ampliar redes e inspirar políticas públicas”.

Muito além da melhoria de indicadores sociais e econômicos, o desenvolvimento territorial envolve a valorização das relações, a construção de vínculos locais, o fortalecimento da cidadania e a articulação de políticas públicas que façam sentido para quem vive em cada lugar. Em Campinas, a FEAC mantém ou apoia vários projetos com esse enfoque. “Temos o Desenvolve Amarais e as ações no Jardim Novo Flamboyant, além de outras iniciativas espalhadas pela cidade com o objetivo de gerar oportunidades reais de trabalho e renda, acesso à educação de qualidade, convivência comunitária saudável, e acesso a direitos. A articulação de todos esses fatores, baseados em estudos, diagnósticos e planos, além de fortalecer o capital social do território, é a base do Desenvolvimento Territorial Comunitário”, esclarece Rafael Moya, gerente de Desenvolvimento Territorial da Fundação FEAC.

Quem pode participar e como se inscrever

O Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo é voltado a jornalistas, comunicadores, estudantes universitários e Organizações da Sociedade Civil (OSCs) da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Os trabalhos devem ter data de publicação ou veiculação entre 1º de janeiro e 25 de outubro de 2025, podendo, inclusive, ser disponibilizados em plataformas digitais, desde que comprovem alcance de público residente na Região Metropolitana de Campinas (RMC) e tratem de ações realizadas no município.

As inscrições já estão abertas, são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pelo site www.feac.org.br/premiofeac até às 23h59 do dia 25 de outubro de 2025. A confirmação da inscrição será enviada por e-mail após o preenchimento da ficha e envio completo do material.

Categorias, modalidades e premiação

Nesta edição, a premiação contemplará quatro modalidades: Jornalista, Profissional de Comunicação, Universitária e Social (OSCs e beneficiários de projetos sociais que produzam conteúdos de comunicação). Os participantes poderão se inscrever em uma das seguintes categorias: Fotojornalismo, Impresso, Online, Rádio, Televisão ou Cinegrafista. Cada categoria exige documentação específica de comprovação de autoria e veiculação, conforme previsto no regulamento.

Serão distribuídos R$ 50 mil em prêmios, sendo R$ 5 mil para cada uma das seis categorias da modalidade Jornalista, R$ 5 mil para um Profissional de Comunicação, R$ 5 mil para um universitário, R$ 5 mil para um profissional de OSC e R$ 5 mil para beneficiário de projeto.

Segundo o diretor executivo da Fundação FEAC, José Roberto Dalbem, a expectativa é alta para a qualidade e quantidade de trabalhos inscritos. “É preciso olhar para os territórios com sensibilidade, escuta e compromisso. Ao reconhecer os profissionais que ajudam a contar essas histórias, o Prêmio reafirma o compromisso da FEAC com uma transformação que seja coletiva e permanente”, completa.

Serviço:

25ª edição do Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo

Inscrições: até 25 de outubro de 2025

Divulgação dos finalistas: até 20 de novembro de 2025

Premiação: prevista para 10 de dezembro de 2025 (data sujeita a alterações)

Mais informações e regulamento: www.feac.org.br/premiofeac.

Sobre a Fundação FEAC

A Fundação FEAC é uma organização independente localizada em Campinas, dedicada a criar uma sociedade mais justa e sustentável. Focada em educação, assistência social e promoção humana, a FEAC investe em projetos próprios e em parcerias com outras organizações para apoiar regiões e populações vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes. Financiada por recursos próprios e parcerias institucionais, a Fundação é gerida por um Conselho Curador e uma Diretoria Executiva, com uma equipe técnica especializada em suas áreas programáticas. Para mais informações, acesse https://feac.org.br/.

(Com Karina Fusco/Verdelho Comunicação)

Estudo revela como ONGs feministas enfrentaram a violência de gênero durante a Covid-19

Brasil, por Kleber Patricio

Redes foram essenciais para enfrentar a violência de gênero em meio ao isolamento e à retração do Estado. Foto: FreePik.

Durante a pandemia de Covid-19, a violência contra mulheres no Brasil aumentou em meio ao isolamento social e ao colapso das políticas públicas de proteção. Só em 2021, o Brasil registrou 1.437 casos de feminicídio, sendo mais de 60% das vítimas mulheres negras, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Nesse contexto de retração estatal, organizações feministas assumiram um papel essencial no enfrentamento dessa violência, como revela um estudo publicado nesta quarta (21) na revista Cadernos Gestão Pública e Cidadania.

Assinado por pesquisadoras da Universidade de Brasília (UnB), o trabalho analisou as estratégias de oito entidades — seis ONGs e dois coletivos — atuantes em níveis local, estadual e nacional. São elas: Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), Coletivo Feminino Plural, Coletivo Helen Keller, Coturno de Vênus, Instituto Patrícia Galvão, Nova Mulher, Promotoras Legais Populares e Tamo Juntas. As autoras usaram análise qualitativa baseada em entrevistas e conteúdo de redes sociais para compreender como essas organizações enfrentaram o aumento da violência contra as mulheres.

“Foram muitos os problemas envolvidos. Mas a questão das formas de atuação, de se utilizar mais a questão tecnológica, foi uma das principais. Porque ao mesmo tempo que é uma ferramenta favorável, ainda mais nesse contexto em que não podíamos ter a proximidade física, ela também oferecia desafios. E se o agressor, de repente, tomar o aparelho da mulher que está utilizando para entrar em contato com os movimentos? E as mulheres que não tinham acesso à internet?”, diz Thays de Souza Nogueira, socióloga e uma das autoras do artigo.

A análise identificou um conjunto diversificado de estratégias usadas pelas organizações feministas para lidar com o agravamento da violência contra as mulheres, como:

1 – Virtualização de atendimentos jurídicos, psicológicos e formativos;

2 – Ações emergenciais de distribuição de alimentos, itens de higiene e materiais informativos;

3 – Criação de campanhas de conscientização nas redes sociais e produção de conteúdo digital;

4 – Incidência política e articulação com parlamentares e conselhos de direitos;

5 – Monitoramento de serviços públicos e denúncia de retrocessos institucionais;

6 – Estabelecimento de parcerias com outras organizações e arrecadação por meio de doações;

7 – Produção de pesquisas, dossiês técnicos e ações de formação para servidores públicos;

8 – Integração entre o apoio material e o atendimento às vítimas de violência, de forma simultânea e coordenada.

Entre os exemplos mais marcantes, o Coletivo Feminino Plural, no Rio Grande do Sul, manteve o atendimento presencial por meio da gestão do Centro de Referência de Atendimento à Mulher, em parceria com a prefeitura local. Já o CFEMEA, com sede em Brasília, priorizou a atuação política remota, com incidência legislativa, campanhas digitais e apoio técnico em redes feministas nacionais e internacionais. Essas ações mostraram uma forte capacidade de adaptação aos desafios impostos pelo isolamento social e pelas barreiras tecnológicas.

Um dos achados centrais da pesquisa é que essas organizações atuaram como substitutas do Estado, oferecendo serviços como acolhimento, orientação jurídica e capacitação profissional em um momento de forte retração das políticas públicas para mulheres. A escassez de financiamento e a insegurança digital — sobretudo a dificuldade de manter contato com mulheres isoladas com seus agressores — foram desafios recorrentes para essas redes de apoio.

Diante dos desafios da pandemia, essas organizações reinventaram suas formas de agir, buscando novas maneiras de apoiar mulheres em situação de violência mesmo quando tudo parecia desmoronar ao redor, o estudo mostra como os grupos feministas adaptaram suas ações ao contexto da pandemia, inovando em formatos e ampliando redes de solidariedade.

A atuação dessas organizações mostra que, mesmo nos piores cenários, há inovação e resposta social capaz de proteger vidas. A pandemia escancarou falhas estatais, mas também revelou a potência das redes feministas. “Foi justamente a força do coletivo que trouxe acesso a muitos direitos na história do mundo — e nesse período não foi diferente”, conclui Nogueira.

(Fonte: Agência Bori)