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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Pinacoteca de São Paulo realiza segunda edição da festa junina no próximo domingo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Ana Rosa Debastiani Ribeiro/Pixabay.

A Pinacoteca de São Paulo realiza a segunda edição de sua festa junina no edifício Pinacoteca Contemporânea. Dando fôlego à programação cultural do museu, a Pina Junina acontece no domingo, 29/6, das 13h às 20h. O evento é gratuito.

Este ano a festa contará com o set da DJ Evelyn Cristina, das 13h às 16h, apresentação de forró com o Trio Mana Flor, das 16h às 17h, e o projeto Som na Rural, das 17h às 19:30h. O projeto leva música e performances de forma itinerante para diversas cidades há 15 anos e se tornou patrimônio imaterial de Pernambuco em 2024, fazendo sua última parada na Pina Junina após circular por diversos espaços culturais na cidade de São Paulo.

A praça de alimentação, com comidas e bebidas típicas, ficará por conta do projeto Pão do Povo da Rua, iniciativa do Instituto de Pesquisa da Cozinha Brasileira que atua no território da Luz na distribuição de marmitas para os moradores do entorno. À 15h acontece o bingo.

SOBRE O SOM NA RURAL

O Som na Rural é um projeto itinerante de ocupação artística e cultural que transforma uma antiga rural modelo em palco móvel, levando música, poesia, performances e intervenções para as ruas, praças e comunidades. Fundado e realizado pelo artista Roger de Renor e Nilton Pereira, o projeto nasceu em Recife e tem como base a valorização da cultura popular pernambucana, dialogando com suas raízes e misturando tradição e contemporaneidade.

Em 2024, o Som na Rural completou 15 anos de estrada e se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Recife, uma afirmação da cultura pernambucana como força viva, pulsante e em constante reinvenção.

SOBRE O TRIO MANA FLOR

O Trio Mana Flor é um grupo composto de três mulheres que celebram a força feminina e a riqueza da cultura nordestina por meio do forró e de outros ritmos tradicionais. Formado por Cimara Gomes Ferreira Fróis (sanfona e triângulo), Talita Del Collado Larcipretti (zabumba) e Carolina Bahiense Guimarães (sanfona e triângulo), o trio foi criado em 2008 e se destaca por ser o primeiro trio de forró composto exclusivamente por mulheres no Brasil.

SOBRE O PÃO DO POVO DA RUA

O Pão do Povo da Rua é um projeto realizado pelo Instituto de Pesquisa da Cozinha Brasileira (IPCB), e que diariamente produz 3.000 pães e bolos conceituais, nutritivos e saborosos, destinado à distribuição para as pessoas em situação de rua, no centro de São Paulo. Esses pães e bolos são produzidos por pessoas que estavam em situação de rua e que, acolhidas pelo projeto, ingressaram no programa de capacitação em panificação.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais. A Pina também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo.

Serviço:

Pina Junina

Período: 29.06.2025 – das 13h às 20h

Curadoria: Clarissa Ximenes

Evento gratuito

Local: Edifício Pinacoteca Contemporânea – Praça do museu

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h).

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Memórias de infância com jornadas transatlânticas entre Brasil e Portugal

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

O título Nunca mais é muito tempo – a história incomum de uma menina comum, escrito por Natalia Rodrigo, reflete a percepção de tempo influenciada por vivências e emoções de uma menina que, desde cedo, viveu entre vários mundos, em diferentes aspectos. A partir do olhar infantil, a autora conta a trajetória de uma família que migrou de Portugal para o Brasil em busca de oportunidades e para escapar das dificuldades do período salazarista, quando a economia estava quase estagnada, as aldeias viviam isoladas e as pessoas lutavam, com dificuldade, no dia a dia, para sobreviver.

A obra apresenta a visão de uma garota nascida no interior de São Paulo, filha de portugueses oriundos de uma aldeia em Trás-os-Montes. Desde sempre, ela convive com o sonho acalentado pelas pais: o de retornar à sua aldeia, no norte de Portugal, de onde se despediram da família e partiram para o outro lado do Atlântico, logo após o casamento. Um horizonte que lhe parece improvável, mas ele se torna realidade sem muita demora, quando “a grande viagem” acontece.

Dividido em três partes — o início da vida no Brasil, a ida a Portugal e o retorno —, o enredo retrata as emoções típicas de processos de mudança, inesquecíveis para a menina. Com o olhar tocado pela sensibilidade infantil, o leitor percebe o mundo sob o ponto de vista da garota que, muitas vezes, ainda não consegue nomear as próprias sensações.

Entre as histórias, contadas de forma não linear, semelhante ao fluxo da memória, Natalia Rodrigo explora os contrastes socioculturais de cada país. Ao chegar na pequena aldeia transmontana, Vilar Seco, ela se depara com outro mundo, estranho aos seus olhos. Depois, entre ruas de terra, casas de pedra, comida na lareira, campos de trigo e um forte senso de comunidade, a garota deixa-se capturar por uma nova vida e, sem que perceba, a vida do Brasil vai ficando cada vez mais distante.

Quando a família volta para o Brasil, em meio a novos e diferentes conflitos de readaptação, como o sotaque português e os costumes, a menina e suas irmãs, inesperadamente, são obrigadas a enfrentar o maior desafio de suas vidas.

Ao conhecer meus avós, avistei o inevitável ponto final da vida. Subitamente, apareceu-me real, inescapável. Percebi também um outro universo, que seria o meu a partir dali. Era estranho. Eu não tinha conseguido imaginar nada parecido com o que encontrei. E ainda tinha aquela festa ruidosa e emocionada… Então, senti uma vontade incontrolável de chorar. (Nunca mais é muito tempo, p. 136)

Sobre a publicação, a autora comenta: “a história é permeada de sentimentos e sensações e até se aproxima de um romance em alguns aspectos. Não se trata de uma história factual sobre acontecimentos, mas de uma história que traz vivências extraídas da vida real e recriadas, com o calor de sensações e sentimentos experimentados durante esses acontecimentos”.

FICHA TÉCNICA

Título: Nunca mais é muito tempo

Subtítulo: a história incomum de uma menina comum

Autora: Natalia Rodrigo

Editora: Astrolábio

ISBN: 978-989-37-5845-8

Páginas: 473

Preço: R$ 57,90 (físico) | R$ 20 (e-book)

Onde comprar: Amazon.

Foto: Divulgação.

Sobre a autora | Natalia Rodrigo é socióloga, graduada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atuando com a educação profissional, passou por instituições e empresas como Senac-SP; Centro Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal para a Formação Profissional (Cenafor), do Ministério do Trabalho; e Germinal Consultoria. É coautora do livro “Metodologia do Desenvolvimento de Competências”, publicado pela editora Senac. Agora, lança o livro de memórias Nunca mais é muito tempo: a história incomum de uma menina comum.

(Com Maria Clara Menezes/LC Agência de Comunicação)

Ellen Oléria e Sérgio Vaz participam do “Sempre Um Papo” no Sesc Pinheiros, em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

A cantora e compositora Ellen Oléria e o escritor e ativista Sérgio Vaz participam de uma conversa sobre o tema “Vozes da Periferia: Literatura, Arte e Justiça Social”. O encontro é uma iniciativa do Sesc SP, em parceria com o projeto Sempre Um Papo. O evento terá a mediação da jornalista Semayat Oliveira e acontecerá no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros no dia 8 de julho, terça-feira, às 19h30. A entrada é gratuita e os ingressos ficam disponíveis para retirada uma hora antes na bilheteria do Sesc. Depois da conversa, Ellen e Sérgio participam de uma sessão de autógrafos.

Neste encontro, dois expoentes da cultura periférica brasileira — o poeta Sérgio Vaz e a cantora, compositora e ativista Ellen Oléria — refletem sobre como a arte nascida nas margens das grandes cidades transforma-se em instrumento de afirmação identitária, resistência política e justiça social. A partir de suas vivências e produções, os convidados propõem um diálogo sobre como literatura e música — articuladas a outras expressões como o slam, o rap, o grafite e o teatro de rua — tornam-se ferramentas de denúncia, consciência e esperança para as populações historicamente invisibilizadas.

Sérgio Vaz é autor de nove livros. Em 2025, ele completa 37 anos dedicados à poesia. No ano de 2021, o livro “Literatura, Pão e Poesia” (Global Editora) do autor foi escolhido pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Sérgio é cofundador do Sarau da Cooperifa (2001), movimento cultural que transformou um bar na periferia de São Paulo em centro cultural. Em 2007, em parceria com vários coletivos da região elaborou a Semana de Arte Moderna da Periferia Além disso, criou projetos como o Cinema na Laje, Prêmio Cooperifa, Poesia no ar, Natal com livros, entre outros.

Ellen Oléria é uma das vozes mais marcantes da música brasileira contemporânea. Ao longo de 25 anos de carreira, acumula prêmios em festivais e já lançou quatro álbuns que evidenciam sua potência criativa e conexão com as raízes musicais do Brasil. Ellen é também uma voz ativa no campo político e social, articulando arte e militância com sensibilidade e firmeza. Soprano dramática de impressionante domínio técnico e emocional, ela condensa em suas interpretações a diversidade e a força do povo brasileiro. Com um sorriso que ilumina cada canção, transforma suas apresentações em encontros de afeto, identidade e celebração.

Sempre um Papo – 39 anos

Criado em 1986, pelo jornalista Afonso Borges, o “Sempre Um Papo” é reconhecido como um dos programas culturais de maior credibilidade do país. O projeto realiza encontros entre importantes nomes da literatura e personalidades nacionais e internacionais com o público, ao vivo, em auditórios e teatros. Em sua história, chegou a 30 cidades de oito estados do País, tendo sido realizado também na Espanha e Portugal. Em 39 anos de trabalho, aconteceram mais de 7 mil eventos, que reuniram um público superior a 2,5 milhões de pessoas. Atua em conjunto com o Sesc SP há 23 anos consecutivos, tendo passado por diversas unidades da instituição.

Serviço:

Sempre Um Papo com Ellen Oléria e Sérgio Vaz

Dia 8 de julho, terça-feira, às 19h30

Retirada de ingressos, gratuitos, na bilheteria da unidade, 1h antes do início da atividade.

Local: Teatro Paulo Autran (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo).

Informações: (11) 3095-9400 – https://www.sescsp.org.br/programacao/sempreumpapo/

Informações: www.sempreumpapo.com.br – @sempreumpapo

Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Deborah Colker apresenta espetáculo “Sagração” em Campinas

Campinas, por Kleber Patricio

Fotos: Flavio Colker.

Deborah Colker, bailarina e coreógrafa brasileira, internacionalmente conhecida por seus balés que mesclam movimentos de dança com malabarismos audaciosos, estará em Campinas nos dias 28 e 2 de junho, no Teatro Municipal José de Castro Mendes, para apresentar “Sagração”, um espetáculo em que a música clássica de Stravinsky encontra ritmos brasileiros, inspirado por visões ancestrais sobre a origem do mundo. No sábado, dia 28 de junho, a apresentação será às 20h. No domingo, dia 29, às 18h. Os preços dos ingressos variam de R$ 25,00 e R$ 140,00, dependendo do setor e estão à venda na bilheteria e no site https://bileto.sympla.com.br. O Teatro Municipal José de Castro Mendes fica na Rua Conselheiro Gomide, 62, Vila Industrial, em Campinas. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura, Petrobras e Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A produção local é da Teatro GT.

O processo criativo de “Sagração” durou dois anos e meio. Déborah explica que o espetáculo é uma livre adaptação de “A Sagração da Primavera”, obra composta pelo russo Igor Stravinsky, que ganhou projeção mundial pela montagem estreada em Paris em 1913, com coreografia de Vaslav Nijinsky e produção de Sergei Diaghilev para os Ballets Russes. A composição musical é considerada revolucionária por introduzir estruturas rítmicas e harmônicas nunca antes utilizadas em partituras. “Quando decidi recontar esse clássico, pensei que teria de ser a partir da cosmovisão de povos originários do Brasil”, lembra Deborah, que também é pianista. “Stravinsky foi responsável por pontos de ruptura e provocação entre o erudito e o primitivo. ‘A Sagração da Primavera’ representa esses pontos de evolução da humanidade”, diz. Foi em uma viagem para o Xingu, durante o Kuarup, e no encontro com as aldeias indígenas Kalapalo e Kuikuro, que Deborah conheceu Takumã Kuikuro. O cineasta contou a ela como o povo do chão recebeu o fogo do Urubu Rei. Essa história é dançada e acompanhada por narração do próprio Takumã e faz parte da coleção de cosmogonias que a diretora reuniu para montar a dramaturgia do espetáculo.

“Tudo só poderia ter começado com uma mulher. Uma avó. A avó do mundo”, conclui Deborah que, com a assessoria de Nilton Bonder, revisitou a mitologia judaico-cristã. Do livro “Gênesis”, as passagens sobre Eva e a serpente e também Abraão ganham cenas que destacam momentos de ruptura. “São dois mitos que elaboram sobre a consciência humana: pela autonomia de uma mulher que desperta para caminhos interditados e transgride; e de um homem que sai da sua casa e cultura em direção a si mesmo”, destaca Nilton Bonder. Além das alegorias bíblicas, a coreógrafa também buscou referências na literatura científica. “A versão mais recente da nossa espécie é a Homo sapiens sapiens que, assim como outros seres, precisa se adaptar constantemente”, pontua Deborah, destacando a presença das personagens que representam bactérias, herbívoros e quadrúpedes no espetáculo. “Nossa dramaturgia é feita da poesia presente em mitos e teorias que pensam a existência da vida em nosso planeta”. A coreógrafa, em parceria com o diretor musical Alexandre Elias, introduziu à partitura instrumental de Stravinsky a sonoridade pujante das florestas e ritmos brasileiros. Boi bumbá, coco, afoxé e samba foram introduzidos à criação de Stravinsky. Aos acordes de instrumentos de orquestra, o diretor musical adicionou flauta de madeira, maracá, caxixi e tambores. Os paus de chuva também entram em cena no arranjo executado ao vivo pelos bailarinos. Para dar vida às narrativas e trajetórias do espetáculo, o cenógrafo Gringo Cardia incorpora 170 bambus de 4 metros de altura que simbolizam resistência e flexibilidade.

(Com Vera Longuini/Ateliê da Notícia)

“Fuga” estreia no Sesc Belenzinho e coloca o público dentro de um museu em meio a uma catástrofe climática

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Duda Portella.

O espetáculo “Fuga”, criação da Frente Coletiva, estreia no dia 4 de julho no Sesc Belenzinho. A montagem mistura diferentes linguagens artísticas para propor uma imersão nos efeitos da crise climática. A estreia acontece dia 4 de julho, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos e feriados, às 18h, até 3 de agosto, com sessões às quintas a partir de 17 de julho. Os ingressos variam de R$15 a R$50.

Idealizado pela diretora geral e encenadora Beatriz Barros e pela produtora e atriz Jennifer Souza, o espetáculo parte da premissa de que o capitalismo é um dos motores da degradação ambiental e das desigualdades sociais que dela decorrem. Desde 2023, as criadoras em conjunto com a Frente Coletiva (coletivo de artistas transdisciplinares) pesquisam o tema, tendo como ponto de partida o romance Parábola do Semeador, da escritora afro-americana Octavia Butler (1947–2006), referência central do afrofuturismo. Publicado em 1993, o livro retrata o mundo em 2025 em puro colapso climático, e essa atmosfera foi o ponto de partida para a construção de narrativas mais próximas do cotidiano contemporâneo. “Usamos essa ideia como base para criar situações que o público pudesse reconhecer como parte de sua própria realidade”, explica Beatriz.

A dramaturgia original, escrita por Louise Belmonte com colaboração da diretora e das intérpretes, se constrói por meio de uma linguagem cênica que provoca sensações físicas e emocionais: sons de chuvas intensas, trovões, falhas de energia, vento e água em cena criam um ambiente de instabilidade constante. Beatriz destaca que o som tem um papel fundamental nessa narrativa e que a presença da água no cenário interfere diretamente nas interpretações, tornando a encenação uma verdadeira orquestração de experiências sensoriais.

A história se passa dentro de um museu em São Paulo, durante uma tempestade que paralisa a cidade. Quatro trabalhadoras de um Museu ficam presas no trabalho, enquanto outras tentam chegar na instituição museológica a qualquer custo. Impedidas de retornar para casa por conta do desastre climático, elas seguem trabalhando ou seguem tentando chegar de qualquer forma ao trabalho, movidas pela urgência de garantir o sustento em meio ao caos.

Suas presenças no local revelam como o racismo ambiental afeta, de forma desigual, a população periférica. “Elas seguem trabalhando porque não têm escolha: a necessidade de garantir o sustento falou mais alto que o medo da catástrofe. Isso diz muito sobre o sistema em que vivemos”, observa Jennifer, que também atua na peça ao lado de Julia Pedreira, Joy Catharina e Tricka Carvalho.

A encenação propõe uma espécie de visita mediada a esse museu fictício. O público acompanha, em tempo real, um dia de trabalho que é rompido por uma emergência climática. A estrutura dramatúrgica se transforma junto com a narrativa: o que começa como uma cena cotidiana evolui para um espaço extracotidiano, mais instável, quase apocalíptico. Jennifer destaca essa transição ao dizer que o espetáculo começa com duas pessoas em seu ambiente de trabalho, mas aos poucos tudo se altera — a espacialidade, a relação com o corpo, o tom das falas. “O colapso também toma conta da linguagem”, conclui.

Sobre a encenação

O trabalho corporal ganha cada vez mais importância ao longo da encenação. Por isso, Castilho trouxe em sua pesquisa práticas como mindfulness, terapia somática e atividades ao ar livre. Ao mesmo tempo, o grupo estudou a maneira como o corpo se comporta após eventos traumáticos, como catástrofes naturais.

O cenário concebido por Maíra Sciuto também usou os elementos naturais ao longo do espetáculo: água, vento, lama e até o meteorito de Bendegó, o maior encontrado no Brasil e que estava exposto no Museu Nacional, dominam a cena, contribuindo para a sensação de angústia do público.

A sonoplastia segue essa mesma linha, como se a natureza estivesse se comunicando. A trilha de Lua Oliveira brinca com o efeito da água e constrói uma espacialidade tridimensional no espaço cênico. “Pensamos em muitas coisas que pudessem deixar Fuga bem sensorial. Não queremos que os espectadores saiam indiferentes do teatro”, defende Beatriz.

Para a Frente Coletiva, o apocalipse não é uma questão, porque o planeta já está em colapso. “A obra pretende dar forma a tudo que vemos e escutamos. De dizer que sim, ouvimos: cada queimada, cada deslizamento, cada espécie desaparecida, cada corpo que afunda”, completa.

Ficha Técnica

Idealização: Beatriz Barros e Jennifer Souza

Encenação e Direção geral: Beatriz Barros

Assistência de Direção: Jennifer Souza

Dramaturgia: Louise Belmonte

Colaboração dramatúrgica: Jennifer Souza, Julia Pedreira, Joy Catharina, Tricka Carvalho e Beatriz Barros

Elenco: Jennifer Souza, Julia Pedreira, Joy Catharina e Tricka Carvalho

Direção Musical e Trilha Sonora Original: Lua Oliveira

Direção de Movimento e Preparação Corporal: Castilho

Cenografia: Maíra Sciuto

Assistente de Cenografia: Matheus Muniz

Cenotécnico: Alicio Silva

Figurino: Ayomi Domenica

Costureiro: Jonhy Karlo

Assistente de figurino: Regina Torres

Videografia: Gabriela Miranda

Desenho e Operação de Luz: Matheus Brant

Operação de Luz e Vídeo: Matheus Espessoto

Operação de Som: Caike Souza

Fotografia: Duda Portella

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes

Produção: Corpo Rastreado | Jack dos Santos.

Serviço:

Espetáculo Fuga

De 4 de julho a 3 de agosto. Sextas, sábados, às 20h. Domingos, 18h30. E a partir de 17 de julho também às quintas, às 20h.

Ingressos: R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00 (meia-entrada); R$ 15,00 (Credencial Plena).

Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Local: Sala de Espetáculos I (130 lugares). Duração: 100 min. Classificação: A partir de 14 anos.

Acessibilidade em libras de 1 a 3 de agosto.

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700 | sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento: De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

Transporte público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube –

Foto: Duda Portella.

@sescbelenzinho

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)