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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Semana de Música de Câmara da Orquestra Sinfônica da Unicamp traz concertos gratuitos com o Quinteto de Metais e o Quinteto de Sopros na ADunicamp

Campinas, por Kleber Patricio

Fotos: Ton Telles.

A Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) promove, entre os dias 1º e 3 de julho, mais uma edição da sua Semana de Música de Câmara, com dois concertos gratuitos no Auditório da ADunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp) que evidenciam a versatilidade e o talento de seus músicos.

Na terça-feira, 1º de julho, o destaque é o Quinteto de Metais da OSU, que sobe ao palco da ADunicamp às 20h com um programa eclético reunindo obras originais e tradicionais para esta formação.

Já na quinta-feira, 3 de julho, também às 20h na ADunicamp, é a vez do Quinteto de Sopros da OSU apresentar um repertório com forte presença da música brasileira em parceria com o Centro de Documentação de Música Contemporânea (CDMC).

Ambos os concertos oferecem ao público a oportunidade de conhecer o repertório e a sonoridade de formações camerísticas menos frequentes nas salas de concerto, com interpretações que equilibram tradição e inovação. A entrada é gratuita e aberta a toda a comunidade.

A Orquestra Sinfônica da Unicamp

A Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) é um corpo artístico profissional, mantido pela Universidade Estadual de Campinas, que está vinculado ao Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp (Ciddic).

Fundada em 1982, a OSU realiza concertos, óperas, gravações, espetáculos multimídia, programas de educação e formação de público, música de câmara, atuando paralelamente como laboratório de pesquisa em criação e performance musical. Seus projetos também incluem o Fórum Gestão Orquestral e Compromisso Social, que tem por objetivo a atualização de líderes e gestores do meio sinfônico, e o Projeto Identidade, Música e Arquitetura, em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), que leva música e história aos prédios e espaços públicos da cidade de Campinas.

Serviço:

Semana de Música de Câmara da Orquestra Sinfônica da Unicamp
Quinteto de Metais

Data:1º de julho, terça-feira

Horário: 20 horas

Quinteto de Sopros

Data: 3 de julho, quinta-feira

Horário: 20 horas

Local: Auditório da Associação dos Docentes da Unicamp (ADUnicamp)

Av. Érico Veríssimo, 1479 – Cidade Universitária, Campinas – SP. CEP 13083-851

Telefones: (19) 3521-2470 | (19) 3521-2471.

(Fonte: Ciddic/Unicamp)

Exploding Star Orchestra lança novo álbum pelo Selo Sesc

São Paulo, por Kleber Patricio

Exploding Star Orchestra. Foto: Acervo Sesc Audiovisual.

Direto de Chicago, a Exploding Star Orchestra, dirigida pelo trompetista e compositor estadunidense Rob Mazurek, lança pelo Selo Sesc o álbum digital “Holy Mountains”. O disco chegou às principais plataformas de áudio em 27/6 e é fruto do encontro musical inédito do grupo no Sesc Pompeia durante o Sesc Jazz de 2022.
Contemporânea e multicultural, a Exploding Star Orchestra nasce em 2005 representando a diversidade musical de Chicago. Já especialmente para as apresentações no Sesc Jazz, Mazurek reuniu músicos dos Estados Unidos, Itália e Brasil, dando assim um caráter único para a presença do grupo no Brasil.

Bastante autêntico, o som traz características estéticas singulares: jazz espiritual, efeitos sonoros variados, voz e percussões, em composições altamente rítmicas, que são a cara da orquestra. Por meio da spoken word, a voz entra em cena como mais um dos instrumentos. Formando poemas sonoros, as vozes de Damon Locks e Rodrigo Brandão se engendram nas melodias de maneira etérea.

Foto: Anderson Rodrigues.

A partir da inédita gravação do show ao vivo, o grupo trabalhou sobre o material gerando uma nova produção fonográfica com a inclusão de elementos e remixagem da gravação, o que transformou a performance original numa nova obra artística.

A intenção da Exploding Star Orchestra é se afirmar como grupo além dos músicos que a compõem ou dela participam eventualmente. É sobre a projeção do som pertencente à imaginação e à trajetória do som como movimento no tempo e no espaço, tecendo padrões e não padrões ao redor e dentro da ideia do poema. “Eu faço o papel de maestro, diretor, compositor, todas essas coisas. O grupo é um veículo para a imaginação. Eu confio nos músicos implicitamente em tudo. Eu digo ‘faça algumas das coisas que eu faço, mas não todas. Você pode tomar suas próprias decisões, claro’. Todos são mestres da improvisação e músicos criativos, então eu não preciso falar muita coisa. Você também traz sua cultura para a música. O máximo de liberdade possível”, diz Mazurek.

Composto por 6 faixas, o disco abre com Spirit Flare – Part 1 – Summon The Spirits, seguida das partes 2 e 3, Shaman Awake e Língua de Cobra, respectivamente. Afterburn (Parable 400), Parable 3000 e The Mountain Speaks, lançada como single, completam o disco.

Foto: Anderson Rodrigues.

Quanto ao nome do grupo, Exploding Star Orchestra conversa intimamente com a ideia que Mazurek tem de mundo e de como o ser humano se encontra dentro dele. “A ideia de espaço e ficção científica e ficção especulativa na obra tem tudo a ver com isso. Para mim é tentar imaginar um futuro mais utópico. Estou sempre pensando em termos de que nós viemos das estrelas. Se todos viemos de matéria estelar e todos percebessem isso e acreditassem nisso, não haveria guerras, quase não haveria conflitos porque todos concordaríamos em algo. Muitas vezes quando penso seja em Stars Have Shapes, ou Dimensional Stardust, ou A Wrinkle in Time Sets Concentric Circles Reeling ou alguns desses títulos que eu uso, é tudo muito específico e tem a ver com criar uma energia e tentar encontrar essas rachaduras e fissuras dentro da regularidade das coisas que fazemos todos os dias. Poder achar essas rachaduras onde a magia se encontra”, completa.

SOBRE A EXPLODING STAR ORCHESTRA

Enquanto o trabalho de Rob Mazurek como músico se expande desde estudos com corneta, piano e trompete piccolo até incorporar música concreta e experimentações eletrônicas, suas composições para grandes conjuntos revelam um senso intuitivo de escala. Convidado pelo Chicago Cultural Center e pelo Jazz Institute of Chicago em 2005 para montar um grupo que representasse a diversidade da vanguarda contemporânea da cidade, Mazurek reuniu um ensemble de 14 músicos e começou a compor músicas para o que se tornaria sua Exploding Star Orchestra. Incluindo músicos das frequentemente segregadas comunidades das zonas norte, sul e oeste de Chicago – desde seus colaboradores de longa data ligados ao universo expansivo da banda Tortoise, até destaques da Great Black Music da reverenciada Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM), passando por revivalistas do free jazz do grupo Umbrella Music – a Exploding Star Orchestra (ESO) estreou no epicentro urbano do Millennium Park de Chicago e, pouco depois, foi ao Soma Studios do produtor e engenheiro de gravação John McEntire para gravar We Are All From Somewhere Else (Thrill Jockey, 2007). Na época do lançamento de Galactic Parables Vol. 1, o álbum triplo de 2015 da ESO, Mazurek comentou à Pop Matters que a ESO é “o centro conceitual, composicional e filosófico de todo o meu trabalho. Uma estrela vital de ideias musicais, visuais e conceituais”, completa.

FAIXAS

1 – Spirit Flare – Part 1 – Summon The Spirits (Robert Allen Mazurek)

2 – Spirit Flare – Part 2 – Shaman Awake (Robert Allen Mazurek)

3 – Spirit Flare – Part 3 – Língua de Cobra (Robert Allen Mazurek)

4 – Afterburn (Parable 400) (Robert Allen Mazurek)

5 – Parable 3000 (Robert Allen Mazurek)

6 – The Mountain Speaks (Robert Allen Mazurek)

FICHA TÉCNICA

Holy Mountains

Rob Mazurek – direção musical, trompete, corneta e percussão

Chad Taylor – bateria

Damon Locks – voz e eletrônicos

Guilherme Granado – sampler, teclados e percussão

James Brandon Lewis – saxofone tenor

Luke Stewart – contrabaixo

Mikel Patrick Avery – bateria eletrônica

Pasquale Mirra – vibrafone

Philip Somervell – piano

Rodrigo Brandão – voz

Thomas Rohrer – rabeca e saxofone soprano

Gravado em outubro/2022 no Sesc Pompeia

Produção executiva: Camila Miranda

Produção Musical: Rob Mazurek, Guilherme Granado e Rodrigo Brandão

Composição e arranjos: Rob Mazurek

Gravação: André KBELO Sangiacomo

Mixagem e edição: Scotty Hard no estúdio Duro of Brooklyn, Nova York.

Masterização: Mike Fossenkemper no estúdio Turtle Tone, Nova York.

Ouça Holy Mountains.

SOBRE O SELO SESC

Desde 2004 o Selo Sesc traz a público obras que revelam a diversidade e a amplitude da produção artística brasileira, tanto em obras contemporâneas quanto naquelas que repercutem a memória cultural, estabelecendo diálogos entre a inovação e o histórico. Em catálogo, constam álbuns em formatos físico e digital que vão de registros folclóricos às realizações atuais da música de concerto, passando pelas vertentes da música popular e projetos especiais. Entre as obras audiovisuais em DVD, destacam-se a convergência de linguagens e a abordagem de diferentes aspectos da música, da literatura, da dança e das artes visuais. Os títulos estão disponíveis nas principais plataformas de áudio, Sesc Digital e Lojas Sesc. Saiba mais em: sescsp.org.br/selosesc. Selo Sesc nas redes: Instagram | YouTube.

(Fonte: Assessoria de imprensa Selo Sesc)  

Pinacoteca de São Paulo apresenta exposição panorâmica de Flávio Império

São Paulo, por Kleber Patricio

Plena de graça (1971).

A Pinacoteca de São Paulo inaugura a exposição individual “Flávio Império: tens a vontade e ela é livre” no 4º andar do edifício Pina Estação. A panorâmica – que reúne quase 300 obras – abrange a produção do artista entre os anos 1960 e 1985 e tem curadoria assinada por Yuri Quevedo, curador do museu e pesquisador da obra de Flávio Império (1935–1985) há 16 anos.

Flávio Império foi um artista brasileiro em que a atuação transdisciplinar marcou profundamente a cena cultural do Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Sua importância se dá não apenas pela multiplicidade de linguagens que dominava (como pintura, arquitetura, cenografia, teatro, design gráfico e do ativismo político), mas também pela maneira como ele as articulava em uma prática artística crítica, engajada e transformadora. Império trabalhou com uma diversidade de materiais, produzindo serigrafias, pinturas, colagens, fotografia e documentários em super8.

“Flávio Império olha para cultura popular de um jeito extremamente original no meio artístico da época. Homem de teatro, buscava mais que estereótipos das personagens, mas como elas viviam, as soluções que davam para produzir a vida no cotidiano subdesenvolvido no país. Como pintor, filho de imigrantes do Bexiga, muitas vezes se entendeu mais como artesão do que como artista”, diz Yuri Quevedo, curador da mostra.

Destaques

A exposição propõe ao público uma imersão em diferentes momentos e manifestações da produção do artista, ressaltando a coerência e a liberdade que orientam sua prática tão diversa. Entre os destaques estão o projeto de figurino “fogo”, desenvolvido especialmente para a cantora Maria Bethânia para a peça Rosa do Ventos (1971), além dos estudos para capa do disco Doces Bárbaros (1976), que poderão ser vistos na segunda sala da mostra. Uma maquete descreve o projeto que o artista fez para o show Pássaro da Manhã (1977) de Maria Bethânia. Em um momento em que a ditadura militar começa a enfraquecer e surgem os movimentos de abertura, Império concebe um cenário em que a cantora surge de uma noite escura no fundo e vai gradualmente se aproximando da plateia ladeada por tecidos que representam a alvorada. No show Bethânia canta lembrando os amigos que foram exilados.

Paula Motta – Maquete.

Além disso, pela primeira vez em 60 anos as obras UDN… Respeitosamente o extinto era muito distinto, Generals in General e Marchadeira das famílias bem pensantes, que integraram a antológica exposição Opinião65, no MAM-RJ, poderão ser vistas juntas. O público poderá ver ainda a maquete da peça A falecida (1983), desafio enfrentado por Flávio Império de conceber um cenário para a peça de Nelson Rodrigues que não queria nada sobre o palco.

A mostra tem apoio Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), que emprestou 38 desenhos originais do artista, parte da coleção de mais de 10 mil itens que conserva.

Sobre a exposição

Dividida em três núcleos, a exposição mostra a trajetória do artista que tem produção concentrada no período da ditadura militar. No percurso, o público pode notar como seu pensamento e a ideia de engajamento social e político se transforma nas diversas fases de sua trajetória. A primeira sala, A pintura nova é a cara do cotidiano, mostra um artista que busca nos tipos sociais e na cultura de massas uma tradução satírica para a ditadura militar e o imperialismo estadunidense. Aqui estão reunidos os trabalhos da década de 1960, como aqueles que foram para as exposições Opinião65 e Porpostas65.

Paula Motta – Maquete.

Aparecem também obras de seus companheiros de trabalho Sérgio Ferro e Rodrigo Lefévre, assim como de alunos, entre eles Marcello Nitsche e Claudio Tozzi. Também é possível ver alguns dos trabalhos premiados no teatro, Andorra – que tinha no elenco Beatriz Segall e Renato Borghi – e Ópera dos Três Vinténs. Nessa época, o artista adaptou e dirigiu outro clássico de Brecht, “Os fuzis da mãe Carrar” se tornou “Os fuzis de dona Tereza”. Nessa montagem, Império inovou ao transferir o choro individual

da mãe que perde seu filho para guerra, para um choro coletivo, entoado pelo coro da peça enquanto se exibia imagens sobre a morte do estudante Edson Luiz.

A segunda sala – Aspectos do Inconsciente Coletivo na Comunicação de Massas estão reunidos os trabalhos mais introspectivos do artista, nos quais ele procura na subjetividade popular uma nova coletividade. São bandeiras de São João, Oguns, máscaras e outros símbolos que se fundem com a comunicação pop. É aqui que começa sua parceria com Fauzi Arap e Maria Bethânia. Nessa sala, há também o curioso cenário pensado para Pano de Boca (1976) momento em que o artista ocupa um teatro em ruínas e cria ali a representação para o inconsciente de um ator.

Por fim, a terceira sala – Mãos e mangarás – mostra suas viagens de ônibus pelo interior do Brasil e o interesse por modos de fazer diversos. Aqui vemos o artista se interessar mais intensamente pela serigrafia e a repetição de motivos que lhe são caros: as mãos e a flor de bananeira – chamada de Mangará. É possível observar Império interpretar em imagens da natureza os rendimentos da revolução sexual e de costumes levada a cabo nos anos 1970. O arco-íris aparece como uma marca de uma sociedade mais diversa, com novos atores políticos que começam a surgir na década de 1980.

Sem título, 1981.

O artista morre em 1985, adoecido pelo HIV. É um dos primeiros casos notórios do Brasil, tratado pela imprensa com preconceito e desconhecimento. Ano passado, durante o show de Madonna, seu retrato apareceu entre os homenageados durante a canção Live to tell.

Bethânia, amiga e musa

A tríade constituída pela cantora Maria Bethânia, o diretor de arte e figurinista Flávio Império (1935–1985) e diretor Fauzi Arap (1938-2013) começou com o espetáculo Rosa do Ventos (1971), que marcou época pela maneira original que combinava o espetáculo teatral e o show de música popular. A cenografia e os figurinos de Flávio Império envolvem a cantora, e constituem parte do significado do show. No espetáculo, havia trechos de textos de Clarice Lispector (1920–1970) e Fernando Pessoa (1888–1935), a construção do cenário foi desenvolvida em parceria com a Casa das Palmeiras, da médica e psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999).

O artista ainda elaborou plasticamente outras seis montagens da intérprete: A Cena Muda (1974); Os Doces Bárbaros (1976), este com Gil, Caetano e Gal; Pássaro da Manhã (1977); Maria Bethânia (1979); Estranha Forma de Vida (1981) e 20 Anos de Paixão (1985). No programa do último trabalho, dirigido por Bibi Ferreira, Bethânia homenageou o amigo recém-falecido.

A exposição Flávio Império: tens a vontade e ela é livre é apresentada por Bradesco e patrocinada por Livelo, na categoria Platinum, Mattos Filho, na categoria Ouro e Nescafé Dolce Gusto, na categoria Prata.

SOBRE O ARTISTA

Andorra (Teatro Oficina), 1964.

Flávio Império (1935-19850) formou-se em arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), mas desde cedo transitou entre os campos do teatro, das artes visuais e do urbanismo. Essa fluidez entre disciplinas era uma questão de habilidade técnica, mas sobretudo de um posicionamento crítico frente às compartimentalizações acadêmicas e ao elitismo da arte tradicional. O artista faleceu em decorrência do HIV, em 1985, aos 50 anos de idade.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Contemporânea | Grande Galeria

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Sementes nas fezes de antas germinam mais rápido e recuperam floresta degradada

Lajeado, por Kleber Patricio

Anta sul-americana em seu habitat natural; espécie é importante para a regeneração de florestas. Foto: Vladimir Cech/FreePik.

Sementes ingeridas por antas podem germinar mais rapidamente do que aquelas que caem diretamente das árvores, aponta um estudo publicado nesta sexta‑feira (27) na revista Acta Amazonica. Conduzida por pesquisadores do Programa de Pós‑graduação em Ambiente e Desenvolvimento da Univates (Universidade do Vale do Taquari) e do Instituto de Geociências da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a pesquisa reforça o papel desse mamífero como aliado natural na recuperação de florestas degradadas.

Entre janeiro de 2021 e dezembro de 2022, a bióloga Lucirene Pinto coletou fezes de antas em 140 latrinas numa área de preservação permanente no entorno de uma usina hidrelétrica, na transição Amazônia–Cerrado, em Mato Grosso. Em 88% dessas amostras havia sementes.

No laboratório, os cientistas testaram 100 sementes por tratamento para cada uma das seis espécies nativas analisadas: Spondias mombin (cajá‑da‑mata), Terminalia corrugata (mirindibá‑do‑cerrado), Enterolobium schomburgkii (angelim‑favela), Samanea tubulosa (sete‑cascas), Psidium sp. (goiabinha‑do‑mato) e Genipa americana (jenipapo).

Os resultados mostraram que a passagem pelo trato digestivo das antas elevou a taxa média de germinação para cerca de 60%, chegando a 89% em algumas espécies. Além disso, em pelo menos três delas, as sementes defecadas brotaram até duas vezes mais rápido que o controle: a goiabinha‑do‑mato germinou em 15 dias (contra 38 dias) e o jenipapo, em 17 dias (contra 40 dias). Em quatro das seis espécies, porém, um tratamento de escarificação manual — fricção das sementes para imitar a abrasão no intestino — produziu resultados ainda melhores, reduzindo o tempo de brotação para 22 dias em Terminalia corrugata e para cerca de 40 dias em Spondias mombin.

“Nas antas, as sementes são expostas a tratamentos: um químico, com microrganismos e enzimas, e outro físico, pela maceração no intestino”, explica o biólogo Mateus Marques Pires, coautor do artigo. Segundo o pesquisador, estudos sobre dispersão de sementes por antas remontam aos anos 1980, mas só agora foi quantificada com precisão a aceleração da germinação.

Para Pires, o animal — último mega frugívoro da América Latina — pode funcionar como facilitador da regeneração florestal. “Estamos em uma situação de perda acelerada de florestas; quanto mais rápido elas se recuperarem, maior o benefício ecológico para a biodiversidade e para o clima”, afirma. O grupo pretende agora investigar como variações sazonais, como estações secas ou chuvosas, influenciam o desempenho das sementes dispersadas pelas antas.

(Fonte: Agência Bori)

Entrevista: “Hidrelétrica não é energia limpa”, diz coordenador de monitoramento independente no Xingu

Volta Grande do Xingu, por Kleber Patricio

Josiel Juruna, coordenador de monitoramento independente, com Belo Monte ao fundo. Foto: Wajã Xipai.

Desde que a usina de Belo Monte se instalou no Xingu, os povos indígenas e ribeirinhos que dependem da pesca e da floresta para sobreviver sofrem consequências. Com a barragem, a biodiversidade no entorno se reduziu e já se sente falta de espécies antes abundantes, como dos peixes pacu, curimatã e piau. Assumindo um papel inédito na região, a Associação Aymix, do povo Yudjá/Juruna, da Volta Grande do Xingu, no Pará, decidiu se unir a pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) para realizar um monitoramento ambiental territorial independente — o Mati-VGX. O projeto alia conhecimento tradicional e acadêmico para registrar os impactos de Belo Monte sobre a floresta e o rio.

Josiel Juruna, coordenador do Mati-VGX e morador da Volta Grande, tornou-se uma referência na conexão entre ciência indígena e ocidental. “Os tomadores de decisão não valorizam quem não tem estudo. Mas o nosso conhecimento é importante”, afirma. E completa: “A única maneira de combater um projeto grande é a união. Depois que nos unimos, começamos a ter voz contra Belo Monte”.

O projeto, que começou com a observação das piracemas a partir de 2013, hoje também acompanha a vegetação, os alimentos consumidos nas aldeias e a saúde das comunidades. Já se estende por três aldeias da Terra Indígena Paquiçamba e seis comunidades ribeirinhas.

Como surgiu o projeto de monitoramento?

Nós sofremos graves impactos de Belo Monte aqui na Volta Grande [do Xingu] e identificamos que o que estava sendo registrado pelo Ibama e pela empresa não era a realidade. Então veio a ideia de fazermos um monitoramento independente e buscamos uma parceria com a UFPA.

Naquela época, a gente saía para pescar todos os dias, tinha costume de pescar à noite. A gente percebeu que tinha algumas espécies de peixe que não eram mais vistas. Não estávamos mais vendo peixes pequenos, então começamos a fazer o monitoramento de piracemas. A universidade veio com os equipamentos, e a gente não tinha nem celular. Fizemos tudo voluntariamente, não tinha bolsa, nada — só queríamos mostrar os impactos que estavam acontecendo sobre os peixes e ficavam escondidos nos estudos da empresa.

E como isso se ampliou ao longo do tempo?

Conversamos com outras comunidades e fizemos o monitoramento das piracemas, da pesca e da alimentação. A gente pesa, mede e faz toda a biometria dos peixes. É uma pessoa em cada comunidade. No começo eram só três comunidades participando, hoje são 13

E eu sempre fiquei no monitoramento com os professores e fui pegando experiência. Até hoje eu faço o trabalho de monitoramento em piracema, faço o pesômetro, que é um outro aparelho, faço inspeção da vegetação… Continuo fazendo esse trabalho, mesmo depois de me tornar coordenador.

E como funciona o monitoramento propriamente dito? 

Temos relatos dos mais velhos de que havia locais de piracema antes da barragem, que ali era o local de desova dos peixes. Aí vamos ver se tem água entrando naqueles locais onde os peixes já estavam acostumados a desovar antes da barragem. Tiramos foto por um aplicativo da régua que temos instalado. Esse aplicativo registra a data, a hora e a localização.

Verificamos se tem alguma fruta que caiu, alguma flor ou árvore morta. Utilizamos um aparelho chamado pedômetro, que mede o lençol freático. Nós monitoramos também a vegetação, checamos as árvores e vemos se as frutas estão caindo no seco ou na água.

Tem uma pessoa na aldeia responsável por medir os peixes. Tudo é pesado e medido, temos uma ficha desenvolvida para isso. Isso vai para outra pessoa que passa as informações para planilhas e vai para uma pessoa de Manaus que gera gráficos que são discutidos em algumas reuniões.

Fazemos uma reunião grande anual para aprovar as informações e relatar para o Ibama. Quando há publicações em revistas científicas, somos todos autores.

Como a chamada ciência indígena pode se aliar à ciência ocidental? Como esses dois mundos se conectam em prol da preservação da natureza?

Nós temos o conhecimento por morar na região, mas sem a ciência nunca vamos conseguir provar nada. Os tomadores de decisão e as pessoas com autoridade não valorizam quem não tem estudo. Mas o nosso conhecimento é importante.

É um pouco nova essa relação. É difícil de entender, até para os próprios cientistas, que o conhecimento local tem que ser valorizado e que o conhecimento local também é ciência. Isso ainda é uma barreira que estamos enfrentando.

No nosso caso, fomos mostrando a realidade, contando o que estava acontecendo e deixando os pesquisadores das universidades à vontade para dizerem o que achavam do que nós estávamos compartilhando. Ouvimos a opinião deles e entendemos que poderíamos juntar os conhecimentos, os deles e os nossos, formando um só. Acredito que deu certo, e segue assim até hoje.

O que vocês observaram de resultados? Quais são os efeitos da hidrelétrica de Belo Monte sobre o ciclo reprodutivo dos peixes e o modo de vida dos Juruna e dos ribeirinhos?

Conseguimos identificar que todos que moram na margem da Volta Grande sofrem algum impacto. Algumas espécies da região desapareceram. Outras identificamos que estão totalmente deformadas.

Algumas espécies de peixe não são mais consumidas por medo de estarem doentes. Outras, que faziam parte da alimentação, a gente não pesca mais. Identificamos também que os peixes estão mais magros devido às frutas que não estão caindo mais na água. Estão com tamanho menor.

Na questão da saúde, dentro da terra indígena e ao longo do rio, mudou muito. Há vários problemas que antes as pessoas não tinham que hoje estão com mais incidência. Diabetes, pressão alta, problemas digestivos. Isso por causa do consumo de mais produto da cidade e o que vem do rio.

Não é que as pessoas não queiram pescar e consumir mais do próprio rio, mas porque o rio não oferece o que ele oferecia antes.

E tem a questão da mudança de bioma. Muitas árvores já morreram ao longo da Volta Grande e as árvores também já deixaram de frutificar no tempo certo que víamos antes.

Como esse conhecimento pode prevenir outros projetos como Belo Monte?

As pessoas acham que as barragens são uma energia limpa, mas isso não existe. Em nenhum local da Amazônia nem do mundo.

As pessoas não devem acreditar no que os tomadores de decisão falam, eles dizem que as barragens não vão trazer impacto, mas trazem, sim. Elas destroem biomas e a vida de quem mora no local, destroi povos e traz várias consequências. Mas, para mostrar isso, só se unindo, formando parcerias e fazendo estudos antes de implementar uma barragem num local, porque, se você deixar para depois, como nós fizemos, fica mais difícil reverter a situação.

As pessoas têm que se unir e gerar informações para que esses projetos não aconteçam, porque eles trazem muito impacto não só social, mas mental, cultural. Só a união faz com que continuemos lutando, porque sofremos isso na pele. Depois que nos unimos, começamos a ter voz contra Belo Monte.

Quais são as suas expectativas para a COP desse ano? Pensam em apresentar os resultados do monitoramento?

Estamos planejando apresentar os resultados que conseguimos, apresentar nossas publicações, a ideia é que a gente consiga. Mas, como eu participei de uma COP na Colômbia, não crio expectativas. É um evento de cachorro grande, não dão muita visibilidade para peixes pequenos, não.

(Fonte: Agência Bori)