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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Filhotes de periquito cara-suja nascidos na Reserva Natural Serra das Almas são monitorados em etapa decisiva de reintrodução da espécie

Serra da Ibiapaba, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

No último dia 14 de abril, quatro filhotes de periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus) nasceram na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), na região da Serra da Ibiapaba, marcando um avanço histórico no processo de reintrodução da espécie, considerada uma das aves mais ameaçadas da Caatinga. Essa é a primeira reprodução registrada da espécie na região em mais de um século — um feito inédito em 114 anos.

Desde o nascimento, os filhotes e seus pais permanecem no recinto de aclimatação da RNSA, que é gerida pela Associação Caatinga, sob monitoramento constante. Acompanhamentos semanais são realizados para avaliar o desenvolvimento dos filhotes, com especial atenção à nutrição fornecida pelos pais, essencial para garantir um crescimento saudável e prepará-los para uma futura vida livre. O monitoramento inclui avaliação do score corporal, ganho de peso, anilhamento e coleta de DNA para controle genético da população.

“Ainda não é possível determinar com precisão a data em que os filhotes deixarão a área de aclimatação. Esse processo depende tanto do desenvolvimento físico quanto do aspecto comportamental, especialmente da percepção de segurança por parte dos animais. A liberação ocorrerá quando for avaliado que estão plenamente aptos para a vida em ambiente natural, momento em que as portas serão abertas, permitindo que saiam por iniciativa própria, conforme sua confiança e segurança”, destaca Gilson Miranda, gestor da Reserva Natural Serra das Almas.

A reprodução bem-sucedida reforça o potencial de adaptação do periquito cara-suja ao novo ambiente e representa um passo importante no projeto de reintrodução de aves nativas ameaçadas de extinção no Ceará, o Refaunar. A iniciativa é uma parceria entre a Associação Caatinga, o Parque Arvorar (novo parque do Beach Park) e a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis).

Leanne Soares, gerente do Parque Arvorar, destaca que cada etapa do projeto é conduzida com rigor técnico e sensibilidade, aumentando as chances de sucesso no processo de reintrodução. “A mãe desses filhotes foi acolhida no Parque Arvorar, onde passou por todos os protocolos veterinários e exames necessários. Após a avaliação clínica e comportamental da nossa equipe técnica confirmar que ela estava saudável e apta, comunicamos imediatamente os órgãos competentes, que definiram sua destinação. Juntamente com outras duas aves recebidas, ela foi integrada ao Projeto Refaunar Arvorar. Com a devida autorização dos órgãos ambientais, foi transferida para a Serra das Almas, onde se reproduziu”, relata Leanne Soares.

O periquito cara-suja havia sido completamente extinto em algumas regiões do Nordeste nos últimos 50 anos e, até 2017, estava classificado como ‘criticamente em perigo’ (CR) na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Atualmente, boa parte das áreas onde o cara-suja já ocorreu não apresenta mais ambiente adequado para o seu desenvolvimento. “Essa ave é uma espécie símbolo da biodiversidade do semiárido e sua conservação é fundamental para o equilíbrio ecológico da Caatinga. Cada indivíduo reintroduzido representa um avanço significativo na recuperação dessa espécie ameaçada e reforça a importância de ações integradas entre centros de reabilitação e unidades de conservação”, enfatiza Fábio Nunes, gerente do Projeto Cara-suja, da Aquasis.

Cara-suja e a Reserva Natural Serra das Almas

A jornada dos periquitos cara-suja na Reserva Natural Serra das Almas começou em junho de 2024, com a chegada de 19 indivíduos translocados da Serra de Baturité por meio do projeto Refaunar. Em novembro, o grupo foi reforçado com mais 10 periquitos e três aves resgatadas pelo Ibama-CE. Após um rigoroso processo de aclimatação, 18 aves já foram reintroduzidas à natureza, demonstrando sinais promissores de adaptação: utilizam caixas-ninho, alimentam-se de forma autônoma e ainda retornam aos comedouros de suplementação.

Com 6.285 hectares protegidos, a RNSA abriga a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará, um verdadeiro refúgio para a rica biodiversidade da Caatinga. Espécies ameaçadas de extinção, como o tatu-bola, encontram ali um habitat seguro e preservado.

Além de conservar a fauna e a flora nativas, a RNSA presta importantes serviços ecossistêmicos, como o impedimento do escoamento de aproximadamente 4,7 bilhões de litros de água por ano e o armazenamento de mais de 1,6 milhão de toneladas de CO₂ equivalente — contribuindo significativamente para o combate às mudanças climáticas.

Reconhecida pela Unesco como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Caatinga, a Serra das Almas alia conservação ambiental, pesquisa científica, ecoturismo e desenvolvimento sustentável. Cerca de 40 comunidades do entorno participam de iniciativas socioambientais que promovem geração de renda e estratégias de convivência com o semiárido, dentro do Modelo Integrado de Preservação da Caatinga.

A estrutura da reserva inclui trilhas ecológicas, alojamentos, viveiros, meliponário, torre de observação e exposições educativas. Aberta à visitação mediante agendamento, a RNSA se consolida como um santuário natural e um exemplo inspirador de como a conservação ambiental pode transformar realidades.

(Com Gio Macario/Index Conectada)

71,6% da Geração Z mudaria de emprego por uma cultura organizacional desalinhada com seus valores, mostra pesquisa

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Getty Images/Unsplash+.

A geração Z, formada por jovens de 16 a 29 anos, está prestes a se tornar maioria no mercado de trabalho. E, ao contrário do que muitos imaginam, essa parcela da população já tem bem definida a direção que deseja seguir — e também os caminhos que não pretende trilhar. De acordo com pesquisa exclusiva do Infojobs, maior HRTech da América Latina, 60,3% da Geração Z entrevistada não está trabalhando atualmente. E, entre os que estão empregados (39,5%), a maioria (65,1%) não pretende continuar na mesma área pelos próximos 10 anos. O dado escancara a instabilidade e a insatisfação desses jovens diante do mercado atual.

O estudo contou com 1.003 respondentes e mapeou os desejos, expectativas e prioridades profissionais dessa geração. O resultado é um retrato contundente das transformações em curso nas relações de trabalho — e um alerta para as empresas que desejam atrair e reter talentos jovens. “O mercado precisa parar de subestimar essa geração. Afinal, é a nossa força de trabalho atual. Eles estão em busca de crescimento, propósito e bem-estar, e rejeitam modelos de trabalho ultrapassados. Não é sobre descompromisso, é sobre uma mudança no modo de encarar suas carreiras e repriorizar seus objetivos”, afirma Ana Paula Prado, CEO do Infojobs.

A pesquisa mostrou também que, para o grupo, o fator mais decisivo para a escolha de uma carreira é, sem surpresas, salário e estabilidade financeira, apontado por 70% dos jovens como prioridade. Mas a remuneração não vem sozinha: equilíbrio entre vida pessoal e profissional (49,4%) e oportunidades de crescimento (48,2%) aparecem logo em seguida, mostrando uma geração que quer evoluir no trabalho— mas não às custas da saúde ou da qualidade de vida.

Ambientes tóxicos não são mais tolerados

E quando algo não vai bem, eles não hesitam em mudar. O principal motivo para pensar em deixar uma empresa, segundo 71,6% dos respondentes, é um ambiente tóxico ou uma cultura organizacional desalinhada com seus valores. A falta de reconhecimento (45,2%) e a ausência de equilíbrio (36,5%) também pesam na decisão. “Eles não aceitam mais o discurso de que ‘é assim mesmo’, questionam e querem melhorar. Essa geração entendeu que respeito, inclusão e transparência são pilares fundamentais para a vida, incluindo a rotina de trabalho”, reforça Ana Paula.

A postura mais crítica e seletiva da Geração Z está impulsionando uma reconfiguração nas estratégias de gestão de pessoas. Empresas que insistem em manter modelos hierárquicos engessados, jornadas inflexíveis e culturas baseadas no medo e no controle estão, pouco a pouco, se tornando menos atrativas. Os jovens talentos estão atentos à coerência entre o que é dito e o que é praticado — e não hesitam em denunciar ou simplesmente sair de empresas que não entregam o que prometem.

Também há valorização profunda ao aprendizado contínuo. A pesquisa mostra que 41,7% dos entrevistados consideram as oportunidades de capacitação e desenvolvimento profissional como um fator essencial para permanecer em uma empresa. “A flexibilidade também se consolidou como um pilar inegociável. A ausência do olhar humano sobre a individualidade de cada um não só desmotiva como também afasta bons profissionais — e, no caso da Geração Z, esse afastamento tende a ser definitivo”, explica Ana.

Mais do que uma ruptura, o que se vê é uma transformação que exige escuta ativa, empatia e adaptação constante por parte das empresas. “Entender o que move essa geração é o primeiro passo para construir ambientes verdadeiramente inovadores, sustentáveis e humanos. Afinal, não se trata apenas de reter talentos, mas de garantir que essas pessoas queiram, de fato, construir o futuro junto com a organização”, conclui.

(Com Noelle Neves/MGA Press)

Ícone do entretenimento paulistano, Riviera Bar celebra 76 anos de história

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O Riviera Bar, localizado na emblemática esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, acaba de completar 76 anos de existência, consolidando-se como um ícone da cultura e da vida noturna de São Paulo. Fundado em 1949 por Ignacio Maniscalco, o Riviera iniciou suas atividades como um salão de chá frequentado pela elite paulistana, evoluindo ao longo das décadas para se tornar um ponto de encontro de artistas, intelectuais e boêmios.

Durante os anos 1960 e 1970, o bar viveu seu auge, recebendo figuras ilustres como Chico Buarque, Elis Regina e Vinícius de Moraes. O Riviera não era apenas um local de lazer, mas também um espaço de resistência cultural durante a ditadura militar, servindo de palco para discussões políticas e manifestações artísticas. Foi nesse ambiente efervescente que o cartunista Angeli se inspirou para criar, em 1984, a personagem Rê Bordosa, baseada em frequentadoras do bar.

Em 2019, a administração passou para o grupo Fábrica de Bares, responsável por outros estabelecimentos tradicionais da cidade. Desde fevereiro de 2022, o Riviera adotou um funcionamento ininterrupto de 24 horas, oferecendo um ambiente acolhedor e democrático para todos os públicos.
Além da atmosfera histórica e do clássico balcão vermelho que marcou gerações, o Riviera também se destaca pela sua carta de drinks, com opções que equilibram tradição e criatividade. Uma das atrações recentes são os drinks servidos em caneca, ideais para os momentos de happy hour. Entre as criações estão combinações leves e refrescantes, como o O Balão, que mistura Tanqueray, cordial de melancia, água de coco e vermute seco, e o Usa e Abusa, feito com Tanqueray, vinho branco e cordial de vinho branco. Já para quem busca sabores mais intensos, o destaque vai para A Banda, com JW Black Label, mel com gengibre e um toque cítrico — todos finalizados com CO₂, que confere uma textura efervescente e refrescante.

3 curiosidades sobre o Riviera Bar:

Localização em um edifício histórico: O Riviera Bar está situado no térreo do Edifício Anchieta, projetado em 1941 pelos irmãos Marcelo, Milton e Maurício Roberto, renomados arquitetos modernistas brasileiros. O edifício é reconhecido por sua arquitetura modernista e está em processo de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp).

O clássico balcão vermelho: O balcão vermelho do Riviera Bar é uma das características mais marcantes do estabelecimento. Com seu design sinuoso e revestimento em fórmica vermelha, ele não apenas adiciona um toque de personalidade ao ambiente, mas também testemunhou décadas de história e cultura paulistana.

Já serviu para inspirar canções: O Riviera Bar serviu de inspiração para a canção “Diversões Eletrônicas”, lançada em 1979 pelo músico Arrigo Barnabé em seu álbum “Clara Crocodilo”. A música retrata o ambiente do bar, que na época era um ponto de encontro de artistas e intelectuais em São Paulo.

“Os 76 anos do Riviera Bar representam não apenas uma celebração do passado, mas um brinde ao futuro, reafirmando o compromisso de manter viva a essência de um dos bares mais tradicionais de São Paulo”, reforça Caire Aoas, sócio do Fábrica de Bares.

Serviço:

Riviera Bar

Endereço: Avenida Paulista, 2.584

Reservas:

E-mail: contato@rivierabarerestaurante.com.br

WhatsApp: +55 (11) 94746-1951

Horário de funcionamento: 24 horas

Formas de pagamento: crédito (Visa, Master, Amex e Elo), débito, pix, dinheiro, ticket, alelo e sodexo.

Área para fumantes: Externa

Valet: Sim

@rivierabarsp
Site: Link. 

(Com Janayna Villani/Duo Comunicação)

A mente por trás do monstro: autora explora a psicologia de um serial killer em ‘O Ceifador de Anjos’

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Em ‘O Ceifador de Anjos: A coleção de fetos’, Juliete Vasconcelos conduz o leitor por um thriller psicológico intenso e perturbador, onde o foco não está na descoberta de um assassino, mas em compreender sua mente. Inspirada por séries como Dexter e You, a autora opta por revelar logo nas primeiras páginas que Vincent Hughes é um assassino em série — o que importa, aqui, é o ‘porquê’ e não o ‘quem’. A narrativa desafia julgamentos fáceis e propõe uma imersão desconfortável e fascinante na complexidade da psicopatia, da manipulação e das múltiplas faces da maldade.

Em vez de seguir a fórmula do suspense policial, a trilogia se dedica a acompanhar o Ceifador em três fases distintas: a glória invisível, os gatilhos da infância e o declínio inevitável. Na entrevista abaixo, a autora comenta o processo criativo da obra, fala sobre a construção do vilão e o compromisso de sua escrita com a complexidade humana.

1 – O Ceifador de Anjos: A coleção de fetos conta a história de Vincent Hughes, um homem aparentemente comum, mas que esconde ser um serial killer meticuloso e cruel. Como foi a construção psicológica do protagonista?

Juliete Vasconcelos: Acredito que por eu consumir conteúdos do gênero há tantos anos, a construção se deu de forma bastante natural. Conseguia ver no Ceifador traços muito similares aos vilões/anti-heróis dos livros e da TV. Inclusive, tive ótimos feedbacks no que se refere à construção psicológica do Ceifador vindos de psicólogos e psiquiatras. Soube por uma leitora, que também é psicóloga, que ela o indicou para o Conselho de Psicologia do qual fazia parte, sob a justificativa de que eu soube, enquanto autora, apresentar um psicopata ‘tal qual é de verdade’, o que me deixou muito feliz.

2 – O livro lida com temas como psicopatia, manipulação e assassinatos brutais. Como foi o processo de pesquisa e preparação emocional para escrever cenas tão intensas? 

J.V.: Como consumidora aficionada por conteúdos do gênero (livros, filmes, séries, documentários etc.), no que se refere à preparação emocional, não tive dificuldade para escrever a maior parte das cenas. Para mim, diferentemente do que ocorre quando leio outros gêneros, quando se trata de um thriller/criminal, consigo visualizar as cenas perfeitamente em minha mente, como se estivesse assistindo um filme.

3 – A escolha de revelar a identidade do assassino logo no início é incomum em thrillers. O que te motivou a subverter essa expectativa clássica do gênero? 

J.V.: Partindo da premissa de que produzimos aquilo que gostamos de consumir, sempre me senti mais instigada quando consigo (como leitora e telespectadora) mergulhar na mente do vilão/anti-herói, porque me permite despir-me de preconceitos e de fazer julgamentos, forçando-me a buscar as razões, obviamente não justificáveis, dos atos cometidos. Escancarar que a mente humana é complexa e que há variadas leituras e interpretações da realidade por ‘N’ motivos, assim como diversas reações a elas – das mais brandas às mais perversas –, é o compromisso que assumi com minha escrita.

4 – Quais foram as referências para a construção da narrativa?  

J.V.: Documentários que partem da vida do criminoso, seja ele um assassino psicopata ou um serial killer; livros e séries como Dexter (Jeff Lindsay), Perfume: a história de um assassino (Patrick Süskind), Bates Motel (Robert Bloch) e You (Caroline Kepnes), que assim como na trilogia O Ceifador de Anjos, acompanhamos o dia a dia do vilão/anti-herói, ficando as investigações sempre em segundo plano.

5 – O que os leitores podem esperar da trilogia O Ceifador de Anjos nos próximos volumes? 

J.V.: Muito sangue, muitas descobertas e reviravoltas. A trilogia está dividida nas três fases da vida do Ceifador. Neste primeiro volume (A coleção de fetos), temos a melhor fase da sua vida: onde ele faz e acontece sem precisar lidar com as consequências, é feliz e invisível no que se refere ao radar dos detetives; no volume 2 (Antes da coleção), retornamos à sua infância e adolescência, além de parte da sua vida adulta, quando dá início à coleção, de forma que o leitor possa ‘compreender’ o que o levou a cometer tamanhas atrocidades e, por fim, no volume 3 (A última ceifa), deparamo-nos com a pior fase da vida do Ceifador, onde ele começa a arcar com as consequências de seus atos. Costumo brincar que no primeiro livro é fácil ‘amar’ e até ‘torcer’ pelo Ceifador, e que no segundo, o leitor é capaz de o entender e até ter alguma empatia pelo protagonista, enquanto, no livro três, quaisquer sentimentos são transformados em ódio.

Sobre a autora

Nascida em Itapeva, no interior de São Paulo, a escritora de suspenses, Juliete Vasconcelos, reside atualmente em Sorocaba. Pós-graduada em Criminologia, aborda em seus livros temas como psicopatia e outros transtornos. É autora de Quando os Pássaros Pousam, vencedor das premiações Book Brasil 2020 e Ecos da Literatura 2020, e de Segredos de origami guardados em porcelana, em coautoria de Drico Araújo, finalista do Prêmio Ecos da Literatura 2021.

Também participou da antologia Te odeio, mãe! Com todo meu amor com o conto Nossa mãe, Maria, no qual aborda abuso infantil e narcisismo materno, recebendo o Troféu Cecília Meireles ao ser eleita uma das mulheres notáveis da 23ª edição da premiação. Agora, presenteia os fãs com uma nova edição da trilogia O Ceifador de Anjos, que foi finalista do Prêmio Ecos da Literatura 2019. Redes sociais da autora: Instagram | Facebook | LinkedIn | Site.

(Com Victoria Gearini/LC Agência de Comunicação)

World Press Photo 2025 chega a CAIXA Cultural do Rio com exposição dos 42 projetos premiados

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Brasil é destaque na premiação do World Press Photo 2025 com fotógrafos premiados e imagens de destaque.

De 27 de maio a 20 de julho, a CAIXA Cultural do Rio de Janeiro recebe a exposição itinerante World Press Photo 2025, que apresenta os vencedores do 68º Concurso Anual. Este ano, a mostra traz 42 projetos vencedores que refletem os temas mais urgentes da atualidade: política, gênero, migração, conflitos armados e a crise climática, reunindo histórias captadas por fotógrafos de 31 países. Entre os premiados estão três profissionais brasileiros, Amanda Perobelli, André Coelho e Anselmo Cunha. O país também ganhou protagonismo na lente de outros profissionais internacionais, o mexicano Musuk Nolte com imagens da seca na Amazônia e Jerome Brouillet com a foto do atleta olímpico Gabriel Medina. Depois da Cidade Maravilhosa, a mostra segue para São Paulo, e depois Curitiba e Salvador recebem pela primeira vez a exposição.

Em 2025, as imagens documentam desde protestos e levantes em países como Quênia, Myanmar, Haiti, El Salvador e Geórgia, até retratos inesperados de figuras políticas nos Estados Unidos e na Alemanha. Também revelam histórias comoventes de jovens ao redor do mundo – como um homem trans de 21 anos nos Países Baixos, uma jovem ucraniana traumatizada pela guerra e uma criança palestina vivendo com amputações após bombardeios em Gaza, escolhida como a foto do ano.

Outro destaque desta edição é o impacto das mudanças climáticas em diferentes partes do mundo, com registros de desastres no Peru, Brasil e Filipinas. Há ainda um retrato potente da comunidade LGBTQIAPN+ celebrando o orgulho em um local secreto em Lagos, Nigéria, onde atos dessa natureza podem ser criminalizados. Destaque também para Tamale Safale, o primeiro atleta com deficiência a competir com atletas não deficientes em Uganda.

Para o brasileiro Raphael Dias e Silva, curador e gerente da exposição, a organização sempre tem a intenção e a ambição de trazer as maiores temáticas das notícias do mundo. Em 2025, o crescente aumento dos fluxos migratórios e os efeitos muito reais da mudança climática, que está criando eventos extremos no mundo inteiro, são destaques com a seca na Amazônia mais uma vez sendo retratada, assim como as enchentes do Rio Grande do Sul. “Uma nota especial nessa edição é o trabalho do brasileiro André Coelho, que retrata torcedores do Botafogo. O projeto vai além do que a gente espera da fotografia esportiva. Uma imagem que mostra como o esporte tem o poder de criar comunidade, o poder de criar esperança e felicidade, sentimentos tão necessários no mundo atual”, explica ele.

Brasil

Três fotógrafos brasileiros estão entre os premiados da América do Sul no World Press Photo 2025. Na categoria Individual da América do Sul, Anselmo Cunha foi reconhecido pela imagem Aeronave em Pista Inundada, registrada durante a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Com o mesmo tema, Amanda Perobelli venceu na categoria Reportagem com a série As Piores Enchentes do Brasil, que retrata os impactos das chuvas na cidade de Canoas, uma das mais afetadas pelo desastre climático. Também na categoria Individual o fotógrafo André Coelho foi premiado com a imagem Torcida do Botafogo: Orgulho e Glória, que mostra a comemoração dos torcedores do clube carioca após a conquista inédita da Copa Libertadores da CONMEBOL, em novembro de 2024.

O Brasil também se destacou em outros dois projetos internacionais. O mexicano Musuk Nolte retratou os efeitos socioambientais da redução do nível dos rios na região norte do país. A série Seca no Rio Amazonas foi uma das vencedoras na categoria Reportagem da América do Sul. Já o fotógrafo francês Jerome Brouillet, da AFP, venceu na categoria Individual da região Ásia-Pacífico e Oceania, com a imagem de grande repercussão que mostra o surfista brasileiro Gabriel Medina emergindo triunfante de uma onda em Teahupo’o, no Taiti, quando garantiu a medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris

O fotógrafo Lalo de Almeida, vencedor na categoria Individual da América do Sul na edição de 2024, foi escolhido para presidir o júri na América do Sul. “Ter a experiência de estar do outro lado do balcão é uma honra. É uma grande responsabilidade, pois todas as histórias são importantes e todas as fotografias selecionadas eram impressionantes. Há muitos fotógrafos trabalhando em histórias profundas e foi incrível ver a forma como a América do Sul produz boas histórias”, afirma Lalo, que também integrou o júri global.

Campanha Feminicídio Zero

Durante o período de exibição no Brasil, a World Press Photo 2025 adere à campanha Feminicídio Zero para ampliar o debate sobre violência de gênero e os desafios enfrentados por mulheres em diferentes contextos ao redor do mundo.

As histórias retratadas em diversas imagens vencedoras da mostra nesta edição, tais como Corpos Femininos Como Campos de Batalha (Cinzia Canneri), Maria (Maria Abranches), Jaide (Santiago Mesa), Terra Sem Mulheres (Kiana Hayeri) e Crise no Haiti (Clarens Siffroy) evidenciam como o corpo e a vida das mulheres continuam sendo alvos de opressão, controle e violência. Ao conectar essas narrativas visuais com os objetivos da campanha, a mostra convida o público a refletir sobre os direitos das mulheres, a urgência do enfrentamento ao feminicídio e o papel da arte na promoção da conscientização social.

Concurso

Desde 1955, o Concurso Anual World Press Photo reconhece e celebra o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental produzidos ao longo do último ano. A edição de 2025 adota uma estrutura regional, com seis regiões globais: África, América do Norte e Central, América do Sul, Ásia Ocidental, Central e Sul Asiático, Ásia-Pacífico e Oceania e Europa.

Em 2021, o concurso World Press Photo passou a adotar um modelo regional de premiação, o que o tornou mais representativo globalmente. Em 2025, a novidade é a mudança de um para três vencedores nas categorias Fotografia Individual e Reportagem em cada região do mundo, além de um vencedor por região na categoria Projeto de Longo Prazo. A exposição será apresentada em mais de 60 cidades, incluindo a estreia mundial em Amsterdã, seguida de Londres, Roma, Berlim, Viena, Budapeste, Cidade do México, Montreal, Jacarta e Sydney.

As inscrições são julgadas e premiadas de acordo com a região onde as fotografias e histórias foram produzidas — e não pela nacionalidade do fotógrafo. Cada região contempla três categorias baseadas em formato: Individual (Singles), Reportagem (Stories) e Projetos de Longo Prazo (Long-Term Projects).

Em 2025, o concurso, que acontece em meio às comemorações de 70 anos da Fundação World Press Photo, realizadora da premiação, ampliou o número de fotógrafos e projetos premiados – de 33, em 2024, para 42. Foram recebidas 59.320 inscrições, enviadas por 3.778 fotógrafos, de 141 países. As inscrições sempre são avaliadas de forma anônima. A primeira etapa da seleção foi realizada por júris regionais, que fizeram a pré-seleção dos trabalhos. Em seguida, os vencedores foram definidos por um júri global independente, composto pelos presidentes dos júris regionais e o presidente global.

A exposição no Brasil é patrocinada pela CAIXA e pelo Governo Federal, e tem o apoio do Jornal O Globo. A organização sem fins lucrativos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) é correalizadora da programação paralela da World Press Photo.

Serviço:

Exposição: World Press Photo 2025

Local: CAIXA Cultural RJ – Unidade Passeio

Período: 27 de maio a 20 de julho de 2025

Endereço: R. do Passeio, 38 – Centro, Rio de Janeiro – Próximo à estação Cinelândia do Metrô

Horário de visitação: Terça a sábado: das 10h às 20h / Domingos e feriados: das 11h às 18h.

Entrada gratuita

Classificação etária: 12 anos

Mais informações: https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/default.aspx /  @caixalculturalrj / tel: (21) 3083-2595

Importante: A exposição terá visitas mediadas com Libras e todas as imagens contarão com audiodescrição.

Para acessar a história de todas as fotos vencedoras em 2025 – clique aqui

Para acessar as fotografias da exposição – clique aqui.

(Com Ana Paula Nunes/Atomicalab)