Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Andropausa atinge até 21,3 milhões de homens com mais de 40 anos no Brasil

Campinas, por Kleber Patricio

Dr. George Mantese: tratamento da andropausa ainda é um tabu entre o público masculino. Foto: Divulgação.

Ao contrário da menopausa, que atinge o público feminino, a andropausa ainda é pouco conhecida entre os homens, além de enfrentar tabus. Trata-se de uma condição fisiológica caracterizada pela diminuição gradual dos níveis de testosterona, que provocam sintomas como a fadiga crônica, irritabilidade, ganho de peso abdominal e queda na libido. Segundo estimativas mundiais, até 25% do público masculino acima de 40 anos podem estar com andropausa. No Brasil, calcula-se que 21,3 milhões de homens sejam afetados pela condição fisiológica. Na região, de Campinas, estima-se 121.400 homens na andropausa.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a “menopausa masculina” é a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), caracterizada pela queda progressiva da testosterona após os 40 anos de idade.

George Mantese, médico de Família e Comunidade Doutorando em Educação e Saúde (USP), especialista em Longevidade, Anti-Aging e Wellness, além de fundador e diretor do Instituto Mantese, explica que a andropausa é uma epidemia ignorada, já que 30% dos homens afetados não têm um diagnóstico do problema. “Dados da Sociedade Brasileira de Urologia revelam que 3 em cada 10 homens acima de 50 anos têm DAEM, mas menos de 20% recebem tratamento”, alerta ele. “O tabu e a falta de campanhas públicas agravam o problema e elevam os riscos, sendo que homens com baixa testosterona têm três vezes mais risco de depressão”, acrescente o médico especialista.

PREVENÇÃO

George Mantese afirma que é de extrema importância o homem fazer os exames assim que alguma das manifestações da andropausa surgirem. O primeiro passado, explica o especialista, é ter um diagnóstico do problema, através de exames. “A dosagem de testosterona deve ser feita entre 7h e 10h, em jejum, e combinada com avaliação clínica. Novos exames, como a testosterona livre por ultrassensibilidade, aumentam a precisão dos resultados”, conta.

Outras prevenções citadas pelo médico são o estilo de vida que preserva a testosterona. “Estudo da Universidade de Harvard comprovou que homens com dieta rica em zinco (castanhas, carne magra) e exercícios regulares têm 30% menos risco de desenvolver DAEM precoce”, explica George Mantese.

Mantese também faz um alerta importante. “A terapia com testosterona só é indicada para casos comprovados, mas a procura por automedicação cresceu 40% pós-pandemia.”

Homens na andropausa: Considerando que cerca de 20% da população são homens acima de 40 anos, estima-se que: • Campinas: aproximadamente 121.400 homens na andropausa. • Região Metropolitana de São Paulo: aproximadamente 2.165.000 homens na andropausa. • Porto Alegre: aproximadamente 148.800 homens na andropausa.

(Com Marcelo Oliveira/Comunicação Estratégica Campinas)

Urbia reinaugura cachorródromo do Parque Ibirapuera com melhorias e novas funcionalidades para pets e seus responsáveis

São Paulo, por Kleber Patricio

Cachorródromo do Parque Ibirapuera. Foto: Divulgação/Grupo Petz

A Urbia acaba de reinaugurar o cachorródromo do Parque Ibirapuera, agora batizado de Petz Park, com uma série de melhorias que ampliam o conforto do local e a infraestrutura para pets e seus responsáveis. O espaço passa a contar com o patrocínio do Grupo Petz e integra as ações da concessionária para transformar o parque em um ambiente ainda mais acolhedor, plural e voltado à qualidade de vida dos frequentadores.

Com 9 mil m², o Petz Park se consolida como um dos maiores espaços dedicados ao lazer pet em parques públicos da capital paulista, além de ocupar o posto de segundo maior cachorródromo da América Latina. O projeto contou com o patrocínio do Grupo Petz, que viabilizou a realização das melhorias no espaço. Entre as reformas realizadas no local incluem: renovação de mobiliários, pintura, instalação de oito lixeiras com orientações para os responsáveis, além de nove bebedouros para pets personalizados, sendo três deles dentro do Petz Park e os outros seis espalhados pelo Ibirapuera.

O objetivo da iniciativa é proporcionar uma experiência de qualidade para os amantes de pets em meio à natureza. “Nosso compromisso é oferecer experiências cada vez mais diversas para os frequentadores do parque. O novo cachorródromo amplia as possibilidades de convivência entre os pets e seus responsáveis, reforçando a vocação do Ibirapuera como um lugar de bem-estar, cuidado e inclusão”, ressalta Samuel Lloyd, diretor da Urbia.

Inaugurado em 2022, o cachorródromo surgiu a partir de uma escuta ativa da Urbia junto aos frequentadores do Parque Ibirapuera. Desde o início da gestão, a empresa realiza pesquisas periódicas para mapear as principais demandas do público, e a criação de um cachorródromo bem estruturado e integrado ao parque estava entre os pedidos mais recorrentes. “Ao ouvir atentamente as demandas da população, garantimos que o Parque Ibirapuera evolua para atender às reais necessidades de seus diferentes públicos. Por isso, a implantação do cachorródromo marcou um avanço importante na criação de ambientes dedicados aos pets na cidade de São Paulo”, descreve Lloyd. Agora, em uma nova fase de melhorias e com o patrocínio do Grupo Petz, a Urbia amplia a infraestrutura e conforto, elevando o padrão de qualidade de ambientes destinados à pets.

“É uma grande satisfação fazer parte da revitalização deste espaço no Parque Ibirapuera. A parceria com a Urbia reflete nosso compromisso em promover bem-estar animal e criar espaços de convivência mais inclusivos, confortáveis e conectados às necessidades dos pets e seus responsáveis. Acreditamos que iniciativas como essa fortalecem nosso propósito de incentivar relações cada vez mais harmoniosas entre pessoas, pets e a cidade”, explica Marcelo Maia, VP de Marketing, Digital e Inovação do Grupo Petz.

Durante a reinauguração, que aconteceu no dia 31 de maio, o público que passou pelo cachorródromo pôde participar de uma série de atividades interativas gratuitas, como aulas de Pet Yoga, distribuição de brindes personalizado, ações de foto lembrança, personalização de tags para coleiras e encontros com a mascote Super Secão do Grupo Petz.

A parceria entre a Urbia e o Grupo Petz vai além do cachorródromo e traz benefícios concretos para toda a experiência dos visitantes. O patrocínio permite a ampliação dos investimentos em infraestrutura, manutenção e implementação de novos serviços, o que impacta diretamente na qualidade do parque como um todo. Essa iniciativa fortalece a responsabilidade com a valorização do Ibirapuera como um parque mais moderno e conectado às necessidades da população, consolidando-o como uma das principais referências em lazer ao ar livre e bem-estar da cidade de São Paulo.

O Petz Park, localizado próximo aos Portões 5 e 6 do Ibirapuera, já está aberto ao público e funciona diariamente com acesso gratuito.

(Mylena Zintl Bernardes/Máquina Cohn & Wolfe)

Uma palhaça no hospital: histórias contadas por Tereza Gontijo ganham versão impressa

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Arquivo pessoal.

No livro “Do riso ao soro – Reflexões de uma palhaça no hospital e a incrível jornada dos afetos” (Editora Urutau), a multiartista Tereza Gontijo convida o leitor a partilhar sua experiência como palhaça profissional atuando em hospitais de grandes cidades brasileiras por meio da associação Doutores da Alegria.

A publicação, primeiro apresentada em formato digital, em agosto de 2024, acaba de ganhar a versão impressa, pela editora Urutau, e será oficialmente levada ao público na Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Não seria mero acaso a obra ser lançada na terra onde viveu a tia-avó da autora, a escritora Maria Clara Machado, consagrada pela criação de famosas peças infantis e fundadora do teatro O Tablado.

Há 17 anos, Tereza dá vida a Guadalupe, e com a palhaça vivencia histórias de luta em alas pediátricas e adultas de instituições públicas de saúde em Belo Horizonte (BH), São Paulo e Rio de Janeiro. Mineira de BH radicada em São Paulo, ela constrói uma narrativa afetuosa e introspectiva que conecta episódios pessoais e o que lhe é apresentado nos hospitais, um trabalho que, segundo Tereza, transforma sua percepção de humanidade. “Posso afirmar que a principal matéria-prima do palhaço não é o riso, é a humanidade comum a todos nós”, destaca Tereza no capítulo “Quando a morte chegar, que ela te encontre vivo”, onde relata o dia em que a Guadalupe atendeu a um pedido especial de uma paciente que seria sedada em seguida à sua apresentação.

Essa e outras histórias – como a “Mãe palhaça”, que conta o dia em que Tereza e Guadalupe se encontram em um grande dilema – pela primeira vez ela deixa a filha internada para atender outras crianças hospitalizadas – podem ser lidas em “Do riso o soro”. “Hoje sei que a Guadalupe sou eu, e que esta máscara que eu achava que me protegia, me escancara e me revela como um ser humano”, conclui.

No texto “Quando um cometa cruza o céu”, Tereza conta sobre um super menino, de três anos, que viveu o Super Homem por um dia, junto com Guadalupe em uma das suas apresentações, e veio a óbito dois dias depois. “Não vou me esquecer do semblante daquele menino olhando para a fantasia, como se fosse o próprio super-herói admirando sua roupa mágica, lustrada e poderosa”, lembra ela. São relatos e histórias reais contados em 210 páginas carregadas de afeto e conexão.

A artista conta que, a partir dos lançamentos das versões digital e física, com essas etapas amadurecidas, está elaborando uma palestra sobre o que chama de “inteligência artesanal” – uma forma de olhar e vivenciar o cotidiano de forma mais humana, a partir da experiência relatada na obra em articulação com pensamentos de outros autores e filósofos. “É uma proposição que visa contribuir para uma cultura de mais afeto e trocas mais humanas em empresas, escolas e organizações de trabalho”, aponta.

Para ela, o novo livro chega como um bebê que nasce ou um velho amigo chegando de uma viagem longa. “Está aqui. Está aí. Para encontrar vocês. Uma nova etapa dessa aventura e eu estou animada”. O lançamento oficial foi em 14 de junho no Riocentro.

A apresentação do livro segue para São Paulo, Belo Horizonte e para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Jornada dos afetos

A jornada é de levar alegria para pacientes, famílias, enfermeiros, médicos e funcionários. “O livro é um mergulho investigativo. Examino como o encontro do humor com a dor, o desconforto e a morte possibilitaram o desvelamento da profundeza humana, suas fragilidades, potências e mistérios”, diz Tereza. Tudo o que guia sua carreira e revela sua grande paixão: as pessoas, suas histórias de vida e a possibilidade do encontro.

A narrativa não apenas explora a transformação pessoal da autora, como instiga o leitor a refletir sobre a autenticidade e os afetos em sua própria vida. Oferece a oportunidade de apreciar a beleza das experiências humanas e pensar sobre as conexões que tornam a existência mais significativa.

Sobre a autora

Tereza tem 38 anos, é atriz, musicista, professora e diretora teatral, além de especialista na palhaçaria, e uma artista premiada. Para ela, cada pessoa carrega um valor inestimável e uma história a ser honrada, uma expressão única. “A beleza da diversidade é divina e partilhar humanidades há de ser das experiências mais transformadoras que temos o privilégio de vivenciar. Não à toa, além de palhaça, inventei-me profissões novas: detetive de metrô, jardineira de humanidades, pescadora de afetos”.

(Com Lorena Cecília/Agência Guindaste)

MAM São Paulo exibe peças de sua coleção e reinventa seu jardim em exposição inédita no Sesc Vila Mariana

São Paulo, por Kleber Patricio

Felícia Leirner, Escultura, 1973. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Ding Musa.

De 14 de maio a 31 de agosto de 2025, o Sesc Vila Mariana recebe a exposição inédita Jardim do MAM no Sesc, uma correalização do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Sesc São Paulo. A mostra tem curadoria de Cauê Alves e Gabriela Gotoda e reencena na entrada do Sesc Vila Mariana elementos do Jardim de Esculturas do MAM. Nela, o público pode apreciar obras da coleção do MAM, entre esculturas icônicas de Alfredo Ceschiatti, Amilcar de Castro e Emanoel Araújo, e trabalhos que exploram críticas sociais, como as obras de Regina Silveira, Luiz 83 e Marepe.

Para a presidente do MAM, Elizabeth Machado, a parceria com o Sesc reforça o compromisso do museu em ampliar o acesso à arte: “O acervo do MAM é um patrimônio vivo, e essa exposição no Sesc Vila Mariana permite que um público ainda mais amplo entre em contato com obras fundamentais da nossa história, promovendo o encontro e a reflexão sobre a arte brasileira. O Sesc é um parceiro longevo do MAM, e essa colaboração reafirma nossa missão conjunta de ampliar o acesso à cultura.” 

Hisao Ohara, Pedra Torcida, 1985. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.

Os artistas participantes da mostra são Alfredo Ceschiatti, Amílcar de Castro, Bruno Giorgi, Eliane Prolik, Emanoel Araujo, Felicia Leirner, Haroldo Barroso, Hisao Ohara, Ivens Machado, Luiz83, Marepe, Mari Yoshimoto, Márcia Pastore, Mário Agostinelli, Nicolas Vlavianos, Regina Silveira, Roberto Moriconi, Rubens Mano e Ottone Zorlino.

A seleção de obras inclui peças que já integraram o Jardim do MAM, além de trabalhos do acervo do museu que dialogam com temas como natureza, cidade e materialidade. A montagem no Sesc Vila Mariana recria a dinâmica do Jardim de Esculturas, utilizando elementos cenográficos que evocam a topografia sinuosa do Parque Ibirapuera projetada pelo escritório do emblemático arquiteto paisagista Burle Marx, estimulando novas interações entre corpo, espaço e arte.

Inaugurado em 1993, o Jardim de Esculturas do MAM marca uma iniciativa que reavivou a coleção do museu em um espaço próprio, gratuito e de grande circulação de pessoas. “Ao propor uma espécie de reencenação do Jardim do MAM na Praça Externa do Sesc Vila Mariana buscamos elaborar a ideia de que, assim como o espaço do jardim no Parque Ibirapuera, o espaço do Sesc funciona como um centro de encontros urbanos”, diz Cauê Alves. “A exposição inclui obras da coleção do MAM que se relacionam, por diferentes vias, com a natureza, o corpo, a cidade, a materialidade, e com linguagens que expressam algumas das tensões inescapáveis à sociedade”, completa o curador.

A proposta da exposição do Jardim do MAM no Sesc Vila Mariana é estimular essa relação entre corpos, obras e espaço, transformando a Praça Externa da unidade em um território de circulação, experimentação e descoberta. Sem a pretensão de emular o paisagismo do parque, a cenografia do projeto recria as curvas e volumes que marcam o jardim original, propondo um ritmo espacial entre as esculturas. Para Gabriela Gotoda, curadora da exposição ao lado de Cauê Alves: “Se o princípio mais original e autêntico da arte moderna é de que ela se aproxima da vida, um museu que se dedica a colecioná-la e atualizá-la no seu tempo presente deve continuamente se esforçar para oferecer aos públicos possibilidades de fruição que não os distanciam das suas realidades e, sim, vão de encontro a elas.” 

Serviço:

Exposição Jardim do MAM no Sesc

Local: Sesc Vila Mariana

Curadoria: Cauê Alves e Gabriela Gotoda

Período expositivo: 15 de maio a 31 de agosto de 2025

Endereço: R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo – SP

Entrada: gratuita.

(Com Evandro Pimentel/Assessoria de imprensa MAM)

DAN Galeria Contemporânea inaugura primeira individual de José Manuel Ballester

São Paulo, por Kleber Patricio

José Manuel Ballester – Primavera – 01/05, 2015. Impressão Digital em Tela 203 x 314 cm. Foto: Divulgação/DAN Galeria.

A DAN Galeria Contemporânea abriu as portas para a exposição “Sobre aquilo que permanece invisível”, do premiado artista espanhol José Manuel Ballester, com curadoria de Luiz Armando Bagolin. A mostra propõe uma reflexão profunda e poética sobre o apagamento das figuras humanas em obras-primas da arte ocidental e como esse gesto altera nossa percepção das imagens e da memória coletiva.

Reconhecido internacionalmente, Ballester foi laureado com o Prêmio Nacional de Gravura (1999), o Goya de Pintura da cidade de Madri (2006) e o Prêmio Nacional de Fotografia da Espanha (2010). Sua pesquisa o levou a apropriar-se de obras icônicas — como A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, O Nascimento de Vênus, de Botticelli, e os afrescos de Giotto —, eliminando digitalmente os personagens centrais. O que resta são cenários vazios, prontos a serem preenchidos pela memória, pela imaginação e pela subjetividade do espectador.

Ballester nos convida a contemplar não apenas o que está presente, mas sobretudo o que foi retirado. Os fundos — antes coadjuvantes — tornam-se protagonistas, revelando-se como espaços de silêncio e suspensão. Sobre aquilo que permanece invisível transita entre a filosofia e a arte, evocando o intervalo entre percepção e linguagem descrito por pensadores como Aristóteles e Borges.

A exposição divide-se em núcleos temáticos: em obras como Lugar para un Nacimiento e Primavera, as figuras mitológicas de Botticelli desaparecem, deixando apenas paisagens etéreas. Já em La Ciudad, Navidad e El fuego, os cenários religiosos de Giotto se transformam em cidades vazias, quase maquetes despovoadas de milagres. Em Jardín del Arte, Ballester cria um jogo de sobreposições ao reintroduzir personagens de diferentes obras numa cena de Bosch.

Outro destaque é a série Variaciones a partir de Malevich, onde o artista revisita o suprematismo, desconstruindo o rigor geométrico modernista e transformando-o em dança ótica, aproximando-se mais da crítica contemporânea do que do idealismo de vanguarda.

Segundo o curador Luiz Armando Bagolin, a mostra convida o visitante a experimentar a tensão entre presença e ausência, questionando o próprio estatuto da imagem e o que vemos quando o essencial nos é aparentemente retirado.

Ballester já expôs em instituições como o Museu Reina Sofía (2005), Real Academia de Espanha em Roma (2012) e o Frost Art Museum, em Miami. Sua obra integra acervos de museus e coleções ao redor do mundo. Representado no Brasil pela DAN Galeria, o artista chega a São Paulo com uma mostra que, como afirma o galerista Flavio Cohn, “oferece uma oportunidade rara de pensar o invisível — aquilo que se esconde à vista de todos”.

Sobre a galeria 

A Dan Contemporânea surgiu como um departamento de Arte Contemporânea da Dan Galeria. Em 1985, Flávio Cohn, filho do casal fundador, juntou-se à Dan criando o Departamento de Arte Contemporânea, que ele dirige desde então. Assim, foi aberto espaço para muitos artistas contemporâneos tanto brasileiros, como internacionais, fortemente representativos de suas respectivas escolas. Posteriormente, Ulisses Cohn também se associa à galeria completando o quadro de direção dela.

Nos últimos vinte anos, a galeria exibiu Macaparana, Sérgio Fingermann, Amélia Toledo, Ascânio MMM, Laura Miranda e artistas internacionais: Sol Lewitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, César Paternosto, José Manuel Ballester, Adolfo Estrada, Juan Asensio, Knopp Ferro e Ian Davenport.  Mestres de concreto internacionais também fizeram parte da história da Dan, tais como: Max Bill, Joseph Albers e os britânicos Norman Dilworth, Anthony Hill, Kenneth Martin e Mary Martin.

A Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino e François Morellet. O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol, Teodoro Dias, Denise Milan e Gabriel Villas Boas (Brasil); os internacionais, Bob Nugent (EUA), Pascal Dombis (França), Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras.

Serviço:

Exposição Sobre aquilo que permanece invisível, de José Manuel Ballester

Curadoria: Luiz Armando Bagolin

Período de visitação: até 14 de agosto de 2025

Local: DAN Galeria Contemporânea

Endereço: Rua Amauri, 73 — São Paulo, SP

Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h

Entrada gratuita

Mais informações: www.dangaleria.com.br.

(Com Otávio Garcia/A4&Holofote Comunicação)