Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Conservatório de Tatuí promove curso gratuito de percussão popular brasileira

Tatuí, por Kleber Patricio

Maria Carolina Simões à frente da bateria do Blogo Pagu. Foto: Sofia Colucci.

O Conservatório de Tatuí abre inscrições para o curso “Ritmos e Ecos de um Cortejo: Percussão Popular Brasileira para todos”, que será ministrado pela musicoterapeuta e percussionista Maria Carolina Simões. Com 12h de duração, a formação presencial é uma iniciativa da instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo – considerada a maior escola de música e artes cênicas da América Latina, gerida pela Sustenidos Organização Social de Cultura – e promove em sua aula de encerramento o desfile de abertura para a 30ª edição do FETESP, que vai agitar as ruas da Capital da Música. As inscrições podem ser feitas online por meio do formulário até 26 de junho. Confira.

No curso Ritmos e Ecos de um Cortejo: Percussão Popular Brasileira para todos, a turma terá contato com a grande diversidade rítmica do país; entre eles, o ijexá, samba, baião e outros. A docente Maria Carolina mostrará um pouco da importância cultural da percussão nas festas populares brasileiras e a dinâmica para a construção de um bloco percussivo. Ao longo das aulas, estudantes conhecerão alguns dos principais instrumentos, como o surdo, caixa, tamborim, agbê, agogô, ganzás e outros. A partir de exercícios lúdicos para o desenvolvimento de ritmo e coordenação motora, as pessoas participantes serão preparadas para a realização de um cortejo que sairá às ruas no evento de abertura do 30º FETESP – Festival Estudantil de Teatro do Estado de São Paulo.

Maria Carolina Simões é mestre em psicologia clínica, musicoterapeuta, especialista em educação e percussionista popular. Atua como docente na graduação em Musicoterapia e pós-graduação em Arteterapia Analítica, ambas da FMU, e é supervisora clínica da Clínica-Escola de Musicoterapia FMU. Entre suas frentes de pesquisa, Maria Carolina estuda a relação entre mulheres, tambores e bem-estar psicológico. Na vivência de cortejos populares, é mestra regente e responsável pelos arranjos rítmicos do bloco carnavalesco feminino Pagu, fundado em 2016. Também na área percussiva, é regente e criadora da oficina Marabrilhosas de percussão para mulheres.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário online de forma gratuita. Acompanhe este e outros cursos por meio do site do Conservatório de Tatuí.

Período do curso: 5 a 19 de julho de 2025

Aulas presenciais: dias 5 e 12, das 10h às 13h, e 19 de julho, das 14h às 17h

Local: Sede Tatuí (Rua São Bento, 415 – Tatuí)

Carga horária: 12h

Total de Participantes: 20

Público-alvo: Músicos, estudantes de música, teatro e interessados em geral

Pré-requisitos: Não há

Critério de seleção: Ordem de inscrição

Prazo de inscrição: Até 26 de junho de 2025

Ficha de inscrição: https://conservatoriodetatui-ps.softwaregeo.com.br/seletivo/inscricaoCursoLivre?editalId=155

O Conservatório de Tatuí e a Sustenidos Organização Social de Cultura agradecem aos patrocinadores que apoiam as atividades por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Patrocinadores do Conservatório de Tatuí: Instituto CCR, Zanchetta, Cipatex, Drogal, Marquespan, Sicoob.

Sobre o Conservatório de Tatuí: Fundado em 11 de agosto de 1954, o Conservatório de Música e Teatro de Tatuí é uma das mais respeitadas escolas de música e artes cênicas da América Latina, importante equipamento de formação e difusão artística da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Oferece mais de 100 cursos regulares, livres e de aperfeiçoamento, todos gratuitos, nas áreas de Artes Cênicas, Música Erudita, Música Popular e Educação Musical. Atende cerca de 3.000 estudantes anualmente, vindos(as) de todas as regiões do Brasil e, também, de outros países, como Argentina, Chile, Coreia do Sul, Equador, Estados Unidos, Japão, México, Peru, Portugal, Síria, Uruguai e Venezuela. É considerado uma das mais bem-sucedidas ações culturais do Estado, oferece ensino de excelência, com a missão de formar instrumentistas, cantores, atores, regentes, educadores e luthiers de alto nível. Sua importância no cenário musical é tão acentuada que garantiu à cidade de Tatuí o título de Capital da Música, aprovado por lei em janeiro de 2007. A instituição é gerida pela Sustenidos Organização Social de Cultura.

(Fonte: Sustenidos)

Instituto Tomie Ohtake apresenta Casa Sueli Carneiro em residência

São Paulo, por Kleber Patricio

Residentes e Mentoras no jardim da Casa Sueli Carneiro. Fotos: @casasuelicarneiro.

O Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o Instituto Tomie Ohtake apresentam “Casa Sueli Carneiro em residência”, exposição com o patrocínio do Nubank, mantenedor do Instituto Tomie Ohtake, e correalização da Casa Sueli Carneiro. Sob curadoria de Luanda Carneiro Jacoel, diretora do Legado da Casa Sueli Carneiro, a mostra ficará em cartaz de 13 de junho a 3 de agosto de 2025, paralelamente às exposições Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros, Manuel Messias – Sem limites e Manfredo de Souzanetto – As Montanhas. A exposição integra também a programação do IV Festival Casa Sueli Carneiro, que acontece entre os dias 24 e 29 de junho, com o tema “Memória Negra e Reparação em Afluência”.

A mostra é resultado de um processo formativo e coletivo, realizado ao longo de 2024, dentro de uma residência voltada exclusivamente a pessoas negras na Casa Sueli Carneiro. Os participantes receberam acompanhamento curatorial, participaram de oficinas, encontros teóricos, vivências, além de acesso exclusivo ao acervo da Casa, conjugando pesquisa, memória e experimentação a partir das contribuições do pensamento de Sueli Carneiro, do feminismo negro brasileiro e das diásporas africanas.

Liliane Braga em sua apresentação da primeira partilha da Residência Casa Sueli Carneiro.

O programa foi orientado pelas pesquisadoras Luanda Carneiro Jacoel, Taina Silva Santos e Ionara Lourenço e compreendeu os seguintes eixos: História Negra e Feminismos Negros, Artes e Documentação. A experiência propôs um intercâmbio entre diferentes campos do saber e modos de criação, incentivando a articulação entre legado, linguagem, arte e justiça social.

Serão apresentados sete projetos nas áreas de artes visuais, performance, literatura, audiovisual, educação e memória que tensionam temas como feminismos negros na América Latina, a atuação política das mulheres negras na cultura brasileira, ancestralidade e corpo, racismo estrutural e encarceramento, pedagogias decoloniais e estratégias de resistência a partir da arte. São eles:

Aparicências, instalação sonora de Liliane Braga (Ndembwemi), propõe uma fabulação entre vozes ancestrais e o acervo, ativando a oralidade como eixo da epistemologia negra.

Gẹ̀lẹ́dẹ́ – o drama e o cultivo de micro sociedades agrícolas, de Olaegbé (Jéssica Nascimento), apresenta uma máscara cerimonial africana em diálogo com imagens e dramaturgia sobre a fundação do Geledés – Instituto da Mulher Negra.

Jogo do Bem-Viver, de Agnis Freitas e Carolina Melo, convida o público a refletir sobre tecnologias políticas de mulheres negras por meio da ludicidade.

Entre a esquerda e a direita, continuo sambando, documentário experimental de Maria Júlia Petronilho, investiga o protagonismo das mulheres negras nas escolas de samba paulistanas.

O Brigue de Bracuí, documentário dirigido por Thiago Fernandes, Mario Guetto Groove e Fael Miranda, tensiona a história da escravidão a partir de registros e narrativas contra-hegemônicas.

Lançamento do Minidicionário Teórico Negro Brasileiro do Pensamento de Sueli Carneiro, de Gilvaneide de Sousa Santos, com ilustrações de Alice Guedes, propõe uma ferramenta pedagógica para aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08.

Exposição virtual Racismo estrutural e políticas públicas, de Daruê Zuhri, apresenta reflexões visuais e textuais sobre desigualdades raciais no Brasil contemporâneo.

Gilvaneide Santos em sua apresentação da terceira partilha da Residência Casa Sueli Carneiro.

A mostra traz ainda uma seleção de livros e documentos que integram o Acervo Sueli Carneiro, sob curadoria de Ionara Lourenço, coordenadora de acervos da Casa, dispostos em diálogo com a biblioteca circulante da Casa Sueli Carneiro, disponível temporariamente para o público na exposição. A colaboração acontece também no âmbito do projeto Experiências Negras, criado em 2018 pelo Instituto Tomie Ohtake com o objetivo de evidenciar a atuação de profissionais negras e negros nas instituições culturais e fomentar políticas de inclusão por meio de mapeamentos, publicações, debates e ações formativas.

Programa Público

A esta exposição soma-se um programa público de encontros, oficinas e vivências. No dia 28 de junho, da 16h às 18h, ocorre a conversa com Leda Maria Martins e Aldri Anunciação. No dia 5 de julho serão três eventos, começando pela conversa com William Santana Santos e Guilherme Diniz, com mediação de Mari Per, das 16h às 18h, seguida por uma palestra com Samuel Titan sobre José Medeiros, das 18h às 18h30 e, encerrando a programação do dia, uma performance com Verônica Santos, das 18h30 às 19h30. No dia 19 de julho, das 16h às 19h, ocorre uma sessão do filme de Daniel Solá Santiago seguido de debate com Mari Queen e Heitor Augusto. Uma performance com Malu Avelar no dia 2 de agosto, das 16h às 18h, encerra a programação. A programação é atualizada pelo site e redes sociais do Instituto ao longo do período expositivo.

Amigo Tomie

O Programa de Amigos do Instituto Tomie Ohtake quer aproximar o público de um dos espaços de arte mais emblemáticos da cidade de São Paulo. Além de apoiar, o Amigo Tomie fará parte de uma comunidade conectada à arte, contará com benefícios especiais e experiências únicas. São três categorias de apoio, contribuindo com novas exposições, programas educativos, orçamento anual e manutenção do Instituto.

Serviço:

Casa Sueli Carneiro em residência

Abertura: 12 de junho, às 19h

Em cartaz de 13 de junho a 3 de agosto de 2025

De terça a domingo, das 11h às 19h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros, SP

Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Fone: (11) 2245-1900

Site: institutotomieohtake.org.br

Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake

Instagram: @institutotomieohtake

Youtube: https://www.youtube.com/@tomieohtake.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)

Exposição “Corpo de Imagem” inaugura na Kobbi Gallery

São Paulo, por Kleber Patricio

Com curadoria de Fabrício Reiner, exposição reúne nomes consagrados da fotografia contemporânea brasileira. Foto: Antonio Freitas.

A Kobbi Gallery apresenta a exposição “Corpo de Imagem”, propondo ao público uma imersão nas possibilidades sensoriais e conceituais da fotografia. Com curadoria de Fabrício Reiner, a mostra reúne obras de Antonio Freitas, Antonio Saggese, Christiana Carvalho, Eidi Feldon, Helô Mello, Jorge Bodanzky, Juliana Naufel, Luiz Aureliano, Maurício Paranhos e Sheila Oliveira.

Partindo da provocação de Roland Barthes sobre o poder espectral da imagem fotográfica – aquilo que persiste, que assombra, que permanece como vestígio – a exposição se constrói como um campo de tensão entre presença e ausência, corpo e representação. Em vez de capturar um instante estático, as obras presentes reorganizam a percepção, interferem no olhar do espectador e expandem os limites do espaço expositivo.

A exposição Corpo de Imagem é uma reflexão sobre o lugar da imagem no mundo contemporâneo: seu poder de evocação, sua instabilidade, sua capacidade de provocar deslocamentos sensíveis e simbólicos.

A exposição propõe ao visitante uma experiência que vai além do visual, questionando: o que resta do corpo quando ele é transformado em imagem?

A exposição está disponível na Kobbi Gallery até 16 de agosto.

Serviço:

Exposição Corpo de Imagem

Curadoria: Fabrício Reiner

Local: Kobbi Gallery – São Paulo

Artistas: Antonio Freitas, Antonio Saggese, Christiana Carvalho, Eidi Feldon, Helô Mello, Jorge Bodanzky, Juliana Naufel, Luiz Aureliano, Maurício Paranhos, Sheila Oliveira

Exposição de 14 de junho a 16 de agosto.

(Fonte: MD Assessoria)

Baleia-jubarte é atendida em Ilhabela (SP)

Ilhabela, por Kleber Patricio

Baleia Jubarte em Ilhabela (SP). Fotos: Instituto Argonauta.

Uma operação de resgate mobilizou, na manhã da última segunda-feira (16), a equipe do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, organização da sociedade civil que tem origem na atuação e na visão conservacionista do Aquário de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A ação foi realizada para atender uma ocorrência envolvendo uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) presa em petrechos de pesca nas proximidades de Ilhabela.

O alerta inicial partiu de Éverton, da empresa Abordo Turismo, que rapidamente acionou Júlio Cardoso, do Instituto Baleia à Vista, responsável por localizar o animal um pouco afastado da costa. Enquanto aguardavam a chegada da equipe técnica, Júlio e o pesquisador Rafael Mesquita acompanharam a baleia e desempenharam um papel essencial ao afastar embarcações de curiosos, garantindo segurança tanto ao animal quanto à operação.

Instituto Argonauta atua na operação de desemalhe de baleia em Ilhabela.

A Equipe de Resposta do Instituto Argonauta, composta por profissionais capacitados e experientes, realizou as manobras técnicas necessárias e iniciou os procedimentos de desemalhe. Toda a operação seguiu rigorosamente os protocolos internacionais de segurança, priorizando o bem-estar da baleia e a integridade da equipe. No entanto, com o avanço da hora e o comportamento cada vez mais reativo da baleia e às condições de segurança, a operação foi concluída com a retirada parcial dos petrechos de pesca envolvidos no emalhe. O Instituto permanece monitorando a região e mantém sua equipe em prontidão para uma nova tentativa de liberação completa, caso o animal seja novamente localizado em condições favoráveis. “Esse trabalho reflete diretamente nossa missão e nosso compromisso com a conservação marinha. O Instituto Argonauta surgiu há mais de 25 anos a partir da atuação do Aquário de Ubatuba, com o propósito de ampliar nossa contribuição para a proteção dos oceanos. Seguimos mobilizados e preparados para responder a emergências como essa e para desenvolver ações contínuas de conservação”, afirma Hugo Gallo Neto, oceanógrafo, diretor do Aquário de Ubatuba e presidente do Instituto Argonauta. 

Conservação com responsabilidade

O desemalhe de grandes cetáceos é uma atividade de alto risco, que exige capacitação técnica, equipamentos especializados e autorização legal. No Brasil, essa atividade é regulamentada pela Portaria Conjunta MMA/IBAMA/ICMBio nº 3, de 8 de janeiro de 2024, que define protocolos rigorosos para garantir a segurança dos animais e das equipes.

Baleia Jubarte em Ilhabela.

Intervenções não autorizadas colocam em risco tanto a vida dos animais quanto a segurança humana. Por isso, caso alguém aviste uma baleia enredada ou qualquer outro animal marinho em situação de risco, deve acionar imediatamente as autoridades ambientais ou o próprio Instituto Argonauta.

O emalhe de baleias é considerado um acidente, decorrente principalmente da sobreposição das rotas migratórias desses animais com áreas de atividade pesqueira. Ações integradas de monitoramento, resposta emergencial e educação ambiental são fundamentais para mitigar esses impactos e proteger a biodiversidade marinha.

Sobre o Instituto Argonauta

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, fundada em 1998 a partir da iniciativa do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de ampliar as ações de conservação marinha na região. Atua em três frentes principais: pesquisa científica, educação ambiental e resposta a emergências envolvendo fauna marinha, como encalhes, reabilitação e manejo de grandes mamíferos marinhos, além de monitoramento ambiental e desenvolvimento de tecnologias voltadas à conservação.

Visite e participe

O público pode conhecer mais sobre este trabalho visitando o Museu da Vida Marinha, uma iniciativa do Instituto Argonauta em parceria com o Aquário de Ubatuba, localizado na Avenida Governador Abreu Sodré, 1067, Perequê-Açu, Ubatuba/SP, aberto diariamente.

Serviço de resgate de fauna marinha

Encontrou mamíferos, tartarugas ou aves marinhas — vivos, debilitados ou mortos? Ligue para:

0800-642-3341

(12) 3833-4863 | 3833-5789 | 3834-1382 (Aquário de Ubatuba)

WhatsApp: (12) 99785-3615

Baixe também o Aplicativo Argonauta, disponível gratuitamente para iOS (App Store) e Android (Play Store). Nele, é possível informar ocorrências de animais marinhos e problemas ambientais nas praias, facilitando o acionamento dos órgãos competentes.

Saiba mais:

www.institutoargonauta.org

facebook.com/InstitutoArgonauta

Instagram: @institutoargonauta.

(Com Luanna Chaves/Instituto Argonauta)

Casos de feminicídios crescem mais de 40% na cidade de São Paulo em 2024, revela análise do Instituto Sou da Paz

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Mehran Biabani/Unsplash.

O estado de São Paulo registrou 251 vítimas de feminicídios no ano de 2024, um aumento de 18,3% em relação às 212 vítimas deste crime em 2023. A capital teve um aumento de 44,4% de casos, foram 52 vítimas em 2024, enquanto no ano anterior foram registrados 36 casos. Este é o segundo ano consecutivo de forte aumento dos feminicídios no estado. A análise do Instituto Sou da Paz a seguir tem como base os microdados de feminicídios divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo, que trazem informações de 245 dos 251 crimes cometidos em 2024.

Para Malu Pinheiro, pesquisadora do Instituto Sou da Paz, o aumento no número de feminicídios consumados e tentados no estado aponta para uma lacuna na atuação das forças de segurança. “A violência contra mulher, seja sexual ou letal, tem crescido no estado, contudo as principais políticas adotadas na atual gestão não priorizam atuar na prevenção desses tipos de crimes”, comenta. “Há ações possíveis de serem implementadas como a ampliação das unidades físicas das Delegacias de Defesa das Mulheres, central para que o suporte qualificado seja dado desde as primeiras denúncias de violência evitando que as mulheres permaneçam num ciclo de violência de repetição”, diz Malu.

Esta alta dos feminicídios no estado em 2024 se concentrou principalmente na capital paulista. A macrorregião do interior, por sua vez, registrou um aumento de 14,4% nos feminicídios consumados, concentrados sobretudo na região do Deinter 7 – Sorocaba, que mais que dobrou o número de feminicídios, e do Deinter 5 – São José do Rio Preto.

Região dos feminicídios consumados  2023 2024 Variação %
DECAP – Capital 36 52 44,4%
DEMACRO – Região Metropolitana 44 42 -4,5%
DEINTER 1 – SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 16 14 -12,5%
DEINTER 2 – CAMPINAS 17 18 5,9%
DEINTER 3 – RIBEIRÃO PRETO 20 24 20,0%
DEINTER 4 – BAURU 11 14 27,3%
DEINTER 5 – SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 8 16 100,0%
DEINTER 6 – SANTOS 11 7 -36,4%
DEINTER 7 – SOROCABA 13 28 115,4%
DEINTER 8 – PRESIDENTE PRUDENTE 7 6 -14,3%
DEINTER 9 – PIRACICABA 22 20 -9,1%
DEINTER 10 – ARAÇATUBA 7 4 -42,9%
TOTAL 212 245 15,6%

Chama a atenção o intenso aumento das tentativas de feminicídios no estado, que tiveram um crescimento de 51,3% em 2024. Isso pode ter se dado tanto devido ao aumento do fenômeno em si (já que os feminicídios consumados também aumentaram), mas também pela melhoria do registro de crimes que antes eram classificados como homicídio tentado ou agressão corporal.

Feminicídios tentados e consumados no Estado de São Paulo – 2023 e 2024
Tipo 2023 2024 Variação %
Feminicídios Consumados 212 245 15,6%
Feminicídios Tentados 433 655 51,3%
Total 645 900 39,5%

Perfil das vítimas

A maioria das vítimas de feminicídio em 2024 no estado possuía entre 18 a 39 anos de idade (53,8%). O maior número de vítimas se concentra na faixa etária de 30 a 39 anos, com pouco menos de um terço de todas as mortes de feminicídio no estado.
Idade das vítimas dos feminicídios consumados em 2024
2023 2024 Variação %
12 a 15 anos 6 3 -50,0%
16 a 18 anos 4 7 75,0%
18 a 29 anos 63 64 1,6%
30 a 39 anos 52 70 34,6%
40 a 49 anos 50 54 8,0%
50 a 59 anos 21 29 38,1%
60 anos ou mais 14 17 21,4%
Não informado 2 1 -50,0%
Total Geral 212 245 15,6%

Em relação a raça/cor das vítimas, as vítimas brancas (54,7%) são maioria, seguidas pelas vítimas negras (42,9%). Esta distribuição segue aproximadamente a distribuição racial da população do estado de acordo com o Censo de 2022, que registrou 57,8% da população do estado como branca, 8% preta e 32,9% como sendo parda.

Tipo do local e instrumentos dos feminicídios

Cerca da metade dos feminicídios consumados no estado de São Paulo foram cometidos com o uso de objetos cortantes ou perfurantes, enquanto cerca de 18% foram cometidos com o uso de armas de fogo: o número de vítimas de feminicídios cometidos com armas de fogo aumentou 34,4% em 2024 em relação com o ano anterior.

Meios usados nos feminicídios consumados em 2023 e 2024 2023 2024 %variação
Arma de fogo 32 43 34,4%
Enforcamento/Força corporal 22 40 81,8%
Não especificado 8 5 -37,5%
Objeto contundente 20 11 -45,0%
Objeto cortante ou perfurantes 98 122 24,5%
Outros 32 24 -25,0%
TOTAL 212 245 15,6%

A residência é o local onde foram cometidos cerca de 7 a cada 10 feminicídios no estado de São Paulo, enquanto as vias públicas foram cenário de 20% dos feminicídios consumados. 21 dos 164 feminicídios cometidos em casa (12,8%) utilizaram armas de fogo como meio da morte, enquanto 91 destes crimes em residências (55,4%) utilizaram objetos cortantes ou perfurantes.

“Os crimes de feminicídio, por sua natureza, cometido majoritariamente por familiares ou companheiros e fora das vias públicas, necessita de intervenções diferentes das utilizadas pela polícia em outros casos de crimes contra a vida. O acompanhamento de mulheres que solicitam medida protetiva de urgência, por exemplo, tem sido uma estratégia positiva utilizada em outras unidades federativas, como o caso do Programa Integrado Patrulha Maria da Penha, implementado pelo governo da Paraíba”, destaca Malu Pinheiro. “A integração e ampliação dos serviços disponíveis para o acolhimento de mulheres em situação de violência também é um passo importante para a ampliar a capacidade das vítimas de não permanecerem em situação de violência”, completa.

Tipo de local dos feminicídios consumados em 2024 Casos % do total
Residência 164 66,9%
Via Pública 49 20,0%
Zona rural 11 4,5%
Comércio 9 3,7%
Hospital/unidade de saúde 4 1,6%
Outros 8 3,3%
TOTAL 245 100,0%

Já dentre os 49 casos de feminicídios consumados em vias públicas, 14 assassinatos (28,5%) foram cometidos com armas de fogo, e 21 mortes (342,8%) cometidas com o uso de objetos cortantes e perfurantes. “Também é importante destacar o impacto negativo da redução da verba disponibilizada para a Secretaria de Políticas Para a Mulher, conforme indicada na Lei Orçamentária Anual de São Paulo (LOA), em que houve uma redução de 99,75% do valor destinado a políticas para a mulher no estado. Esse tipo de decisão política traz impactos concretos para a vida da população feminina”, explica Malu Pinheiro.

(Fonte: Instituto Sou da Paz)