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MACS recebe estreia brasileira do projeto Gravitas, de Túlio Pinto e Eduardo Rezende

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #03, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 180 x 135 cm. Fotos: Eduardo Rezende.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) recebe, a partir de 15 de agosto de 2026, a exposição “Gravitas”, com curadoria de Patrícia Borges. A data de abertura coincide com o aniversário de fundação de Sorocaba, em 15 de agosto de 1654. A mostra corresponde ao Ato I do projeto do artista Túlio Pinto em colaboração com o fotógrafo Eduardo Rezende, apresentado previamente com dois conjuntos de obras na Piero Atchugarry Gallery, em Miami, Estados Unidos.

Gravitas marca a primeira vez em que Túlio Pinto introduz o corpo humano em seu vocabulário. O artista trabalha há anos com escultura e instalação a partir de investigações sobre peso, equilíbrio e resistência dos materiais, usando concreto, ferro e vidro. Para este projeto, ele convidou Eduardo Rezende, fotógrafo que se relaciona com o universo da moda, área em que o corpo costuma ser fotografado de forma idealizada. Para Gravitas, o corpo se transforma em estrutura escultórica em diálogo com pedras brutas. Aqui o esforço físico, a deformação e a tensão entre corpo e peso constroem um novo sistema de relações. O conjunto fotográfico inverte a lógica tradicional da escultura, em que o artista talha ou modela uma matéria inerte.

Nas fotografias de Rezende, pedras brutas funcionam como elemento ativo, imprimindo seu peso sobre modelos de diferentes tipos físicos, escolhidos para a série. Mãos, braços e torsos reagem ao contato direto com a pedra e as mãos aparecem como ponto de transferência entre os dois materiais. As fotografias são em preto e branco, de grande formato e com alto contraste.

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #16, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 180 x 135 cm.

Na entrada do MACS, duas pedras ficam disponíveis para o público. Os visitantes podem tocar, levantar e sentir o peso desses elementos, o que estende para o espaço expositivo a experiência física registrada nas imagens. Uma agenda de atividades educativas liderada por Sadao Mori acompanha o período da exposição.

O título do projeto parte do termo latino gravitas, que remete simultaneamente ao peso físico e a um sentido de rigor. Túlio Pinto ocupa posição de referência na escultura contemporânea brasileira. Realizou exposições individuais no Brasil e no exterior; entre elas, Cerrado Cultural, em Brasília, Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, Millan, em São Paulo, Bienal de Vancouver (2014, Canadá), o Phoenix Institute of Contemporary Art (2015, Estados Unidos), Fondamenta Sant’Apollonia, em Veneza e a Piero Atchugarry Gallery. Recebeu prêmios como o 65º Salão Paranaense e o Prêmio Energisa Artes Visuais e tem obras em coleções institucionais, como as do Museu Marta Herford, na Alemanha, da Fundación Pablo Atchugarry, no Uruguai, e do Museu Oscar Niemeyer, no Brasil, além de coleções privadas.

Túlio Pinto & Eduardo Rezende, Gravitas – Ato I #17, 2025, Impressão fine art com pigmento mineral sobre papel Canson Infinity Somerset Enhanced, 135 × 180 cm.

Eduardo Rezende é fotógrafo com atuação no Brasil e no exterior. Sua produção aborda arquitetura, paisagem e espaços em transformação. Expôs individualmente na Piero Atchugarry Gallery, em Miami e em Torino, na Art Basel Miami, na Casa Gabriel, em São Paulo, e na Pair Gallery, entre outros espaços. Participou de mostras coletivas como o Art Factory Project, em Miami, e a Mostra Flávio de Carvalho Desveste, no MuBE e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Participou de residências artísticas e assinou editoriais para publicações como Vogue, Harper’s Bazaar, L’Officiel e Elle.

Patrícia Borges é curadora e consultora de arte. Atua há mais de 16 anos nos mercados nacional e internacional. Formou-se em Administração de Empresas e Economia pela Universidade de Ribeirão Preto e cursou Business na New York University Stern School. É mestre em Art as a Financial Asset pela New York University e em Art Institutions Management pela ESE, em Florença, na Itália, concluído em 2024. Desenvolve projetos curatoriais de grande escala na interseção entre arte, patrimônio, investimento e sustentabilidade.

“A abertura da exposição acontece em 15 de agosto, data que marca o aniversário de 372 anos de fundação de Sorocaba. A escolha do dia reforça o compromisso do MACS com a agenda cultural da cidade.” — Carol Paiffer, presidente do MACS.

SERVIÇO:

Gravitas | Túlio Pinto e Eduardo Rezende

Curadoria: Patrícia Borges

Pré-abertura para convidados: 14 de agosto, das 18h às 22h

Abertura: 15 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de novembro de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Horário: Terça a sexta, das 10h às 17h | Sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Apoio: Secretaria de Cultura de Sorocaba, Dan Galeria, Ágere, Applix, Nucleo TCM

Patrocínio: Laranjinha Itaú, Itaú, White Martins, Ministério da Cultura, Lei Rouanet

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)

Tetê Espíndola apresenta show “Da Raiz ao Contemporâneo” no Sesc Bom Retiro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Tetê Espíndola apresenta o show “Da Raiz ao Contemporâneo” no teatro do Sesc Bom Retiro dia 7 de agosto, sexta, às 20h. Com mais de 45 anos de carreira, a compositora, cantora e instrumentista, que tem na voz um instrumento natural em seu elemento poético, transita pela música pantaneira, percorrendo desde guarânias e polcas, gêneros difundidos na fronteira do Mato Grosso com o Paraguai, até composições contemporâneas que ressaltam sua fase ligada à vanguarda musical paulista, em colaboração com artistas como Arrigo Barnabé e Carlos Rennó. No repertório estão canções de seus conterrâneos, caso de Paulo Simões (“Trem do Pantanal”), Almir Sater e Renato Texeira, além de destaques de sua carreira, como “Galopeira” e “Seriema”.

Hoje com mais de vinte álbuns lançados, Tetê Espíndola lançou seu primeiro solo, “Tetê e o Lírio Selvagem”, em 1978. O disco foi sucedido por títulos como “Pássaros na Garganta”, de 1982, registro emblemático de sua trajetória que traz no nome do trabalho a imagem desde sempre associada ao seu canto. Três anos depois, em 1985, Tetê Espíndola venceu o Festival dos Festivais na rede Globo com “Escrito nas Estrelas”. Seu lançamento mais recente, “Tetê 70”, de maio de 2025, traz o registro de sua apresentação no Sesc Piracicaba em junho de 2024, acompanhada de 60 músicos da Orquestra Sinfônica de Piracicaba sob regência do maestro Jamil Maluf.

SERVIÇO:

Tetê Espíndola | Show Da Raiz ao Contemporâneo

Dia 7/8. Sexta, 20h.

Local: Teatro (291 lugares). 10 anos

Ingressos: R$ 18,00 (Credencial Plena), R$ 30,00 (Meia) e R$ 60,00 (Inteiro).

Venda de ingressos disponível pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/bomretiro, ou nas bilheterias.

Estacionamento do Sesc Bom Retiro – (vagas limitadas): O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com deficiência, além de bicicletário. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529.

Valores: R$ 10 a primeira hora e R$ 4 por hora adicional (Credencial Plena). R$ 20 a primeira hora e R$ 5 por hora adicional (Outros). Valores para o público de espetáculos: R$ 14 (Credencial Plena) e R$ 25 (Outros). Horários: Terça a sexta: 9h às 20h. Sábado: 10h às 20h. Domingo: 10h às 18h. IMPORTANTE: Em dias de evento à noite no teatro, o estacionamento funciona até o término da apresentação.

Transporte gratuito: O Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito circular partindo da Estação da Luz. O embarque e desembarque ocorrem na saída CPTM/José Paulino/Praça da Luz.

Consulte os horários disponíveis de acordo com a programação no link.

Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185. CEP 01216-000

Campos Elíseos, São Paulo – SP. Telefone: (11) 3332-3600

Siga o @sescbomretiro nas redes sociais: Facebook, Instagram / sescbomretiro.

(Com Flávio Aquistapace/Assessoria de imprensa Sesc Bom Retiro)

Adaptada por Fernando Meirelles, saga de super-herói brasileiro transforma São Paulo na protagonista da história

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

Enquanto Hollywood segue dominando o imaginário do universo de super-heróis, uma saga brasileira tem chamado a atenção por fazer justamente o caminho inverso: trocar Gotham e Metrópolis pelo centro de São Paulo. Criada pelo escritor, quadrinista e roteirista Pedro Ivo, a trilogia “O Cidadão Incomum” apresenta Caliel, um herói cuja trajetória é atravessada por desigualdade, violência, identidade e pertencimento, tendo a capital paulista como parte essencial da narrativa.

A série literária está em fase de adaptação para o cinema pela O2 Filmes e conta com a participação de Fernando Meirelles (Cidade de Deus) na produção. Para o cineasta, a brasilidade é justamente o diferencial da obra. “Tinha alguma coisa na kriptonita ou em Gotham City que não me deixavam embarcar totalmente, mas a brasilidade de Cidadão Incomum muda tudo. Eu conheço aquele ator ferrado sobrevoando a Av. Paulista. É outra experiência.” Já o produtor executivo Gustavo Gontijo resume a proposta da saga como “Onde Watchmen encontra Cidade de Deus.”

O terceiro volume, O Cidadão Incomum 3 – Experiência de Quase Morte, encerra a trilogia de origem do personagem. Ambientada em uma São Paulo sufocada por uma onda de calor e marcada por mortes misteriosas, a história combina suspense investigativo, ficção científica, horror psicológico e crítica social para discutir temas como masculinidade, desigualdade, poder e memória. Ao longo da saga, pontos icônicos da cidade, como o Edifício Copan e a Avenida Paulista, deixam de ser apenas cenários e passam a integrar a construção do universo do herói. Ao longo da série, o autor constrói um universo em que o centro da capital, a periferia e os conflitos sociais substituem as tradicionais metrópoles norte-americanas como cenário do heroísmo.

Onde encontrar o livro: Amazon e principais livrarias do Brasil.

Sobre o autor | Pedro Ivo é escritor, quadrinista e roteirista, criador da série literária Cidadão Incomum, universo de livros e quadrinhos que está em adaptação para o cinema pela O2 Filmes. Suas histórias combinam ficção científica, crítica social e elementos sobrenaturais para abordar temas como identidade, desigualdade e ética no Brasil contemporâneo. Também é coautor de Entre Mundos, obra de terror e sci-fi ambientada na periferia de São Paulo, cujos direitos de adaptação foram adquiridos pela Intro Pictures. Além da literatura e dos quadrinhos, desenvolve projetos narrativos que conectam audiovisual, games e novas tecnologias.

Redes sociais:

Instagram: @pedroivob_

LinkedIn: Pedro Ivo Barbosa

Site: Pedro Ivo.

(Com Gabriela Cuerba/LC Agência de Comunicação)

Theatro Municipal de São Paulo recebe premiado compositor chinês Tan Dun

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Tan Dun. Foto: Feng Hai.

Nos dias 7 e 8 de agosto, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta “O Mundo de Tan Dun”, concerto que marca a presença do renomado compositor e maestro Tan Dun, responsável pela regência das apresentações e pela interpretação de um programa dedicado à sua própria obra. Reconhecido internacionalmente por unir tradição e inovação, o artista divide o palco com a percussionista Lin Zhe, em um encontro que promete proporcionar ao público uma experiência sonora singular. As apresentações contam com Patrocínio Mobilize. Os ingressos variam de R$13 a R$100, a classificação é livre e a duração do concerto é de 100 minutos com intervalo.

O programa reúne três obras emblemáticas da produção de Tan Dun: “Passacaglia: O Segredo do Vento e dos Pássaros”, “Water Concerto – Concerto para Percussão e Orquestra” e “Sinfonia das Cores”, peças que sintetizam a linguagem do compositor ao integrar influências da música de concerto ocidental, da filosofia oriental e de sonoridades inspiradas na natureza.

A abertura do concerto acontece com Passacaglia: O Segredo do Vento e dos Pássaros, obra inspirada na antiga tradição chinesa de observar e interpretar os sons da natureza. Nela, Tan Dun estabelece um diálogo entre a orquestra e gravações de cantos de pássaros provenientes de diferentes regiões do mundo, criando uma reflexão sobre a relação entre humanidade, meio ambiente e memória sonora. Estruturada sobre a forma barroca da passacaglia, a composição combina procedimentos da tradição europeia com elementos da cultura oriental e evidencia o interesse do compositor pela preservação do patrimônio sonoro da natureza.

Na sequência, Water Concerto para Percussão e Orquestra coloca a água no centro da experiência musical. Escrita em 1998, a obra integra a série de composições em que Tan Dun transforma materiais naturais em instrumentos de concerto. Bacias, recipientes e diferentes volumes de água produzem uma ampla variedade de timbres, gestos e texturas, ampliando as possibilidades da percussão tradicional. Mais do que um efeito cênico, o uso da água está ligado à concepção estética do compositor, que entende os elementos da natureza como fontes de expressão musical e espiritual.

Foto: Nana Watanabe.

Encerrando o programa, Sinfonia das Cores apresenta uma escrita orquestral marcada pelo contraste entre densidade sonora e delicadeza tímbrica. A obra explora as cores instrumentais da orquestra como equivalentes sonoros de uma paleta visual, revelando a habilidade de Tan Dun em construir paisagens musicais de grande riqueza sensorial. Ao longo da peça, referências à ópera chinesa, ao ritual, ao minimalismo e à tradição sinfônica ocidental convivem em uma linguagem profundamente pessoal.

Considerado um dos mais influentes compositores vivos, Tan Dun nasceu na província de Hunan, na China, e radicou-se nos Estados Unidos na década de 1980, onde consolidou uma carreira de projeção internacional. Sua produção artística é reconhecida pela capacidade de aproximar diferentes culturas, tradições e linguagens musicais, criando obras que dialogam com a música clássica, o teatro, a ópera, o cinema e as artes visuais.

Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por O Tigre e o Dragão (2001), Tan Dun também recebeu um Grammy, além de importantes distinções como o Grawemeyer Award for Music Composition e o Prêmio Shostakovich. Suas obras integram o repertório das principais orquestras do mundo e frequentemente abordam temas ligados à natureza, à memória cultural e ao encontro entre Oriente e Ocidente, características que fizeram de sua produção uma das mais inovadoras da música dos séculos XX e XXI.

Ao lado de Tan Dun estará a percussionista Lin Zhe, reconhecida por sua atuação na música contemporânea e pela interpretação de repertórios que exploram novas possibilidades sonoras e performáticas. Especialista na execução de obras para percussão expandida, a musicista é colaboradora frequente do compositor e desempenha papel central na interpretação de peças que utilizam instrumentos e materiais não convencionais.

O Mundo de Tan Dun representa uma oportunidade rara para o público brasileiro assistir ao próprio compositor conduzindo suas criações, revelando as intenções interpretativas e a riqueza estética de um repertório que desafia fronteiras entre Oriente e Ocidente, tradição e vanguarda.

SERVIÇO:

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL 

Tan Dun, regência

Lin Zhe, percussão

07/08, sexta-feira, às 20h (Patrocínio Mobilize)

08/08, sábado, às 17h (Patrocínio Mobilize)

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal

Ingressos R$13 a R$100 (inteira)

Classificação livre para todos os públicos – Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Duração total: 100 minutos.

(Com Letícia Santos/Assessoria de Imprensa Theatro Municipal)

“Temporalmente Vivos”, novo trabalho de Gustavo Miranda e Mauricio Flórez, estreia no Sesc Avenida Paulista

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Com inspiração no realismo mágico, peça une teatro e dança para refletir sobre alegria de viver a partir de cenas poéticas e cheias de humor ácido. Foto: Mauricio Flórez.

Ao abordar a morte para além dos estereótipos da tristeza e da dificuldade de superação, a dupla de criadores colombianos Gustavo Miranda e Mauricio Flórez apresenta “Temporalmente Vivos”. O espetáculo estreia no Sesc Avenida Paulista (Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo) em 7 de agosto e fica em cartaz até o dia 30, com sessões de quinta a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 18h30, além de uma apresentação extra em 26 de agosto, quarta-feira, às 20h30.

Pensada para ser uma peça leve, com humor ácido, o trabalho descortina-se como um contínuo surgir e desaparecer de imagens, como se fosse alguém mudando de canal em uma TV. Ao longo da montagem, o público acompanha 15 cenas independentes, sem uma ligação explícita entre elas.

Sobre a encenação

“Toda a obra é atravessada por um mesmo sentimento: a alegria de estarmos vivos diante da angústia da finitude. Assim, buscamos estabelecer uma relação afetiva com os espectadores”, comenta Gustavo Miranda, que assina a dramaturgia e divide a concepção, a direção e a atuação com Maurício Flórez.

Para envolver a plateia, as cenas são construídas como se fossem pinturas. Mesmo com poucos objetos em quadro, Temporalmente Vivos brinca com a profundidade do espaço utilizando a luz. “O fundo está sempre na penumbra, enquanto as imagens vão aparecendo e desaparecendo. É a iluminadora Patrícia Savoy quem faz a mágica acontecer”, completa o artista.

As situações representadas na peça oscilam entre o ordinário e o extraordinário, o naturalismo e a caricatura. Gustavo e Maurício alternam-se no palco, com textos que passam por temas como a guerra, a extinção, o amor, a festa, a admiração pelo universo vegetal, o fanatismo religioso, a ciência e algumas memórias do conflito armado na Colômbia.

É a primeira experiência de Miranda e Flórez atuando juntos. “Eu sou mais do teatro enquanto Maurício é da dança. É bem normal colaborarmos nos nossos trabalhos, mas, desta vez, unimos nossas experiências para debater sobre a morte como um objeto de contemplação, de humor e de poesia. É um espetáculo que se debruça sobre a forma como olhamos para a finitude enquanto se faz reverência à vida”, acrescenta.

Sempre presente e quase invisível, a Morte aparece silenciosamente pelos cantos do teatro, esperando na penumbra para se imiscuir, lentamente, nas tramas das cenas, assim como na vida. É sempre uma convidada inesperada, que ajuda a dar vida aos diferentes quadros. Quem interpreta esse personagem é o contrarregra Marcos Yamamoto.

Outro elemento de destaque na montagem é a dança. “Minha ideia foi explorar um tipo de gestualidade híbrida, em que movimentos cotidianos e abstratos se misturam para criar uma ‘quase fala’ que gera fascinação pelas intensidades e tipos de presença que se desenham no corpo”, explica Mauricio.

A trilha sonora de Temporalmente Vivos, assinada por Talita del Collado, é marcada por ritmos bastante presentes na Colômbia, como cumbia e bolero, além de sons ambientes responsáveis por causar estranhamento.

Já o figurino de Salomé Abdala não se prende ao naturalismo. Cores escuras como vinho e marrom compõem o visual, auxiliando na caracterização dos inúmeros personagens. Adereços como máscaras também são utilizados pelos atores.

Dessa forma, o espetáculo reforça o interesse pelo mistério e a beleza de nos sentirmos parte de uma sinfonia cósmica, em meio a uma intensa busca por leveza em nossa passagem pelo mundo. “A vida é muito mais do que nos alimentarmos, reproduzirmos e morrermos, como define a ciência. Por isso, fomos procurar significados mais profundos em algumas cosmovisões indígenas. Para os Krenak, por exemplo, a vida é uma correnteza que avança sem parar. Foi isso que quisemos mostrar”, diz Flórez.

Sinopse | Temporalmente Vivos é uma colagem de cenas independentes, tecidas delicadamente com ironia e humor, que transitam entre as linguagens do teatro e da dança. A peça faz do realismo mágico latino-americano um barco para navegar pelos dois grandes mistérios que têm movido a criação poética de todos os tempos: a vida e a morte, temas universais por excelência.

Sobre Gustavo Miranda

Natural da Colômbia. Se formou em Medellín como Mestre em Arte Dramática (2002) e como Magister em Dramaturgia e Direção pela Universidade de Antioquia (2012).

Mora no Brasil desde 2012. Atualmente, é ator da peça “Portátil”, de Porta dos Fundos (2015 – 2026), indicada ao Emmy Latino na categoria documentário artístico (2017). Integrou o elenco do programa “Fora de Hora”, da Rede Globo (2020). É ator e foi treinador artístico durante cinco anos da Cia Barbixas de Humor, no espetáculo “Improvável” (2009 – 2025).

Em dança, foi dramaturgo dos espetáculos: “Pàssará” de Maria Eugenia Tita (2025) e “Memórias para se Transformar em Flor”, de Mauricio Flórez, indicado ao prêmio APCA 2024 em duas categorias. Foi colaborador artístico do espetáculo “Riso”, da Key & Zetta e Cia, indicado ao APCA 2017. É cocriador da série virtual “Aqui Dentro” (2020), indicada ao APCA 2021.

Fundador da Cia. De teatro Acción Impro (Colômbia, 2000 – 2012). Melhor Dramaturgo, nos Prêmios Platea Medellín, 2023. Autor do livro de dramaturgia “Hermanas de Sangre” (Fallidos Editores 2021) e coautor dos livros: “El Rojo lo da la Sangre” (Fallidos Editores 2023), “A Contra foco del Mundo” (Editorial Palabra Herida 2025) e “Monólogos Secretos” (Editorial Palavra Ferida 2026).

Em Portugal, compõe o elenco do espetáculo “Commedia a la Carte” (2015 – 2026) e é diretor do espetáculo “Commedia Kids” (2022 – 2026).

Sobre Mauricio Flórez

Dançarino, coreógrafo e preparador corporal. Nasceu na Colômbia e mora no Brasil desde 2012. É formado em dança e pedagogia pela Universidade de Antioquia – Medellín. Desde 2015 faz parte do núcleo artístico Key Zetta e Cia.

Atualmente, se interessa pela botânica e a divulgação científica, estudando a relação corpo humano – corpo vegetal e assuntos relacionados à metamorfose do corpo através da dança, partindo da ligação entre memória, imaginação e movimento.

É aprendiz na Comunidade Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida, onde participa do grupo de tradução de textos do português para o espanhol. Como artista independente criou as peças: “Memórias Para se Transformar em Flor” (2024) indicada a melhor espetáculo e melhor interpretação pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, UM (2017) e “Bolero” (2015). É cocriador da série virtual “Aqui Dentro” (2020), indicada ao APCA 2021.

Ficha técnica

Concepção e direção: Gustavo Miranda e Mauricio Flórez.

Atuação: Gustavo Miranda e Mauricio Flórez.

Dramaturgia: Gustavo Miranda.

Contrarregragem – Morte: Marcos Yamamoto.

Assessoria artística: Rhena de Faria.

Criação de luz: Patrícia Savoy.

Operação de luz: Patrícia Savoy e Nara Zocher.

Técnica e operação e de som: Emilie Backer e Rebeca Montanha.

Produção musical: Talita del Collado.

Colaboração de produção musical: Andrés Giraldo.

Ambiente sonoro: Gustavo Miranda.

Espaço cênico: Hideki Matsuka.

Figurino: Salomé Abdala.

Criação de objetos cênicos: Marcos Yamamoto.

Preparação de corpo: Mauricio Flórez.

Técnico de montagem: Ayrton Casas / Henrique Casas.

Fotografia: Mayra Azzi.

Produção: Corpo Rastreado – Letícia Alves.

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto.

Agradecimento: Casa Farofa.

SERVIÇO:

Temporalmente Vivos

Data: 7 a 30 de agosto, de quinta à sábado, às 20h30, e, aos domingos, às 18h30.

Sessão extra na última quarta-feira (26/08), às 20h30

Local: Arte I (5º andar) Sesc Avenida Paulista – Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo (SP)

Telefone: (11) 3170-0800

Ingressos: R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (credencial plena:).

Duração: 85 minutos

Classificação: 14 anos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)