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Exposição “Budii: A Alma Lúdica de Thiago Rosinhole” é dica cultural para as férias no Memorial da América Latina

São Paulo, por Kleber Patricio

Mostra reúne mais de cinquenta obras, entre esculturas, pinturas, instalações, estudos e peças de arte aplicada, que constroem uma linha do tempo da trajetória do artista e designer paulistano. Fotos: @andreteixeirafotos096.

Em exibição desde o dia 4 de dezembro e com grande sucesso, a exposição “Budii: A Alma Lúdica de Thiago Rosinhole”, em cartaz no Espaço Gabo, no Memorial da América Latina, foi prorrogada até o dia 18 de janeiro. A mostra reúne mais de cinquenta obras – entre esculturas, pinturas, instalações, estudos e peças de arte aplicada – que constroem uma linha do tempo da trajetória do artista e designer paulistano, autor da figura que dá nome à exposição, propondo um olhar atento para as relações entre arte, economia criativa e cultura latino-americana. Com a prorrogação, a exposição passa a integrar as sugestões de passeio cultural para o período de férias de janeiro.

Budii nasceu do encontro entre o design gráfico, a arte urbana e o universo dos toys art. Ao longo dos anos, deixou de ser apenas um personagem para se tornar uma assinatura visual de Thiago Rosinhole. Com estética pop, cores marcantes e linguagem direta, Budii circula entre galerias, produtos, colaborações com marcas e projetos especiais, mostrando como uma criação autoral pode gerar valor simbólico e dialogar com o mercado sem perder identidade nem consistência conceitual.

Na exposição, o público encontra um recorte amplo da produção do artista em diferentes formatos e suportes, que ajudam a reconstruir tanto a trajetória de Budii quanto a evolução do próprio Thiago. Entre os destaques da mostra estão dois automóveis transformados em obras de arte. Um deles é uma Porsche criada em fibra de vidro, peça autoral que recria uma Porsche 964 Carrera S de 1994. Atualmente exibida com a carroceria totalmente personalizada, a obra propõe um diálogo direto entre arte, design e engenharia e segue em desenvolvimento. O projeto prevê que o veículo receba motor e componentes mecânicos em 2026, ampliando sua dimensão conceitual e funcional.

Outro destaque é um Fusca clássico que passou por um processo completo de recuperação, tanto de lataria quanto de interior, antes de receber a intervenção artística de Rosinhole. Todo o processo de restauração foi registrado e compartilhado pelo artista em suas redes sociais, permitindo que o público acompanhasse cada etapa da transformação do veículo. Assim como nas demais obras da exposição, o carro deixa de ser apenas um objeto utilitário ou peça de coleção para se tornar um suporte de expressão artística, reforçando a relação entre arte urbana, cultura pop, design e economia criativa.

As obras apresentadas revelam um campo em que o lúdico não aparece apenas como diversão, mas como ferramenta para abordar temas como memória, pertencimento, infância, consumo e a circulação de imagens em um mundo cada vez mais conectado. Em diferentes linguagens e escalas, Budii se apresenta como uma figura afetuosa e, ao mesmo tempo, crítica, capaz de transitar entre o imaginário infantil, a cultura pop e a reflexão sobre o lugar da arte no cotidiano.

A mostra é assinada pelo Centro Brasileiro de Estudos da América Latina e dialoga com o tema da Edição 2025 da Bolsa Cátedra Rede de Cooperação UNITWIN UNESCO para Integração da América Latina, reforçando o compromisso do Memorial da América Latina com projetos que aproximam pesquisa, criação artística e inovação social. Ao colocar em evidência um artista que transita com naturalidade entre o ateliê, a rua, o universo das marcas e o circuito das galerias, a instituição destaca a economia criativa como eixo estratégico para pensar o desenvolvimento cultural na região.

Ao revisitar cerca de dez anos de atuação como empreendedor criativo, Thiago Rosinhole apresenta processos, parcerias e desdobramentos que consolidaram Budii como um personagem reconhecível dentro e fora do circuito das artes visuais. A exposição convida o público a experimentar novas leituras sobre criação, afeto e imaginação, revelando como a arte pode atualizar modos de ver e reinventar nossas formas de estar no mundo.

Sobre Thiago Rosinhole

Thiago Rosinhole é artista plástico paulistano, 37 anos, formado em Administração de Empresas, casado e pai de dois meninos. Antes de se dedicar às artes visuais, construiu uma carreira de 12 anos no mercado financeiro, atuando nos seis maiores bancos privados do país e chegando ao cargo de executivo internacional em Londres para a terceira maior fintech do mundo.

Autodidata e apaixonado por artes, cultura urbana e bonecos, desenvolveu um traço autoral marcado por linhas soltas, sketches, splashes e triângulos, elementos que imprimem movimento e funcionam como sua assinatura. Suas obras misturam influências da street art com o universo dos cartoons e a estética pop. Reconhecido como referência na customização, já colaborou com marcas como Bulova, Red Bull, Nivea, Havanna, Centrum, Logitech, Globo, Palmeiras, SBT, Asus, Nvidia, Itaú, TIM, Acer, entre outras. No currículo, acumula exposições internacionais em cidades como Miami, Soho, Austin, Houston, Orlando, Paris, Veneza e Lagos, além de participações recorrentes na CCXP, Pixel Show e Brasil Game Show.

Entre 2015 e 2021, ganhou destaque internacional no universo do toy art ao criar coleções que reinventavam o camundongo mais famoso do mundo, fundindo-o a personagens e estilos de diferentes universos. O sucesso desse trabalho abriu caminho para, em 2022, apresentar ao mercado seu primeiro toy art autoral e patenteado, o Budii, uma obra que celebra a imaginação, a versatilidade e a liberdade de se transformar, assumindo novas identidades e emoções sem perder a própria essência.

Sua arte já conquistou clientes como Silvio Santos, Neymar, Faustão, Lewis Hamilton, Alok, Marcos Mion, Galvão Bueno, Suárez, Agüero, Tiago Leifert, Fátima Bernardes, Tiago Abravanel, Gaulês, Casimiro, Dani Calabresa, Luccas Neto, entre dezenas de outras personalidades.

(Com Vanessa Luckaschek/Luar Conteúdo)

“Barulhos”, do 28 Patas Furiosas, convida infâncias a sonhar a cidade

São Paulo, por Kleber Patricio

Voltada ao público infantil, peça transforma sonhos, ruídos urbanos e imaginação em uma experiência cênica sensível sobre memória, luto e reinvenção. Fotos: Helena Wolfenson.

O coletivo 28 Patas Furiosas estreia “Barulhos”, seu primeiro espetáculo criado especialmente para as infâncias, com direção de Valéria Rocha. As apresentações acontecem de 10 de janeiro a 1º de fevereiro, aos sábados e domingos, às 11h, no Sesc Avenida Paulista (Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo).

Com doze anos de trajetória, o grupo se consolidou na cena teatral paulistana pela pesquisa que articula teatro, artes visuais e performance, investigando espaços inventivos e dramaturgias autorais.

Em sua nova criação, o coletivo apresenta às crianças uma experiência cênica que atravessa o território dos sonhos por meio da investigação de diferentes materialidades. Em um mundo cada vez mais mediado por telas e marcado por um pensamento excessivamente concreto, Barulhos propõe um encontro entre imaginação, artesania teatral e sensibilidade, reforçando a parceria contínua com o dramaturgo Tadeu Renato.

Desde 2020, o 28 Patas Furiosas desenvolve uma pesquisa artística sobre o que sonha a cidade de São Paulo, inspirando-se nos saberes de povos originários — especialmente Xavante, Yanomami e Guarani — para compreender o sonho como forma de existência, cura e reconstrução de mundo. A investigação também dialoga com os estudos do neurocientista Sidarta Ribeiro, que compreende os sonhos como ferramentas cognitivas e afetivas fundamentais para organizar experiências, lidar com perdas e criar possibilidades diante da vida.

A dramaturgia de Barulhos nasce do diálogo com crianças de quatro a doze anos de diferentes territórios da capital, cujos relatos oníricos revelaram sirenes, ruídos urbanos, personagens da cultura pop, medos, fugas, reinvenções e encontros mágicos. Em meio ao caos da metrópole, esses sonhos infantis formaram uma “cartografia poética”, capaz de desafiar o concreto da cidade e propor outros modos de sentir e narrar o mundo.

A história

A peça acompanha Rosa, uma menina que, enquanto vivencia com a mãe o luto pela morte da avó, passa a encontrar em seus sonhos uma garota misteriosa que procura sua casa perdida. Nesse universo onírico, em que um barulho estranho desloca o chão e arrasta todas as casas, Rosa e a menina percorrem uma jornada repleta de figuras fantásticas — como uma onça falante, uma cabeça sem corpo e uma guia cientista — em busca daquilo que não para de se mover. Ao final, Rosa descobre que a garota misteriosa é sua avó quando criança; e ao compartilhar esse sonho com a mãe, abre um espaço de escuta afetiva, revelando o sonho como ferramenta de elaboração e transformação. “O sonho e a memória, que por vezes insistem em trazer à tona angústias que preferiríamos esquecer, também se tornam espaços de entendimento e elaboração”, conta a diretora Valéria Rocha, que acrescenta: “é nesse sentido que, por meio da relação com os sonhos, Barulhos propõe outra forma de olhar para essas temáticas: como caminhos que acolhem, permitindo que crianças e adultos encontrem sentidos e elaborações possíveis para aquilo que é, ao mesmo tempo, inevitável e humano: a morte”.

Sinopse | Barulhos acompanha Rosa, uma menina que, enquanto enfrenta junto à sua mãe o luto pela morte da avó, passa a encontrar nos sonhos uma garota misteriosa que está em busca de sua casa perdida. Nesse mundo onírico, onde um barulho estranho faz o chão se mover e arrastar todas as casas, as duas meninas atravessam uma jornada repleta de encontros com figuras fantásticas — uma onça falante, uma cabeça sem corpo, uma guia cientista — na tentativa de recuperar aquilo que se desloca sem parar.

Oficina

Além da peça, o coletivo ainda propõe a oficina: Arte, brincadeira e imaginação, com Isabel Wolfenson, Sofia Botelho e Valéria Rocha (artistas do 28 Patas Furiosas). São encontros livres, com duração de aproximadamente 2 horas cada. A pessoa participante pode acompanhar todos os encontros ou apenas um.

Inspirada nas pesquisas estéticas do grupo, esta oficina promove o encontro entre arte, brincadeira e imaginação. De maneira lúdica e integrada, serão experimentadas diferentes linguagens artísticas por meio de jogos, brincadeiras e invenções coletivas. A cada encontro, as crianças serão convidadas a explorar materiais diversos, como papéis, madeiras, tecidos, vasos, palavras, sons e imagens.

Sobre o 28 Patas Furiosas

Criado em 2013, em São Paulo, o 28 Patas Furiosas dedica-se à experimentação teatral e à criação de obras com dramaturgias autorais. O grupo mantém uma sede no bairro do Bom Retiro — o Espaço 28 — onde realiza apresentações, festivais, oficinas e outras atividades culturais.

Entre seus trabalhos estão Um Jaguar por Noite (Prêmio Shell Melhor Iluminação – 2025), a performance-instalação Parabólica dos Sonhos (2022) e a Trilogia da Instabilidade, formada pelos espetáculos PAREDE (2019), A Macieira (2016) e lenz, um outro (2014).

Ficha Técnica

Idealização e concepção: 28 Patas Furiosas

Direção: Valéria Rocha

Texto: Tadeu Renato

Elenco: Gabriel Bodstein, Isabel Wolfenson, Jennifer Souza, Joy Catharina e Sofia Botelho

Luz: Dimitri Luppi e Wagner Antônio

Cenário: Wagner Antônio

Direção musical: Júlia Ávila

Figurino: Valentina Soares

Operação de som: Gylez Batista e Júlia Ávila

Assistência de iluminação e Operação de luz: Leo Souza

Colaboração no processo criativo: Felipe Gomes e Pedro Stempniewski

Fotos: Helena Wolfenson

Mídias Sociais: Jorge Ferreira e Hayla Cavalcanti

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto: Márcia Marques e Daniele Valério

Orientação da Oficina: Arte, brincadeira e imaginação: Isabel Wolfenson, Sofia Botelho e Valéria Rocha

Produção: Corpo Rastreado – Lud Picosque e Gabs Ambròzia.

Serviço:

teatro | Barulhos

com 28 Patas Furiosas

Data: de 10 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026 | sábados e domingos, às 11h

Onde: Arte II (13º andar)

Duração: 60 minutos Classificação indicativa: Livre

Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (Meia) e R$ 12 (Credencial plena:). Venda de ingressos online a partir de 16/12, às 17h, e nas bilheterias das unidades a partir de 17/12, às 17h. Gratuidade para crianças até 12 anos.

oficina | Arte, brincadeira e imaginação

com 28 Patas Furiosas

Data: de 10 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026. Sábados e domingos, às 15h.

Onde: Lab 2 (4º andar)

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 6 a 12 anos. Crianças menores também são bem-vindas, desde que acompanhadas por um(a) adulto(a) responsável.

Grátis | Ingressos com 30min de antecedência

SESC AVENIDA PAULISTA

Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo, SP

Fone: (11) 3170-0800

Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m

Horário de funcionamento da unidade:

Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, das 10h às 19h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Marcos Damigo retrata as origens de São Paulo em seu quinto espetáculo sobre a história do Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Heloisa Bortz.

Com a proposta de fomentar novos imaginários, provocando outras percepções sobre o nosso passado, Marcos Damigo tem se dedicado a pesquisar e encenar peças sobre a história do Brasil. Seu novo espetáculo, Entre a Cruz e os Canibais”, lança luz sobre a construção do mito bandeirante e, consequentemente, de São Paulo. O trabalho faz sua temporada de estreia no Teatro Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo, SP), entre os dias 22 de janeiro e 15 de fevereiro, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h.

Em tom de comédia farsesca, a peça, que estreia na semana do aniversário de São Paulo, revisita essa narrativa histórica e sonda o desencontro entre o projeto colonial e a realidade da Vila de São Paulo de Piratininga. Damigo lembra que, por muito tempo, os bandeirantes não foram considerados heróis. Mas, atendendo a interesses de uma nova elite econômica que surgiu com o ciclo do café no século XIX, essa noção se modificou, culminando na criação de uma identidade para São Paulo atrelada à ideia de trabalho e desenvolvimento.

Entre a Cruz e os Canibais é ambientada em 1599 e conta com quatro personagens em cena: o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador. A trama se inicia com a chegada do Governador-geral do Brasil Dom Francisco de Souza à pequena Vila de São Paulo de Piratininga, única aglomeração de europeus fora da costa, isolada pela íngreme Serra do Mar. Os moradores estão revoltados com os mandos e desmandos do Juiz. Mas ele está apavorado com a iminência de um ataque indígena, pois o Vereador sequestrou tupis aliados. Já o Procurador, um degredado que foi salvo pelos tupis e tem portanto uma relação de proximidade com eles, espera que a vinda do Governador-geral faça valer a lei que proíbe a escravização de indígenas.

No entanto, Dom Francisco de Souza, ou “das Manhas” como indicava seu apelido, quer resolver os conflitos de maneira a atender melhor seus interesses.

Descortina-se, assim, o maior paradigma do projeto nacional: justamente quando São Paulo tem seu primeiro impulso de progresso econômico, com o avanço dos bandeirantes pelo interior, é que seus moradores começam a explorar a mão de obra indígena em larga escala.

Encenação

“Encontramos no humor a melhor estratégia para questionar essa ideia de que os bandeirantes foram heróis. Por isso, criamos o que eu chamo de comédia de escárnio, que dialoga com uma tradição de comédias populares desde a Antiguidade, passando por grandes autores brasileiros também, como Arthur Azevedo e Martins Pena. Assim, conseguimos colocar em destaque o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”, comenta Damigo.

A primeira inspiração de Marcos, diretor e autor da montagem, foi há mais de 30 anos, quando leu o livro São Paulo Nos Primeiros Anos. 1554-1601 São Paulo No Século XVI, de Afonso D’Escragnolle Taunay. A obra clássica descreve as dificuldades enfrentadas pelos fundadores daquela que se tornaria a maior cidade das américas. “Ao ler os relatos, logo pensei que aquelas histórias renderiam uma boa comédia. A tentativa de fundar uma civilização europeia em um lugar tão distante – e distinto – revela muitas das contradições do projeto colonial que estão presentes até hoje. Explorar isso pelo viés do humor é uma maneira de revelar os absurdos que foram sendo normalizados simplesmente porque nos acostumamos a eles”, afirma o diretor.

Para escrever Entre a Cruz e os Canibais, Damigo contou com as consultorias do premiado dramaturgo e roteirista Luís Alberto de Abreu e do historiador Paulo Rezzutti. Para a montagem, o artista também contou com o apoio do historiador Rodrigo Bonciani.

Damigo lembra que a transformação do bandeirante em herói nacional é relativamente recente. “Com a Proclamação da República, em 1889, e o poder econômico conquistado por São Paulo por conta do café, eles passaram a ser cultuados na forma de estátuas, nomes de ruas, estradas e até o palácio do governo”, acrescenta. “E cada vez mais estamos olhando criticamente para essa ideia de desenvolvimento a qualquer custo”. Nesse sentido, o espetáculo não pretende fazer uma reconstituição histórica, os personagens são tratados como tipos, e a trilha sonora, originalmente composta por Adriano Salhab, estabelece mais explicitamente essa relação entre passado e presente.

Tudo isso exige atores experientes: José Rubens Chachá (o Juiz), integrante do antológico grupo Ornitorrinco; Fábio Espósito (o Vereador), ator e palhaço com experiência internacional, incluindo trabalhos no Cirque du Soleil; Daniel Costa (o Procurador), indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator por Urinal, o Musical; e Thiago Claro França (o Governador-geral), artista presente em diversas criações da Cia. do Tijolo. “Eu disse aos atores, no primeiro dia de ensaio, que eles precisavam destruir o meu texto, no sentido de transformar a pesquisa histórica em jogo de cena e comédia. E nisso eles foram excepcionais”, ri Damigo.

O figurino desenvolvido por Marichilene Artisevskis incorpora elementos visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que propuseram uma releitura da nossa história na busca por uma identidade nacional. O cenário é composto de lonas pintadas à mão pelos artistas e grafiteiros Jonato e Ever. Além deles, o cineasta guarani Richard Wera Mirim, morador da Terra Indígena Jaraguá, é responsável pela criação de um vídeo para o espetáculo.

O espetáculo tem patrocínio da Google Cloud através da lei municipal de incentivo, ProMAC.

Sobre Marcos Damigo
Marcos Damigo tem uma longa trajetória no teatro e na pesquisa com a história do Brasil: “Cabra”, seu primeiro texto, escrito em 1997, ganhou o prêmio Nascente da USP. Seus dois últimos espetáculos foram “Leopoldina, Independência e Morte”, que estreou em 2017 no Museu do Ipiranga em parceria com o SESC e realizou, só em São Paulo, três temporadas de sucesso, e “Babilônia Tropical”, que estreou em 2023 e circulou pelas unidades do CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, em vários estados do país, além de se apresentar em Recife em 2024 com apoio da Embaixada dos Países Baixos.

Sinopse | Um Juiz autoritário, que ninguém obedece, encontra o Vereador que estava desaparecido há meses e descobre que ele sequestrou ilegalmente tupis aliados, o que pode desencadear um ataque contra a pequena vila de 300 habitantes isolada do mundo europeu pela íngreme Serra do Mar. Quando o Procurador chega informando que o Governador-geral do Brasil está a caminho, tudo vira de pernas pro ar. Como receber um nobre português em condições tão precárias? Mesmo assim, esta que viria a ser, mais de 400 anos depois, a maior cidade das Américas, tem seu primeiro ímpeto de progresso econômico com a exploração da mão de obra indígena em larga escala.

Ficha Técnica

Dramaturgia, Direção artística, Desenho do cenário e Idealização: Marcos Damigo

Direção de Produção: Vi Silva

Direção musical: Adriano Salhab

Atores: José Rubens Chachá, Fabio Esposito, Daniel Costa e Thiago Claro França

Música ao vivo: Adriano Salhab e Thiago Claro França

Assistente de direção e Contrarregra: Warner Borges

Figurinista e Visagista: Marichilene Artisevskis

Iluminador: Ney Bonfante

Assistente de iluminação: Matheus Bonfante

Mobiliário cênico e Pintura do cenário: Jonato e Ever

Cenotecnia: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo

Vídeos: Richard Wera Mirim e Santo Bezerra

Identidade visual: Santo Bezerra

Gestão de redes sociais: Flávia Moreira e Micaeli Alves (AuttivaLab)

Fotógrafa: Heloisa Bortz

Historiadores (consultoria histórica e palestrante): Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani

Consultoria dramatúrgica: Luís Alberto de Abreu

Produção executiva: Carolina Henriques (Rodri Produções)

Assistente de produção: Sofia Augusto

Administração financeira: Gustavo Sanna

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes de Oliveira.

Serviço:

Entre a Cruz e os Canibais

Duração: 85 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Gênero: comédia musical

Data: 22 de janeiro a 15 de fevereiro de 2026

Temporada: Quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h

Acessibilidade: 23 de janeiro – Libras e audiodescrição

Local: Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo, SP
Estacionamento: gratuito (vagas limitadas)

Telefone: (11) 2604-5558

Ingresso: R$20,00 (inteira)/R$10,00 (meia entrada) | Bilheteria presencial aberta uma hora antes de cada sessão | Ingressos online: www.sympla.com

Link direto da Sympla: AQUI

Atenção: *Dias 22, 23, 24 e 25/01, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, o espetáculo será gratuito.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Trem da República é opção educativa nas férias de janeiro, com ingresso infantil a R$ 1

Itu, por Kleber Patricio

Passeio tem duração média de uma hora e inclui ida e volta, com embarques nas estações restauradas dos dois municípios, que hoje funcionam como espaços culturais e turísticos. Foto: Adonai Arruda Filho.

O Trem da República inicia 2026 com uma ação promocional voltada às famílias. Durante todo o mês de janeiro, crianças de até 12 anos pagam apenas R$ 1 no Pacote Ida e Volta. A promoção é válida desde que a criança esteja acompanhada de um adulto pagante. “Janeiro é um mês tradicionalmente ligado ao lazer em família. A proposta é incentivar pais e responsáveis a incluírem o Trem da República no roteiro de férias, oferecendo uma experiência educativa e acessível para as crianças”, destaca Lilian Sanches, gerente do Trem da República.

Operado pela Serra Verde Express, o Trem da República liga as cidades históricas de Itu e Salto, no interior paulista, com um trajeto ferroviário de cerca de 7 quilômetros que resgata a importância da ferrovia na Proclamação da República e no desenvolvimento econômico da região. O passeio tem duração média de uma hora e inclui ida e volta, com embarques nas estações restauradas dos dois municípios, que hoje funcionam como espaços culturais e turísticos.

Durante o percurso, os passageiros acompanham uma narrativa histórica que contextualiza o papel de Itu como berço da República e a relevância de Salto no ciclo industrial paulista, além de apreciar paisagens urbanas e trechos às margens do Rio Tietê. O passeio também inclui interação com personagens históricos, o que torna a experiência especialmente atrativa para o público infantil e para famílias que buscam atividades culturais durante as férias.

O valor do bilhete do Pacote Ida e Volta parte de R$ 90 por adulto, podendo variar conforme a categoria do vagão. A promoção do ingresso infantil não é cumulativa com outros descontos e é válida exclusivamente para o pacote completo de ida e volta, até 31 de janeiro.

O Trem da República opera regularmente de quinta-feira a domingo, com horários programados ao longo do dia. “Uma opção de passeio acessível e diferenciada para começar o ano com experiências fora do roteiro convencional”, completa Lilian.

Serviço:

Promoção de Ano Novo – Trem da República

Trajeto: Itu – Salto – Itu

Funcionamento: de quinta a domingo

Período da promoção: até 31 de janeiro

Valor: crianças até 12 anos pagam R$ 1 (com adulto pagante); bilhete adulto a partir de R$ 90 (ida e volta, conforme categoria do vagão)

Ingressos e informações: www.tremdarepublica.com.br.

(Com Francielli Xavier/Serra Verde Express)

“Um Amigo Não Imaginário” estreia no Sesc Pinheiros

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Rodrigo Régis.

Um espetáculo inédito abre a programação 2026 de teatro infantil no Sesc PinheirosUm amigo não imaginário, da Cia Navega Jangada de Teatro – uma história sobre a imaginação, amizade e laços invisíveis – fica em cartaz no Auditório, de 11 de janeiro a 22 de fevereiro de 2026 – domingos, às 15h e às 17h. Informações aqui.

A trama acompanha a jornada de três personagens bem diferentes uns dos outros: Alberto, um jovem senhor de mais ou menos 50 anos que trabalha afundado na burocracia de uma repartição pública; Nico, um amigo imaginário que nunca foi imaginado por ninguém e vive a angústia de querer ganhar vida; e Lua que, ao contrário de Nico, é uma amiga imaginária muito popular entre crianças que sempre a imaginam de diferentes formas. Do encontro desses três é que a ação se desenvolve. E um confronto divertido e poético acontece, revelando a fragilidade e a força da imaginação e como ela pode conectar mundos.

Elementos cênicos dão um colorido especial à encenação e ajudam a contar a jornada dos personagens. As composições são originais de Rodrigo Régis – uma das características da Cia Navega Jangada é usar a música como parte da narrativa, salientando e trazendo mais clima para cada cena do espetáculo.

Os figurinos são de Talita Cabral ─ que também assina a dramaturgia, a direção e o cenário, criado em parceria com Palhassada Ateliê. Enquanto o personagem principal, que trabalha em um escritório, usa roupa social, Nico e Lua usam roupas mais coloridas e assimétricas. O cenário vai nessa mesma toada. Ao longo do espetáculo ilustrações da artista Mariana Sibinel ajudam a compor o cenário, a partir de desenhos feitos por crianças, adolescentes e até adultos que vão surgindo no decorrer do espetáculo.

“O Alberto, que é esse senhor, vamos dizer assim, um pouco mais sério, que de repente se encontra com um menino, um amigo imaginário. Mas ele não imaginou esse menino, ele não sabe o que ele está fazendo dentro do quarto dele. Esse é o grande enredo da peça”, adianta Talita. “Em todos os nossos espetáculos, sem exceção, a gente pensa também no adulto, para criar identificação e fazer com que ele não seja aquele que leva a criança ao teatro e não se envolve com a história. Em Um Amigo Não Imaginário o Alberto, que trabalha ali, segunda a sexta-feira, num ambiente cinza traz o questionamento de que em qual momento ele passou a ser um pouco mais burocrático? E o porquê que ele não pode abrir as asas da imaginação dele de novo?”, completa Talita.

A Cia Navega Jangada de Teatro, fundada em 2008 em Santo André/SP, surgiu de pesquisas em teatro de animação, circo e música. Criada por Talita Cabral e Rodrigo Régis, destaca-se pelo uso da música como narrativa. Seu repertório mistura bonecos, objetos, circo, música ao vivo e linguagem não verbal.

Sinopse | Acompanhamos a jornada de um amigo invisível que observa o desejo de ser imaginado por uma criança. Sem ter sido criado por nenhuma mente infantil, ele passa a viver a angústia de ser uma figura solitária no mundo da imaginação. Ao entrar em contato com um adulto, por acaso, um confronto divertido ocorre, revelando a importância de se conectar com aquilo que não se vê.

Ficha Técnica:

Dramaturgia e direção: Talita Cabral

Composições: Rodrigo Régis

Elenco: Taynã Marquezone, Lucas Vedovoto e Thiago Ubaldo

Figurinos: Talita Cabral

Cenário: Palhassada Ateliê e Talita Cabral

Maquiagem: A Cia

Concepção e operação de luz: Junior Docini

Técnico de som: Rodrigo Rossi

Contrarregra: Lui

Ilustrações: Mariana Sibinel.

SERVIÇO

Um Amigo não Imaginário

Com Cia Navega Jangada de Teatro

Local: Sesc Pinheiros – Auditório – 3° Andar

Dias: de 11 de janeiro a 22 de fevereiro – domingos, às 15h e às 17h

Classificação indicativa: Livre

Duração: 50 minutos

Preços:  R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira). Grátis para crianças de até 12 anos.

Sesc Pinheiros

Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo (SP)

Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30

Estacionamento com manobrista

Como chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).

Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

(Com Gleice Nascimento/Assessoria de Imprensa Sesc Pinheiros)