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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Fundado por Mário de Andrade, Coral Paulistano celebra 90 anos de trajetória em 2026

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Stig de Lavor.

Em 2026, o Coral Paulistano, um dos corpos artísticos do Theatro Municipal de São Paulo, celebra 90 anos de trajetória. O Coral foi criado em 1936 a partir da proposta de trazer a música brasileira para a programação do teatro. A iniciativa de Mário de Andrade foi bem recebida e implementada pelo então diretor do Departamento Municipal de Cultura para sensibilizar a elite paulistana com as ideias e os ideais do movimento modernista, que contagiava os compositores brasileiros da época e que eram, até então, desconhecidos pela sociedade.

O surgimento do grupo é considerado um marco da história da música em São Paulo, pois foi um dos muitos desdobramentos do movimento modernista da Semana de Arte Moderna de 1922. Ao longo dos anos, alguns dos maiores destaques a música brasileira estiveram à frente do coral, como Camargo Guarnieri, Fructuoso Vianna, Miguel Arqueróns, Tullio Colacioppo, Abel Rocha, Zwinglio Faustini, Antão Fernandes, Samuel Kerr, Henrique Gregori, Roberto Casemiro, Mara Campos, Tiago Pinheiro, Bruno Greco Facio, Martinho Lutero Galati e Naomi Munakata.

A maestra Maíra Ferreira, que atualmente é regente titular do Coral, afirma que o principal objetivo do grupo é divulgar a música brasileira dedicando-se com êxito a esse propósito. “Falar sobre os 90 anos do Coral Paulistano implica em destacar as qualidades que, a meu ver, o definem hoje. Trata-se de um grupo profundamente diverso em suas escolhas de repertório, estilos e formatos de concerto, sempre respeitando a tradição coral, olhando para o passado, mas afirmando-se como um conjunto essencialmente contemporâneo, tanto nas escolhas artísticas, quanto na maneira como compreendemos e interpretamos a música coral atual”, ressalta. “Para mim, é uma honra, uma alegria e também uma grande responsabilidade celebrar esses noventa anos de um grupo criado por Mário de Andrade, escritor, historiador e figura fundamental para a história da cultura, da arte e da música brasileiras. Em nenhum momento desejamos nos afastar da visão que ele teve enquanto diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, sustentada por uma bagagem intelectual admirável”, celebra a maestra.

90 anos: Memórias

Em celebração aos 90 anos, haverá o concerto Paulistano 90 Anos: Memóriasno dia 12, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório, com um programa que revisita a história do grupo por meio de obras de compositoras e compositores brasileiros que marcaram sua atuação. Sob regência de Maíra Ferreira, o repertório inclui obras de Giovanni Pierluigi da Palestrina, Heitor Villa-Lobos, Dinorá de Carvalho e Antonio Ribeiro.

Figura central da terceira geração do nacionalismo musical brasileiro, Camargo Guarnieri (1907–1993) teve papel fundamental no desenvolvimento da vida musical paulistana. Discípulo de Mário de Andrade, foi professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, regente da Orquestra Sinfônica Municipal e dirigente do próprio Coral Paulistano, período em que promoveu estreias históricas e consolidou a excelência artística do conjunto. Sua produção, com mais de 700 obras, inclui mais de 80 composições para coro.

Escrita em 1981, a obra que ganha estreia mundial nesta celebração é uma composição para narrador, tenor solista, coro misto, trompete e instrumentos de percussão, como chocalho, reco-reco, pandeiro e tamborim. O texto baseia-se na adaptação do poeta Carlos Drummond de Andrade para o Auto da Lusitânia, do dramaturgo português Gil Vicente. Com personagens alegóricos, a peça aborda temas universais como a verdade, a cobiça, a vaidade e a honra, estabelecendo um diálogo entre a tradição dos autos vicentinos e a realidade brasileira contemporânea.

Maíra Ferreira destaca que este primeiro concerto comemorativo ganhou um significado especial. “Levaremos ao palco grande parte do programa apresentado no concerto inaugural do Coral Paulistano, em 1936, incluindo obras que nunca mais haviam sido executadas desde então. Esse reencontro entre passado e presente foi especialmente feliz, pois articula a memória do que foi feito com o gesto contemporâneo de apresentar uma obra inédita de Guarnieri, justamente o primeiro regente do grupo. O programa se constrói como uma costura simbólica entre figuras centrais da nossa história e o desejo pulsante do novo. Trata-se de preservar a memória artística do Coral Paulistano, das pessoas que foram fundamentais para sua fundação, mas também de afirmar aquilo que queremos deixar para o futuro. Que, ao olharem para 2026, possam compreender o que estava sendo criado neste momento: uma instituição que honra sua trajetória sem abrir mão da invenção”, destaca Maíra.

Serviço:

Paulistano 90 Anos: Memórias

Sala do Conservatório, Praça das Artes

CORAL PAULISTANO

Maíra Ferreira, regência

12 de fevereiro, quinta-feira, às 20h

Programa

GIOVANNI PIERLUIGI DA PALESTRINA

Gitene liete rime, ov’ or si siede [2’]

Sicut cervus / Sitivit anima mea [6’]

HEITOR VILLA-LOBOS

Xangô [1’30”]

DINORÁ DE CARVALHO

Ou-lê-lê-lê! [2’]

ANTONIO RIBEIRO

Encomenda

CAMARGO GUARNIERI

Auto de todo mundo e ninguém [30’] – estreia mundial

Ingressos por R$ 50 (inteira)

Duração de 60 minutos

Classificação: Livre para todos os públicos.

(Com Letícia Santos/Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)

Produção científica no Brasil retoma crescimento após dois anos de queda; Rússia e Ucrânia têm variação negativa

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Antes da retomada, queda da produtividade refletia período da pandemia de Covid-19. Foto: FreePik.

A produção científica brasileira voltou a crescer em 2024 em relação ao ano de 2023, de acordo com novo relatório Bori-Elsevier publicado no último dia 18 de janeiro. Os dados mostram que a quantidade de artigos científicos produzidos em instituições de pesquisa do Brasil cresceu 4,5% em relação ao ano de 2023 — e chegou a 73.220 documentos.

Apesar disso, a ciência brasileira ainda não recuperou a produção acadêmica de 2021, de 82.440 artigos científicos, quando teve início um período de queda nas publicações assinadas por pesquisadores do país.

Como mostraram dois relatórios Bori-Elsevier anteriores, a quantidade de artigos científicos produzidos no Brasil havia caído de maneira inédita em 2022 em relação ao ano anterior: um decréscimo de 7,4%. No ano seguinte, em 2023, houve uma nova queda de 7,2% na produção em relação a 2022. Agora, em 2024, a tendência se reverte — e isso acontece em boa parte do mundo.

Variação percentual entre 2023 e 2024 no número de publicações do tipo “artigo” para os 54 países com pelo menos 10 mil artigos publicados em 2024.

A maioria dos países analisados agora apresentou algum nível de crescimento na sua produção científica em 2024 em relação a 2023, o que parece indicar uma retomada do ritmo da ciência na maioria dos países após a pandemia de Covid-19. As exceções são Rússia (queda de 6,3%) e Ucrânia (queda de 0,6%).

O documento 2024: retomada no crescimento da produção científica no Brasil e em outros 51 países da Bori-Elsevier analisou a produção científica de 1996 a 2024 de todos os países que, em 2024, publicaram mais de 10 mil artigos científicos. Com isso, 54 países foram avaliados. Juntos, eles produziram um total de 2.915.756 artigos científicos em todas as áreas do conhecimento no último ano.

A retomada da produção científica brasileira, verificada nos dados deste ano, era esperada pela comunidade científica. “O volume de publicação de artigos de um país reflete, entre outros fatores, o volume de investimento feito em pesquisa científica alguns anos atrás”, diz Dante Cid, vice-presidente de Relações Institucionais para a América Latina da Elsevier. “Mediante o melhor nível de investimentos feito estes últimos anos, esperávamos que a produção nacional retomasse o crescimento.”

Para Sabine Righetti, cofundadora da Bori, a melhora dos indicadores no Brasil em 2024 pode ter várias explicações, que se somam. “Entre elas estão o fim dos reflexos mais pesados da Covid-19 sobre a rotina de pesquisa e a recuperação dos financiamentos à ciência, que ajudam a destravar projetos e a manter a produtividade das instituições”.

O levantamento considerou apenas as publicações do tipo “artigo científico”, excluindo outros tipos de publicações editoriais. A coleta de dados foi feita em julho de 2025 com a ferramenta analítica SciVal, da Elsevier, que facilita o acesso aos dados da base de dados Scopus, que cobre mais de 100 milhões de publicações editadas por mais de sete mil editoras científicas no mundo todo.

Também foi analisada, no relatório, a variação da produção das 32 instituições de pesquisa brasileiras que tiveram mais de mil publicações científicas do tipo “artigos” em 2024. Dessas, apenas três — Embrapa, Universidade Federal de Goiás e Universidade Estadual de Maringá — tiveram uma variação negativa. “É uma mudança muito favorável em relação ao panorama em 2023, quando apenas duas instituições tiveram variação positiva”, destaca Cid.

“Conhecer esse panorama com profundidade é de grande valor tanto para acadêmicos quanto para gestores públicos. Não se faz boas políticas públicas a partir apenas de percepções ou com ações pontuais. Levantamentos como os relatórios Bori-Elsevier ajudam a identificar instituições mais resilientes, onde a retomada é mais robusta, e quais regiões e instituições precisam de políticas específicas para recuperar fôlego”, diz Ana Paula Morales, cofundadora da Bori.

O relatório mostra também que o crescimento do número de artigos publicados é impulsionado pelo aumento no número de autores em cada país — efeito da retomada do crescimento no número de doutores e mestres formados no país. Nesse sentido, o Brasil tem crescido: em 2004, havia 205 autores por milhão de habitantes; hoje, esse número quase quintuplicou, para 932 por milhão.

No relatório, um dos termômetros para enxergar tendências de longo prazo é a taxa de crescimento anual composta (TCAC), uma “média anual” que resume como a produção cresce ao longo de vários anos, suavizando oscilações pontuais. Por esse critério, apesar da retomada em 2024, o Brasil aparece com TCAC de 3,4% ao ano entre 2014 e 2024, ocupando a 39ª posição entre os 54 países analisados (todos com mais de 10 mil artigos em 2024) e mostrando perda de fôlego em comparação com períodos anteriores.

O estudo aponta que essa perda de vigor não é só um “problema de artigos”: ela acompanha a desaceleração no crescimento do número de autores (um indicador do contingente de pesquisadores ativos). A TCAC do número de autores no Brasil ficou acima de 13% ao ano até 2013, mas entrou em queda a partir daí, chegando a 4,8% ao ano no decênio encerrado em 2024. O relatório aponta ainda que, embora a pandemia tenha agravado o quadro, quase dois terços da queda ocorreram entre 2014 e 2019, antes da Covid-19, sugerindo um componente estrutural na desaceleração recente da ciência brasileira. (Baixe o artigo em PDF aqui).

(Fonte: Agência Bori)

MAMM recebe exposição “Viagem”, de Márcio Rodrigues

Mogi Mirim, por Kleber Patricio

Fotos: Acervo do artista.

O Museu de Arte de Mogi Mirim (MAMM) recebe de 7 de fevereiro a 4 de abril de 2026 a exposição “Viagem”, de Márcio Roberto Rodrigues. A mostra conta com 22 quadros coloridos e vibrantes, numa experiência expressiva onde a liberdade criativa do autor desperta sentimentos de felicidade e otimismo, dentro de uma atmosfera leve e descontraída.

A exposição estimula a interpretação pessoal, já que permite múltiplas leituras e significados, dependendo da experiência e sensibilidade de cada um. As cores vibrantes e a composição livre transmitem sensação de movimento. A combinação de cores e formas gera uma conexão emocional com o observador, despertando sentimentos que vão desde alegria e entusiasmo até contemplação e reflexão.

A bicicleta representada nas obras é vista como um símbolo de liberdade individual, independência, senso de aventura, conexão com a natureza – sua própria viagem. Todas as obras usam a técnica de acrílica sobre tela ou monotipia e fazem parte da série “Livre”.

“Cenários”

A exposição conta também com um painel composto de 6 obras individuais cuja representação simbólica enfatiza as diferentes situações e fases da vida, com elementos do cotidiano, suscitando empatia e identificação com as experiências vividas, podendo gerar debates sobre o livre-arbítrio e a influência do acaso em nossas vidas.

A obra pode provocar sentimentos de nostalgia, alegria, tristeza, esperança ou até mesmo, medo. Em resumo, uma obra que explora as fases da vida, a liberdade, o destino final e tem o potencial de provocar uma experiência enriquecedora de reflexões sobre a jornada de cada um.

Nas palavras de Márcio, “As obras desta exposição sugerem liberdade de pensar sobre sua própria viagem, extrapolando os limites da realidade. Um momento de reflexão e escolha do trajeto. Uma viagem livre, flutuante… indefinida. Por que Viagem? Porque a viagem é o caminho… que é mais importante que o destino.”

Serviço:

Exposição Viagem, de Márcio Roberto Rodrigues

Abertura: 7 de fevereiro de 2026 (sábado) | 10 horas

Período expositivo: de 7/2/2026 a 4/4/2026

Local: MAMM – Museu de Arte de Mogi Mirim

Rua Dr. Ulhoa Cintra, 399 – Centro – Mogi Mirim/SP

Tel: (19) 3862-2319.

[LUXO]: Emirates expande serviço exclusivo de motorista particular

Mundo, por Kleber Patricio

Presente em mais de 75 cidades, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, o serviço de chauffeur da Emirates será expandido para duas novas cidades japonesas. Foto: Reprodução/Emirates.

A Emirates anunciou a expansão do seu serviço de motorista particular no Japão, estendendo a experiência para seus passageiros que viajam pelo Aeroporto Internacional de Narita, a partir de 1º de fevereiro de 2026, e pelo Aeroporto Internacional de Kansai, a partir de 1º de março de 2026. Esses destinos somam-se ao serviço já disponível no Aeroporto de Haneda, reforçando que a Emirates ainda é a única companhia aérea internacional a oferecer este tipo de serviço exclusivo de traslado no Japão.

Disponível para passageiros de Primeira Classe e Classe Executiva em voos elegíveis operados pela companhia, o serviço oferece uma experiência de viagem porta a porta, proporcionando traslados privativos de cortesia entre o aeroporto e a residência, hotel ou escritório do passageiro.

Cobertura do serviço e detalhes importantes

Raio de cobertura: O serviço inclui até 100 quilômetros percorridos por trajeto no Japão, calculados com base na distância mais curta entre o aeroporto e o local designado.

Abrangência em Narita: Atende aos 23 distritos de Tóquio e à maior parte das províncias de Tóquio, Chiba, Saitama e Kanagawa.

Abrangência em Kansai: Atende à cidade de Osaka e à maior parte das províncias de Osaka, Nara, Quioto e Hyogo.

Quilometragem excedente: A distância que ultrapassar o limite de 100 km será cobrada à taxa de 500 JPY por quilômetro adicional.

– Pagamento: Eventuais taxas excedentes devem ser pagas diretamente ao motorista (em ienes ou cartão).

A expansão do serviço de motorista particular complementa a crescente presença da Emirates no Japão. A companhia continua a aprimorar sua proposta no país, garantindo que os seus passageiros desfrutem dos mesmos padrões de conforto, conveniência e serviço personalizado em solo que recebem a bordo.

Presença e disponibilidade no Brasil

Além da expansão no mercado asiático, a Emirates reafirma o compromisso com seus passageiros no Brasil, onde o serviço de motorista particular também é uma marca registrada da experiência para passageiros da Classe Executiva e Primeira Classe. O benefício está disponível tanto em São Paulo (GRU) quanto no Rio de Janeiro (GIG).

Em São Paulo, o serviço cobre um raio de até 70 km a partir do Aeroporto de Guarulhos, enquanto no Rio de Janeiro a cobertura é de até 60 km a partir do Aeroporto do Galeão. Assim como no Japão, a conveniência assegura que os passageiros brasileiros desfrutem de um fluxo de viagem contínuo e exclusivo desde a porta de casa até o destino final.

Os clientes podem agendar o serviço com antecedência através da seção “Gerenciar sua reserva” no site emirates.com ou pela central de atendimento da Emirates. Para mais informações sobre o serviço de motorista particular, acesse o link.

Sobre a Emirates
A Emirates foi fundada em 1985 e hoje é uma das maiores e mais reconhecidas companhias aéreas internacionais do mundo. Com sede em Dubai, a Emirates opera uma frota moderna com mais de 260 aeronaves, que atendem a mais de 140 destinos em seis continentes. A companhia aérea é reconhecida por seu compromisso de oferecer serviço excepcional ao cliente e seu foco em inovação, incluindo experiências a bordo e projetos de sustentabilidade. Como pioneira na indústria da aviação, a Emirates constantemente integra tecnologias avançadas e práticas sustentáveis para aprimorar suas operações e reduzir seu impacto ambiental. A companhia aérea desempenha um papel fundamental no posicionamento de Dubai como um hub de aviação global, além de promover iniciativas de sustentabilidade alinhadas à visão dos Emirados Árabes Unidos de um futuro mais verde.

(Com Luiz Ottolini/LLYC Global)

“Projeto Wislawa” aborda criação e destruição sob uma perspectiva feminina e sarcástica a partir da obra de Wislawa Szymborska

São Paulo, por Kleber Patricio

Com Clara Carvalho e Vera Zimmermann e direção de César Ribeiro, montagem mistura poesia, HQs e estética contemporânea. Fotos: João Caldas.

A estreia do espetáculo “Projeto Wislawa” marca uma nova incursão do diretor Cesar Ribeiro na investigação dos sistemas de violência, agora sob um viés ao mesmo tempo lúdico e tragicômico a partir da obra de Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996. A montagem estreia dia 6 de fevereiro, no Teatro Paulo Eiró (Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro), com sessões de quinta a domingo, até dia 1° de março, com ingressos populares. Em cena, as atrizes Clara Carvalho e Vera Zimmermann conduzem uma narrativa que articula poesia, teatro e cultura pop para refletir sobre a escalada da intolerância na sociedade contemporânea.

A dramaturgia, criada por Ribeiro a partir de textos de Szymborska, aborda modos diversos de criação e destruição em diálogo com experiências históricas de opressão vividas pela autora, como a invasão da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial e a influência soviética no pós-guerra, apresentando a capacidade de coisas vivas matarem outras coisas vivas – não apenas pessoas, mas a poesia, a criação artística, os modos de solidariedade. Para abordar essa temática, são apresentados os últimos dias de uma assassina condenada à morte pelo fictício assassinato da poeta polonesa, em uma narrativa entrecruzada por poemas como Fotografia de 11 de Setembro e Primeira Foto de Hitler, que abordam os corpos caindo após o atentado ao World Trade Center e uma fotografia de Hitler quando bebê.

A encenação propõe um olhar feminino sobre os processos de exclusão e desumanização, visando discutir como a diferença é instrumentalizada a partir de critérios como orientação político-ideológica, raça, crença, gênero, sexualidade e condição econômica por meio de uma estética contemporânea capaz de dialogar também com públicos não habituados a frequentar teatro, sendo influenciada pelo simbolismo e por desenhos animados e histórias em quadrinhos.

Desse modo, Projeto Wislawa dá continuidade à pesquisa de Cesar Ribeiro sobre formas estéticas contemporâneas que mesclam profundidade do debate com influências da cultura pop, vistas em obras como Projeto Clarice, Trilogia Kafka, Dias Felizes, O Arquiteto e o Imperador da Assíria e Esperando Godot, consolidando um teatro que articula pensamento crítico, rigor estético e acessibilidade de linguagem.

Wislawa Szymborska

A importância de Wislawa Szymborska (1923–2012) está na forma como sua obra pensa os grandes traumas do século XX a partir do detalhe, do cotidiano e de um olhar ético, sem retórica grandiosa ou panfletarismo. Tendo vivido sob o nazismo e o stalinismo, sua poesia responde diretamente à experiência dos regimes totalitários ao investigar como o mal se infiltra na vida comum, nas escolhas banais e na linguagem aparentemente inocente, revelando os mecanismos sutis de desumanização que sustentam sistemas autoritários.

No campo literário e filosófico, Szymborska renovou a poesia ao combinar linguagem simples, ironia fina e rigor intelectual, partindo de situações mínimas para alcançar reflexões universais sobre história, memória e responsabilidade individual. Ao rejeitar certezas absolutas e discursos totalizantes, sua obra afirma a dúvida, a ambiguidade e a empatia como formas de resistência, deslocando o foco da épica oficial para os corpos anônimos e os gestos invisíveis, e mostrando como a violência e o poder se constroem — e podem ser questionados — nas pequenas coisas.

Sinopse

Com estética inspirada em HQs e desenhos animados, Projeto Wislawa apresenta a história fictícia de uma mulher condenada à morte por assassinar a poeta polonesa Wislawa Szymborska. A partir de texto autoral e poemas da autora, o espetáculo reflete sobre a capacidade humana de produzir violência, abordando o totalitarismo, a intolerância e os processos de desumanização sob uma perspectiva feminina e contemporânea.

Ficha Técnica:

Dramaturgia, direção e trilha sonora: Cesar Ribeiro

Textos: Wislawa Szymborska

Atuação: Clara Carvalho e Vera Zimmermann

Cenografia: J. C. Serroni

Figurinos: Telumi Hellen

Iluminação: Rodrigo Palmieri

Visagismo: Louise Helène

Direção de produção: Marisa Medeiros

Coordenação de produção: Edinho Rodrigues

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques e Daniele Valério.

Serviço:

Projeto Wislawa

Data: 6/2 a 1/3

Horários: quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h.

No dia 25/2 (quarta-feira), às 20h – sessão extra

Teatro Paulo Eiró – Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo/ SP

Duração: 60 minutos

Gênero: Tragicomédia

Classificação: 12 anos

Ingresso: R$ 20

Ingressos presenciais 1h antes do início do espetáculo na bilheteria e online pelo Sympla.

(20% da lotação diária será gratuita para ONGs, rede pública de ensino e quem entrar em contato pelo e-mail grupogaragem21@gmail.com informando a data em que deseja comparecer à apresentação, o número de pessoas que irão e dados como nome e e-mails das pessoas).

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)