Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Theatro Municipal apresenta remontagem da ópera “O Amor das Três Laranjas”, de Sergei Prokofiev

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Rafael Salvador.

Destaque da temporada 2022 do Theatro Municipal de São Paulo, a ópera “O Amor das Três Laranjas” (L’Amour des Trois Oranges), de Sergei Prokofiev, volta aos palcos no dia 27 de fevereiro (sexta-feira), às 20h, com sessões às 17h (sábados e domingos) e às 20h (terças, quartas e sextas-feiras), na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal. O espetáculo é marcado pela concepção do ator e encenador Luiz Carlos Vasconcelos, cujas passagens incluem telas e palcos brasileiros, além da direção cênica de Ronaldo Zero e direção musical de Roberto Minczuk.

Essa divertida ópera de Prokofiev possui uma trama cômica e de origem bastante complexa, trazendo um conto do século XVII originalmente escrito por Giambattista Basile, porém com a adaptação para a linguagem teatral sob a assinatura de Carlo Gozzi, um século depois. L’Amour des Trois Oranges ainda passou a ser traduzida para o russo e francês pelo próprio compositor e por Vera Janacópulos, soprano brasileira de primeira importância em sua época por divulgar na Europa nomes como Villa-Lobos.

De acordo com Andrea Caruso Saturnino, diretora geral do Complexo Theatro Municipal, “é muito importante que uma casa de ópera como o Theatro Municipal de São Paulo seja capaz de remontar os sucessos de temporadas anteriores. Além de aproveitarmos grande parte do que já integra o nosso acervo, as remontagens conferem sobrevida às concepções artísticas e permitem que as obras tenham uma segunda oportunidade de encontro com o público”. 

Os fãs do realismo fantástico devem se divertir com a narrativa, que conta a saga de um Rei para curar a melancolia de seu filho. Com esse objetivo, ele convoca uma série de atividades para entretê-lo, apresentadas por personagens oriundos da Commedia dell’Arte, magos, bruxas e uma musicalidade radiante entre a tradição russa e a tradição romântica.

Segundo o diretor cênico, Ronaldo Zero, a montagem se trata menos de refazer e mais de reativar. “Um dos eixos centrais da obra é a chamada ‘guerra de linguagens’: a disputa entre Trágicos, Cômicos, Alienados e Românticos pelo controle da narrativa. O grande desafio em 2026 é manter a montagem viva, fresca e pulsante em um mundo onde tudo se torna obsoleto muito rapidamente. Ao mesmo tempo, há o prazer de retornar a uma montagem que conheço profundamente, que ajudei a construir e que continua oferecendo novas camadas de leitura. O Amor das Três Laranjas segue atual justamente porque se recusa a ser estável”, explica.

Para o maestro Roberto Minczuk, que assina a direção musical do espetáculo, a orquestra tem um papel protagonista nesta ópera. “A escrita de Prokofiev, considerado um gênio da criatividade e da instrumentação, é sempre a de uma composição que narra a história em seus mínimos detalhes. O Amor das Três Laranjas é tão sinfônica que a parte mais memorável, a que mais se conhece, não é nenhuma grande ária ou grande coro, como costuma acontecer, e sim a famosa marcha sinfônica, o tema mais conhecido de toda ópera, que é puramente sinfônico e instrumental”, conclui.

SERVIÇO:

O Amor das Três Laranjas

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

Datas e horários

27 FEV (sexta-feira), 20h

28 FEV (sábado), 17h

1 MAR (domingo), 17h

3 MAR (terça-feira), 20h

4 MAR (quarta-feira), 20h

6 MAR (sexta-feira), 20h

7 MAR (sábado), 17h

Roberto Minczuk – direção musical

Luiz Carlos Vasconcelos – concepção

Ronaldo Zero – direção cênica

Simone Mina – direção de arte, figurino e cenografia

Carolina Bertier – direção de arte, figurino e cenografia

Wagner Pinto e Carina Tavares – iluminação

Westerley Dornellas – caracterização

Aelson Lima – assistente de direção cênica

Elenco:

Valeriano Lanchas – O Rei de Paus

Giovanni Tristacci – O Príncipe

Lídia Schäffer – A Princesa Clarice

Johnny França – Leandro

Mikael Coutinho – Truffaldino

Santiago Villalba – Pantaleão

Fellipe Oliveira – O Mago Célio

Gabriella Pace – Fada Morgana

Raquel Paulin – Ninete

Keila de Moraes – Nicolete

Nathalia Serrano – Linete

Gustavo Lassen – A Cozinheira

Daniel Lee – Farfarelo

Sarah Migliori – Esmeraldina

Vitorio Scarpi – O Mestre de Cerimônias

Orlando Marcos – O Arauto

Elenco de apoio:

Abyara Santoro, Ana Carolina Yamamoto, Dora Cestari, Francisco Lcl Rolim, Giovana Echeverria, João Monteiro, Ju Soveral, Lacava di Castro, Lena Santos, Mirtes Ladeira, Nill de Pádua, Pexera, Raíssa Guimarães, Ricardo Aires.

Ingressos de R$ 47 a R$ 290 (inteira)

Duração de aproximadamente 2h15 (com intervalo)

Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos (pode conter histórias de agressão física, insinuação de consumo de drogas e insinuação leve de sexo).

(Com Letícia Santos/Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)

“Grande Sertão: Veredas”: Setenta anos depois, obra segue convocando leitores a viver o Brasil profundo

Cocos, BA, por Kleber Patricio

Amanhecer na Lagoa das Araras. Crédito das fotos: Pousada Trijunção.

Publicado em 1956, “Grande Sertão: Veredas” ocupa um lugar singular na literatura brasileira. Ao transformar o sertão em matéria literária de alcance universal, João Guimarães Rosa construiu um romance que ultrapassa o regionalismo e se afirma como reflexão profunda sobre a condição humana, seus conflitos, afetos, ambiguidades e escolhas. Setenta anos depois, a obra permanece viva, provocando leitores não apenas pela força da linguagem, mas pela transformação que opera em quem se dispõe a vivenciá-la.

É nesse contexto que acontece a viagem em grupo “Grande Sertão: Veredas”, entre os dias 20 e 24 de maio, realizada pela produtora de viagens com conhecimento NomadRoots, que, além de viagens personalizadas, desenvolve jornadas imersivas a partir da literatura e cultura. Inspirada no universo rosiano, a proposta articula livro, paisagem e presença, convidando os participantes a se aproximarem do sertão não apenas como espaço físico, mas como experiência sensível e simbólica.

Amanhecer na Lagoa das Araras. 

O percurso inclui áreas do Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, com acesso por caminhos exclusivos a partir da Pousada Trijunção, que estará reservada apenas para o grupo e está localizada em um ponto singular do território brasileiro: no encontro entre Goiás, Minas Gerais e Bahia. Esse cruzamento geográfico, que dá nome ao lugar, funciona como um epicentro simbólico do sertão, onde fronteiras se diluem e o afastamento do cotidiano se transforma em possibilidade de reencontro. Estar ali é, para muitos, uma forma de se aproximar da fonte, do território, das escutas e das experiências que alimentaram a escrita de Guimarães Rosa.

A viagem começa em Brasília, não apenas como ponto de partida, mas como um portal simbólico que prepara, por contraste, para o que espera no coração do Cerrado brasileiro. Já, ao chegar na Pousada Trijunção, o tempo desacelera. Caminhadas, pausas, leituras e conversas se constroem em diálogo com o ambiente natural e com os modos de vida do Cerrado, apresentados também por guias especialistas que revelam camadas da paisagem que não se mostram à primeira vista.

Avistamento de lobo guará.

Para quem já participou, a experiência não se repete, se renova. “Cada edição é diferente porque o sertão nunca se apresenta da mesma forma e quem caminha também não. A luz, o clima e o tempo do dia transformam a paisagem, mas a experiência muda sobretudo conforme o estado interior de cada pessoa”, afirma o professor e escritor Chico Escorsim.

A jornalista Rafaella Silva, que também retornou ao sertão em mais de uma edição, compartilha percepção semelhante. “O livro está sempre presente, mas não como algo a ser explicado. Ele aparece nos intervalos, nas conversas espontâneas, nos detalhes do caminho. Há compreensões que só acontecem quando o corpo está em movimento”, observa.

Desde 2021, a experiência reúne grupos reduzidos de leitores em encontros marcados pela escuta, pela contemplação e pelo contato direto com o território. A edição de 2026 ganha ainda mais densidade ao coincidir com o ano de celebração dos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, período em que a obra volta a ocupar o centro do debate cultural brasileiro, com novas edições, estudos críticos, projetos cênicos e o lançamento de uma ampla biografia de João Guimarães Rosa.

Mais do que uma releitura do romance, a proposta parte da compreensão de que o sertão rosiano não se encerra no livro. Ele se expande quando confrontado com o território que lhe deu origem, um espaço onde natureza, linguagem e humanidade se cruzam continuamente. “Sinto que passei um tempo em suspenso, fora desta dimensão em que estamos inseridos normalmente. A sensação para mim foi a de pertencimento. Ao grupo, à natureza, a cada minuto que vivi no sertão”, relata Zilda Fraletti, viajante que participou de uma das edições anteriores. “Guimarães Rosa, com sua arte e genialidade, nos mostrou que o sertão está dentro de nós”, conta.

A Travessia Literária Grande Sertão: Veredas, experiência inspirada na obra de João Guimarães Rosa, acontece de 20 a 24 de maio de 2026. Mais informações estão disponíveis em nomadroots.com.br/produto/sertao e no Instagram @clube.nomad.

(Com Marco Espanha/P+G Assessoria)

Paço das Artes inaugura exposição de arte sonora “Escuta aqui!”

São Paulo, por Kleber Patricio

Metacircuito n2, 2018, de Paulo Nenflidio. Foto: Divulgação.

No dia 28 de fevereiro, a partir das 13h, o Paço das Artes inaugura a exposição de arte sonora “Escuta aqui!”. O evento de abertura contará com o retorno do Sonora Paço, que este ano recebe uma ação da plataforma Novas Frequências dedicada à música experimental, à música de vanguarda e à arte sonora.

A exposição coletiva Escuta aqui! selecionou obras e artistas variados que pensam suas poéticas através de outras linguagens sonoras, para além das visuais. “Musicalmente, o Brasil já entrou para a história como um importante criador de sonoridades, entre a erudita e a popular, divulgando marchinhas de Carnaval, influenciando o jazz, o novo funk e demais batidas rítmicas”, afirma Renato De Cara, curador da exposição e do Paço das Artes. “Retornando no tempo e relendo a carta do ‘descobrimento’, percebemos que, desde então, o embate entre os povos se dá através de muitas tentativas de trocas linguísticas nas quais os sons e os gestos se propagam, provocando a comunhão.”

Entre traquitanas elaboradas e reagrupadas, a mostra conta com as bugigangas sonoras de Adriano Castelo e as máquinas retrofuturistas de Paulo Nenflidio; a partir do barro, há os embriões sonoros de Corcione e, numa referência entre a mística, o lúdico e o popular, a embarcação de Jerona Ruyce. Com estruturas e recursos mais digitais, pode-se conhecer mais do canto do povo tikuna no vídeo interativo produzido por Daniel Lima e adentrar na ambiência sonora e visual proporcionada por Lucas Rampazzo; Vitor Bossa rearranja e embaralha ironicamente a famosa e importante pesquisa musical de Mário de Andrade, enquanto Sara Lana homenageia os percursos de Guimarães Rosa e as conversas populares do sertão. Por fim, Vivian Caccuri e Cildo Mireles nos embalam com os sons de seus triângulos revisitados e outros penduricalhos.

Ainda (como bonus track, para manter as expressões sonoras) há duas “faixas” extras: um recorte do riquíssimo acervo do Museu das Culturas Brasileiras, com instrumentos populares de época, além de uma cabine que oferece ao visitante a escolha de audição para LPs de artistas que também pesquisaram e brincaram com as sonoridades do mundo em questão: Aguilar e Banda Performática, a banda Cão, Chelpa Ferro, Chiara Banfi, Cildo Meireles, Kauê Garcia, Marcelo Silveira, Raphael Escobar e Vivian Caccuri.

Sobre o festival Novas Frequências

Criado em 2011 no Rio de Janeiro, o Novas Frequências tem como objetivo ressignificar a relação da arte com o espaço urbano e com o ecossistema cultural local. Mais do que um festival tradicional, o evento propõe uma relação 360° com a música, articulando performances, instalações, festas, projetos comissionados, site specifics, palestras, oficinas, cursos, residências artísticas e caminhadas sonoras.

Depois de realizar sua primeira edição em São Paulo em dezembro de 2025 como parte das comemorações de seus 15 anos, o Novas Frequências dá continuidade às suas ações em 2026 e chega ao Paço das Artes.

Sobre o Sonora Paço

O Sonora Paço é um projeto de música atual que propõe experimentações sonoras. Foi criado em 2012, com edições anuais até 2016, quando o Paço das Artes deixou sua sede na Cidade Universitária. Em 2020, no contexto da pandemia de Covid-19, apresentou diversas edições em formato on-line, com nomes como Ricardo Carioba, Dudu Tsuda, Akin, Maurício Ianês, Vivian Cacurri, M. Takara, Anvil Fx e Improfest – Festival Internacional de Improvisação e Arte Sonora. O projeto retorna em 2026, na abertura da exposição Escuta aqui!, recebendo uma ação especial do festival Novas Frequências.

A programação propõe um percurso dedicado ao encontro entre som, corpo e espaço, atravessando diferentes intensidades, arquiteturas e linguagens. Natasha Xavier inicia os trabalhos com uma escuta expandida do ordinário, transformando gestos, objetos e o Jardim do Paço em experiência poética e ritual. Em seguida, no auditório, Marcelo Gerab constrói paisagens imersivas a partir de sintetizadores modulares, tensionando a percepção de tempo e espaço. Na varanda, Levi Keniata, do coletivo Nebulosa, apresenta um improviso livre com cavaquinho, cruzando funk, samba e eletrônica. Encerrando o dia, João Kombi apresenta seu projeto Kombi em performance conjunta com Maristela Estrela, num diálogo direto entre drones, ruídos, improvisação e o corpo em estado de escuta e presença.

Programação | Sonora Paço recebe Novas Frequências

15h | Natasha Xavier | jardim

16h | Marcelo Gerab | auditório

17h | Levi Keniata | varanda

18h | Kombi x Maristela Estrela | auditório

Serviço:

Exposição “Escuta aqui!”

Abertura: 28 de fevereiro, às 13h

Período de visitação: de 28 de fevereiro a 03 de maio de 2026

Horários: terças a sábados, das 11h às 19h; domingos e feriados, das 12h às 18h

Endereço: Paço das Artes | Rua Albuquerque Lins, 1345 – Higienópolis

Ingresso: gratuito

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Paço das Artes, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac.

O Paço das Artes tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky e Play Audiovisual.

(Com Diego Andrade de Santana/Museu da Imagem e do Som)

Simões de Assis abre programação de 2026 com exposição individual da artista franco-brasileira Julia Kater

São Paulo, por Kleber Patricio

Julia Kater, díptico da série Palavras-sal, 2025. Foto: Cortesia da Artista e Simões de Assis.

Simões de Assis dá início à sua programação de 2026 com a exposição individual da artista franco-brasileira Julia Kater. Em cartaz até o dia 7 de março, a mostra Duplo será exibida em São Paulo, no espaço térreo, com texto crítico assinado pela curadora e pesquisadora Pollyana Quintella. Com colagens e fotografias impressas sobre a seda, a mostra reúne 14 trabalhos inéditos da artista, dos quais seis resultam da pesquisa realizada durante sua residência artística na “Cité Internationale des Arts” (Paris, 2025).

Em sua prática, a artista investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da imagem por meio do recorte e da justaposição. Na fotografia, Kater parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas sim, resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe do mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas.

Julia Kater, Corpo de Pedra (Centauro), 2025. Foto: Cortesia da Artista e Simões de Assis.

Na individual “Duplo”, Julia Kater apresenta trabalhos recentes, desenvolvidos a partir da pesquisa realizada durante sua residência artística em Paris. “Minha pesquisa se concentra na paisagem e na forma como a cor participa da construção da imagem – ora como elemento acrescentado à fotografia, ora como algo que emerge da própria superfície. Nas colagens, a paisagem é construída por recortes, justaposições e gradações de cor. Já nos trabalhos em tecido, a cor atua a partir da própria superfície, por meio do tingimento manual, atravessando a fotografia impressa. Esses procedimentos aprofundam a minha investigação sobre a relação entre a paisagem, a cor e a superfície”, explica a artista.

Em destaque, duas obras que serão exibidas na mostra: uma em tecido que faz parte da nova série e um díptico inédito. Corpo de Pedra, 2025, impressão digital pigmentária sobre seda tingida à mão com tintas a base de plantas e, Sem Título, 2025, colagem com impressão em pigmento mineral sobre papel matt Hahnemüle 210g, díptico com dimensão de 167 x 144 cm cada.

A artista comenta: “dou continuidade às colagens feitas a partir do recorte de fotografia impressa em papel algodão e passo a trabalhar com a seda também como suporte. O processo envolve o tingimento manual do tecido com plantas naturais, como o índigo, seguido da impressão da imagem fotográfica. Esse procedimento me interessa por sua proximidade com o processo fotográfico analógico, sobretudo a noção de banho, de tempo de imersão e de fixação da cor na superfície”. Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que fica em cartaz até 07 de março de 2026.

Sobre a artista

Julia Kater. Foto: ©Pedrita Junckes.

Julia Kater (1980, Paris) é formada em Fotografia pela ESPM (2004) e em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Sua prática atravessa a fotografia, a colagem e o vídeo, com foco na elaboração da imagem a partir do recorte e da justaposição. Na fotografia, a artista parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe no mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido.

Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas. Em certos momentos, a imagem se impõe à experiência direta – não como reflexo do vivido, mas como uma construção que assume o lugar daquilo que se viveu. A paisagem, elemento recorrente em sua obra, é composta por planos em constante disputa, onde fragmentos de céu, terra e mar parecem reivindicar o lugar uns dos outros. Por meio do recorte e da sobreposição, essas instâncias visuais se confrontam e redefinem seus contornos, instaurando uma dinâmica de ocupação e retirada que desestabiliza a estrutura da imagem.

Em seus vídeos, a artista encena tentativas de dar forma à experiência a partir de uma linguagem que falha. Há sempre um gesto em andamento – construir, remover, sustentar – tensionado por algo que o desvia ou desestabiliza. O que foi negligenciado retorna como ruína, interferindo nos gestos e contaminando a paisagem. O movimento é contínuo, mas sem chegada – uma persistência que revela tanto o impulso de construir quanto a impossibilidade de concluir.

Em 2025, foi selecionada para participar da residência Cité Internationale des Arts, Paris. Suas principais exposições individuais são Breu (Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2018), Da banalidade: vol.1 (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2016), No lugar que chegamos (Museu de Arte Contemporânea de Jataí, Goiás, 2016), Como se fosse (Caixa Cultural, Brasília, 2014), Quase um (Simões de Assis, São Paulo, 2021) e Acordo (Palazzo Rossini, GAA Foundation, Veneza, 2017). Participou de exposições coletivas e festivais internacionais como Rencontres Internationales Paris/Berlin – New Cinema and Contemporary Art (França e Alemanha, 2017), Chicago Underground Film Festival (EUA, 2021), Anthology Film Archives (Nova York, 2018), Lichter Film Festival (Alemanha, 2021), Bienal de Assunção (Paraguai, 2015), PhotoEspaña (Portugal, 2015), Frestas – Trienal de Artes (SESC Sorocaba, 2014) e About Change (World Bank, Washington, 2011). Sua obra integra coleções públicas como o Museu de Arte do Rio – MAR, o Museu Oscar Niemeyer – MON, a Fundação Luis Seoane (Espanha), a Fundação PLMJ (Portugal) e o Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP.

Sobre a Simões de Assis

Com mais de 40 anos de história, a Simões de Assis é uma das principais galerias da América Latina dedicadas à arte moderna e contemporânea. Inaugurada em Curitiba, Brasil, em 1984, é conduzida por duas gerações da família fundadora, operando em três sedes – São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú.

A galeria representa um grupo curado de 37 artistas e espólios, com foco especial na arte brasileira, mas também na arte latino-americana em diálogo com perspectivas globais. A Simões de Assis é profundamente comprometida com a internacionalização de seu programa, estabelecendo parcerias com importantes galerias, museus e curadores ao redor do mundo. Em estreita colaboração com colecionadores e instituições, busca posicionar seus artistas em importantes coleções públicas e privadas, por meio da participação regular nas feiras de arte mais relevantes – o que reflete sua visão estratégica e sua crescente atuação internacional.

Como pioneira na promoção de diálogos transgeracionais, a Simões de Assis trabalha com artistas consagrados e emergentes, construindo um programa que combina elementos históricos e uma visão voltada para o futuro. Como um projeto multigeracional, é uma plataforma de amplo alcance para intercâmbios culturais, moldando o legado da arte brasileira e latino-americana dentro de um sistema artístico globalizado e interconectado.

Serviço:

Duplo”, individual inédita da artista Julia Kater

Entrada gratuita

Período de visitação: até 7 de março de 2026

Local: Galeria Simões de Assis | Alameda Lorena, nº 2050 – Jardins, São Paulo/SP

Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h

Site: www.simoesdeassis.com | Instagram: @simoesdeassis_ |

Facebook: fb.com/simoesdeassisgaleria.

(Com Patricia Marrese/Marrese Assessoria)

Titãs levam turnê “Cabeça Dinossauro” a São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Pedro Dimitrow.

Em 2026, um dos álbuns mais icônicos e provocadores da música brasileira completa 40 anos. “Cabeça Dinossauro”, lançado pelos Titãs em 1986, transformou a banda e o próprio rock nacional ao romper padrões, desafiar o conservadorismo e traduzir, em som e fúria, o espírito de um país em transição. O Brasil tentava reaprender o significado de liberdade depois de duas décadas de censura e autoritarismo, e o álbum virou o retrato cru de uma geração inconformada. Quatro décadas depois, em um país novamente atravessado por polarização e intolerância, o grito de Cabeça Dinossauro volta a soar necessário e atual. É essa força de expressão — de resistir, de questionar e de pensar o presente — que os Titãs Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto pretendem reacender com a turnê “Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos”, que acontecerá no dia 28 de março de 2026, em São Paulo, no palco do Espaço Unimed, em uma realização da 30e, maior companhia de entretenimento ao vivo do país, e apresentado pelo Itaú.

Cabeça Dinossauro marcou a nossa carreira e a história do rock nacional, não há como negar. Inventamos ali o nosso vocabulário — riffs fortes, vocais gritados, letras sintéticas e precisas etc. Isso, somado à temática das canções, deixou uma marca profunda na nossa trajetória”, conta Sérgio Britto. Tony Bellotto comemora o acontecimento: “É emocionante celebrar um álbum que permanece atual depois de 40 anos”. “‘Cabeça Dinossauro, Pança de Mamute, Espírito de Porco’. Dessa pequena e poderosa letra composta em 1986 nasceu o título de um dos álbuns mais lembrados e celebrados da nossa história. Cabeça Dinossauro está fazendo 40 anos e é com imenso prazer que comemoraremos com nosso público essa data tão especial”, completa Branco Mello.

Lançado em meio ao processo de redemocratização do Brasil, Cabeça Dinossauro foi um divisor de águas. O país tentava se reencontrar após duas décadas de ditadura, enfrentando uma crise econômica e social profunda. Em um cenário em que a democracia ainda era uma promessa frágil, os Titãs lançaram um álbum que abordava censura, fé, violência e poder com uma crueza inédita. Com faixas como “Polícia”, “Igreja”, “Bichos Escrotos” e “AA UU”, a banda confrontou a hipocrisia e o autoritarismo de uma sociedade em busca de identidade. Produzido por Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt, o trabalho se destacou pelo som agressivo, pela estética minimalista e pelas letras que ecoavam o grito de uma juventude que queria ser ouvida.

A recepção da crítica foi explosiva. Cabeça Dinossauro foi descrito como “violento”, “áspero” e “revolucionário” por jornais e revistas da época. Adjetivos que, longe de reduzir sua potência, o consagraram como um marco da cultura nacional. Décadas depois, o álbum figura em praticamente todas as listas dos maiores álbuns da história do rock brasileiro e permanece atual em sua mensagem de inconformismo. “Construímos um forte vínculo com todos os músicos durante a turnê Titãs Encontro, que revolucionou o mercado de entretenimento ao vivo no Brasil. E não poderíamos deixar passar um marco tão importante da música brasileira: as quatro décadas do álbum Cabeça Dinossauro. Foi então que nos reunimos com os Titãs Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto para pensar em uma celebração à altura do álbum”, afirma Alexandre Wesley, VP Global Music Promoter da 30e.

O espetáculo terá direção de Otávio Juliano, profissional renomado que também assinou o show do Titãs Encontro e trabalhou com nomes importantes da música brasileira, entre eles Caetano Veloso e Maria Bethânia.

SERVIÇO:

Data: 28/03/2026

Cidade: São Paulo – SP

Local: Espaço Unimed

Endereço: R. Tagipuru, 795

Horário: 21h

Link de vendas: https://www.eventim.com.br/event/titas-cabeca-dinossauro-40-anos-espaco-unimed-21104364/.

(Com Ana Prado/Perfexx)