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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Chega a Campinas a exposição “Cidadela”, da artista visual para as infâncias Maria Ezou

Campinas, por Kleber Patricio

Instalação interativa convida o público a adentrar uma cidade imaginária, com universos em miniatura que remetem ao tempo das infâncias. Foto: Mônica Cardim.

De 27 de fevereiro a 12 de abril o MACC – Museu de Arte Contemporânea, em Campinas, recebe o projeto Cidadela Arte e Natureza. Ancorado pela exposição Cidadela, da artista visual Maria Ezou, o convida o público para uma experiência imersiva no universo das infâncias, suas sensações e subjetividades.

Além da mostra haverá programação complementar com Formação para educadores – Arte e Infância, ministrada pela artista no dia 27 de fevereiro, das 14h às 17h. Já no sábado (28), às 11h, será promovida a Ação Semear, com plantio de mudas de árvores nativas em celebração à chegada do projeto na cidade. Além disso, durante o período da exposição haverá visita mediada para grupos.

Cidadela: A exposição

A exposição “Cidadela” chega a Campinas no dia 27 de fevereiro, depois de circular pelo Brasil em diferentes formatos desde 2022, por Minas Gerais, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Ceará, somando mais de 64.000 espectadores.

Foto: Monica Cardim.

A instalação interativa materializa uma cidade imaginária e biocêntrica, uma fortaleza onírica onde os seres humanos, seus corpos, as casas e o restante da natureza são partes de um mesmo sistema: harmônico e fantástico.

Ao chegar na exposição, o público se depara com um portal de entrada, que se assemelha à uma trama de raízes aéreas de mangue e à silhueta de uma montanha. A estrutura, que leva o nome de “estufa”, tem suportes que guardam pequenos vasos biodegradáveis com matéria orgânica, mudas de plantas nativas de um dos biomas originais da cidade de Campinas, a Mata Atlântica e o Cerrado, e lápis e papel. Ali o público pode realizar suas primeiras interações com a obra, seja pelo plantio de mudas que serão destinadas à restauração ambiental ou realizando um autorretrato que integrará a galeria de novos “habitantes” da Cidadela.

Ao adentrar um pouco mais, descortina-se a cidade formada por 15 “casas-corpos” – esculturas feitas a partir do molde do tronco da própria artista, com diminutas janelas e portas em seu ventre, que dão acesso a minimundos imaginários. No interior de cada “casa-corpo”, o olhar curioso se depara com uma dramaturgia particular, dialogando com um aspecto diferente da infância, interconectado com o fluxo dos corpos e suas distintas emoções, o cotidiano das casas e as dinâmicas da natureza. Para contar cada história, o cenário e objetos, em miniatura, são animados por autômatos mecânicos e eletrônicos, pela transição de luzes e pela trilha sonora individual de cada casa, além de estímulos auditivos como o som das águas, do vento, do pisar na terra e do crepitar do fogo. Cada “casa-corpo” recebe também uma audiodescrição, que promove a acessibilidade.

Foto: Ivan Cruz.

O fio condutor das obras são as artes têxteis, que Ezou intersecciona com o teatro de animação, a arte eletrônica, o audiovisual, a literatura, as musicalidades e os autômatos artesanais. Ela ainda emprega técnicas auxiliares como marcenaria, serralheria artesanal e colagem e, por fim, as conecta a saberes como mecânica do movimento, arquitetura vernacular, biologia e agroecologia. Assim, Maria tece o enredo que resulta na narrativa maior, o mundo sonhado da Cidadela.

Para proporcionar uma experiência plena às crianças, a expografia respeita as dimensões dos pequenos, e os minimundos são localizados na altura do olhar da criança. Para os adultos, o convite é para que experimentem a Cidadela a partir do ponto de vista dos pequenos.

A exposição pretende reafirmar o corpo como espaço de autonomia e alteridade e, por isso, cada espectador escolhe sua trilha de visitação, descobrindo, em cada Casa, um universo particular e a temática inerente à infância daquela obra. Compõem a Cidadela as Casas Gestar, Infância, Memória, Amor, Raiva, Empatia, Espera, Afeto, Alegria, Proteção, Desafio, Preguiça, Liberdade, Medo e Tristeza.

Foto: Ivan Cruz.

Em Cidadela, o corpo de Maria Ezou é o corpo do universo. Raízes, corpo, montanha. Mulher-natureza, guiada por mapas, casas e seus interiores – cartografias que apontam para a direção coletiva. Cartógrafa dos afetos, parte das espacialidades e mergulha nas infâncias como um ato político onde o caminhar coletivo é o único possível.

Hoje as obras de Ezou estão situadas no campo das artes visuais, da performance e da instalação, mas, nos primeiros anos de sua trajetória, produziu muitos trabalhos para o campo das artes cênicas e com teatros de grupo, assim aprendeu e aprimorou seu ofício na lógica da colaboração e coletividade. Em a Cidadela, essa dinâmica segue presente. As obras da exposição têm a concepção e realização individual de Maria Ezou, mas contam com a colaboração de outros artistas e mestres de diferentes ofícios, que, convidados por Maria, trouxeram sua especialidade para o processo de preparação das obras. Entre os 17 convidados estão André Mehmari (produtor e intérprete musical); Heloisa Pires Lima (dramaturgia do movimento); Juliana Notari (dramaturgia do movimento); Mônica Cardim (fotografia artística); Leonardo Martinelli (composição musical); Willian Oliveira (desenvolvimento dos sistemas eletrônicos); Cristina Souto (desenho de luz), entre outros.

Mais informações sobre o Projeto CidadelaLink.

Maria Ezou – Artista Visual para as Infâncias

Premiada artista, performer e educadora, Maria Ezou é porta-voz do movimento das artes visuais para as infâncias e trabalha o universo onírico e fantástico contando histórias imersivas e sensoriais. Com Licenciatura em Educação Artística (Unesp), chegou a cursar parte do Bacharelado em Artes Plásticas (FAAP) e tem formação em Cenografia. Em uma infância de liberdade, experimentação e integralidade com a natureza, Maria foi uma criança curiosa e apaixonada pelo funcionamento das coisas, dos corpos, dos fluxos e dos lugares. Encantamentos que se tornaram estruturantes em sua obra. Filha de mãe arquiteta, entrou em contato com a arquitetura vernacular muito cedo e, ainda criança, viajou com a família pela América Latina, quando conheceu as cosmogonias Inca e Maia. O avô lhe transmitiu a paixão pelos autômatos, em seu “incrível quarto de invenções”. A cozinha de sua avó materna foi uma de suas primeiras inspirações para as manualidades artísticas e a máquina de costura, de sua outra avó, daria vida às suas primeiras criações têxteis. Ezou dialoga com o biocentrismo ancestral, de seu país e continente, e é possível identificar, em sua obra, o corpo biocêntrico; as espacialidades e seus fluxos, além do aspecto político. De modo não óbvio, reverencia aspectos culturais comuns aos povos originários do Brasil e da América Latina e revisita saberes desses povos para propor um diálogo das esperanças. A lida com o tecido, entremeada com o fazer artístico – lógica presente em culturas latino-americanas – é um dos exemplos em sua obra. Os campos de atuação de Maria Ezou são as artes visuais, a performance e a instalação, com a presença recorrente de autômatos e objetos sensíveis. Ela respeita os tempos e o corpo expandido e integral das infâncias, por isso desenvolve obras analógicas e na escala das crianças. A artista das infâncias decoloniais, contempla diferentes contextos das infâncias. Entre seus trabalhos estão: Projeto Cidadela [Exposições: Cidadela-Corpo – Sesc Pompeia (2022), Cidadela Fotos – Circulação Minas Gerais, Brasília e São Paulo (2023), Cidadela – CAIXA Cultural Fortaleza, 2023/24]; Quadro bordado “Janelas do Céu”- vencedor do CONTRASTES MAB FAAP (2003); Performance “Fauna InFesta“ – exposição Augusto de Campos, no Sesc Pompéia (2016); Direção de arte dos espetáculos “A Ciranda do Villa“ – indicado aos prêmios FEMSA e Cooperativa Paulista de Teatro; “Os Saltimbancos“, (2008) – indicado ao prêmio FMSA (2008); “O Príncipe Feliz“ premiado pelo 13º Festival Cultura Inglesa (2009); “Grandes Pequeninos” Indicado ao Grammy Latino de Música (2010); “Mário e os Marias“, premiado pelo APCA de Melhor Espetáculo de Rua para Crianças (2012) e “Coágulo” – performance videoarte premiada no RUMOS Itaú Cultural (2021).
O projeto Cidadela Arte e Natureza é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, contemplado no Edital Fomento Cultsp – ProAC Nº 26/2024 – Circulação De Exposição De Artes Visuais, com produção da PlantaSonho Arte e Cultura, da produtora e gestora cultural Débora Bruno.

Ficha técnica

Exposição Cidadela

Maria Ezou – Concepção e realização

Colaboradores convidados:

Mônica Cardim – Fotografia Casa Memória

Heloisa Pires Lima – Dramaturgia do movimento e textos do site

Juliana Notari – Dramaturgia do movimento e textos do site

Gabriela Zuquim – Consultoria ambiental

Leonardo Martinelli – Composição musical

André Mehmari – Produção e intérprete musical

Marina Quintanilha – Animação da Casa Memória

Eduardo Salzane – Consultoria de arte mecânica

Willian Oliveira – Desenvolvimento dos sistemas eletrônicos

Cristina Souto – Desenho de luz

Fábio Luiz Souza Gomes e Joseane Natali Domingos – Serralheria

Rager Luan – Modelagem das peças em fibra de vidro

Alê Noguchi – Modelagem das peças em bambu

Rita De Cassia Martins – Confecção das roupas das Casas

Mônica Cristina Rocha – Confecção casulos. 

Itinerância

Maria Ezou – Idealização e Direção Artística

Débora Bruno – Produção Executiva

Caia Gusmão – Produção Local e Coordenação do educativo

Mirs Monstrengo – Montagem

Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” MST – Plantio Estufa

Nany Gottardi – Locomotiva Cultural – Assessoria de Imprensa

Mônica Cardim – Fotos de Divulgação

Ana Muriel – Artes Gráficas

Kelly Gonçalves – Studio Âmago Mkt– Assessoria de redes sociais

Gráfica Amoreiras – Comunicação Visual

Alves Tegam – Transportadora.

Serviço:

Exposição Cidadela – Arte e Natureza

Abertura: 27 de fevereiro

Período da exposição: 27 de fevereiro a 11 de abril de 2026

Local: MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas

Endereço: Av. Benjamin Constant, 1633 – Centro – Campinas – SP

Telefones: (19) 2515-7095

Classificação indicativa: livre

Entrada franca

Horário de funcionamento: Terça a sexta das 10h às 18h | Sábados das 10h às 16h

Acessibilidade: A exposição conta com o recurso de audiodescrição e acessibilidade espacial para pessoas com deficiência, como também atividades com libras.

Programação Especial (sujeita a alteração):

Abertura Formação para Educadores – Arte e Infância com visita guiada com a artista e curadora Maria Ezou

Dia 27 de fevereiro, das 14h às 17h

Ministrante: Maria Ezou

Entrada franca com inscrições via formulário

Ação Semear – Evento de plantio e visita guiada com a artista e curadora Maria Ezou

Dia 28 de fevereiro, às 11h

Entrada franca

Visita guiada com a artista e curadora Maria Ezou

Dia 28 de fevereiro, às 14h

Entrada franca

Visita guiada com a artista e curadora Maria Ezou

Dia 5 de março, às 10h

Entrada franca

Diálogos Transversais – Arte e infância, o direito ao sensível

Dia 5 de março, às 14h – com Maria Ezou e Paula Monterrey

Dia 5 de março, às 14h – com Mônica Cardim

Entrada franca

Debate

Educativo e visitas guiadas

De 28 de fevereiro a 12 de abril

Visitas mediadas para grupos de até 40 pessoas

Entrada franca. Agendamentos via formulário

Informações adicionais:

Site: Link

Instagram:

cidadela_arte_infancia

maria_ezou.

(Com Nany Gottardi/Locomotiva Cultural)

MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo apresenta programação da 11ª edição

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

História da Violência, com texto de Édouard Louis, direção de Thomas Ostermeier e produção da Schaubühne, faz a abertura desta edição no Teatro Liberdade. Foto: Arno Declair.

MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo lança sua 11ª edição, que este ano acontece entre os dias 6 e 15 de março de 2026, com espetáculos e ações dedicados a temas como violência, controle social, homofobia, vigilância, entre outros. O espetáculo “História da Violência”, adaptação do livro homônimo do autor francês Édouard Louis, com direção de Thomas Ostermeier e produção da Schaubühne (Berlim), faz a abertura desta edição no Teatro Liberdade (R. São Joaquim, 129 – Liberdade, São Paulo). A programação conta com cinco espetáculos e uma abertura de processo internacionais, uma série de oficinas, mesas de debates e conversas – entre outras atividades reflexivas e formativas – e a diversificação da MITbr – Plataforma Brasil, que, até o lançamento da programação, engloba três espetáculos selecionados via convocatória nacional, seis espetáculos da parceria Conexões Centro-Oeste com o Itaú Cultural, duas aberturas de processos, dois espetáculos convidados e uma virada performativa inédita. A venda de ingressos começou no dia 12 de fevereiro, informações no site da MITsp.

Em 2026, a MITsp tem apresentação do Ministério da Cultura, Laranjinha Itaú e Olhares Instituto Cultural, patrocínio da Vale e copatrocínio do iBT – Instituto Brasileiro de Teatro. A mostra tem parceria institucional do Instituto Goethe e Consulado Geral da Alemanha em São Paulo, do Consulado Geral da França em São Paulo e do Instituto Francês. A realização do evento é da Olhares Instituto Cultural, ECUM Central de Produção, Itaú Cultural, Sesc São Paulo, Sesi SP, Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Prefeitura de São Paulo, Funarte e Ministério da Cultura – Governo Federal.

A 11ª edição da Mostra, idealizada e dirigida desde 2014 por Antonio Araujo, diretor artístico, e Guilherme Marques, diretor geral de produção, mergulha na produção contemporânea com temas urgentes de nosso tempo, sem deixar de lado a pesquisa de linguagem e a provocação cênica, questões que atravessam o olhar para a curadoria dos principais eixos do festival: Mostra de Espetáculos, MITbr – Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos.

A Carta. Foto de Christophe Raynaud de Lage – Festival d’Avignon.

“Este ano, temos um corpo de trabalhos com artistas relevantes da cena internacional e uma mostra brasileira diversificada. Pela primeira vez, um grupo representativo da performance negra e afro indígena no Brasil se apresenta em uma virada performativa e também temos um foco nas artes cênicas brasileiras da região centro-oeste. Além desse recorte, a MITsp traz espetáculos brasileiros de outras regiões, grupos convidados e aberturas de processos nacionais e internacional”, afirma Antonio Araujo.

Ao longo de onze edições, a MITsp já apresentou 189 espetáculos, de 49 países, a um público de mais de 215 mil pessoas. As Ações Pedagógicas e os Olhares Críticos reuniram mais de 300 convidados. Este ano, a Mostra deve gerar cerca de 300 empregos diretos e 1000 indiretos.

Guilherme Marques, responsável por captar recursos e realizar parcerias para que a Mostra aconteça anualmente, lembra: “estudos indicam que a economia da cultura e das indústrias criativas (ECIC) representam um forte impacto na economia nacional”. Para ele, recente pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada pelo Ministério da Cultura (MinC) comprova o efeito econômico da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura) no ano de 2024: a cada R$ 1,00 investido, R$ 7,59 retornam para a economia e a sociedade. “É fundamental que o setor cultural seja considerado por políticas públicas e de estado. Na MITsp, desde o princípio, temos grandes parcerias que nos permitem, a cada ano, trazer não apenas novidades artísticas, mas também movimentar a economia”, completa Guilherme.

Eixo – Mostra de Espetáculos

Três Estações e um Corpo. Foto: Raphael Rodrigues.

Entre a programação de obras internacionais, História da Violência [Im Herzen der Gewalt], adaptação do livro do autor francês Édouard Louis, abre a MITsp deste ano. Com direção de um dos nomes mais conhecidos da cena contemporânea europeia, Thomas Ostermeier, desde 1999 diretor e membro da direção artística da Schaubühne, em Berlim, conhecida casa alemã fundada em 1962, a peça tem quatro atores em cena para refletir, a partir de um episódio de violência sexual, sobre desejo, migração e racismo.

Quem Matou Meu Pai [Qui a Tué Mon Père], outra obra de Louis, também dirigida por Ostermeier, tem o próprio autor em cena, e coloca lado a lado a violência, a ignorância e a fragilidade da figura de seu pai. Ao adoecer, o pai, que sempre foi homofóbico e agressivo, inspira compaixão do filho humilhado durante a infância. “Édouard Louis é hoje um dos nomes mais conhecidos da literatura e o Thomas Ostermeier tem alguns diálogos importantes que vem estabelecendo com alguns autores. As duas obras selecionadas para a MITsp são trabalhos muito fortes, significativos dessa parceria entre os dois. Além do fato de o diretor ser um dos encenadores mais relevantes da cena atual”, coloca Antonio Araujo.

Os dois livros narram histórias a partir das experiências pessoais do autor e as montagens do diretor dialogam com o perfil do teatro que combinam realismo, crítica e experimentação técnica. As peças serão apresentadas pela primeira vez no Brasil durante a MITsp.

Do lado de cá. Foto: Sean Hart.

O artista congolês Dieudonné Niangouna apresenta o solo Do Lado de Cá [De ce côté], em que atua e dirige. O espetáculo reflete sobre exílio e teatro político, questionando o lugar do artista quando ele deixa para trás sua história pessoal, seu público e seu país. “Um dos dramaturgos mais importantes do continente africano”, nas palavras de Araujo. Apesar de ser o segundo trabalho de Dieudonné apresentado na MITsp, desta vez o artista participa presencialmente do festival: em 2019, por questões políticas, ele não conseguiu vir ao Brasil acompanhar sua peça.

Pela primeira vez, a MITsp apresenta um trabalho do Canadá. A montagem do Théâtre Prospero, dirigida por Philippe Cyr, Vigiada e Punida [Surveillée et Punie] parte das ofensas reais sofridas pela cantora Safia Nolin, que também está em cena, para a criação da obra musical que reflete sobre liberdade de expressão, violência e faz um apelo ao coletivo e à solidariedade. “É um trabalho de impacto tanto do ponto de vista da discussão que ele traz, sobre os linchamentos virtuais, essa violência nas redes sociais, quanto da maneira como ele elabora isso cenicamente, numa mistura muito sofisticada entre teatro e música”, coloca o diretor da MITsp.

Quem matou meu pai. Foto: ©Jean-Louis Fernandez.

Milo Rau, em sua segunda passagem pela MITsp – em 2019 foi o artista em foco da edição, com três trabalhos apresentados –, traz A Carta [La Lettre], produção do Festival de Avignon, com os atores Arne De Tremerie e Olga Mouak. “É um trabalho mais centrado na palavra, no trabalho dos atores, na narrativa que acontece na cena: é bem-humorado, mas, ao mesmo tempo, é uma homenagem ao teatro e ao fazer teatral”, diz Antonio Araujo. No espetáculo, o diretor suíço investiga como trajetórias pessoais e heranças familiares se entrelaçam a conflitos geracionais, à história política e às experiências de amor e perda, articulando humor e reflexão para pensar o teatro como espaço de comunidade e partilha.

Eixo – MITbr — Plataforma Brasil

A primeira edição da MITbr – Plataforma Brasil aconteceu em 2018, com esforço dos diretores Antonio Araujo e Guilherme Marques para criar um projeto de internacionalização e circulação das artes cênicas brasileiras, a partir de uma série de ações pedagógicas e reflexivas, como o Seminário de Internacionalização das Artes Cênicas Brasileiras e workshop de capacitação e produção com artistas e produtores locais, para garantir uma estrutura capaz de levar adiante os artistas brasileiros.

Desde então, além da seleção anual para apresentar trabalhos aos programadores nacionais e internacionais, houve uma preocupação para essa estruturação do mercado, para o domínio das formas de negociação e interlocução com instituições internacionais. “A MITbr – Plataforma Brasil tem sido um meio importante para ampliar a circulação das obras no Brasil e no exterior. O resultado que vemos alguns trabalhos alcançar é parte do projeto de internacionalização das artes cênicas brasileiras que a MITsp vem desenvolvendo desde 2017, quando iniciou os primeiros cursos e discussões sobre a importância da preparação de produtores nacionais para apresentações em Festivais e teatros pelo mundo”, afirma Guilherme Marques.

Até hoje, 74 espetáculos nacionais se apresentaram na MITsp e MITbr e 40 espetáculos circularam, no Brasil e exterior, a partir das apresentações no festival. Ano passado, pela primeira vez, a MITsp fez a curadoria de espetáculos e atividades durante o Festival Off Avignon, dando um passo a mais na sua trajetória.

História da violência. Foto: ©Arno Declair.

Em 2026, como ação inédita, a MITbr se expande em cinco frentes: seleção de trabalhos feita por três curadores independentes, o projeto Conexões Centro-Oeste, em parceria com o Itaú Cultural, a PERFORMA12h, realizada em parceria com o iBT – Instituto Brasileiro de Teatro, além de espetáculos convidados e aberturas de processos.

Carmen Luz, Francis Madson e Quito Tembe são os curadores convidados desta edição, cuja seleção de trabalhos feita via convocatória evidencia a diversidade da cena brasileira. Até agora, estão na programação os trabalhos: Epílogo, de chameckilerner (PR); TA | Sobre Ser Grande, do Corpo de Dança do Amazonas (AM), e Para Mariela, do Grupo Sobrevento (SP).

O projeto Conexões Centro-Oeste, com seleção feita por Galiana Brasil e Carlos Gomes, gestores do Itaú Cultural, a partir de inscrições do chamamento da MITbr, reúne trabalhos oriundos do Centro-Oeste brasileiro, e apresenta Atrás das Paredes, com a Cia Plágio (Brasília); Cavucada – A Festa Não Será Amanhã, da Cia Dançurbana (MS); Galhada, em Tempos de Fissura, do Teatro do Instante (Brasília); Dança Boba, do Ateliê do Gesto (GO); Cabeça de Toco, Aqui Tudo É Mato, de Febraro de Oliveira, Marcos Mattos, Marcus Perez e Renata Leoni (MS), da Arado Cultural;  e Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco, do Teatro Gueroba(GO).

O PERFORMA12h, realizado durante doze horas no iBT, tem curadoria de Rodrigo Severo, e apresenta cinco trabalhos de artistas de diversos estados, em uma única noite. São eles: Axexê da Negra ou o Descanso das Mulheres que Mereciam Ser Amadas, de Renata Felinto; Cabeça de Cabaças, de Keila-Sankofa; Aparição, Nego Fugido, uma das mais tradicionais expressões da cultura popular baiana; Mandinga Major Ball, de Puma Camillê; e Transcrições Consanguíneas, de Panamby.

Grupos convidados

Este ano, o trabalho Vogue Funk, coreografia de Patfudyda, com produção da Quafá Produções, do Rio de Janeiro, é um dos espetáculos convidados da edição.

Filoctetes em Lemnos, solo de Vinicius Torres Machado, dirigido por Marina Tranjan, revisita o mito grego a partir de sua história pessoal.

Aberturas de processo

Internacional

Três Estações e um Corpo | Trois Saisons et un Corp, com direção da brasileira Marta Perrone Kiss e interpretação do artista e escritor palestino Mohammed Al Qudwa, fará sua abertura de processo durante a MITsp.

Nacional

Do Brasil, a performance-instalação SSOL – Paisagem 03, de Wagner Antônio; e a performance cênico-musical, Jukybox, de Cris Meirelles e Jaya Batista, apresentam a pesquisa que vem sendo desenvolvida pelos artistas.

Atividades paralelas

Ao longo da MITsp, três mostras acontecem na cidade de São Paulo, de forma paralela, com trabalhos e processos artísticos nacionais voltados ao público em geral e a programadores nacionais e internacionais: a Farofa do Processo, Instituto Capobianco e o iBT – Instituto Brasileiro de Teatro. A programação de cada evento poderá ser consultada em suas respectivas redes sociais e sites, com dias e horários disponíveis e abertos ao público.

Eixo – Ações Pedagógicas

No eixo de Ações Pedagógicas, a curadoria de Alexandra G. Dumas, professora e pesquisadora em teatro, traz atividades com artistas da Mostra e outros convidados/as. São oficinas, rodas de conversa e trocas de experiências realizadas de forma gratuita para o público.

Presente desde a primeira edição, a programação reúne aulas com artistas e encenadores de referência internacional, com temas como processo criativo, corpo, fronteira e reinvenção da linguagem. As oficinas ampliam o contato com metodologias e tradições distintas, passando pelo teatro documental do Rimini Protokoll (Stefan Kaegi), pela afrofabulação e arte drag (Thiago Romero), pelas práticas corporais de Pisada do Pulso (Helder Vasconcelos), pelos Jongos do Sudeste e Congados Mineiros (Renato Ihu), além do Teatro Preto de Candomblé, conduzido por Onisajé.

Complementam esse eixo as mesas de debate, que colocam em diálogo culturas cênicas negras, indígenas, populares e brasileiras; questões de acesso nas culturas Def; e diferentes noções de corpo nas experiências performáticas contemporâneas.

Eixo – Olhares Críticos 

Olhares Críticos, com curadoria da pesquisadora, transfeminista e escritora Helena Vieira apresenta uma programação com encontros e conversas com convidados de visões plurais e complementares.

Esse propõe espaços de reflexão sobre as obras e os contextos que atravessam a cena contemporânea, reunindo artistas, pesquisadoras e pensadores em entrevistas, mesas e encontros de acompanhamento de processos. Destacam-se as entrevistas e as atividades Pensamento em Processo com artistas da edição.

As mesas abordam questões como memória e reparação (Cena, memória e recontar o irreparável), a permanência do Teatro Experimental do Negro (Teatro Experimental do Negro: memória, transmissão, permanência), as relações entre slam, participação e teatro político (Palavra que age: slam, participação e teatro político no presente), os limites da representação da violência (Dramaturgias do presente: memória, versão e os limites de representar a violência), os modos de narrar no teatro e no cinema fora dos enquadramentos hegemônicos, a percepção de corpos e discussão sobre imagem e presença (Quem conta, como conta: teatro e cinema fora do enquadramento; O corpo na cena e na imagem: entre a visibilidade e a captura; Quando a obra muda o espaço: imagem, presença e intervenção).

Cartografias

Entre as atividades planejadas, haverá o novo número de Cartografias, com ensaios, entrevistas e artigos de pensadores/as, artistas e acadêmicos/as sobre cena teatral. Cartografias é editado pelo jornalista, professor e pesquisador da ECA-USP Ferdinando Martins.

Programação

Eixo – Mostra de Espetáculos 

A Carta 

[La Lettre]

De Milo Rau

Sesi SP | Dias 7, 8 e 9 de março | 80 min

Sinopse: Brincando com a premissa de que um jovem artista é moldado tanto pelos papéis que interpreta quanto pelo seu histórico familiar, o encenador suíço Milo Rau explora em cena os acontecimentos que, de forma imperceptível, alteram o curso da vida de qualquer um: conflitos geracionais, história política, amor e morte. Bem-humorada, a obra é um manifesto sobre o que o teatro popular pode ser hoje. Da história da heroína francesa Joana d’Arc à peça A Gaivota, do dramaturgo russo Anton Tchekhov, o espetáculo se desdobra em diversos planos, em um constante vaivém entre arte e vida – no qual até mesmo os mortos retornam ao palco com a ajuda de vozes gravadas.

Do Lado de Cá 

[De ce côté]

De Dieudonné Niangouna

Sesc Vila Mariana | Dias 13, 14 e 15 de março | 55 min | 14 anos

Sinopse: Neste monólogo íntimo com traços auto ficcionais, o dramaturgo congolês Dieudonné Niangouna questiona o teatro, o exílio e o seu lugar como artista entre dois mundos. O narrador, Dido, é um ex-ator que vive recluso em um bar, afastado da família, do país natal e do seu público. Assombrado por memórias e ausências, convive com os fantasmas do passado até o dia em que um diretor oferece um papel para ele em um espetáculo. Num cenário escuro e sóbrio, Dido é levado a encarar demônios, enterrar mortos e, por fim, voltar ao palco com uma visão renovada sobre como um teatro politicamente engajado deve ser.

História da Violência

[Im Herzen der Gewalt]

De Édouard Louis com direção de Thomas Ostermeier | Schaubühne

Teatro Liberdade | Dias 6 (abertura, para convidados), 7 e 8 de março | 120 min

Sinopse: Baseado no romance autobiográfico homônimo de Édouard Louis, o espetáculo, com direção de Thomas Ostermeier, é, ao mesmo tempo, um relato pessoal e uma contundente análise social sobre amadurecimento, desejo e migração. A obra reconstrói a noite em que o jovem Édouard conhece Reda, um homem de origem argelina, e o leva para seu apartamento em Paris. O encontro, inicialmente marcado pela intimidade e pelo afeto, se transforma em uma experiência de extrema violência. A partir do trauma, a peça acompanha o percurso do protagonista entre a polícia, o sistema médico e o refúgio na casa da irmã, no interior do Norte da França, revelando como as reações institucionais e pessoais expõem o racismo, a homofobia e as estruturas obscuras de poder enraizadas na sociedade.

Quem Matou Meu Pai

[Qui a Tué Mon Père]

De Édouard Louis com direção de Thomas Ostermeier | Schaubühne

Sesc Pinheiros | Dias 11, 12 e 13 de março | 90 min

Sinopse: O desgosto com que o escritor francês Édouard Louis olha para o pai – violento, alcoólatra, conservador e responsável por explosões homofóbicas que o traumatizaram – está profundamente enraizado em sua história de vida. No entanto, ao confrontar o pai doente em seu livro homônimo, agora levado à cena e interpretado pelo próprio autor nesta peça dirigida pelo encenador alemão Thomas Ostermeier, essa raiva se desloca e se transforma em compaixão. Partindo do corpo quebrado do pai, Louis propõe uma reescrita contundente da história política e social recente da França. Em cena, ele constrói um manifesto polêmico e rebelde contra o esquecimento, a exclusão e a violência física de uma sociedade atravessada por divisões de classe e, ao mesmo tempo, elabora uma declaração íntima de amor dirigida a alguém que se torna quase impossível amar.

Vigiada e Punida

[Surveillée et Punie]

Safia Nolin e Philippe Cyr | Théâtre Prospero

Sesi SP | Dias 13, 14 e 15 de março | 80 min

Sinopse: Sublimar o ódio: esse é o objetivo da cantora e compositora Safia Nolin e do diretor Philippe Cyr. Juntos, os criadores canadenses transformam milhares de insultos reais dirigidos à artista em matéria-prima para esta obra musical. Questionando que significado damos à liberdade de expressão quando ela irrompe em violência, a intérprete se coloca no centro da cena, encarando um coro que despeja sobre ela ofensas violentas. Irmandade e solidariedade são fundamentais para essa celebração dramática, que também serve como apelo à ação coletiva. Em resposta à punição infligida pelo discurso público, Nolin se arma com seu violão e recupera, finalmente, o espaço do qual foi expulsa.

Eixo MITbr — Plataforma Brasil

Epílogo

chameckilerner (PR)| CCSP | 60 min | 16 anos

Sinopse: Desafiando o fetichismo da juventude eterna e subvertendo o corpo normativo, o espetáculo concebido pelo duo chameckilerner se apoia em um vocabulário físico inspirado em nus icônicos da história da arte. Essas pinturas, fotografias e esculturas ganham vida por meio de performers com idades, habilidades, origens raciais e gêneros diversos, destituindo o “corpo padrão” de seu poder no imaginário visual. Movida por histórias pessoais, pela passagem do tempo e pelas experiências acumuladas inscritas em cada corpo, a obra cria um espaço em que a identidade não é limitada pela idade. Em cena, a presença de corpos que carregam as marcas do tempo em sua pele deixa de ser fonte de temor e passa a ser motivo de fascínio, despertando um complexo jogo de identificação e desejo.

TA | Sobre Ser Grande

Corpo de Dança do Amazonas (AM) | Teatro Sérgio Cardoso | 70 min | Livre

Sinopse: Para os tikuna, povo originário que ocupa uma vasta área do estado de Amazonas, a palavra “TA” significa grande. Eles acreditam que a língua é parte deles, assim como os sons do ambiente fazem parte do idioma que se fala, sejam roncos, chiados e tantas outras sonoridades que conseguem escutar. Os tikuna também definem onde vivem como “TA”, um território que abriga, acolhe, alimenta e precisa de cuidados. Com coreografia de Mário Nascimento e trilha sonora original do DJ Marcos Tubarão, o espetáculo, que conta com bailarinos do Corpo de Dança do Amazonas, apresenta a dor e a beleza dos tikunas, e simboliza a conexão entre a dança e a identidade cultural amazônida, homenageando seu povo e a natureza local.

Para Mariela

Grupo Sobrevento (SP) |Espaço Sobrevento | 75 min | livre

Sinopse: O espetáculo celebra os 40 anos do Grupo Sobrevento com uma reflexão sobre os sonhos de uma vida simples e as complexidades da imigração. Baseada em histórias de crianças imigrantes bolivianas que vivem na vizinhança da sede da companhia, no bairro do Belém, zona leste de São Paulo, a peça parte de objetos cotidianos para criar uma narrativa poética. Músicas e sonoridades de diferentes regiões da Bolívia revelam o ambiente do espetáculo e a busca por um mar utópico, que simboliza os sonhos de um futuro mágico e a infância deixada para trás.

Conexões Centro-Oeste

Atrás das Paredes

Cia Plágio de Teatro (Brasília) | Itaú Cultural | 75 min | 16 anos

Sinopse: Em um domingo, uma família se prepara para o almoço. Flora, esposa de Simão, resolve fazer uma surpresa e convida os vizinhos para celebrar um aniversário. Aos poucos, o que estava submerso pelas aparências vai sendo revelado. Com texto do dramaturgo argentino Santiago Serrano, conhecido pelo seu teatro realista, e direção de Sérgio Sartório, o espetáculo da Cia Plágio de Teatro é uma comédia dramática que provoca reflexões sobre a espécie humana por meio de temas como a violência doméstica, a ética na sociedade, a invasão da intimidade e o voyeurismo. Os diálogos, ora profundos, ora carregados de humor, expõem até onde vai – e que diferentes formas podem assumir – a capacidade destruidora do ser humano.

Cabeça de Toco, Aqui Tudo É Mato

Febraro de Oliveira, Marcos Mattos, Marcus Perez e Renata Leoni | Arado Cultural (MS) | Itaú Cultural | 50 min | 16 anos

Sinopse: No limiar entre corpo, matéria e memória, o espetáculo investiga o impacto da ação humana sobre a natureza e os territórios simbólicos do Centro-Oeste. No espetáculo dirigido por Eduardo Fukushima, árvores viram pedaços de madeira, tensionando destruição e renascimento em uma narrativa aberta e poética que, por meio dos movimentos dos intérpretes-criadores, evoca bichos, rios, vegetações e pessoas. A madeira se torna uma protagonista que dança e conta histórias, dialogando com as questões ambientais e culturais do Mato Grosso do Sul, um lugar, ao mesmo tempo, brasileiro e paraguaio. Com referências à obra de Conceição dos Bugres e à música de Tetê Espíndola – duas artistas sul-mato-grossenses –, a reflete sobre novas formas de pensar o corpo da terra.

Cavucada – A Festa Não Será Amanhã

Cia Dançurbana (MS) | iBT| 60 min | 18 anos

Sinopse: A Cia Dançurbana comemora mais de duas décadas de trajetória na pista de dança. Sem divisão entre palco e plateia, artistas e público rememoram juntos coreografias presentes no repertório da companhia, além de se movimentarem embalados por sonoridades festivas de diferentes estilos. O espetáculo-festa, cujo título faz referência a um passo de dança do brega funk, passeia por elementos presentes no hip-hop, no vogue, na dança contemporânea e em coreografias do TikTok. A obra privilegia o encontro, ressaltando seu potencial político e artístico, e valoriza a diversidade e a liberdade de cada intérprete.

Dança Boba

Ateliê do Gesto (GO) | Itaú Cultural | 50 min | Livre

Sinopse: O espetáculo, interpretado pelo duo de bailarinos e coreógrafos Daniel Calvet e João Paulo Gross, se funda na construção de danças a partir de jogos de improviso. As coreografias são desenvolvidas a partir da simplicidade e da criação poética dos intérpretes, cujos gestos se constroem por meio da presença e da fisicalidade de seus corpos. Nessa profusão de imagens e sentidos, a obra transita por memórias, nostalgias, leveza, dramaticidade e ludicidade. Metáforas são criadas sobre uma possível história que a dupla possa querer contar no aqui e no agora.

Galhada, em Tempos de Fissura

Teatro do Instante (Brasília) | Itaú Cultural | 58 min | 14 anos

Sinopse: Neste solo da artista e professora de artes cênicas Alice Stefânia, uma pesquisadora expõe ideias em torno dos desafios planetários vividos hoje pela humanidade em colapso ambiental. Mergulhada em contradições e diálogos proféticos com uma planta, ela sofre as consequências de uma mutação genética, enquanto partilha saberes, canta espantos, sofre colapsos e respira utopias. Nessa mudança, a personagem se transforma em uma mulher galhada, representando um conceito que remete à existência dos reinos vegetal, animal e mineral. Ela percebe galhos brotando de si, como uma espécie de antena orgânica que a transfigura em uma deusa-ciborgue conectada a distintos mundos e tempos, operando como uma encruzilhada de forças.

Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco

Teatro Gueroba (GO) | TUSP | 70 min | 14 anos

Sinopse: Transitando entre o sertão e a cidade, o espetáculo do Teatro Gueroba aborda temas como a resposta das pessoas diante de uma pandemia causada por um vírus fatal e a reatividade da política brasileira polarizada. Relações entre vida e morte e questionamentos sobre a passagem do tempo se articulam numa dramaturgia que explora um Brasil multiforme e celebra a riqueza e o perigo da extinção de biomas como o Cerrado, onde fica a sede do grupo. Tendo como ponto de partida histórias reais e referências como os escritos do antropólogo mineiro Darcy Ribeiro, tragédias gregas como Antígona, de Sófocles, e tradições ancestrais e mitológicas negras e indígenas, a obra transfigura o luto coletivo em memória, corpo e território.

PERFORMA12h

Aparição, Nego Fugido

Nego Fugido (BA) | iBT | 180 min | livre

Sinopse: Esta encenação de reparação história realizada pelo Nego Fugido coloca os negros como protagonistas da conquista da abolição da escravatura. A manifestação popular, nascida na comunidade quilombola baiana de Acupe, narra em aparições a saga de pessoas escravizadas que, em batalha, subjugam o rei de Portugal e exigem do monarca a carta de alforria. As encenações acontecem anualemnte na rua, no mês de julho, em meio a uma série de expressões culturais quilombolas, como o samba de roda, a capoeira e as aparições de Caretas, Mandus e Bombachos, elementos simbólicos fundamentais na identificação de um passado marcado pelo processo de escravidão de populações africanas.

Axexê da Negra ou o Descanso das Mulheres que Mereciam Ser Amadas

Renata Felinto (SP) | iBT| 90 min | 16 anos

Sinopse: Acionando a ideia de axexê – rito de despedida e passagem – como linguagem poética e política, a performance da artista visual Renata Felinto estabelece um diálogo crítico com A Negra, pintura de Tarsila do Amaral, tensionando a tradição de hipervisibilidade e objetificação do corpo negro no Brasil. Entre gesto, tempo e materialidade, a obra elabora luto, reparação e cuidado como formas de restituição simbólica. Ao reivindicar o descanso como direito e urgência ética, a cena cria um campo de travessia que convoca memória e dignidade para mulheres negras historicamente impedidas de serem amadas.

Cabeça de Cabaças

Keila-Sankofa (AM) | iBT | Da Várzea das Artes | 30 min | livre

Sinopse: Nesta performance, a artista manauara Keila-Sankofa manifesta o Cabeça de Cabaças, uma presença visual e sonora que entoa narrativas sensoriais sobre a Amazônia. O paramento, confeccionado com cuias e cabaça, surge como uma aparição que reinscreve o encontro histórico entre as populações negras e indígenas. Ao centrar-se nestes suportes, a artista celebra uma herança compartilhada entre as identidades afrodiaspóricas e originárias. Mais que objetos, esses itens são centrais na pesquisa e vida da artista, transitando entre o uso prático, o rito sagrado e as cosmogonias de criação do mundo. É a imagem viva da multiplicidade amazônica traduzida em matéria e som.

Mandinga Major Ball

Puma Camillê (BA) | iBT| Haus of Basquiat e Capoeira para Todes | 240 min | 16 anos

Sinopse: Este ritual contemporâneo de celebração e denúncia articula sabedorias ancestrais às urgências do presente pela perspectiva LGBTQIAPN+. Inspirada na ballroom, criada por corpos dissidentes negros e latinos em Nova York nos anos 1970 e 1980, a obra afirma o corpo como linguagem política, arquivo vivo e estratégia de sobrevivência. Em diálogo com a capoeira e o vogue, o trabalho, criado e conduzido pela artista interdisciplinar South American Princess Puma Camillê Basquiat, reune categorias performáticas e musicalidades que constroem atravessamentos entre passado, presente e futuro, afirmando a ballroom como patrimônio cultural negro em constante atualização.

Transcrições Consanguíneas

Panamby (MA) | iBT| 120 min | 16 anos

Sinopse: Uma aparição de corpo sonoro. Na obra, Panamby faz uma leitura ao microfone – são textos autorais, histórias silenciadas que latejam – enquanto Filipe Espindola transcreve fragmentos dessa fala em suas costas com uma máquina de tatuar sem tinta. No processo de escarificar, as palavras brotam sanguíneas no tecido vivo e geram um novo texto a partir do exercício da escuta em meio à verborragia e à cacofonia. Simultaneamente, Panamby produz camadas e texturas sonoras a partir da voz, do looping, de objetos sônicos e de áudios de parentes. Como um importante aspecto de presença, o som é fio condutor de toda a ação.

Espetáculos convidados

Vogue Funk

Patfudyda | Quafá Produções (RJ) | CCSP | 70 min | 16 anos

Sinopse: Das vielas para os palcos, das batalhas nas ruas para os holofotes, dos fios emaranhados dos postes ao fio dental das gatas: baile funk e vogue ball se cruzam no espetáculo de dança dirigido por Patfudyda. Originados em contextos geográficos e cronológicos distintos, os movimentos têm em comum a origem periférica e predominantemente preta, além de serem símbolos de resistência cultural, política e social. O trabalho reúne artistas de ambas expressões artísticas e explora a atitude coreográfica dos dois universos: em cena, poses e passos desafiam convenções e elaboram novas relações históricas e culturais.

Filoctetes em Lemnos

Vinicius Torres Machado (SP) | TUSP | 60 min | 16 anos

Sinopse: O solo de Vinicius Torres Machado, dirigido por Marina Tranjan, acompanha Filoctetes: herói, mas não o suficiente para suportar a dor de uma ferida que não cicatriza. Diante de sua carne podre e gritos aterradores, os companheiros de guerra o abandonam no caminho a Troia. Assim, Filoctetes vive sozinho na Ilha de Lemnos por nove anos, tendo de aguentar essa ferida incurável. A partir do mito grego, o artista apresenta a matéria do próprio corpo após a retirada de parte do seu nervo ciático e musculatura posterior, em decorrência do tratamento de um tumor. Sem alguns movimentos da perna direita e uma ferida causada pela radioterapia, que há 20 anos se abre de tempos em tempos, ele se aproxima de Filoctetes para tratar da fragilidade corporal atualizada na forma humana.

Abertura de processo

Internacional

Três Estações e um Corpo | Trois Saisons et un Corp 

Mohammed Alqudwa e Martha Kiss Perrone (Brasil-França-Palestina) | iBT | 50 min | 12 anos

Sinopse: Cinco guerras atravessam a vida de Mohammed Alqudwa em Gaza – e a última ainda não terminou. Quando ela irrompe, o jovem palestino tem cinco anos: e, depois, doze, quinze e dezoito anos. O estudante aplicado daquela época é, também, um exímio praticante de karatê e um poeta. Poeta que coloca palavras no indizível de um cotidiano atingido por bombas, de um corredor humanitário que não tem nada de humano, de uma esperança cujas fundações ainda precisam ser reconstruídas. Nesta abertura de processo de seu primeiro espetáculo, com direção da brasileira Martha Kiss Perrone, por meio das palavras e gestos que combinam teatro, dança e karatê, Mohammed questiona os significados de identidade e memória coletiva de uma terra e de um povo que vivem um século de massacres ininterruptos. Seu trabalho explora as tensões entre esperança e confinamento, por meio de uma poesia enraizada na experiência cotidiana dos palestinos.

Nacionais
Jukybox
Cris Meirelles e Jaya Batista (SP) | iBT | 60 min | 12 anos

Sinopse: Nesta performance cênico-musical, uma máquina de música é despertada quando Juky, uma carismática bixa MC, encontra seu público. Assumindo o papel de mestra de cerimônias de um programa popular, ela se apresenta como uma popstar e símbolo de força contra as opressões sociais, mesclando a urgência da poesia falada, referências da cultura mineira e canções românticas. Ao tensionar tradição e diversidade, esta criação em processo devolve ao público a imagem de um Brasil popular mais plural: um país em que a festa, a fé e a cultura também podem constituir territórios de respeito, alegria, afeto e re-existência para as pessoas LGBTQIAPN+.

SSOL – Paisagem 03

Wagner Antônio (SP) | iBT | livre

Sinopse: Parte da série Paisagens Oníricas, do encenador e artista visual Wagner Antônio, esta peça-instalação nasce da história da carochinha narrada em Woyzeck, de Georg Büchner, em diálogo com fragmentos da obra radiofônica Para Dar um Fim no Juízo de Deus, de Antonin Artaud, articulando reflexões sobre sonho, loucura, morte e memória, com base no corpo, no ambiente e na imaginação. O público é convidado a circular livremente pelo espaço da obra, que, em determinado momento, é ativada por uma equipe técnica que inventa um ritual para o Sol enquanto um girassol morre lentamente numa estufa. Assim como nos outros estudos cênicos da série, o trabalho é composto de painéis luminosos, refletores, telas, projetores, legendas, fragmentos de filmes, objetos esculturais, caixas de som, ruídos e falas distorcidas de peças teatrais.

SERVIÇO:

MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – 11ª Edição

6 a 15 de março de 2026

Ingressos a partir de 12 de fevereiro em www.mitsp.org

Programação completa no site www.mitsp.org

Locais:

CCSP – Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1000 – Vergueiro, São Paulo-SP)

Casa do Povo (R. Três Rios, 253 – Bom Retiro, São Paulo-SP)

Espaço Sobrevento (R. Cel. Albino Bairao, 42 – Belenzinho, São Paulo-SP)

iBT – Instituto Brasileiro de Teatro (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277 – Bela Vista, São Paulo-SP)

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo-SP)

Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros (R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo-SP)

Teatro Antunes Filho – Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo-SP)

Teatro Liberdade (Rua São Joaquim, 129 – Liberdade-SP)

Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1313, São Paulo-SP)

Teatro Sérgio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo – SP)

Tusp – Teatro da Universidade de São Paulo (R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque, São Paulo-SP).

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Casa Museu Ema Klabin lança catálogo da exposição “Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana”

São Paulo, por Kleber Patricio

Sala de jantar da Casa Museu Ema Klabin integra o percurso da exposição Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana. Foto: Nelson Kon/Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

No dia 28 de fevereiro, às 11h, a Casa Museu Ema Klabin lançará o catálogo da exposição Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana”. Com curadoria de Paulo de Freitas Costa e Paula Nishida, a mostra revela um território com cerca de 4 mil anos de ocupação humana, muito antes da fundação da vila colonial. O percurso expositivo articula ciência, história e imaginação para compreender a relação dos primeiros habitantes com a paisagem que hoje abriga a maior cidade do país, ampliando o olhar sobre a memória e a formação de São Paulo.

Para aprofundar os temas abordados pela exposição, o catálogo reúne textos dos curadores, aproximando as perspectivas histórica e arqueológica da mostra. Além dos ensaios analíticos, o volume inclui uma seleção de fotografias que documentam aspectos centrais do percurso expositivo e contextualizam visualmente as descobertas apresentadas.

Lançamento

Com entrada franca, o lançamento será realizado na área de eventos da Casa Museu Ema Klabin, onde os curadores farão uma breve apresentação sobre seus textos. O catálogo será disponibilizado ao público com sugestão de contribuição voluntária, em apoio às atividades da casa museu.

Em seguida, a programação segue com a palestra presencial da arqueóloga e curadora Paula Nishida. A apresentação traçará um panorama dos contextos arqueológicos do município de São Paulo, destacando a distribuição, a localização e os impactos dos sítios identificados, e evidenciará como a pesquisa arqueológica permite recuperar aspectos pouco registrados na historiografia, mesmo em um território intensamente urbanizado.

São Paulo conta com cerca de 90 sítios arqueológicos identificados e oito deles foram escolhidos para compor esta exposição, servindo como referências importantes para entender a formação histórica do território paulistano.

Do lítico ao contemporâneo: oficina de pedra lascada

Você sabe como nossos antepassados produziam ferramentas com rochas? Na arqueologia, líticos são rochas trabalhadas pelo gesto humano para funções específicas e muitas das ferramentas pré-históricas revelam soluções técnicas sofisticadas semelhantes às de hoje. Às 14h, a oficina Pedra lascada: como nossos antepassados produziam ferramentas com rochas? reúne essas reflexões com uma experiência prática conduzida pelo arqueólogo Luiz Fernando Erig Lima, que apresenta os princípios das indústrias líticas e orienta a produção de ferramentas em rocha. A atividade propõe uma nova leitura de São Paulo não apenas como metrópole, mas como território de longa ocupação humana cujas práticas materiais apontam conexões entre memória, cultura e tecnologia.

Ciclo de palestras amplia panorama arqueológico

A exposição, em cartaz até 29 de março, é acompanhada por um ciclo de palestras e eventos que aprofundam os eixos curatoriais da mostra e ampliam seu diálogo com diferentes campos do conhecimento. A programação reúne pesquisadores e especialistas em abordagens presenciais e online. Entre os destaques estão as palestras de Luis Symanski, sobre arqueologia diaspórica (18 de março); Letícia Correa, dedicada ao Sítio Lítico do Morumbi (26 de março); e Ricardo Cardim, com o tema da Mata Atlântica (16 de abril). O ciclo inclui ainda oficinas e caminhadas presenciais conduzidas por Carolina Guedes, que explora pintura rupestre e arte de rua (28 e 29 de março), e a caminhada urbana de aproximação da arqueologia da cidade com a memória negra do século XVIII, promovida pelo coletivo Cartografia Negra (11 de abril).

Casa Museu Ema Klabin. Foto: Nelson Kon/Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

O objetivo da programação é apresentar a diversidade e a pluralidade de povos, práticas e modos de vida que constituíram o território paulistano ao longo do tempo, ampliando o entendimento sobre a formação histórica da cidade para além das narrativas tradicionais. Um relevante panorama sobre o passado da cidade que não consta nos livros de História.

Serviço:

28 de fevereiro de 2026 (sábado)

11h às 13h – Lançamento do catálogo da exposição Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana com as presenças dos curadores Paulo de Freitas Costa e Paula Nishida e palestra com a arqueóloga e curadora Paula Nishida – Gratuito (com sugestão de contribuição voluntária). Tradução e interpretação em Libras. Vagas: 95, por ordem de inscrição no site: https://emaklabin.org.br/em-cartaz/palestras-presencial-quando-sao-paulo-era-piratininga-arqueologia-paulistana

14h – Oficina Pedra lascada: como nossos antepassados produziam ferramentas com rochas? com o arqueólogo Luiz Fernando Erig Lima. Gratuito (com sugestão de contribuição voluntária) Vagas: 30, por ordem de inscrição: https://emaklabin.org.br.

Exposição: Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana – Curadoria: Paula Nishida e Paulo de Freitas Costa

Até 29/3/2026 – Visitas livres de quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h – visitas mediadas quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h. sábado, domingo e feriado, às 14h. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) para estudantes, idosos, PCD e jovens de baixa renda. Gratuidade para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública.

Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo.

Sobre a Casa Museu Ema Klabin

A residência onde viveu Ema Klabin de 1961 a 1994 é uma das poucas casas museus de colecionador no Brasil com ambientes preservados. A Coleção Ema Klabin inclui pinturas do russo Marc Chagall e do holandês Frans Post, obras do modernismo brasileiro, como de Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de artes decorativas, peças arqueológicas e livros raros, reunindo variadas culturas em um arco temporal de 35 séculos.

A Casa Museu Ema Klabin é uma fundação cultural sem fins lucrativos, de utilidade pública, criada para salvaguardar, estudar e divulgar a coleção, a residência e a memória de Ema Klabin, visando à promoção de atividades de caráter cultural, educacional e social, inspiradas pela sua atuação em vida, de forma a construir, em conjunto com o público mais amplo possível, um ambiente de fruição, diálogo e reflexão.

A programação cultural da casa museu decorre da coleção e da personalidade da empresária Ema Klabin, que teve uma significativa atuação nas manifestações e instituições culturais da cidade de São Paulo, especialmente nas áreas de música e arte. Além de receber a visitação do público, a Casa Museu Ema Klabin realiza exposições temporárias, séries de arte contemporânea, cursos, palestras e oficinas, bem como apresentações de música, dança e teatro.

O jardim da casa museu foi projetado por Roberto Burle Marx e a decoração foi criada por Terri Della Stufa.

Acesse o site e redes sociais:

Site: https://emaklabin.org.br

Instagram, Facebook e TikTok: @emaklabin

YouTube: https://www.youtube.com/c/CasaMuseuEmaKlabin

Google Arts & Culture: https://artsandculture.google.com/partner/fundacao-ema-klabin

Linkedin: https://www.linkedin.com/company/emaklabin/?originalSubdomain=br

Vídeo institucional: https://www.youtube.com/watch?v=ssdKzor32fQ

Vídeo de realidade virtual: https://www.youtube.com/watch?v=kwXmssppqUU.

(Com Cristina Aguilera/Mídia Brazil Comunicação Integrada)

Em março, Theatro Municipal apresenta duas criações do Balé da Cidade, concertos sinfônicos e repertório camerístico

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Ensaio de ‘Encruzilhada’. Foto: Gustavo Quevedo.

Abrindo a programação do Theatro Municipal de São Paulo no mês de março, o Balé da Cidade de São Paulo realiza o projeto Quase em Cena: Encruzilhada, nos dias 3, 5 e 6, sempre às 11h, na Sede do Balé da Cidade de São Paulo, Praça das Artes. Ao abrir o processo criativo, o projeto aproxima espectadores do cotidiano da companhia, permitindo o acesso a camadas de trabalho normalmente restritas aos bastidores. A entrada é gratuita, mediante inscrição prévia no site. A classificação é livre, a duração aproximada é de 120 minutos, com intervalo.

Na sequência, o Balé da Cidade de São Paulo estreia Encruzilhada na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal, com apresentações nos dias 14, 15, 18, 19, 20, 21 e 22 de março. Com concepção e coreografia de Renan Martins; Iolanda Sinatra assina a dramaturgia e o acompanhamento artístico; Helena Araújo, a assistência de coreografia; EPX e Alana Ananias, a trilha sonora e sua execução ao vivo; Jo Rios, o design de luz; e Tom Martins, o figurino. A coreografia articula gestos do imaginário coletivo, práticas corporais populares e arquivos ancestrais, colocando a coletividade no centro da cena como prática instável e necessária. Os ingressos variam de R$13 a R$100 e a duração é de aproximadamente 70 minutos, sem intervalo.

Quarteto de Cordas. Foto: Larissa Paz.

No dia 26 de março, quinta-feira, às 20h, o Quarteto de Cordas da Cidade apresenta Diálogos: Shaw, Mozart e Haydn na Sala do Conservatório da Praça das Artes. Formado por Betina Stegmann e Nelson Rios nos violinos, Marcelo Jaffé na viola e Rafael Cesario no violoncelo, o grupo interpreta obras de Caroline Shaw, Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart, em um programa que transita entre a música contemporânea e o repertório clássico. Os ingressos custam R$50 e a duração aproximada é de 60 minutos, sem intervalo.

Já nos dias 27 e 28 de março, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta Quadros Sinfônicos na Sala de Espetáculos, com regência de Mei-Ann Chen e participação do violinista Guido Sant’Anna. O programa reúne obras de An-Lun Huang, Sergei Prokofiev, Kaija Saariaho e Igor Stravinsky, incluindo o Concerto para Violino nº 1, de Prokofiev, e a Suíte O Pássaro de Fogo (1919), de Stravinsky. Os ingressos custam de R$13 a R$100 e a duração é de aproximadamente 1h30, com intervalo.

Montagem de ‘Adeus, deus’ em 2025. Foto: Rafael Salvador.

Ao final do mês, o Balé da Cidade de São Paulo, em conjunto com a Orquestra Sinfônica Municipal, apresenta Adeus, deus de 28 de março a 1º de abril na Cúpula do Theatro Municipal. Criada originalmente em 2005, a obra de Sandro Borelli propõe um discurso poético do corpo e uma dramaturgia que aborda o desapego à vida, o conflito entre vontade e desejo e a consciência como instância de julgamento. Com atmosfera trágica e melancólica, o espetáculo se constrói como um manifesto corporal sobre finitude e resignação. Os ingressos custam R$50 e a duração aproximada é de 40 minutos.

Por fim, no dia 29 de março, domingo, às 11h, a Orquestra Experimental de Repertório e o Coro Lírico Municipal apresentam Richard Wagner na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal. Sob regência de Wagner Polistchuk e Hernán Sánchez Arteaga, o concerto reúne trechos emblemáticos de óperas de Richard Wagner, como Lohengrin, Tristão e Isolda, O Navio Fantasma, Crepúsculo dos Deuses, As Valquírias e Tannhäuser. Os ingressos variam de R$13 a R$50 e a duração aproximada é de 60 minutos, sem intervalo.

(Com Letícia Santos /Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)

Mostra “Ònà Irin: caminho de ferro”, de Nádia Taquary, é prorrogada até 26 de abril no Sesc Belenzinho

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Nádia Taquary  – Ònà Irin: caminho de ferro. Foto: Thales Leite.

Sesc Belenzinho anuncia a prorrogação da exposição “Ònà Irin: caminho de ferro”, individual da artista baiana Nádia Taquary, que agora pode ser visitada até 26 de abril de 2026. Com curadoria de Amanda Bonan, Ayrson Heráclito e Marcelo Campos, a mostra – que estreou no Museu de Arte do Rio (MAR) em 2023 e esteve em cartaz no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, até março de 2025 – destaca a pesquisa de Taquary sobre o universo afro-brasileiro e a presença feminina nos mitos de criação de matrizes iorubás. No Sesc, o projeto ganha nova ambientação e intensifica sua dimensão sensorial e simbólica, reiterando a reflexão sobre como a ancestralidade e a espiritualidade afro-brasileira se manifestam no cotidiano contemporâneo.

Entre esculturas, objetos-esculturas, instalações e uma videoinstalação, a mostra reúne 22 obras produzidas em diferentes momentos da carreira da artista, que iniciou sua trajetória em 2010 pesquisando a joalheria afro-brasileira e, em especial, as pencas de balangandãs, conjuntos de pingentes metálicos usados por mulheres negras escravizadas e libertas na Bahia dos séculos XVIII e XIX que reuniam símbolos de fé, proteção e prosperidade, funcionando também como formas de resistência e autonomia. Desde então, sua produção expandiu-se para instalações e esculturas de grande escala em que o sagrado e o feminino se manifestam em formas híbridas, com materiais como búzios, miçangas, palhas e metais.

Nádia Taquary  – Ònà Irin: caminho de ferro. Foto: Thales Leite.

A mostra em São Paulo mantém o conjunto apresentado nas versões anteriores, reafirmando a centralidade das forças femininas na cosmologia afro-brasileira. A montagem foi pensada para intensificar a experiência do público, conduzindo-o por uma travessia simbólica que entrelaça criação, tempo e as energias que conectam o visível e o invisível como trilhos que se desdobram em múltiplos percursos, abrindo caminhos de ferro entre mundos materiais e espirituais.

Ao ocupar um centro cultural como o Sesc, a exposição também amplia o diálogo com diferentes públicos. “Essa mostra não organiza conhecimento sobre arte, mas trata da vida — do surgimento da vida, da superação dos medos e da presença feminina nos mitos da criação”, afirma o curador Marcelo Campos.

Nádia Taquary  – Ònà Irin: caminho de ferro. Foto: Thales Leite.

Embora não se proponha como retrospectiva, Ònà Irin: caminho de ferro articula diferentes momentos da trajetória de Nádia Taquary, revisitando a passagem da artista da joalheria afro-brasileira para a criação de esculturas e instalações de dimensão ritual. Mais do que reunir fases, a mostra transforma essa transição em experiência: um percurso que faz da arte um território de encontro entre memória, mito e espiritualidade, onde a presença feminina negra emerge como força criadora e princípio de mundo.

Serviço:

Ònà Irin: caminho de ferro, de Nádia Taquary

Local: Sesc Belenzinho

Em cartaz até 26 de abril de 2026

Horário de funcionamento:  Terça a sábado, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 18h

Acessibilidade: Rampas, elevadores, pisos tátil, banheiros adaptados e outros equipamentos acessíveis.

Classificação indicativa: Livre

Entrada gratuita

Estacionamento

De terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

SESC BELENZINHO

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Transporte Público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m).

(Com Martim Pelisson Moraes/Pool de Comunicação)