Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Sinfônica Jovem de Indaiatuba abre inscrição para bolsistas

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Inscrições para bolsas de estudo já estão abertas. Fotos: Daniel Cardoso.

A Orquestra Sinfônica Jovem de Indaiatuba (OSJI) está com edital aberto para jovens de 12 a 30 anos que tenham interesse em participar do processo seletivo, que tem foco no desenvolvimento artístico e educacional. Não é preciso residir no município e os interessados tem até 5 de fevereiro para se inscrever.

As vagas contemplam todos os naipes de orquestra; entre elas, cordas, madeiras, metais e percussão, oferecendo experiência em repertório sinfônico, prática de conjunto e apresentações públicas. Além da técnica, a Orquestra de formação, sob regência do maestro Anderson Vargas, tem como objetivo oferecer um espaço para desenvolver autoconfiança, trabalho coletivo e a vivência necessária para a carreira profissional.

ETAPAS 

O processo seletivo será composto de duas etapas. Na primeira o candidato precisa enviar, no próprio formulário de inscrição – disponível aqui –, um vídeo, de até cinco minutos, executando uma peça de livre escolha. Se aprovado, seguirá para a segunda fase, na qual fará, no dia 9 de fevereiro, uma audição presencial com uma peça de confronto no Centro Cultural Wanderley Peres, em Indaiatuba. O resultado está previsto para 11/2 e, o início das atividades, 16/2. Todas as informações, inclusive sobre a segunda fase, estão disponíveis no edital, que pode ser acessado neste link.

Esta é uma iniciativa da AMOSI (Associação Mantenedora da Orquestra Sinfônica de Indaiatuba), em parceria com a Prefeitura de Indaiatuba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, tem patrocínio de Tuberfil, Plastek e John Deere e apoio da MMídia e Atom. Mais informações pelo WhatsApp (19) 97151-1150 ou pelo e-mail secretaria.osindaiatuba@gmail.com.

Informações:

Edital aqui 

Inscrições aqui

WhatsApp: (19) 97151-1150

E-mail: emosi@orquestraindaiatuba.com.br

Instagram emosindaiatuba.

Sobre a Sinfônica Jovem | Fundada em 2003 pelo maestro Paulo de Paula, desde sua criação, tem funcionado como uma orquestra escola onde jovens da cidade podem aprofundar suas experiências musicais através dos ensaios e apresentações do grupo. A Orquestra está ligada a Escola de Música e a Orquestra Sinfônica de Indaiatuba, e tem possibilitado a formação musical de inúmeros instrumentistas, sendo atualmente o principal grupo orquestral jovem da cidade. Atualmente é regida pelo maestro Anderson Vargas e conta com participação de monitores profissionais, que orientam os músicos durante os ensaios e apresentações. O grupo tem realizado concertos regulares em Indaiatuba, tendo também se apresentado em São Paulo, Vinhedo, Monte Verde, Serra Negra, Jaguariúna, Salto, Itapira e Pindamonhangaba.

(Com Samantha de Martino/Armazém da Notícia)

[Turismo]: Uruguai: cultura, gastronomia, esportes e natureza

Uruguai, por Kleber Patricio

Estádio Centenário tem visitas guiadas, museu e bar com cardápio uruguaio. Foto: Ministério do Turismo do Uruguai

Um país elegante e surpreendente, o Uruguai é um destino emocionante para as férias de verão na América do Sul. Fácil de percorrer e com distâncias curtas, o país oferece experiências para todos os gostos. Em um só roteiro, é possível combinar história, esportes, arte, gastronomia e paisagens naturais e urbanas que convivem lado a lado.

A capital, Montevidéu, ganha ainda mais protagonismo em um ano marcado pelo Mundial. A capital uruguaia tem uma relação profunda com o futebol e os esportes, elemento central de sua identidade cultural. Essa história pode ser vivida de perto no Museo del Fútbol, localizado no Estádio Centenário, único estádio declarado Patrimônio Mundial pela FIFA. O espaço reúne troféus, camisas históricas, documentos e memórias que ajudam a entender por que o Uruguai ocupa um lugar tão simbólico na história do esporte. Há também uma saborosa opção gastronômica por lá, o 1930 Bar, que tem cardápio com tradicional comida uruguaia e pátio com parrillas.

Além do esporte, Montevidéu convida a explorar sua cultura: as diversas livrarias que convidam a ler e tomar um café, assim como museus, feiras de rua, como a tradicional Tristán Narvaja, revelam hábitos locais, sabores e objetos curiosos. Bares históricos e cafés centenários completam o passeio pela cidade, que também mostra um lado contemporâneo e cosmopolita ao entardecer. O rooftop do Edifício Salvo, ícone arquitetônico da capital, tem uma das vistas mais emblemáticas do Centro, enquanto o bar no topo do Hotel Montevideo reforça a cena urbana sofisticada com coquetelaria criativa e clima atual. Durante as férias, a cidade aposta ainda em uma programação cultural diferenciada e acessível.

Pôr do sol na Casapueblo. Foto: Alexis Noquet.

Cine en el Botánico transforma o Jardim Botânico em uma sala de cinema a céu aberto, com exibições noturnas de ficções e documentários recentes do audiovisual uruguaio. Com entrada gratuita, o ciclo reúne obras premiadas neste mês de janeiro e promove encontros entre realizadores e público, em um dos cenários naturais mais emblemáticos da capital.

Seguindo pela costa, Punta del Este revela uma fase de novos restaurantes, com propostas autorais e foco em produtos locais, e mantém atrações que agradam diferentes perfis de viajantes. Para famílias, existem propostas que unem natureza, gastronomia e atividades ao ar livre.

A integração entre arte e paisagem é um dos pontos altos. O Museo de Arte Contemporáneo Atchugarry (MACA) impressiona pela arquitetura e pelo acervo, enquanto o Arboretum Lussich convida a caminhadas entre trilhas e mirantes. O Jardim Japonês de Punta del Este oferece um momento de contemplação e equilíbrio, e Casapueblo, além do tradicional pôr do sol, abriga uma galeria de arte que aprofunda o contato com a obra e o universo criativo de Carlos Páez Vilaró.

Vista do farol de Cabo Polônio. Foto: Ministério do Turismo do Uruguai.

Mais a oeste, Colonia del Sacramento convida a desacelerar. Pedalar pelas ruas de pedra do bairro histórico, patrimônio mundial da Unesco, é uma das formas mais agradáveis de explorar a cidade. O pôr do sol às margens do Rio da Prata transforma a orla em um cenário romântico, complementado por cafés charmosos, pequenos restaurantes e vinhos locais.

E para quem busca um Uruguai mais calmo, Cabo Polonio é um convite ao essencial. Entre dunas, sem ruas asfaltadas e cercado por natureza praticamente intocada, o vilarejo oferece uma experiência de desconexão, com lobos marinhos, praias oceânicas e noites silenciosas sob um céu estrelado.

Entre cidades com arquitetura variada, balneários cheios de charme, vilas históricas e refúgios naturais, o Uruguai se consolida como um destino seguro para as férias, ideal para quem valoriza cultura, boa mesa, paisagens marcantes e experiências que permanecem na memória muito depois da viagem.

Benefícios para turistas brasileiros

Durante as férias, viajantes estrangeiros contam com vantagens que tornam a viagem ainda mais atrativa:

– IVA zero em hotelaria e gastronomia pagos com cartão internacional;

– Devolução de IVA no aluguel de carros;

– Tax-free em compras realizadas em lojas credenciadas.

Os benefícios reforçam a excelente relação custo-benefício do país e ampliam o conforto de quem escolhe o Uruguai para as férias. https://uruguaynatural.com/pt/uruguaysorprende/.

(Com Luise Sanches/ AVIAREPS)

Tragédia “Medea”, de Sêneca, novo espetáculo de Gabriel Villela, terá estreia nacional no Sesc Consolação

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: João Caldas.

Ao atribuir a responsabilidade dos atos humanos aos próprios indivíduos, as tragédias do filósofo romano Sêneca ficaram por séculos fora do palco, sob a ideia de que sua violência só poderia ser suportada na leitura. “Medea”na versão de Sêneca, novo projeto do diretor Gabriel Villela, traz o desafio de colocar em cena a desmedida da fúria, da ira e da vingança. Até hoje, com raras montagens no Brasil, o espetáculo estreia dia 29 de janeiro de 2026, no Sesc Consolação, e a temporada segue até 8 de março.

Escrita cerca de quatro séculos depois da versão de Eurípides, a Medea de Sêneca revisita o mito da mãe que mata os próprios filhos como vingança ao ser repudiada por Jasão, mas também apresenta outros debates como o etarismo. A ruptura entre Medea e Jasão expõe a lógica social que descarta mulheres com o avançar da idade; um tema que ressoa nas falas da peça. A montagem apresenta três intérpretes para Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros. A elas se somam Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro, completando o elenco.

A versão de Sêneca também traz outras diferenças importantes. “Para começar, é mais curta e muito mais violenta. De modo geral, suas tragédias ampliam o que chamam de desmedida: a fúria, a ira, estão no centro de tudo o que escreve”, afirma Gabriel Villela. O diretor também destaca que, em Sêneca, o conflito interno de Medea é mais evidente, com uma escalada dramática que conduz ao crime final.

Na tragédia do filósofo do período romano (Sêneca foi preceptor do imperador Nero), Medea emerge como uma estrangeira, traída e politicamente silenciada, cuja revolta ecoa em questões femininas e na violência contra a natureza. A montagem desta Medea por Villela enfatiza essa dimensão: uma mulher que devolve ao mundo a fúria acumulada pelo desprezo de Jasão e a sentença de exílio proferida pelo rei Creonte, de Corinto. A natureza torna-se uma narradora trágica que responde às atrocidades cometidas pelos próprios homens.

“O texto é primoroso e parece importante hoje apontar a relação dele com a violência que ronda o nosso dia a dia. Nós temos nos confrontado com a barbárie o tempo inteiro, na política, nos assassinatos festivos, na internet que julga e sentencia, nos tornamos o vírus capaz de acabar com o planeta”, observa Villela. A equipe de criação destaca ainda a potência retórica de Sêneca e sua capacidade de unir a palavra ao poder da imagem. “Isso é um valor importante de seu texto”, completa.

Com a cenografia de J. C. Serroni, a montagem cria um espaço duplo inspirado no circo-teatro mambembe e no palácio de Creonte. Os figurinos de Gabriel Villela são também um forte elemento cênico nesta montagem. Ao todo, são 27 peças usadas ao longo do espetáculo. Cada figurino traz a sobreposição de peças ou tecidos com elementos extraídos da natureza da floresta do cerrado mineiro.

Séneca e o Estoicismo

Filósofo, poeta e humanista, Sêneca, expoente do Estoicismo, defendia a igualdade entre os homens, rejeitava a escravidão e a distinção social, e valorizava o autocontrole, a liberdade interior e a responsabilidade ética aplicados à vida concreta. Para ele, o exercício da moderação e da serenidade frente às adversidades constituía um caminho ético para atravessar o sofrimento e sustentar a vida.

“Todas as tragédias que ele escreveu, na verdade, são formas de apresentar essa filosofia, o Estoicismo”, diz o diretor adjunto Ivan Andrade. “O cerne de seus textos é essa desmedida humana. Na tragédia grega, as desmedidas eram atribuídas aos deuses. Sêneca coloca a responsabilidade maior no ser humano, é sempre uma ação humana que passa das medidas. Em suas peças, há a ideia da moderação e sempre tem um momento em que dá a entender que o personagem pode recuar”, completa.

Gabriel Villela

Estudou Direção Teatral na Universidade de São Paulo. É diretor, cenógrafo e figurinista. Iniciou sua carreira profissional em 1989 com “Você Vai Ver O Que Você Vai Ver”, de Raymond Queneau, e “O Concílio Do Amor”, de Oscar Panizza. Desde então, recebeu três Prêmios Molière, três Prêmios Sharp, 12 Prêmios Shell, 10 Troféus Mambembe, seis Troféus APCA, cinco Prêmios APETESP, dois Prêmios PANAMCO, Prêmio Zilka Salaberry e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Dirigiu mais de 50 espetáculos, com participação em festivais nacionais e internacionais.

Sinopse | Abandonada por Jasão, que decide se casar com Creúsa, filha do rei Creonte, a feiticeira Medea vê ruir não apenas o seu matrimônio, como também sua identidade. Movida pela fúria e pela vingança, ela envia presentes envenenados para sua rival, o que culmina na morte da família real.  Para atingir o marido no que ele tem de mais precioso, Medea assassina os próprios filhos.

Ficha Técnica 

Autor: Sêneca

Tradução: Ricardo Duarte

Direção e figurinos: Gabriel Villela

Elenco: Walderez de Barros (participação especial), Rosana Stavis, Mariana Muniz, Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro

Cenografia: J C Serroni

Iluminação: Wagner Freire

Trilha Sonora Original: Carlos Zhimber

Diretor Adjunto: Ivan Andrade

Assistente de Direção: Gabriel Sobreiro

Costureira: Zilda Peres

Máscaras: Shicó do Mamulengo e Junior Soares

Assistente de Cenografia: Débora Ferreira

Pintura de Arte e Texturização: Beatriz Leandro, Débora Ferreira, Flávia Bittencourt e Camila Myczkowski

Cenotécnicos: Alicio Silva e Douglas Vendramini

Assistentes de Cenotecnia: Theo Piazzi, João Portella e Benilson Alves

Costuras Cenográficas: Flávia Bittencourt

Músicos Convidados: Daniel Doctors, Luca Frazão e Gustavo Souza

Maquiagem: Claudinei Hidalgo

Assistente de Maquiagem: Patrícia Barbosa

Fotografia: João Caldas Fº

Assistente de Fotografia: Andréia Machado

Ilustração do morcego: Guilherme Crivelaro

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

Diretor de Palco: Diego Dac

Operador de Luz: Rodrigo Sawl

Operador de Som: Ricardo Oliveira

Camareira: Ana Lucia Laurino

Produção Executiva: Augusto Vieira

Direção de Produção: Claudio Fontana.

Serviço

Medea 

Sesc Consolação – Teatro Anchieta – Rua Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo – SP

Telefone para informações: 11 3234-3000

Temporada: 29/1 a 8/3/2025

Horários: Quintas, Sextas e Sábados, às 20h. Domingos, às 18h

Sessões em horários diferenciados:

Dia 14/2. Sábado, às 18h

Dias 26/2 e 5/3. Quintas, às 15h

Lotação: 280 lugares | Duração: 80 minutos | Classificação: 16 anos

Ingressos: R$70 (inteira) R$35 (meia entrada) e R$21 (credencial plena)

Venda on-line a partir de 20/1 (terça), às 17h, em centralrelacionamento.sescsp.org.br  e no App Credencial Sesc SP

Venda presencial a partir de 21/1 (quarta), às 17h, nas bilheterias do Sesc São Paulo.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

 

Filarmônica de Pasárgada se apresenta no Sesc Belenzinho

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Zé Vicente.

No dia 30 de janeiro, o Sesc Belenzinho recebe o grupo Filarmônica de Pasárgada. Os ingressos vão de R$ 18 (Credencial Sesc) a R$ 60 (inteira). A Filarmônica de Pasárgada apresenta o show do álbum ‘PSSP’ com 14 canções inspiradas na história da cidade de São Paulo.

As faixas do disco abordam diversos aspectos ligados à metrópole paulista, ora de modo mais factual, ora de modo mais onírico, por vezes com ironia e humor: a sua fundação na colina histórica pelos jesuítas no século XVI, a economia do café, a desigualdade social, o drama da Cracolândia, a recorrente crise hídrica, a poluição, o descaso em relação aos rios da cidade, o machismo e o racismo impregnados no desenvolvimento urbano de São Paulo são alguns dos temas que atravessam o álbum. As canções foram escritas e arranjadas pelo compositor do grupo, Marcelo Segreto, e contam com participações especiais de Tom Zé, Barbatuques, Trupe Chá de Boldo, Música de Montagem, Mestre Zelão e Escola Mutungo de Capoeira Angola. O projeto gráfico do disco é de Guto Lacaz, as fotomontagens de Zé Vicente, a produção musical de Segreto e o lançamento é pelo selo YB Music em parceria com a Gravadora Experimental da Fatec Tatuí.

A Filarmônica de Pasárgada foi formada em 2008 por alunos do curso de música da USP com o objetivo de interpretar as canções de Marcelo Segreto. O grupo possui quatro álbuns lançados: O Hábito da Força (2012), Rádio Lixão (2014), Algorritmos (2016) e PSSP (2022). A banda participou do EP Tribunal do Feicebuque (2013) do compositor Tom Zé, juntamente com Emicida, o Terno, Trupe Chá de Boldo e Tatá Aeroplano, e do CD Vira Lata na via láctea (2014) do mesmo compositor, com Caetano Veloso, Milton Nascimento e Criolo, entre outros. Foi vencedor do 17º Programa Nascente USP, do I Festival da Unicamp e do 41º Festival Nacional da Canção-Fenac e premiado em diversos festivais.

Serviço:

Filarmônica de Pasárgada

Dia 30 de janeiro de 2026 | sexta, 21h

Local: Teatro (374 lugares)

Valores: R$ 60 (inteira); R$ 30 (meia-entrada), R$ 18 (Credencial Sesc)

Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc

Classificação: 12 anos

Duração: 90 minutos

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700 | sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento:

De terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

Transporte Público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m).

(Com Priscila Dias/Assessoria de Imprensa Sesc Belenzinho)

Casa Triângulo recebe mostra ‘Jardim Flamejante’, de Rafael Chavez, inspirada na força criativa da caatinga paraibana

Indaiatuba, por Kleber Patricio

A dança dos vaga-lumes, 2025. Foto: Filipe Berndt/Cortesia Casa Triângulo.

A artista plástica autodidata Rafael Chavez, natural de Santa Luzia, no Vale do Sabugi – território reconhecido por sua importância arqueológica, com mais de 25 sítios catalogados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) – inaugura em 24 de janeiro de 2026 sua nova exposição, ‘Jardim Flamejante’, a primeira individual da artista na Casa Triângulo, reunindo obras que revelam a potência sensorial, espiritual e política do sertão nordestino. A mostra tem texto crítico de Walter Arcela. O projeto articula matéria, território, memória e cosmologia, inscrevendo o trabalho de Chavez em um campo no qual técnica, rito e imaginação se tornam indissociáveis.

Criada em meio à paisagem singular da caatinga, Rafael Chavez desenvolveu uma trajetória artística marcada pela experimentação contínua. Pintura a óleo, acrílica, aquarela, pintura digital, animação, escultura, videoarte e música compõem o repertório que sustenta sua pesquisa visual, sempre movida pela inquietação e pelo desejo de expandir linguagens.

Em seu texto crítico, Walter Arcela destaca que, nas pinturas, Chavez desenvolve uma espacialidade que desloca a lógica clássica da pintura como janela. Em vez de organizar o mundo a partir de um ponto de vista estável, suas imagens sugerem cavidades, interiores e campos que se confundem com o horizonte, dissolvendo a distinção entre dentro e fora. O espaço pictórico emerge como extensão do próprio território, onde o corpo que pinta não se coloca diante da paisagem, mas dentro dela. Muitas obras, de orientação vertical, se lançam como troncos tensionados, soldando chão e céu num mesmo eixo cósmico.

As pinturas de Chavez são uma gramática expositiva do chão que ecoa a aridez e o mistério do sertão a céu aberto. A territorialidade é reforçada por meio da mistificação sem recorrer a obviedades arquetípicas. As obras, majoritariamente verticais, se lançam para cima como troncos tensionados, conectando o plano telúrico ao etéreo. Há nelas uma tentativa constante de soldar céu e chão, como se a forma buscasse alinhar o olhar humano com um eixo mais amplo, cósmico.

As esculturas cerâmicas – botijas, totens, casulos e receptáculos – vieram diretamente do Sertão paraibano, e carregam em suas superfícies uma luminosidade quase corpórea, como se cada uma fosse um campo de radiação de calor e de sentidos. As botijas insinuam volumes que parecem capturar a própria chama, uma luz pela memória arqueológica da caatinga. Os totens que se dobram tornam-se portais; recipientes se oferecem como abrigos densos, onde a luz parece habitar cada dobra da matéria.

Nas obras de Rafael Chaves, o sertão deixa de ser cenário para tornar-se corpo vivo: território de memória, energia e presença. Chavez articula elementos da paisagem sertaneja, da espiritualidade local e das possibilidades arqueológicas da mata da caatinga, criando composições que transcendem a representação figurativa e se aproximam de dimensões simbólicas e afetivas.

A expressão de corpos queer e desviantes é um eixo fundamental de seu trabalho, tensionando normas de identidade e autenticidade. Ao trazer essas corporalidades para o centro de sua produção, a artista desafia estereótipos historicamente associados ao sertão, ressignificando-o como espaço múltiplo, diverso e pulsante.

As obras apresentadas funcionam como portais para reflexões contemporâneas sobre existência, resistência e transformação. A arte de Rafael Chavez celebra as complexidades da vida sertaneja e da experiência humana em toda sua diversidade, convertendo-as em uma euforia vibrante que convoca o público a repensar limites, normatividades e leituras hegemônicas sobre o Nordeste.

A exposição reafirma a relevância de Chavez como uma das vozes mais instigantes da produção artística contemporânea surgida do sertão paraibano, revelando camadas de um território rico, ancestral e profundamente atual. O conjunto configura um jardim ardente, no qual paisagem, cor e calor se condensam em corpos de intensidade.

Assim define Arcela: cinco pontas flamejantes de uma estrela apresentam um trabalho que não separa cosmologia, território e técnica, no qual a arte se afirma como prática material e sensível de ligação entre o humano, o telúrico e o cósmico. 

SERVIÇO

Jardim Flamejante – Rafael Chaves

Texto crítico: Walter Arcela

Abertura: 24 de janeiro de 2026 |14h às 18h

Período da exposição:24 de janeiro a 14 de março
Horário de funcionamento: de terça a sexta das 10h às 19h e sábado das 10h às 17h

Casa Triângulo

Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins – São Paulo

Telefone: (11) 3167-5621 | www.casatriangulo.com | info@casatriangulo.com

Entrada gratuita.

(Com Bernadete Druzian/A4&Holofote Comunicação)