Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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“Os Pescadores de Pérolas” estreia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no mês do aniversário

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Arte: Clara Marins.

Julho é um mês de festa no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No dia 14, um dos maiores e mais importantes equipamentos culturais do país comemora 116 anos. E, como de costume, a instituição está preparando uma variada programação gratuita para a população, incluindo o ensaio geral, às 19h, da ópera que não sobe ao palco da casa há duas décadas: “Os Pescadores de Pérolas”, de Georges Bizet, em homenagem aos 150 anos de falecimento do compositor. Com o Patrocínio Oficial Petrobras, a nova montagem vai contar com Coro e Orquestra Sinfônica do TMRJ, além de solistas renomados como Ludmilla Bauerfeldt, Michele Menezes, Carlos Ullán, Caio Duran, Vinícius Atique, Homero Velho, Murilo Neves e Leonardo Thieze. A Diretora Cênica Julianna Santos assina também a concepção do espetáculo. A Direção Musical e Regência ficam a cargo de Luiz Fernando Malheiro. A estreia da ópera será na quarta-feira, dia 16, às 19h. A temporada segue ainda nos dias 18 (sexta), 24 (quinta) e 26 (sábado), às 19h. No domingo, 20, será às 17h e no dia 22, às 14h, o Theatro vai abrir as portas para o Projeto Escola Arte Educação Petrobras.

Sinopse

Situada na ilha do Ceilão (atual Sri Lanka), a ópera conta uma história de renúncia e sacrifício, e da amizade entre dois homens, Nadir e Zurga, ameaçada pelo amor de ambos pela mesma mulher, uma sacerdotisa hindu, Leila, por sua vez dividida entre o seu amor por Nadir e seu voto de castidade. “Completar 116 anos é motivo de muita festa e, mais uma vez, vamos abrir as portas do Theatro Municipal, na segunda-feira, 14 de julho, com várias atrações gratuitas e para encerrar o dia, o ensaio geral de O Pescador de Pérolas, com Coro e Orquestra Sinfônica da casa e um elenco de grandes solistas. Imperdível. Esperamos vocês”, comemora Clara Paulino, presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Nos 150 anos de falecimento de Georges Bizet, trazemos Os Pescadores de Pérolas, título que há 20 anos não é apresentado ao público do TMRJ. É uma alegria trazer de volta obra tão bela à nossa temporada artística oficial”, diz Eric Herrero, diretor artístico da Fundação Teatro Municipal RJ.

Sobre Luiz Fernando Malheiro

Foto: Divulgação.

É um dos principais nomes da ópera no Brasil com mais de 60 títulos regidos. É diretor artístico e regente titular da Orquestra Amazonas Filarmônica e do Festival Amazonas de Ópera. Foi diretor artístico do Teatro São Pedro de São Paulo e diretor de Ópera no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Regeu as principais orquestras brasileiras e também no Festival de Ópera de La Coruña, Sinfônica de Miami, Sinfônica de Bari, Filarmônica Marchigiana, Ópera Nacional de Sófia, Sinfônica de Porto Rico e Teatro de Bellas Artes do México, entre outros. É o único brasileiro a ter regido integralmente O Anel do Nibelungo de Wagner.

Sobre Julianna Santos

É bacharel em Direção Teatral pela UFRJ e destaca-se como diretora cênica com ampla experiência em importantes casas e festivais de ópera no Brasil. Em 2025, dirigiu As Bodas de Fígaro de Mozart no renomado Theatro Amazonas, durante o 26º Festival Amazonas de Ópera. No ano anterior, comandou a montagem de Cinderela de Pauline Viardot no Theatro São Pedro, em São Paulo, e na versão itinerante em cidades do interior paulista, projeto que recebeu elogios da crítica especializada.

Foto: Stig de Lavor.

Em 2023, Julianna esteve à frente de produções relevantes como Carmen no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Cosi Fan Tutte no Theatro Municipal de São Paulo e a estreia mundial de O Machete de André Mehmari, consolidando sua presença nas principais temporadas líricas do país. Seu trabalho é reconhecido pela sensibilidade dramática e pela integração harmoniosa entre direção cênica e musical.

Entre seus destaques anteriores, figuram também a direção cênica de O Barbeiro de Sevilha (2022) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e a colaboração como assistente de direção em montagens de A Flauta Mágica e O Canto do Cisne. Além disso, em 2021, foi curadora da Mostra de Cinema Ópera Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte, e dirigiu produções online para a temporada Vozes Femininas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, demonstrando versatilidade em diferentes formatos de apresentação.

Elenco principal:

Nadir – Carlos Ullán – dias 14 (geral aberto/aniversário), 16, 20, 24 / Caio Duran – dias 18, 22, 26

Leila – Ludmilla Bauerfeldt – dias 14 (geral aberto/aniversário), 16, 20, 24 / Michele Menezes – dias 18, 22, 26

Zurga – Vinícius Atique – dias 14 (geral aberto/aniversário), 16, 20, 24 / Homero Velho – dias 18, 22, 26

Nourabad – Murilo Neves – dias 14 (geral aberto/aniversário), 16, 20, 24 / Leonardo Thieze – dias 18, 22, 26

Ficha Técnica:

Os Pescadores de Pérolas, Georges Bizet – 150 anos de morte

Coro e Orquestra do TMRJ

Cenografia e Figurinos: Desirée Bastos

Iluminação: Paulo Ornellas

Coreografia: Bruno Fernandes e Mateus Dutra

Concepção e Direção Cênica: Julianna Santos

Direção Musical e Regência: Luiz Fernando Malheiro

Direção Artística TMRJ: Eric Herrero

Presidente da Fundação Teatro Municipal: Clara Paulino

Serviço:

Datas: 14 de julho (aniversário do Theatro – programação gratuita); 16, 18, 24 e 26, às 19h/Dia 20, às 17h/Dia 22, às 14h (Projeto Escola)

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/n° – Centro

Duração: 1h45 + intervalo

Classificação: 12 anos

Ingressos:

Frisas e Camarotes – R$90 (ingresso individual)

Plateia e Balcão Nobre – R$80

Balcão Superior e Lateral – R$50

Galeria Central e Lateral– R$20

Ingressos através do site www.theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro

Antes de cada espetáculo, haverá uma palestra gratuita sobre a obra e suas curiosidades com a presença de um intérprete de libras.

Patrocinador Oficial Petrobras

Apoio: Livraria da Travessa, Rádio MEC, Rádio Paradiso Rio, Rádio Roquette Pinto – 94.1 FM Realização Institucional: Associação dos Amigos do Teatro Municipal, Fundação Teatro Municipal, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Governo do Estado do Rio de Janeiro.

(Com Claudia Tisato/Assessoria de imprensa TMRJ)

Concertos intimistas celebram música autoral e vozes femininas de renome mundial no Theatro São Pedro

São Paulo, por Kleber Patricio

Gole Seco. Fotos: Divulgação.

A temporada de música de câmara do Theatro São Pedro traz ao público uma série de concertos intimistas com apresentações de artistas brasileiros convidados. A próxima edição do projeto, que oferece a possibilidade de assistir aos espetáculos dentro do palco, bem próximo aos artistas, contempla os programas Ella’s e Experenciais, nos dias 12 e 13 de julho, respectivamente, sempre às 17h. Os ingressos custam de R$ 36 (meia-entrada) a R$ 72 (inteira).

No espetáculo Ella’s, que acontece no sábado (12), músicas emblematizadas nas vozes de Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Nina Simone, Etta James e Whitney Houston serão interpretadas pela mezzo-soprano Juliana Taino acompanhada do pianista Ogair Júnior. Com composições que atravessaram gerações e marcaram épocas, o repertório inclui desde o jazz sofisticado até a soul music.

Juliana Taino.

No domingo, 13, o programa Experenciais contará com a presença do grupo vocal Gole Seco, composto por quatro mulheres paulistanas, cantoras e compositoras: Loreta Colucci, Claudia Dantas, Giu de Castro e Nathalie Alvim. O grupo explora e amplia os recursos da voz através de arranjos vocais de canções autorais das próprias participantes, que terão destaque no concerto, além de obras de Baden Powell, Vinícius de Moraes e Jards Macalé.

 

TEMPORADA DE MÚSICA DE CÂMARA – ALÉM DO PALCO  

Ella’s

Juliana Taino, mezzo soprano

Ogair Junior, piano

ELLA FITZGERALD (1917 – 1996)

COLE PORTER (1891-1964)

You’re the top

HOAGY CARMICHAEL (1899-1981) / NED WASHINGTON (1901-1976)

The Nearness of you

GEORGE DAVID WEISS (1921-2010) / GEORGE SHEARING (1919-2011)

Lullaby of Birdland

SARA VAUGHAN (1924-1990)

JOHNNY MERCER (1909-1976) / HENRY MANCINI (1924-1994)

Moon River

STEPHEN SONDHEIM (1930-2021)

Send in the Clowns

NINA SIMONE (1933-2003)

DUBOSE HEYWARD (1885-1940) / GEORGE GERSHWIN (1898-1937) / IRA GERSHWIN (1896-1983)

I Loves You Porgy

DUBOSE HEYWARD (1885-1940) / GEORGE GERSHWIN (1898-1937) / IRA GERSHWIN (1896-1983)

Strewberry Woman

ANTHONY NEWLEY (1931-1999) / LESLIE BRICUSSE (1931-2021)

Feeling Good

NINA SIMONE (1933-2003) / WARING CUNEY (1906-1976)

Images

ETTA JAMES (1938-2012)

BERRY GORDY, JR. (1929 -) / BILLY DAVIS (1938 -) / GWEN FUQUA (1927-1999)

All I could do was cry

HARRY WARREN (1893-1981) / MACK GORDON (1904-1959)

At last

ERROLL GARNER (1921-1977)

Misty

WHITNEY HOUSTON (1963-2012)

MICHAEL MASSER (1941-2015) / LINDA CREED (1948-1986)

Greatest love of all

Concerto: 12 de julho, 17h

Local: Theatro São Pedro (Rua Barra Funda, 171 – São Paulo/SP)

Classificação etária: Livre

Ingressos: R$ 36 (meia-entrada) a R$ 72 (inteira), aqui

Gole Seco: Experenciais

Gole Seco

LORETA COLUCCI

Sal

NATHALIE ALVIM

Azul Salgado

GIU DE CASTRO

Distante amor

[poema de Goethe]

JOAQUIN RODRIGO

Pastorcito santo

NIWA

Cometa

GIU DE CASTRO

Oxigênio Infinito

GIU DE CASTRO

Noite Passada, Uma Coruja Pousou Em Meu Parapeito e Disse

LILA DOWNS / JUAN DE DIOS ORTÍZ CRUZ

Yunu Yucu Ninu

LORETA COLUCCI

Pega Que é Teu

JARDS MACAL

É Soluços

NATHALIE ALVIM

Don Juan

JULIANA LINHARES / CAIO RISCADO

Armadilha

LORETA COLUCCI

Lambe

NIWA

Me chamou feia

BADEN POWELL / VINICIUS DE MORAES

Deixa

LORETA COLUCCI / JADSA

Gole seco

Concerto: 13 de julho, 17h

Local: Theatro São Pedro (Rua Barra Funda, 171 – São Paulo/SP)

Classificação etária: Livre

Ingressos: R$ 36 (meia-entrada) a R$ 72 (inteira), aqui

JULIANA TAINO

Juliana Taino, mezzo-soprano, é graduada em música pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (SP) e pós-graduada em performance pela Alpha-FACEC. Fez parte das primeiras turmas do Opera Studio do TMSP e da Academia de ópera do Theatro São Pedro. Foi vencedora do Concurso Jovens Solistas da Fundação Clóvis Salgado, do Concurso de Canto Maria Callas, do Concurso de Canto Linus Lerner e da Academia de Ópera de Florença para estudar por um período.

OGAIR JÚNIOR

Ogair Júnior.

Ogair Júnior é maestro, pianista, arranjador e diretor musical com trajetória marcada pela excelência, cria:vidade e compromisso com a música brasileira. Professor da Fundação das Artes de São Caetano do Sul (FASCS), onde leciona Piano Popular e Prá:ca de Conjunto, é também o regente da Big Band Salada Mista, projeto que dirige desde 2014 e que se tornou um dos símbolos culturais do município.

GOLE SECO

Gole Seco é um grupo vocal composto por quatro mulheres paulistanas, cantoras e compositoras: Loreta Colucci, Claudia Dantas, Giu de Castro e Nathalie Alvim. Somando as singularidades existentes em cada uma dessas histórias dentro da música, o grupo vocal nasceu. Gole Seco explora e amplia os recursos da voz através de arranjos vocais de canções autorais das próprias participantes. A partir dessa intenção, o grupo traz arranjos com qualidades sonoras para além dos elementos da construção musical convencional e de grupos vocais tradicionais (harmonia, ritmo, melodia). A concepção dos arranjos passa por um caminho de experimentação com aspectos diversos, que se somam na percepção do caráter emotivo das canções como: timbres, dinâmicas, tessitura, texturas, amplitudes timbrísticas. Assim uma atmosfera contemporânea é formada por essa sonoridade que se estende para experienciar a apresentação ao vivo desse trabalho, envolvendo outras facetas da expressividade dessas vozes/corpos. O lúdico presente nas performances também se expressa em momentos de improviso e regência.

THEATRO SÃO PEDRO

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Exposição sobre a cultura Guarani Mbyá é inaugurada em Paranaguá

Paranaguá, por Kleber Patricio

Evento contou com a presença de comunidades indígenas do litoral. Fotos: Divulgação.

No último dia 2 de julho foi inaugurada oficialmente em Paranaguá a exposição “Mbyá Rekó Arandu: A cultura Guarani Mbyá do Litoral Paranaense”, que reforça os vínculos históricos e culturais da cidade com os povos originários do litoral paranaense. A mostra está em cartaz no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE/UFPR) e é uma realização da TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, em parceria com o MAE/UFPR, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental.

A cerimônia de abertura reuniu cerca de 40 pessoas, entre representantes das aldeias Guarani Mbyá, autoridades municipais e convidados. O destaque da programação foi a apresentação do Coral Guarani da Aldeia Araçaí, de Piraquara, que emocionou o público com cantos e danças tradicionais. Houve ainda uma palestra de abertura e visita guiada pelos ambientes da exposição.

A curadoria da exposição foi conduzida ao longo de 2024 por meio de encontros entre representantes das aldeias, técnicos da Acquaplan e equipes do MAE/UFPR. Juntos, definiram as temáticas, os objetos e materiais da exposição, orientando a construção da mostra a partir das próprias memórias e perspectivas Guarani. “Desde o início, nosso objetivo foi apoiar um projeto que refletisse os valores e as escolhas das próprias comunidades Guarani Mbyá. Mais do que uma ação cultural, essa exposição representa o fortalecimento de vínculos, o reconhecimento da diversidade e o respeito aos modos de vida que moldam a identidade do litoral paranaense”, afirma Kayo Zaiats, gerente de Meio Ambiente da TCP.

“Para o MAE-UFPR, essa exposição reafirma o papel do museu como espaço de escuta, mediação e visibilidade para as narrativas indígenas. Foi um processo cuidadoso, que levou em conta os tempos das comunidades e a escuta ativa de suas lideranças. O resultado é uma mostra construída com respeito, que oferece ao visitante uma experiência rica sobre os saberes tradicionais dos povos originários do nosso estado”, destacou o diretor em exercício do museu, o Arqueólogo Sady Pereira do Carmo Junior.

Vozes indígenas no centro: um olhar profundo sobre a cultura Guarani Mbyá

A exposição representa seis aldeias do litoral paranaense: Araçaí (Piraquara), Karaguatá Poty e Guaviraty (Pontal do Paraná), Pindoty (Paranaguá), Kuaray Haxá (Morretes) e Kuaray Guata Porã (Guaraqueçaba). Ao visitar o espaço, o público pode conhecer — pela ótica de pesquisadores indígenas — os vínculos entre espiritualidade, língua e território, bem como formas de organização social e estratégias de preservação dos modos de vida tradicionais. “Essa exposição é muito importante porque mostra que os jovens das aldeias também estão ocupando espaços de diálogo e construção. A gente trabalha para fortalecer a cultura dentro da comunidade, mas também para que ela seja respeitada fora dela. É uma oportunidade de mostrar que os conhecimentos do nosso povo são atuais, vivos e têm muito a ensinar”, explicou Edenilson Moraes Florentino, pesquisador da Aldeia Guaviraty.

Ao todo, a exposição reúne 28 fotografias, três vídeos inéditos e cerca de 12 objetos cerimoniais, como o Petynguá (cachimbo), Takuapu (bambu), Mbaraká (violão), Mbaraká Mirim (chocalho) e o Angu’apu (tambor). Os conteúdos abordam elementos centrais da cultura Guarani, como o território sagrado (Yvy Rupá), a casa de reza (Opy), o ritual de batismo (Nhemongaraí), os guardas espirituais (Xondaro), a língua Guarani e os lugares sagrados (Tava). A exposição segue aberta e com visitação gratuita de terça a domingo, das 8h às 20h, no MAE/UFPR, localizado na Rua XV de Novembro, 575 – Centro Histórico de Paranaguá.

(Com Thaiany Osório/203 Comunicação)

Cultura de fumo contamina água e agricultores em SC, aponta estudo

Chapadão do Lageado, por Kleber Patricio

Agricultor aplica pesticida sem uso adequado de equipamentos de proteção individual em lavoura de tabaco. Foto: Giane Müller.

Um estudo realizado em Chapadão do Lageado, no interior de Santa Catarina, revela que o cultivo do tabaco expõe agricultores e recursos hídricos à contaminação por pesticidas. O artigo, publicado na revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, investigou a presença de resíduos de agroquímicos usados na fumicultura em rios e poços da região, além da ocorrência da doença da folha verde do tabaco (DFVT) e de sintomas de intoxicação por agrotóxicos entre os produtores.

Com a autoria de pesquisadoras da Universidade Regional de Blumenau (Furb), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas da Argentina (Conicet), o trabalho foi motivado após uma das autoras, Giane Carla Kopper Müller, doutora em engenharia ambiental pela Furb e proprietária de áreas rurais em Chapadão do Lageado, identificar a presença de agroquímicos em águas de suas terras. “Fiquei intrigada, pois as fontes são protegidas, rodeadas por vegetação e distantes, cerca de 500 metros, de lavouras. Quis entender qual seria a origem dessa contaminação.”

A metodologia combinou entrevistas com 107 pessoas, representando 42% dos fumicultores da região (258). Já a análise da água foi feita a partir de 36 amostras coletadas em seis pontos dos três principais rios do município — Rio do Meio, Rio Figueiredo e Rio Lageado — sendo três pontos a montante (antes das áreas de cultivo, no sentido contrário ao fluxo do rio) e três a jusante (depois das áreas de cultivo, acompanhando o fluxo da água). Também foram analisadas seis amostras de poços, localizados próximos aos pontos de coleta dos rios e utilizados para consumo humano, durante três fases da safra de 2019. As amostras passaram por filtragem e análise em laboratório com uso de cromatografia líquida e espectrometria de massa, e foram testadas para 14 dos pesticidas mais citados pelos fumicultores.

As entrevistas revelaram um cenário de intensa exposição ocupacional. A maioria dos fumicultores trabalha em pequenas propriedades, com o tabaco como principal fonte de renda (85%), e dedica mais de 75% do tempo familiar à atividade. Crianças e idosos também participam da colheita. Dos produtores entrevistados, 91,6% relataram sintomas relacionados à DFVT e 19,6% relataram sintomas relacionados ao manuseio de pesticidas.

Segundo o artigo, os riscos de exposição dos agricultores são potencializados por uso incorreto ou parcial dos equipamentos de proteção individual (EPI), falhas no descarte e descontaminação de vestuários, embalagens e equipamentos utilizados no preparo e aplicação dos agroquímicos. Apesar de 99% dos entrevistados reconhecerem a importância dos EPI, apenas metade afirma sempre usá-los ao manusear pesticidas, o que aumenta os riscos de intoxicação. Apenas 13% afirmam ser necessário usar EPIs para evitar a intoxicação, DFVT ou popular “porre do fumo”, devido à exposição à nicotina.

“Não se pode restringir o risco de contaminação apenas ao momento da aplicação direta do agrotóxico na lavoura. É preciso considerar também as embalagens usadas, as roupas de proteção, os utensílios e os resíduos presentes no ambiente agrícola. Mesmo após o uso, esses materiais ainda retêm partículas tóxicas, que podem ser dispersas pela água da chuva ou pelo manuseio inadequado, ampliando a exposição de trabalhadores e o risco de contaminação ambiental”, explica Lorena Benathar Ballod Tavares, professora do programa de pós-graduação em engenharia ambiental da Furb e coautora do artigo. Além disso, a proximidade entre as plantações comerciais e os alimentos cultivados para o consumo da própria família, como aipim, feijão e frutas, aumenta a exposição.

A análise da água detectou resíduos de pesticidas em 18 das 36 amostras, sendo a maioria em rios próximos às lavouras. Princípios ativos como sulfentrazone, imidacloprid e thiamethoxam foram identificados em concentrações que superam o limite individual máximo de 100 nanogramas por litro, estabelecido pela União Europeia para água potável. No Brasil, não há parâmetros de potabilidade definidos para os ingredientes ativos testados. Quatro de seis poços analisados estavam contaminados; as fontes de água testadas são usadas para consumo humano, irrigação e piscicultura.

Para as autoras do estudo, os resultados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à educação sobre riscos ocupacionais e ambientais no cultivo de tabaco.  Para a pesquisadora Maria Pilar Serbent, do Conicet, são necessários investimentos em soluções que reduzam essa exposição dos agricultores, como modelos de produção orgânica. “Eles plantam tabaco e usam agrotóxicos porque é a única forma de garantir a subsistência da família”, defende Müller. “São dependentes dessa forma de produção e não têm os recursos, subsídios, investimentos e nem acesso à expertise para buscar meios menos prejudiciais ao meio ambiente e à própria saúde.” O estudo também sugere que a fiscalização ambiental e o monitoramento da qualidade da água sejam intensificados em regiões de monocultura.

(Fonte: Agência Bori)

Indaiatuba lança Cardápio Social na 14ª Conferência Municipal de Assistência Social

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

Nos dias 3 e 4 de julho foi realizada a 14ª Conferência Municipal de Assistência Social de Indaiatuba com o tema “20 anos do SUAS: construção, proteção social e resistência”. A conferência foi promovida pelo Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), em parceria com a Prefeitura de Indaiatuba, por meio da Secretaria de Assistência Social. O evento reuniu representantes do poder público, organizações da sociedade civil, trabalhadores do setor e usuários do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

A Conferência proporcionou momentos de reflexão e diálogo sobre os avanços e desafios enfrentados pela política de assistência social, além de oportunizar a construção coletiva de propostas que serão encaminhadas às etapas estadual e nacional. A programação incluiu palestras, apresentações culturais e grupos de trabalho temáticos.

O destaque da edição foi o lançamento do Cardápio Social, material produzido pela Secretaria Municipal de Assistência Social e apresentado durante a Conferência. A publicação, neste primeiro momento em versão impressa, reúne informações detalhadas sobre os serviços, projetos e programas oferecidos pela rede socioassistencial do município, além de endereços e formas de contato de cada setor.

A iniciativa tem como objetivo facilitar o acesso da população em situação de vulnerabilidade às informações sobre os serviços disponíveis, considerando que grande parte desse público não possui acesso a recursos digitais. Futuramente, a proposta é que a cartilha também seja disponibilizada em versão online.

Desde maio, foram realizados dez encontros preparatórios pré-conferenciais, envolvendo diferentes públicos do município, como idosos, jovens, mulheres e pessoas com deficiência. Esses encontros fortaleceram a mobilização social e garantiram a participação popular no debate e na formulação de propostas.

A ampla participação da comunidade, dos usuários e das entidades socioassistenciais reafirmou o compromisso de Indaiatuba com a gestão participativa e o fortalecimento das políticas públicas de proteção social.

(Com Sirlene Virgílio Bueno/Secom/Prefeitura de Indaiatuba)