Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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MAC RS anuncia novo ciclo de exposições na Casa de Cultura Mario Quintana

Porto Alegre, por Kleber Patricio

Casa de Cultura Mario Quintana. Foto: Andressa Moreira/Arquivo.

As Galerias Sotero Cosme, Augusto Meyer e Virgilio Calegari, na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), se preparam para receber novas exposições a partir de 24 de junho, marcando a retomada das atividades nos espaços após a Bienal do Mercosul. O ciclo de atividades reforça a atuação do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS) na CCMQ, um espaço que tem sido a casa do MAC RS desde sua fundação, em 1992. Ambas instituições são da Secretaria da Cultura do Estado (Sedac).

Para abrir a agenda promovida pelo setor educativo do Museu, uma mediação coletiva pelas três exposições vai possibilitar um momento de reflexão e compartilhamento de sentidos entre artistas, curadores, educadores e visitantes. São elas “Hecho a Mano – Desenhos Esculturas de Patricio Farías”, “Diálogos Contínuos: temporalidades do HIV/aids” e “Lá embaixo era um outro mundo”.

Rogério Nazari – Cover Boy, 1984, Acervo MACRS 4 – Sebastián.

A mediação no dia da abertura começará às 17h no 7º andar da CCMQ, na Fotogaleria Virgílio Calegari, seguirá para a Galeria Sotero Cosme, no 6º andar, e finalizará no 3º andar, na Galeria Augusto Meyer. Logo após, as mostras estarão abertas à visitação. A entrada é gratuita.

O programa de exposições foi elaborado a partir da Chamada Aberta para projetos expositivos, com a seleção realizada pelo Comitê de Acervo e Curadoria do Museu. Este processo segue as políticas já estabelecidas, garantindo uma programação diversificada e de qualidade.

Além do ciclo de atividades que estreia no dia 24 de junho, o MAC RS continuará a desenvolver projetos como o “Acervo em Foco”, que contará com quatro edições ao longo do ano. A instituição também receberá propostas selecionadas por meio dos editais de fomento do Rio Grande do Sul, através do PNAB Artes Visuais, reforçando seu compromisso com a promoção da arte e da cultura na região.

O MAC RS também se prepara para a abertura de sua nova sede no 4º distrito, prevista para a primeira quinzena de agosto.

Sobre as exposições:

Patricio Farías – Sem Título. Foto: Acervo MAC RS.

Hecho a Mano: Desenhos Esculturas de Patricio Farías, que ocupará a Fotogaleria Virgílio Calegari, integra o projeto Acervo em Foco, iniciativa do MAC RS voltada à democratização do acesso ao seu patrimônio artístico, destacando obras e trajetórias de artistas que compõem o acervo institucional. Chileno radicado no Brasil, Patricio Farías tem seu trabalho marcado pela relação íntima entre desenho e escultura.

A exposição evidencia como essas duas linguagens dialogam em sua produção, revelando elementos que extrapolam a materialidade das obras e introduzem aspectos de projeto, mistério e até mesmo humor. Com curadoria de Gabriela Motta, a mostra valoriza tanto a habilidade técnica quanto a dimensão simbólica da produção do artista, propondo um olhar sobre a trajetória pessoal de Farías, exilado do Chile em 1979 durante a ditadura militar.

Esta edição do programa Acervo em Foco propõe reflexões sobre deslocamento, pertencimento e os limites das definições rígidas – seja de nacionalidade, linguagem artística ou conceito. Com leveza e ironia, as obras de Patricio Farías também lançam um olhar crítico sobre o mundo contemporâneo e seus paradoxos.

Diálogos Contínuos: temporalidades do HIV/Aids, que inaugura na Galeria

Lambe com documentação da exposição Arte Contra AIDS (1994, MACRS). Autoria: Camila Couto, Milton Ricardo e Ricardo Ayres.

Sotero Cosme (6º andar da CCMQ), é uma exposição que aborda a relação entre o HIV/Aids e a arte contemporânea, entendendo as mudanças sobre a enfermidade ao longo do tempo e suas diferentes manifestações na visualidade. Com curadoria de Ricardo Ayres e João Eduardo Freitas, e produção executiva de Sebastián Inostroza, a mostra reúne 13 artistas brasileiros e diferentes linguagens artísticas.

O projeto procura dialogar com a exposição “Arte Contra Aids”, realizada em 1994 no MAC RS, com curadoria de Edilson Viriato e Paulo Gomes, partindo do reconhecimento da importância desta pioneira exposição no contexto brasileiro, sendo uma das primeiras mostras institucionais a abordar a temática do HIV/Aids em um momento em que o estigma e o preconceito eram ainda mais intensos. A presença de artistas que participaram da exposição original, como Elida Tessler, Edilson Viriato, Leopoldo Plentz, Jailton Moreira e Vicente de Mello, reafirma esse diálogo com a história do Museu. Da mesma forma, os trabalhos de Vagner Dotto, Rogério Nazari e Mário Röhnelt, pertencentes ao acervo da instituição, ampliam a compreensão dos anos iniciais da epidemia e do zeitgeist daquela época. Por fim, a participação de Micaela Cyrino, Hiura Fernandes, Lírio Nascimento, Matheus Montanari e Fredericco Restori dialoga com o impacto da enfermidade no presente e a contemporaneidade da enfermidade, entendida como uma condição crônica tratável, mas ainda bastante estigmatizada.

Lá embaixo era um outro mundo. Foto: Anna Ortega.

Lá embaixo era um outro mundo, na Galeria Augusto Meyer (3º andar da CCMQ), ganha reedição no MAC RS, abordando a mineração na região carbonífera do Rio Grande do Sul. A mostra, com curadoria de Taís Cardoso, exibe obras dos artistas Isabel Ramil e Marco Antonio Filho desenvolvidas na residência artística Subsolo, realizada em 2023, no Museu Estadual do Carvão, em Arroio dos Ratos. Originalmente pensadas para serem expostas no Museu do Carvão, as obras refletem sobre os impactos sociais e ambientais da mineração de carvão na região do Baixo Jacuí.

Enquanto Marco Antonio desenvolveu trabalhos dedicados a repensar a figura do mineiro, Isabel apresenta obras que tensionam ícones da região. A exposição, resultado da residência realizada no Museu do Carvão, foi inaugurada em abril de 2024 e contou também com a participação da artista Maria Helena Bernardes, que há vinte anos havia desenvolvido a obra Vaga em campo de rejeito, na mesma região. O projeto foi realizado através da investigação dos arquivos históricos disponíveis no Museu do Carvão, bem como das imediações da cidade de Arroio dos Ratos e arredores, incluindo a visita à Copelmi, mineradora que segue em atividade a céu aberto.

Sobre a Mediação Coletiva Conversas de Casa

Conversas de Casa é uma iniciativa voltada a aproximar os públicos dos artistas, curadores, produtores, educadores e demais agentes culturais envolvidos nas exposições em cartaz. O programa tem como objetivo criar um espaço de troca e reflexão sobre os bastidores das mostras, abordando critérios curatoriais, expografia e processos de criação.

Para marcar a abertura simultânea das exposições Diálogos Contínuos: Temporalidades do HIV/Aids, Lá embaixo era um outro mundo e Hecho a Mano – Desenhos Esculturas, o MAC RS propõe um novo formato para o encontro. Em vez de concentrar a conversa em uma única sala, os participantes serão convidados a integrar uma mediação coletiva pelas três exposições, promovendo um momento de escuta, diálogo crítico e compartilhamento de sentidos. A proposta amplia o alcance do Conversas de Casa como um dispositivo de mediação cultural, fortalecendo o vínculo entre o museu e a comunidade, e estimulando a construção coletiva de conhecimento a partir da arte contemporânea.

Serviço:

Mediação Coletiva – Conversas de Casa

Horário: 17h

Ponto de Encontro: Fotogaleria Virgílio Calegari, 7º andar da CCMQ (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre / RS)

Hecho A Mano: Desenhos E Esculturas De Patrício Farias – Acervo Em Foco

Local: Fotogaleria Virgílio Calegari, 7º andar da CCMQ

Horário: 18h

Visitação: De 24 de junho a 10 de agosto. De terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Artista: Patricio Farías

Curadoria: Gabriela Motta

Diálogos Contínuos – Temporalidades Do Hiv/Aids

Local: Galeria Sotero Cosme, 6º andar da CCMQ

Horário: 18h

Visitação: De 24 de junho a 10 de agosto. De terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Artistas: Jailton Moreira, Elida Tessler, Leopoldo Plentz, Edilson Viriato, Vicente de Mello, Mário Rohnelt, Rogério Nazari, Vagner Dotto e Matheus Montanari

Curadoria: Ricardo Ayres e João Eduardo Freitas

Produção Executiva: Sebastián Inostroza.

Lá embaixo era outro mundo

Local: Galeria Augusto Meyer, 3º andar da CCMQ

Horário: 18h

Visitação: De 24 de junho a 24 de agosto. De terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Artistas: Isabel Ramil, Marco Antônio Filho e Maria Helena Bernardes

Curadoria: Taís Cardoso

Entrada gratuita

macrs.rs.gov.br | @macrs.oficial.

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)

Espetáculo “Esgotamento contínuo” leva Gumboot dance ao Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Samira Marana em “Esgotamento Contínuo”. Foto: Eletrikaphoto.

Nos dias 25 e 26 de junho, quarta e quinta, às 19h, o Sesc 24 de Maio recebe o espetáculo “Esgotamento Contínuo”, solo da artista Samira Marana que aproxima a técnica da gumboot dance e o contexto da mineração e siderurgia no Brasil. A obra propõe uma reflexão sobre os impactos socioeconômicos e ambientais da atividade mineradora, evocando tanto a exaustão física dos corpos quanto o esgotamento simbólico e político diante da atual crise ambiental global.

O título Esgotamento Contínuo faz referência ao processo industrial de lingotamento contínuo — etapa na transformação do minério de ferro em aço — e propõe um paralelo entre essa imagem e o cansaço persistente vivido por comunidades impactadas pela mineração. Criada no fim do século XIX, em ambientes subterrâneos, insalubres e repressivos, a gumboot dance surgiu como forma de comunicação entre trabalhadores proibidos de falar. Mineradores de diferentes regiões, culturas e idiomas desenvolveram uma linguagem corporal e sonora para se expressar e resistir dentro de um sistema de trabalho precário e exploratório.

No espetáculo, Samira funde a expressividade da gumboot dance com elementos da cultura brasileira, como a flauta pífano e referências ao samba. A composição multidisciplinar une dança, música, poesia, texto e vozes de lideranças políticas brasileiras em uma trilha sonora desenvolvida em parceria com o músico Guto Souza. O espetáculo aborda temas como exploração ambiental, preservação dos territórios indígenas e a luta por direitos trabalhistas.

Sobre a artista

Samira Marana é dançarina, pesquisadora e professora paulista nascida em 1986, criada em Valinhos (SP). Iniciou sua trajetória artística aos 6 anos, pela música, na escola pública. É graduada em Dança pela Unicamp e integrou a Companhia Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, onde teve seus primeiros contatos com a gumboot dance e as danças clássicas indianas. Desde 2017, estuda a dança Mohiniattam com a mestra indiana Mandakini Trivedi.

Foi integrante do grupo Gumboot Dance Brasil (2013–2021) e tem seu trabalho reconhecido também na África do Sul, onde apresentou Esgotamento Contínuo em espaços como o Wits Main Theatre (Universidade de Witwatersrand) e a Universidade de Joanesburgo. Samira também lecionou em instituições como a Pretoria Boys High School e se tornou a primeira mulher a ensinar a linguagem e apresentar um solo de gumboot dance no país.

Ficha técnica

Concepção, criação e interpretação: Samira Marana

Trilha sonora: Samira Marana e Guto Souza

Produção, técnico e operador de som: Guto Souza

Paisagens sonoras, samplers/mpc, pífano e violão: Guto Souza

Pífano e flauta transversal: Samira Marana

Vozes em off: Nomthandazo Shangase, Thandi Mseleku, Thabiso Setlhatlole (África do Sul), Peace Madimutsa (Zimbábue), Guto Souza e Samira Marana

Textos: “Lira Itabirana” – Carlos Drummond de Andrade; “Bisneta do Ventre Livre” – Eva Irene Correa Martins

Assista: Youtube – Esgotamento Contínuo TEASER.

Serviço:

Esgotamento contínuo, com Samira Marana

Datas: 25 e 26/6, quarta e quinta, às 19h.

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (350 metros da estação República do metrô) – Tecnologias e Artes (4º andar)

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 17/6 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 18/6 – R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc).

Classificação: 12 anos

Duração: 40 minutos

Acompanhe nas redes:

facebook.com/sesc24demaio

instagram.com/sesc24demaio

sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)

OCAM convida Anelis Assumpção e Orquestra Sinfônica Heliópolis para celebração de três décadas de sua história

São Paulo, por Kleber Patricio

Maestro Ricardo Bologna, que dirige a orquestra há um ano, celebra os 30 anos da Orquestra de Câmara da ECA/USP. Foto: Cecilia Gidali/ Divulgação OCAM.

Durante o mês de junho, a Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM) inicia oficialmente as celebrações de suas três décadas de dedicação à arte, à educação e à música. O primeiro concerto da Série Eventos Especiais – OCAM 30 anos terá o encontro inédito da OCAM com a Orquestra Sinfônica Heliópolis (OSH) e a cantora Anelis Assumpção em uma homenagem ao ícone da música negra Itamar Assumpção. Este concerto também será a abertura das comemorações dos 60 Anos da ECA – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Sob a regência dos maestros Ricardo Bologna (diretor da OCAM) e Edilson Ventureli, diretor da Sinfônica Heliópolis, as duas orquestras vão dividir o palco do Auditório do Centro de Difusão Internacional da USP no dia 27 de junho às 12h. A OSH será a primeira orquestra sinfônica de favela a se apresentar dentro da Universidade de São Paulo. O grupo instrumental é o mais avançado do Baccarelli e tem como regente titular o maestro Isaac Karabtchevsky. Já se apresentou em palcos de destaque no Brasil e no mundo, como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Gasteig em Munique e o Muziekgebouw em Amsterdã, além de participar de eventos renomados, como o Festival Beethoven em Bonn e o Rock in Rio.

“É uma grande honra poder dividir o palco com a Orquestra Sinfônica Heliópolis em um momento de grande celebração. Nesses 30 anos de história, prezamos por oferecer uma programação rica em colaborações e inovação, trazendo convidados que enriquecem a experiência da OCAM, tanto para nossos instrumentistas quanto para o público e, agora, com muita alegria recebemos a OSH e a cantora Anelis Assumpção para a homenagem a Itamar, que foi seu pai”, diz o regente e diretor da orquestra Ricardo Bologna.

O programa do dia 27 se inicia com Nhanderú, da compositora brasileira Clarice Assad. A peça é uma abertura orquestral inspirada em rituais indígenas de invocação da chuva na região amazônica. Seguindo com grandes obras da música de concerto do Brasil, as orquestras interpretam Suíte Brasileira, composta em 1890 por Alexandre Levy, considerado um dos precursores do nacionalismo musical no Brasil. O concerto prossegue com Encantamento, do compositor Camargo Guarnieri, um dos autores brasileiros mais interpretados no exterior. Guarnieri teve seu estilo muito influenciado pela Semana de Arte Moderna e possui mais de 700 obras compostas. Foi o primeiro diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), cargo que ocupou até sua morte, em 1993.

Após a viagem pela música de concerto brasileira, o público será levado para uma imersão na obra do cantor, compositor, escritor, instrumentista, ator, produtor e artista Itamar Assumpção. Sendo uma das grandes referências da cultura popular brasileira e independente, Itamar fez parte da chamada Vanguarda Paulista, ao lado de Arrigo Barnabé, Premê (Premeditando o Breque), Grupo Rumo e Pracianos, lideraram o movimento entre os anos de 1979 e 1985. O músico ganhou notoriedade por suas experimentações de ritmo e mistura de gêneros, com letras satíricas e críticas sociais, considerado um dos maiores poetas negros da cultura contemporânea.

Para dar voz às canções, a OCAM e a OSH recebem Anelis Assumpção, filha do grande homenageado do dia, que, já com trajetória consolidada na música, lançou quatro discos autorais. São eles: Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa (2011); Amigos Imaginários (2014), Taurina (2018), considerado o melhor disco e a melhor capa no Prêmio Multishow 2018; e Salw (2022), escolhido como a melhor produção musical do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Atualmente, Anelis também é diretora geral do Museu Itamar Assumpção, primeiro museu virtual de um artista negro brasileiro.

Os arranjos da obra de Itamar Assumpção para concerto foram produzidos por Jether Garotti. Serão nove canções interpretadas, incluindo grandes sucessos como Nego Dito, um hino da música negra, Isso Não Vai Ficar Assim e Nega Música. Ainda compõem o repertório as músicas Eldorado, Tetê Tentei, Fim de Festa, Eu Persigo São Paulo, Milágrimas e Tristeza não.

Em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa), o concerto Homenagem a Itamar Assumpção fará arrecadação de alimentos não perecíveis, agasalhos e cobertores.

Além da apresentação musical, o evento terá a participação da Feira Divas do Sol Heliópolis, criada em 2021 por mulheres empreendedoras da comunidade de Heliópolis e regiões periféricas, com os objetivos de gerar renda, promover o desenvolvimento econômico, cultural e político e ser um elo de sororidade e rede de apoio entre as mulheres e lgbtquia+, com estandes de exposição e venda de produtos. O Coletivo Opy Mirim da Aldeia Tekoa Pyau – Terra Indígena Jaraguá também participará com exposição de artesanato indígena.  A Editora da USP (Edusp) marcará presença com venda de livros.

Serviço:

Homenagem a Itamar Assumpção 

Regência: Ricardo Bologna

Regência: Edilson Ventureli

Canto: Anelis Assumpção

Obras de:

Clarice Assad – Nhanderú: Abertura para orquestra

Alexandre Levy – Suíte Brasileira

M. Camargo Guarnieri – Encantamento

Canções de Itamar Assumpção, em arranjos de Jether Garotti:

Eldorado (A. C. Tonelli)

Tetê Tentei (Itamar Assumpção)

Fim de Festa (Itamar Assumpção)

Eu Persigo São Paulo (Itamar Assumpção)

Nego Dito (Itamar Assumpção)

Nega Música (Itamar Assumpção)

Isso Não Vai Ficar Assim (Itamar Assumpção)

Milágrimas (Itamar Assumpção; Alice Ruiz)

Tristeza não (Itamar Assumpção; Alice Ruiz)

Série Eventos Especiais – OCAM 30 anos

Data: 27 de junho, sexta-feira

Horário: 12h00

Local: Auditório do Centro de Difusão Internacional da USP – Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Butantã, SP

Entrada gratuita / solidária Reserva de ingressos através do link

Doação de um quilo de alimento não perecível e/ou agasalhos e cobertores – Parceria Cufa

Capacidade: 820 pessoas

Como chegar:

Transporte Público

Metrô + Ônibus

Descer na estação Butantã da Linha 4 – Amarela do Metrô

Caminhar até o Terminal Butantã (ao lado da estação) e pegar o ônibus até a USP. Opções de linhas:

177H-10 (Cidade Universitária)

7411-10 (Cidade Universitária)

Ponto de referência: Prédio central da ECA

Trem + Ônibus

Descer na estação Cidade Universitária da Linha 9 – Esmeralda da CPTM

Caminhar até o ponto de ônibus da Rua Prof. Mello Moraes e pegar o ônibus até a USP. Opções de linhas:

8085-10 (Circular Usp Sentido P3)

Ponto de referência: Prédio Central da ECA

Carro

A USP oferece estacionamento gratuito.

Sobre a OCAM | A Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM), um dos principais organismos artísticos da Universidade de São Paulo, celebra 30 anos de trajetória, consolidando-se como uma referência fundamental entre as orquestras profissionalizantes do Brasil. Fundada em 1995 pelo maestro Olivier Toni, a OCAM é composta por alunos do Departamento de Música da USP e de cursos de extensão universitária. Sob a direção do maestro Gil Jardim, de 2001 a 2023 e, desde 2024, do maestro Ricardo Bologna, a orquestra tem se destacado no cenário musical brasileiro, sendo reconhecida pela sua qualidade e pela diversidade de seu repertório. Ao longo dessas três décadas, a OCAM já formou mais de 800 alunos bolsistas, contou com a participação de cerca de 1 mil convidados, entre maestros e solistas, e promoveu cerca de 300 masterclasses abertas à comunidade. Com aproximadamente 2 mil concertos realizados, a orquestra tem desempenhado um papel essencial na vida cultural da USP e na promoção da música no Brasil. Seu trabalho vai além da arte musical, trazendo à tona questões sociais, promovendo a inclusão e gerando reflexões sobre a música e sua função social. Desde 2021, após a pandemia, a orquestra já arrecadou nove toneladas de alimentos para comunidades em situação de insegurança alimentar.

(Fonte: Agência Lema)

MIS recebe trio de jazz para sonorizar ao vivo o filme “Cinzas e diamantes”

São Paulo, por Kleber Patricio

Os músicos Daniel Latorre, Piotr Krzemiński e Arek Skolik. Foto: Robert Wierzbicki/Divulgação.

A edição de junho do Cinematographo, programa mensal do MIS que apresenta longas-metragens com trilha sonora executada ao vivo, traz o filme polonês “Cinzas e diamantes”, de 1958. E para realizar a sonorização, o Museu recebe o The Special Trio, grupo de jazz formado pelo organista brasileiro Daniel Latorre e os poloneses Piotr Krzemiński (trompete) e Arek Skolik (bateria). A sessão acontece no dia 22, às 15h, e os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), podendo ser adquiridos pela plataforma Megapass (online) ou na bilheteria física do MIS.

Com nomes importantes do gênero, o trio de jazz formado em 2023 lançou seu disco de estreia, “You Know?”, em fevereiro deste ano e a apresentação no MIS integra a turnê que eles realizam pelo Brasil no mês de junho. Daniel Latorre é referência brasileira do órgão Hammond B3 e já colaborou com artistas como Caetano Veloso e Ed Motta. Já o baterista Arek Skolik tocou com nomes importantes do jazz mundial, como o saxofonista Lee Konitz. E o trompetista Piotr Krzemiński, por sua vez, foi premiado por dois anos como o Melhor Jazzista de Łódź, na Polônia.

No palco do Auditório MIS, eles sonorizam ao vivo “Cinzas e diamantes”, filme baseado no romance de 1948 do escritor polonês Jerzy Andrzejewski. O título vem de um poema do século 19 de Cyprian Norwid e se refere à maneira pela qual os diamantes são formados a partir de calor e pressão agindo sobre o carvão.

“Cinzas e diamantes”, filme polonês de 1958, ganha exibição com trilha sonora executada ao vivo no MIS. Foto: divulgação.

O longa, dirigido por Andrzej Wajda, começa no último dia da Segunda Guerra Mundial, com Maciek (Zbigniew Cybulski), ex-soldado do Armia Krajowa – Exército de Livre Resistência Polonesa — ao lado de alguns parceiros numa missão para assassinar Szczuka (Waclaw Zastrzezynski), líder comunista daquela região. A direção de Wajda se ancora desde cedo em uma oposição visual entre a figura aparentemente calma e meio apaixonada de Maciek com a de sua ação como assassino, uma linha que o roteiro baseado no livro de Jerzy Andrzejewski irá expandir, principalmente após Krystyna (Ewa Krzyzewska), uma garçonete por quem Maciek se apaixona, entrar em cena.

Sobre o Cinematographo | O Cinematographo é um programa mensal do MIS que resgata o clima das antigas sessões de cinema com um toque especial: em cada edição, músicos convidados criam uma trilha sonora ao vivo. É uma maneira diferente e envolvente de assistir aos filmes, com uma nova camada de som, que leva o público para dentro da história.

Serviço:

Cinematographo – Cinzas e diamantes

Data: 22.06, às 15h

Local: Auditório MIS (172 lugares)

Avenida Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo – SP

Ingresso: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis na plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS

Classificação: 12 anos

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com o apoio do ProAC. O MIS tem patrocínio institucional da B3, Vivo, Valid, Kapitalo Investimentos, Goldman Sachs, Sabesp e TozziniFreire Advogados e apoio institucional das empresas Unisys, Unipar, Grupo Comolatti, Colégio Albert Sabin, PWC, TCL SEMP, Telium e Kaspersky.

(Com Diego Andrade de Santana/Assessoria de Imprensa MIS)

Apesar da matriz energética renovável, Brasil está atrasado nas políticas para descarbonizar indústria do aço

Brasil, por Kleber Patricio

Tecnologias como fornos elétricos movidos a hidrogênio verde podem reduzir em até 90% a emissão dos fornos convencionais, baseados em carvão mineral. Foto: Francisco Fernandes/Unsplash.

A indústria do aço responde por cerca de 26% das emissões industriais e de 7 a 9% das emissões totais de dióxido de carbono no mundo. O Brasil, apesar de possuir uma matriz energética mais renovável que a de outros países, precisa de mudanças estruturais e políticas de incentivo para garantir a descarbonização do setor siderúrgico. É o que aponta levantamento inédito do projeto “Descarbonização e Política Industrial: Desafios para o Brasil” (DIP-BR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicado no último dia 15 de maio.

O autor do relatório, Germano Mendes de Paula, professor da Universidade Federal de Uberlândia, explica que as emissões de carbono dependem da rota tecnológica utilizada. Usinas integradas de alto-forno a coque, baseadas em carvão mineral, são responsáveis por 70% da produção de aço, gerando 2,32 toneladas de CO2 por tonelada de aço bruto. Em contrapartida, tecnologias como a redução direta com fornos elétricos a arco (DRI-EAF), movidos a hidrogênio verde, podem reduzir essa emissão em até 90%, chegando a 0,2 toneladas de CO2 por tonelada de aço bruto. No Brasil, o uso de carvão vegetal reflorestado e sucata de aço na cadeia produtiva já confere emissões menores (0,7 e 0,4 toneladas de COpor tonelada de aço bruto produzida, respectivamente).

Mendes de Paula ressalta, porém, que o alto-forno é uma tecnologia difícil de substituir em termos de custo, escala e qualidade de produção, o que torna a modernização lenta. O autor aponta outros desafios, como insumos alternativos caros, como o hidrogênio verde, e uma forte escassez de sucata para a reciclagem, especialmente em países emergentes, como o Brasil. “O perfil de consumo de aço do Brasil faz com que tenhamos pouca oferta de sucata. Carros que em outros países viram ‘lata-velha’ e viram insumos ainda estão rodando no Brasil, por exemplo”, contextualiza Mendes de Paula. “O Brasil também exporta muito aço, gerando sucata no estrangeiro”, completa.

O relatório também analisa iniciativas da União Europeia, Estados Unidos, Canadá, México, Japão, China e Índia, que figuram entre os maiores produtores de aço, para a descarbonização na cadeia produtiva do aço. Na comparação, o Brasil demonstra vantagem por contar com uma matriz energética mais renovável, mas peca na questão de incentivos financeiros e políticas públicas. Por exemplo, Mendes de Paula menciona o subsídio de 700 milhões de dólares que a JFE, a segunda maior indústria japonesa, recebeu para trocar o alto-forno pela a rota baseada em forno elétrico, à base de sucata.

No Brasil, apesar de iniciativas como o Programa BNDES Hidrogênio Verde e a recente Lei nº 14.948/2024, que estabelece o marco legal para a economia de baixo carbono, ainda faltam políticas mais robustas e subsídios diretos à descarbonização da siderurgia. O mercado siderúrgico brasileiro também cresce lentamente, o que limita a viabilidade de novos projetos sustentáveis, e o mercado regulado de carbono encontra-se relativamente atrasado.

No âmbito das estratégias tecnológicas, os esforços mais relevantes têm se concentrado na redução das emissões de gases de efeito estufa na matriz energética por meio de investimentos em energias eólica e solar. “Dadas as limitações, a indústria brasileira tem feito o dever de casa e acredito que o governo entenda a necessidade de investir em iniciativas de descarbonização. A dificuldade é tornar isso uma prioridade pública”, finaliza Mendes de Paula.

(Fonte: Agência Bori)