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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Pinacoteca de São Paulo celebra a poesia e a imagem da artista Neide Sá em mostra antológica

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Wilton Montenegro/Cortesia Galeria Superfície.

A Pinacoteca de São Paulo inaugura a exposição “Neide Sá: vida, doce mistério” nas três salas do segundo andar do edifício Pina Luz.

A mostra reúne um recorte significativo da produção da artista, evidenciando sua atuação como arte-educadora, a multiplicidade de linguagens e suportes de seu trabalho e também sua pesquisa de materiais. Essa trajetória responde a questões específicas de cada época: da novidade dos acrílicos, cores e formas de impressão entre os anos 1960 e 1970 ao retorno a narrativas sobre uma origem civilizatória no Brasil, que alcançava 500 anos de chegada dos portugueses na virada dos anos 1990 para os 2000.

As 97 obras em exposição abrangem o período de 1960 até os anos 2000, conectando o começo de carreira da artista a sua produção mais recente. Com curadoria de Lorraine Mendes, a mostra conta com uma sala com obras interativas, como “Momento” (1967), “Reflexível” (1977) e “Nós & nós” (2004). A curadoria deste espaço foi compartilhada com a Área de Ação Educativa da Pinacoteca de São Paulo. Ali, o público pode tocar, interagir e compor seus próprios poemas.

Outra obra icônica que será apresentada é “Ciclo infinito vida-morte” (1968-2010), objeto-poema que, como seu nome anuncia, atravessa o tempo somente para voltar e recomeçar. Dispositivo de leitura desenvolvido pela artista, trata-se de um cubo em acrílico com uma das faces em aço e espelho. Depositado sobre um expositor, esse cubo materializa-se em um livro-metáfora, veículo de uma linguagem codificada criada por Neide em 1968 para refletir sobre a dinâmica e a contínua relação vida-morte-vida.

“Em um fluxo de abrir/fechar, manter/apagar, rever/refazer, viver/morrer, entre os parênteses e colchetes codificados pela artista, entre as camadas de tempo e o acúmulo de dobras, formas e gestos, percebemos um desejo por olhar e desvendar a linguagem e as relações humanas. Vemos a arte como veículo de interação e meio de comunicação, entre fazer refletir e desatar nós, criar e propor caminhos para lidar com aquilo que atravessa o tempo e de alguma forma permanece: a vida.”, afirma a curadora Lorraine Mendes no texto crítico.

Sobre a artista

Neide Dias de Sá é uma das fundadoras do movimento de vanguarda Poema/Processo, que teve seu início em 1967. A artista foi uma das responsáveis pela publicação das obras Ponto 1, Ponto 2, Processo e Vírgula, ligadas ao movimento, que marcou sua trajetória e envolvimento com ideais radicais e politicamente engajados. A partir da década de 80, ela se debruça sobre a criação de obras participativas, em que o corpo do espectador opera como parte integrante da obra de arte.

Em 1976, Neide ingressou na PUC/RJ, onde estudou programação visual, formando-se em 1980. Três anos depois faz pós-graduação em Arte Educação no Instituto Metodista Benett; cursa gravura e fotogravura, com Tereza Miranda; pintura, com Katie Van Sherpenberg e participa da Oficina de Gravura, desenvolvendo pesquisas com gravura em relevo, no MAM/RJ. Em paralelo aos estudos, dirigiu o Núcleo de Arte Heitor dos Prazeres, entre 1966 e 1983.

Participou da Bienal de Veneza em 1978, das Bienais de São Paulo de 1974 e 1978, e da 3ª Bienal Internacional do México, em ­1990, entre outras. Participou da mostra Sol Fulgurante: arquivos de vida e resistência – também com curadoria de Lorraine Mendes, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2024, além de ter obras no acervo da Pinacoteca; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri e Coleção Museu de Arte do Rio.

A exposição Neide Sá: vida, doce mistério é apresentada por Bradesco e patrocinada por Livelo, na categoria Platinum, Mattos Filho, na categoria Ouro e Nescafé Dolce Gusto, na categoria Prata.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Luz | Segundo Andar

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso 2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Biocombustível de coco impulsiona transição energética no Brasil

Aracaju, por Kleber Patricio

Processos da produção de biocombustível a partir da biomassa residual de coco verde. Foto: Unit/ITP.

A crescente preocupação com a pegada de carbono tem incentivado o desenvolvimento de estratégias para a descarbonização das atividades econômicas. Entre as principais abordagens estão a diversificação das fontes energéticas, o aumento da eficiência dos processos e a implementação de tecnologias de captura de carbono. Dentro desse contexto, se destaca a produção de biocombustível a partir da biomassa residual de coco verde, um dos resíduos mais abundantes em Aracaju (SE), onde está instalado o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP).

Vinculado ao Grupo Tiradentes, o ITP abriga o Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (NUESC) criado há 15 anos em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPES) e Petrobras. O núcleo de pesquisa científica se consolidou como um dos mais importantes do segmento, servindo ainda de instrumento para a formação de profissionais de alta qualificação para o mercado local e nacional, em colaboração com os Programas de Pós-graduação Stricto sensu da Universidade Tiradentes (Unit). “O Núcleo tem impacto muito positivo para o equilíbrio ambiental. Em Aracaju, por exemplo, ele contribui para dar nova utilização às 190 toneladas de resíduos de coco verde descartadas por semana na cidade. Transformamos em energia um material que representa um grande desafio para o meio ambiente, em função do alto volume e baixa taxa de decomposição”, esclarece o coordenador-adjunto de Programas Profissionais da Área de Engenharias II na Capes, docente da Unit, pesquisador do ITP e coordenador do NUESC, Cláudio Dariva.

Desafio ambiental

O coco verde é amplamente consumido em regiões tropicais e seu resíduo, especialmente a fibra, representa um grande desafio ambiental em razão do seu alto volume e baixa taxa de decomposição. Em Aracaju, um estudo realizado pela Diretoria de Operações da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) apontou que a cidade gera cerca de 190 toneladas de resíduos de coco verde por semana. E foram identificados 87 pontos de venda, sendo 30 deles considerados grandes geradores, que descartam até 200 kg diários ou 400 kg em dias alternados.

Esse montante de resíduos sobrecarrega a coleta domiciliar e gera um custo anual de aproximadamente R$ 900 mil para a limpeza pública. Além disso, quando não destinados ao aterro sanitário, muitos desses resíduos acabam descartados de forma inadequada, agravando o passivo ambiental da cidade. A conversão desse resíduo em biocombustível não apenas reduz o impacto ambiental, mas também oferece uma alternativa energética renovável e sustentável.

Processo de produção do biocombustível 

A transformação da fibra do coco verde em biocombustível pode ocorrer por diferentes rotas tecnológicas, como a pirólise, a gaseificação e a fermentação. No caso da pesquisa realizada no NUESC do ITP, prioriza-se um processo eficiente e de baixo impacto ambiental:

Secagem e trituração: a fibra do coco é coletada, seca e triturada para facilitar o processamento.

Conversão térmica: a biomassa pode ser submetida à pirólise, que converte o material em bio-óleo, biocarvão e gases combustíveis.

Refino e aproveitamento: o bio-óleo pode ser refinado para uso em motores e geradores, enquanto o biocarvão pode ser utilizado como fonte de energia ou para melhorar a qualidade do solo.

Processo integrado 

Recentemente, avanços tecnológicos permitiram a integração de três etapas essenciais para a produção de combustíveis sustentáveis: extração de óleo, produção de biodiesel e produção de bio-óleo a partir de oleaginosas. Essa tecnologia inovadora emprega fluidos pressurizados, reduzindo significativamente o uso de solventes orgânicos e promovendo uma abordagem ambientalmente sustentável.

De acordo com a pesquisa do ITP, a abordagem maximiza o aproveitamento dos resíduos gerados no processo, contribuindo para uma economia circular e reduzindo o impacto ambiental da produção de combustíveis.

A iniciativa não apenas contribui para a redução da dependência de combustíveis fósseis, mas também melhora a gestão de resíduos urbanos, evitando o acúmulo de lixo orgânico. Além disso, a criação de uma cadeia produtiva em torno do biocombustível fomenta a geração de empregos e o desenvolvimento local, promovendo a economia circular.

Sobre | O ITP integra um robusto ecossistema educacional e de pesquisa em Sergipe que inclui a Universidade Tiradentes (Unit) e o Tiradentes Innovation Center (TIC), fundamentais para o avanço tecnológico e científico do país. As três instituições, cada uma com funções distintas, instaladas no Campus Unit Farolândia, em Aracaju, fazem parte do Grupo Tiradentes que este ano completa 63 anos de história.

(Fonte: Agência FR)

O que move a economia mundial?

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Para o pesquisador teórico-conceitual Orquiza J.C., o ciclo de crescimento econômico atual coloca a humanidade em um estado de esgotamento e colapso ambiental sem precedentes. Afinal, existir nas médias e grandes cidades – segundo estimativas da ONU indicam, até 2050 mais de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas –significa sucumbir a um modelo onde a produtividade existe como sinônimo de qualidade de vida. De acordo com o estudioso, isso acontece porque a produção é colocada acima da exaustão necessária para atingi-la. E é exatamente para buscar uma maneira mais justa de valorar o esforço do trabalhador que ele provoca o leitor a analisar e reavaliar essa relação em “O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial”.

Para o autor, a necessidade de produzir bens e serviços atingiu níveis de dedicação extenuantes. O corpo humano gera e armazena energia a nível celular para se manter vivo e a emprega em qualquer atividade, desde a respiração até um dia completo de trabalho. Orquiza defende, então, que a essência da economia reside nessa força vital.

Ao longo de uma contextualização histórica e de explicações didáticas, ele traz atenção para como a jornada de trabalho moderna excede em muito os limites naturais do corpo humano – nossos ancestrais pré-históricos dedicavam, em média, apenas 1h30 a 2h por dia às práticas essenciais para a subsistência.

Diante disso, o autor questiona se o modelo de oito horas diárias de trabalho é biologicamente viável. A verdadeira sustentabilidade, seja ela ambiental ou fisiológica, pressupõe um sistema que dê espaço para a saúde e para o bem-estar, em vez de exigir uma priorização de exigências produtivas cada vez mais altas.

A obra é resultado da união de conceitos de filosofia, geopolítica, física e sociologia. Ao longo das páginas, o escritor abre espaço para debates acerca do ritmo insustentável da produção industrial moderna.

“Todos os dias, você negocia partes de sua própria vida para permitir o que chamamos de desenvolvimento econômico – esse é o preço invisível que todos pagamos” (O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial, p. 12)

Embasado em mais de uma década de pesquisa interdisciplinar, O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial conecta ciência e humanidade, propondo soluções para um futuro mais equilibrado.

O livro vai além de uma análise econômica e abre um novo horizonte para o entendimento do papel humano no mundo. É um convite à sociedade, educadores, economistas e formuladores de políticas públicas para repensar a forma como trabalho, energia e progresso são interligados. 

Ficha técnica

Título: O Preço da Vida: seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia

Autor: João Carlos Orquiza

ISBN: 978-65-01-24959-9

Páginas: 115

Preço: R$ 51,82

Onde encontrar: Amazon, Clube de Autores, Google Play Store

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal.

Sobre o autor: Enquanto aprofunda os estudos e Psicologia, Orquiza J.C. investiga a interseção entre ciência e economia, explorando como as estruturas biológicas humanas conectam-se à cultura, aos transtornos mentais e à sustentabilidade econômica global. Observador e pensador teórico-conceitual autodidata, é crítico das abordagens intervencionistas e comerciais na pesquisa científica. Publicou em revistas acadêmicas renomadas, incluindo um capítulo expandido do livro O Preço da Vida, Seu trabalho, sua energia, o verdadeiro motor da economia mundial e desenvolve modelos teóricos sobre a centralidade da energia humana na economia mundial. Redes sociais do autor: Instagram | ResearchGate | Site.

(Com Ana Paula Gonçalves/LC Agência de Comunicação) 

Do cinema para o turismo: destinos brasileiros brilham nas telas e atraem viajantes

Brasil, por Kleber Patricio

Pelourinho, Salvador, Bahia. Foto: Gabriel Yuji/Unsplash.

Paisagens deslumbrantes, cidades históricas e recantos inusitados do Brasil têm ganhado cada vez mais projeção nas telas do cinema nacional. E o que antes era apenas cenário de grandes produções, agora vira destino de turistas em busca de experiências imersivas. Essa é uma das tendências apontadas pela última edição da Revista Tendências do Turismo, que destaca o chamado “turismo cinematográfico” como um dos movimentos em alta no setor.

De acordo com análises recentes dos sites especializados Travel + Leisure e Euronews, essa conexão entre mídia e turismo não só enriquece a experiência dos viajantes, mas também impulsiona a economia local. Estima-se que filmes populares aumentem o fluxo turístico em média 31% nas localidades onde foram gravados, redefinindo a forma como histórias ganham vida fora das telas.

Cenários que viraram roteiro de viagem

Exemplos não faltam. O Pelourinho, em Salvador (BA), ficou mundialmente conhecido após aparecer em produções como “Ó Paí, Ó”. As cores vibrantes, a arquitetura colonial e a cultura de rua do bairro atraem milhares de visitantes que desejam vivenciar o clima retratado no longa.

O Rio de Janeiro é outro cenário clássico das produções nacionais. Palco de cenas de “Cidade de Deus”, “Meu Nome Não É Johnny”, “Minha mãe é uma peça”, entre muitos outros, virou parada obrigatória para turistas interessados em roteiros guiados por moradores locais, ou simplesmente para curtir as belezas do estado. Outro destaque da capital fluminense é a ambientação do recente filme “Ainda Estou Aqui”, que tem levado visitantes a explorar os locais de filmagem, impulsionando a movimentação turística na cidade.

Rio de Janeiro. Foto: Agustin Diaz Gargiulo/Unsplash.

 

No interior do Brasil, o fenômeno também se confirma. A cidade de Cabaceiras, na Paraíba, ganhou o apelido de “Roliúde Nordestina” por ser cenário de diversos filmes, sendo o mais emblemático “O Auto da Compadecida”. Desde então, a cidade se consolidou como referência no turismo audiovisual, atraindo viajantes curiosos para conhecer os bastidores da obra e o cenário que deu vida ao clássico da cultura brasileira.

Outro destino emblemático é o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que ganhou fama internacional ao aparecer em filmes como “Casa de Areia”. As dunas e lagoas de água cristalina viraram sonho de consumo para aventureiros e amantes da natureza.

Já em Tiradentes (MG), cidade charmosa do interior mineiro, o turismo cultural é potencializado por seu histórico como locação para produções de época, como “O Menino Maluquinho”, e pelo tradicional Festival de Cinema de Tiradentes, que movimenta a economia e o calendário cultural local.

Brasil também nas telas internacionais

Além das produções nacionais, o Brasil tem se destacado como cenário para filmes internacionais de grande repercussão. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem sido um dos destinos favoritos de Hollywood. “Velozes e Furiosos 5: Operação Rio” trouxe cenas de ação gravadas em pontos icônicos como o Parque Lage e Mangaratiba. Mais recentemente, o blockbuster “Godzilla e Kong: O Novo Império” também utilizou diversos cenários cariocas, como o Centro, Santa Teresa, Leme e Copacabana.

Lençóis Maranhenses. Foto: Seiji Seiji/Unsplash.

A cidade também foi a inspiração para a animação “Rio”, que apresentou ao mundo o Cristo Redentor, a Floresta da Tijuca e outras paisagens marcantes. Outro exemplo é a saga Crepúsculo, que teve parte do filme “Amanhecer – Parte 1” gravada na Lapa, famoso bairro boêmio da capital fluminense.

Além do Rio de Janeiro, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses recebeu as filmagens da produção do filme “Vingadores: Guerra Infinita”. O cartão-postal nordestino formado por dunas e espelhos-d’água se transformou no planeta Vormir na trama do longa-metragem, com isso, essas produções ajudaram a projetar ainda mais o Brasil no mapa do turismo internacional.

(Fonte: Ministério do Turismo)

Como a simbologia das histórias e personagens influenciam na personalidade das crianças

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação.

Muitos são os processos de construção que influenciam na individualidade de uma criança. Para a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, a literatura infantil, com o seu poder educativo e terapêutico, faz parte dessa formação ao apresentar valores, normas sociais e emoções, pois permite que a criança projete seus sentimentos e entenda melhor a realidade ao seu redor. “Os contos funcionam como espelhos e janelas para as crianças. São espelhos porque refletem suas emoções e experiências, ajudando-as a nomear e compreender o que sentem. E são janelas porque as transportam para outras realidades e ampliam sua visão de mundo e sua capacidade de empatia”, explica Paula.

Fábulas, mitos, parábolas, lendas ou histórias populares dialogam diferentes aspectos do desenvolvimento humano, e a grande força terapêutica dos contos está em sua simbologia. “Crianças pequenas, muitas vezes, ainda não conseguem nomear suas emoções, mas conseguem se identificar com os personagens e as situações narradas. Um monstro pode representar um medo interno, uma floresta escura pode simbolizar uma fase de insegurança, um herói solitário pode refletir um sentimento de abandono ou busca por pertencimento. Ao ouvir e recontar essas histórias, a criança encontra uma maneira de expressar aquilo que sente sem precisar verbalizar diretamente”, enfatiza Paula.

Leitura

O diálogo com os filhos é uma oportunidade de fortalecer os laços afetivos e, na leitura, é possível incluir diversos temas que tocam aspectos profundos da psique infantil. E isso promove um crescimento emocional que pode ser levado para a vida adulta.

Como exemplo, a obra Contos da Carochinha com a Turma da Mônica, escrito pela própria Paula Furtado, adapta contos tradicionais para uma linguagem mais acessível utilizando os personagens de Mauricio de Sousa; e o Era Uma Vez – Aprendendo Português, também da escritora, que apresenta os contos de fadas de forma mais próxima a dos originais, voltado a crianças a partir de 10 anos, que já têm um maior entendimento das narrativas clássicas e podem explorar suas simbologias com mais profundidade.

Ambiente escolar

Em sala de aula, educadores podem explorar com os alunos alguns contos clássicos que apresentam, em sua estrutura, momentos de dificuldade e transformação, o que a ajuda a criança a entender que os desafios fazem parte do crescimento. Paula cita alguns clássicos:

O Patinho Feio – Hans Christian Andersen. Ensina que cada indivíduo tem seu próprio tempo de desenvolvimento e que a aparência inicial não define o valor de ninguém.

Cinderela – Charles Perrault. Trabalha a resiliência, trata da inveja representada pelas irmãs más que tentam impedir o crescimento da princesa.

A Bela e a Fera – Gabrielle-Suzanne Barbot. Reforça a capacidade de superar as adversidades e a importância de enxergar além das aparências.

João e Maria – Explora questões como abandono, rejeição e compulsão alimentar.

Branca de Neve – Aborda a vaidade exacerbada e as consequências do narcisismo. A madrasta, obcecada pela própria beleza, ensina às crianças como a inveja e a busca por uma perfeição ilusória podem ser destrutivas.

“Por meio dos contos, as crianças também entendem que o herói nunca começa forte e preparado, ele precisa enfrentar obstáculos, errar, tentar de novo e viver situações que podem ser desafiadoras na vida real e ajudam a formar sua personalidade”, finaliza Paula.  

Sobre Paula Furtado

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já trabalhou como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental na rede particular de ensino, e já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino pública e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.

Como autora, Paula completa seu trabalho escrevendo diversos livros infantojuvenis (100 obras até o momento) e, dentro de suas atuações de jornada literária, também foi coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com a Girassol Brasil e Mauricio de Sousa. A autora complementa suas atividades escrevendo para diferentes revistas de educação sobre temas pedagógicos, além de trabalhar na criação e patente de Jogos Pedagógicos como: Desafio, Detetive de Palavras, De Olho na Ortografia, dentre outros.

(Com Elenice Cóstola/Way Comunicações)