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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Miguel Nicolelis lança novas edições revisadas de suas obras mais conhecidas

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

O neurocientista, professor e pesquisador Miguel Nicolelis é um dos nomes mais respeitados do mundo em sua área. Para divulgar seu trabalho e disseminar a ciência com linguagem fácil e fluida, o autor escreveu livros como “Muito além do nosso eu”, que explora o potencial transformador da neurociência, e “Made in Macaíba”, sobre a história da implementação do Campus do Cérebro no interior do Nordeste. Agora, as duas obras ganham novas edições com projeto gráfico atualizado pelo selo Crítica da Editora Planeta.

No best-seller Muito além do nosso eu, Nicolelis reúne a base de seu estudo e explica como o cérebro cria o pensamento e por que aposta que o culto ao corpo será substituído pelo culto ao cérebro. Ele argumenta que, ao combinar essa visão com os avanços tecnológicos na decodificação do funcionamento neural, a neurociência poderá expandir a capacidade humana de maneiras quase inimagináveis, ultrapassando as limitações do corpo e do senso de eu. Recheado de gráficos e fotos, o livro aponta para os avanços nas pesquisas em neurociências que estão revolucionando o mundo. E que irão mudar para melhor o modo como vivemos.

Made in Macaíba é uma lição de vida e de empreendedorismo de quem continua acreditando no Brasil, narrando o retorno do cientista ao país decidido a ensinar e fazer ciência em uma das áreas mais pobres do Nordeste. Nicolelis não só concebeu o Campus do Cérebro, que mudou o cenário de uma enorme comunidade carente, mas também tem incentivado milhares de crianças a estudar e a acreditar que as oportunidades existem para todos. Resgatando a história, desde figuras como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Alberto Santos Dumont, Lampião e José Praxedes, ele conta neste livro como isso é possível.

As duas reedições fazem parte de trilogia de não ficção completa com de O verdadeiro criador de tudo. Os livros podem ser lidos separadamente, juntos contam a história da teoria sobre a interface homem-cérebro e brainets.

FICHA TÉCNICA

Título: Muito além do nosso eu

Autor: Miguel Nicolelis

ISBN: 978-85-422-3329-2

Páginas: 496 p.

Preço livro físico: R$109,90

Selo Crítica, Editora Planeta

FICHA TÉCNICA

Título: Made in Macaíba

Autor: Miguel Nicolelis

ISBN: 978-85-422-3328-5

Páginas: 304 p.

Preço livro físico: R$81,90

Selo Crítica, Editora Planeta

SOBRE O AUTOR

Miguel Nicolelis é um dos neurocientistas mais respeitados no mundo. Professor Emérito da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra e, mais recentemente, do Nicolelis Institute for Advanced Brain Studies, Nicolelis pesquisa há 40 anos os mistérios do cérebro humano. Durante a carreira, suas pesquisas foram capas das maiores revistas científicas, bem como dos maiores jornais do mundo. Usando uma de suas invenções, a interface cérebro‑máquina, um jovem paraplégico brasileiro, Juliano Pinto, desferiu o chute de abertura na Copa do Mundo do Brasil em 2014.

SOBRE O SELO CRÍTICA

Lançado na Espanha em 1976 e presente no Brasil desde 2016, o selo é referência em títulos de alta qualidade nas áreas de história, ensaios e divulgação científica. Com autores de renome internacional, como Niall Ferguson, Mary Beard e Noam Chomsky, também publica algumas das vozes mais influentes do pensamento brasileiro, incluindo Carlos Fico, Pedro Rossi, Tatiana Rossi e Marco Antonio Villa. Uma marca que combina excelência acadêmica com acessibilidade, trazendo ao público obras que informam, provocam e inspiram.

(Fonte: Editora Planeta)

Musical ‘Tim Maia – Vale Tudo’ volta aos palcos em 2025 em nova montagem

São Paulo, por Kleber Patricio

O musical “Tim Maia – Vale Tudo” volta aos palcos em 2025 em nova montagem, com linguagem mais moderna e dinâmica, e transforma o palco em uma grande celebração. A estreia acontece no Teatro Claro MAIS SP em outubro.

A primeira montagem da peça, de 2012, conquistou público e crítica, tornando-se um dos maiores sucessos do teatro musical brasileiro. A nova versão faz um tributo ao artista e promete emocionar tanto os fãs de longa data quanto uma nova geração que segue descobrindo o legado inesquecível de Tim Maia.

Baseada no livro homônimo de Nelson Motta – e com curadoria de Carmelo Maia –, a peça percorre a trajetória de Tim Maia desde a juventude no Rio de Janeiro, às amizades com artistas do calibre de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Elis Regina, Jorge Ben etc., até a consagração como um dos maiores nomes da música brasileira.

Permeado por sucessos atemporais, como “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, “Azul da Cor do Mar”, “Vale Tudo”, “Gostava Tanto de Você”, “Acenda o Farol” e tantos outros que compõe a trilha do espetáculo (no total são 20 hits que o público, certamente, saberá cantar do começo ao fim), a obra recria momentos emblemáticos da carreira do nosso “rei do soul”.

‘Tim Maia – Vale Tudo – o musical’ é apresentado por BB Seguros e tem patrocínio de Livelo. A produção fica a cargo de Del Claro Produções, Grupo Live e Carmelo Maia. A coprodução é de Seroma Produções e Edições Ltda. e Vitória Régia Discos Ltda. A realização é do Ministério da Cultura e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

Mais informações sobre venda de ingressos e elenco serão divulgadas em breve.

Redes sociais:

@valetudotimmaia

@delclaroproducoes

@carmelomaia.

(Com Guilherme Oliveira/Agência Taga)

Espetáculo “Felizarda” reflete sobre a hiperprodutividade e os abismos da comunicação

São Paulo, por Kleber Patricio

Elenco de “Felizarda”. Foto: André Nicolau.

Ser a ‘felizarda’ por conseguir a vaga de emprego. Trabalhar. Ter colegas de mesa. Mas para qual função? Para fazer o quê? Em um mundo cada vez mais voltado à produtividade sem descanso, o novo espetáculo, dirigido por Beatriz Barros com idealização das atrizes Bella Camero e Louise D’Tuani, foi escrito por Cecilia Ripoll e reflete sobre tais impactos na vida em sociedade. “Felizarda” faz uma temporada de estreia gratuita no TUSP Maria Antonia (R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque, São Paulo) até dia 29 de junho, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 18h.

O projeto começou com a vontade de as atrizes Bella e Louise trabalharem juntas. A partir desse encontro, procuraram a escritora e dramaturga Cecília Ripoll, que apresentou algumas ideias e possibilidades de texto. “Buscávamos algo para montarmos, que fosse atual e falasse da sociedade hoje, sem perder o humor. Acho que conseguimos desenvolver junto essa peça”, coloca Louise D’Tuani.

Na trama, uma pessoa começa a trabalhar em uma empresa cujo produto ela desconhece. Enquanto tenta incessantemente descobrir o que, afinal, está vendendo, a protagonista precisa lidar com as mais variadas neuroses e histerias típicas do nosso tempo. Sintomas psíquicos brotam ao ritmo frenético da hiperprodutividade e dos abismos da comunicação, apresentando um retrato tragicômico da sociedade contemporânea.

Os personagens não têm nomes. “Queremos mostrar que, pela lógica do mundo corporativo, somos todos facilmente substituíveis. Por isso, os atores e as atrizes são designados apenas como: Vizinho de Mesa, Mentora, Felizarda e Esposa da Felizarda”, conta a atriz Bella Camero. Em cena também estão Louise D’Tuani, Sidney Santiago Kuanza e Sol Menezzes. A direção de movimento e a preparação corporal são de Ariel Ribeiro.

Sobre a encenação

Na encenação, situações profissionais e pessoais se misturam a todo o momento. O trabalho passa a ocupar cada vez mais aspectos da vida, eliminando a fronteira entre os dois universos. Por esse motivo, a cenografia de Pedro Levorin é formada por elementos que evocam tanto a empresa quanto a casa da Felizarda. A luz assinada por Wagner Antônio segue o mesmo caminho. Nesse contexto opressivo, construir vínculos torna-se um grande desafio. “Cada personagem tem a sua forma de expressão, seus trejeitos, um vocabulário muito bem estabelecido. Essa foi uma maneira de falarmos sobre nossa dificuldade de comunicação e como isso impacta as relações”, comenta a diretora Beatriz Barros.

Esses aspectos também se refletem na trilha sonora de Dani Nega. Inspirada pelo improviso do jazz, a artista criou linhas melódicas específicas para os personagens, como se a cada um fosse atribuído um instrumento musical próprio.

Ariel Ribeiro, responsável pelo figurino, com sua pesquisa Zootomia, desenvolveu para cada personagem peças que mostram os corpos contemporâneos e os possíveis colapsos que podem reverberar em sociedade.

Felizarda questiona a facilidade com que entramos na lógica do sistema, sem problematizar absolutamente nada. Nenhum dos colaboradores sabe o que a empresa faz, mas ninguém assume isso. Nem mesmo a personagem-título tem a coragem de dizer isso para a esposa.

Felizarda: Amor, tenho duas notícias. Uma boa e uma ruim. A boa é que fui contratada pra vaga com o melhor salário. A ruim é que a vaga é um pouco vaga / Não / Amor, tenho duas notícias. Uma boa e uma ruim. A boa é: consegui o emprego. A ruim é: não sei qual é o emprego / Não…Amor, uma ótima notícia!

Esposa: Eu também tenho!

Felizarda: O quê?

Esposa: Uma ótima notícia.”

Trecho da dramaturgia de Felizarda, de Cecilia Ripoll

“Estamos tão focados em provar que podemos ser eficientes e produtivos 24 horas por dia que nos alienamos. Não nos conectamos mais nem com os nossos sentimentos e nem com as outras pessoas. Assim, ficamos cada vez mais sozinhos”, defende Louise.

Apesar do tema denso, o texto é permeado por muita ironia e humor. De acordo com Beatriz, o trabalho é definido como uma distopia contemporânea não situada no tempo, ou seja, não existem elementos muito característicos de um período histórico. A narrativa se encaixaria bem no passado, no presente ou no futuro.

Sinopse | Felizarda é contratada por uma empresa, mas não sabe exatamente para quê. Enquanto tenta entender qual é sua função, vê-se cercada por neuroses e angústias típicas de um mundo hiperprodutivo, onde a comunicação falha e o trabalho invadem todas as esferas da vida. A partir de situações absurdas e cotidianas, o espetáculo traça um retrato tragicômico da alienação contemporânea.

Ficha Técnica

Elenco: Bella Camero, Louise D’Tuani, Sidney Santiago Kuanza, Sol Menezzes

Direção: Beatriz Barros

Idealização: Bella Camero e Louise D’ Tuani

Assistência de Direção: Castilho

Texto: Cecilia Ripoll

Direção de Movimento e preparação corporal: Ariel Ribeiro

Cenografia e projeto gráfico: Pedro Levorin

Figurino: Elias Kalleb

Assistente de figurino: Brun Pereira

Luz: Wagner Antônio

Assistência de iluminação: Marina Meyer

Trilha original: Dani Nega

Operação de som: Abismo de Bibi

Fotos: André Nicolau

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes

Produção: Corpo Rastreado | Gabs Ambròzia.

Serviço:

Felizarda

Data: até 29 de junho, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 18h

Local: TUSP Maria Antônia – R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque

Ingressos: gratuitos | Retirada 1h antes na bilheteria

Telefone: (11) 2648-5222

Duração: 90 minutos

Classificação: 14 anos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Zipper Galeria exibe “Ser Ilha”, exposição inédita de Felipe Goés

São Paulo, por Kleber Patricio

Pintura 423, 2022. Fotos: Zipper Galeria.

A Zipper Galeria apresenta “Ser Ilha”, exposição inédita de Felipe Góes. Com texto curatorial de Renata Rocco, a mostra reúne o conjunto de 8 pinturas que evocam paisagens em constante formação, erosão e reinvenção.

O ponto de partida conceitual da exposição emerge do encontro entre a obra do poeta Manoel de Barros (1916–2014) e o fenômeno natural que originou Surtsey — ilha formada no Atlântico sul da Islândia em decorrência de uma erupção vulcânica entre 1963 e 1967.

Desde a erupção, Surtsey vem sendo moldada pela erosão dos ventos e do mar, que já reduziu a ilha a quase metade de suas dimensões, em um ciclo contínuo de feitura e desfazimento. Esse processo ressoa diretamente no gesto pictórico de Góes: camadas sucessivas de tinta cobrem parcialmente tentativas anteriores de forma, revelando e ocultando memórias, fantasias e construções imagéticas.

Felipe Góes, Pintura 339, 2019 – acrílica sobre tela – 42 x 50 cm.

Nesse sentido, a exposição dialoga com a poética de Manoel de Barros, poeta brasileiro do século XX cuja obra se debruça sobre a reinvenção do olhar para o mundo ordinário. Inspirado pelo Pantanal, Barros transformava coisas mínimas em matéria filosófica, celebrando o “desimportante” com lirismo e humor. Seus termos — como “ser”, “transver” e “desformar” — oferecem chaves sensíveis para pensar a lógica interna das pinturas de Góes, marcadas por camadas, apagamentos e reconstruções.

Em suas telas, Góes sobrepõe camadas de tinta para criar imagens que não se fixam completamente. Suas pinturas evocam formas que emergem e se desfazem, como se estivessem em fluxo, como se fossem fragmentos de um mundo em lenta deriva.

A curadoria traz leituras que ampliam os sentidos da obra, articulando questões telúricas e poéticas. “Ser Ilha” propõe uma experiência em que a paisagem se torna metáfora de um estado de transição — entre o visível e o intuído, entre o gesto e o apagamento. Assim, o processo pictórico espelha os próprios ciclos de criação, transformação e desaparecimento do mundo natural.

Felipe Góes, Pintura 377, 2020 – acrílica sobre tela – 42 x 50 cm.

Renata Rocco, autora do texto curatorial ressalta que “As ilhas de Felipe Góes não existem no mundo real. São fabulações, construídas sem mapa ou bússola, nascidas no instante do gesto. São invenções que ganham corpo à medida que são pintadas, como se o artista criasse territórios à deriva, onde podemos nos perder — ou nos encontrar”.

Sobre o artista 

Felipe Góes (São Paulo, 1983) vive e trabalha em São Paulo. Sua pesquisa se volta à representação de paisagens e do cosmos, explorando como percebemos e construímos imagens no tempo presente, em diálogo com questões ligadas à natureza, ao meio ambiente e à experiência da existência no planeta.

Realizou exposições individuais na Zipper Galeria (São Paulo, 2023), Galeria Kogan Amaro (Zurique, 2022 e São Paulo, 2022 e 2019), Galeria Murilo Castro (Belo Horizonte, 2018), Istituto Moreira Salles (Poços de Caldas, 2017), Galeria Virgílio (São Paulo, 2016 e 2018), Central Galeria de Arte (São Paulo, 2014), Phoenix Institute of Contemporary Art (Arizona, EUA, 2014) e Usina do Gasômetro (Porto Alegre, 2012).

Participou das exposições coletivas Ainda não é o fim do mundo (Paço das Artes, São Paulo, 2025), El viaje interminable (Palácio Pereda, Embaixada Brasileira em Buenos Aires, Argentina, 2023), Ephemeral Existence – Teleportal (Studio 620, Nova York, EUA, 2022), Mapping Spaces (Kentler International Drawing Space, Nova York, EUA, 2016), 2ª Bienal Internacional de Asunción (Assunção, Paraguai, 2017) e Utopia de colecionar o pluralismo da arte (Fundação Marcos Amaro, Itu, 2019).

Envolveu-se também em residências artísticas em Ottawa School of Art (Ottawa, 2024); School of Visual Arts (Nova York, 2021); Phoenix Institute of Contemporary Art (Phoenix, 2014) e Instituto Sacatar (Itaparica, 2012).

Sobre Renata Rocco

Renata Rocco é pesquisadora e curadora. Tem Pós-doutorado pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP, 2023 – Bolsa FAPESP), Doutorado (2018 – Bolsa FAPESP) e Mestrado (2013 – Bolsa CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo, todos sob orientação da Profa. Dra. Ana Gonçalves Magalhães, docente e curadora do MAC USP.

Rocco é autora do livro Danilo Di Prete em Ação: a construção de um artista no ambiente da Bienal de São Paulo (2022), artigos sobre arte moderna italiana e brasileira, e sobre as primeiras edições da Bienal de São Paulo. Foi curadora de exposições de arte moderna MAC USP e de artistas contemporâneos em São Paulo. Foi membro do Comitê de Indicação do PIPA 2025 e trabalha desde março de 2024, no Acervo Artístico dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo.

Serviço:

Felipe Góes – Ser Ilha

Texto curatorial: Renata Rocco

Abertura: 14 de junho de 2025, sábado, a partir das 11h

Período expositivo: 14 de junho até 19 de julho de 2025

Local: Zipper Galeria — Rua Estados Unidos, 1494, Jardim América, São Paulo
www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)

Instituto Tomie Ohtake apresenta Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros

São Paulo, por Kleber Patricio

Cena da peça Othello, com Ruth de Souza e Abdias Nascimento. Fotos: José Medeiros.

O Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o Instituto Tomie Ohtake, com a correalização do Ipeafro – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros anunciam a exposição Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros, que conta com patrocínio do Nubank, mantenedor do Instituto Tomie Ohtake. Sob curadoria de Eugênio Lima, a mostra ficará em cartaz de 13 de junho a 3 de agosto de 2025, paralelamente às exposições Manfredo de Souzanetto – As montanhas, Manuel Messias – Sem limites e Casa Sueli Carneiro em residência no Instituto Tomie Ohtake.

Reunindo cerca de 110 itens, entre fotografias e documentos provenientes do acervo do Ipeafro, a mostra ilumina a histórica colaboração entre o Teatro Experimental do Negro (TEN) e o fotógrafo José Medeiros (1921–1991) ao longo de quase duas décadas. Mais do que documentar, a exposição busca evidenciar uma parceria artística que é, ao mesmo tempo, política e poética, ressaltando o papel fundamental do TEN tanto na evolução do teatro moderno no Brasil quanto na afirmação da identidade negra nas artes e na esfera pública. A relação entre o TEN e Medeiros é de colaboração simbólica e prática: enquanto o grupo teatral lutava por representação e dignidade para pessoas negras no cenário artístico, o fotógrafo registrava e difundia essa luta com sensibilidade e respeito, contribuindo de forma decisiva para sua preservação na memória visual brasileira.

Ensaio da peça O imperador Jones, com Aguinaldo Camargo e o elenco masculino.

Fundado em 1944 por Abdias do Nascimento, dramaturgo, ator, artista plástico, escritor, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras brasileiras, o TEN foi uma iniciativa pioneira no combate ao racismo e na promoção da cultura afro-brasileira por meio das artes cênicas. Nascimento tinha como objetivo criar um espaço onde artistas negros pudessem se expressar com autonomia e dignidade, enfrentando o preconceito que os limitava a papéis estereotipados na sociedade e no teatro da época.

Para Abdias Nascimento, o teatro era espelho e resumo da peripécia existencial humana – mas só poderia alcançá-la realmente ao incorporar a humanidade negro-africana em sua dimensão plena. A dignidade dos povos afrodescendentes e a dramaticidade de sua epopeia no Brasil, as quais Abdias e o TEN buscaram projetar, transparecem nas imagens criadas por José Medeiros. Amigo e participante do TEN, o olhar do fotógrafo abraçava e celebrava as pessoas e criações do grupo, tanto no palco como na cena cultural e política do país.

Sobre José Medeiros

Ensaio da peça Todos os filhos de Deus têm asas, com Ruth de Souza e Ilena Teixeira.

José Medeiros foi um importante fotojornalista brasileiro entre as décadas de 1940 e 1960. Como colaborador da revista O Cruzeiro, um dos principais veículos de comunicação da época, o fotógrafo registrou momentos marcantes da vida social e cultural brasileira. Segundo o curador, foi provavelmente com restos de filmes utilizados na revista que o fotógrafo fazia seus registros sobre o TEN. A lente de Medeiros acompanhou ensaios, bastidores e apresentações da companhia, ajudando a consolidar uma memória visual daquele movimento artístico e político inovador.

As contribuições de Medeiros foram além do simples registro documental. Suas fotografias possuíam um olhar sensível e esteticamente apurado, valorizando a expressividade dos corpos negros em cena e o simbolismo presente nas encenações. Eugênio Lima aponta que o conjunto das imagens exibidas manifesta, “…de maneira inequívoca, que Medeiros tinha a intenção de transformar a documentação do TEN em uma obra de arte: as fotos, nitidamente dirigidas pelo fotógrafo, não são necessariamente o registro de um momento, mas, sim, uma produção feita com a intenção de tornar-se icônica”, afirma o curador.

Sobre o Ipeafro

Fundado em 1981 por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento, o Ipeafro é uma associação sem fins lucrativos sediada no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar e difundir o acervo de Abdias, que inclui obras de arte e documentos ligados ao Teatro Experimental do Negro e ao projeto Museu de Arte Negra. O acervo reúne manuscritos, correspondências, registros parlamentares e vasta iconografia, e centenas de obras artísticas. Com base nesse material, o Ipeafro realiza exposições, cursos, fóruns, oficinas e publicações. Também promove o acesso ao acervo por meio de seu site e canais digitais, ampliando o alcance educativo e cultural da instituição.

Sobre Abdias Nascimento

Abdias Nascimento (1914-2011), poeta, dramaturgo, artista visual e ativista panafricano, foi deputado federal, senador da República e Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York (EUA). Como parlamentar, ele foi autor das primeiras propostas ao Estado brasileiro de políticas públicas de combate ao racismo (1983). É autor do conceito político-cultural de Quilombismo. Organizou, em 1950, o 1o Congresso do Negro Brasileiro, que propôs a criação de um Museu de Arte Negra. Curador do projeto de 1950 até 1968, quando realizou sua exposição inaugural, ele continuou o trabalho no exílio (1968-1981), onde desenvolveu a própria pintura e a exibiu em museus, galerias e universidades dos Estados Unidos. Pelo conjunto da obra, foi indicado oficialmente ao prêmio Nobel da Paz.

Programa Público

A esta exposição soma-se um programa público de encontros, oficinas e vivências. No dia 28 de junho, da 16h às 18h, ocorre a conversa com Leda Maria Martins e Aldri Anunciação. No dia 5 de julho serão três eventos, começando pela conversa com William Santana Santos e Guilherme Diniz, com mediação de Mari Per, das 16h às 18h, seguida por uma palestra com Samuel Titan sobre José Medeiros, das 18h às 18h30 e, encerrando a programação do dia, uma performance com Verônica Santos, das 18h30 às 19h30. No dia 19 de julho, das 16h às 19h, ocorre uma sessão do filme de Daniel Solá Santiago seguido de debate com Mari Queen e Heitor Augusto. Uma performance com Malu Avelar no dia 02 de agosto, das 16h às 18h, encerra a programação. A programação é atualizada pelo site e redes sociais do Instituto ao longo do período expositivo.

Amigo Tomie

O Programa de Amigos do Instituto Tomie Ohtake quer aproximar o público de um dos espaços de arte mais emblemáticos da cidade de São Paulo. Além de apoiar, o Amigo Tomie fará parte de uma comunidade conectada à arte, contará com benefícios especiais e experiências únicas. São três categorias de apoio, contribuindo com novas exposições, programas educativos, orçamento anual e manutenção do Instituto.

Serviço:

Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros

Em cartaz até 3 de agosto de 2025

De terça a domingo, das 11h às 19h – última entrada até as 18h

Entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros SP

Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Fone: (11) 2245-1900.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)