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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Museu Forte Defensor Perpétuo recebe exposição “Território do zumbido”, de João Machado

Paraty, por Kleber Patricio

Na mostra, arte e ciência se entrelaçam para apresentar a riqueza sonora das abelhas nativas do Brasil. Foto: João Machado.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) inaugura, a partir de 26/7, durante a FLIP 2025, a mostra “Territórios do Zumbido”, sobre a bioacústica das abelhas nativas, do artista e meliponicultor João Machado, em que arte e ciência se entrelaçam para apresentar a riqueza sonora das abelhas nativas do Brasil. A mostra apresenta a pesquisa do artista, com curadoria de Arasy Benítez, e ocupa o interior do museu com obras sonoras e audiovisuais centradas na biofonia das abelhas sem ferrão — um patrimônio natural que compõe a paisagem sonora dos ecossistemas brasileiros. No jardim, duas obras ampliam a experiência de arte e ecologia: entre elas, a escultura viva “Arquitetura para Abelha Jataí III” que abriga uma colmeia de abelha jataí e que será incorporada ao acervo permanente do museu.

A abertura da exposição, no dia 26 de julho de 2025 (sábado), a partir das 11h, contará com a apresentação da performance sonora “Zumbido”, idealizada por João Machado em colaboração com os músicos Daniel Magnani e Rodrigo Netto. A obra transforma os sons dos enxames em música experimental ao vivo, por meio de improvisações com mesa de mixagem e manipulação eletrônica. Em seguida, acontece uma roda de conversa entre público, artistas e a curadora.

Foto: João Machado.

Como parte da programação pública, o artista também conduz as “Derivas de mapeamento de abelhas nativas” nos arredores do museu — caminhadas coletivas voltadas à localização, identificação e observação sensível dessas espécies no espaço urbano. Já no dia 01 de agosto de 2025 (sexta-feira), a partir das 10h, será realizada uma intervenção de arte e meliponicultura, com a transferência de um enxame de abelha jataí de uma caixa racional para uma escultura cerâmica — gesto que reafirma o vínculo entre prática artística e cuidado com a biodiversidade, afinal, cuidar de abelhas nativas representa o cuidado coletivo do meio ambiente.

Sobre o artista

João Machado é artista visual, cineasta e meliponicultor, nascido no Rio de Janeiro em 1977. Formado em Belas Artes em Cinema pela Art Center College of Design (EUA), vive desde 2013 em Bocaina de Minas, onde iniciou uma intensa pesquisa com abelhas nativas sem ferrão. Seu projeto Geoprópolis reúne instalações, vídeos, oficinas e ações educativas que conectam arte, ciência e ecologia. Suas obras já foram apresentadas em espaços como o Complexo Cultural Funarte (SP), Casa de Cultura do Parque, Instituto Plantarum e Sesc Bom Retiro. É cofundador do espaço cultural Mandaçaia Projetos, onde desenvolve atividades gratuitas voltadas para arte, meio ambiente e formação de público em âmbito rural.

Sua prática rejeita a dicotomia entre natureza e cultura, propondo vínculos sensíveis entre humanos e não humanos. https://www.joaomachado.art

Serviço:

Exposição Territórios do Zumbido

Artista: João Machado

Curadoria: Arasy Benítez

Local: Museu Forte Defensor Perpétuo de Paraty – Paraty, RJ. Endereço:

Av. Orlando Carpinelli, 440 – Pontal, Paraty – RJ, 23970-000

Telefone: (24) 98142-0081

Site: https://www.gov.br/museus/pt-br/museus-ibram/museu-forte-defensor-perpetuo

Período de visitação: 26 de julho a 8 de dezembro de 2025

Visitação: Quarta a sexta, das 10h às 17h; sábado e domingo, das 10h às 14h

Entrada gratuita – Classificação Livre

Programação:

Performance sonora Zumbido – Abertura

26/7 (sábado), de 11h às 11h30

Abertura da exposição com apresentação da performance Zumbido, idealizada por João Machado em colaboração com os músicos Daniel Magnani e Rodrigo Netto. A obra transforma os sons captados de colmeias de abelhas nativas em música experimental ao vivo, por meio de improvisações com mesa de mixagem.

Roda de conversa com os artistas e a curadora

26/7 (sábado), de 11h30 às 13h

Após a performance, o público é convidado a participar de uma conversa com o artista João Machado, os músicos envolvidos na criação de Zumbido e a curadora Arasy Benítez. Um momento de troca sobre arte, natureza e escuta como prática estética e política.

Derivas de mapeamento de abelhas nativas

27/7 (domingo), de 10h às 11h30 | 30/7 (quarta-feira), de 10h às 11h30

31/7 (quinta-feira), de 10h às 11h30 | 2/8 (sábado), de 10h às 11h30 Caminhadas coletivas conduzidas por João Machado nos arredores do Museu do Forte. A atividade propõe a localização e identificação das abelhas nativas urbanas, estimulando a observação atenta, o reconhecimento das espécies e o cuidado com a biodiversidade.

Intervenção arte e meliponicultura – Transferência do enxame de abelhas à escultura

1/8 (sexta-feira), de 10h às 11h30

Ação pública em que o artista transfere um enxame de abelha jataí, desde uma caixa racional até uma escultura cerâmica no jardim do museu. Um gesto simbólico e ecológico que une prática artística e cuidado interespécies, transformando a escultura em morada viva.

Redes sociais

João Machado @joaomachadoarte

Arasy Benítez @_arasybenitez

Daniel Magnani @daniel.audio

Rodrigo Netto @r.netto_

Museu Forte Defensor Perpétuo de Paraty @fortedefensorperpetuo.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Baleia-jubarte é resgatada pela segunda vez em Ubatuba após novo enredamento em rede de pesca

Ubatuba, por Kleber Patricio

Baleia salta após se desvencilhar de rede. Fotos: Instituto Argonauta. Fotos: Instituto Argonauta.

Uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi resgatada na manhã de quarta-feira (17), após ficar presa em uma rede de pesca nas proximidades da Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP).

A equipe de desemalhe do Instituto Argonauta recebeu o alerta por volta das 9h40 e logo em seguida já estava no local iniciando os procedimentos de abordagem. Ao chegar ao local, a equipe – composta pelos biólogos Beto Chagas, Danilo Camba, Carlos Vinicius Sarde e Felipe Domingos – percebeu que se tratava do mesmo indivíduo que já havia sido libertado em uma operação anterior, realizada em 30 de junho.

A bordo do bote de ataque, fizeram as imagens necessárias para avaliar o grau de enredamento. A rede, ancorada por poitas, envolvia a cabeça da baleia, com extremidades estendidas para ambos os lados. Apesar de conseguir mergulhar e retornar à superfície para respirar, o animal permanecia preso na mesma área.

Com a boa visibilidade da água, foi possível localizar a rede a cerca de 7 metros de profundidade. Com os procedimentos precisos conseguiram efetuar os cortes que permitiram que a baleia se movimentasse e se desvencilhasse da rede, encerrando mais uma operação de resgate bem-sucedida. “Essa ação não é apenas sobre salvar um indivíduo, mas também sobre alertar para que tenhamos uma convivência mais saudável com o oceano. Que este resgate inspire mais pessoas a cuidar de nossos mares e da vida marinha”, ressalta Danilo Camba, da equipe do Instituto Argonauta.

A ação seguiu protocolos internacionais de segurança e desenredamento, desenvolvidos pelo Center for Coastal Studies (EUA) e adaptados ao contexto brasileiro por meio de treinamentos promovidos pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul (CMA/ICMBio) e pelo Ibama.

Baleia-jubarte é resgatada pela segunda vez em Ubatuba após novo enredamento em rede de pesca.

A equipe do Instituto Argonauta é composta por profissionais capacitados de acordo com a Portaria Conjunta MMA/Ibama/ICMBio nº 3, de 8 de janeiro de 2024, que regulamenta oficialmente as ações de desenredamento de grandes cetáceos no Brasil. As operações são realizadas por duplas operacionais, com apoio logístico em terra e em embarcações de suporte. O Instituto Argonauta, responsável por essas ações de resgate e conservação marinha, é uma organização fundada pelo Aquário de Ubatuba, referência em educação ambiental e preservação da vida marinha no litoral norte paulista, e desenvolvem em parceria, entre outras ações, o Projeto de Avistagem e Monitoramento de Mamíferos Marinhos Argonauta.

Importante: em casos de baleias enredadas ou em situação de risco, a recomendação é não intervir. Mantenha distância, evite cercar o animal com embarcações e acione imediatamente as autoridades ambientais ou o Instituto Argonauta.

Canais de contato do Instituto Argonauta: (12) 3833-4863 | (12) 3834-1382 | (12) 99785-3615.

Sobre o Instituto Argonauta

O @institutoargonauta foi criado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba (@aquariodeubatubaoficial) e, em 2024, foi reconhecido como entidade de Utilidade Pública Municipal. Com a missão de promover a conservação do meio ambiente, com foco nos ecossistemas costeiros e marinhos, o Instituto atua no desenvolvimento e apoio a projetos de pesquisa, resgate e reabilitação de fauna marinha, educação ambiental e gestão de resíduos sólidos no ambiente marinho, entre outras iniciativas. Essas ações reforçam o compromisso do Instituto em preservar a biodiversidade e sensibilizar a sociedade para a importância da proteção dos oceanos.

Seja um Argonauta

Venha conhecer o Museu da Vida Marinha @museudavidamarinha, na Avenida Governador Abreu Sodré, 1067, Perequê-Açu, Ubatuba/SP, aberto diariamente. Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, entre em contato pelos telefones 0800-642-3341 ou diretamente para o Instituto Argonauta: (12) 3833-4863 ou 3833-5789/ (12) 3834-1382 (Aquário de Ubatuba) e (12) 99785-3615 – WhatsApp. Também é possível baixar gratuitamente o Aplicativo Argonauta, disponível para os sistemas operacionais iOS (APP Store) e Android (Play Store). No aplicativo, o internauta pode informar ocorrências de animais marinhos debilitados ou mortos em sua região, bem como informar ainda problemas ambientais nas praias, para que a equipe do Argonauta encaminhe a denúncia para os órgãos competentes. A base do Instituto está situada na Tv. Baitacas, nº 20, bairro Perequê-Açu, Ubatuba/SP – CEP 11680-000.

(ComLuanna Chaves/Assessoria de Imprensa Instituto Argonauta)

Expoente portuguesa da fantasia lança livro ambientado no Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Fotos: Divulgação.

“Aquorea: Inspira”, da escritora portuguesa M. G. Ferrey, é uma das apostas de 2025 da editora Galera Record. A obra, que convida o leitor a uma jornada imersiva e emocionante, conta a história de Arabela Rosialt, uma jovem de 17 anos que, após a misteriosa morte de seu avô, viaja para o Brasil e se depara com segredos de família e um chamado irresistível do oceano.

No início da trama, Ara é despertada por sonhos eróticos recorrentes. A notícia da morte de seu avô Anadir a abala profundamente. Ele desapareceu após sair de barco e deixar uma carta enigmática. Intrigada e buscando respostas, a garota viaja com a família para a casa do avô no Brasil.

A chegada à casa da família revela um lugar mágico e cheio de lembranças. No entanto, a busca pela verdade sobre a morte de Anadir leva Ara a descobrir segredos obscuros e perigosos, que a conectam a um mundo subaquático misterioso e à lenda de Aquorea. A narrativa se aprofunda quando ela e seu amigo Colt se envolvem em uma investigação que revela laços entre sua família e esse reino aquático, repleto de seres fantásticos e disputas de poder.

M. G. Ferrey, criadora da saga “Aquorea”, é uma autora que cativa leitores com sua escrita envolvente e rica em detalhes. Com uma habilidade notável para construir mundos mágicos e personagens complexos, Ferrey já conquistou um público fiel em Portugal e agora busca expandir seu alcance no Brasil. Sua paixão pela fantasia e mitologia se reflete em cada página de “Aquorea”, tornando a leitura uma experiência única e imersiva.

M. G. Ferrey.

“Aquorea: Inspira” é mais do que uma simples história de fantasia. A obra convida o leitor a refletir sobre temas como a busca pela identidade, o poder dos laços familiares e a importância de aceitar o desconhecido. Através da jornada de Ara, M. G. Ferrey nos lembra que, muitas vezes, as respostas que procuramos estão escondidas em nosso interior e que o amor e a coragem podem nos guiar mesmo nos momentos mais sombrios.

(Com Marcelo Boeiro/Aspas & Vírgulas)

Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira anuncia Cazuza como grande homenageado da edição 2026

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Cazuza. Foto: Divulgação.

O Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira anuncia que Cazuza será o grande homenageado da sua 33ª edição, que acontecerá em 2026. A decisão foi tomada durante a mais recente reunião do Conselho do Prêmio, realizada em junho no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito à família do artista em um telefonema conjunto dos conselheiros à mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, que recebeu a notícia com entusiasmo.

A escolha de Cazuza foi aprovada por unanimidade pelos conselheiros presentes na reunião: Zé Mauricio Machline, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Zélia Duncan (que participou pela primeira vez como nova integrante do Conselho), Karol Conká, Antônio Carlos Miguel e Giovanna Machline. “Celebrar Cazuza é celebrar a coragem, a liberdade e a potência de uma obra que segue viva e necessária. Sua música e sua poesia atravessaram gerações e continuam a ecoar nas vozes e nos sentimentos de milhões de brasileiros”, destacou Zé Mauricio Machline, criador e diretor do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira.

Autor de canções que fazem parte do imaginário da música brasileira como “Exagerado”, “O Tempo Não Para”, “Codinome Beija-Flor” e “Brasil”, Cazuza é reconhecido não apenas por sua contribuição à música, mas também por seu impacto na sociedade, sua postura artística combativa e autêntica. Sua trajetória será o fio condutor do espetáculo de 2026, que promete reunir diferentes gerações de artistas para novas leituras de seu repertório, além de premiar os músicos brasileiros que mais se destacaram no ano.

Gilberto Gil e Zélia Duncan em reunião que escolheu Cazuza como homenageado da 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Foto: PMB.

Gilberto Gil comenta a importância do conselho do Prêmio na valorização da música brasileira. “Me sinto muito bem fazendo parte deste Conselho. A música sempre esteve no centro da minha vida, e estar ao lado de pessoas tão envolvidas e conscientes da responsabilidade que temos com a cultura brasileira é uma honra. São amigos, colegas, nomes que já fizeram parte dessa história e outros que estão chegando agora. Depois do Zé, sou o mais antigo por aqui, e é comovente ver como esse grupo continua unido pelo compromisso de reconhecer e celebrar a música do Brasil”, afirmou.

Zélia Duncan fala sobre o processo de escolha do homenageado. “É um processo deliciosamente democrático, uma conversa em que cada um traz sua experiência, seu gosto, sua visão. Aqui é assim: é sobre música, a opinião de cada um, a experiência, o gosto, a visão e, finalmente, saber ouvir. Estou muito feliz com a escolha do Cazuza. Acho que é um ano importante, seu nome e obra merecem ser cada vez mais valorizados. E o Prêmio vai realizar exatamente isso, que a gente bote o Cazuza no colo”. 

A 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira seguirá com o mesmo propósito de valorizar a diversidade e a riqueza da produção musical do país, promovendo encontros inéditos e apresentando ao público um panorama da música brasileira em suas múltiplas vertentes e sonoridades, através da obra imortal de Cazuza.

Sobre o Prêmio

Estabelecido em 1987, o Prêmio da Música Brasileira (PMB) é uma das mais importantes celebrações da riqueza e diversidade da música nacional. O Prêmio homenageia artistas, compositores, produtores e todos os profissionais que contribuem para a excelência da música brasileira. Dedicado a preservar e promover nossa herança cultural, o PMB celebra a história da música enquanto investe em seu futuro, oferecendo uma plataforma de soluções envolvendo a promoção da música brasileira.

Conselho reunido: Zé Mauricio Machline, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Antonio Carlos Miguel e Karol Conká, em reunião que escolheu Cazuza como homenageado da 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Foto: PMB.

Além de sua renomada premiação anual, o Prêmio também se dedica à produção de programas como “Por Acaso” e “Casa PMB”, que oferecem experiências musicais únicas e aproximam artistas e público. Por meio desses e de outros projetos, o PMB continua a enriquecer o cenário musical brasileiro, promovendo a criatividade e a inovação, e fornecendo uma ampla plataforma de soluções para a produção de formatos e apresentação musical.

Desde sua criação, o PMB tem sido um palco para celebrar talentos consagrados e emergentes. Cada nova edição visa não apenas reconhecer a excelência artística, mas também fomentar diálogos e oportunidades para os criadores. Junto a parceiros estratégicos, como uma referência na indústria musical, o PMB trabalha continuamente para inspirar e promover um ambiente vibrante para criadores e amantes da música. 

(Com Pedro Franco/Lupa Comunicação)

Exposição “Ancestral Afro-Américas” chega ao CCBB RJ

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Vista da exposição. Foto: Carol Quintanilha.

Reunindo cerca de 160 obras de renomados artistas negros do Brasil e dos Estados Unidos, a exposição “Ancestral: Afro-Américas” chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Com direção artística de Marcello Dantas e curadoria de Ana Beatriz Almeida, a mostra celebra as heranças e os vínculos compartilhados entre os povos afrodescendentes brasileiros e norte-americanos no campo das artes visuais, promovendo uma reflexão crítica sobre a diáspora africana. A mostra conta também com um conjunto de adornos comumente chamado de “joias de crioula”, indumentária usada por mulheres negras que alcançavam a liberdade no período colonial brasileiro, especialmente na Bahia, como forma de expressar sua ancestralidade, e uma seleção de arte africana da Coleção Ivani e Jorge Yunes, com curadoria de Renato Araújo da Silva. Os segmentos buscam localizar, por um lado, as brechas em que a ancestralidade africana se fez presente durante o Brasil colonial e, por outro, seus elementos na arte produzida em seu território de origem.

“A palavra ‘ancestral’ é comum tanto em inglês quanto em português. É essa origem compartilhada que buscamos evidenciar na arte contemporânea, algo que ultrapasse as barreiras geográficas, linguísticas e culturais. A exposição ‘Ancestral’ demonstra que, mesmo diante de tanta dor, sofrimento e com todo distanciamento de séculos de diáspora africana, sua arte persiste na capacidade de manter uma chama acesa ao longo do tempo”, destaca o diretor artístico da mostra, Marcello Dantas.

Foto: Jaime Acioli.

A exposição ocupará todas as oito salas do primeiro andar do CCBB RJ com obras de artistas como Abdias Nascimento, Simone Leigh, Emanuel Araújo, Sonia Gomes, Leonardo Drew, Mestre Didi, Melvin Edwards, Lorna Simpson, Kara Walker, Arthur Bispo do Rosário, Carrie Mae Weems, Monica Venturi, Julie Mehretu, entre outros. “Nós nos deixamos guiar pelos grupos e comunidades da diáspora africana que reimaginaram o conceito de servidão nessas nações coloniais para as quais foram trazidas, contribuindo de maneira significativa para a construção da identidade nacional desses lugares. A partir da ideia de seres humanos que reinventam sua existência em um ambiente hostil, selecionamos artistas que evocam essa invenção, essa transformação, e esse processo de ‘tornar-se’ como uma poderosa ferramenta, poética e estética”, ressalta a curadora Ana Beatriz Almeida.

Neste contexto, serão apresentados trabalhos inéditos das brasileiras Gabriella Marinho e Gê Viana e da norte-americana Simone Leigh, primeira mulher afro-americana a representar os Estados Unidos na Bienal de Veneza. O também norte-americano Nari Ward traz para a mostra um trabalho criado em solo brasileiro exclusivamente para a ocasião, no qual incorpora objetos do cotidiano, enriquecendo o intercâmbio artístico entre as nações.

Foto: Jaime Acioli.

Também fazem parte da mostra nomes como Abdias Nascimento, ícone do ativismo cultural no Brasil, amplamente reconhecido por suas contribuições à valorização da cultura afro-brasileira e por ter recebido o Prêmio Zumbi dos Palmares. Entre os artistas norte-americanos, Kara Walker se destaca com sua arte provocativa, que examina questões históricas e sociais, que lhe rendeu o prestigiado Prêmio MacArthur. Julie Mehretu é outra presença significativa, reconhecida por suas complexas pinturas que estabelecem um diálogo com a geopolítica atual, acumulando uma série de prêmios ao longo de sua carreira. Complementando esse panorama, a destacada artista brasileira Rosana Paulino traz um olhar crítico sobre raça e identidade, ressaltando a diversidade e a profundidade das vozes representadas na mostra.

Ainda se somam a eles nomes como o da jovem artista Mayara Ferrão, que utiliza a inteligência artificial para repensar cenas de afeto entre pessoas negras e indígenas não contadas pela “história tradicional”, e Arthur Bispo do Rosário, com seus mantos bordados e objetos que transcenderam o tempo e subverteram o conceito de beleza e loucura. Reforçando o diálogo poderoso sobre identidade, cultura e história e refletindo a complexidade da experiência humana, há obras de Kerry James Marshall, Carrie Mae Weems e Betye Saar.

Foto: Jaime Acioli.

A exposição, que agora chega ao CCBB RJ, teve início em São Paulo, com a curadoria conjunta de Ana Beatriz Almeida e Lauren Haynes. De lá, a mostra seguiu para o CCBB Belo Horizonte, onde houve o acréscimo da parte africana, e desta mesma forma será apresentada no CCBB Rio de Janeiro. Ancestral: Afro-Américas é apresentada pelo Ministério da Cultura e BB Asset, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

NÚCLEOS TEMÁTICOS

A mostra está dividida em três eixos – corpo, sonho e espaço –, oferecendo reflexões sobre a afirmação do corpo, a dimensão onírica dos sonhos e a reivindicação de espaço. Através desses eixos, “Ancestral: Afro-Américas” promove um encontro que valoriza o conceito de identidade afro-americana no Brasil e nos EUA e também a arte decolonial. A exposição não apenas homenageia os artistas que desafiaram as brutalidades e o apagamento do colonialismo, mas também busca fomentar um diálogo aberto sobre o impacto e a relevância das raízes africanas ancestrais na sua formação e em seus contextos sociais.

Foto: Jaime Acioli.

No núcleo “corpo”, as obras exploram os limites da representação. O ato de retratar uma pessoa negra em uma obra de arte – seja representando o outro ou a si mesmo – frequentemente constitui um poderoso ato de resistência. Este enfoque não só desafia as narrativas dominantes, como também desempenha um papel fundamental na reformulação do cânone da arte. Esta seção conta com nomes como Benny Andrews, cujas narrativas vibrantes destacam histórias pessoais e coletivas; Carlos Martiel, que aborda temas como imigração e identidade; e Dalton Paula, que trabalha com a memória cultural e as complexidades da representação. Reunidas, as obras deste núcleo trazem à tona um diálogo contínuo na arte contemporânea.

As obras do núcleo “espaço” examinam propostas de construção de mundo e criação de lugares, evidenciadas pelas múltiplas habilidades dos artistas apresentados nesta exposição. Ao tratar de temas como imigração, história e comunidade, esses artistas desafiam percepções convencionais de espaço e pertencimento. Esta seção cujos trabalhos vibrantes entrelaçam elementos naturais e urbanos, conta com artistas como Leonardo Drew, conhecido por suas instalações escultóricas que parecem explodir das paredes; Sonia Gomes, que usa materiais reaproveitados para explorar as relações entre memória e lugar; e Caroline Kent, cujas composições abstratas refletem sobre a fluidez da identidade. Juntas, as obras não apenas expandem nossa compreensão de “espaço”, como também convidam à contemplação sobre as conexões profundas entre os mundos que habitamos e as histórias que eles contêm. Também neste núcleo estarão 26 joias de crioula, peças de indumentária que constituem uma joalheria ritual para afirmação da ancestralidade africana por mulheres negras que conquistavam sua liberdade através do trabalho nas ruas, principalmente na Bahia, durante o período colonial brasileiro. Além de adornos, eram frequentemente utilizadas como instrumento de emancipação sociocultural, servindo como moeda e também como fundo de investimento para a compra de liberdade de outras mulheres.

Foto: Jaime Acioli.

Já no núcleo “sonho”, as obras expandem os limites da abstração, promovendo a contemplação e provocando reflexão. Por meio do uso inovador de cor, forma e textura, os artistas exploram temas complexos que desafiam as noções tradicionais de representação. Neste segmento estão presentes obras de Betye Saar, que combina elementos de colagem e assemblage para abordar identidade e herança; Simone Leigh, cujo trabalho é uma contínua investigação da subjetividade negra identificada como feminina; Murry Depillars, conhecido por suas composições vibrantes que evocam tanto movimento quanto emoção; Kevin Beasley, que habilmente integra materiais capazes de refletir narrativas pessoais e culturais; e Sam Gilliam, cujas telas drapeadas redefinem os limites da pintura.

NÚCLEO DE ARTE AFRICANA

A exposição celebra as conexões entre a herança africana e a arte contemporânea no Brasil e nas Américas, destacando a ancestralidade como uma grande fonte de criatividade artística. Desta forma, para ampliar o conceito, a mostra terá um núcleo de Arte Africana Tradicional, com curadoria de Renato Araújo da Silva, trazendo obras de povos de países como Nigéria, Benim, Guiné, Guiné-Bissau, Angola e República Democrática do Congo. A seção homenageia o continente de origem da humanidade, evidenciando a força das tradições e inovações culturais transmitidas ao longo do tempo.

Foto: Jaime Acioli.

“A seção de arte africana na exposição Ancestral apresenta obras dos povos da costa ocidental do continente, como Jorubá da Nigéria, Fon do Benim, Bijagó da Guiné-Bissau, Baga da Guiné, além de povos das regiões mais centrais da África, como os Tchokwe da Angola, os Bakuba e Bakongo da República Democrática do Congo, entre outros”, conta o curador Renato Araújo da Silva. A intenção é não apenas homenagear o passado, mas também fazer um convite à reflexão sobre a resiliência e a criatividade que marcam as heranças da África. “Esses objetos, que outrora serviram a funções espirituais, sociais ou utilitárias, transcendem o tempo ao conectar o público contemporâneo às raízes profundas da humanidade. A interação entre formas e significados que atravessaram o Atlântico revela uma continuidade cultural que persiste mesmo frente às adversidades”, afirma o curador.  

Sobre os curadores: 

Ana Beatriz Almeida é artista visual, curadora e historiadora da arte, com foco em manifestações africanas e na diáspora africana. Nascida em Niterói (Brasil), em 1987, é mestre em História da Arte e Estética pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP) e atualmente é doutoranda em Estudos de Museus na University of Leicester, no Reino Unido. Almeida é também cofundadora e curadora da plataforma de arte 01.01, consultora curatorial do MAC-Niterói e foi curadora convidada do Glasgow International 2020/2021. Participou de residências curatoriais em Gana, Togo, Benim e Nigéria, durante as quais pôde se reconectar com parte de sua família que retornou ao Benim durante o período da escravidão. Como artista, desenvolveu ritos em homenagem àqueles que não conseguiram sobreviver à travessia atlântica durante o tráfico de escravizados. Sua técnica N’Gomku foi desenvolvida ao longo de cinco anos de pesquisa para a UNESCO sobre as tradições das comunidades afro-brasileiras do Baba Egum e da Irmandade da Boa Morte. Apresentou performances no Centro Cultural São Paulo, Itaú Cultural, SESC Ipiranga e Casa de Cultura da Brasilândia, em São Paulo; e na Bienal do Recôncavo, na Bahia. Ministrou um curso de verão sobre sua técnica de performance na Goldsmiths University, em Londres, Inglaterra, e participou da residência artística Can Serrat, em Barcelona, Espanha. O trabalho de Almeida integra a coleção permanente do Instituto Inhotim, em Brumadinho.  

Renato Araújo da Silva graduou-se em filosofia em 2002 pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisador e curador, atua como consultor em arte africana das Coleções Ivani e Jorge Yunes desde 2018, Cerqueira Leite e Tomás Alvim, desde 2021. Assina exposições como curador de arte africana e asiática. Foi curador da exposição trilogia África, Mãe de Todos Nós (MON-Curitiba 2019) e da exposição “A Outra África trabalho e religiosidade” (Museu de Arte Sacra de São Paulo 2020), Crenças da Ásia – Museu de Arte Sacra e Diversidade Religiosa de Olímpia (2024). Além de ser autor de dezenas de catálogos de exposições, foi coautor do livro África em Artes (Museu Afro Brasil, 2015), é autor dos livros Arte Africana Máscaras e Esculturas 2 vols. (Beï 2024-225), Legados Arte Africana da Col. Cerqueira Leite (Unicamp-PUC-Campinas 2023), 5 mil anos de Arte Chinesa. (Instituto Confúcio 2024) e coautor de Sol Nascente a Col. de arte Japonesa Cerqueira Leite (PUC-Campinas 2024) e dos e-books Arte Afro-Brasileira altos e baixos de um conceito (Ferreavox 2016) e “Temas de Arte Africana” (Ferreavox 2018), entre outros. 

Sobre o diretor artístico:

Marcello Dantas é um premiado curador interdisciplinar com ampla atividade no Brasil e no exterior. Trabalha na fronteira entre a arte e a tecnologia, produzindo exposições, museus e múltiplos projetos que buscam proporcionar experiências de imersão por meio dos sentidos e da percepção. Nos últimos anos esteve por trás da concepção de diversos museus, como o Museu da Língua Portuguesa e a Japan House, em São Paulo; Museu da Natureza, na Serra da Capivara, Piauí; Museu da Cidade de Manaus; Museu da Gente Sergipana, em Aracaju; Museu do Caribe e o Museu do Carnaval, em Barranquilla, Colômbia.  Realizou exposições individuais de alguns dos mais importantes e influentes nomes da arte contemporânea como Ai Weiwei, Anish Kapoor, Bill Viola, Christian Boltanski, Jenny Holzer, Laurie Anderson, Michelangelo Pistoletto, Studio Drift, Rebecca Horn e Tunga. Foi também diretor artístico do Pavilhão do Brasil na Expo Shanghai 2010, do Pavilhão do Brasil na Rio+20, da Estação Pelé, em Berlim, na Copa do Mundo de 2006. Foi curador da Bienal do Mercosul, realizada em 2022, em Porto Alegre, e é atualmente curador do SFER IK Museo em Tulum, no México. Formado pela New York University, Marcello Dantas é membro do conselho de várias instituições internacionais e mentor de artes visuais do Art Institute of Chicago.  

Sobre o CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo o que você imaginar.   

Serviço:

Ancestral: Afro-Américas

Até 1º de setembro de 2025

Classificação indicativa: livre

Entrada gratuita

Ingressos disponíveis na bilheteria física ou pelo site do CCBB – bb.com.br/cultura.

Curadoria: Ana Beatriz Almeida

Curadoria núcleo de Arte Africana: Renato Araújo da Silva

Direção Artística: Marcello Dantas

Produção: Magnetoscópio

Patrocínio: BB Asset e Google

Realização: Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro 

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – 1º andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ

Informações: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças-feiras.

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(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)