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Galeria MapaFoto apresenta exposição “CorpoFala”, com curadoria e mobiliário de Ricardo van Steen

São Paulo, por Kleber Patricio

Juvenal Pereira, sócio, fotografia 1979 manipulada em tramas horizontais e verticais em 2012 | Impressão em processo de gelatina de prata | 20cm x 25 cm.

Imagens tocam, móveis não apenas servem ao corpo: eles o convocam. O encontro entre esses dois campos define CorpoFala, última exposição do ano da galeria MaPaFoto, e apresenta fotografias vintage em diálogo com o mobiliário de Ricardo van Steen.

No fundo, tanto a fotografia quanto o móvel são dispositivos que moldam relações. A fotografia cria uma distância que é sempre frágil: ela captura um corpo, mas devolve ao observador a sensação de ser também capturado. É um espelho assimétrico, o gesto de olhar sempre devolve alguma coisa de nós mesmos. Há um jogo entre presença e ausência que se reinscreve a cada observação. O mobiliário, por sua vez, opera no sentido oposto — ele não captura, mas organiza. Ele acolhe, orienta, enquadra. Ao fazer o corpo repousar, sentar-se, apoiar-se, produz um mapa silencioso de gestos. E é nesse mapa que percebemos o quanto nossa relação com os objetos não é neutra: eles nos conduzem, mesmo quando não percebemos. CorpoFala tensiona essas duas forças.

No processo de seleção das imagens, Ricardo identificou um grupo onde o fotógrafo sempre recorria a algum expediente importado de outras formas de expressão artística para fazer sua imagem acontecer: pintura, escultura, colagem, cinema, performance. E, como essa intenção explícita de fazer sua arte dialogar com outras artes sempre foi o principal mecanismo que imprimiu em seus múltiplos meios de expressão, Ricardo resolveu juntar as duas coisas em um só momento.

Francisco Aszman, sem título,1950, Impressão em gelatina de prata, 30cm x 40cm.

Fotografias vintage de diferentes décadas e procedências: os nus monumentais de Helmut Newton, as cenas coreografadas por Vânia Toledo, os rituais de Orlando Brito, as composições surrealistas de Francisco Aszman, os registros anônimos dos anos 1950–1970 e as manipulações tramadas de Juvenal Pereira. Nesse encontro, surge algo que ultrapassa a mera soma das partes. A fotografia, quando olhada ao lado de um móvel que solicita o corpo, deixa de ser objeto para se tornar acontecimento. E o móvel, ao ser acionado pelo visitante que acabou de atravessar a experiência do olhar fotográfico, também fala — não com palavras, mas com o modo como faz o corpo existir no espaço.

Serviço:

Exposição CorpoFala

Curadoria e mobiliário: Ricardo van Steen

Local: Galeria MaPaFoto

Abertura: 11 de dezembro, quinta-feira, das 18h às 21h

Endereço: Rua Heitor Penteado, 220 – loja 11

Visitação: até 02 de fevereiro de 2026

Horários: de terça a sexta, das 14h30 às18h (qualquer outro horário sob agendamento).

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)

Academia Jovens Músicos comemora 15 anos com concerto gratuito no Teatro Dr. Losso Netto em Piracicaba

Piracicaba, por Kleber Patricio

Orquestra Filarmônica Jovens Músicos vai interpretar Johannes Brahms e Beethoven. Foto: Juarez Godoy.

A Academia Jovens Músicos celebra na quarta-feira, 10 de dezembro, às 20 horas, no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, dois marcos especiais: seus 15 anos de história e os 10 anos de parceria contínua com a Caterpillar. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados pelo site www.academiajovensmusicos.org.br.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura e da Academia Jovens Músicos, com Patrocínio Platinum da Andritz Fabrics and Rolls, Patrocínio Diamante da CPFL Energia e da Caterpillar, Patrocínio Prata da Phinia, da Case IH e da Hyundai Motor Brasil; Patrocínio Bronze do Café Morro Grande e Apoio da Painco, da Unimil, do Instituto CPFL, do Banco CNH Capital, Megabilheteria e da Secretaria Municipal de Cultura de Piracicaba, com produção cultural da 3marias Produtora.

A noite terá início com uma apresentação no hall de entrada do teatro, protagonizada pelos alunos que integram os grupos pedagógicos da Academia Jovens Músicos. Sob a regência do maestro Anderson de Oliveira, o concerto seguirá com a Orquestra Filarmônica Jovens Músicos — formada por professores, estudantes e convidados — que celebram uma trajetória dedicada à arte, à educação e ao impacto social transformador da música.

O concerto contará com a participação especial do Coro Contemporâneo de Campinas, sob a direção de Angelo Fernandes, e do Coro Madrigal São Paulo, além do renomado pianista Leonardo Hilsdorf. Integram ainda a apresentação os solistas Katherine de Andrade (soprano 1), Leynad Cavalcante (soprano 2), Mariana Ciriaco (contralto), Renato Fontebasso (tenor 1), Maurício Valer (tenor 2) e Enrique Auco (baixo).

Repertório com Johannes Brahms e Beethoven

O repertório da Filarmônica Jovens Músicos simboliza a grandiosidade da data, reunindo obras que expressam força, celebração e esperança: Abertura Festival Acadêmico, Op. 80, de Johannes Brahms e Fantasia Coral, Op. 80, de Ludwig van Beethoven.

Para o maestro e coordenador da Academia Jovens Músicos, a noite de celebração marca um capítulo importante na história da Academia, que segue inspirando e transformando vidas por meio da música. “São 15 anos dedicados a um propósito: formar músicos e cidadãos. Este concerto é um agradecimento aos pais, professores, alunos e equipe, aos nossos parceiros e apoiadores, ao Ministério da Cultura, à comunidade que acredita na força transformadora da arte e, especialmente, à Caterpillar, uma empresa que investe e acredita no nosso trabalho há 10 anos”, destaca o maestro Anderson de Oliveira.

Solista: Leonardo Hilsdorf um dos principais pianistas brasileiros de sua geração

O pianista Leonardo Hilsdorf e o maestro Anderson de Oliveira. Fotomontagem: Heloisa Bortz e Juarez Godoy.

O pianista é reconhecido como um dos principais pianistas brasileiros de sua geração, com carreira internacional pela Europa, Estados Unidos e América Latina. Foi solista residente da Capela Musical Rainha Elisabeth, na Bélgica, onde trabalhou com Maria João Pires, sua mentora. Leonardo é vencedor de importantes concursos internacionais, incluindo o Prêmio Nadia e Lili Boulanger (Paris), o Prêmio Especial da União Europeia (San Sebastián) e o Concurso Internacional Yamaha JJC (México).

Apresentou-se em salas de renome como Concertgebouw, Flagey, Bozar, Beethoven-Haus, Sala São Paulo e Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou como solista com a Orchestre Philharmonique de Radio France, Royal Wallonie Orchestra, Orquestra Sinfônica de Yucatán e diversas orquestras brasileiras. Dedica-se à valorização da música brasileira, incluindo a estreia da Fantasia Concertante de Edino Krieger com a OSESP e o projeto de gravação das Sonatinas de José Siqueira. Formado pela USP, NEC Boston e Hochschule Köln, acaba de concluir o Konzertexamen e um Doutorado em Estudos Culturais pela Universidade Católica de Lisboa.

Sobre o Maestro Anderson de Oliveira

Anderson de Oliveira é maestro, idealizador e coordenador da Academia Jovens Músicos. É formado em Composição e Regência pela Unicamp. Após a graduação, aprimorou-se em regência sob a orientação dos renomados maestros Henrique Gregori e Roberto Tibiriçá. Participou de especializações e masterclasses com figuras internacionais como Daisuke Soga, Rodolfo Fischer, Jac Van Steen, Catherine Larsen-Maguire e Neeme Järvi. Regeu a Sinfônica de Ribeirão Preto, a Sinfônica de Goiânia, a Sinfônica da Unicamp, a Sinfônica do Festival de Música de Londrina e a Orquestra Haydn de Vienna. Em 2022, foi admitido para a final das competições internacionais Orchestra’s Conductors, na Romênia. Ganhou um “Special Prize” no Vienna Schule Conducting Competition, em Viena, Áustria.

Com uma sólida trajetória em regência, ele já esteve à frente de performances marcantes dos principais solistas brasileiros. Com vasta experiência na condução de orquestras e na formação de jovens músicos, Anderson tem sido uma figura essencial na democratização da música de concerto. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a inclusão social por meio da música, aliando excelência artística a iniciativas de impacto cultural e educacional, conduzindo projetos inovadores que transformam vidas por meio da música.

Serviço:

Concerto comemorativo de 15 anos da Academia Jovens Músicos e 10 anos de parceria com a Caterpillar

Data/Hora: 10/12/2025 (quarta-feira) – 20 horas

Local: Teatro Dr. Losso Netto – Av. Independência, 277, Piracicaba/SP

Ingressos limitados: Retirar os ingressos gratuitamente pelo site www.academiajovensmusicos.org.br

Lei Federal de Incentivo à Cultura

Patrocínio Platinum: Andritz Fabrics and Rolls

Patrocínio Diamante: CPFL Energia e Caterpillar

Patrocínio Prata: Phinia, Case IH e Hyundai

Patrocínio Bronze: Café Morro Grande

Apoio: Painco, Unimil, Instituto CPFL, Banco CNH Capital e Secretaria Municipal de Cultura de Piracicaba

Produção Cultural: 3marias Produtora

Realização: Ministério da Cultura e Academia Jovens Músicos.

(Com Luciana Correa/Ozônio Propaganda)

Turismo de Base Comunitária inaugura temporada em Ilhabela

Ilhabela, SP, por Kleber Patricio

Foto: Dani Garbiatti.

“Quer conhecer a Baía de Castelhanos de verdade? Vem com o TBC de Castê!” — esse é o lema do grupo de Turismo de Base Comunitária de Castelhanos, em Ilhabela (SP), que busca promover seu jeito de fazer turismo. O TBC de Castê é uma alternativa ao turismo de massa e oferece muito além de sol, praia e mar, conduzindo as pessoas a um passeio não só pelo espaço, mas também pelo tempo, pela história, pelos saberes e fazeres caiçaras neste local de inegável beleza natural que abriga seis comunidades tradicionais.

Para isso, o TBC de Castê oferece inúmeras experiências (clique nos links). Trilhas para praias, cachoeiras, ruínas e mirantes guiadas por quem conhece cada pedaço desse chão; oficinas como as de rede de pesca, farinha e biojoias ministradas por quem herdou saberes de gerações; passeios de barco e canoa e visita ao cerco de pesca, com quem se sustenta em harmonia com o mar; refeições com peixe fresco e ingredientes da horta servidas nas varandas e quintais com o sabor de um modo de vida; hospedagens que oferecem a mais rica simplicidade de pernoitar cercado de natureza e paz; roteiros completos de 1, 2 ou 3 dias que reúnem um conjunto de atividades – alguns voltados a grupos e escolas, que podem realizar ali um belíssimo Estudo do Meio em qualquer época do ano. Essas são algumas das várias opções para quem quer conhecer Castelhanos de verdade, como o próprio lema do TBC de Castê propõe.

Foto: Dani Garbiatti.

Além de promover uma vivência genuína para o turista, que conhece o território com quem nele está há mais de dois séculos, o TBC de Castê beneficia diretamente a comunidade. Por ser construído e gerenciado pelos moradores, gera renda, trabalho justo, incentivo à permanência dos jovens no território, valorização dos anciões, empoderamento e autonomia, além de preservar a natureza.

O Turismo de Base Comunitária de Castelhanos nasceu em 2017 por iniciativa dos caiçaras da Baía de Castelhanos, apoiados pela Associação Castelhanos Vive. A iniciativa é parte de um movimento de reafirmação da cultura caiçara que se iniciou com a luta das Comunidades Tradicionais de Ilhabela e da Sociedade Civil contra projetos e grandes empreendimentos que afetavam diretamente a população.

Foto: Florie Thielin.

Em 2024, a Associação Castelhanos Vive foi contemplada no edital 045/2024 da Secretaria de Cultura do Município de Ilhabela e com isso viabilizou o desenvolvimento do projeto “Cultura Caiçara em Foco: o Turismo de Base Comunitária de Castelhanos como Difusor do Saber Fazer”. Assim, durante 2024 e 2025, o TBC de Castê realizou inúmeras reuniões internas para criar e disponibilizar novas atividades e serviços. Com o objetivo de fortalecer a iniciativa e formar parcerias, participou de eventos com a Secretaria de Turismo, o Parque Estadual de Ilhabela, instituições de educação e o setor de turismo da cidade, contemplado por agências, jipeiros e rede hoteleira. Durante o período, também contou com uma equipe técnica que criou identidade visual e editorial, renovou o site, a página de Instagram e desenvolveu novos materiais – como o livreto distribuído pela cidade – e produtos para venda, como xícaras e ímãs.

Com a conclusão deste projeto, agora ao final de 2025, o TBC de Castê espera cada vez mais atuar junto ao trade de turismo e instituições de ensino, desenvolvendo um turismo responsável, solidário e sustentável na região, além de fortalecer a rede de turismo de base comunitária Brasil afora e inspirar iniciativas similares. O TBC de Castê almeja seguir na construção de um turismo bom para todos: que traga impactos positivos para os caiçaras e ofereça experiências autênticas para os visitantes que queiram conhecer de verdade esta linda Baía localizada do lado oceânico da paradisíaca Ilhabela.

(Com Camila Prado/CH2 Comunicação Estratégica)

Megafauna marinha e grandes mamíferos terrestres do litoral do Paraná estão ameaçados de extinção

Paraná, por Kleber Patricio

Onça-pintada. Fotos: Divulgação.

O programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) apoia projetos estratégicos de conservação, pesquisa e uso sustentável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação (UCs) e ampliando o conhecimento sobre as espécies terrestres e marinhas. Entre eles estão o MegaCoast-PR, coordenado pela Associação MarBrasil, que monitora a megafauna marinha (golfinhos, baleias, tartarugas, aves e tubarões), e o One Blue Health, que avalia a saúde dos ecossistemas por meio de análises integradas de fauna, ambiente e seres humanos. Já em terra, o BLP apoia o Monitora Serra do Mar, que acompanha grandes mamíferos e aves cinegéticas e/ou ameaçadas de extinção – como onça-pintada, anta, queixada, puma, veado, cateto, macuco, inhambus, urus e jacutinga – e monitora o ecossistema de Floresta Atlântica, incluindo as de florestas de terras baixas, submontana e montana.

O litoral do Paraná, onde essas iniciativas acontecem, é uma das regiões mais singulares do Brasil. Reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, abriga áreas Ramsar (sítios de relevância internacional para a conservação de áreas úmidas) e integra a Grande Reserva Mata Atlântica — maior remanescente protegido do bioma no mundo, com quase 3 milhões de hectares de áreas naturais, florestas, manguezais e águas costeiras preservadas nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. É um território que funciona como berçário, área de alimentação e rota migratória para espécies raras, endêmicas e ameaçadas.

Tayassu pecari.

“Estamos em uma região que é casa para espécies que só ocorrem aqui, como o papagaio-de-cara-roxa — ave endêmica do litoral norte do Paraná e sul de São Paulo, protegida há mais de 20 anos por um projeto da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), que conseguiu reverter a tendência de desaparecimento da espécie —, mas também rota de baleias-francas, golfinhos, tubarões-martelo, raias-manta e aves migratórias que vêm da Antártica e da Europa”, explica Camila Domit, pesquisadora do Laboratório de ecologia e Conservação (LEC) da UFPR e da Associação MarBrasil, e coordenadora do projeto MegaCoast-PR.

Megafauna marinha: inovação científica e saúde única

No campo da inovação científica, destaca-se o uso do DNA ambiental, metodologia empregada pelo projeto MegaCoast. A técnica consiste em coletar amostras de água e identificar, por meio de fragmentos genéticos nela presentes, quais espécies de animais ou microrganismos estão circulando naquele ecossistema. O método já revelou, por exemplo, a presença de bactérias que sinalizam riscos não apenas para a fauna, mas também para a saúde humana. “Já detectamos bactérias com alta resistência a antibióticos, o que nos leva a discutir a relação entre saúde do ecossistema, da fauna e dos humanos. Golfinhos, por exemplo, compartilham conosco a cadeia alimentar e são sentinelas da saúde ambiental. Se eles adoecem, nós também estaremos vulneráveis”, afirma Camila, da UFPR e MarBrasil.

Tecnologia SMART.

Outra inovação do projeto MegaCost-PR é o rastreamento acústico de animais marinhos, realizado em parceria com o LEC/UFPR e o Projeto Meros do Brasil. A iniciativa conecta o Paraná a uma rede de telemetria que se estende do Norte ao Sul do país, permitindo identificar as áreas prioritárias para a conservação das espécies e acompanhar os trajetos de espécies migratórias ameaçadas, como peixes ósseos, tubarões, raias, tartarugas marinhas. Estas informações são essenciais para subsidiar políticas públicas brasileiras e convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, tal como Comissão de espécies migratórias (CMS).

Além da ciência de ponta, há espaço para o envolvimento social. “Qualquer pessoa pode contribuir registrando avistagens de golfinhos, baleias e tartarugas em nosso site ou nos comunicando via o perfil de mídia social @lecufpr. A ciência cidadã colabora com o monitoramento e aproxima comunidades pesqueiras e litorâneas ao processo de construção do conhecimento regional da biodiversidade”, completa a pesquisadora.

O diálogo com comunidades tradicionais e pescadores artesanais locais também é importante para mitigar conflitos relacionados pelo uso de áreas comuns entre espécies ameaçadas e atividades econômicas de interesse humano. “As mesmas áreas de alta produtividade pesqueira são áreas de alimentação da fauna marinha. Nosso papel é mapear essas sobreposições e construir, junto com as comunidades, soluções que conciliem direitos e usos, integrando a conservação, aspectos culturais e quanto a segurança alimentar”, explica Camila.

Grandes mamíferos terrestres: sentinelas da Mata Atlântica

Tapirus terrestris.

Enquanto o mar exige atenção, a floresta litorânea também dá sinais de alerta. O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que reúne diferentes iniciativas voltadas à conservação de espécies-chave da Mata Atlântica, inclui o projeto Monitora Serra do Mar, apoiado pelo BLP e executado pelo IPeC – Instituto de Pesquisas Cananeia com o Instituto Manacá. A iniciativa acompanha quatro espécies emblemáticas, que são onça-pintada, onça-parda, anta e queixada. Todas ameaçadas na Mata Atlântica, sendo que três delas já estão classificadas como “criticamente ameaçadas” no Paraná. “A anta praticamente desapareceu das florestas de terras baixas do litoral, e a onça-pintada tem hoje uma população muito baixa, restrita a áreas remotas da Serra do Mar”, alerta Roberto Fusco, coordenador do projeto Monitora Serra do Mar.

Consideradas como sentinelas ambientais, por serem mais vulneráveis à caça e à perda de habitat, essas espécies são as primeiras a desaparecerem, indicando assim, a qualidade de conservação de uma floresta. Além disso, são espécies-guarda-chuva, sua proteção garante a conservação de diversos outros organismos e do próprio habitat.

Apesar do cenário crítico, Fusco vê sinais de esperança. “Em áreas com fiscalização intensiva, identificamos indícios de recuperação. Esses dados nos permitem recomendar regiões estratégicas para reforço populacional, com solturas de antas e queixadas. No caso da onça-pintada, os desafios logísticos e genéticos são maiores, mas não podemos descartar”.

Tecnologia e participação comunitária

As novas ferramentas de monitoramento são parte central da estratégia de conservação apoiada pelo BLP. Uma delas é o SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tools), plataforma usada em dezenas de países que digitaliza e padroniza dados de campo, permitindo que patrulhas registrem em tempo real desde avistamentos de fauna até atividades ilícitas como caça e extração de palmito.

No Paraná, essa tecnologia foi incorporada ao Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), iniciativa nacional que coleta e analisa informações sobre a biodiversidade em UCs de todo o país. Em parceria com o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, gestores de UCs da região receberam treinamento para aplicar o SMART, utilizar armadilhas fotográficas e sistematizar dados na produção de indicadores sobre médios e grandes mamíferos ameaçados de extinção e alvos de caça ilegal.

Essa integração fortaleceu a fiscalização e o manejo da biodiversidade e abriu espaço para o engajamento da sociedade. “Ao capacitar comunidades locais para usar essas ferramentas, consolidamos os Agentes de Monitoramento que reforçam a fiscalização, ampliam a intolerância à caça ilegal e ainda geram renda”, explica Roberto Fusco.

Para Camila, da UFPR e MarBrasil, o diálogo que nasce a partir desses resultados é também político. “Os dados do projeto devem orientar gestores públicos, empreendedores e órgãos licenciadores. É sobre qualificar as metodologias de monitoramento, reduzir custos e, sobretudo, harmonizar os diferentes usos do território sem perder de vista a vida que depende dele”.

Sobre o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná

Criado em 2021, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná promove a conservação, a pesquisa e o uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense. Financiado pelo Termo de Acordo Judicial (TAJ) firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, o Programa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: serão mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.

A governança do programa é compartilhada entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino superior e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), supervisionados pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Paraná. A gestão financeira e operacional do Programa é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Para saber mais, acesse www.biodiversidadelitoralpr.com.br.

(Com Jéssica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)

OCAM realiza concerto de Natal no dia 14 de dezembro

São Paulo, por Kleber Patricio

Coro Infantil São Carlos Acuti. Foto: Divulgação.

Finalizando um ano marcado por ampla programação de espetáculos e iniciativas que fortaleceram o acesso democrático à música, a Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM) realiza sua última apresentação de 2025 no dia 14 de dezembro, às 11h30, na Fundação Maria Luísa e Oscar Americano. Em clima natalino, o concerto reúne a orquestra e o Coro Infantil São Carlos Acuti, celebrando a data com um programa especialmente preparado para a ocasião. Os arranjos destacados no repertório trazem novas cores a clássicos de diferentes épocas. A entrada é gratuita mediante a doação de um brinquedo novo, que será destinado às crianças atendidas pelo Hospital Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci).

O repertório percorre diferentes períodos e tradições musicais, começando por Toada à Moda Paulista, de Camargo Guarnieri, e pelo clássico barroco Concerto Grosso nº 8 em Sol menor, Op. 6 – Concerto de Natal, de Arcangelo Corelli, uma das mais emblemáticas da temporada. A programação também inclui a célebre Jesus, Alegria dos Homens, de J. S. Bach, que reforça o caráter espiritual e solene do programa, e a contemporânea On the Nature of Daylight, de Max Richter, conhecida por sua atmosfera emocional.

No eixo das canções tradicionais de Natal, o público poderá ouvir Natal Branco, de Irving Berlin, além de interpretações de clássicos universais como Adeste Fideles, em arranjo de David Willcocks, Noite Feliz, em arranjo de Ryan Brandau, e We Wish You a Merry Christmas, na versão arranjada por Horst Hinze. O programa se completa com Natal Menino, de Amaury Vieira, e com a tradicional Alegria de Natal, da tradição gaulesa, que encerram a apresentação em um clima acolhedor e festivo. O concerto conta com a regência de Ricardo Bologna, diretor e regente titular da OCAM, e com a participação especial do Coro Infantil São Carlos Acuti, sob regência de André Heryson. A presença do coro confere à apresentação uma atmosfera ainda mais sensível e emotiva, reforçando a proposta de celebração, união e partilha, a marca desta programação de fim de ano. “Este concerto de Natal é uma celebração da música como gesto de generosidade. Encerramos o ano compartilhando arte, afeto e tradição reunindo a orquestra, o coro infantil e o público em um encontro que simboliza união e esperança tradicionais do momento”, comenta Ricardo Bologna.

SERVIÇO:

Concerto de Natal – OCAM & Coro Infantil São Carlos Acuti

Data: 14 de dezembro de 2025 | domingo | Horário: 11h30

Local: Fundação Maria Luísa e Oscar Americano – Av. Morumbi, 477, Morumbi, São

Paulo, SP

Entrada: Um brinquedo novo, a ser doado para as crianças do Hospital Itaci –

Instituto de Tratamento do Câncer Infantil

Programa

Camargo Guarnieri – Toada à Moda Paulista

Arcangelo Corelli – Concerto Grosso nº 8 em Sol menor, Op. 6 – Concerto de

Natal

J. S. Bach – Jesus, Alegria dos Homens

Max Richter – On the Nature of Daylight

Irving Berlin – Natal Branco

John Francis Wade/David Willcocks (arr.) – Adeste Fideles

Amaury Vieira – Natal Menino

Franz Xaver Gruber/Ryan Brandau (arr.) – Noite Feliz

Horst Hinze (arr.) – We Wish You a Merry Christmas

Melodia Gaulesa – Alegria de Natal

Participações:

Coro Infantil São Carlos Acuti

Regência do coro: André Heryson

Regência titular: Ricardo Bologna

Sobre a OCAM | A Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM), um dos principais organismos artísticos da Universidade de São Paulo, celebra 30 anos de trajetória, consolidando-se como uma referência fundamental entre as orquestras profissionalizantes do Brasil. Fundada em 1995 pelo maestro Olivier Toni, a OCAM é composta por alunos do Departamento de Música da USP e de cursos de extensão universitária. Sob a direção do maestro Ricardo Bologna, a orquestra tem se destacado no cenário musical brasileiro, sendo reconhecida pela sua qualidade e pela diversidade de seu repertório. Ao longo dessas três décadas, a OCAM já formou mais de 800 alunos bolsistas, contou com a participação de cerca de mil convidados, entre maestros e solistas, e promoveu cerca de 300 masterclasses abertas à comunidade. Com aproximadamente dois mil concertos realizados, a orquestra tem desempenhado um papel essencial na vida cultural da USP e na promoção da música no Brasil. Seu trabalho vai além da arte musical, trazendo à tona questões sociais, promovendo a inclusão e gerando reflexões sobre a música e sua função social. Desde 2021, após a pandemia, a orquestra já arrecadou nove toneladas de alimentos para comunidades em situação de insegurança alimentar.

(Com Maria Fernanda/Agência Lema)