Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Orquestra de Saxofone da Escola Livre de Música se apresenta no auditório da Adunicamp no próximo dia 10 de julho, às 19h

Campinas, por Kleber Patricio

Fotos: André Segolin.

Na próxima quinta-feira, 10 de julho, às 19h, a Escola Livre de Música da Unicamp (ELM) leva ao palco do Auditório da Associação de Docentes da Unicamp (ADunicamp), o concerto da Orquestra de Saxofones ELM, apresentando e celebrando o resultado de todo trabalho pedagógico desenvolvido ao longo deste primeiro semestre. O evento é gratuito e aberto a toda comunidade da Universidade e região metropolitana de Campinas.

A Orquestra de Saxofones é um projeto pedagógico que se iniciou na escola em meados de 2008 e atualmente está sob direção e regência do professor e colaborador Miguel Clemente (ESP). A Orquestra tem como objetivo o intercâmbio e a produção da música de caráter camerístico com arranjos desenvolvidos especialmente para essa formação.

Neste concerto, os alunos e alunas da ELM, em seus saxofones altos, tenores e barítonos, subirão ao palco trazendo um repertório eclético que visita clássicos de renomados compositores, como Astor Piazzolla, Mozart, Vivaldi, Agustín Lara e Chiquinha Gonzaga, dentre outros. Músicas como “Adiós Nonino”, “Granada”, “Corta Jaca”, “Suspiros de Espanha” e a Sinfonia em Sol Menor KV183 se fusionam com clássicos de temas de filmes como “Valse d’Amelie” e “Star Wars”. Com essa diversidade de estilos, os estudantes desenvolvem competências tanto na sonoridade em grupo, quanto nas competências individuais, tendo em vista que são de diferentes níveis e faixa etária.

As apresentações são de suma importância para o desenvolvimento artístico e profissional dos alunos e alunas, que vivenciam na presença de palco a emoção e os desafios que essa prática proporciona, ajudando-os a se sentirem mais confortáveis e ainda mais confiantes de suas habilidades técnicas e expressivas almejando um lugar no mercado de trabalho. Lembrando a toda comunidade que a Escola Livre de Música abrirá as inscrições de vagas remanescentes para alguns grupos pedagógicos como a Camerata de Cordas, Big Band, Grupo de Trompetes, Orquestra de Saxofones, o Combo, além das matérias teóricas como História da Música II e Teoria Musical II. Também há uma vaga para fagote, iniciação bateria e clarinete. O edital e inscrições serão publicados nas redes sociais e website da Escola Livre de Música a partir do dia 9 de julho deste ano.

Os Grupos Pedagógicos

Os grupos pedagógicos proporcionam aos estudantes, de diferentes níveis e idades, a oportunidade da prática em conjunto orientada de um repertório estritamente escrito e arranjado para a formação do grupo a ser trabalhado, estimulando o desenvolvimento coletivo dos alunos galgando aspectos técnicos como afinação, articulação, rítmica, dinâmicas, estética, linguagem etc. Lembrando que essa é uma atividade de suma importância onde muitos dos alunos e alunas se integram junto ao mercado de trabalho por ter tido como base, a participação em grupos como esses. Os cursos são oferecidos abertamente para docentes, servidores, alunos da Unicamp e para toda a comunidade de Campinas e região.

A Escola

A Escola Livre de Música é uma escola de aplicação, iniciativa do Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp (CIDDIC), sob regência da Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa – COCEN Unicamp. A Escola conta atualmente com uma média de 200 alunos e recebe mais de 500 inscrições anuais, galgando forte reconhecimento e excelência pela comunidade interna da universidade e da região metropolitana de Campinas.

Além dos cursos práticos e teóricos oferecidos, a ELM mantém grupos estáveis que realizam concertos em diferentes locais da Unicamp, Campinas e agora ampliando suas fronteiras para outras cidades. A escola também conta com alunos bolsistas (Bolsas BAS/BAEF – SAE deape) do Instituto de Artes dos cursos de licenciatura e bacharelado que realizam atividades socioeducacionais, sob supervisão dos professores e instrutores, e adquirem experiências e aprimoramento em suas especialidades.

A ELM também já trouxe à comunidade acadêmica oficinas com músicos internacionais, como: Franziska Schroeder (SARC – Belfast University), Carlos Almada (Arg), Allison Balcetis (Edmonton University), Roger Admiral (Edmonton University), Brielle Frost (Western State Colorado University), Yuan Gao (EUA), Vladislav Lavrik (Rus) e renomados instrumentistas brasileiros como Léa Freire, o Trio Corrente, Nailor Proveta, Filó Machado, dentre outros, através de parcerias com a Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura e da DCult (Diretoria de Cultura).

Serviço:

Orquestra de Saxofones da ELM no Auditório da ADunicamp

Quinta-feira, dia 10 de julho de 2025.

Av. Érico Veríssimo, 1479 – Cidade Universitária, Campinas – SP, 13083-851

Evento gratuito

https://www.ciddic.unicamp.br/ciddic/elm – @elmunicamp (Instagram)

(19) 3521-7673.

(Fonte: Ciddic/Unicamp)

FEMA Gallery e Galatea apresentam “Animismo”, primeira exposição individual de Gabriela Melzer em Cascais

Cascais, Portugal, por Kleber Patricio

Fotos: Ding Musa.

A FEMA Gallery, em parceria com a Galatea, tem o prazer de apresentar “Animismo”, a primeira exposição individual da artista Gabriela Melzer (São Paulo, 1999). Composta por doze pinturas inéditas, a exposição convida o público a habitar um espaço onde o visível e o invisível coexistem. Em “Animismo”, Melzer propõe uma experiência sensorial única, na qual tempo, energia e percepção se entrelaçam de forma contínua e fluida.

Explorando as possibilidades do abstracionismo lírico, suas obras dissolvem as fronteiras entre o físico e o etéreo. O gesto pictórico da artista não busca fixar um instante, mas capturar uma energia em constante transformação, onde formas e cores se desintegram e se reorganizam, refletindo a impermanência da realidade. Cada pintura se apresenta como um organismo vivo em movimento — um processo aberto de múltiplas leituras.

“A ideia de animismo, enquanto crença de que todos os elementos do mundo têm alma, conversa muito com o movimento que exploro no meu trabalho. O animismo transparece como motor, como força viva pictórica”, afirma Melzer sobre o processo criativo da mostra.

O termo que dá título à exposição se manifesta como uma presença vibrante em cada tela. As cores, os gestos e os espaços entre formas atuam como intermediários entre o mundo sensível e o invisível, oferecendo ao espectador uma experiência estética que transcende a matéria e ativa os sentidos. “Animismo” não é apenas um conceito metafórico — é uma realidade vivida na relação com a obra.

Sobre a artista

Gabriela Melzer (n. 1999) vive e trabalha em São Paulo. Estudou pintura e desenho na The New School e na Art Students League, em Nova York. Sua prática é marcada por formas orgânicas, gestos fluidos e cores densas, que propõem uma pausa visual diante do ritmo acelerado da contemporaneidade. Inspirada pela natureza, por fractais e padrões imperfeitos, Melzer busca criar paisagens interiores que evocam o intangível e expandem a percepção sensível do mundo.

Entre as exposições coletivas das quais participou, destacam-se Diálogos (Arpa & Shopping Cidade Jardim, São Paulo, 2024); Líquen Teso (Galatea, São Paulo, 2024); Lux Feminae (Nova York, 2022); e So Show (São Paulo, 2022).

“Meu objetivo não é representar o mundo, mas explorar as brechas onde o físico e o não físico se tocam. Quero abrir espaços que todos possam acessar — mesmo que não estejam claramente delineados.”

Serviço:

Exposição Animismo, de Gabriela Melzer

Local: FEMA Gallery

Endereço: Rua Afonso Sanches, 9 – Cascais, Lisboa, Portugal

Abertura: 12 de julho de 2025

Período de visitação: 12 de julho até 30 de agosto de 2025

Entrada gratuita

Realização: FEMA Gallery & Galatea

Instagram: @femagallery | @galateaprojects | @gabrielamelzer.

(Com Otávio Garcia/A4&Holofote Comunicação)

Expedição artística pela Amazônia: festival inédito une teatro e saberes da floresta

Amazônia, por Kleber Patricio

Ministério da Cultura, Entre Mundos, Academia Amazônia Ensina e BASF apresentam Virada Amazônica – onde a arte e a sustentabilidade se encontram para contribuir na formação de crianças, jovens e adultos. Foto: Divulgação.

Comunidades ribeirinhas do Rio Negro receberão espetáculos premiados e oficinas de formação artística em um intercâmbio cultural. A 1ª Virada Amazônica será realizada de 4 a 13 de julho, levando arte e sustentabilidade a Manaus e às populações de uma das mais importantes reservas de desenvolvimento sustentável da região.

A Virada Amazônica surge como desdobramento de uma relação de mais de dez anos entre artistas, educadores, ambientalistas e comunidades amazônicas. Em 2023, após uma experiência piloto bem-sucedida, o projeto ganhou forma e agora se concretiza como uma grande mobilização cultural que une arte, educação e sustentabilidade. “Sentimos a importância desse trabalho e da liderança das comunidades. Para muitos moradores, será a primeira vez que assistirão a um espetáculo teatral, devido à logística inacessível da região. Por isso, estabelecemos parcerias com as comunidades para democratizar o acesso à arte”, explica Laura Tezza, idealizadora da Virada Amazônica e diretora executiva.

O projeto é resultado da parceria entre a Academia Amazônia Ensina (ACAE), localizada em Manaus/AM, e a Entre Mundos Produções Artísticas, com correalização da Trupe Ave Lola, de Curitiba/PR. A iniciativa busca levar espetáculos de referência às comunidades ribeirinhas e também promover um intercâmbio cultural genuíno, com oficinas formativas e trocas de saberes.

Programação diversificada em Manaus e comunidades ribeirinhas

A programação inclui 11 apresentações teatrais nacionais, que ocorrerão tanto no Teatro Amazonas, em Manaus, quanto nas comunidades do Tumbira e Santa Helena do Inglês, localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, a cerca de 1h20 de lancha rápida da capital amazonense. “A Virada Amazônica traz educação cultural e conhecimento para nosso povo tradicional, que antes não tinha acesso a essas oportunidades. A arte é de extrema importância nas comunidades porque transforma nossas crianças e jovens por meio do conhecimento. Este projeto nos permite não apenas assistir, mas também aprender por meio do teatro, oficinas e palestras, ajudando na formação de cidadãos de bem”, conta Nelson Brito, presidente da Comunidade Santa Helena do Inglês.

Entre os destaques está o premiado espetáculo “Manaós – Uma Saga de Luz e Sombra”, da Trupe Ave Lola, que abriu a programação nos dias 4, 5 e 6 de julho no Teatro Amazonas. A peça, que recebeu diversos prêmios nacionais, retrata a Manaus de 1911, durante o ciclo da borracha, por meio da história de três mulheres de povos distintos.

Nas comunidades ribeirinhas, serão apresentados os espetáculos “As Cores da América Latina”, do Panorando Cia. e Produtora, de Manaus, a estreia de “Romeu e Julieta” e “Capivaras Rebeldes”, ambos do Ave Lola. As apresentações serão gratuitas para os moradores locais. “Recebemos o projeto Virada Amazônica com grande entusiasmo, pois ele é de suma importância para a comunidade de Tumbira, e para toda a Amazônia, trazendo arte e cultura para dentro da floresta. A arte fortalece a educação com oficinas e espetáculos, ampliando o conhecimento de cada pessoa e enriquecendo nossas comunidades com novas experiências culturais”, pontua William Soares Mendes, presidente da Comunidade do Tumbira.

Além das apresentações, a Virada Amazônica oferecerá três oficinas gratuitas para crianças e jovens das comunidades: Interpretação Teatral e Dança, ministrada por Helena Tezza e Ane Adade; Música para Teatro, com Arthur Jaime e Breno Monte Serrat; e Escrita Criativa, conduzida por Ana Rosa Genari Tezza. “Nosso trabalho não se limita à formação artística e criativa, mas também busca desenvolver o senso crítico e reflexivo. A sustentabilidade está intrinsecamente ligada ao fazer artístico e ambiental”, destaca Maria Eugênia Tezza, idealizadora da Virada Amazônica e diretora de produção.

O projeto também promoverá o evento “Norte e Sul: encontro entre trupes e artistas”, um intercâmbio entre artistas da Amazônia e de outras regiões do Brasil, fortalecendo redes e criando pontes entre experiências culturais diversas.

Impacto social e cultural

A Virada Amazônica pretende impactar mais de 6.000 pessoas diretamente, envolvendo mais de 30 artistas, produtores e técnicos na expedição à Amazônia, além de gerar emprego para mais de 150 pessoas direta e indiretamente. “Desde 2015, quando iniciamos esse trabalho na região, percebemos o desejo enorme de democratizar o acesso à arte. É muito caro para os moradores se deslocarem até Manaus, por isso levamos espetáculos de referência até eles. O vínculo que criamos ao longo desses anos contribui para a formação artística e humana de todos os envolvidos”, afirma Dara van Doorn, idealizadora da Virada Amazônica e diretora de produção.

O projeto também incluirá a gravação de podcasts com líderes das comunidades, dando voz aos saberes locais e à proteção da floresta amazônica, além da produção de um documentário que registrará todo o festival.

A Virada Amazônica é um projeto viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da BASF e realização da Academia Amazônia Ensina (Acae), Entre Mundos Produções Artísticas, Ministério da Cultura e Governo Federal – União e Reconstrução. Conta com a correalização da Trupe Ave Lola e o apoio institucional da Árvore Alta Realizações Artísticas, Instituto Amazônia Ensina, ACS Rio Negro, Federação de Teatro do Amazonas (FETAM), Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Governo do Estado do Amazonas. “Para a BASF, aportar recursos em um projeto cultural que beneficia as comunidades ribeirinhas da Amazônia é uma escolha estratégica. Além de assistir aos espetáculos, moradores de duas comunidades terão acesso a aulas sobre atividades teatrais e de música. O que nos grandes centros as populações têm acesso com maior facilidade, para eles é um acontecimento”, explica Ivânia Palmeira, consultora de engajamento social da empresa.

Mais informações no Instagram @virada.amazonica ou no site viradaamazonica.com.br.

Números do projeto

11 apresentações teatrais nacionais em Manaus e comunidades ribeirinhas

3 oficinas de formação teatral para crianças e jovens das comunidades ribeirinhas

Mais de 6.000 pessoas impactadas pelo projeto

Mais de 30 pessoas em expedição na Amazônia (artistas, produtores e técnicos)

Mais de 150 pessoas empregadas direta e indiretamente pelo projeto

Programação detalhada

Espetáculos

As Cores da América Latina

Sinopse: o espetáculo possui como norte a corporeidade de três manifestações latinoamericas que são, a Fiesta de la Tirana (CHI), Huaconada (PER) e Cavalo-Marinho (BRA) em intersecção com a Dança e o Teatro. A visualidade da obra faz uso de cores vibrantes e seis máscaras de “Fofão”, personagem do Carnaval Maranhense (BRA), que completam a estética das personas. A obra apresenta a história do último Fofão como uma ode de alembramento a algumas tradições latinas.

Duração: 47 minutos

Classificação Indicativa: livre

Ficha Técnica

Direção: Fábio Moura e Talita Menezes

Coreografia: Criação Coletiva

Intérpretes-Criadores: Ana Carolina Nunes, Fernando C. Branco, Marcos Telles, Reysson Brandão e Talita Menezes

Visualidades: Fábio Moura

Pesquisa e Edição Musical: Talita Menezes

Confecção de Figurino: Lú de Menezes

Produção e Iluminação: Fábio Moura

Serviço:

8 de julho, às 20h

Local: comunidade do Tumbira (RDS do Rio Negro)

Ingressos: gratuitos

Romeu e Julieta

Sinopse: com adaptação e direção de Ana Rosa Genari Tezza, atuação de Evandro Santiago, a história se passa em um ateliê de costura de um teatro interditado. Entre tecidos e manequins empoeirados, um ator solitário decide reviver as cenas do espetáculo interrompido: Romeu e Julieta. A montagem aborda não apenas o amor entre os jovens de Verona, mas também o amor à arte, à liberdade e ao teatro como forma de resistência. Com direção musical e execução ao vivo de Arthur Jaime e Breno Monte Serrat, o espetáculo também conta com canções interpretadas por Evandro Santiago. A montagem entrelaça teatro de objetos, manipulação de bonecos e poesia da memória, reafirmando a identidade artística da Ave Lola.

Duração: 1h30

Classificação Indicativa: 14 anos

Ficha Técnica

Romeu e Julieta de William Shakespeare

Direção e adaptação: Ana Rosa Genari Tezza

Tradução: Bárbara Heliodora

Assistência de direção: Ane Adade

Ator/Criador: Evandro Santiago

Direção musical e composição: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat

Músicos: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat

Figurino: Eduardo Giacomini

Hiromotagem (pintura nos figurinos): Sandra Hiromoto

Máscaras, bonecos e adereços: Eduardo Santos

Cenografia: Daniel Pinha

Iluminação: Beto Bruel, Rodrigo Ziolkowski

Preparação corporal: Ane Adade

Orientação vocal: Julia Klüber

Operação de luz: Alexandre Leonardo Luft

Cenotécnica: Anderson Quinsler, Paulo Batistela (Nietzsche), Sérgio Richter, Vilson Kurz

Marcenaria: Emilio Mendonça

Costura: Belle Viana, Ari Lima

Peruca: Veruska

Técnica de som: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat

Direção executiva: Entre Mundos Produções Artísticas

Direção de produção: Dara van Doorn, Elza Forte da Silva Carneiro, Laura Tezza

Direção de comunicação: Larissa de Lima

Produção: Alyssa Riccieri, Carlos Becker

Assistência de produção: Mattheus Boeck, Alexandre Leonardo Luft

Assistência de comunicação: Cesar Matheus

Prestação de contas: Matheus Munhoz

Ilustrações e projeto gráfico: Gabriel Rischbieter

Fotografias: Gus Benke

Serviço:

9 e 10 de julho, às 18h

11 de julho, às 20h

Local: Comunidade do Tumbira (RDS do Rio Negro)

Ingressos: gratuito

Capivaras Rebeldes

Sinopse: Atenção, atenção! Capivaras Rebeldes confirmam presença na Virada Amazônica! O ex-pop star Hollywoodiano (Arthur Jaime) e seu parceiro conhecido mundialmente por seu mau humor contagiante e os mais ousados acordes no contrabaixo (Breno Monte Serrat) aterrissam na comunidade do Tumbira e na bombástica festa da Comunidade Santa Helena do Inglês acompanhados de seu visionário agente internacional (Cesar Matheus). O trio representa a banda que em sua época de ouro era formada por 39 membros. Ao som de clarinete, trompete, sanfona e violão, o show traz um repertório de blues, jazz e ritmos latinos, intercalado por jogos de ritmo, números de palhaçaria e brincadeiras para todas as idades. Vistam as suas bandanas e camisetas pretas porque as Capivaras Rebeldes estão chegando.

Duração: 40 minutos

Classificação Indicativa: livre

Ficha Técnica

Direção: Ana Rosa Tezza

Dramaturgia: A Trupe

Elenco: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat, Cesar Matheus

Direção musical: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat

Figurino: Cesar Matheus

Operação de luz: Alexandre Leonardo Luft

Produção Executiva: Laura Tezza

Direção de Produção: Dara van Doorn

Direção de Comunicação e Fotografias: Larissa de Lima

Realização: Trupe Ave Lola

Serviço:

8 de julho, às 18h

10 de julho, às 20h,

11 de julho, às 15h30

Local: Comunidade do Tumbira (RDS do Rio Negro)

Ingressos: gratuito

12 de julho, às 16h

Local: Comunidade Santa Helena do Inglês (RDS do Rio Negro)

Ingressos: gratuito

Ações formativas

Oficina de Interpretação Teatral e Dança

Ministrantes: Helena Tezza e Ane Adade

A oficina de Interpretação Teatral e Dança propõe um encontro entre corpo, movimento e presença cênica, unindo fundamentos do teatro e da dança em processos criativos acessíveis a diferentes níveis de experiência. Por meio de jogos, improvisações e dinâmicas corporais, os participantes serão convidados a investigar gestos, emoções e narrativas que emergem do corpo em cena. A oficina valoriza a escuta, a coletividade e o diálogo com o território, estimulando a criação artística a partir da vivência e da expressão pessoal.

Oficina de música para teatro

Ministrantes: Arthur Jaime e Breno Monte Serrat

A oficina de Música para Teatro oferece uma imersão no universo sonoro da cena, explorando a música como linguagem expressiva e narrativa no fazer teatral. Por meio de práticas coletivas, os participantes experimentarão ritmos, paisagens sonoras, composições e improvisações que dialogam com a dramaturgia e a interpretação. A proposta valoriza a escuta sensível, a criação colaborativa e o uso de instrumentos convencionais e não convencionais, despertando o potencial musical de cada corpo em cena.

Oficina de escrita criativa

Ministrante: Ana Rosa Genari Tezza

A oficina de Escrita Criativa convida os participantes a explorarem a palavra como forma de expressão artística, experimentando diferentes formas de narrar, imaginar e sentir o mundo. Por meio de exercícios práticos, leituras e dinâmicas em grupo, serão trabalhados elementos como memória, território, sensibilidade e escuta. A proposta busca estimular a criação de textos autorais — poéticos, narrativos ou híbridos — a partir das vivências individuais e coletivas, valorizando a voz de cada participante como parte fundamental do processo.

Serviço:

9 e 10 de julho, das 13h às 16h | 11 de julho, das 13h às 15h

Local: comunidade do Tumbira (RDS do Rio Negro)

12 de julho, das 8h às 11h

Local: comunidade Santa Helena do Inglês (RDS do Rio Negro)

Atividade gratuita voltada para crianças e jovens da escola pública da comunidade.

Mostra de processo: compartilhamento do resultado das oficinas

A Mostra de Processo é o momento em que os participantes das oficinas compartilham com a comunidade os experimentos e criações desenvolvidos ao longo da Virada Amazônica. Mais do que uma apresentação final, é uma celebração do percurso vivido, das trocas e dos aprendizados coletivos. Um espaço de encontro entre arte, território e afeto.

Serviço:

12 de julho, às 15h

Local: comunidade Santa Helena do Inglês (RDS do Rio Negro)

Ingressos: gratuito

Equipe da Virada Amazônica

Idealizadores e direção:

Laura Tezza – Idealizadora da Virada Amazônica e diretora executiva

É produtora cultural formada em Direito pela PUCPR, com pesquisa focada em Direito à Cultura. Há 11 anos, atua como diretora de produção da Ave Lola, onde coordenou a produção de espetáculos teatrais premiados como “O Malefício da Mariposa”, “Tchekhov”, “Nuon”, “Manaós – Uma Saga de Luz e Sombra”, “Cão Vadio”, “O Vira-lata” e “Sonho de Uma Noite de Verão”. Sua trajetória inclui também a gestão de residências artísticas, circulação nacional e internacional de espetáculos, publicação de livros dramatúrgicos e produção de mostras teatrais. Em 2018, cofundou a produtora cultural Entre Mundos Produções Artísticas ao lado de Dara van Doorn. Laura é responsável pela criação de projetos audiovisuais como o documentário “O Rio Negro São As Pessoas” e o filme de ficção “ALMA”. Além disso, produziu oficinas, masterclasses e palestras com artistas internacionais de renome, entre eles Jean Jacques Lemêtre e Eve Doe Bruce (França), Cia Batida (Dinamarca), Andreas Denk (Holanda) e Fabio Tavares (Estados Unidos).

Dara van Doorn – Idealizadora da Virada Amazônica e diretora de produção

É produtora cultural com experiência na gestão de projetos artísticos, especialmente teatrais e audiovisuais. Pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV e graduada em Produção Cênica pela UFPR, atua como diretora de produção da companhia teatral Ave Lola, onde trabalha há 10 anos, e em 2018, cofundou a produtora cultural Entre Mundos Produções Artísticas ao lado de Laura Tezza. Realizou a produção de espetáculos teatrais e filmes de repercussão nacional e internacional, como as peças “Nuon” (2016), “Manaós – Uma Saga de Luz e Sombra” (2019), “Cão Vadio” (2021), “O Vira-Lata” (2022), “Sonho de Uma Noite de Verão” (2024), além dos filmes “O Rio Negro São As Pessoas” (2019) e “ALMA” (2023). Sua experiência também abrange a realização de mostras teatrais, projetos de formação, publicações de dramaturgias originais e livros para crianças. Pela Entre Mundos, foi responsável pela produção da 1ª edição da Mostra Pôr do Sol, que inaugurou o Campo das Artes de Luís Melo, e em 2025 assina a produção da 1ª edição da Virada Amazônica — Arte e Sustentabilidade.

Maria Eugênia Tezza – Idealizadora da Virada Amazônica e diretora de produção

Formada em Relações Internacionais pelo Centro Universitário de Curitiba — UNICURITIBA, e pós-graduada em gestão escolar pela USP/ESALQ. Mais de 10 anos com experiências profissionais envolvendo atividades nas áreas de educação, cultura, empreendedorismo, pesquisa e consultoria empresarial nos Estados do Amazonas, Pará, São Paulo e Paraná. É co-fundadora e diretora-executiva da Academia Amazônia Ensina, que tem sua sede em Manaus desde o ano de fundação, em 2018.

Ana Rosa Genari Tezza – Direção artística e curadoria

É fundadora e diretora da Ave Lola Espaço de Criação. É diretora teatral, mestre em Artes Cênicas pela Universidade de Santa Catarina e pós graduada pela PUC Chile em interpretação. Com mais de 30 anos de experiência, atuou em Santiago do Chile na Companhia de teatro “Sombrero Verde”, dirigida por Andrés Peres Araya. Pela Ave Lola, dirige e escreve a dramaturgia dos espetáculos teatrais, além de coordenar os projetos de intercâmbio e pesquisa teatral da trupe. Sob sua direção, a Trupe Ave Lola tem realizado inúmeras turnês e projetos de relevância dentro e fora do Brasil. Seus últimos trabalhos tiveram amplo reconhecimento do público e reconhecimento da crítica especializada por meio de inúmeros prêmios, como o Prêmio Shell, Prêmio APCA e Cesgranrio, considerados os maiores prêmios de teatro brasileiro.

João Tezza Neto – Curadoria

Economista, doutor pelo Centro de Ciências Ambientais e Sustentabilidade da Amazônia da UFAM/UNB (2014- 2018) e MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, possui experiência em empresas privadas, ambientes governamentais e do terceiro setor, e nos últimos 20 anos tem se dedicado à modelagem e implementação de negócios com impacto socioambiental na Amazônia. Hoje atua como diretor executivo da empresa Original Trade Business Consulting, Darvore Cosméticos da Amazônia e é cofundador e presidente do Conselho da Academia Amazônia Ensina.

Equipe técnica

Coordenação de Comunicação e audiovisual: Larissa de Lima

Direção Criativa Acae: Jamilssa

Assistente de Comunicação: Cesar Matheus

Design: Gomes Ribeiro

Webdesign: POMO Agência

Assessoria de Imprensa: Taísa Rodrigues

Registro Videográfico: William Martins

Som Direto: Sofia Maia

Técnico de Luz: Alexandre Leonardo Luft

Cenotécnico: Paulo Batistela (Nietzsche)

Assistente de Cenotécnica: Helena Tezza

Técnicos de Som: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat

Companhias Convidadas: Trupe Ave Lola (Curitiba) e Panorando Cia e Produtora (Manaus)

Ministrantes das Oficinas: Ana Rosa Genari Tezza, Ane Adade, Arthur Jaime, Breno Monte Serrat, Helena Tezza

Produção: Alyssa Riccieri, Carlos Becker e Alexandre Leonardo Luft

Acessibilidade: Cão Guia inclusão, tradução e acessibilidade audiovisual

Intérpretes de Libras: Ney Gomes, Raiana Nascimento

Audiodescrição: Marcos Vinícius, Linnu Passos

Recepção acessível: Carol Pascarelli

Sobre os realizadores e correalizadores

Academia Amazônia Ensina (ACAE) | é uma instituição de educação, aprendizado e pesquisa para o ensino da sustentabilidade econômica e ecológica. Sua missão é “revolucionar a educação para conciliar o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental”. A especialidade da ACAE é organizar e ofertar expedições formativas no coração da floresta amazônica com o objetivo de educar, sensibilizar e promover o desenvolvimento sustentável para públicos variados, entre estudantes, profissionais do empreendedorismo, investidores, associações e corporações.

Entre Mundos | é uma produtora cultural sediada em Curitiba/PR, formada por duas mulheres produtoras com ampla experiência na realização de projetos culturais e artísticos. Comprometida com a democratização do acesso à arte e à cultura, a Entre Mundos atua como agente ativa no fortalecimento das políticas sociais, econômicas e ambientais, contribuindo diretamente para os objetivos da Agenda 2030. Com um portfólio diverso, a produtora já realizou montagens e circulações teatrais, produções audiovisuais, além de publicações literárias e fotográficas. Nos últimos sete anos, esteve à frente da direção de produção de mais de 60 projetos nacionais e internacionais, viabilizados com recursos públicos e privados, em âmbitos municipal, estadual e federal. Entre os artistas e grupos com os quais colabora estão a Trupe Ave Lola (PR), o Campo das Artes (PR) e o Grupo Galpão (MG), além de parcerias internacionais com projetos na Holanda, Chile, Dinamarca, Bélgica, França e outros países.

Trupe Ave Lola | além de ser um espaço de criação, é também uma trupe que trabalha coletivamente por um fazer artístico, poético e humano. Foi fundada em 2010 pela diretora Ana Rosa Genari Tezza, que desenvolveu um espaço fértil de empoderamento feminino no qual todos os cargos de liderança são ocupados por mulheres de diferentes idades, potencializando o trabalho artístico da Trupe. A Ave Lola tem um extenso trabalho com a acessibilidade, por meio de projetos que promovem a inclusão de pessoas cegas e surdas no universo teatral. Também propõem, semestralmente, ações formativas gratuitas com profissionais qualificados em suas áreas para estudantes da rede pública de ensino, promovendo a democratização do acesso à arte. Ao longo dos últimos anos, a Ave Lola montou os espetáculos “Sonho de uma noite de Verão” (2024), “O Vira-Lata” (2022), “Cão Vadio” (2021), “Manaós – Uma Saga de Luz e Sombra” (2019), “Nuon” (2016), “Tchekhov” (2013) e “O Malefício da Mariposa” (2012), trabalhos premiados e indicados a importantes prêmios do Paraná e do Brasil, tais como Gralha Azul, Shell, Cesgranrio. Os trabalhos já circularam por todo Brasil, incluindo cidades fronteiriças do extremo Norte, além de também terem passado por outros países, como Chile, Bolívia e Dinamarca.

Serviço:

Nome da ação: Virada Amazônica – Arte e Sustentabilidade

Data: de 4 a 13 de julho de 2025

Locais: Teatro Amazonas (Largo de São Sebastião – Centro, Manaus – AM), Centro Cultural Palácio da Justiça (Av. Eduardo Ribeiro, 901 – Centro, Manaus), Comunidade do Tumbira e Comunidade Santa Helena do Inglês (RDS do Rio Negro).

(Com Maria Eduarda R. Arruda/Máquina Cohn & Wolfe)

xs CULPADXS, vencedora do Prêmio Shell 2023 como melhor dramaturgia, volta em temporada gratuita no Teatro Arthur Azevedo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Mari Chama.

Uma família se muda para uma pequena cidade do interior e é vítima de um massacre após ser acusada de infectar os habitantes daquela localidade com uma doença fatal. Esse é o argumento do novo espetáculo adulto de Carlos Canhameiro, xs CULPADXS, que faz apresentações gratuitas no Teatro Arthur Azevedo de 10 a 27 de julho de 2025, com apresentações de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h. No elenco, estão Daniel Gonzalez, Marilene Grama, Nilcéia Vicente, Yantó, Rui Barossi e Paula Mirhan.

A dramaturgia, assinada por Canhameiro, nasceu em maio de 2020 e foi publicada pela editora Mireveja em 2022. “Minha intenção não era refletir sobre a pandemia de Covid-19, até porque ela ainda estava muito no começo, mas sim escrever uma espécie de thriller sobre o horror do desconhecido e ao mesmo tempo sobre as diversas formas de se fazer teatro, entre o drama, o épico e o pastelão”, comenta.

A peça xs CULPADXS acompanha a chegada de um casal com três filhos a uma pequena cidade. Aos poucos, o ambiente se torna tenso: a suspeita de que uma das filhas está gripada desencadeia o medo nos vizinhos, levando a uma série de acontecimentos trágicos. O que se segue é uma sucessão de mortes, tentativas frustradas de acalmar os ânimos e, por fim, uma onda de violência extrema que culmina na morte dos pais e de um dos filhos.

O público acompanha o andamento das investigações e como todos esses acontecimentos impactam os envolvidos e a vida das crianças sobreviventes. Em paralelo, vez por outra os atores assumem um certo papel de ombudsman e fazem comentários sobre as cenas, criticando as estruturas da peça. “Eu gostaria de mostrar como o teatro dramático não dá conta de retratar uma realidade tão complexa, como o de uma pandemia, por exemplo. Na verdade, mostrar como o teatro não precisa se render às representações de situações reais como uma forma de explicá-las”, diz o dramaturgo.

A culpa

No fim das contas, é um espetáculo centrado na culpa. Canhameiro sente-se culpado por escrever um drama, os policiais procuram um culpado para os assassinatos e os habitantes da cidade buscam um culpado pelas mortes que começam a ocorrer quando os novos vizinhos chegam.

E para embalar tanta culpa a escolha da trilha sonora executada ao vivo é por músicas sertanejas femininas que fazem sucesso desde a década de 1980. Tem canções de As Marcianas, as Irmãs Galvão, Roberta Miranda, Sula Miranda, Marília Mendonça, Simone & Simaria e outras.

“Há algo nessas músicas, no modo como elas são cantadas, nos tipos de culpa que apresentam: ciúmes, a acusação do outro pelo fim de um relacionamento, a infidelidade, o ressentimento… Há algo que embala uma maneira de ser, de se relacionar, de amar que me parece dialogar com a peça”, defende Canhameiro, que também dirige xs CULPADXS. “A música não é culpada de nada nessa peça, ela cria uma fricção entre as condições narrativas e suas autocríticas explícitas.”

O cenário de José Valdir Albuquerque é formado por dois andares. Na parte de cima estão os músicos, numa espécie de ambiente doméstico de aparência refinada, na parte de baixo há um bar dos anos 80, onde se desenrola todas as cenas dramáticas da peça. Atores e músicos transitam pelos dois ambientes. O bar, elemento constituinte da sociabilidade brasileira, vira palco para uma tentativa de confrontar o medo do que não se entende.

Sobre Carlos Canhameiro

Carlos Canhameiro é um artista múltiplo – ator, diretor, dramaturgo e escritor que trafega por diversas linguagens com desenvoltura. É integrante da Cia. LCT e da Cia. De Feitos, além de participar como artista convidado em diversos coletivos. Tem livros de poesia, dramaturgia, infantil publicados pela Editora Mireveja, 7Letras e Lamparina Luminosa. como diretor e dramaturgo, soma quase 20 anos de criações em São Paulo, com mais de 3o peças no currículo. www.carloscanhameiro.com

Sinopse | Em xs CULPADXS temos num primeiro plano a história de uma investigação sobre uma família da capital que ao se mudar para uma pequena cidade do interior é acusada pelos moradores de ser a responsável por levar uma doença contagiosa para lá, se desdobrando numa tragédia. E num segundo plano, as vozes narrativas questionam a força do drama e da estrutura dramática como contágio do pensamento corrente. Falas ressentidas em relação à estrutura de metanarrativas que dariam conta de explicar por ‘A+B’ porque estamos na situação atual. Como se o narrador, ao se deparar com sua infelicidade (ou no mínimo com a mediocridade de sua vida), tentasse culpar alguém ou a própria estrutura do drama. Tudo regado ao melhor da música sertaneja desde os anos 80.

Ficha Técnica

Encenação e dramaturgia: Carlos Canhameiro

Elenco: Daniel Gonzalez, Marilene Grama, Nilcéia Vicente, Yantó, Rui Barossi e Paula Mirhan

Trilha Sonora e música ao vivo: Paula Mirhan, Rui Barossi e Yantó

Cenário: José Valdir Albuquerque e Carlos Canhameiro

Figurinos: Bianca Scorza (acervo Godê)

Técnico de som: Pedro Canales

Técnico de luz: Cauê Gouveia

Produção: Corpo Rastreado

Assessoria de imprensa: Canal Aberto

Prêmio Zé Renato de Teatro – Prefeitura de São Paulo.

Serviço:

xs CULPADXS

Duração: 90 min | Classificação: 14 anos

Teatro Arthur Azevedo

Data: 10 a 27 de julho, quinta a sábado, às 21h e aos domingos, às 19h.

Endereço: Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo – SP

Ingressos: Gratuitos | Retirada com 1 hora de antecedência

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

[Artigo de opinião]: Caiçaras: a distância acabou com a cultura

Litoral de SãoPaulo, por Kleber Patricio

Foto: Pexels.

Por Regina Helena de Paiva RamosO que ocorreu com a população que vive no litoral do Estado de São Paulo, população designada “caiçara”, do início da colonização para cá? O que ocorreu foi o isolamento. E o esquecimento. Em alguns locais houve até tentativas de urbanização, embora precárias, e de envolvimento da população pela fé religiosa. Tudo fracassou.

Na praia de Barra do Una, São Sebastião, a curiosidade do industrial Oscar Munhoz, levou-o a pesquisar documentos de 1785 existentes na Ordem do Carmo, em Belo Horizonte, sobre a existência de um convento à beira do rio Una. Apenas velhos moradores – hoje falecidos – tinham visto o convento e relataram como ele era à desenhista levada pelo industrial. O convento desabara e, sobre suas velhas pedras, tinha sido erguida uma capela. Há uma descrição do convento, cujo desenho é única referência ao edifício existente: “Tinha um só corpo, tendo a porta da frente voltada para o rio Una, pequeno muro o separava do cemitério. Uma varanda lateral e telhado coberto por telhas de canal Sino da capela na parte posterior do prédio.” 

Sobre a forma de comunicação e comércio com Santos contam os velhos caiçaras: ia-se de canoa de voga, com vários remadores que levavam a Santos seus produtos – peixe, bananas, mandioca, farinha de mandioca, milho e arroz. Voltavam com querosene e velas.

A partir dos anos 60, começaram a chegar a essas praias – Barra do Una, Boracéia, Juquehy, Sahy, Baleia, Camburi, Maresias, Toque Toque – os primeiros turistas, que enfrentavam o caminho pelas praias, atravessando rios sem pontes. Aventureiros, entre os quais alguns médicos, que passaram a tratar a população, antes zelada apenas por “curandeiras”, que benziam, “tiravam” doenças, ministravam remédios caseiros e aparavam crianças.

A comunicação com a sede do município – São Sebastião – era igualmente penosa. Utilizavam as canoas de voga ou iam a pé, em caminhada de um dia. E costumavam, ainda, transpor a Serra do Mar até Salesópolis, no Vale do Paraíba. Não eram raros os namoros de moças de Salesópolis e pescadores do litoral.

Nos anos 70, fui a motorista que levou uma moça grávida, com vários dedos de dilatação, ao Hospital de São Sebastião, em um fusca verde. A parturiente era segurada pelo marido no banco de trás, enquanto o fusca enfrentava a estrada de terra cheia de pedregulhos e buracos. Num buraco maior, houve o desenlace: a criança gritando, a placenta derramando, o pai rezando um pai-nosso gritado e eu, desesperada.

Tão longe – 53 km de Juquehy ao centro – tão ruim a estrada, tão desprotegida a população que se estabeleceu em toda a região uma forma de falar que os prefeitos que se sucedem tentam – sem conseguir – eliminar. “Vou a São Sebastião”, dizemos todos, caiçaras ou não. “Vocês já estão em São Sebastião”, dizem, zangados, os prefeitos. “Aqui é o município!”. Mas não há jeito. O “ir a São Sebastião” se estabeleceu como verdade.

A estrada Rio-Santos chegou nos anos 80 trazendo o progresso, mas inaugurando uma nova era: a do esmagamento da cultura local. Danças, folguedos folclóricos, procissão e levantamento de mastros de santos, artesanato, lendas, histórias, remédios, costumes, rezas e a deliciosa gastronomia caiçara – da qual o “azul marinho” é o principal representante – foram sendo esquecidos.

A Rio-Santos fez isso. Nos seus primórdios, inundando a região de nordestinos que vieram com as famílias, costumes, gastronomia, hábitos e sotaque. Depois vieram os turistas. O litoral de São Sebastião paga o preço de estar perto de São Paulo e a poucos quilômetros do Vale do Paraíba, com cidades que progrediram muito em população e cultura. Essa gente toda inundou as praias paradisíacas e veio com seus estrogonofes, macarronada da mama, bacalhau, sushis, quibes, coalhada seca, camarões à grega e até peixe do rio Tocantins.

Resultado: etnias se cruzam, comidas desaparecem, a linguagem caiçara substituída (que tristeza!). As mocinhas já falam como as artistas da Globo e, em vez do “azul marinho”, nos servem “boeuf bourguignon”.

“Arrelá, que desacorço de não ber mais o palavreado dos tempos de minha abó”, diz a caiçara velha sentada na porta da casa.

*Regina Helena de Paiva Ramos é jornalista e autora do livro “Vento Endiabrado”, um romance que homangeia a cultura caiçara e retrata as feridas da costa brasileira. 

(Com Victoria Gearini/LC Agência de Comunicação)