
Mônica Salmaso. Foto: Lorena Dini.
O Instituto Inhotim realiza a segunda edição do Jardim Sonoro, festival que integra música à experiência única em arte contemporânea e natureza. Após o sucesso da estreia em 2024, o evento retorna nos dias 11, 12 e 13 de julho, com curadoria centrada em uma pesquisa sobre a voz em suas dimensões musicais, políticas e poéticas. O acesso é gratuito para quem está no parque (mediante o pagamento do ingresso para entrar no Inhotim).
Este ano, o festival mergulha na temática da voz como instrumento polissêmico, que não se limita apenas ao seu som, mas se expande como manifesto, ativismo, fala, ritmo, instrumento, canto e expressão. A programação destaca artistas com vozes marcantes, diversas e, sobretudo, pessoas que vocalizam narrativas de nosso tempo, conectadas ao interesse da instituição de promover debates no âmbito da arte, natureza e da educação. O resultado é um território plural de sons, instigante e imersivo, que contará com Djuena Tikuna (AM), Luiza Brina (MG), Mônica Salmaso (SP), Cécile McLorin Salvant (EUA), Josyara (BA), Tetê Espíndola (MS), o grupo Ilê Aiyê (BA) e a multiartista Brisa Flow (MG).
“Nesta edição, temos um foco não exclusivo, mas muito dirigido, para a ideia do canto. Trouxemos vozes que estão presentes no campo da música e da arte e conectadas com a nossa programação do ano. Estamos falando de uma voz que não só lírica, da crônica ou da narrativa, mas de uma pesquisa em torno da voz e o dizer do canto, que pode existir de muitas maneiras”, comenta a diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, que divide a curadoria com Marilia Loureiro.
Com o objetivo de aprofundar a integração entre a música e o acervo artístico e botânico do museu, o Jardim Sonoro será em dois novos espaços: o Palco Desert Park, localizado junto à obra Desert Park (2010), de Dominique Gonzalez-Foerster, em meio à vegetação exuberante do parque, próximo à Galeria Adriana Varejão, Galeria Galpão e ao Vandário; e o Palco Piscina, posicionado nas proximidades da obra Piscina (2009), de Jorge Macchi, que oferece uma atmosfera mais intimista e contemplativa, que conta, em seu entorno, com as obras de Chris Burden, Marilá Dardot e Rirkrit Tiravanija. Essas áreas, nunca antes utilizadas para shows, proporcionam uma vivência nova aos visitantes e estão diretamente ligadas ao propósito do festival, que é o de complementar a experiência da pessoa visitante com música. “Desta vez, apresentamos palcos em áreas descentralizadas do Inhotim, para que a pessoa visitante tenha uma experiência diferente do ano passado. Os palcos Piscina e Desert Park oferecem a possibilidade de outros percursos físicos e sensíveis, que integram a curadoria musical do festival a um entorno específico de obras, arquitetura e natureza”, complementa Júlia Rebouças.
Programação musical
Para abrir o Jardim Sonoro, na sexta-feira (11), a “voz manifesto” de Djuena Tikuna, cantora e ativista indígena, do povo Tikuna, no Alto Solimões, com uma trajetória marcada pela valorização e difusão dos cantos tradicionais de seu povo. Sua obra se conecta diretamente às questões levantadas ao longo do ano pelo Inhotim, especialmente à inauguração recente da Galeria Claudia Andujar | Maxita Yano e à exposição de Edgar Calel, anunciada para o segundo semestre. Seu show Torü Wiyaegü é um verdadeiro ritual que nos conecta ao universo cultural do povo Tikuna. O espetáculo é dividido em “Cantos da Origem”; “Worecütchiga” (canções referentes ao ritual Worecü); “Cantoria dos Bu’e” (das crianças) e, por fim, os “Cantos de Resistência”.
No sábado (12), a música começa com a vibrante Luiza Brina, cantora, compositora e arranjadora. Por ser mineira, ela traz forte conexão com o território do Inhotim e apresenta o show de seu disco “Prece”, que tem uma natureza coletiva, de muitas vozes. No palco, Luiza leva canções que são como orações em busca do sagrado. Em seguida, o público poderá ouvir Mônica Salmaso, uma das mais respeitadas intérpretes da música brasileira, pesquisadora do cancioneiro nacional, que transita com naturalidade entre diferentes estilos da música brasileira. Encerrando o dia, a premiada cantora norte-americana Cécile McLorin Salvant, considerada “uma voz única sustentada por inteligência e musicalidade plena”, representa uma cena contemporânea e experimental do jazz e apresentará um show minimalista de voz e piano.
O domingo (13) abre com a baiana Josyara, cantora, compositora, instrumentista e produtora musical, que traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano, construindo uma voz potente e singular dentro da nova geração da música brasileira. Além da banda, Josyara sobe ao palco com seu violão percussivo, a base e o diferencial tanto das canções autorais, como das releituras de outras compositoras rearranjadas e interpretadas por ela. Em seguida, sobe ao palco Tetê Espíndola, figura já consagrada e que mantém uma pesquisa sobre a música do cerrado, cuja sonoridade transita entre a arte e a natureza. A apresentação do grupo Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, marca um momento de celebração da força, da ancestralidade e da luta das vozes negras, com seu repertório de afirmação política e cultural. No palco, elementos da ancestralidade africana, guardados pelos Terreiros de Candomblé, sustentam a dança afro do Ilê, fundamentada no Ijexá. Para fechar o festival, a multiartista indígena Brisa Flow. Seu mais recente álbum, Janequeo, fala de amor, coragem e autonomia. No Jardim Sonoro, ela apresenta uma discotecagem contemporânea, experimental e pensada para o Inhotim.
Sobre o Jardim Sonoro
Jardim Sonoro é um festival que celebra a fusão entre a arte, a natureza e a música. É realizado desde 2024 e propõe oferecer às pessoas visitantes novas camadas de experiência pelos espaços do museu. Por não ser um festival de um gênero específico, responde a muitas linguagens musicais e, a cada ano, busca singularidades que enriquecem a experiência da instituição. O projeto reafirma o Inhotim como um espaço de encontro, criação e experimentação e se conecta, em suas edições, ao propósito do programa artístico da Instituição no ano. “A nossa ideia é que este festival se conecte ao Inhotim de modo radical. Isso acontece, em um primeiro momento, com o line-up de vozes em meio à arte e à natureza, mas também há um desejo de que ele reverbere os debates atuais, a pesquisa curatorial, o programa de educação e os diálogos que estamos promovendo ao longo do ano. Em 2025, temos falado, enquanto instituição, de território, de povos originários e da reinvenção de nossas relações com a natureza. As vozes do festival também ressoam esses caminhos e a urgência desses temas”, finaliza Júlia.
O Festival Jardim Sonoro tem a Vale como Mantenedora Master, Parceria Estratégica da Cemig, Patrocínio Master da Shell, Patrocínio Prata da B3 e Patrocínio Bronze do Banco Mercantil por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
SERVIÇO:
Jardim Sonoro – Festival de Música Inhotim (2ª edição)
Datas: 11, 12 e 13 de julho de 2025
Acesso gratuito para quem estiver no Inhotim (mediante pagamento de entrada no Parque).
Programação Musical
Sexta-feira, 11 de julho
15h – Djuena Tikuna
Sábado, 12 de julho
11h – Luiza Brina
13h – Mônica Salmaso
15h – Cécile McLorin Salvant
Domingo, 13 de julho
11h – Josyara
13h – Tetê Espíndola
15h – Ilê Aiyê
16h – Brisa Flow
SOBRE OS ARTISTAS
Brisa Flow

Foto: Divulgação.
Brisa Flow é artista indígena multifacetada: cantora, produtora musical, performer, MC e arte-educadora. Filha de artesãos araucanos, desenvolve seu trabalho a partir de vivências corporais e territoriais, conectando o hip hop com práticas ancestrais e saberes originários. Sua trajetória se consolidou em palcos como MASP, Itaú Cultural, SESC e festivais como Lollapalooza, FIG e Burning Man. Em sua música, mistura rap, jazz, eletrônico e neo-soul com cantos indígenas e poesia crítica. Brisa também é ativista cultural e defensora da música indígena contemporânea, tratando temas como amor, autonomia, epistemicídio e aquilombamento urbano. Sua obra mais recente é o álbum Janequeo (2022), inspirado em uma guerreira Mapuche, com participações nacionais e internacionais. O disco mistura rap com vertentes eletrônicas e foi apresentado em importantes palcos como Casa Natura Musical e Virada Cultural. A artista segue lançando clipes e participando de projetos voltados à resistência originária nas artes.
Cécile McLorin Salvant

Foto: Karolis Kaminskas.
Cécile McLorin Salvant é compositora, cantora e artista visual. Desenvolveu uma paixão por contar histórias e por encontrar conexões entre o vaudeville, o blues, as tradições folclóricas de diversas partes do mundo, o teatro, o jazz e a música barroca. Salvant é uma curadora eclética, desenterrando canções raramente gravadas, esquecidas, com narrativas fortes, dinâmicas de poder interessantes, reviravoltas inesperadas e humor. Venceu a competição Thelonious Monk em 2010. Recebeu o Grammy de Melhor Álbum Vocal de Jazz por três álbuns consecutivos: The Window, Dreams and Daggers e For One To Love. Ela lançou seu álbum de estreia pelo selo Nonesuch Records, Ghost Song, em 2022; o álbum recebeu duas indicações ao Grammy. Mélusine, um álbum cantado majoritariamente em francês, além de faixas em occitano, inglês e crioulo haitiano, foi lançado em 2023 e também recebeu duas indicações ao Grammy.
Djuena Tikuna

Foto: Divulgação.
Djuena Tikuna é cantora e ativista do povo Tikuna, do Alto Solimões, Amazonas. Sua trajetória artística é marcada pela valorização e difusão dos cantos tradicionais de seu povo, integrando saberes ancestrais com a música contemporânea. Em 2017, lançou Tchautchiüãne (“minha aldeia”), seu primeiro álbum solo, tornando-se a primeira mulher indígena a protagonizar um espetáculo no Teatro Amazonas em mais de 120 anos de história. O disco foi indicado ao Indigenous Music Awards, no Canadá, projetando sua arte internacionalmente. Djuena realizou turnês pela Europa e América do Norte. Além de apresentações em Dubai durante a COP 28. Em 2018, idealizou a Mostra de Música Indígena – WIYAE, iniciativa pioneira que valoriza a produção musical indígena no Brasil. Em 2022, lançou Torü Wiyaegü, obra multimídia que inclui álbum, livro e documentário sobre os cantos Tikuna.
Ilê Aiyê

Foto: Divulgação.
O Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro da Bahia, fundado em 1º de novembro de 1974, no bairro do Curuzu, Liberdade — região com a maior população negra do país. Nasce com o objetivo de preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira, promovendo o fortalecimento da identidade étnica e a autoestima do povo negro. Desde sua fundação, o Ilê homenageia países africanos e revoltas negras brasileiras, apropriando-se da história africana para reconstruir a trajetória do negro no Brasil. Na década de 1970, o bloco revolucionou o Carnaval baiano ao introduzir novos ritmos oriundos das tradições africanas. Hoje, com mais de 3 mil associados, é considerado patrimônio cultural da Bahia e símbolo da reafricanização do Carnaval. Sua passagem pelo circuito é considerada um espetáculo rítmico, musical e plástico, aplaudido pelo público. Assistir ao Ilê no Carnaval é tido como essencial, comparável a visitar um Terreiro de Candomblé. O Ilê articula seu trabalho político-educacional por meio da dança, linguagem e gestualidade, transmitindo a ancestralidade africana e sua conexão com a realidade negra baiana. O bloco também retoma e adapta movimentos de renascimento negro-africano e afro-americano, fortalecendo a identificação entre povos negros do mundo inteiro.
Josyara

Foto: Divulgação.
Josyara, cantora, compositora, instrumentista e produtora musical de Juazeiro (BA), traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano, embalado por um violão percussivo e potente. Em 2018, lançou seu 1º disco, Mansa Fúria, pelo edital Natura Musical, sendo um dos mais elogiados do ano e rendendo indicações ao APCA e Prêmio Multishow. Em 2020, lançou Estreite com Giovani Cidreira (Joia Moderna). Em 2022, saiu seu 2º disco solo, ÀdeusdarÁ (Deck), e em 2024 lançou o EP Mandiga Multiplicação, interpretando músicas do Timbalada. Josyara já tocou nos principais festivais do país, como Coala, Rec Beat, SIM-SP, Primavera Sound, Bananada, Dosol, MADA e BR-165. Em 2019, venceu o prêmio WME como Revelação em 2018 e o de melhor instrumentista em 2024. Em 2025, acaba de lançar o single Ensacado, com participação especial de Pitty. Os singles Corredeiras e Sobre Nós e o disco AVIA.
Luiza Brina

Foto: Daniela Paoliello.
Luiza Brina é cantora, compositora, arranjadora, produtora musical e multi-instrumentista, considerada um dos principais nomes da nova música brasileira. Há mais de uma década, iniciou a criação de suas “canções-orações”, um percurso artístico singular que consolidou sua posição na cena contemporânea. Em 2024, lançou Prece (dobra discos/Natura Musical), com participações de Silvana Estrada, LvRod, Iara Rennó, Maurício Tizumba, Sérgio Pererê e Rainha Isabel Casimira. O álbum, elogiado pela Folha de S.Paulo, NPR (Tiny Desk) e listado entre os melhores do ano pela APCA, é considerado o mais importante de sua carreira. Com turnês no Brasil e na Europa, seus discos também foram lançados no Japão pelo selo Impartmaint Inc. Como compositora, Brina acumula parcerias com nomes como Ronaldo Bastos, Ceumar, Thiago Amud, Teago Oliveira e Julia Branco.
Mônica Salmaso
Mônica Salmaso iniciou sua carreira em 1989, na peça “O Concílio do Amor”. Em 1995, lançou o disco “Afro-Sambas” com Paulo Bellinati, interpretando a obra de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Dois anos depois, foi indicada ao Prêmio Sharp como revelação em MPB. Com os álbuns “Trampolim” (1998) e “Voadeira” (1999), ganhou reconhecimento, incluindo um prêmio APCA. Em 2004 lançou “IAIÁ”, seguido por “Noites de Gala”, “Samba na Rua” (2007), dedicado a Chico Buarque. Atuou como solista com orquestras como OSESP e OSB, e participou de um CD da OSESP sob regência de John Neschling. O álbum “Alma Lírica Brasileira” (2011), com Teco Cardoso e Nelson Ayres, rendeu-lhe o Prêmio da Música Brasileira como Melhor Cantora. Em 2014, “Corpo de Baile”, com Guinga e Paulo César Pinheiro, venceu duas categorias do mesmo prêmio. Caipira (2017) foi novamente aclamado e premiado. Em 2019, lançou um CD gravado no Japão com Guinga e, mais recentemente, “Canto Sedutor” (com Dori Caymmi) e “Milton” (com André Mehmari). Entre 2022 e 2023, participou da turnê “Que Tal Um Samba”, com Chico Buarque. Atualmente está em turnê com seu novo show solo, “Minha Casa”.
Tetê Espíndola

Foto: Gal Oppido.
Ao longo de seus 45 anos de carreira com mais de 20 discos gravados, a cantora, compositora e instrumentista sul-grossense Tetê Espíndola tem o seu trabalho voltado para a experimentação e recriação do universo ecológico brasileiro. Foi aclamada com o Prêmio Revelação da ACP/ 1982, pelo disco “Pássaros na Garganta”, marcando presença da vanguarda paulista. Participou de dois importantes festivais brasileiros, MPB Shell 1981/ Londrina e venceu o Festival dos Festivais /1985, com “Escrito nas Estrelas”, que em 2023 voltou a ocupar o primeiro lugar entre as músicas mais ouvidas no Brasil. Ganhou o prêmio Fundação Vitae para desenvolver trabalho de composição musical sobre os pássaros brasileiros, que resultou no LP “Ouvir” (1991).
INHOTIM – INFORMAÇÕES GERAIS
Horários de visitação
De quarta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30.
Nos meses de janeiro e julho, o Inhotim funciona também às terças.
Entrada
Inteira: R$ 60,00 | Meia-entrada*: R$ 30,00.
*Veja as regras de meia-entrada no site: www.inhotim.org.br/visite/ingressos/
Entrada gratuita
Inhotim Gratuito: acesse o guia especial sobre a gratuidade no Inhotim.
Moradores e moradoras de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim; Amigos do Inhotim; crianças de 0 a 5 anos; patronos, patrocinadores e instituições parceiras do Inhotim não pagam entrada;
Quarta Gratuita Inhotim: todas as quartas-feiras são gratuitas;
Domingo Gratuito: dia 13 de abril e o último domingo do mês é gratuito.
Localização
O Inhotim está localizado no município de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte (aproximadamente 1h15 de viagem). Acesso pelo km 500 da BR-381 – sentido BH/SP. Também é possível chegar ao Inhotim pela BR-040 (aproximadamente 1h30 de viagem). Acesso pela BR-040 – sentido BH/Rio, na entrada para o Retiro do Chalé. Link
(Com Wendell Silva/Instituto Inhotim)