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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Volume final da aclamada série “Ciclo de Avalon” chega ao Brasil com jornada épica de fantasia

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Uma das mais importantes obras da fantasia internacional, “As brumas de Avalon” ganha seu último capítulo com o lançamento de “A espada de Avalon”, que chega às livrarias brasileiras pela Planeta Minotauro. Sétimo volume da série “Ciclo de Avalon”, focada na lendária Ilha Sagrada e nas personagens femininas que moldam a história do lugar e da Grã-Bretanha, o livro traz uma nova e fascinante aventura no universo de Marion Zimmer Bradley e Diana L. Paxson.

Em um cenário de grandes ameaças para a Grã-Bretanha, Mikantor, o “Filho de Cem Reis”, precisa passar por uma transformação para restaurar o equilíbrio do reino. Sob o nome de Pica-Pau, ele é protegido pela Senhora de Avalon, Anderele, até descobrir seu destino: derrotar o traidor Galid e unir as tribos da Grã-Bretanha sob seu reinado. Para isso, um ferreiro grego e a força de Avalon forjarão uma arma mágica, capaz de mudar o curso da história.

Contando com sete livros, o Ciclo de Avalon fica completo em edições nacionais com capa dura e identidade visual única. Os volumes que exploram a história da Grã-Bretanha mitológica podem ser lidos de forma independente, assim como em ordem cronológica ou de publicação.

A espada de Avalon é uma jornada épica de coragem, magia e sacrifício que vai cativar tanto fãs de longa data quanto novos leitores. Um clássico repleto de mitologia obrigatório para os amantes de fantasia histórica, a obra transporta leitores e leitoras para um mundo fascinante de mitos, lendas e mistérios, convidando aqueles que se aventuram por estas páginas a desbravarem o universo místico e lendário de Avalon.

Ficha técnica:

Título: A espada de Avalon

Autoras: Marion Zimmer Bradley e Diana L. Paxson

Tradução: Marina Della Valle

ISBN: 978-85-422-3650-7

384 páginas

R$109,90

Planeta Minotauro | Editora Planeta.

SOBRE A AUTORA

Marion Zimmer Bradley nasceu no estado de Nova York, Estados Unidos, em 1930. Começou sua destacada carreira como autora em 1961, com seu primeiro romance, A porta através do espaço. No ano seguinte, escreveu o primeiro livro da popular série Darkover, Sword of Aldones [Espada de Aldones], logo indicado ao Hugo Award. Seu romance A torre proibida também foi indicado ao Hugo, e A herança de Hastur, ao Nebula Award. As brumas de Avalon, primeiro livro do aclamado Ciclo de Avalon, foi a obra de maior sucesso da carreira de Bradley. Recebeu o Locus Award em 1984 na categoria Melhor Romance de Fantasia e está entre os mais vendidos da revista Locus há anos. Bradley morreu em 1999.

SOBRE A EDITORA

Fundado há 70 anos em Barcelona, o Grupo Planeta é um dos maiores conglomerados editoriais do mundo, além de uma das maiores corporações de comunicação e educação do cenário global. A Editora Planeta, criada em 2003, é o braço brasileiro do Grupo Planeta. Com mais de 1.500 livros publicados, a Planeta Brasil conta com nove selos editoriais, que abrangem o melhor dos gêneros de ficção e não ficção: Planeta, Crítica, Tusquets, Paidós, Planeta Minotauro, Planeta Estratégia, Outro Planeta, Academia e Essência.

(Fonte: Editora Planeta)

CAIXA Cultural São Paulo abre exposição gratuita voltada para crianças

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Maya (@maya.ph).

A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 1º a 27 de julho, a exposição Criaturas Fantásticas – Uma vivência de arte com crianças. Com entrada gratuita, a mostra é um convite afetuoso para que todas as infâncias voltem a sonhar, oferecendo para os pequenos um ambiente repleto de dispositivos interativos, com recursos lúdicos, sensoriais e participativos.

Após passar por Curitiba, Paranaguá e Rio de Janeiro, a mostra interativa, que celebra a autenticidade e a criatividade das crianças, chega pela primeira vez ao público paulista e a programação inclui oficinas, palestra e propostas artísticas, com atividades de terça-feira a domingo, das 8h às 19h. 

Numa mistura de brincadeira e arte, a exposição celebra a autenticidade e proporciona um ambiente cuidadosamente planejado para promover a interação com uma cenografia que reúne dispositivos lúdicos e sensoriais e convidam o público a mergulhar na criatividade e no universo das criaturas fantásticas.

O espaço conta ainda com um ateliê de experimentação criativa, com brincadeiras e atividades lúdicas que valorizam o aprendizado e a sensibilidade dos pequenos e das suas famílias. Afinal, brincar é coisa séria.

Para a artista visual Flavia Milbratz, idealizadora da mostra, brincadeira e arte se entrelaçam. “Aqui, o olhar, a escuta e até mesmo o toque são permitidos. Promovemos experiências sensíveis que privilegiam o afeto e o acolhimento, favorecendo o encontro entre o real e o imaginário. O brincar, nesse contexto, destaca-se como a principal linguagem da criança, pois é por meio dele que ela constrói suas compreensões e atribui significados ao mundo e a si mesma”, pontua.

Oficinas em família:

A exposição Criaturas Fantásticas vai oferecer uma série de oficinas em família. Conduzidas com o público presente, sem necessidade de inscrição prévia, essas atividades criarão conexões entre os pequenos e os temas propostos, explorando diferentes técnicas, em atividades coletivas.

Estão previstas seis oficinas em família e duas visitas guiadas com acessibilidade. São elas:

12 de julho – Oficina em Família – Criando Criaturas Fantásticas com Audrey Hojda

13 de julho – Oficina em Família – Oficina para bebês com Marcela Chanan

16 de julho – Visita guiada – Exclusiva para público com TEA

19 de julho – Oficina em Família – Cores do Meu Afeto

20 de julho – Oficina em Família: Pintura Mural – Paisagens Internas

26 de julho – Visita guiada – Exclusiva para público surdo

27 de julho – Oficina em Família – Meu Poder Criativo Infinito

A programação da mostra também inclui o curso Oficinas em Família, do curso Cocriando com as infâncias, ministrado por Flavia Milbratz, e do curso de Formação de Atelierista, que propõe uma imersão teórico-prática na cultura do ateliê. Os participantes aprenderão a selecionar materiais com intencionalidade, organizar contextos investigativos em linguagens sortidas, documentar processos criativos e compreender o papel do atelierista na educação contemporânea. As turmas acontecem nos dias 16, 17 e 18 de julho, das 10h às 17h.

Todas as atividades são gratuitas e as inscrições para as Oficinas em família, curso Cocriando com as Infâncias e curso Formação de Atelierista abrem no dia 27 de junho, pelo link aqui.

SERVIÇO:

[EXPOSIÇÃO] Criaturas fantásticas – Uma vivência de arte com crianças

Local: CAIXA Cultural São Paulo, Praça da Sé, 111, próximo à estação Sé do Metrô)

Data: até 27 de julho de 2025

Visitação: terças-feiras a domingos, das 8h às 19h

Entrada franca

Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos

Informações: (11) 3321-4400 | caixaculturalsp | Site CAIXA Cultural SP

Acesso para pessoas com deficiência.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CAIXA)

Jardim Sonoro celebra a voz em sua segunda edição no Inhotim

Brumadinho, por Kleber Patricio

Mônica Salmaso. Foto: Lorena Dini.

O Instituto Inhotim realiza a segunda edição do Jardim Sonoro, festival que integra música à experiência única em arte contemporânea e natureza. Após o sucesso da estreia em 2024, o evento retorna nos dias 11, 12 e 13 de julho, com curadoria centrada em uma pesquisa sobre a voz em suas dimensões musicais, políticas e poéticas. O acesso é gratuito para quem está no parque (mediante o pagamento do ingresso para entrar no Inhotim).

Este ano, o festival mergulha na temática da voz como instrumento polissêmico, que não se limita apenas ao seu som, mas se expande como manifesto, ativismo, fala, ritmo, instrumento, canto e expressão. A programação destaca artistas com vozes marcantes, diversas e, sobretudo, pessoas que vocalizam narrativas de nosso tempo, conectadas ao interesse da instituição de promover debates no âmbito da arte, natureza e da educação. O resultado é um território plural de sons, instigante e imersivo, que contará com Djuena Tikuna (AM), Luiza Brina (MG), Mônica Salmaso (SP), Cécile McLorin Salvant (EUA), Josyara (BA), Tetê Espíndola (MS), o grupo Ilê Aiyê (BA) e a multiartista Brisa Flow (MG).

“Nesta edição, temos um foco não exclusivo, mas muito dirigido, para a ideia do canto. Trouxemos vozes que estão presentes no campo da música e da arte e conectadas com a nossa programação do ano. Estamos falando de uma voz que não só lírica, da crônica ou da narrativa, mas de uma pesquisa em torno da voz e o dizer do canto, que pode existir de muitas maneiras”, comenta a diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, que divide a curadoria com Marilia Loureiro.

Com o objetivo de aprofundar a integração entre a música e o acervo artístico e botânico do museu, o Jardim Sonoro será em dois novos espaços: o Palco Desert Park, localizado junto à obra Desert Park (2010), de Dominique Gonzalez-Foerster, em meio à vegetação exuberante do parque, próximo à Galeria Adriana Varejão, Galeria Galpão e ao Vandário; e o Palco Piscina, posicionado nas proximidades da obra Piscina (2009), de Jorge Macchi, que oferece uma atmosfera mais intimista e contemplativa, que conta, em seu entorno, com as obras de Chris Burden, Marilá Dardot e Rirkrit Tiravanija. Essas áreas, nunca antes utilizadas para shows, proporcionam uma vivência nova aos visitantes e estão diretamente ligadas ao propósito do festival, que é o de complementar a experiência da pessoa visitante com música. “Desta vez, apresentamos palcos em áreas descentralizadas do Inhotim, para que a pessoa visitante tenha uma experiência diferente do ano passado. Os palcos Piscina e Desert Park oferecem a possibilidade de outros percursos físicos e sensíveis, que integram a curadoria musical do festival a um entorno específico de obras, arquitetura e natureza”, complementa Júlia Rebouças.

Programação musical

Para abrir o Jardim Sonoro, na sexta-feira (11), a “voz manifesto” de Djuena Tikuna, cantora e ativista indígena, do povo Tikuna, no Alto Solimões, com uma trajetória marcada pela valorização e difusão dos cantos tradicionais de seu povo. Sua obra se conecta diretamente às questões levantadas ao longo do ano pelo Inhotim, especialmente à inauguração recente da Galeria Claudia Andujar | Maxita Yano e à exposição de Edgar Calel, anunciada para o segundo semestre. Seu show Torü Wiyaegü é um verdadeiro ritual que nos conecta ao universo cultural do povo Tikuna. O espetáculo é dividido em “Cantos da Origem”; “Worecütchiga” (canções referentes ao ritual Worecü); “Cantoria dos Bu’e” (das crianças) e, por fim, os “Cantos de Resistência”.

No sábado (12), a música começa com a vibrante Luiza Brina, cantora, compositora e arranjadora. Por ser mineira, ela traz forte conexão com o território do Inhotim e apresenta o show de seu disco “Prece”, que tem uma natureza coletiva, de muitas vozes. No palco, Luiza leva canções que são como orações em busca do sagrado. Em seguida, o público poderá ouvir Mônica Salmaso, uma das mais respeitadas intérpretes da música brasileira, pesquisadora do cancioneiro nacional, que transita com naturalidade entre diferentes estilos da música brasileira. Encerrando o dia, a premiada cantora norte-americana Cécile McLorin Salvant, considerada “uma voz única sustentada por inteligência e musicalidade plena”, representa uma cena contemporânea e experimental do jazz e apresentará um show minimalista de voz e piano.

O domingo (13) abre com a baiana Josyara, cantora, compositora, instrumentista e produtora musical, que traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano, construindo uma voz potente e singular dentro da nova geração da música brasileira. Além da banda, Josyara sobe ao palco com seu violão percussivo, a base e o diferencial tanto das canções autorais, como das releituras de outras compositoras rearranjadas e interpretadas por ela. Em seguida, sobe ao palco Tetê Espíndola, figura já consagrada e que mantém uma pesquisa sobre a música do cerrado, cuja sonoridade transita entre a arte e a natureza. A apresentação do grupo Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, marca um momento de celebração da força, da ancestralidade e da luta das vozes negras, com seu repertório de afirmação política e cultural. No palco, elementos da ancestralidade africana, guardados pelos Terreiros de Candomblé, sustentam a dança afro do Ilê, fundamentada no Ijexá. Para fechar o festival, a multiartista indígena Brisa Flow. Seu mais recente álbum, Janequeo, fala de amor, coragem e autonomia. No Jardim Sonoro, ela apresenta uma discotecagem contemporânea, experimental e pensada para o Inhotim. 

Sobre o Jardim Sonoro

Jardim Sonoro é um festival que celebra a fusão entre a arte, a natureza e a música. É realizado desde 2024 e propõe oferecer às pessoas visitantes novas camadas de experiência pelos espaços do museu. Por não ser um festival de um gênero específico, responde a muitas linguagens musicais e, a cada ano, busca singularidades que enriquecem a experiência da instituição. O projeto reafirma o Inhotim como um espaço de encontro, criação e experimentação e se conecta, em suas edições, ao propósito do programa artístico da Instituição no ano. “A nossa ideia é que este festival se conecte ao Inhotim de modo radical. Isso acontece, em um primeiro momento, com o line-up de vozes em meio à arte e à natureza, mas também há um desejo de que ele reverbere os debates atuais, a pesquisa curatorial, o programa de educação e os diálogos que estamos promovendo ao longo do ano. Em 2025, temos falado, enquanto instituição, de território, de povos originários e da reinvenção de nossas relações com a natureza. As vozes do festival também ressoam esses caminhos e a urgência desses temas”, finaliza Júlia.

O Festival Jardim Sonoro tem a Vale como Mantenedora Master, Parceria Estratégica da Cemig, Patrocínio Master da Shell, Patrocínio Prata da B3 e Patrocínio Bronze do Banco Mercantil por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e da Lei Federal de Incentivo à Cultura. 

SERVIÇO:

Jardim Sonoro – Festival de Música Inhotim (2ª edição)

Datas: 11, 12 e 13 de julho de 2025

Acesso gratuito para quem estiver no Inhotim (mediante pagamento de entrada no Parque). 

Programação Musical

Sexta-feira, 11 de julho

15h – Djuena Tikuna

Sábado, 12 de julho

11h – Luiza Brina

13h – Mônica Salmaso

15h – Cécile McLorin Salvant

Domingo, 13 de julho

11h – Josyara

13h – Tetê Espíndola

15h – Ilê Aiyê

16h – Brisa Flow 

SOBRE OS ARTISTAS 

Brisa Flow

Foto: Divulgação.

Brisa Flow é artista indígena multifacetada: cantora, produtora musical, performer, MC e arte-educadora. Filha de artesãos araucanos, desenvolve seu trabalho a partir de vivências corporais e territoriais, conectando o hip hop com práticas ancestrais e saberes originários. Sua trajetória se consolidou em palcos como MASP, Itaú Cultural, SESC e festivais como Lollapalooza, FIG e Burning Man. Em sua música, mistura rap, jazz, eletrônico e neo-soul com cantos indígenas e poesia crítica. Brisa também é ativista cultural e defensora da música indígena contemporânea, tratando temas como amor, autonomia, epistemicídio e aquilombamento urbano. Sua obra mais recente é o álbum Janequeo (2022), inspirado em uma guerreira Mapuche, com participações nacionais e internacionais. O disco mistura rap com vertentes eletrônicas e foi apresentado em importantes palcos como Casa Natura Musical e Virada Cultural. A artista segue lançando clipes e participando de projetos voltados à resistência originária nas artes. 

Cécile McLorin Salvant

Foto: Karolis Kaminskas.

Cécile McLorin Salvant é compositora, cantora e artista visual. Desenvolveu uma paixão por contar histórias e por encontrar conexões entre o vaudeville, o blues, as tradições folclóricas de diversas partes do mundo, o teatro, o jazz e a música barroca. Salvant é uma curadora eclética, desenterrando canções raramente gravadas, esquecidas, com narrativas fortes, dinâmicas de poder interessantes, reviravoltas inesperadas e humor. Venceu a competição Thelonious Monk em 2010. Recebeu o Grammy de Melhor Álbum Vocal de Jazz por três álbuns consecutivos: The Window, Dreams and Daggers e For One To Love. Ela lançou seu álbum de estreia pelo selo Nonesuch Records, Ghost Song, em 2022; o álbum recebeu duas indicações ao Grammy. Mélusine, um álbum cantado majoritariamente em francês, além de faixas em occitano, inglês e crioulo haitiano, foi lançado em 2023 e também recebeu duas indicações ao Grammy. 

Djuena Tikuna

Foto: Divulgação.

Djuena Tikuna é cantora e ativista do povo Tikuna, do Alto Solimões, Amazonas. Sua trajetória artística é marcada pela valorização e difusão dos cantos tradicionais de seu povo, integrando saberes ancestrais com a música contemporânea. Em 2017, lançou Tchautchiüãne (“minha aldeia”), seu primeiro álbum solo, tornando-se a primeira mulher indígena a protagonizar um espetáculo no Teatro Amazonas em mais de 120 anos de história. O disco foi indicado ao Indigenous Music Awards, no Canadá, projetando sua arte internacionalmente. Djuena realizou turnês pela Europa e América do Norte. Além de apresentações em Dubai durante a COP 28. Em 2018, idealizou a Mostra de Música Indígena – WIYAE, iniciativa pioneira que valoriza a produção musical indígena no Brasil. Em 2022, lançou Torü Wiyaegü, obra multimídia que inclui álbum, livro e documentário sobre os cantos Tikuna.

Ilê Aiyê

Foto: Divulgação.

O Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro da Bahia, fundado em 1º de novembro de 1974, no bairro do Curuzu, Liberdade — região com a maior população negra do país. Nasce com o objetivo de preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira, promovendo o fortalecimento da identidade étnica e a autoestima do povo negro. Desde sua fundação, o Ilê homenageia países africanos e revoltas negras brasileiras, apropriando-se da história africana para reconstruir a trajetória do negro no Brasil. Na década de 1970, o bloco revolucionou o Carnaval baiano ao introduzir novos ritmos oriundos das tradições africanas. Hoje, com mais de 3 mil associados, é considerado patrimônio cultural da Bahia e símbolo da reafricanização do Carnaval. Sua passagem pelo circuito é considerada um espetáculo rítmico, musical e plástico, aplaudido pelo público. Assistir ao Ilê no Carnaval é tido como essencial, comparável a visitar um Terreiro de Candomblé. O Ilê articula seu trabalho político-educacional por meio da dança, linguagem e gestualidade, transmitindo a ancestralidade africana e sua conexão com a realidade negra baiana. O bloco também retoma e adapta movimentos de renascimento negro-africano e afro-americano, fortalecendo a identificação entre povos negros do mundo inteiro. 

Josyara

Foto: Divulgação.

Josyara, cantora, compositora, instrumentista e produtora musical de Juazeiro (BA), traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano, embalado por um violão percussivo e potente. Em 2018, lançou seu 1º disco, Mansa Fúria, pelo edital Natura Musical, sendo um dos mais elogiados do ano e rendendo indicações ao APCA e Prêmio Multishow. Em 2020, lançou Estreite com Giovani Cidreira (Joia Moderna). Em 2022, saiu seu 2º disco solo, ÀdeusdarÁ (Deck), e em 2024 lançou o EP Mandiga Multiplicação, interpretando músicas do Timbalada. Josyara já tocou nos principais festivais do país, como Coala, Rec Beat, SIM-SP, Primavera Sound, Bananada, Dosol, MADA e BR-165. Em 2019, venceu o prêmio WME como Revelação em 2018 e o de melhor instrumentista em 2024. Em 2025, acaba de lançar o single Ensacado, com participação especial de Pitty. Os singles Corredeiras e Sobre Nós e o disco AVIA. 

Luiza Brina

Foto: Daniela Paoliello.

Luiza Brina é cantora, compositora, arranjadora, produtora musical e multi-instrumentista, considerada um dos principais nomes da nova música brasileira. Há mais de uma década, iniciou a criação de suas “canções-orações”, um percurso artístico singular que consolidou sua posição na cena contemporânea. Em 2024, lançou Prece (dobra discos/Natura Musical), com participações de Silvana Estrada, LvRod, Iara Rennó, Maurício Tizumba, Sérgio Pererê e Rainha Isabel Casimira. O álbum, elogiado pela Folha de S.Paulo, NPR (Tiny Desk) e listado entre os melhores do ano pela APCA, é considerado o mais importante de sua carreira. Com turnês no Brasil e na Europa, seus discos também foram lançados no Japão pelo selo Impartmaint Inc. Como compositora, Brina acumula parcerias com nomes como Ronaldo Bastos, Ceumar, Thiago Amud, Teago Oliveira e Julia Branco.

Mônica Salmaso

Mônica Salmaso iniciou sua carreira em 1989, na peça “O Concílio do Amor”. Em 1995, lançou o disco “Afro-Sambas” com Paulo Bellinati, interpretando a obra de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Dois anos depois, foi indicada ao Prêmio Sharp como revelação em MPB. Com os álbuns “Trampolim” (1998) e “Voadeira” (1999), ganhou reconhecimento, incluindo um prêmio APCA. Em 2004 lançou “IAIÁ”, seguido por “Noites de Gala”, “Samba na Rua” (2007), dedicado a Chico Buarque. Atuou como solista com orquestras como OSESP e OSB, e participou de um CD da OSESP sob regência de John Neschling. O álbum “Alma Lírica Brasileira” (2011), com Teco Cardoso e Nelson Ayres, rendeu-lhe o Prêmio da Música Brasileira como Melhor Cantora. Em 2014, “Corpo de Baile”, com Guinga e Paulo César Pinheiro, venceu duas categorias do mesmo prêmio. Caipira (2017) foi novamente aclamado e premiado. Em 2019, lançou um CD gravado no Japão com Guinga e, mais recentemente, “Canto Sedutor” (com Dori Caymmi) e “Milton” (com André Mehmari). Entre 2022 e 2023, participou da turnê “Que Tal Um Samba”, com Chico Buarque. Atualmente está em turnê com seu novo show solo, “Minha Casa”. 

Tetê Espíndola

Foto: Gal Oppido.

Ao longo de seus 45 anos de carreira com mais de 20 discos gravados, a cantora, compositora e instrumentista sul-grossense Tetê Espíndola tem o seu trabalho voltado para a experimentação e recriação do universo ecológico brasileiro. Foi aclamada com o Prêmio Revelação da ACP/ 1982, pelo disco “Pássaros na Garganta”, marcando presença da vanguarda paulista. Participou de dois importantes festivais brasileiros, MPB Shell 1981/ Londrina e venceu o Festival dos Festivais /1985, com “Escrito nas Estrelas”, que em 2023 voltou a ocupar o primeiro lugar entre as músicas mais ouvidas no Brasil. Ganhou o prêmio Fundação Vitae para desenvolver trabalho de composição musical sobre os pássaros brasileiros, que resultou no LP “Ouvir” (1991). 

INHOTIM – INFORMAÇÕES GERAIS

Horários de visitação

De quarta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30.

Nos meses de janeiro e julho, o Inhotim funciona também às terças. 

Entrada

Inteira: R$ 60,00 | Meia-entrada*: R$ 30,00.

*Veja as regras de meia-entrada no site: www.inhotim.org.br/visite/ingressos/

Entrada gratuita

Inhotim Gratuito: acesse o guia especial sobre a gratuidade no Inhotim.

Moradores e moradoras de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim; Amigos do Inhotim; crianças de 0 a 5 anos; patronos, patrocinadores e instituições parceiras do Inhotim não pagam entrada;

Quarta Gratuita Inhotim: todas as quartas-feiras são gratuitas;

Domingo Gratuito: dia 13 de abril e o último domingo do mês é gratuito. 

Localização

O Inhotim está localizado no município de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte (aproximadamente 1h15 de viagem). Acesso pelo km 500 da BR-381 – sentido BH/SP. Também é possível chegar ao Inhotim pela BR-040 (aproximadamente 1h30 de viagem). Acesso pela BR-040 – sentido BH/Rio, na entrada para o Retiro do Chalé. Link

(Com Wendell Silva/Instituto Inhotim)

Mostra de Teatro Águas de Manaus acontece em agosto com atrações gratuitas e musical sobre Rita Lee

Manaus, por Kleber Patricio

Espetáculo Tucumã e Buriti – As Brocadas do Tarumã-Açu. Foto: Josef Ponciano.

A primeira edição da Mostra de Teatro Águas de Manaus acontece em agosto com programação gratuita nas zonas Oeste e Leste e no Centro da capital amazonense. A mostra terá apresentações de espetáculos de companhias de teatro amazonenses e do musical premiado sobre a cantora Rita Lee, protagonizado pela atriz Mel Lisboa. O evento ocorre nos dias 9, 10, 16 e 17 de agosto, com apresentações nos anfiteatros dos bairros Ponta Negra e Jorge Teixeira, no Largo São Sebastião, e nos palcos do Ateliê, Buia Teatro e do Teatro Gebes de Medeiros (Centro).

A Mostra é realizada pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Brasileiro de Teatro (iBT) por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apresentada pela Águas de Manaus, com patrocínio do Instituto Carlos Roberto Hansen (ICRH) e Grupo Tigre, conta com parceria institucional da Benevolência e apoio do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), e apoio cultural da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), do Ateliê 23 e da Buia Teatro.

Agnaldo Moreno, do Instituto Brasileiro de Teatro (IBT), enfatiza que o objetivo é fomentar a cena teatral na região amazônica e promover espetáculos que dialoguem com a população. Por isso, foi feito um mapeamento que identificou 30 espetáculos de diversas partes do Estado do Amazonas. “A mostra nasce como um convite para que a população vivencie o teatro de forma interativa, em espaços públicos e com temas que reflitam situações cotidianas, eventos históricos e aspectos culturais da região. Desejamos que todos se sintam parte desse movimento artístico”, afirma Agnaldo Moreno.

Espetáculo Rita Lee – Uma Autobiografia Musical. Foto: Caio Vitturi.

O diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas, reforça que o evento também dialoga com o propósito da companhia de estar presente no dia a dia da comunidade. “É um orgulho muito grande poder fomentar a arte, em um evento aberto ao público, e com programação que tem maioria de espetáculos criados por companhias locais. A Águas de Manaus faz questão dessa proximidade com a população em ações que vão além dos serviços prestados pela empresa. Cultura é um direito tão básico quanto o saneamento”, afirma.

Programação

A abertura ocorrerá no dia 9 de agosto, a partir das 20h, no anfiteatro da Ponta Negra, com o espetáculo “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, que é protagonizado pela atriz Mel Lisboa. Lançado em 2024, o musical aborda momentos marcantes da trajetória da rainha do rock brasileiro e traz as músicas da Rita Lee de volta ao palco do anfiteatro da Ponta Negra. No réveillon de 2010, a cantora fez um show icônico no mesmo palco para mais de 150 mil pessoas.

Neste espetáculo, que está há mais de um ano em cartaz em São Paulo, Mel Lisboa tem se destacado por sua personificação de Rita. Em 2019, a atriz já tinha vivido a cantora na minissérie “Elis: Viver É Melhor que Sonhar” e na peça teatral “Rita Lee Mora ao Lado”. Recentemente, Mel Lisboa ganhou o Prêmio Shell de melhor atriz, por sua atuação como Rita.

Espetáculo Rita Lee – Uma Autobiografia Musical. Foto: João Caldas.

No dia seguinte, 10 de agosto, às 17h, também na área do anfiteatro da praia da Ponta Negra será encenado o espetáculo “Tucumã e Buriti – As Brocadas do Tarumã-Açu”. Apresentado pelo grupo Jurubebas de Teatro, que desenvolve projetos culturais e espetáculos teatrais no Amazonas. Em seguida, às 19h, haverá uma apresentação especial dos bois Garantido e Caprichoso.

Já no final de semana seguinte, no dia 16 de agosto, às 17h, a programação segue para o anfiteatro do bairro Jorge Teixeira, com o grupo Buia Teatro apresentando “Bertholdo – Estudo nº 1”. O espetáculo conta a história de um tubarão que deseja ser humano e acaba seguindo as ideias absurdas do professor Ninguém, passando a capturar e aprisionar peixinhos em gaiolas no fundo do mar.

Ainda no anfiteatro do Jorge Teixeira, às 18h30, será encenada a peça “Filha do Encontro das Águas”, escrita por Lia Benacon sobre a travessia de uma menina que, perdida na imensidão da metrópole paulistana, escolhe fazer o caminho de volta às raízes no Amazonas, em busca de si mesma.

Já o espetáculo “Balões”, do Grupo Barravento, será apresentado no mesmo lugar às 20h e traz a história do palhaço Caco, que desafia a gravidade dos afetos, encontros, desencontros, despedidas e recomeços. A peça celebra as saudades com poesia e comicidade, jogando com pessoas, objetos e sensações.

Espetáculo Rita Lee – Uma Autobiografia Musical. Foto: João Caldas.

No dia seguinte, 17 de agosto, às 15h, a programação inicia na sede do grupo Ateliê 23, localizada na Rua Tapajós 166, no Centro, com a peça “Menina Miúda”, da Cia Menina Miúda. A história gira em torno de Zé, que tenta conquistar o coração de sua amada usando suas habilidades, muita lábia e imaginação, além de presentes inusitados e uma poesia curiosa, feita exclusivamente para Constância.

Às 16h, a programação segue na sede do grupo Buia Teatro – na Rua Dona Libânia 330, Centro – com a apresentação de “Cê Virou Planta”, da Soufflé de Bodó Company. A peça mergulha no processo de luto vivido pela mãe do artista Francis Madson e propõe um debate sobre o tema, promovendo acolhimento e reflexão.

Em seguida, às 17h, o Largo São Sebastião vai receber o “Teatro Lambe-Lambe” com dramaturgias plurais, que abordam temas como arte, natureza, vida cotidiana e cultura popular.

O encerramento do festival acontece no Teatro Gebes Medeiros – que fica na Eduardo Ribeiro 937, Centro – às 19h, com a peça “Bar Patrícia”, que traz relatos de drag queens sobre vivências durante a Ditadura Militar. A obra celebra resistências, corpos e denúncias.

Sobre o IBT

Fundado em 2022, o Instituto Brasileiro de Teatro é uma organização sem fins lucrativos que visa gerar uma conexão entre as iniciativas privadas e públicas, as produções teatrais e o público. Com o objetivo de popularizar o teatro no Brasil, o iBT quer levar o teatro a quem não teria acesso a ele, e a quem teria, garantindo acesso universal por meio de ingressos gratuitos ou a preços acessíveis.

O Instituto também apresenta uma série de ações voltadas à classe teatral, propondo uma governança que acelera a profissionalização de grupos e artistas, atuando desde a capacitação até no auxílio de realização de espetáculos, incluindo captação de investimentos do setor privado.

Sobre a Águas de Manaus

Em operação na capital amazonense desde 2018, a Águas de Manaus tem promovido uma transformação no saneamento básico da cidade. Em sete anos de operação, a empresa garantiu a universalização do acesso à água tratada na capital. Outro foco da concessionária é universalizar o serviço de esgotamento sanitário. Em janeiro de 2023, a empresa lançou o “Trata Bem Manaus”, programa que tem como objetivo atingir a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto até 2033. Em menos de dez anos, serão implantadas mais de de 2,7 milhões de metros de rede coletoras de esgoto, além da construção ou reforma de 70 estações de tratamento espalhadas por toda a cidade.

Para garantir que o acesso aos serviços de saneamento básico chegue às populações mais vulneráveis, a empresa mantém programas tarifários como o Tarifa 10, que fixa o valor da fatura de água e esgoto em R$ 10, e o Tarifa Manauara, que oferece 50% de desconto. Hoje, mais de 130 mil famílias são beneficiadas pelos dois programas.

(Com Emanuelle Araújo Melo de Campos/Up Comunicação)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera double bill, com Puccini e Strauss, em reflexão sobre a guerra

São Paulo, por Kleber Patricio

Ópera Friedenstag, de Strauss, será apresentada pela primeira vez na América Latina. Foto: Larissa Paz/Divulgação.

Dois grandes nomes da música: Giacomo Puccini e Richard Strauss – provavelmente os compositores de ópera mais influentes do final do século XIX e início do XX e, apesar de terem obras tão distintas, representantes do auge das artes em seus países, a Itália e a Alemanha. A primeira, Le Villi (As Fadas), é uma ópera-ballet com libreto de Ferdinando Fontana, baseado no conto Les Willis de Jean-Baptiste Alphonse Karr, também utilizado no ballet Giselle. Já a segunda, Friedenstag (Dia de Paz), ópera em um ato com libreto de Joseph Gregor, é inédita na América Latina. As apresentações serão no sábado, 19, às 17h; domingo, 20, às 17h; terça-feira, 22, às 20h; quarta-feira, 23, às 20h; sexta-feira, 25, às 20h; sábado, 26, às 17h; e domingo, 27, às 17h. Os ingressos variam de R$ 33 a R$ 210 (valores de inteira). Com classificação livre para todos os públicos e duração aproximada de 170 minutos, incluindo intervalo.

Ambas apresentações tem direção musical de Priscila Bomfim e direção cênica de André Heller-Lopes. A cenografia leva a assinatura de Bia Junqueira, o design de luz é de Fábio Retti, os figurinos são de Laura Françozo e a assistência de direção cênica é de Ana Vanessa. O Coro Lírico Municipal tem regência de Hernán Sánchez Arteaga.

O diretor cênico André Heller-Lopes. Foto: Leo Aversa/Divulgação.

Em uma combinação única destas duas obras, o Theatro Municipal cria um programa operístico surpreendente, sob a assinatura de um dos principais diretores de ópera do Brasil. “Quando fui convidado, pensei: como unir esse primeiro Puccini, que fala de uma lenda fantástica, com uma narrativa de guerra do Strauss? Decidi que poderia trabalhar como se um fosse o prelúdio da guerra e outro a guerra. Nessa montagem, Le Villi se passa no início dos anos trinta e, o Friedenstag, no auge dos anos da guerra. Inclusive, esse ano comemoramos os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, mas ainda vivemos em um mundo de conflitos bélicos. Bom, isso tudo será conectado por inúmeros recursos cênicos e através de um personagem, Roberto, que é um soldado”, pontua André Heller-Lopes.

Ainda sobre os aspectos da montagem, Heller-Lopes explica que a sua criação se ancora nos recursos originais do texto. “Eu trabalho com o que outros diretores de ópera fazem: a capacidade de fazer um clássico com um ponto de virada, ou um molho diferente, como forma de criar uma sub-leitura no texto. Mas o texto original é sagrado”, pontua.

Em Le Villi (As Fadas), nos dias 19, 22, 25 e 27 de julho, os papéis principais serão interpretados por Rodrigo Esteves (Guglielmo), Gabriella Pace (Anna) e Eric Herrero (Roberto). Já nos dias 20, 23 e 26 de julho, o elenco traz Johnny França (Guglielmo), Daniela Tabernig (Anna) e Marcello Vannucci (Roberto).

Já em Friedenstag (Dia de Paz), o espetáculo conta, nos dias 19, 22, 25 e 27 de julho, com Leonardo Neiva (Comandante), Eiko Senda (Maria) e Eric Herrero (Um Piemontese). Nos dias 20, 23 e 26 de julho, os papéis são assumidos por Rodrigo Esteves (Comandante), Daniela Tabernig (Maria) e Marcello Vannucci (Um Piemontese).

Sobre a união musical de dois gênios da ópera, a diretora musical e maestra regente assistente da Orquestra Sinfônica municipal, Priscila Bomfim, explica o que o público pode esperar deste programa. “A diferença entre a forma de expressão dos dois compositores é muito clara: Puccini, que ressalta a narrativa de uma fábula encantada com suas melodias marcantes presentes no canto e reforçadas pelos naipes da orquestra; e Strauss, com sua orquestração densa e complexa, que reforça o drama militar e bélico da guerra por meio da pluralidade rítmica e de uma orquestração romântica e com influência wagneriana”, explica.

Cena de Le Villi, primeira ópera composta por Puccini. Foto: Larissa Paz/Divulgação.

“Além disso, a união entre balé e ópera em Le Villi apresenta uma música que é, ao mesmo tempo, dançante, mas pertencente ao universo operístico. E claro, o desafio de unir dois compositores que são esteios da ópera italiana e alemã na mesma produção, ressaltando e resguardando suas características e estilos distintos”, pontua a maestra.

Sobre Le Villi (As Fadas)

Le Villi é inspirada em lendas eslavas sobre espíritos vingativos de jovens traídos pelo amor. Estreada em 1884, carrega influências do estilo composicional de Amilcare Ponchielli, mestre de Puccini, trazendo uma atmosfera quase mística, distinta das obras seguintes do compositor. A trama é a mesma do famoso balé Giselle, de Adolphe Adam: uma jovem de coração partido transforma-se em uma criatura sobrenatural que se vinga de seu amante infiel, forçando-o a dançar até a morte. Embora não tenha sido bem-recebida no concurso para o qual foi composta, o concurso de Sonzogno, a ópera foi aclamada por críticos que viram em Puccini uma promessa para a ópera italiana. “O que são essas Villi? São figuras como bacantes. Essa é a visão da ópera: uma ideia contemporânea, inclusive no estilo do balé, mas dentro da dramaturgia de ópera. A partir disso, uma grande inspiração que me veio foi a imagem da personagem de Metrópolis, de Fritz Lang, que é meio mulher e meio metal”, explica o diretor André Heller-Lopes.

Sobre Friedenstag (Dia de Paz)

Friedenstag foi composta por Strauss em 1938, com libreto de Joseph Gregor. Ambientada em uma fortaleza no sul da Alemanha, ao final da Guerra dos Trinta Anos, a ópera explora temas de esperança e reconciliação. O comandante da fortaleza, em um momento de desesperança, redescobre o valor da paz quando as tropas inimigas cercam seu território. A obra é um reflexo dos tempos conturbados da ascensão do nacionalismo e do militarismo na Europa, oferecendo uma poderosa mensagem pacifista. “Eu trouxe a ideia de como seria interessante apresentar o Friedenstag (Dia de Paz). Por ser uma ópera inédita na América Latina, uma criação importante de Strauss, e é pouco conhecida. Ela tem uma fama que não corresponde à realidade porque é uma obra sobre a paz, no entanto, como estreou em 1938, na Alemanha, foi utilizada pela agenda do governo. Basta dizer que ela é uma criação de Stefan Zweig, um autor importantíssimo que precisou fugir do regime na América do Sul. O que estamos fazendo é um resgate”, finaliza o diretor.

SERVIÇO:

Óperas Double Bill | Le Villi – As Fadas, de Giacomo Puccini e Friedenstag – Dia de Paz, de Richard Strauss

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

Sábado, 19/07, 17h

Domingo, 20/07, 17h

Terça-feira, 22/07, 20h

Quarta-feira, 23/07, 20h

Sexta-feira, 25/07, 20h

Sábado, 26/07, 17h

Domingo, 27/07, 17h

Priscila Bomfim, direção musical

André Heller-Lopes, direção cênica

Hernán Sánchez Arteaga, regente do Coro Lírico Municipal

Bia Junqueira, cenografia

Fábio Retti, design de luz

Laura Françozo, figurino

Ana Vanessa, assistente de direção cênica

Le Villi (As Fadas) * (70′)

Ópera-balé em dois atos de Giacomo Puccini com libreto de Ferdinando Fontana (70′)

*Edição crítica de Martin Desay (2020). Editor: Casa Ricordi srl, Milão representada por Melos Ediciones Musicales S.A., Buenos Aires

dias 19, 22, 25 e 27

Rodrigo Esteves, Guglielmo

Gabriella Pace, Anna

Eric Herrero, Roberto

dias 20, 23 e 26

Johnny França, Guglielmo

Daniela Tabernig, Anna

Marcello Vannucci, Roberto

Intervalo (20’)

Friedenstag (Dia de Paz) ** (80’)

Ópera em um ato de Richard Strauss com libreto de Joseph Gregor

** By arrangement with B&H Music Publishing Inc. d/b/a Boosey & Hawkes, publisher and copyright owner.

dias 19, 22, 25 e 27

Leonardo Neiva, Comandante

Eiko Senda, Maria

Eric Herrero, Um Piemontese

dias 20, 23 e 26

Rodrigo Esteves, Comandante

Daniela Tabernig, Maria

Marcello Vannucci, Um Piemontese

Elenco único (todas as datas)

Sérgio Righini, comandante

Saulo Javan, Sentinela

Geilson Santos, atirador

Márcio Marangon, soldado

Daniel Lee, mosqueteiro

Rafael Thomas, corneteiro

Santiago Villalba, oficial

Jessé Vieira, oficial da linha de frente

Miguel Geraldi, prefeito

Leonardo Pace, prelado

Adriana Magalhães, mulher do povo

Classificação

Livre para todos os públicos

Duração aproximada

170 minutos (com intervalo)

Ingressos

de R$33 a R$210 (inteira)

Programação sujeita a alteração.

Patrocínio

As récitas dos dias 22 e 27/7 tem patrocínio Bradesco.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de Imprensa Theatro Municipal)