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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Após sucesso de no Itaú Cultural, espetáculo “Juego de Niños” engata nova temporada no Teatro Estúdio

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Renato Domingos.

Com sessões lotadas em sua temporada no Itaú Cultural, “Juego de Niños”, texto inédito de Newton Moreno que aborda a contundente realidade de crianças imigrantes em campos de detenção, ganha nova temporada no Teatro Estúdio até 9 de dezembro. O espetáculo repete a parceria de Bernardo Bibancos na direção e Lu Grimaldi, agora como sua assistente e preparadora corporal do elenco, numa realização da ONG Turma do Bem.

A obra traz à cena três personagens infantis – México (menino de 8 anos), Honduras (menina de 11 anos) e Nicarágua (menino de 13 anos) – interpretados por atores fundamentais na dramaturgia brasileira – Genézio de Barros, Vera Mancini e Luiz Guilherme, todos na casa dos 70 anos –, criando um potente contraste entre infância e amadurecimento/envelhecimento precoce causado pelo sofrimento.

Newton Moreno fala sobre o espetáculo: “Este projeto conta com um grupo talentoso de artistas reunidos para dar vazão à sua sensibilidade e indignação frente às desmedidas e violências nas fronteiras bélicas deste mundo”. O diretor complementa:Existem duas circunstâncias convivendo em Juego de Niños. Uma de foro íntimo: um prazer inenarrável em ter a possibilidade de encenar um grande texto, com esses atores extraordinários. E outra, ainda mais fundamental, de ordem coletiva: uma tragédia humanitária cujas consequências e desenlaces ainda ecoam nas nossas consciências”.

A trama se passa dentro de uma jaula, um campo de detenção onde as crianças, envoltas em mantas térmicas para suportar o frio extremo, tentam resgatar fragmentos de sua infância por meio de brincadeiras como pião, amarelinha e boneca. Cada personagem carrega uma história de perda, medo e esperança: México esqueceu o nome do pai e aguarda ansiosamente o dia prometido para reencontrá-lo; Honduras enfrenta a primeira menstruação e acredita estar morrendo de saudade e Nicarágua teme não ser mais reconhecido pelos pais após anos de separação.

O texto utiliza o jogo como metáfora para a sobrevivência, a resistência e a busca por afeto em meio ao abandono. A peça denuncia as condições desumanas dos campos de imigração, o racismo, a violência institucional e principalmente a ampliação da desigualdade econômica mundial, ao mesmo tempo em que celebra a força das crianças para reinventar o mundo através da imaginação.

Juego de Niños reúne, além do elenco estelar, nomes como André Abujamra (trilha sonora), Caetano Vilela (iluminação) e parceiros fundamentais como a ONG Cerzindo, que acolhe refugiados, migrantes e brasileiros em situação de vulnerabilidade e os prepara para o mercado de trabalho.

Com linguagem lírica e cenas de forte carga emocional, Juego de Niños provoca o público a refletir sobre justiça, fronteiras, famílias, pertencimento e o sagrado direito à infância.

SERVIÇO:

Espetáculo Juego de niños 

NOVA TEMPORADA – TEATRO ESTÚDIO

De 18 de novembro a 9 de dezembro – segundas e terças às 20h.

Entrada gratuita – Link para ingressos.

(Com Alisson Schafascheck/Vicente Negrão Assessoria)

 

Fernanda Galvão apresenta “Duas luas” na Casa Triângulo: deslocamento, impermanência e a exuberância da pintura

São Paulo, por Kleber Patricio

Fernanda Galvão – Alface Noturna, 2025 – carvão, pigmento, pastel seco, bastão de óleo e óleo sobre linho – Edição: única – 60 x 80 x 2,5 cm – Cortesia: Casa Triângulo, São Paulo. Fotos: Filipe Berndt.

A Casa Triângulo anuncia a abertura de Duas luas, a segunda exposição individual da artista brasileira radicada em Paris Fernanda Galvão na galeria. Com curadoria de Marcos Moraes, a mostra apresenta uma nova série de pinturas que aprofundam a investigação da artista sobre o deslocamento, a impermanência e a reimaginação da coexistência em um futuro possível.

Sobre a exposição: Paisagens Interiores e a Força da Cor 

Fernanda Galvão – Olhinhos Submersos, 2025 – Carvão, Pigmento, Pastel Seco, Bastão De Óleo E Óleo Sobre Linho – 79 X 110 X 3,5 cm. Cortesia Casa Triângulo.

A obra de Fernanda Galvão, que se insere em uma linhagem de pintoras que desafiam a “morte anunciada da pintura”, é um convite à imersão em “atmosferas de realidades paralelas e distintas”, como descreve o curador Marcos Moraes. A artista utiliza uma articulação complexa de cores e formas para criar mundos visuais que resultam de seu desejo e de suas experiências.

A nova série, que dá nome à exposição, marca um momento de “exuberância poética” na produção da artista. Galvão explora a materialidade do corpo fragmentado e, mais recentemente, a vulnerabilidade das formas contrastadas pela saturação da cor. A paleta se torna mais complexa e variada, com a presença marcante dos “inebriantes vermeils aprofundados pelos vinhos e bordôs”, intensificando a energia e impetuosidade das imagens com o uso de luz e sombra, texturas e glitter.

A Poética do Deslocamento 

A experiência de estar em trânsito, tanto física quanto emocionalmente, é central na prática de Galvão, refletindo sua jornada por países, culturas e paisagens desde que deixou São Paulo. Suas pinturas e desenhos misturam elementos reais e imaginários para criar lugares que desafiam a compreensão convencional, contemplando um futuro em meio à catástrofe climática.

Fernanda Galvão – Onda Yellow Force, 2025 – carvão, pigmento, pastel seco, bastão de óleo e óleo sobre linho – 1507 X 205 X 35 cm. Cortesia Casa Triângulo.

O raciocínio pictórico de Galvão parte de “paisagens” armazenadas na memória, fruto de seus deslocamentos entre São Paulo, o deserto da Califórnia (Joshua Tree), Paris e Catalunha. A artista recorre ao mundo natural, à ficção científica e a textos ilustrados para criar um glossário de formas de vida, retratando seres diversos – nunca humanos – e sugerindo uma reimaginação da coexistência e da sobrevivência.

A exposição explora a fusão de espaços – terra/mar com o céu/infinito – dissolvendo limites e configurando “paisagens interiores, de outras dimensões”. Como afirma a artista, este é um momento de pintura “mais solta, mais livre, mais ‘lidando com o inesperado'”, onde o fundo se afirma como personagem e a impermanência prevalece.

A artista e o curador 

Fernanda Galvão (1994, São Paulo, Brasil) vive e trabalha em Paris, França. Sua trajetória inclui exposições individuais e coletivas em galerias e instituições de prestígio internacional, como From where I am | I am already gone (Lyles & King, Nova York, 2024), Alien Shores: Landscape, once removed (White Cube Bermondsey, Londres, 2025) e As Colinas Murmuravam e Sonhavam em Cair no Mar (Casa Triângulo, São Paulo, 2023).

Marcos Moraes é Doutor em Arquitetura e Urbanismo e Diretor do Museu de Arte Brasileira da FAAP, além de Coordenador dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais e dos Programas Internacionais da Residência Artística FAAP – Paris e São Paulo.

SERVIÇO:

Duas luas

Curadoria: Marcos Moraes

Abertura: 15 de novembro de 2025 |14h às 18h

Período da exposição: 18 de novembro a 20 de dezembro

Horário de funcionamento: de terça a sexta das 10h às 19h e sábado das 10h às 17h

Local: Casa Triângulo

Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins – São Paulo

Telefone: (11) 3167-5621 | www.casatriangulo.com  info@casatriangulo.com

Entrada gratuita.

(Com Bernadete Druzian/A4&Holofote Comunicação)

“Black Machine” chega ao Itaú Cultural no Dia da Consciência Negra propondo encontro entre Hamlet e Ofélia encarnados em corpos pretos no século 21

São Paulo, por Kleber Patricio

Trabalho tem dramaturgia de Dione Carlos, concepção de Eugênio Lima e Fernando Lufer, que está em cena com a atriz Marina Esteves; peça aborda temas como raça, necropolítica, masculinidade tóxica, dor e desejo. Fotos: Sergio Silva.

O espetáculo “Black Machine” chega ao Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Bela Vista) no Dia da Consciência Negra, com sessões de 20 de novembro a 14 de dezembro de 2025. Buscando discutir o legado de “Hamlet”, de William Shakespeare, e sua influência até os dias de hoje, a obra propõe um encontro do personagem do dramaturgo inglês com a Ofélia de Heiner Muller, da obra Hamlet Machine (1972). A peça foi contemplada na 20ª edição do Prêmio Zé Renato – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa e chega ao Itaú Cultural após passar por temporadas na Casa do Povo e na Casa Farofa em setembro último.

Com dramaturgia de Dione Carlos e concepção de Fernando Lufer e Eugênio Lima, o trabalho é dividido em duas partes. A ideia é promover um embate radical entre esses dois grandes cânones do teatro ocidental, aproveitando para confrontar temas como gênero, raça, necropolítica, masculinidade, dor e desejo.

E, para garantir o caráter atemporal da obra, os dois personagens centrais são pós-coloniais. Enquanto Hamlet é atravessado por vozes como as de Frantz Fanon, Jean-Michel Basquiat, Aimé Césaire e Mano Brown, Ofélia é inspirada por nomes como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Erykah Badu. “A grande brincadeira de Black Machine é que, na verdade, os personagens clássicos estão tentando ser atores. Só que eles ‘incorporam’ em corpos negros em pleno século 21 e nós estamos investigando quais seriam as implicações disso”, comenta Eugênio.

Sobre a encenação

Durante a encenação, que se alterna entre delírio, manifesto e performance, Ofélia desafia Hamlet a assumir outro papel. “Pensamos nisso porque há 400 anos ele só fala dele mesmo. Nesse ponto da narrativa, Fanon ganha mais destaque, desdizendo tudo o que foi dito antes”, explica Lima.

Por apresentar ao público um embate que atravessa eras, o diretor Eugênio Lima define a peça como um experimento polifônico. Em meio a provocações filosóficas e referências políticas, os personagens expõem as ruínas do patriarcado enquanto constroem suas identidades. Para os realizadores, a questão central é: será que todo mundo pode realmente se identificar com o dilema existencialista do Hamlet sobre a dor de estar vivo?

“Fato é que a população negra nem sempre é vista como ‘ser’ e, talvez, tudo que a gente mais queira seja poder não ser mesmo. Assim, abre-se um mundo de possibilidades. Não queremos nos limitar: por que uma mulher branca pode dizer que é apenas uma mulher e uma mulher negra sempre deve se definir como mulher negra? Da mesma forma, não quero fazer teatro negro, quero fazer teatro. O que quero? Parafraseando Sueli Carneiro, quero ser negro sem ser somente negro e tornar-me um ser humano pleno de possibilidades e oportunidades”, defende Eugênio.

A montagem segue a estética do audiovisual expandindo, com destaque para a música constante e a presença de uma videografia projetada dividida em três telas em frequente diálogo com as dramaturgias sonora e textual. Em cena, Fernando Lufer e Marina Esteves performam seus textos flertando com a linguagem do spoken word em diversos momentos.

A montagem aposta em um visual afro-surrealista, mesclando passado, presente e futuro. Todos os tempos acontecem simultaneamente, expondo as feridas, evocando ancestralidades e construindo uma nova realidade.

Sinopse

Em um embate radical com os cânones do teatro ocidental, Black Machine reinventa Hamlet e Ofélia numa peça pop. Ele é um Hamlet pós-colonial, atravessado por vozes de Frantz Fanon, Jean-Michel Basquiat, Aimé Césaire e Mano Brown. Ela é uma Ofélia insurgente, construída a partir de Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Erykah Badu.

Em um espaço entre o delírio, o manifesto e a performance, os dois personagens criam um “debate de gênero com pitadas de melodrama” confrontando, raça, necropolítica, masculinidade tóxica, dor e desejo — enquanto expõem as ruínas de um mundo reconstroem suas identidades em pleno palco.

Feita de estilhaços poéticos, provocações filosóficas e camadas de referências políticas, a peça é um experimento polifônico em que o clássico é atravessado pelo presente: da colonização à globalização, das dores íntimas à violência sistêmica. Hamlet e Ofélia se enfrentam, se provocam, se reinventam — e, ao fazer isso, expõem o mundo em que vivem.

FICHA TÉCNICA

Idealização: Fernando Lufer

Direção Geral: Eugênio Lima

Concepção: Fernando Lufer e Eugênio Lima

Intérpretes: Fernando Lufer e Marina Esteves

Dramaturgia: Dione Carlos

Intervenção Dramatúrgica: Eugênio Lima e Fernando Lufer

Produção: Umbabarauma Produções Artísticas

Coordenação de Produção: Iramaia Gongora

Assistente de Produção: Thaís Cris

Assistente de Direção: Rafa Penteado

Direção Musical: Eugênio Lima

Figurino: Claudia Schapira

Videografia: Vic Von Poser

Iluminação: Matheus Brant

Direção de Movimento e Preparação Corporal: Luaa Gabanini

Spoken Word: Roberta Estrela D’Alva

Dramaturgismo: Luz Ribeiro

Engenharia de Som: João Souza Neto e Clevinho Souza

Operadora de Iluminação: Letícia Nanni

Operadora de Vídeo: Júlia Fávero

Fotos: Sérgio Silva

Redes Sociais: Jorge Ferreira

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Marcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo

Contador: Glauco Zocoler

Costureira: Cleusa Amaro da Silva Barbosa

Apoio: Casa do Povo e Casa Farofa

Realização: Umbabarauma Produções Artísticas.

SERVIÇO:

Black Machine

Duração: 80 minutos | Classificação: 12 anos

Data: 20 de novembro a 14 de dezembro de 2025, de quinta a sábado, às 20h, e domingos e feriados, às 19h (horário de Brasília)

**No feriado de 20 de novembro (quinta-feira), a sessão é às 19h.

Endereço: Itaú Cultural – Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01311-000

Sala Itaú Cultural

GRATUITO

Entrada gratuita. Reservas de ingressos são disponibilizadas a partir das 12h da terça-feira da semana de apresentação dos espetáculos, pela plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural.

PROTOCOLOS:

– É necessário apresentar o QR Code do ingresso na entrada da atividade até 10 minutos antes do seu início. Após esse período, o ingresso será invalidado e disponibilizado na bilheteria.

– Se os ingressos estiverem esgotados, uma fila de espera presencial começará a ser formada 1 hora antes da atividade. Caso ocorra alguma desistência, os lugares vagos serão ocupados por ordem de chegada.

– O mezanino é liberado mediante ocupação total do piso térreo.

– A bilheteria presencial abre uma hora antes do evento começar.

– Devolução de ingresso: Até duas horas antes do início da atividade, é possível cancelar o ingresso diretamente na página da Inti, assim outra pessoa poderá utilizá-lo. Na área do usuário, selecione a opção “Minhas compras” no menu lateral, escolha o evento e solicite o cancelamento no botão disponível.

– Programação sujeita a cancelamento: O Itaú Cultural informa que sua programação poderá ser cancelada em virtude de questões extraordinárias. Nesse caso, os ingressos adquiridos perdem a validade. O público que reservou o ingresso será notificado por e-mail. Um eventual reagendamento da programação ficará a exclusivo critério do IC, de acordo com a disponibilidade de agendas, sem preferência para quem adquiriu os ingressos anteriormente.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Dalal Achcar apresenta ballet inédito no feriadão de 20 de novembro

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Ensaio de Água de Meninos. Fotos: Divulgação.

A mestre de ballet e coreógrafa Dalal Achcar guardou por mais de 60 anos uma partitura inédita de Tom Jobim. A obra, intitulada “Água de Meninos”, foi encomendada ao compositor para ser trilha de um de seus ballets, que vai ser apresentado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, a partir do dia 22 de novembro. O espetáculo inédito “Água de Meninos – Fantasia Poética em Dois Atos” conta com produção da Aventura e patrocínio master da Vale e da Bradesco Seguros via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Após mais de 20 anos sem criar uma coreografia, Dalal Achcar assina o espetáculo em parceria com Éric Frédéric, maître de ballet e coreógrafo da Cia de Ballet Dalal Achcar. No palco, 21 bailarinos contam a história de amizade entre a coreógrafa e Tom Jobim. Arranjada para orquestra sinfônica pelo maestro Radamés Gnattali, o espetáculo se passa entre o Rio de Janeiro e Salvador. Além dos bailarinos da Cia de Ballet Dalal Achcar, a montagem conta com Claudia Mota, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, interpretando Dalal, Manoel Francisco como Tom Jobim e Irene Orazem com Madame Makarova, professora e mestra da Dalal.

Para Dalal Achcar, tirar da gaveta e realizar o ballet “Água de Meninos” é uma forma de homenagear o amigo, além de valorizar a cultura brasileira. “Mostrar para o Brasil a riqueza que temos em termos de música, de dança e de manifestações populares é magnífico, ainda mais nos dias de hoje, em que tudo é digital. Reviver o Tom, que foi quem popularizou a música brasileira no mundo inteiro, é uma forma de fazer essa nova geração se dar conta da riqueza dos artistas brasileiros que marcaram época.”

Ensaio de Água de Meninos.

Na trilha inédita, Tom Jobim incluiu canções como por exemplo “Eu Preciso de Você”, “Água de Beber”, “Quebra Pedra”, além de batuques de capoeira. O espetáculo conta ainda com músicas de grandes nomes da música brasileira como Baden Powell, com “Canto de Yemanjá”; Dorival Caymmi, com “Pescaria” e “Você Já Foi à Bahia”; Pixinguinha, com “Naquele Tempo e Quem é Você?” e Vinicius de Moraes, com as clássicas “Garota de Ipanema”. Ao todo, 23 músicas compõem o repertório de “Água de Meninos”.

“Quando a Dalal me contou sobre Água de Meninos, esse presente que ela ganhou de Tom Jobim, e me chamou para coreografar junto com ela, foi uma gratidão imensa. A Dalal é apaixonada pela Bahia e eu também tenho essa região do Brasil no coração. Esse é um ballet que representa a cultura brasileira, tivemos um cuidado em trazer para a atualidade o Rio de Janeiro dos anos 60, a feira popular em Salvador, a amizade entre Dalal e Tom e, é claro, a importância da Bossa Nova”, destaca Éric Frédéric.

Sinopse

Uma trilha sonora “perdida” há mais de 60 anos. Elaborada especialmente pelo multiartista Antônio Carlos Jobim, um dos maiores expoentes da música brasileira e mundial, a pedido de outra estrela maior das nossas artes, a mestra de ballet e coreógrafa Dalal Achcar. Como mote, um bairro de Salvador que atende pelo não menos poético nome de Água de Meninos. Arranjada para orquestra sinfônica pelo maestro Radamés Gnattali, a trilha, composta por seis faixas e suas variações, permaneceu inédita até hoje, jamais tendo sido apresentada ao público no formato em que foi concebida. O balé “Água de Meninos – Fantasia poética em dois atos” é, portanto, a materialização deste duplo presente recebido por Dalal e que restou escondido por longas décadas. E que ela, agora, se encarrega generosamente de nos ofertar.

Manoel Francisco, Amanda Peçanha, Dalal Achcar, Claudia Mota, Irene Orazem e Éric Frédéric.

Dividido em dois movimentos, no primeiro ato percorrerá a Ipanema do início dos anos 1960, na qual Tom Jobim e Vinícius de Moraes transitavam. Da varanda do Bar Veloso, de onde viam passar a garota que serviria de inspiração para a canção brasileira mais gravada e executada em todo o mundo, até o contato travado com a própria Dalal Achcar, cuja escola de balé, à época, funcionava naquele mesmo bairro e onde, por vezes, a dupla ia testar melodias ao piano. Veremos como a “encomenda” feita por Dalal foi concebida; as prováveis influências sofridas por Tom na concepção daquela trilha sonora e a atmosfera de um tempo rico de encantamento, em meio à efervescência de um bairro que veria nascer, naqueles mesmos anos, a Banda de Ipanema – tornando-se, ela também, símbolo da cultura e do modo de ser carioca.

Ainda no primeiro ato, um mar separa a idílica Ipanema do soteropolitano bairro de Água de Meninos. Tal como uma mensagem em uma garrafa lançada ao mar, a partitura de “Água de Meninos” perdeu-se nas profundezas do infinito, mantendo-se, por assim dizer, “submersa” por décadas a fio. A fantasia poética se configura, aqui, com a mão de Cronos, o implacável titã do tempo, que a tudo assiste, adiando tanto a execução da trilha quanto a apresentação do balé ao público. Poseidon, o deus do mar, é testemunha da briga de Cronos com Urano pelo domínio da Terra. Desta briga, forma-se uma espuma branca e dela nasce uma bela mulher, Afrodite. O povo do mar – marinheiros, sereias e iabás – saúda o maestro Tom Jobim, que, em sonho, segue procurando sua partitura perdida. E é Iemanjá, a Afrodite brasileira, divindade dos mares, mãe de todos os orixás e mãe do mundo, quem conduz Tom à Bahia, promovendo seu encontro com Água de Meninos da Baía de Todos os Santos.

Chegamos, assim, ao segundo ato e último movimento, à Bahia idealizada por Dalal e presentificada na trilha elaborada por Tom Jobim. Voltamos à realidade urbana, a um bairro bucólico em plenos anos 1960. Aqui, a feira popular de Água de Meninos ainda existe, a praia ainda existe, um certo modo de viver ainda existe. Entre a nostalgia e a vontade de lembrar de uma Salvador também idílica e, amparados na trilha sonora elaborada por Tom, contaremos a vida dos habitantes soteropolitanos em meio aos passantes, turistas, pedestres, banhistas e brincantes das festas populares, do folclore e dos ritmos baianos. É nesta atmosfera pulsante que Dalal realiza, finalmente, seu sonho. E nos faz sonhar.

Dalal Axcar e Claudia Mota.

Importa destacar que, para a trilha, Tom valeu-se de composições próprias ou em parceria com Vinícius de Moraes e Aloysio de Oliveira, indo buscar, ainda, o amparo dos baianos Dorival Caymmi e João Gilberto. Procurando seguir esta mesma lógica e tomando por base o critério de proximidade estética com a obra de Tom, foi proposto, para os dois primeiros movimentos desta fantasia poética, uma trilha capaz de dialogar com tais escolhas, seja por filiação ou afinidade. Sem preocupação cronológica, foram compositores do naipe de Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Chico Buarque, Baden Powell e João Bosco.

Dalal Achcar

Com mais de meio século de trajetória artística, Dalal é a responsável pelo lançamento dos maiores bailarinos brasileiros no mercado nacional e internacional; entre eles, Marcelo Gomes – American Ballet Theatre New York – USA; Ana Botafogo – primeira bailarina do Theatro Municipal, e Roberta Marques – Royal Ballet – Londres – Inglaterra, entre muitos outros.

Carioca, Dalal tem o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro marcado em sua carreira: foi diretora do Ballet e duas vezes presidente da Fundação Theatro Municipal. Além disso, conviveu e trabalhou com os maiores nomes da cultura brasileira; dentre eles, Vinicius de Moraes e Manuel Bandeira, que escreveram um balé especialmente para a coreógrafa. Di Cavalcanti e Burle Marx fizeram cenários e figurinos de alguns de seus espetáculos. Tom Jobim compôs uma canção para ela, que continua inédita. “O Tom fez uma música orquestrada pelo maestro Radamés Gnatalli, que guardo em meus arquivos”, revela Achcar. Margot Fonteyn, falecida em 1991 e principal estrela do Royal Ballet, foi madrinha profissional de Dalal, que começou a dançar aos 15 anos. Aos 18, fundou a Associação de Ballet do Rio de Janeiro.

Dalal coreografou o ballet “O Quebra-Nozes”, considerado pela revista NewsWeek a mais bela produção entre centenas de outras e uma tradição anual de mais de 30 anos no Theatro Municipal, além de “A Floresta Amazônica”, um marco brasileiro criado para Margot Fonteyn, o ballet “Dom Quixote”, com o qual recebeu o prêmio Ibéria e os Pas de deux com “Amor para Ann Marie de Angelo e o Joffrey Ballet” e “SomethingSpecial” este para Natália Makarova e o American Ballet Theatre.

Cia de Ballet Dalal Achcar

Ensaio de Água de Meninos.

Patrocinada pela Vale e Bradesco Seguros via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Cia de Ballet Dalal Achcar baseia sua trajetória em mais de 50 anos de história ligada à dança de sua fundadora a diretora e coreógrafa, Dalal Achcar, e a Associação de Ballet do Rio de Janeiro. No trabalho de sua companhia, pináculo do projeto “A Dança Como Poder de Transformação”, Dalal une a técnica e arte com personalidade, emoção e identidade, acreditando que todo processo na humanidade passa pelo afeto. Afeto em sua forma ampla infiltrando, despertando e levando as pessoas a aventurarem-se nessa grande viagem que é a fruição. A Cia é formada por 20 bailarinos profissionais das mais variadas origens que trazem em sua bagagem o amor pela dança e muitas histórias para compartilhar e dançar. O repertório é trabalhado de forma universal com clássicos e contemporâneos, criados por renomados coreógrafos nacionais e internacionais, sem esquecer do trabalho experimental que traz o futuro, o novo.

SERVIÇO:

Água de Meninos – Fantasia Poética em Dois Atos”

Local: Cidade das Artes Bibi Ferreira – Grande Sala

Datas e Horários:

Temporada: 22 de novembro a 7 de dezembro de 2025

22/11, 27/11, 28/11, 4/12 e 5/12 – 20h30

29/11 e 6/12 – 16h e 20h30

23/11, 30/11 e 7/12 – 16h

Preços:

Plateia VIP: R$140,00 (inteira) / R$ 70,00 (meia

Plateia: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia)

Frisa Lat.: R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Camarote: R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia)

Galeria 3º e 4º and.: R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia)

Duração: 76 minutos com 1 intervalo de 15 minutos

Classificação: Livre

Vendas no site: www.sympla.com.br.

(Com Juliana Rosa/MNiemeyer Assessoria de Comunicação)

Momentos presentes e conexões reais: estudo mostra que brasileiros querem mais “tempo de qualidade”

São Paulo, por Kleber Patricio

Com base em 1.000 conversas nas redes, análise da Orbit Data Science revela uma tendência crescente: viver com calma, estar presente e cultivar conexões reais se tornou um desejo coletivo. Foto: Divulgação/gerada por IA.

Cansado da rotina, das telas e da pressa, o brasileiro quer viver de forma mais leve – é o que aponta um novo estudo da Orbit Data Science que analisou mais de 1.000 conversas públicas nas redes sociais para entender o que significa “tempo de qualidade” hoje. O resultado é um retrato de um país que busca pausas, vínculos e experiências simples, como por exemplo, cozinhar junto, conversar e rir sem pressa como sinônimo de amor e bem-estar.

O novo estudo da Orbit Data Science — baseado em 1.000 conversas públicas mapeadas nas redes sociais X e Bluesky — revela que esse conceito hoje é entendido como uma verdadeira “linguagem do amor”, um modo de demonstrar presença e afeto, em vez de apenas falar sobre eles.

Segundo a análise, quase 40% das menções tratam o tempo de qualidade como forma de expressar amor e vínculo, enquanto 9% associam o tema à criação de memórias afetivas. A pesquisa indica que o valor está menos no luxo ou no planejamento e mais na intenção: cozinhar junto, conversar, assistir a um filme ou até dividir o silêncio aparecem como exemplos de experiências que fortalecem as relações pessoais.

Mas a busca por esses momentos esbarra em obstáculos concretos. Mais de 60% das pessoas citam o excesso de obrigações como principal barreira para viver tempo de qualidade, seguido pela falta de disposição ou companhia com quem realmente se identificam (15,8%). É um retrato de uma sociedade que valoriza a presença, mas não encontra espaço para ela.

O estudo mostra ainda que o celular ocupa um papel ambíguo nessa equação: 2,2% mencionam o uso do telefone como forma de relaxar, enquanto 2,7% afirmam que “menos tela” significa mais qualidade de vida. Cerca de 10% reconhecem a necessidade de se afastar do aparelho para estar mais presentes, um paradoxo que revela como o digital é, ao mesmo tempo, ferramenta de conexão e fonte de dispersão.

Essa tensão entre conexão e presença abre caminho para um entendimento mais sofisticado da vida emocional e da cultura de consumo. “Marcas que oferecem tempo, em vez de tomá-lo, ganham relevância. A próxima fronteira do marketing não é capturar atenção, mas devolver presença”, explica Lena Império, gerente de projetos da Orbit Data Science. “As pessoas estão redesenhando seus valores em torno do tempo. Ele deixou de ser apenas um recurso produtivo e passou a ser uma métrica de afeto. E isso muda a forma como nos relacionamos com marcas, trabalho e relacionamentos”, complementa.

PERFIS DE COMPORTAMENTO MAPEADOS

O levantamento também identificou quatro principais perfis de comportamento em torno do tema: as chamadas “personas”, no termo técnico de pesquisa. Os Carentes expressam culpa e frustração pela ausência desses momentos e buscam compensação constante. Os Esforçados, ou Pragmáticos, tentam otimizar o tempo livre com atividades significativas. Já os Fechados veem o ‘tempo de qualidade’ como pressão e preferem ficar sozinhos. Por fim, os Doadores, mais propositivos, criam ativamente ocasiões para estarem com outras pessoas, como amigos e familiares. Na prática, essas categorias refletem modos distintos de entender o bem-estar emocional e podem ajudar empresas e criadores de conteúdo a se comunicar de forma mais autêntica.

Outro ponto de destaque é o impacto geracional do conceito: enquanto adultos citam o ‘tempo de qualidade’ como antídoto à rotina, jovens o encaram como forma de pertencimento e autocuidado. A tendência indica uma virada cultural em que desacelerar deixa de ser sinônimo de preguiça e passa a representar maturidade emocional e prioridade afetiva.

Para além das relações pessoais, o estudo mostra que o ‘tempo de qualidade’ se tornou também valor social e até político. Aproximadamente 6% dos comentários analisados associam o tema à ideia de “direito”, sobretudo entre mulheres e cuidadores, que reivindicam pausas e convivência como parte da qualidade de vida. Em contrapartida, 2% veem esses momentos como “privilégio”, sinalizando desigualdades no acesso ao descanso e lazer.

Com esses dados, a Orbit reforça o papel dos estudos comportamentais como bússola para entender transformações culturais. O conceito de ‘tempo de qualidade’ transcende o ambiente doméstico e começa a influenciar escolhas de consumo, gestão de tempo e até políticas de bem-estar corporativo. “O desafio das marcas e instituições é compreender que tempo de qualidade não é só ausência de pressa, mas presença intencional. É nesse espaço que nascem vínculos genuínos, confiança e propósito”, conclui Lena.

A análise foi baseada em 1.000 conversas nas redes sociais X e Bluesky coletadas entre 25 de agosto de 2024 e 25 de agosto de 2025, com metodologia proprietária da Orbit Data Science e nível de confiança de 95%. O artigo completo pode ser acessado no site.

Sobre a Orbit Data Science | A Orbit Data Science é uma empresa especializada em análise de dados e tendências de mercado, oferecendo insights estratégicos para marcas em diversos setores. Com expertise em big data e inteligência artificial, a Orbit ajuda empresas a tomarem decisões informadas e a se destacarem em um mercado cada vez mais competitivo.

(Com Felipe Mortara/Kyvo PR)