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[Jacinta”]: espetáculo revisita caso de mulher negra exposta por 30 anos no Largo São Francisco

São Paulo, por Kleber Patricio

Espetáculo da Cia do Pássaro resgata e honra a história de Jacinta Maria de Santana, tensionando memória, racismo científico e apagamento histórico. Fotos: Bob Sousa.

No começo do século 20, uma mulher negra morre nas ruas da capital paulista e não é sepultada. Seu corpo embalsamado fica exposto como curiosidade científica durante trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Para honrar a sua memória, a Cia do Pássaro volta em cartaz com o espetáculo “Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez”, que faz uma curta temporada gratuita na sede do grupo (R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP), entre os dias 7 e 29 de março de 2026, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/3 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/3 (domingo) às 15h.

Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo utilizado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na cidade de São Paulo. Em cena, a atriz Gislaine Nascimento e o ator Alessandro Marba são acompanhados pela musicista Camila Silva, que conduz a trilha sonora no cavaquinho, remetendo ao universo do samba.

O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

“Jacinta não foi fotografada em vida. As pessoas que compunham seu círculo social nunca foram identificadas. Seus gostos, pensamentos, crenças e dizeres permanecem incógnitos, assim como seu endereço — se é que tinha um. Todos os atributos que lhe conferiam humanidade foram descartados em prol de uma transformação iniciada naquela mesma segunda-feira.” Ponte Jornalismo na matériaComo a principal faculdade de direito do país violou o corpo de uma mulher negra por 30 anos”.

Sobre Jacinta 

Jacinta Maria de Santana, mesmo se tornando vítima das mais diversas violações após a morte, permanecia praticamente anônima até 2021, quando a historiadora e pesquisadora Suzane Jardim leu sobre o caso em um jornal de 1929. O autor da ideia e execução do embalsamamento foi o professor Amâncio de Carvalho, da área de medicina legal da USP. Diferente de Jacinta, que permaneceu desconhecida por décadas, ele virou nome de rua da Vila Mariana, o segundo bairro mais branco da capital paulista, de acordo com dados do Censo Demográfico do IBGE.

Jacinta era uma mulher pobre e sem ocupação fixa que costumava andar pelas ruas do centro de SP. Um dia, sentiu-se mal e caiu na rua Dutra Rodrigues, a 700 metros da Estação da Luz. Quando sua presença foi comunicada às autoridades, Marcondes Machado, médico legista da Polícia Civil, e Pinheiro Prado, delegado da 1ª Circunscrição, compareceram ao local e deram os encaminhamentos para enviá-la à Santa Casa de Misericórdia. Ela não resistiu e morreu no trajeto.

O cadáver foi deixado aos cuidados de Amâncio, que, de acordo com as informações levantadas por Suzane Jardim, queria aperfeiçoar suas habilidades com embalsamento. Ele já havia deixado o corpo mumificado de uma criança exposto por trinta dias no necrotério da polícia. Foi assim que Jacinta permaneceu exposta na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por tanto tempo. Ela só teve direito a um enterro após a morte do médico.

Sobre a montagem 

“O espetáculo ‘Jacinta’ é a segunda parte da nossa ‘Trilogia do Resgate’, dedicada a combater o apagamento da população negra da história brasileira. O primeiro deles foi ‘Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário’, sobre o ex-escravizado Mahommah Gardo Baquaqua, que passou pelo Brasil no século 19”, conta Abranches.

O grupo busca devolver a humanidade às pessoas retratadas, contribuindo para romper estereótipos. Como descreve o projeto contemplado pelo ProAC/PNAB 38/2024 – Manutenção e Modernização de Espaços Culturais, “Jacinta sofreu um processo de despersonalização que a transformou em um objeto de estudo com o qual a ciência corroborou atrocidades impingidas às mulheres pretas, legando-as a papéis de subserviência, exotismo ou exclusão social.”

O espetáculo realizou sua estreia em setembro de 2023 e circulou por diversas unidades dos CEUs da cidade de São Paulo. Na sequência, foi contemplado pelo Projeto PULSAR do Sesc RJ, realizando temporada no Sesc Copacabana. No interior do Estado de São Paulo, apresentou-se em Santo André, Araraquara, Franca, Tatuí, Cubatão, Piracicaba e no Sesc Registro.

Teatro para os mais diversos públicos

Com o objetivo de tornar seu trabalho acessível ao maior número de pessoas, a Cia do Pássaro explora a linguagem do teatro popular. Há momentos de alívio cômico em “Jacinta”, sem perder de vista a seriedade do tema.

A narrativa foi construída de forma poética. Enquanto a atriz Gislaine Nascimento conta a história de Jacinta, é observada pela figura de Exu Tatá Caveira (Alessandro Marba), que manipula o tempo e o espaço e propicia o encontro da atriz com a personagem.

A peça estabelece relações com outras situações representativas da sociedade brasileira, como o surgimento da corrente eugênica no século 20 e o fato de que muitos alunos e ex-alunos da Faculdade São Francisco apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Para a construção dramatúrgica, foram utilizadas como referências os livros “O Pacto da Branquitude”, de Cida Bento (2022); “Performances do tempo espiralar: Poéticas do corpo-tela”, de Leda Maria Martins (2021) e “Tornar-se negro”, de Neusa Santos Souza (1983); além de estudos de Sueli Carneiro e Rosane Borges.

O cenário evoca os tempos e espaços da Universidade, da Calunga e do próprio teatro onde Jacinta pode renascer. Para Dawton Abranches, a ideia da calunga está ligada ao que acreditam os povos bantos, evocando também um sentimento semelhante à saudade.

Sinopse | A peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo usado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na cidade de São Paulo. O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

Mais informações podem ser encontradas na página do Instagram da companhia: @cia_do_passaro.

Ficha técnica

Idealização: Cia do Pássaro – Voo e Teatro

Realização: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia

Criativa e Proac – Fomento CultSP – PNAB 38/2024.

Produção: Plataforma – Estúdio de Produção Cultural

Texto e Direção: Dawton Abranches

Elenco: Gislaine Nascimento e Alessandro Marba

Musicista: Camila Silva

Interpretação e Tradução em Libras: Sina – Acessibilidade e Produção

Direção de Movimento: Verônica Santos

Direção Musical: Alexandre Guilherme

Concepção de Iluminação: Alice Nascimento

Concepção de Cenário: Pedro de Alcântara e Dawton Abranches

Concepção de Figurinos: Pedro de Alcântara e Érika Bordin

Operação de Luz: Rebeka Teixeira

Costureira: Érika Bordin

Cenotécnico: Wesley Lopes

Percussionista Convidado Gravação: Julio Cesar

Direção de Produção: Fernando Gimenes e Plataforma – Estúdio de Produção Cultural

Produção Executiva: Alessandro Marba

Produção Financeira: Thalles Terencio e Alessandro Marba

Assistente de Produção e Contrarregra: Irlley de Mello

Fotos: Bob Sousa

Identidade Visual e Designer Gráfico: Murilo Thaveira

Redes Sociais: Jorge Ferreira

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques e Daniele Valério.

Serviço:
Jacinta – Você só morre quando dizem seu nome pela última vez
Duração:
 90min | Classificação: 14 anos | Acessibilidade: Libras em todas as sessões | O espaço também é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Temporada: 7 a 29 de março de 2026, com sessões de sábados, às 20h e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/3 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/3 (domingo) às 15h.

Local: Espaço Cia do Pássaro – Voo e Teatro
Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP
Ingresso: Gratuito – Retirar ingressos com 1 hora de antecedência – Lugares Limitados
Telefone: (11) 94151-3055.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)

Teatro da Vertigem faz nova temporada de “Agropeça” em São Paulo, no Espaço Cultural Elza Soares, o Galpão do MST

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena de Agropeça. Fotos: Lígia Jardim.

O Teatro da Vertigem volta em cartaz com o espetáculo “Agropeça”, criação do grupo paulistano que investiga o Brasil a partir de experiências cênicas imersivas e da ocupação de espaços não convencionais. Com concepção e direção de Antonio Araújo, texto final de Marcelino Freire e codireção de Eliana Monteiro, o espetáculo faz novas apresentações de 27 de fevereiro a 29 de março de 2026 no Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474, São Paulo, SP), conhecido como Galpão do MST. Os ingressos, com preços populares, variam de R$20 a R$40 e já estão à venda pelo Sympla.

Diferente de trabalhos anteriores do Vertigem — realizados em igrejas, hospitais, presídios desativados e até no Rio Tietê —, Agropeça, em sua cenografia, toma todo o ambiente e o converte em uma arena, reforçando a ideia de disputa política, simbólica e social. A experiência imersiva, marca do grupo, permanece como eixo estruturante da encenação.

O mais recente trabalho do grupo lança um olhar crítico sobre o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira contemporânea, tomando o rodeio como linguagem cênica. Para isso, aciona personagens centrais do imaginário brasileiro — Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e o Marquês de Rabicó — criações de Monteiro Lobato, que surgem como eixo simbólico e narrativo da obra, em uma releitura livre e provocadora de O Sítio do Picapau Amarelo.

Dividido em três blocos narrados por Pedrinho, Tia Nastácia e Emília, o espetáculo constrói uma amálgama entre episódios recentes da realidade política brasileira, o imaginário rural e a herança cultural do Sítio. O rodeio — pesquisado extensivamente durante o processo criativo — surge como metáfora de um país que insiste em atualizar estruturas de exploração herdadas do passado.

O elenco reúne Andreas Mendes, James Turpin, Mawusi Tulani, Paulo Arcuri, Tenca Silva, Lola Fanucchi, Victor Salomão e Vinicius Meloni. A cenografia é assinada por Eliana Monteiro e William Zarella Junior, com iluminação de Guilherme Bonfanti, figurinos de Awa Guimarães e direção musical de Dan Maia.

Agropeça integra as comemorações dos 30 anos do Teatro da Vertigem e reafirma a trajetória do grupo na criação de obras que tensionam memória, espaço urbano e identidade brasileira, convidando o público a refletir sobre os rumos políticos e simbólicos do país.

Sinopse

Em uma arena que ora é rodeio, ora é o centro de um sítio, personagens se enfrentam à mesa de jantar ou diante de um touro bravio, tentando decifrar um país que “rumina” e “agoniza” em busca do próprio destino. Não se sabe se o que se vê é o retrato de um Brasil cruel e conservador ou uma antiga fábula infantil que ajudou a moldar o imaginário nacional.

FICHA TÉCNICA

Agropeça | Uma criação do Teatro da Vertigem

Texto: Marcelino Freire

Concepção e Direção Geral: Antonio Araújo

Codireção: Eliana Monteiro

Coordenação Tecnica e Desenho de Luz: Guilherme Bonfanti

Performers: Andreas Mendes, James Turpin, Mawusi Tulani, Paulo Arcuri, Tenca Silva, Lola Fanucchi, Victor Salomão e Vinicius Meloni

Artistas Colaboradores: Nicolas Gonzalez (1ª e 2ª Fase), Lee Taylor (1ª Fase)

Dramaturgismo: Bruna Menezes

Assistente de Dramaturgismo: João Crepschi

Conceito do Espaço: Antonio Araújo

Cenografia: Eliana Monteiro e William Zarella Junior

Sound Designer Associados: Randal Juliano, Guilherme Ramos e Kleber Marques

Figurino: Awa Guimarães

Visagismo: Tiça Camargo

Direção Musical e Trilha Original: Dan Maia

Direção vocal: Lucia Gayotto

Videografismo: Vic von Poser

Preparação corporal: Castilho e Ricardo Januário

Preparação Corporal (1ª Fase): Fabrício Licursi

Direção de movimento: Castilho

Assistente de Direção e Direção de Palco: Gabriel Jenó

Assistentes de Iluminação e Programação: Francisco Turbiani

Músicos: Dan Maia e Ricardo Saldaña

Operação de luz: Felipe Bonfante

Operador de Áudio: Fernando Sampaio

Operadoras de Projeção: Gabriel Theodoro

Operadores de Câmera: André Voulgaris

Operadores de Canhão Seguidor: Igor Beltrão e Giovanni Matarazzo

Montagem de Luz: Felipe Bonfante, Igor Beltrão, Raphael Mota, Danilo Punk, Jhones Pereira, Tarsis Braga (Cabelo) e Lucas da Silva

Contrarregras: Ayra Flores, Flávio Rodrigues e João Portela

Cenotécnico: Zé Valdir Albuquerque

Montagem, Pintura e Tratamento de Cenografia: Elástica SP Cenografia

Costureiras: Francisca Rodrigues e Cleonice Barros Correa

Aulas de Laço: Gui Sampaio

Crânios de Boi: Vinicius Fragata

Tradutor Yorubá: Mariana de Òsùmàrè

Estagiária de Direção: Julie Douet Zingano

Fotos: Lígia Jardim

Documentarista: Padu Palmerio

Designer Gráfico: Guilherme Luigi

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

Estagiário de Produção: Bento Carolina

Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto e Gabi Gonçalves.

SERVIÇO:

Agropeça | uma criação do Teatro da Vertigem

De: 27/02 a 29/03/2026

Sextas e sábados às 20h e domingos às 18h

Classificação: 16 anos | Duração: 90 minutos

Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474, São Paulo, SP)

Ingressos: R$ 40/ R$ 20 (meia) – Via Sympla.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Lançamento da Edusp analisa a ascensão da “nova direita” no Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

“Mercado de Opinião Política”, da socióloga Allana Meirelles Vieira, joga uma nova luz sobre o fenômeno frequentemente descrito como a ascensão da “nova direita” no Brasil depois das manifestações de junho de 2013, analisando tal fenômeno não como um produto de rupturas súbitas e inexplicáveis, mas como o resultado de dinâmicas mais profundas e de longa duração.

Publicado pela Edusp, o livro analisa o mercado de opinião política no Brasil entre 2014 e 2018, enfatizando acadêmicos, experts, jornalistas mainstream, blogueiros, polemistas e militantes, sejam de direita ou de esquerda. Ao traçar a estrutura desse mercado, a autora fornece elementos para entender como a correlação de forças entre os agentes, que são ao mesmo tempo produtos e produtores desse espaço social, possibilitou a proeminência de discursos polêmicos e violentos identificados com a extrema-direita.

A obra mostra como a mudança que muitos localizam no início dos anos 2010 foi, na verdade, resultante de transformações que remontam, em alguns casos, à chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, em 2003; em outros, a várias décadas anteriores, embora os efeitos só tenham se tornado visíveis com o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018.

Mercado de Opinião Política

Autora: Allana Meirelles Vieira

288 páginas

Preço de capa: R$ 60,00

Brochura 16 x 23 cm

Ver sumário.

(Com Bruno Passos Cotrim/Libris)

O que acontece no Le Cordon Bleu nos meses de março e abril: formações completas, short courses e experiências gastronômicas exclusivas

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Gustavo Ferreira.

Os meses de março e abril prometem ser movimentados no Le Cordon Bleu São Paulo – tanto nas salas de aula quanto à mesa. O Instituto, referência internacional em excelência gastronômica, abre novas turmas de seus principais programas, oferece uma agenda variada de cursos de curta duração voltados tanto para profissionais quanto a entusiastas da culinária e um jantar para todos os públicos. 

Diplôme CordonTec: uma formação técnica em gastronomia

Um programa robusto que combina teoria, prática e estágio supervisionado para formar profissionais aptos a atuarem com excelência em cozinhas profissionais. Com carga horária extensa, os estudantes aprendem fundamentos da culinária clássica francesa, técnicas contemporâneas e gestão de cozinha.

O modelo de ensino inclui, além da prática intensiva, simulações de serviços reais e integração com o mercado profissional, tornando o egresso capacitado a ocupar posições técnicas em cozinhas comerciais e de alta gastronomia. 

Data: 23 de março de 2026 a 29 de janeiro de 2027

Horário: 7h às 11h (Segunda a sexta-feira)

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Ceritificado Básico de Cuisine: os fundamentos da cozinha clássica

Ponto de partida para quem deseja dominar as bases da cozinha clássica. Durante o curso, os alunos aprendem técnicas essenciais como cortes, métodos de cocção, preparo de molhos, mise en place e comando de cozinha, com foco em disciplina, organização e precisão. As aulas combinam demonstração e prática nas cozinhas do Instituto.

Data: 13 de abril a 29 de junho de 2026

Horário: 8h às 14h30 (Segundas, quartas e sextas-feiras)

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Certificado Básico de Pâtisserie: a arte da confeitaria clássica

Introduz os alunos ao universo da confeitaria técnica, com foco na tradição francesa. Neste curso, o principal objetivo é aprender massas, cremes clássicos, técnicas de montagem, equilíbrio de sabores e apresentação, além de desenvolver a disciplina necessária para a precisão que a pâtisserie exige.

As aulas focam em métodos tradicionais e contemporâneos, permitindo que os participantes aprendam desde receitas clássicas até preparações que exigem maior rigor técnico e sensibilidade criativa.

Data: 14 de abril a 24 de junho de 2026

Horário: 8h às 14h30 (Terças e quintas-feiras)

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Short Courses: mergulhe em técnicas específicas

Oferecem cursos de curta duração desenhados tanto para quem quer aprimorar habilidades específicas, quanto para entusiastas que desejam vivenciar a experiência de ser um aluno do Le Cordon Bleu.

As turmas são reduzidas, com abordagem prática e demonstrativa, e exploram temas como:

– Pães Italianos – Técnicas artesanais de massas fermentadas e produção de pães

– Petit Fours Sucrés – Aprenda a fazer doces de alta confeitaria

– Os Segredos dos Éclairs – Domine a massa choux e conheça recheios clássicos

– Oficina de Tortas e Quiches – Faça massas perfeitas com combinações surpreendentes.

Esses cursos permitem que os participantes aprendam técnicas pontuais em poucas horas ou dias, levando para casa não apenas conhecimento, mas também tudo aquilo que prepararam em aula.

Pães Italianos

Data: 14 de março ou 11 de abril de 2026

Horário: 8h às 13h

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Petit Fours Sucrés

Data: 20 de março de 2026

Horário: 15h às 21h

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Os Segredos dos Éclairs

Data: 21 de março de 2026

Horário: 9h às 13h

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Oficina de Tortas e Quiches

Data: 28 de março ou 7 de abril de 2026

Horário: 8h30 às 13h30

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Jantar Cuisine du Village – Plant Based

Além dos cursos, o Le Cordon Bleu Brasl, unidade São Paulo, promove experiências gastronômicas exclusivas, como o jantar Cuisine du Village – Plant-Based, que explora a alta gastronomia com foco em ingredientes 100% vegetais.

Esse jantar une criatividade, técnica e sensibilidade aos ingredientes da estação, apresentando um menu harmonizado cuidadosamente elaborado pelos chefs do Instituto para estimular todos os sentidos.

Data: 30 de abril de 2026

Horário: 19h

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Sobre o Le Cordon Bleu

O Le Cordon Bleu é a principal rede global de institutos de artes culinárias e gestão de hospitalidade, com uma herança de 130 anos. A rede mantém presença global com 35 escolas em mais de 20 países, formando cerca de 20 mil alunos de mais de 100 nacionalidades diferentes todos os anos. As técnicas culinárias tradicionais francesas permanecem no coração do Le Cordon Bleu, mas seus programas acadêmicos são constantemente adaptados para incluir novas tecnologias e as inovações necessárias para atender às necessidades crescentes da indústria. Presente no Brasil desde 2018, possui unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde oferece programas de alta qualidade, como o Grand Diplôme, o Diploma de Cozinha Brasileira, o Diplôme de Wine & Spirits, Diplôme de Plant Based, entre outros.

(Com Julianne Gouvea/Le Cordon Bleu)

Flaubert e Zola: como dois gigantes da literatura viram a revolução mais radical do século XIX

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa.

Gustave Flaubert, crítico feroz da burguesia em suas obras, revelou-se conservador e antidemocrático diante da maior revolução popular do século XIX. Émile Zola, tido como simpático ao socialismo, demonstrou crescente pavor à medida que a violência dos communards se intensificava. Essas são algumas das revelações de “A representação da Comuna de Paris nas obras de Gustave Flaubert e Émile Zola”, lançamento da e-Manuscrito que chegou ao público em 2025.

O livro, assinado pela historiadora Maria Iracema Giannella de Abreu Pereira e prefaciado por Leandro Karnal, mergulha nas cartas, romances e artigos dos dois escritores para desvendar como a literatura registra — e trai — as ideologias de seu tempo.

A Comuna de Paris de 1871 durou apenas 72 dias, mas permanece como um dos episódios mais fascinantes da história moderna: trabalhadores tomaram o poder na capital francesa e instauraram um governo revolucionário que aboliu o trabalho noturno, separou Igreja e Estado e criou escolas laicas.

Em tempos de crescentes tensões sociais, manifestações populares e questionamentos sobre representatividade, enfrentamentos entre diferentes visões de sociedade, revisitar a Comuna de Paris por meio da literatura é também refletir sobre nosso presente. A Comuna permanece como referência fundamental para entender as dinâmicas entre revolta popular e transformação política, entre ideais revolucionários e pragmatismo político. Como destaca Leandro Karnal no prefácio Literatura e barricadas: utopias de 1871, a pesquisa demonstra como “a criação literária não apenas reflete, mas também constitui e questiona as ideologias e visões de mundo de uma época”.

Mas como dois dos maiores escritores franceses do século XIX registraram esse momento? A resposta surpreende. Flaubert, autor de L’Éducation Sentimentale (A educação sentimental) — romance que desmascara a hipocrisia burguesa —, revelou-se em sua correspondência privada, especialmente sua correspondência com George Sand, um homem profundamente conservador. Suas 107 cartas escritas em 1871 (23 delas reproduzidas integralmente no livro) expõem “profunda desconfiança em relação à democracia e ao socialismo”, segundo a pesquisa.

Zola, por sua vez, cobriu os eventos como jornalista nos jornais La Cloche e Le Sémaphore de Marseille. A análise de seus artigos e de romances como La Curée (O regabofe) e L’Assommoir (O abatedouro) revela uma adesão à Comuna muito mais nuançada e ambígua do que se supunha.

A obra não se limita à análise literária. Ao explorar a reforma urbanística comandada pelo Barão Haussmann entre 1853 e 1870, Maria Iracema mostra como a transformação de Paris criou uma cidade segregada. Trabalhadores foram expulsos do centro para a periferia. A cidade ficou dividida entre ricos e pobres. Essas tensões urbanas — tema central em O regabofe de Zola — culminaram na explosão revolucionária de 1871.

As contradições de Flaubert e Zola nos lembram que as relações entre classes sociais, poder político e cultura são sempre atravessadas por ambiguidades que não cabem em categorias simplistas.

A pesquisa se destaca pelo rigor na seleção e análise do material. A maioria das cartas e documentos examinados não possui tradução especializada para o português, o que torna o domínio do francês pela autora fundamental para a qualidade do trabalho. Maria Iracema Giannella de Abreu Pereira, mestra em História pela PUC-SP e profunda conhecedora da civilização francesa, traz para a pesquisa não apenas rigor acadêmico, mas também a sensibilidade de quem conhece intimamente a língua e a cultura sobre as quais escreve.

No prefácio, o historiador Leandro Karnal destaca a importância da obra: “Maria Iracema Giannella de Abreu Pereira tem sólida formação francófona. Sempre buscou a literatura como um objeto de análise. Escolheu dois monstros franceses: Zola e Flaubert.”

Sobre a autora | Maria Iracema Giannella de Abreu Pereira nasceu em 1967 em São Paulo. Bacharela e mestra em História pela PUC-SP e bacharela em Administração pela Faap, traz formação multidisciplinar para sua pesquisa. Casada e mãe de quatro filhos, é francófona e profunda admiradora da literatura e civilização francesa. O livro é fruto de sua dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em História da PUC-SP.

Ficha técnica

Título: A representação da Comuna de Paris nas obras de Gustave Flaubert e Émile Zola

Autora: Maria Iracema Giannella de Abreu Pereira

Prefácio: Prof. Dr. Leandro Karnal

Editora: e-Manuscrito

Ano: 2025

Preço: R$ 35

Compre: https://emanuscrito.com.br/Publicacao.aspx?id=628375.

(Com Julio Sitto/A4&Holofote Comunicação)