Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Belize: onde a cultura Maia segue viva

Belize, por Kleber Patricio

Caracol. Fotos: Divulgação/Belize Tourism Board.

A cultura Maia não é apenas um capítulo da história de Belize – ela é parte do presente, visível nos gestos, nos rituais, nos sabores e na relação profunda com a natureza que ainda orienta a vida de milhares de descendentes em todo o país situado na América Central. Em diferentes partes de seu território, a herança ancestral segue viva, renovada e é compartilhada com os visitantes.

Entre os aspectos mais marcantes está a forte presença das línguas Maias, como o Q’eqchi’ e o Mopan, faladas em comunidades que preservam não apenas o vocabulário, mas também formas de organização social, histórias e cantos cerimoniais transmitidos entre gerações. Isso porque a visão Maia de viver em sintonia com a natureza segue influenciando desde o cultivo da terra até rituais espirituais e hábitos do dia a dia.

Lamanai. 

A gastronomia também revela muito dessa conservação cultural. A chaya, também conhecida como “espinafre Maia” e o lemongrass, para nós capim-limão, são utilizadas tanto em preparações culinárias quanto em infusões tradicionais. O milho, considerado sagrado para o povo Maia, ainda ocupa papel central na alimentação, aparecendo em pratos como o tamal, as tortillas frescas e a muitas variações da bebida atole. Já o cacau, que sempre foi visto como “alimento dos deuses”, ganhou protagonismo renovado: pequenas cooperativas e famílias do sul do país mantêm viva a cultura, desde o cultivo orgânico até o preparo do chocolate artesanal moído à mão – uma experiência que muitos viajantes podem vivenciar diretamente com produtores locais.

Os costumes também se manifestam na arquitetura tradicional, em artesanato elaborado com fibras naturais e em técnicas ancestrais de cerâmica e tecelagem, que continuam sendo produzidas de maneira sustentável. Festividades e celebrações ligadas ao plantio e à colheita reforçam o valor comunitário dessas tradições, que, longe de serem apenas simbólicas, integram o calendário anual das aldeias.

Xunantunich.

O turismo cultural em Belize tem contribuído fortemente para essa preservação, incentivando práticas responsáveis que valorizam o conhecimento e geram renda para famílias que compartilham sua cultura de forma autêntica. Para o visitante brasileiro, é uma oportunidade rara de vivenciar um destino onde a história não está apenas nos sítios arqueológicos como Caracol, Lamanai ou Xunantunich, mas no sorriso das comunidades que mantêm esse tesouro vivo.

EXPERIÊNCIAS IMPERDÍVEIS

Caracol – No distrito de Cayo, no coração da Reserva Florestal de Chiquibul, encontra-se um dos sítios arqueológicos Maias mais impressionantes de Belize. O local chama a atenção não apenas pelo tamanho, mas pela energia que emana. Guias locais ajudam a interpretar inscrições, rituais e histórias que marcaram o auge dessa cidade ancestral cuja estimativa é que tenha abrigado quase 100 mil pessoas.

Xunantunich – Pioneiro na divulgação de sítios arqueológicos Maias em Belize e de mais fácil acesso: fica bem próximo de San Ignacio. Contém seis praças, com mais de 25 templos e palácios Maias. A maior pirâmide, El Castillo (o Castelo), ergue-se a 40 metros acima da praça, com frisos esculpidos nos lados leste e oeste da estrutura A-6. O friso leste foi preservado e coberto com uma réplica em fibra de vidro da máscara central que representa o deus Sol, ladeada pela Lua e Vênus. A lenda da aparição de uma mulher misteriosa, que deu nome ao local, é contada até hoje pelos moradores e traduz a potência das narrativas Maias que sobrevivem no imaginário coletivo.

ATM Cave.

Lamanai – O trajeto até este outro sítio arqueológico (no distrito de Orange Walk), um dos maiores de Belize, já prepara o visitante para a imersão cultural. Além de paisagens incríveis, é possível observar animais selvagens. Lamanai é a comunidade com a história mais longa de habitação humana em Belize. Foi povoada por volta de 900 a.C. e ainda era habitada 2.500 anos depois, quando missionários espanhóis chegaram ao local em 1544. Não só abriga um museu com artefatos Maias antigos, como também permite aos visitantes verem os vestígios de duas igrejas espanholas do século XVI e um engenho de açúcar colonial construído em 1860.

Cavernas sagradas – Diversas cavernas de Belize eram consideradas portais para o mundo espiritual. A Actun Tunichil Muknal (ATM Cave), uma das experiências mais emblemáticas, permite observar cerâmicas, artefatos e até restos preservados de antigos rituais Maias. Outras, como Barton Creek e Rio Frio, também ajudam a entender a ligação do povo Maia com o subterrâneo, considerado o reino divino Xibalba.

Trilhas e aldeias – Visitar comunidades Q’eqchi’ e Mopan é uma das maneiras mais autênticas de conhecer a cultura Maia moderna. Em aldeias como San Antonio, no distrito de Toledo, famílias compartilham tradições culinárias, técnicas de cerâmica, cultivo de ervas e saberes medicinais. Um verdadeiro mergulho no cotidiano que ainda preserva práticas ancestrais.

Na região sul, visitantes podem acompanhar desde o cultivo orgânico até a fermentação, secagem e moagem das sementes.

Rota do cacau – Belize é um dos grandes polos do cacau Maia e isso se reflete em experiências saborosas e educativas. Na região sul, visitantes podem acompanhar desde o cultivo orgânico até a fermentação, secagem e moagem das sementes. Em cooperativas familiares, é possível aprender a preparar chocolate em pedras de basalto, como faziam os antigos Maias.

Festivais e celebrações tradicionais – Em datas específicas é possível apreciar e se encantar com festejos que incluem dança, música, gastronomia e demonstrações de técnicas artesanais. Esses eventos ajudam a fortalecer a economia local e a manter vivas tradições que atravessam séculos.

Para chegar até Belize, a partir do Brasil, há voos da Copa Airlines via Panamá, onde é o hub da companhia. Já para quem for viajar a partir dos Estados Unidos, há voos via Miami e Dallas com a American Airlines, via Houston com a United Airlines e de Atlanta com a Delta Airlines. Para mais informações visite o site: https://www.travelbelize.org/br/.

(Com Carolina Maia/Agência EmFoco)

MASP apresenta programação de 2026 dedicada às histórias latino-americanas

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Jesús Rafael Soto, Metal negro y metal, 1969. Institute for Studies on Latin American Art, Nova York, EUA. Foto: Divulgação/MASP.

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, em 2026, uma programação dedicada às Histórias latino-americanas. O ciclo de atividades, que inclui exposições, cursos, palestras, oficinas, seminários e publicações, abordará a América Latina não apenas como uma região, mas como uma identidade em constante construção e disputa, compartilhada entre os países que a compõem.

A noção de latinidade, presente em narrativas históricas e concepções de arte e cultura visual, será o eixo central da programação do MASP em 2026. O ano contará com exposições monográficas de artistas, coletivos e ativistas, além de uma ampla mostra coletiva articulada em cinco núcleos.

O programa dá sequência às exposições dedicadas às Histórias no MASP, realizadas desde 2016 e que incluem: Histórias da infância (2016), Histórias da sexualidade (2017), Histórias afro-atlânticas (2018), Histórias das mulheres, histórias feministas (2019), Histórias da dança (2020), Histórias brasileiras (2021–22), Histórias indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da ecologia (2025).

Confira a programação do MASP para 2026:

Sandra Gamarra Heshiki: réplica | 6/3 — 7/6

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora independente; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora artística, MALI

A primeira exposição panorâmica da artista peruana Sandra Gamarra Heshiki (Lima, Peru, 1972) reúne cerca de 80 obras dos últimos 25 anos de sua produção. Desde o final dos anos 1990, o trabalho de Gamarra adota uma perspectiva de crítica institucional, evidenciada pela criação do museu fictício LiMAC. A artista questiona a neutralidade das representações artísticas ao utilizar a apropriação crítica de pinturas e esculturas, sobretudo do período colonial, estabelecendo a “réplica” como forma de resposta a narrativas estabelecidas. A própria organização da mostra imita e critica a cronologia clássica de um museu latino-americano. A mostra é organizada em parceria com o Museu de Arte de Lima (MALI).

La Chola Poblete: Pop andino | 6/3 — 2/8

Edifício Pietro Maria Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Leandro Muniz, curador assistente, MASP

La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) produz performances, desenhos, fotografias e vídeos em que parte de seu corpo e biografia para discutir as complexidades da identidade chola — termo usado para designar mulheres mestiças de ascendência indígena na América Latina — e os legados coloniais na região Andina, incluindo a violência contra a população LGBTQIA+ e grupos racialmente marcados, dos quais ela faz parte. A mostra é composta por muitas obras inéditas e em diferentes mídias, como aquarelas de grandes dimensões que funcionam como mapas mentais, fotografias encenadas e trabalhos que misturam a iconografia pop com o imaginário pré-colombiano. O projeto, baseado em um manifesto da artista, questiona as categorias de enquadramento de seu corpo e obra, afirmando identidades híbridas e a possibilidade de transformação e fluidez contínuas. Essa é a primeira exposição individual da artista no Brasil.

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo | 6/3 — 2/8

Edifício Pietro Maria Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP

Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) e o coletivo de tecedeiras Silät, formado em 2023 por mulheres de comunidades wichí do norte da província de Salta, na Argentina, criam obras têxteis a partir de técnicas ancestrais de seu povo. A exposição apresenta cerca de 30 obras, algumas delas inéditas, elaboradas com fios de chaguar (uma bromélia nativa do território em que vivem as artistas), que resgatam padrões e técnicas tradicionais usadas na confecção das yicas (bolsas típicas da região). Para o povo wichí, tecer é um ato ligado à memória, à mitologia e ao território. Alarcón & Silät preservam e atualizam esses saberes, experimentando sofisticadas composições a partir dos padrões tradicionais. Ao reivindicar o protagonismo feminino, as artistas usam a produção têxtil como linguagem viva e instrumento de afirmação cultural e política, expressando sua história e identidade. Essa é a primeira individual no Brasil dedicada ao trabalho de Alarcón & Silät.

Santiago Yahuarcani: o princípio do conhecimento | 3/4 — 2/8

Edifício Pietro Maria Bardi

Curadoria: Amanda Carneiro, curadora, MASP

A mostra dedicada a Santiago Yahuarcani (Pebas, Peru, 1960) reúne cerca de 30 pinturas, incluindo obras inéditas, e dá continuidade à projeção internacional do artista após sua participação na 60ª Bienal de Veneza (2024), onde seu trabalho chamou a atenção do público e da crítica. A obra do artista indígena do povo Uitoto, radicado na Amazônia peruana, está profundamente enraizada nas tradições orais, na cosmologia e na cultura visual de sua comunidade, articulando memória familiar, história e imaginação. Por meio da pintura, Yahuarcani desenvolve uma prática que combina investigação artística e retomada de narrativas. A história de deslocamento, violência e sobrevivência de sua família, descendente de sobreviventes da exploração do ciclo da borracha, é um fio condutor central em sua obra. O uso de pigmentos naturais e da llanchama — tela feita da casca de árvores amazônicas — reforça a relação com a terra. A mostra é organizada em parceria com o Museo Universitario del Chopo (Cidade do México) e o The Whitworth (Manchester).

Colectivo Acciones de Arte: democracia radical | 3/4 — 2/8

Edifício Pietro Maria Bardi

Curadoria: André Mesquita, curador, MASP

O Colectivo Acciones de Arte (CADA) foi fundado em Santiago do Chile em 1979, durante a ditadura militar, pelos artistas Lotty Rosenfeld (1943–2020) e Juan Castillo (1952–2025), a escritora Diamela Eltit, o poeta Raúl Zurita e o sociólogo Fernando Balcells. O grupo realizou, de forma rápida e anônima, intervenções em espaços públicos para repensar as relações entre arte e política em um contexto de violência e precariedade. A exposição reúne fotografias, filmes e documentos que registram as oito ações do coletivo entre 1979 e 1985. A intervenção mais conhecida, “NO+” (1983), espalhou o slogan aberto “NO+” (Não mais) pelos muros da cidade, sendo livremente completado por cidadãos e movimentos sociais (“NO+ dictadura”, “NO+ hambre”). Essa participação popular transformou a ação em uma poderosa forma de denúncia e expressão coletiva, fundamental para compreender as articulações entre arte e política na América Latina.

Damián Ortega: matéria e energia | 15/5 — 13/9

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, diretor artístico, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

A mostra apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o Museo de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA) e marca a primeira individual de Ortega em um museu de São Paulo.

Sol Calero | 30/5

Vão Livre

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP

A artista Sol Calero (Caracas, Venezuela, 1982) desenvolve espaços imersivos que combinam elementos da arquitetura vernacular com uma visualidade inspirada em referências latino-americanas, explorando a ideia de uma pintura expandida em murais, mosaicos e mobiliário. Após apresentar o Pabellón Criollo na 60ª Bienal de Veneza (2024), uma instalação nomeada a partir de um prato típico venezuelano que simboliza a mistura de culturas (indígenas, africanas e europeias), Calero projetará um pavilhão para o Vão Livre do MASP em 2026. Seus projetos transformam espaços em ambientes participativos e acolhedores, carregados de memórias afetivas que sugerem noções de identidade, deslocamento e pertencimento.

Carolina Caycedo: confluências | 3/7 — 4/10

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Isabella Rjeille, curadora, MASP

Com trabalhos que incluem fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a produção de Carolina Caycedo (colombiana nascida em Londres, Reino Unido,1978) se constitui como um ponto de encontro entre saberes e práticas que vão da arte contemporânea aos saberes ancestrais ribeirinhos e às estratégias de resistência de movimentos sociais latino-americanos. A trajetória de Caycedo foi marcada por múltiplos processos migratórios que informam sua prática, refletindo as relações simbólicas e culturais que estabelecemos com o mundo. Trabalhando frequentemente de forma colaborativa, a artista busca reconstruir uma memória comunitária dos bens comuns, que englobam desde o espaço público urbano até rios e montanhas. A exposição apresenta um panorama abrangente de sua obra e conta com criações recentes desenvolvidas no contexto brasileiro em diálogo com outros contextos latino-americanos e suas diásporas. O título se refere tanto à convergência de cursos de água quanto ao encontro de pessoas, ideias e culturas.

Histórias latino-americanas | 4/9/2026 — 31/1/2027

Edifício Pietro Maria Bardi

Curadoria: Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, com assistência de Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP

Tema do ciclo curatorial de 2026, Histórias latino-americanas será uma coletiva internacional que ocupará cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi. Articulada em cinco núcleos, essa ampla mostra investiga como a ideia de América Latina foi criada e disputada ao longo do tempo. A exposição parte dos processos de colonização, marcados por violência e extrativismo, e examina o papel do barroco e da invenção do paraíso tropical como regimes de imagens que difundiram o poder colonial, a fim de evidenciar como essas dinâmicas moldaram a modernidade na região e destacar contranarrativas e formas de contestação. Aborda, ainda, as formas comunitárias de organização social indígenas e afrodescendentes, como quilombos, palenques e cumbes, bem como tradições utópicas que lutam contra os autoritarismos, como é o caso dos zapatistas. A mostra considera a circulação de pessoas, bens e ritmos em processos de migração e diáspora que conectam a América Latina a outras geografias. Por fim, explora concepções indígenas sobre fim e renovação, convidando a imaginar futuros possíveis diante das crises do presente.

Pablo Delano: Museu da Antiga Colônia | 30/10/2026 — 31/1/2027

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP

O “Museu da Antiga Colônia” é uma grande instalação que examina as perseverantes e inabaláveis estruturas coloniais através das lentes de Porto Rico, ilha que vivencia mais de quinhentos anos de influência e domínio colonial. Concebida pelo artista Pablo Delano (Porto Rico, 1954), inclui uma miríade de objetos, fotografias, jornais, filmes e revistas que contam múltiplas histórias relacionadas, inicialmente, ao domínio espanhol e, atualmente, americano sobre comunidades indígenas e nativas, bem como sobre pessoas de ascendência africana. O título da instalação faz uma referência irônica à cumplicidade dos museus e a uma marca de refrigerante estadunidense muito popular em Porto Rico, ao mesmo tempo que destaca como o poder e a presença dos EUA se baseiam na exploração colonial, na higiene social e na hierarquia racial, que se materializam na circulação de bens, pessoas e valores, e no recrutamento de antropólogos, missionários, fotógrafos e políticos para sustentar a matriz colonial.

Rosa Elena Curruchich: crônicas de Comalapa | 30/10/2026 — 4/4/2027

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Yudi Rafael, curador assistente, MASP; e Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP

A exposição retrospectiva apresenta mais de 80 obras de Rosa Elena Curruchich (Comalapa, Guatemala, 1958–2005), pintora autodidata indígena de origem Maya Kaqchikel. Curruchich foi neta do artista que deu início a uma tradição popular de pintura a óleo entre os Kaqchikel nos anos 1930. Sua obra se destaca entre as da primeira geração de pintoras mulheres dessa tradição pelo modo como trabalhou o legado pictórico do registro da vida cotidiana e das cerimônias de seu povo, com especial atenção aos huipil (vestuário feminino artesanal). A artista manteve sua prática em segredo, com medo de represálias, o que levou seu corpo de pinturas a ser marcado pelo pequeno formato para transporte discreto. Sua obra, que integrou a 60ª Bienal de Veneza em 2024, vem sendo revisitada nos últimos anos. Essa é a primeira exposição retrospectiva da artista no Brasil.

Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla | 27/11/2026 — 4/4/2027

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP, e Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP

A exposição é a primeira no Brasil dedicada ao curta-metragem documental “TRANS” (1982), dirigido pelos artistas venezuelanos Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, e estreado em 1983. Além da exibição do filme, a mostra reúne um conjunto inédito de materiais fotográficos relacionados à sua produção, apresentando as vidas, as subjetividades e os enfrentamentos de pessoas trans e travestis na cidade de Caracas no início da década de 1980. O trabalho retrata com sensibilidade questões urgentes, como a criminalização do trabalho sexual, a violência de gênero e a marginalização institucional. Na contramão de uma perspectiva distanciada, o filme propõe uma colaboração poética e política entre diretores e protagonistas, cujas relações de intimidade, vulnerabilidade e potência se refletem nas imagens. Após décadas invisibilizado, o curta de 16 mm vem sendo recentemente exibido em instituições internacionais.

Jesús Soto | 27/11/2026 — 4/4/2027

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Mateus Nunes, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

O artista Jesús Soto (Ciudad Bolívar, Venezuela, 1923 – Paris, França, 2005) foi um dos nomes mais importantes da arte cinética, sendo um dos expoentes do modernismo latino-americano em um cenário global. Em suas obras, Soto introduziu a sensação de movimento e a participação do espectador, como em seus “Penetráveis”, além de incorporar fenômenos ópticos pela sobreposição de planos e transparências. Dissolvendo as fronteiras rígidas entre observador e obra, o artista contribuiu de maneira decisiva para o debate de questões teóricas que permanecem atuais, como as noções de imaterialidade, interação e virtualidade. A exposição destaca a produção de Soto entre o início da década de 1950 e o final dos anos 1980, período em que o artista se debruçou de modo mais experimental sobre as experiências ópticas, geométricas e interativas. A mostra conta com parcerias e empréstimos de renomadas coleções estadunidenses, francesas e brasileiras, incluindo obras históricas, trabalhos interativos e material arquivístico, e acontece mais de vinte anos depois da última exposição individual do artista em um museu brasileiro.

Sala de vídeo

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Clara Ianni (São Paulo, 1987)

6/2 — 22/3

Curadoria: Daniela Rodrigues, supervisora de mediação, MASP

Ianni explora a relação entre história e política, abordando as contradições da modernização e as mitologias do progresso, especialmente em relação ao Brasil.

Oscar Muñoz (Popayán, Colômbia, 1951)

3/4 — 21/6/2026

Curadoria: Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP

Muñoz investiga as relações entre identidade, memória e imagem por meio de experimentações com suportes fotográficos e audiovisuais.

Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974)

3/7 — 23/8/2026

Curadoria: Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP

Galindo é uma artista e poeta que utiliza seu próprio corpo para expor as violências impostas pelas estruturas de poder nas sociedades contemporâneas.

Claudia Martínez Garay (Ayacucho, Peru, 1983)

Curadoria: Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP

4/9 — 18/10/2026

Garay revisita narrativas coloniais latino-americanas, especialmente as relacionadas ao Peru, por meio de fabulações criadas a partir de artefatos museológicos e figuras históricas.

Edgar Calel (Chi Xot, Guatemala, 1987)

30/10/2026 — 31/1/2027

Curadoria: Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

Calel se destaca por uma poética sensível, atravessada por dimensões espirituais e rituais vinculadas à cosmovisão maia-kaqchikel. Suas obras propõem uma reflexão crítica sobre a marginalização das comunidades indígenas latino-americanas e questionam formas hegemônicas de produção, exposição e circulação de arte.

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada).

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)

Indaiatuba cria Núcleo do Museu da Pessoa e homenageia legado de Paulo A. Lui

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Com a criação do núcleo local, Indaiatuba passa a integrar essa rede nacional de salvaguarda de memórias. Na foto, da esquerda para à direita, Eduardo Rodrigues, secretário-adjunto da Secretaria de Cultura, o prefeito Dr. Custódio Tavares (MDB), Paulo Celso Lui, filho do homenageado, e Josielle Costa. Foto: Gabriel Beccari/PMI.

A Prefeitura de Indaiatuba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Casa da Memória, firmou acordo de cooperação com o Museu da Pessoa para implantação do Núcleo Museu da Pessoa Indaiatuba Paulo A. Lui. A iniciativa tem como missão registrar, preservar e difundir histórias de vida de pessoas que contribuíram para a construção social, cultural e econômica do município, fortalecendo a memória coletiva da cidade.

O Núcleo Museu da Pessoa é uma instituição virtual e colaborativa fundada em 1991 e se tornou uma referência internacional no registro de memórias. Seu acervo reúne entrevistas, depoimentos e narrativas que podem ser acessadas e alimentadas pelo público de forma online. Por meio de sua tecnologia social de memória, o museu promove metodologias que garantem a preservação de lembranças de famílias, grupos, organizações e comunidades, reconhecendo o valor da trajetória de cada indivíduo como parte da história comum.

Com a criação do núcleo local, Indaiatuba passa a integrar essa rede nacional de salvaguarda de memórias, empregando técnicas de coleta e catalogação de relatos pessoais que serão armazenados e compartilhados de maneira permanente. O projeto reforça o compromisso do município em valorizar a identidade dos cidadãos e dar voz a histórias que ajudam a compreender e celebrar o desenvolvimento da cidade. “Estamos muito felizes em iniciar este movimento em Indaiatuba. Cada história de vida contém ensinamentos, afetos e lembranças que precisam ser preservados. O Núcleo permitirá que as pessoas se vejam como parte ativa da história da cidade, reconhecendo o valor de suas próprias experiências. Memória também é pertencimento, e quando registramos essas narrativas, fortalecemos nossa identidade coletiva,” explica Josielle Costa, diretora de Preservação e Memória da Secretaria de Cultura.

O núcleo recebe o nome de Paulo Antonio Lui, grande entusiasta da cultura em Indaiatuba. Nascido no município em 1940, “Seu Paulo” dedicou sua vida ao cinema, às artes e ao apoio a causas sociais. Ao lado do pai e de sócios, fundou o Cine Alvorada em 1963 e também administrou o Cine Rex, espaços que marcaram gerações e ampliaram o acesso à cultura.

Em 1993, a família Lui inaugurou uma sala de cinema no Shopping Center Indaiatuba, dando origem à marca Topázio Cinemas, responsável por tornar a cidade uma das que mais oferecem salas de cinema por habitante no país. Visionário e apaixonado pelas artes, Paulo Lui idealizou e apoiou inúmeros projetos culturais, além de contribuir com entidades assistenciais, oferecendo infraestrutura, doações e sessões gratuitas. Ao longo de sua trajetória, recebeu diversas homenagens em reconhecimento ao seu trabalho e dedicação à comunidade, como a nomeação da praça da fonte do Shopping Jaraguá em sua honra, em 2023. Paulo A. Lui faleceu em agosto de 2025, deixando um legado de generosidade, empreendedorismo e amor pela cultura, que segue inspirando a cidade.

O Núcleo do Museu da Pessoa Indaiatuba Paulo A. Lui nasce justamente para preservar histórias como a dele, vivências que moldaram e continuam moldando Indaiatuba. Ao registrar as memórias de seus cidadãos, o projeto reforça que cada pessoa tem um valor único na construção da história local e que lembrar é também homenagear quem ajudou a fazer da cidade o que ela é hoje.

(Com Georgia Dal Ri e Couto/Secom)

Museu A CASA do Objeto Brasileiro: confira tudo o que aconteceu em 2025 e os destaques da programação já confirmada para 2026

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Rinaldo Martinucci.

Museu A CASA do Objeto Brasileiro, fundado em 1997 pela economista Renata Mellão, encerra 2025 com um balanço positivo e projetos já idealizados para 2026. Com a missão de valorizar o saber artesanal e contribuir para o desenvolvimento do design nacional, a instituição consolidou-se como um espaço de referência para o debate sobre identidade cultural brasileira, conectando o Brasil urbano ao rural, o industrial ao artesanal e o ancestral ao contemporâneo.

Segundo Mellão, o Museu A CASA acredita no objeto como uma extensão da mão humana, instrumento que carrega história, técnica, afeto, ancestralidade e transformação. Ao longo de suas quase três décadas de existência, o espaço se tornou um agente mobilizador e articulador de redes criativas, promovendo exposições, publicações, premiações, oficinas e projetos de campo que geram impacto na vida das pessoas e na cultura brasileira.

O ano de 2025 teve atividade intensa na instituição. Foram realizadas seis exposições, atraindo um público de aproximadamente 10 mil pessoas. Além disso, a instituição promoveu oito oficinas, sempre esgotadas, que contaram com a adesão de 223 participantes, reforçando seu compromisso com a educação e a difusão do conhecimento artesanal.

Em 2025, algumas das exposições de destaque que passaram no espaço foram Reflexão_BrochesOnde em Sonho Ela MoraQual o Seu Papel? – Da fibra à forma: a arte que pulsa da Paraíba Xingu: Reflexos Indígenas no Design Contemporâneo.

Atualmente em cartaz, com continuidade até 11 de janeiro de 2026, a exposição Rendando Histórias é uma parceria do espaço com o coletivo Rendeiras da Aldeia, um grupo formado por mães e mulheres de Carapicuíba (SP) que, desde 2006, se encontram para exercitar, produzir, preservar e difundir as tradições do ofício que trouxeram de suas regiões de origem, especialmente Pernambuco e Paraíba. Entre essas tradições está a Renda Renascença, um tipo de renda artesanal típica do Nordeste, que é justamente o saber que o coletivo mantém vivo.

As atividades do ano foram desempenhadas por meio de importantes parcerias, que incluíram instituições e artistas como Festival Cidade da Cultura, ADEPE / Fenearte, Cinemateca Brasileira, Governo do Estado da Paraíba, Dudu Bertholini, Antônio Castro, Yankatu, Instituto Arapyaú, FOZ (SPFW), OCA Escola Cultural e Coletivo Rendeiras da Aldeia.

O Museu A CASA do Objeto Brasileiro já tem programações previstas para 2026. Além de Rendando Histórias, em cartaz até 11 de janeiro, estão confirmadas a mostra Música Artesanal, a oficina Renda Renascença, nos dias 10 e 11 de janeiro, e a décima edição do Prêmio Objeto Brasileiro.

Sobre o Museu A CASA do Objeto Brasileiro

O Museu A CASA do Objeto Brasileiro é um espaço de referência na valorização do saber artesanal, atuando desde 1997 para proteger, difundir e atualizar suas tradições. Idealizado pela economista Renata Mellão, o museu fomenta a produção artesanal por meio de exposições, projetos, programação cultural e parcerias institucionais. Seu acervo inclui peças de Mestres Artesãos como Espedito Seleiro e de comunidades como os Baniwa e os ceramistas do Xingu.

Mais do que preservar, o museu atua ativamente na valorização do fazer manual como ferramenta de desenvolvimento social e econômico. Suas iniciativas incentivam a autonomia dos artesãos e artesãs, garantindo o reconhecimento de seus saberes e respeitando a identidade cultural de cada comunidade. Por meio de programas educativos, capacitações e pesquisas, o museu estabelece pontes entre tradição e inovação, fortalecendo a produção artesanal em diferentes territórios.

Ao longo de sua trajetória, o Museu A CASA consolidou-se como um importante polo de pesquisa e reflexão sobre o artesanato brasileiro. Suas exposições revelam a diversidade das práticas artesanais no país, abrangendo técnicas como a cerâmica indígena, as rendas, os trançados e a marcenaria. Além disso, promove iniciativas que aproximam artesãos, designers, pesquisadores e o público interessado na cultura material brasileira.

Desde 2008, o Museu A CASA realiza o Prêmio Objeto Brasileiro, um dos principais reconhecimentos do setor, voltado para a produção artesanal contemporânea. Com nove edições realizadas, o prêmio já recebeu quase duas mil inscrições, destacando a inovação e a excelência do fazer artesanal no Brasil.

Com um olhar atento à tradição e ao futuro do artesanato, o Museu A CASA segue impulsionando novas narrativas e promovendo o encontro entre diferentes gerações de criadores, pesquisadores e apreciadores do objeto brasileiro.

Sobre a Loja do Museu A CASA

A Loja do Museu A CASA é uma extensão do trabalho do Museu A CASA do Objeto Brasileiro, oferecendo ao público a oportunidade de adquirir peças criadas por artesãos e comunidades de diversas regiões do país. Seu acervo é cuidadosamente selecionado para destacar a riqueza do artesanato brasileiro, valorizando materiais, técnicas e expressões culturais únicas.

Cada peça disponível na Loja do Museu A CASA carrega a história e a identidade de seus criadores, conectando tradição e contemporaneidade. O espaço busca promover a sustentabilidade da produção artesanal, garantindo que os artesãos sejam remunerados de forma justa e que seus saberes sejam preservados.

Além de objetos de decoração e utilitários, a loja apresenta uma curadoria especial de peças autorais, muitas delas fruto de parcerias entre designers e mestres artesãos. Dessa forma, a Loja do Museu A CASA se torna um ponto de encontro entre diferentes públicos, incentivando o consumo consciente e a valorização do fazer manual brasileiro.

Mais informações: Tel. +55 (11) 3814-9711 | e-mailSite | Instagram.

(Com Diogo Locci/Agência Taga)

Galeria MapaFoto apresenta exposição “CorpoFala”, com curadoria e mobiliário de Ricardo van Steen

São Paulo, por Kleber Patricio

Juvenal Pereira, sócio, fotografia 1979 manipulada em tramas horizontais e verticais em 2012 | Impressão em processo de gelatina de prata | 20cm x 25 cm.

Imagens tocam, móveis não apenas servem ao corpo: eles o convocam. O encontro entre esses dois campos define CorpoFala, última exposição do ano da galeria MaPaFoto, e apresenta fotografias vintage em diálogo com o mobiliário de Ricardo van Steen.

No fundo, tanto a fotografia quanto o móvel são dispositivos que moldam relações. A fotografia cria uma distância que é sempre frágil: ela captura um corpo, mas devolve ao observador a sensação de ser também capturado. É um espelho assimétrico, o gesto de olhar sempre devolve alguma coisa de nós mesmos. Há um jogo entre presença e ausência que se reinscreve a cada observação. O mobiliário, por sua vez, opera no sentido oposto — ele não captura, mas organiza. Ele acolhe, orienta, enquadra. Ao fazer o corpo repousar, sentar-se, apoiar-se, produz um mapa silencioso de gestos. E é nesse mapa que percebemos o quanto nossa relação com os objetos não é neutra: eles nos conduzem, mesmo quando não percebemos. CorpoFala tensiona essas duas forças.

No processo de seleção das imagens, Ricardo identificou um grupo onde o fotógrafo sempre recorria a algum expediente importado de outras formas de expressão artística para fazer sua imagem acontecer: pintura, escultura, colagem, cinema, performance. E, como essa intenção explícita de fazer sua arte dialogar com outras artes sempre foi o principal mecanismo que imprimiu em seus múltiplos meios de expressão, Ricardo resolveu juntar as duas coisas em um só momento.

Francisco Aszman, sem título,1950, Impressão em gelatina de prata, 30cm x 40cm.

Fotografias vintage de diferentes décadas e procedências: os nus monumentais de Helmut Newton, as cenas coreografadas por Vânia Toledo, os rituais de Orlando Brito, as composições surrealistas de Francisco Aszman, os registros anônimos dos anos 1950–1970 e as manipulações tramadas de Juvenal Pereira. Nesse encontro, surge algo que ultrapassa a mera soma das partes. A fotografia, quando olhada ao lado de um móvel que solicita o corpo, deixa de ser objeto para se tornar acontecimento. E o móvel, ao ser acionado pelo visitante que acabou de atravessar a experiência do olhar fotográfico, também fala — não com palavras, mas com o modo como faz o corpo existir no espaço.

Serviço:

Exposição CorpoFala

Curadoria e mobiliário: Ricardo van Steen

Local: Galeria MaPaFoto

Abertura: 11 de dezembro, quinta-feira, das 18h às 21h

Endereço: Rua Heitor Penteado, 220 – loja 11

Visitação: até 02 de fevereiro de 2026

Horários: de terça a sexta, das 14h30 às18h (qualquer outro horário sob agendamento).

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)