Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Espetáculo “Olga” tem curtíssima temporada gratuita no Teatro Paulo Eiró

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Companhia Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro, estreia em São Paulo em 25 de julho, com entrada gratuita; com direção de Luiz Fernando Lobo, peça relembra trajetória da militante Olga Benario Prestes. Imagem: Divulgação.

O espetáculo “Olga” será encenado pela primeira vez em São Paulo, no Teatro Paulo Eiró, a partir de 25 de julho. A dramaturgia de Luiz Fernando Lobo parte de pesquisa em arquivos brasileiros, europeus e americanos, em documentos primários.

A Ensaio Aberto reabre arquivos, escava e traz à tona documentos que confrontam a história oficial. “Os documentos, mesmo os aparentemente mais claros, não falam senão quando sabemos interrogá-los”, diz o historiador Marc Bloch. E complementa: “Nunca, em nenhuma ciência, a observação passiva gerou algo de fecundo.” 

Olga é um Teatro Documentário, que tem em Piscator e Peter Weiss seus precursores. A encenação realiza uma nova abertura da história ao apontar as contradições e camuflagens produzidas pela história oficial.

Nascida em Munique, em 1908, Olga Benario Prestes militou no movimento comunista desde a adolescência, enfrentando desde cedo a repressão policial. Foi treinada como agente do Comintern (Internacional Comunista) em Moscou e, em missão política, veio ao Brasil nos anos 1930 com Luiz Carlos Prestes. Foi presa em 1936 e deportada com 7 meses de gravidez para a Alemanha de Hitler, por ordem de Getúlio Vargas, colaborador da polícia nazista. Foi assassinada, em 1942, numa câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu graças a uma mobilização internacional. Como diz a própria Anita Prestes: “Sou filha da solidariedade internacional”.

Olga, assim como outros militantes, foi expulsa do país sem nenhum processo legal, violando os princípios do direito internacional. “Contamos para lembrar, para rememorar, para reparar e, sobretudo, para repensar caminhos. Durante muitos anos, repetiu-se à exaustão mentiras. A história oficial, no Brasil, negou aos revolucionários de 1935 qualquer papel relevante. O que era um levante armado, virou Intentona”, diz o diretor Luiz Fernando Lobo.

“Os torturadores de 1935, 1936 e 1937 nunca foram punidos. Vencedores e vencidos tiveram o mesmo tratamento da história: o esquecimento ou a falsificação da realidade. Mas há uma diferença. É o esquecimento que permite a impunidade e consequentemente a perpetuação de crimes abomináveis. Para os torturados, para os presos, para os deportados, para os mortos, só a rememoração dessas derrotas pode reabilitá-los diante da história e evitar, como diz Benjamin, ‘a segunda morte das vítimas do passado’”, diz Lobo.

“O levante de 1935 foi o primeiro levante armado contra os fascistas no mundo. Quase 100 anos depois, assistimos a extrema direita ganhar força em todo mundo. E esse é o papel do teatro documentário: estar à altura da realidade”, defende Tuca Moraes.

Comunista, internacionalista e antifascista, Olga começou a militar com 16 anos. Era uma mulher de grande coragem e inteligência. Aviadora, paraquedista, exímia atiradora, exímia nadadora, amazona. Com 18 anos, entra na clandestinidade por realizar uma ação armada para libertar seu companheiro e mentor político, Otto Braun, de um presídio de segurança máxima. Em 1935, Olga vem para o Brasil como segurança de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. E em 5 de março de 1936, quando a polícia “estoura” o esconderijo dos dois, já casados, no Méier, ela se coloca na frente de Prestes e o salva de ser morto pela polícia de Getúlio Vargas. Ela foi assassinada, mas sua luta continua até os dias de hoje.

O espetáculo tem dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo. O elenco é composto pelos atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto. Tuca Moraes interpreta Olga. A equipe artística do espetáculo é encabeçada por J.C. Serroni (cenário), Beth Filipecki e Renaldo Machado (figurino), Cesar de Ramires (iluminação), Felipe Radicetti (direção musical e trilha original) e Aninha Barros (produção executiva).

Olga foi apresentado em 30 sessões em agosto e setembro de 2025 no Armazém da Utopia, para onde volta em temporada em agosto e setembro de 2026. Nas apresentações na sede da Companhia Ensaio Aberto, há a triste coincidência de que foi deste porto do Rio de Janeiro que Olga Benario Prestes foi deportada no navio La Coruña para a Alemanha.

Sobre a Companhia Ensaio Aberto | A Companhia Ensaio Aberto nasceu no ano de 1992 com a proposta de retomar o teatro épico no Brasil e fazer dos palcos uma arena de discussão da realidade, resgatando sua vocação crítica e política. Desde que foi fundada pelo diretor Luiz Fernando Lobo e pela atriz Tuca Moraes, a Ensaio Aberto explora a ideia do ensaio como experimento e busca retomar a função social do teatro, transformando a relação palco-plateia.

FICHA TÉCNICA

Direção e dramaturgia: Luiz Fernando Lobo

Direção de Produção: Tuca Moraes

Cenografia: J. C. Serroni

Figurinos: Beth Filipecki e Renaldo Machado

Iluminação: Cesar de Ramires

Direção musical e trilha original: Felipe Radicetti

Produção Executiva: Aninha Barros

Elenco

Tuca Moraes como Olga

Ana Clara Assunção

Bibi Dulles

Dani Arreguy

Daniel de Mello

Gilberto Miranda

Kyara Zenka

Leonardo Hinckel

Luiz Fernando Lobo

Mateus Pitanga

Rossana Rússia.

SERVIÇO:

Olga – São Paulo

Gratuito

De 25 de julho a 2 de agosto

Local: Teatro Paulo Eiró – Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo

Horário: quarta a sábado às 20h | domingo às 19h

Lotação 291 lugares

Ingressos: retirada dpor lotes pelo link www.sympla.com/armazemdautopia

Abertura da casa 1h antes do início do espetáculo, com cota de ingressos liberados no dia por ordem de chegada, sujeito a lotação

Agendamento de grupos pelo whatsapp (21) 97976-0046

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 70 minutos

Haverá intérprete de libras nos dias 30/07 (quinta-feira) e 31/07 (sexta-feira)

A temporada do espetáculo Olga em São Paulo é patrocinada pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e também tem apoio do Termo de Fomento Transfere.Gov 934254/2022, celebrado entre o Instituto Ensaio Aberto, o Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes.

(Com Maria Marinho/Armazém Comunicação)

Entre templos, festivais e patrimônios mundiais, Malásia revela a riqueza de sua diversidade cultural

Malásia, por Kleber Patricio

No país, religiões, tradições e arquitetura convivem em harmonia para proporcionar uma das experiências culturais mais fascinantes da Ásia. Fotos: Divulgação/Tourism Malaysia.

A Malásia é um país onde a diversidade não apenas pode ser observada, mas vivida intensamente. Em cada cidade, em cada majestoso templo ou local de culto, em cada prato típico e em cada celebração repleta de cores, revela-se uma identidade construída a partir do encontro das culturas malaia, chinesa, indiana e dos povos indígenas. Esse mosaico cultural transforma o destino em um dos mais fascinantes do Sudeste Asiático, onde tradições milenares convivem harmoniosamente com a modernidade.

Patrimônio arquitetônico: um mosaico de crenças

A paisagem da Malásia é marcada por uma arquitetura que conta histórias de diferentes religiões e tradições. De majestosas mesquitas, como a icônica Masjid Putra, com sua impressionante cúpula cor-de-rosa que parece flutuar sobre as águas, a templos hindus repletos de cores e simbolismo, cada construção reflete a riqueza espiritual do país. Essa pluralidade arquitetônica permite que espaços sagrados de diferentes crenças coexistam a poucos passos uns dos outros, evidenciando o profundo respeito da Malásia pela diversidade cultural.

Em destinos como Melaka, essa convivência religiosa é facilmente percebida nas ruas, onde templos, mesquitas e igrejas fazem parte de um mesmo circuito histórico que retrata séculos de intercâmbio entre Oriente e Ocidente. Já no estado de Kedah, a elegante Mesquita Zahir destaca-se como um dos mais antigos e belos exemplos da arquitetura islâmica da região. Em outros pontos do país, como Batu Caves, a espiritualidade se manifesta em impressionantes formações rochosas que abrigam importantes santuários hindus.

Festivais que dão vida ao calendário

As celebrações fazem parte do cotidiano da Malásia e reúnem milhares de pessoas em demonstrações de fé, tradição e alegria que encantam visitantes do mundo inteiro. Ao longo do ano, o país se ilumina com festivais que refletem sua essência multicultural.

Hari Raya Aidilfitri: celebra o fim do Ramadã com encontros familiares, hospitalidade e uma rica variedade de pratos típicos malaios, como ketupat, rendang e diferentes tipos de kuih, preparados para compartilhar com familiares e convidados.

Thaipusam: celebrado normalmente entre janeiro e fevereiro, tem como principal cenário Batu Caves, onde milhares de fiéis sobem os 272 degraus coloridos em uma impressionante demonstração de devoção.

Ano Novo Chinês: uma explosão de vermelho, danças do leão e espetáculos de fogos de artifício que simbolizam prosperidade, união e renovação.

Deepavali: conhecido como o Festival das Luzes, celebra a vitória da luz sobre a escuridão com elaborados desenhos de rangoli (kolam), lamparinas de óleo (diyas), iluminação colorida, cerimônias religiosas e encontros comunitários.

Gawai Dayak e Kaamatan: festivais da colheita realizados em Sarawak e Sabah que homenageiam a abundância da terra por meio de rituais ancestrais, danças tradicionais e celebrações culturais.

Patrimônios Mundiais: história que atravessa os séculos

A Malásia abriga diversos locais reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco, testemunhos de sua extraordinária riqueza histórica e cultural. Em Penang, as mansões peranakan e as fachadas coloniais de George Town revelam o legado deixado pelos comerciantes que se estabeleceram na região ao longo dos séculos.

Considerado um dos melhores destinos para visitar em 2026, George Town reúne templos, casas tradicionais e um dos mais famosos circuitos de arte urbana da Ásia. Já Melaka proporciona uma verdadeira viagem no tempo, preservando construções que narram séculos de intercâmbio entre Oriente e Ocidente, com influências portuguesas, holandesas e britânicas.

Tradições que permanecem vivas

Muito além de seus monumentos, a cultura malaia é vivenciada no dia a dia. Lugares como o Sarawak Cultural Village e o Mah Meri Cultural Village permitem aos visitantes conhecer de perto a identidade multicultural do país por meio de moradias tradicionais, música, dança, contação de histórias, gastronomia típica, artesanato e do espírito de Muhibah, baseado na tolerância e no respeito genuíno entre diferentes culturas. Essas experiências proporcionam uma conexão autêntica com as raízes da Malásia, demonstrando que sua cultura permanece viva, dinâmica e em constante evolução.

Um destino onde a diversidade é a maior riqueza

Explorar a Malásia é descobrir um país em que cada região conta uma história diferente. De templos e locais sagrados a festivais vibrantes, bairros históricos, patrimônios culturais, arquitetura tradicional e experiências imersivas, o destino oferece uma rica combinação de culturas que continua evoluindo e acolhendo visitantes com hospitalidade, respeito e harmonia.

Para os viajantes latino-americanos, Kuala Lumpur é facilmente acessível a partir das principais cidades da região, como São Paulo, Buenos Aires, Bogotá, e Cidade do México, oferecendo uma oportunidade única de vivenciar um destino onde a diversidade não apenas pode ser observada, mas celebrada. Para descobrir mais sobre a Malásia, acesse https://www.malaysia.travel/.

Sobre a Tourism Malaysia

O Conselho de Promoção Turística da Malásia, também conhecido como Tourism Malaysia, é uma agência vinculada ao Ministério do Turismo, Artes e Cultura da Malásia. Seu foco é promover o país como um destino turístico preferencial. Desde a sua criação, tornou-se um importante ator no cenário turístico internacional. Para mais informações, acesse as contas oficiais da Tourism Malaysia no Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. Mais informações em www.malaysia.travel.

Sobre o Visit Malaysia Year 2026 (VM2026)

O Visit Malaysia Year 2026 (VM2026) é uma iniciativa nacional lançada pelo Governo da Malásia para impulsionar o setor turístico do país e ampliar seu impacto econômico. Com o objetivo de atrair milhões de visitantes, o VM2026 incluirá uma série de eventos, promoções e ações que celebram a cultura, o patrimônio e as atrações turísticas da Malásia. A iniciativa busca fortalecer a competitividade turística global da Malásia e tornar o turismo um dos principais contribuintes para a economia nacional.

Sobre a TM Americas

Empresa de marketing de turismo, é especializada em destinos e atrações de classe mundial. Conta com uma equipe de profissionais trilíngues especializados em diferentes áreas: marketing, vendas, comunicação, marketing digital e posicionamento de marca. Sediada na Flórida, está presente no Brasil, Colômbia, México, Argentina e Canadá – abrangendo 18 países.

(Com Carola Maia/Agência EmFoco)

Espetáculo ‘Gala Concert’ celebra a evolução do balé em São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Produção liderada pela premiada bailarina Oksana Bondareva percorrerá 22 cidades brasileiras com um programa inédito inspirado nos grandes clássicos mundiais. Fotos: divulgação/Andrey Lyapin.

Após conquistar o público brasileiro e receber ampla aprovação da crítica em sua passagem pelo país em 2025, o espetáculo Gala Concert, com Oksana Bondareva – da companhia The Moscow Ballet – retorna ao Brasil para uma nova e aguardada turnê, reunindo alguns dos mais talentosos artistas da dança clássica internacional. As apresentações ocorrerão de 20 de julho a 25 de agosto, em 22 cidades, incluindo grandes capitais. Em São Paulo, o balé será apresentado nos dias 28 e 29 de julho, no Teatro Claro Mais.

A produção apresenta um programa inédito, preparado especialmente para o Brasil, que celebra a excelência técnica, a expressividade artística e a riqueza histórica da dança. Em uma noite marcada pela elegância e pela emoção, o público terá a oportunidade de apreciar interpretações de trechos e variações inspirados nos grandes clássicos que atravessaram gerações e consolidaram o balé como uma das mais refinadas formas de arte do mundo.

No centro desta experiência está a consagrada bailarina Oksana Bondareva, vencedora do Prêmio Capri 2025, um dos mais importantes reconhecimentos da dança clássica europeia. Ao seu lado, estarão em cena oito solistas internacionais, incluindo primeiros bailarinos de renomadas companhias europeias, formados nas mais tradicionais escolas de balé do continente.

O repertório da edição 2026 reúne alguns dos momentos mais emblemáticos da história do balé, conduzindo o público por diferentes épocas, estilos e tradições da dança. Entre os destaques estão trechos consagrados de obras-primas, como A Bela Adormecida, O Lago dos Cisnes, Raymonda, O Corsário, Carnaval em Veneza e La Sylphide, além de números de grande virtuosismo técnico e forte carga emocional que marcaram gerações de bailarinos e espectadores. “Os espectadores poderão mergulhar na era de ouro do balé. Será uma viagem no tempo através da dança, sem limites para a imaginação”, conta Oksana Bondareva, que também é responsável pela direção artística do espetáculo, junto a Andrey Lyapin.

Os célebres e complexos pas de deux — os tradicionais duetos do balé clássico — estão entre os pontos altos do espetáculo. Neles, os bailarinos desafiam os limites do corpo com saltos espetaculares, giros de extrema precisão e movimentos que exigem absoluto domínio da técnica clássica. Alguns duetos surpreendem ainda pela incorporação de elementos acrobáticos, resultando em performances de rara beleza e forte impacto cênico, capazes de arrancar aplausos e prender a atenção do público do início ao fim.

Embora estruturado em números independentes, o espetáculo apresenta uma unidade artística construída pela excelência dos intérpretes e pela celebração da beleza da dança. Cada apresentação conduz o espectador por diferentes atmosferas e emoções, alternando momentos de delicadeza, virtuosismo, dramaticidade e encantamento.

A decisão de retornar ao Brasil reflete o forte vínculo construído com o público brasileiro durante a temporada anterior. O entusiasmo dos espectadores e a receptividade encontrada nas cidades visitadas consolidaram o país como um importante destino para a companhia, que volta com o propósito de oferecer uma experiência ainda mais especial e memorável.

“O Brasil é um dos poucos países onde a emoção é demonstrada de forma tão intensa. As pessoas fazem questão de agradecer, e isso nos toca profundamente. Esse carinho é um grande incentivo para nós”, destaca Oksana.

Com produção de alto nível e uma proposta artística sofisticada, porém acessível a espectadores de todas as idades, o Gala Concert com Oksana Bondareva – The Moscow Ballet reafirma seu compromisso de aproximar o grande público da excelência da dança internacional.

SERVIÇO:

São Paulo

Data: 28 e 29/07/2026

Horário: 20h

Local: Teatro Claro Mais – R. Olimpíadas, 360, Vila Olímpia – São Paulo, SP
Classificação Etária: Livre (menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsáveis)

Ingressos: a partir de R$150,00

Vendas na Uhuu!:
https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/gala-concert-the-moscow-ballet-16379

Produção: 3LM Entretenimento

Datas das demais cidades:

Rio de Janeiro (22 e 23 de julho)

Goiânia (24 de julho)

Brasília (25 de julho)

Piracicaba (26 de julho)

Ribeirão Preto (30 e 31 de julho)

Campinas (1º de agosto)

Jundiaí (2 de agosto)

São José dos Campos (4 e 5 de agosto)

Maringá (6 de agosto)

Cascavel (7 de agosto)

Londrina (9 de agosto)

Blumenau (11 e 12 de agosto)

Criciúma (14 de agosto)

Itajaí (15 de agosto)

Porto Alegre (16 de agosto)

Santa Maria (17 de agosto)

Lajeado (18 de agosto)

Bento Gonçalves (19 de agosto)

Novo Hamburgo (21 de agosto)

Pelotas (22 de agosto)

Caxias do Sul (23 de agosto).

(Com Shirley Costa/Agência Frigg)

“Bigorna” estreia no Sesc Vila Mariana e transforma história familiar em reflexão sobre pertencimento

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Solo escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda mistura autobiografia, terror, humor e cultura pop para investigar como pessoas consideradas diferentes são empurradas para as margens. Fotos: Cacá Bernardes.

“Bigorna – um thriller autoficcional”, solo escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda, estreia e faz temporada no Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo) de 4 a 22 de agosto de 2026, com sessões às terças, quartas e quintas, às 20h, e aos sábados, às 18h. Desenvolvido ao longo de anos de investigação artística e criação autobiográfica, o espetáculo transforma experiências pessoais em uma reflexão sobre exclusão, identidade e pertencimento. Ao reunir teatro documental, autoficção, humor, terror e referências da cultura pop, a montagem investiga como corpos considerados fora da norma são enquadrados, corrigidos ou afastados da convivência social.

Em cena, Walmick revisita e reelabora diferentes momentos da própria vida, entrelaçando lembranças da infância, adolescência e vida adulta com histórias de outros homens gays encontradas ao longo de sua pesquisa. A dramaturgia embaralha memória e invenção para construir uma narrativa em que o vivido ganha contornos ficcionais e a ficção revela verdades pessoais.

A peça nasce de uma pergunta íntima: o que faz alguém ser visto como um corpo “desviante”? A investigação é atravessada pela própria trajetória do artista — uma criança afeminada, um adolescente que sofreu bullying por ser gay e gordo e um adulto que encontrou pertencimento na comunidade dos Ursos —, estabelecendo conexões entre diferentes formas de exclusão e de resistência.

Uma história vivida por sua família funciona como disparador dessa reflexão. Durante aproximadamente três décadas, um tio permaneceu confinado em um quarto gradeado por apresentar uma condição nunca diagnosticada, sendo tratado como alguém incapaz de conviver socialmente. Ao aproximar essa experiência da própria trajetória, o espetáculo investiga como famílias e sociedades tentam controlar, normatizar ou corrigir aqueles que escapam dos padrões considerados aceitáveis.

Na infância, sem compreender o que acontecia, Walmick criou explicações fantásticas para aquele isolamento. Essas imagens, inspiradas pelo imaginário dos filmes de terror, tornaram-se uma das principais chaves dramatúrgicas do espetáculo e ajudam a discutir como pessoas consideradas “diferentes” muitas vezes são tratadas como figuras monstruosas ou ameaçadoras.

Humor, suspense e referências à cultura pop atravessam toda a narrativa. Xuxa, Power Rangers, Michael Jackson, Divas pop (referência dos anos 80 e 90, filmes, animações e músicas) e o cinema de horror aparecem como parte do universo afetivo de uma criança que buscava compreender o mundo por meio da fantasia. Nesse contexto, o Terror além de um gênero cinematográfico, opera na linguagem do espetáculo a fim de discutir medo, vergonha, desejo de pertencimento e violência simbólica.

Além das memórias pessoais, a dramaturgia incorpora objetos, roupas e outras materialidades da infância que funcionam como documentos afetivos, ampliando a experiência autobiográfica para dialogar com histórias de outras pessoas LGBTQIA+ e de todos aqueles que, em algum momento da vida, sentiram que não cabiam nos lugares que lhes foram destinados.

O título também sintetiza esse percurso. A bigorna — ferramenta sobre a qual o metal é golpeado para ganhar forma — torna-se metáfora da violência sofrida, mas também da possibilidade de transformar impactos em criação. “Percebi que o medo que eu tinha de me transformar no meu tio era, na verdade, o medo de me tornar o diferente da família, alguém destinado a viver à margem”, afirma Walmick.

Desenvolvido desde 2022, Bigorna nasceu da pesquisa de mestrado de Walmick de Holanda em Artes na Universidade Federal do Ceará (UFC), dedicada aos processos de composição dramatúrgica autoficcional. O autor também participou do Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André, com supervisão do Luiz Fernando Marques Lubi, no processo de criação da peça. O espetáculo marca sua estreia profissional como dramaturgo e diretor e reúne teatro, performance, memória e imaginação em uma investigação sobre identidade, diferença e pertencimento.

Sinopse | A autoficção de um gay gordo, nascido em uma sexta-feira 13 de lua cheia, tecida por lembranças da infância e adolescência que ganham tons de filme de terror. Mesclando elementos de horror, humor, cultura pop e memória, Bigorna é um thriller poético sobre a estranha desconexão que pode existir entre ser, estar e pertencer.

FICHA TÉCNICA

Atuação, Direção e Dramaturgia: Walmick de Holanda

Supervisão Artística: Luiz Fernando Marques Lubi

Orientação Teórica e Provocação Artística: Francis Wilker

Desenho de Luz e operação: Felipe Tchaça

Assistente de Direção: Danilo Martim

Preparador Corporal: Hélio Toste

Figurino: Larissa Torres

Cenário: Walmick de Holanda

Técnico e Operador de som e vídeo: Danilo Martim

Equipe de Libras: Coragem Criativa – Camiss Delfino, André Bruno e Caê Coragem

Audiodescritor: Dylan Garbini

Apoio da audiodescrição: Paula Felix

Cenotécnico: Renato Simões

Costureira: Celma Mota e Silvana de Carvalho

Projeto Gráfico: Walmick de Holanda

Fotos de divulgação (para projeto gráfico): Julio Arakack

Registros fotográficos e em vídeo do espetáculo: Cacá Bernardes – Bruta Flor

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Produção: Corpo Rastreado – Gabs Ambròzia

Agradecimentos: Ailton Guedes, Alessandro Marba, Alex Calmon, Ana Célia Torres, Ana Nehan, Andrei Bessa, Binho Cidral, Bruno Frika, Camila Cohen, CAPES, Carine Cedraschi, Casa Farofa, Cia do Pássaro, Corpo Rastreado, Cristiane Paoli-Quito, Daniel Martins, Dawton Abranches, Duda Machado, Eduardo Bruno, Eduardo Fraga, Elisa Porto, Evandro Cavalcante, Fabricio Licursi, Farofa, Felipe Haiut, Felipe Sales, Festival MixBrasil, Flávia Xaxá Melman, Gabi Gonçalves, Henrique Fontes, Ícaro Machado, Jacqueline Peixoto, Jo-A-Mi, Jorge Ferreira, Julia Corrêa, Khazar Masoumi, Larissa Carneiro, Leo Bahia, Letícia Rodrigues, Lilian Regina, Lucas Amoedo, Lucas Sancho, Luiz Felipe Bianchini, Luiza Romão, Marisa Bezerra, Michele Maia, Mitchel Diniz, Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André, Pedro Guimarães, PPGArtes ICA/UFC, Rafael Fialho, Raquel Parras, Raissa Starepravo, Roma Oliveira, Raoni Reis, Renato Turnes, Ricardo Tabosa, Sesc Vila Mariana, Simone Évanz, Tico Dias, Vicente Concilio, Vinicius Flauaus, Waldírio Castro, Walmick Campos, Zé Luiz. Dedicado à memória de Tio Bosco.

SERVIÇO:

Bigorna – um thriller autoficcional

Temporada: 04 a 22 de agosto de 2026.

Dias e horários: Às terças, quartas e quintas, às 20h. Aos sábados, às 18h.

Atenção: Sessões extras nas sextas-feiras, dias 14/08, às 22h; e 21/08, às 15h.

Sessões com recursos de acessibilidade: dias 08 e 15 de agosto.

Local: Sesc Vila Mariana

Rua Pelotas, 141, Vila Mariana – Metrô Ana Rosa

Estacionamento: 125 vagas – R$ 8,00 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 17 a primeira hora + R$ 4,00 a hora adicional (outros).

Paraciclo: 16 vagas – gratuito (obs.: é necessário a utilização de travas de seguranças).

Informações: (11) 5080-3000

Ingressos: R$50 (inteira) / R$25 (meia) / R$15 (credencial plena).

Venda: Online no site do Sesc SP ou no aplicativo Credencial Sesc SP, e nas bilheterias das unidades a partir de 28/07.

Classificação indicativa: 14 anos.

Duração: 70 min.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Microplásticos invadem a mesa

Toledo, PR, por Kleber Patricio

Microplásticos já foram identificados em sal de cozinha, açúcar, água potável, cerveja, frutas, vegetais e alimentos ultraprocessados. Foto: Divulgação.

*Por Taiane Camargo e Alberto Evangelista

Durante décadas, a imagem mais conhecida da poluição plástica foi a de tartarugas presas em redes abandonadas ou aves marinhas alimentando seus filhotes com tampas de garrafa. Essas cenas continuam chocantes, mas talvez não sejam mais as mais preocupantes. O problema mudou de escala. E mudou de endereço.

Hoje, a grande questão não é apenas o plástico que vemos. É o plástico que não vemos. Os microplásticos — partículas menores que 5 milímetros resultantes da degradação de embalagens, roupas sintéticas, pneus, tintas e inúmeros produtos do cotidiano — já ultrapassaram as fronteiras dos oceanos, dos rios e dos solos. Eles chegaram ao interior do corpo humano.

A descoberta mais inquietante dos últimos anos não ocorreu em uma praia poluída nem em uma área industrial. Ela aconteceu dentro de laboratórios que analisavam tecidos humanos. Em 2024, pesquisadores da Universidade do Novo México encontraram microplásticos em todas as 62 placentas humanas analisadas. O dado é particularmente preocupante porque a placenta é um órgão temporário, formado durante a gestação, o que sugere uma exposição contínua e crescente da população.

No mesmo período, estudos detectaram microplásticos em sangue humano, pulmões, fígado, rins e cordões umbilicais. Mais recentemente, pesquisadores identificaram concentrações ainda maiores no cérebro humano, em níveis superiores aos encontrados em outros órgãos analisados. Além disso, os estudos indicam um aumento significativo dessas concentrações entre 2016 e 2024.

A imagem é perturbadora. Por muito tempo, acreditou-se que o plástico era um problema ambiental. Hoje, ele se apresenta também como uma questão de saúde pública.

Acontece que os microplásticos não surgem espontaneamente. Eles são o estágio final de um modelo de consumo baseado no descarte. Uma garrafa plástica abandonada em um terreno baldio não desaparece. Ela se fragmenta. Uma sacola carregada pelo vento não deixa de existir. Ela se transforma em milhares de partículas microscópicas. Um pneu desgastado pelo atrito com o asfalto libera partículas que podem ser transportadas pela chuva, pelo ar e pelos sistemas de drenagem urbana.

Esses fragmentos acabam chegando aos rios, lagos e oceanos. Ali são ingeridos por organismos aquáticos e entram na cadeia alimentar. No litoral do Paraná, uma pesquisa conduzida pela oceanógrafa Fernanda Possatto identificou microplásticos em 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados da região. Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentavam partículas no trato digestório.

O dado não significa que o consumo desses peixes represente automaticamente um risco imediato à saúde humana. A própria pesquisadora faz essa ressalva. Porém, ele evidencia um fenômeno mais amplo: o plástico já está circulando pelos mesmos sistemas ecológicos que sustentam nossa alimentação.

E não apenas nos pescados. Microplásticos já foram identificados em sal de cozinha, açúcar, água potável, cerveja, frutas, vegetais e alimentos ultraprocessados. Em outras palavras: evitar completamente a exposição tornou-se praticamente impossível.

Uma das maiores dificuldades desse debate é que a ciência ainda está construindo respostas. Não existe, até o momento, consenso definitivo sobre quais concentrações representam risco direto à saúde humana, nem sobre os efeitos acumulativos ao longo de décadas de exposição.

Mas a ausência de respostas definitivas não significa ausência de riscos. Diversos estudos experimentais sugerem que microplásticos e nanoplásticos podem desencadear processos inflamatórios, estresse oxidativo, alterações metabólicas e danos celulares. Também cresce a preocupação com compostos químicos associados aos plásticos, como ftalatos e bisfenóis, conhecidos por interferirem no funcionamento hormonal do organismo.

Há ainda um agravante frequentemente ignorado: os microplásticos funcionam como uma espécie de “ônibus molecular”. Durante sua trajetória no ambiente, podem adsorver metais pesados, pesticidas, compostos tóxicos e microrganismos patogênicos. Quando ingeridos por organismos vivos, transportam consigo esses contaminantes. É como se o problema não fosse apenas a partícula plástica, mas também a carga invisível que ela carrega.

Ao mesmo tempo em que nunca houve tanta preocupação com alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, nunca produzimos tanto plástico. Segundo estimativas internacionais, a produção mundial de plástico supera atualmente 400 milhões de toneladas por ano e continua crescendo. Grande parte desse volume é destinada a embalagens de uso único que permanecem no ambiente por décadas ou séculos.

É como se estivéssemos tentando cuidar do corpo enquanto ampliamos continuamente a contaminação do ambiente de que dependemos para viver. A natureza não possui um sistema capaz de processar rapidamente essa avalanche de polímeros sintéticos. O resultado é previsível: eles se acumulam. Primeiro, nos rios; depois, nos oceanos; e, por fim, nos alimentos. E agora, em nós.

A boa notícia é que existem soluções. Tecnologias de tratamento de água, sistemas de filtração mais eficientes, melhorias nos processos de reciclagem, desenvolvimento de biopolímeros e embalagens biodegradáveis representam avanços importantes. Mas nenhuma inovação tecnológica será suficiente se a cultura do descarte permanecer inalterada.

Reduzir o consumo de plásticos de uso único continua sendo a medida mais eficaz. Optar por recipientes reutilizáveis, evitar aquecer alimentos em embalagens plásticas, ampliar programas de coleta seletiva e exigir políticas públicas mais rigorosas são ações que parecem pequenas individualmente, mas que se tornam relevantes quando adotadas em escala social.

A história da saúde pública mostra que as grandes transformações costumam ocorrer antes da certeza absoluta. Foi assim com o tabagismo, com o amianto, com o chumbo na gasolina. Primeiro surgem os sinais. Depois vêm as evidências acumuladas. Por fim, a sociedade reconhece que ignorou, por tempo demais, algo que estava diante de seus olhos.

No caso dos microplásticos, talvez estejamos exatamente nesse momento. A pergunta já não é se eles chegaram ao ambiente, mas quanto tempo levaremos para reagir ao fato de que eles chegaram ao nosso próprio organismo.

* Taiane Mota Camargo é doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos e pesquisadora. Alberto Gonçalves Evangelista é doutor em Ciência Animal e pesquisador.

(Fonte: Central Press)