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Vanessa da Mata é convidada pela Brazil Conference para palestrar em Harvard

Cambridge, Massachusetts, por Kleber Patricio

Artista brasileira participa da 12ª edição do Brazil Conference, que neste ano traz o tema ‘O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso’. Fotos: Divulgação.

A cultura brasileira amplia seu espaço na construção de narrativas sobre o futuro. A cantora e compositora Vanessa da Mata foi convidada pela Brazil Conference a palestrar na Universidade de Harvard, uma das instituições acadêmicas mais prestigiadas do mundo. A artista brasileira integra a programação da 12ª edição da conferência, maior encontro organizado por estudantes brasileiros nos Estados Unidos e hoje consolidado como um dos principais fóruns de reflexão sobre o futuro do Brasil.

Com o tema “O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso”, a conferência será realizada nos dias 27, 28 e 29 de março. A participação de Vanessa está marcada para o domingo, último dia do evento, cujos ingressos encontram-se esgotados — indicativo da relevância e da expectativa em torno desta edição.

A presença de Vanessa como palestrante em Harvard carrega uma dimensão simbólica de grande relevância. Trata-se do reconhecimento de que a cultura é parte estruturante do desenvolvimento de um país — e não um elemento periférico. Ao convidar uma artista de trajetória consolidada, a Brazil Conference sinaliza que o debate sobre o futuro do Brasil não se restringe a indicadores econômicos ou políticas públicas tradicionais. Ele inclui identidade, diversidade cultural e potência criativa.

Vanessa da Mata representa uma geração de artistas que dialoga com múltiplos públicos, transita entre o popular e o sofisticado, e constrói pontes entre o Brasil profundo e o cenário internacional. Sua presença em um espaço acadêmico de excelência reforça a ideia de que a arte também produz conhecimento. A canção, a literatura e a performance são formas legítimas de interpretação social — capazes de traduzir tensões, desigualdades, afetos e esperanças que muitas vezes escapam à linguagem técnica.

Além disso, ao falar sobre a transformação de desafios em progresso, uma artista traz uma perspectiva singular: a da criatividade como ferramenta de reinvenção. O setor cultural brasileiro é historicamente resiliente, inovador e gerador de impacto social e econômico. Levar essa experiência para um fórum internacional amplia o debate sobre soft power, economia criativa e diplomacia cultural, projetando o Brasil como produtor de pensamento e sensibilidade, não apenas como objeto de análise.

A proposta da Brazil Conference é reunir lideranças de diferentes áreas para discutir soluções concretas para os desafios do país nos campos da ciência, tecnologia, cultura, terceiro setor, empreendedorismo, serviço público e educação. No palco de Harvard, Vanessa abordará a centralidade da cultura como força estruturante do desenvolvimento social e econômico. “A cultura é um pilar de identidade, resistência e transformação social. A música é uma ferramenta de libertação e enquanto artista uso a minha voz para falar de temas que precisam ser debatidos na nossa sociedade. Acredito que a música sempre foi um veículo enorme para lutar contra as injustiças e preconceitos”, afirma a artista, destacando a oportunidade de apresentar, em um espaço de excelência acadêmica, a riqueza e a pluralidade da música brasileira.

Além da palestra, Vanessa será mediadora do painel do programa “Cultura em Ação”, iniciativa da Brazil Conference que reconhece e apoia artistas brasileiros engajados em causas sociais por meio da arte. O projeto selecionou dois representantes para se apresentarem nos palcos de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT): o DJ André Garan, representando a região Nordeste, e a professora e coreógrafa Ana Lúcia, representando o Sudeste.

A participação na Brazil Conference é parte de uma intensa agenda internacional. Vanessa percorre o Brasil com a turnê “Todas Elas”, espetáculo baseado em seu álbum homônimo, lançado em maio do último ano, e prepara o anúncio de datas nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, as próximas apresentações incluem Aracaju, Trancoso, Brasília, São Paulo, Curitiba e Lavras. Paralelamente à carreira musical, a artista avança na escrita de seu novo livro, reafirmando sua atuação multifacetada como compositora, produtora, escritora, artista visual e sócia da Casa Natura Musical.

Com mais de um bilhão de streams no Spotify, Vanessa da Mata figura entre as artistas brasileiras mais ouvidas da plataforma. Apenas em 2025, ultrapassou 224 milhões de reproduções e 19,5 milhões de ouvintes, registrando crescimento expressivo em relação ao ano anterior. São mais de 5,5 milhões de ouvintes mensais distribuídos por 184 países, com destaque para Brasil, Portugal, Estados Unidos e Itália.

“Todas Elas” reafirma sua posição entre as grandes intérpretes e compositoras do país. O álbum reúne onze faixas autorais e participações de nomes como João Gomes, Robert Glasper e Jota.pê. No palco, a artista evidencia sua versatilidade ao transitar entre a canção popular e o canto lírico, incluindo uma interpretação da ária “Mio Babbino Caro”, demonstrando domínio técnico e amplitude artística.

O convite para a conferência não apenas celebra a trajetória de Vanessa da Mata, como também projeta a cultura brasileira como força viva de pensamento, sensibilidade e transformação no cenário internacional. Por fim, a participação de Vanessa reforça uma mensagem essencial: desenvolvimento sustentável exige imaginação, sensibilidade e capacidade de escuta. A arte mobiliza essas dimensões. Em um debate sobre progresso, a cultura não é enfeite — é fundamento.

Sobre a Brazil Conference

A Brazil Conference é a principal conferência realizada pela comunidade brasileira fora do país, destacando-se como um catalisador de ideias e transformações para o Brasil, buscando criar um espaço global de discussão sobre o futuro do país e seu papel no cenário internacional. O encontro, realizado nas universidades de Harvard e MIT, reúne acadêmicos, líderes e representantes de diversos setores e empresas do país para discutir temas abrangentes, desde sociedade e política até economia e cultura. A conferência é desenvolvida e mantida por mais de 160 estudantes voluntários de Harvard, MIT e outras instituições acadêmicas ao redor dos Estados Unidos e conta com a participação de diversos especialistas nacionais e internacionais, que vão discutir as principais questões enfrentadas pelo país.

A edição de 2026 conta com 4 copresidentes: Merllin Batista (Presidente de Comunicação), Marcia dos Santos (Presidente de Impacto Social) Felipe Daud (Presidente de Fundraising), Lucas Moreno (Presidente de Logística), além de Caio Silva (Institucional Chair – MIT) e Andre Menezes (Community, Culture & Well-being Officer).

(Com Igor Basilio/Lupa Comunicação)

Le Cordon Bleu Brasil unidade São Paulo promove aulas especiais para a Páscoa

São Paulo, por Kleber Patricio

Neste ano, Instituto transforma tradição em experiência, com aulas especiais pensadas para quem deseja celebrar a data com criatividade e excelência gastronômica. Fotos: Gustavo Ferreira.

A Páscoa é um convite ao encontro e um dos momentos do ano que vivenciamos o prazer de reunir pessoas queridas em torno da mesa. Imagine preparar um almoço especial para a data como um verdadeiro chef e surpreender a todos com sabores inesquecíveis ou ainda produzir seus próprios ovos de Páscoa e presentear aqueles que mais ama. Tudo isso será possível com os shorts courses desenvolvidos pelo Le Cordon Bleu Brasil em São Paulo.

No curso Especial de Páscoa: Criando o almoço perfeito com técnicas de Chef”, os participantes aprenderão um menu completo com entrada, prato principal e sobremesa. A seleção de pratos inclui um Tartar de Robalo com Picles e Jus de Cenoura, acompanhado de chips de tubérculos, um Lombo de Bacalhau com Soufflé de Alho Poró, arroz selvagem com avelã e molho de espumante com uva Itália e uma Torta de Chocolate com Banana Flambada e Sabayon de Maracujá. Os alunos ainda terão a chance de colocar a mão na massa, especialmente no preparo do prato principal, dominando todas as técnicas que farão o bacalhau brilhar nessa e em qualquer outra receita.

Já na aula de Ovos de Páscoa”, os alunos aprenderão tudo sobre temperagem de chocolate com três diferentes receitas.

As duas experiências são o combo perfeito para quem não quer deixar essa data especial passar em branco. As inscrições já estão abertas.

Serviço: 

Ovos de Páscoa Le Cordon Bleu

Data: 14 de março de 2026

Horário: 8h às 13h

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link

Especial de Páscoa: Criando o almoço perfeito com técnicas de Chef

Data: 28 de março de 2026

Horário: 8h às 13h

Endereço: R. Natingui, 862, 1º andar – Le Cordon Bleu – Vila Madalena, São Paulo – SP

As vagas são limitadas.

Mais informações no link.

Sobre o Le Cordon Bleu | O Le Cordon Bleu é a principal rede global de institutos de artes culinárias e gestão de hospitalidade, com uma herança de 130 anos. A rede mantém presença global com 35 escolas em mais de 20 países, formando cerca de 20 mil alunos de mais de 100 nacionalidades diferentes todos os anos. As técnicas culinárias tradicionais francesas permanecem no coração do Le Cordon Bleu, mas seus programas acadêmicos são constantemente adaptados para incluir novas tecnologias e as inovações necessárias para atender às necessidades crescentes da indústria. Presente no Brasil desde 2018, possui unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde oferece programas de alta qualidade, como o Grand Diplôme, o Diploma de Cozinha Brasileira, o Diplôme de Wine & Spirits e o Diplôme de Plant Based, entre outros.

(Com Julianne Gouvea/Le Cordon Bleu)

No mês da mulher, soprano Georgia Szpílman faz homenagem especial a Chiquinha Gonzaga em Botafogo

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Maria Luisa Lundberg, Georgia Szpílman e Moises Santos. Fotos: Artur Moura.

A soprano do Theatro Municipal do Rio de Janeiro Georgia Szpílman, no mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, leva a riquíssima obra de Chiquinha Gonzaga ao público carioca em um novo espaço em Botafogo, zona sul carioca: Acaso Cultural. “Um Encontro com Chiquinha Gonzaga”, é uma homenagem musical e cênica à trajetória da compositora Chiquinha Gonzaga, pioneira da música popular no Brasil e símbolo de coragem, independência e inovação artística.

Interpretado pela soprano Georgia Szpílman, o espetáculo combina recital e narrativa histórica em uma apresentação envolvente e intimista. Entre canções e comentários contextualizados, o público é conduzido por momentos marcantes da vida de Chiquinha Gonzaga, desde os desafios enfrentados em uma sociedade conservadora do século XIX até sua consolidação como uma das maiores compositoras do país.

O projeto conta também com Maria Luisa Lundberg (piano) e Moisés Santos (1º clarinete da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro). Além das músicas, Szpílman e Lundberg fazem uma retrospectiva política e social da época, em um bate-papo com a plateia, revivendo as ousadias e vitórias da renomada musicista brasileira.

Há mais de uma década, chegava às mãos de Georgia, o livro “Chiquinha Gonzaga: Uma história de vida”, da escritora Edinha Diniz, biógrafa da Maestrina Chiquinha Gonzaga. A leitura a deixou fascinada com a história da mulher que rompeu com os padrões vigentes do século XIX. “Curiosa, procurei a biógrafa, que me revelou alguns fatos que não puderam entrar no livro e que, dependendo do local onde faça meu concerto, eu falo deles de uma forma sutil”, explica.

Para Szpílman, Chiquinha é resistência e a prova da força feminina. “Confesso que em muitos momentos busquei pensar como ela. E em meu trabalho procuro ousar, rompendo com padrões, e não cedendo às pressões do status quo. A cada concerto nestes 10 anos é como se ela estivesse viva. E vejo no olhar do público uma curiosidade sobre sua vida, quando conto suas histórias e uma certa cumplicidade. Já se foram 90 anos da sua morte, mas sua música está aí viva e ainda provocando”, sinaliza.

Com duração aproximada de uma hora, Um Encontro com Chiquinha Gonzaga oferece ao público uma experiência que alia música, história e emoção, reafirmando a importância de preservar e celebrar figuras fundamentais da cultura nacional.

Repertório: Abre-Alas, Anita, Machuca, Corte na Roça, Mulatinha, Meditação, A Feijoada Brasileira, Não insista Rapariga, Lua Branca, Corta Jaca, Água da Fonte do Vintém, Tango Brasileiro para Piano, Beijo, Atraente, Flor Amorosa e Valsa do Amor.

Sobre Georgia Szpílman 

Georgia como Chiquinha Gonzaga no Salão Assyrio do TMRJ.

A soprano Georgia Szpílman destaca-se pela versatilidade. Possui vasta experiência camerística e dedica-se principalmente ao canto lírico. Faz parte do coro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde também tem atuado como solista em grandes produções, tais como Turandot (Liú), As Bodas de Fígaro (Condessa), Il Triptico, Electra, Fosca (papel título), O Condor (Odaléia), Viúva Alegre (Valentina), Cavaleria Rusticana (Lola), Norma (Clotilde), Carmen (Mercedes) e La Traviata (Flora), entre outras. Em musicais como West Side Story, Anne Frank e Sinatra Olhos Azuis, entre outros. Apresentou-se na 1ª Audição de Composições Brasileiras e esteve nos espetáculos da série Palavras Brasileiras – Momentos da História do Brasil em Música. Na Alemanha apresentou-se com árias de Wagner, Carlos Gomes e canções de Villa-Lobos no Teatro Goethe-Institut Freiburg.e, em Israel, no Festival de Verão, em Jerusalém.

Serviço:

Um Encontro com Chiquinha Gonzaga

Com Georgia Spílman (soprano), Maria Luísa Lundberg (piano) e Moisés Santos (clarinete)

Data: 20/3 – sexta-feira

Horário: 20h

Local: Rua Vicente de Sousa, 16 – Botafogo

Ingressos: Sympla – https://bileto.sympla.com.br/event/115758/d/363271

Preço: de 60 a 120 reais

Classificação: Livre

Duração: 50 minutos.

(Com Claudia Tisato)

“Minha Estrela Dalva”: escrito e estrelado por Renato Borghi, musical em homenagem a Dalva de Oliveira estreia em SP

São Paulo, por Kleber Patricio

Em temporada no Teatro do SESI, espetáculo traça a linda relação de Borghi com a estrela da era de ouro do rádio antes e depois de conhecê-la. Fotos: João Caldas.

Tudo começou com um Renato ainda menino. Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de ‘A Branca de Neve’, onde a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira. Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções – culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar”, diz Renato Borghi.

É impulsionado por este amor incondicional, que Borghi revisita o tema para homenagear uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. “Minha Estrela Dalva” é, na verdade, o acerto de contas do artista com essa história. Às vésperas de seu aniversário de 89 anos, ele sobe ao palco para reviver o delírio de ter sido amigo, confidente e “filho artístico” de Dalva de Oliveira.

Em 2026, essa memória ganha novo corpo e voz no palco através de um encontro de gigantes. Soraya Ravenle, que iniciou sua brilhante carreira no teatro musical integrando o coro de “A Estrela Dalva” (1987), grande sucesso de Borghi com Marília Pêra, retorna agora para ocupar o centro do palco e encarnar a própria Estrela. Com sua potência vocal e sensibilidade rara, ela não interpreta apenas a “Rainha do Rádio”, mas a força da natureza que cantou a dor rasgada antes disso virar moda, a mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto e a garganta em chamas. Soraya traz à cena o mito humano, o “Rouxinol do Brasil” que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando cantado, vira beleza.

Dalva é a quarta mulher que transforma a minha vida. Não volto a ela apenas como intérprete, volto como alguém atravessada por sua coragem. Em cena, eu não a interpreto, eu a convoco, canto a mulher que desafiou seu tempo com o peito aberto e transformou dor em beleza. E estar ao lado de Renato Borghi é viver um encontro de amor e memória, ele escreve para sua musa e eu tenho a honra de dar corpo e voz a essa história diante do público”, comenta Ravenle.

Em um jogo cênico vertiginoso, Renato Borghi divide a cena com sua própria juventude. Elcio Nogueira Seixas, que além de dirigir o espetáculo, interpreta o Renato de 1969 – um jovem ator da contracultura que, entre a rebeldia do Teatro Oficina e o glamour do rádio, descobre em Dalva a alma do Brasil.

Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento. Só que o meu bolachão de 78 rotações foi o próprio Borghi. Hoje dirijo Minha Estrela Dalva ao lado de meu amado amigo e mestre Elias Andreato — que foi quem me aproximou do Renato. E no palco, sou ele jovem — o menino de sete anos que ouviu aquela voz pela primeira vez e nunca mais foi o mesmo. Neste espetáculo, sigo a receita antropófaga de Oswald de Andrade e faço a devoração de Renato e Dalva”, diz Elcio Nogueira Seixas.

Completando esse triângulo de paixões, Ivan Vellame empresta sua voz de rara beleza para dar vida aos amores de Dalva, com destaque para o compositor Herivelto Martins, trazendo ao palco os sambas imortais e os conflitos públicos e midiáticos que marcaram a era de ouro do rádio.

“A Dalva que Renato nos traz é uma convocação para adentrarmos a vida de uma mulher que viveu de alma nua, vocacionada para o amor e para a arte. Eu entro representando uns cabras que estranhavam o amor. Construindo com a direção, chegamos a uma encenação não documental, onírica e mítica, mas que não perde o valor de reflexão de que esses homens, os estranhos ao amor mas que amavam muito – Bruno, Herivelto e Kiko – viam o feminino como sinônimo de desqualificação do masculino. Eu espero que, principalmente os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões. Se eu for vaiado em cena, por perceberem que homens assim já não tão com nada há muito tempo, vai ser lindo. Eu espero que: Homens, honremos a feminilidade que nos é intrínseca”, enfatiza Vellame.

A direção do espetáculo é dividida com o renomado Elias Andreato. O ator e diretor empresta toda sua sensibilidade e experiência para extrair o melhor de cada ator e dar forma ao texto poético escrito por Borghi.

“Em Minha Estrela Dalva, Renato Borghi escreve uma declaração de amor à sua musa eterna, Dalva de Oliveira. Ao lado de Elcio Nogueira Seixas, construímos um espetáculo que é memória, música e exposição profunda. Soraya Ravenle não interpreta Dalva; ela a faz pulsar e ver Renato se confrontar com sua própria história em cena é testemunhar um dos gestos mais íntimos e corajosos do teatro”, destaca Andreato.

Minha Estrela Dalva acontece a partir de 28 de março, no Teatro do Sesi (Avenida Paulista, 1313), de quinta a domingo. Os ingressos estarão disponíveis em breve pelo site www.sesisp.org.br/eventos.

Sinopse do espetáculo

Minha Estrela Dalva não é uma biografia, é um encontro impossível. Em cena, o ator e dramaturgo Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira, para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor a ela um espetáculo revolucionário onde a “Rainha da Voz” cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Neste “delírio documentado”, passado e presente se fundem sob a direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas — que também sobe ao palco para dar vida ao Renato jovem. Borghi, interpretando a si mesmo, dialoga com uma Dalva no auge de sua glória e vulnerabilidade, vivida pela premiada atriz Soraya Ravenle. Ao lado deles, o ator Ivan Vellame dá vida aos amores tempestuosos que marcaram a história da cantora, ampliando o olhar sobre sua trajetória pessoal.

A encenação ganha vida através da direção musical de William Guedes, que conduz a sonoridade afetiva do espetáculo, e da atmosfera visual criada pelo cenário de Márcia Moon, a iluminação de Wagner Pinto e os figurinos de Fábio Namatame. Juntos, eles constroem um universo onde o glamour das Rádios dos anos 50 encontra a crueza do teatro épico de Brecht, revelando a mulher por trás do mito e o fã por trás do ídolo. 

Dalva de Oliveira e o empoderamento feminino

Em Minha Estrela Dalva, cada homem que passou pela vida de Dalva de Oliveira exerceu sobre ela uma variação do mesmo poder: o poder de definir quem ela era, quanto valia e quando deveria desaparecer. Herivelto, o marido compositor, dizia “Fui eu que te fiz, sua caipira” — e cobrava a dívida como se o talento dela fosse propriedade dele. Kiko, o segundo marido, queria transformá-la numa diva europeia bem-comportada. Bruno roubou seu dinheiro e fugiu. A televisão acendeu um canhão de luz no seu rosto e disse que não havia como fazer um close naquela mulher envelhecida. A resposta de Dalva, que atravessa a peça como um refrão, é uma só: “Eu não tenho dono.”

Chamaram-na de Messalina, de indigna de ser mãe, de cafona, de acabada. Pelos jornais dos anos 1950, Dalva foi submetida ao mesmo linchamento público que as redes sociais aplicam hoje a qualquer mulher que ousa viver fora do roteiro. A tecnologia mudou. A lógica, não.

Mas Dalva transformou cada golpe em canção. Quando o ex-marido a difamou, ela gravou “Errei sim” e devolveu: “Que venha logo a primeira pedra me atirar.” Quando quiseram enterrá-la, cantou “Bandeira Branca” no Maracanã e o público se ajoelhou. “Se meu coração está machucado, deixo sangrar — eu canto melhor assim, de peito aberto.”

Renato Borghi, que a amou desde os seis anos de idade, escreveu esta peça não para embalsamá-la em nostalgia, mas para devolvê-la ao palco viva, contraditória e indomável — uma mulher que bebe demais, que mostra as pernas, que faz reza forte contra os ex-companheiros, que briga com o diretor e reescreve as próprias cenas. Borghi tem a sabedoria de não a idealizar, porque o que torna Dalva uma figura poderosa para as mulheres de hoje não é a perfeição — é a inteireza.

No clímax do espetáculo, Dalva canta “Jenny dos Piratas”, de Brecht e Kurt Weill: a história da mulher humilhada que um dia será a única de pé quando tudo ruir. É a convergência exata entre a emoção visceral da maior cantora popular brasileira e o teatro político. Quando lhe perguntam quem deve morrer, Jenny responde: “Todos.” É a fantasia de justiça de todas as mulheres que foram esmagadas e se recusaram a ficar no chão.

Dalva enfrentou o machismo dos anos 1940 aos 70 sem vocabulário feminista, sem rede de apoio, sem hashtag — com nada além da voz e de uma teimosia feroz de não se deixar apagar. Que sua história ressoe com tanta força em 2026 não é um tributo ao passado. É um diagnóstico do presente. 

ELENCO

Renato Borghi (ele mesmo)

Renato Borghi é um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, vencedor de três prêmios Molière e de todos os grandes prêmios nacionais como ator, dramaturgo, diretor e pesquisador. Fundou o Teatro Oficina em 1958 com José Celso Martinez Corrêa, onde protagonizou montagens como Pequenos Burgueses, Andorra, O Rei da Vela, Galileu Galilei e Na Selva das Cidades. Nos anos 1970 criou o Teatro Vivo com Ester Góes, assinando montagens como O Que Mantém um Homem Vivo, Mahagonny, Murro em Ponta de Faca, Um Grito Parado no Ar e Calabar. Destacou-se como dramaturgo com A Estrela Dalva e Lobo de Ray Ban. Em 1993 fundou companhia com Elcio Nogueira Seixas, realizando montagens como Édipo de Tebas, Tio Vânia, O Jardim das Cerejeiras, Azul Resplendor, Fim de Jogo, Romeu & Julieta 80 e Molière, além de O que nos mantém vivos? e Alegria é a Prova dos Nove.

Soraya Ravenle (Dalva de Oliveira)

Soraya Ravenle é atriz e cantora, destaque em musicais como Dolores (Prêmio Shell 1999), South American Way, É Com Esse Que Eu Vou, Sassaricando, Era no Tempo do Rei, Ópera do Malandro, Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, Um Violinista no Telhado e Isaura Garcia – O Musical. Tem discos, shows e trabalhos marcantes na TV Globo, além de atuações recentes em Cara de Fogo, Instabilidade Perpétua, Monstros e Tom na Fazenda, com temporadas no Brasil, Paris e Avignon.

Elcio Nogueira Seixas (jovem Renato Borghi)

Elcio Nogueira Seixas é ator e diretor. Iniciou a carreira na reabertura do Teatro Oficina com Hamlet em 1993. No mesmo ano começou sua parceria com Renato Borghi, com quem fundou uma companhia que, por 25 anos, assinou montagens como Édipo de Tebas, Tio Vânia, O Jardim das Cerejeiras, Timão de Atenas, Macbeth, Azul Resplendor, A Gaivota, Fim de Jogo, Romeu & Julieta 80, Molière, O que nos mantém vivos? e Alegria é a Prova dos Nove. Dirigiu Azul Resplendor, estrelado por Eva Wilma, e Quase Infinito, com João Paulo Lorenzon. Ganhou os prêmios Shell e APCA, além do Prêmio Villanueva em Cuba. É autor do livro Borghi em Revista e ministra oficinas no Brasil e no exterior.

Ivan Vellame (Herivelto Martins, Bruno e Kiko)

Ivan Vellame é ator, cantor e poeta baiano, atuante desde 2003. Formado pela CAL – RJ e com estudos de canto na EMESP Tom Jobim, também se aperfeiçoou com Maurice Durozier e Francesca Della Monica. No audiovisual, participou dos filmes Corações Naufragados, Território do Crime e Pantalla, além das séries Nada Será Como Antes e Bom Dia, Verônica. No teatro, integra o musical Torto Arado, interpretou Horácio em Primeiro Hamlet, atuou em Morte e Vida Severina e criou o monólogo Prachuva. Narrou o audiolivro Doramar ou a Odisséia, integra a banda 4uartinho, foi indicado ao Prêmio Botequim Cultural e recebeu destaque de Melhor Ator na MET CCBB RJ. 

Músicos

Nath Calan: Bateria e Percussão

Giancarlo Barletta: Baixo

Gustavo Fiel: Piano elétrico

William Guedes: Violão

Denise Ferrari: Violoncelo

Eliza Monteiro: Viola

Mica Marcondes: Violino. 

Ficha técnica

Idealização: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas

Dramaturgia: Renato Borghi

Direção Artística: Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas

Elenco: Renato Borghi, Soraya Ravenle, Elcio Nogueira Seixas e Ivan Vellame

Direção de Movimento: Roberto Alencar e Irupe Sarmiento

Direção Musical e Arranjos: William Guedes

Cenografia: Márcia Moon

Assistência de Cenografia e Direção de Palco: Márcio Zunhiga

Assistência de Produção e Contrarregragem: Anderson Conceição

Cenotécnico: Denis Chimanski

Figurinista: Fábio Namatame

Assistência de Figurino: Luisa Galvão

Produção de Figurino: Eliana Liu

Modelagem: Juliano Lopes

Costura: Lenilda Moura e Fernando Reinert

Design de Perucas: Feliciano San Roman

Camareiras: Aline Delgado e Maria da Graças

Colaborações na preparação vocal de Soraya: Felipe Abreu e Gilberto Chaves

Cabelo de Soraya: Beto Carramanhos

Desenho de Luz: Wagner Pinto

Assistência e Produção de Luz: Carina Tavares

Operação e Programação de Luz: Jorge Forjaz

Desenho e Operação de Som: Cecília Lüzs

Desenho de Som Associado: Roberta Helena

Direção de Produção e Administração Financeira: Lukas Cordeiro

Produção Executiva: Camila Bevilacqua

Assessoria de Imprensa: Agência Taga

Projeto Gráfico: Werner Schulz

Fotografia: João Caldas

Assistência de Fotografia: Andréia Machado

Assessoria Jurídica: Carolina Wanderley

Contabilidade: Fato Assessoria Contábil

Audiodescrição: Gangorra Audiodescrição

Interpretação em Libras: Space Libras 

Redes sociais: Instagram: https://www.instagram.com/dalvaomusical. 

SERVIÇO:

Minha Estrela Dalva

Temporada: de 28/03 a 12/07

Centro Cultural Fiesp | Teatro do SESI-SP – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp)

Sessões:

Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Classificação etária: 14 anos

Duração: 90 minutos

Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.

Os ingressos estarão disponíveis em breve pelo site www.sesisp.org.br/eventos.

(Com Valentina Dewers/Agência Taga)

Instituto Argonauta acompanha nascimento de 86 filhotes de tartaruga-marinha na Praia do Paúba, em São Sebastião

São Sebastião, SP, por Kleber Patricio

Nascimento de 86 filhotes de tartaruga-marinha mobiliza Instituto Argonauta na Praia do Paúba, em São Sebastião. Foto: Instituto Argonauta.

Em meados de fevereiro, um morador da Praia do Paúba, em São Sebastião, entrou em contato com o Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha informando que filhotes de tartaruga-marinha estavam emergindo do ninho. A equipe técnica do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP/BS) foi imediatamente acionada e se deslocou até o local para monitorar a eclosão e acompanhar o deslocamento dos animais até o mar.

Ao todo, foram registrados 86 filhotes, que iniciaram o trajeto em direção ao oceano.

Moradores colaboraram prontamente, apagando as luzes das residências próximas para reduzir a interferência luminosa. Ainda assim, a iluminação da praia acabou influenciando parcialmente o direcionamento dos filhotes, que utilizam a luminosidade natural do horizonte como referência para alcançar o mar.

Com acompanhamento da equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS)/Instituto Argonauta, orientação técnica da Fundação Projeto TAMAR e apoio da SEMAM/Prefeitura Municipal de São Sebastião, os filhotes foram conduzidos para um trecho mais escuro da praia, permitindo que seguissem de forma mais natural e segura até o oceano.

A médica-veterinária Mariana Zillio destaca que a iluminação artificial é um dos principais fatores de desorientação. “Os filhotes se orientam pela luz natural refletida no horizonte marinho. Qualquer fonte de luz artificial pode desviar esse trajeto, aumentando o risco de predação e exaustão”, explica.

A médica-veterinária Isabela Moreira ressalta a importância da atuação técnica adequada. “O acompanhamento em campo garante que a intervenção seja mínima e realizada apenas quando necessário, priorizando que os filhotes completem o percurso da forma mais natural possível”, afirma.

Para o presidente do Instituto Argonauta, o oceanógrafo Hugo Gallo, o episódio reforça a importância do monitoramento contínuo ao longo do litoral. “Mesmo não sendo uma área regular de desova, quando ocorre um evento como este precisamos de resposta rápida e integração entre instituições. A atuação conjunta com a Fundação Projeto TAMAR, com apoio da Prefeitura e colaboração da comunidade, foi essencial para garantir a chegada segura dos filhotes ao mar”, destaca Gallo.

Sobre o Instituto Argonauta

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1998, a partir da iniciativa da diretoria do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de promover a pesquisa científica, a conservação ambiental e a educação para a sustentabilidade no litoral norte paulista. Desde 2015, o Instituto Argonauta integra a rede de instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), atuando no Trecho 10, que compreende os municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião.

Sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. O projeto tem como objetivo avaliar possíveis impactos dessas atividades sobre a fauna marinha e costeira, por meio do monitoramento sistemático das praias e do atendimento a ocorrências envolvendo animais vivos ou mortos.

A iniciativa ocorre desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, dividida em 15 trechos. O Instituto Argonauta é responsável pelo Trecho 10, sob coordenação técnica da Mineral Engenharia e Meio Ambiente.

Para mais informações: www.comunicabaciadesantos.com.br. Em caso de avistamento de animais marinhos, ligue para 0800 642-3341.

(Com Luanna Chaves/Instituto Argonauta)