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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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MAM São Paulo exibe mostra inédita de videoarte na Cinemateca Brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Cinthia Marcelle, Cruzada (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.

O Museu de Arte Moderna de São Paulo realiza no dia 16 de julho uma sessão especial gratuita na Cinemateca Brasileira para apresentar ao público uma seleção de videoartes recém-incorporadas ao seu acervo. Com curadoria de Cauê Alves, curador-chefe do MAM, e do professor da área de Ciências Sociais da PUC-SP Miguel Chaia, a mostra “MAM na Cinemateca: corpo e cidade em movimento” reúne, em 1h17, 14 vídeos recém integrados ao acervo do museu, a partir de uma doação da coleção Chaia.

A escolha da Cinemateca como local da exibição reforça a histórica ligação entre as instituições: foi dentro do MAM que nasceu, em 1954, a filmoteca que deu origem à Cinemateca Brasileira, hoje um dos principais centros de preservação da memória audiovisual do país. “Neste momento em que o museu está temporariamente fora de sua sede no Parque Ibirapuera, por conta da reforma da marquise, temos levado nosso acervo a outras instituições parceiras. Apresentar esse conjunto potente de vídeos na Cinemateca reforça não só uma conexão histórica, mas também o compromisso compartilhado com a preservação e difusão da memória audiovisual e da arte contemporânea”, afirma Cauê Alves, curador-chefe do MAM São Paulo.

“Parcerias como esta são de importância fundamental para ampliar o acesso a obras cinematográficas que encontram pouca visibilidade ou circulação nos circuitos tradicionais. A colaboração com o MAM, cuja experiência e olhar apurado para as videoartes enriquecem enormemente o diálogo com outras linguagens e formatos, fortalece a missão da Cinemateca Brasileira de preservar, valorizar e difundir o cinema e audiovisual brasileiros em toda a sua riqueza, complexidade e pluralidade”, completa César Turim, gerente de Difusão da Cinemateca Brasileira.

Programação

A sessão principal acontece às 19h e será precedida por uma sessão com acessibilidade de legendas, janela Libras e audiodescrição, às 17h. A obra que dá início às exibições é Cruzada (2010), de Cinthia Marcelle, uma vídeo-performance em que 16 músicos marcham pelas ruas até se encontrarem num cruzamento, criando uma poderosa coreografia sonora e urbana. Em seguida, a seção Retratos Poéticos traz obras que exploram a corporeidade e as identidades com lirismo e força visual, como Faces, de Lia Chaia; Dandara, de Rafaela Kennedy; Via de mãos dadas, de Thiago Rivaldo; e Translado, de Sara Ramo, em que elementos cotidianos ganham contornos simbólicos e políticos.

Na sequência, a seção Paisagens Políticas reúne vídeos como Aleph, de Lia Chaia; Luz del Fuego, de Carmela Gross, obra que rememora a figura histórica da artista e ativista homônima; Etrom uo Aicnêdnepedni, de Guilherme Peters; e Americano, de Berna Reale, conhecida por seus vídeos que confrontam a violência institucional.

A mostra segue com o bloco Experiências da Linguagem, em que as obras tensionam a própria estrutura do vídeo. São apresentados Odiolândia, de Giselle Beiguelman, uma crítica ao discurso de ódio nas redes sociais; Pamonha, de Marcelo Cidade; Love stories, de Lucas Bambozzi; e Monólogo, de Nicole Kouts. Por fim, encerrando a sessão, o vídeo Sin Peso, de Cao Guimarães, traz imagens lentas e poéticas em que gestos simples ganham densidade sensível, convidando à contemplação.

A mostra marca a celebração da doação de 75 videoartes ao MAM São Paulo, feita por Vera e Miguel Chaia, professores da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP e colecionadores de arte contemporânea desde a década de 1970. Fundadores do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da mesma universidade, em 1997, o casal reuniu ao longo das décadas um dos mais amplos e relevantes recortes do vídeo contemporâneo, abarcando 40 artistas de diferentes gerações, vertentes e regiões do Brasil e do mundo. A doação ao MAM inclui obras em vídeo e videoinstalações que ampliam significativamente o acervo audiovisual do museu, que contava com 41 obras em vídeo até então.

“A doação de Vera e Miguel Chaia inaugura um novo momento para o acervo do museu ao quase triplicar a coleção de vídeos do MAM. A mostra na Cinemateca é um modo não apenas de dar visibilidade para a coleção, mas também de reflexão crítica dessa produção contemporânea em um formato de exibição diferente da sala de exposições”, diz Cauê Alves.

“Parcerias como esta são de importância fundamental para ampliar o acesso a obras cinematográficas que encontram pouca visibilidade ou circulação nos circuitos tradicionais. A colaboração com o MAM, cuja experiência e olhar apurado para as videoartes enriquecem enormemente o diálogo com outras linguagens e formatos, fortalece a missão da Cinemateca Brasileira de preservar, valorizar e difundir o cinema e audiovisual brasileiros em toda a sua riqueza, complexidade e pluralidade”, completa César Turim, gerente de Difusão da Cinemateca Brasileira.

Sobre o MAM São Paulo

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de cinco mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas. O MAM tem uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

O MAM está temporariamente fora de sua sede no Ibirapuera desde agosto de 2024 devido à reforma da marquise, realizada pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, e o retorno do museu ao Parque está previsto para o segundo semestre de 2025. A programação de exposições do primeiro semestre está sendo apresentada em instituições parceiras como o Centro Cultural Fiesp e o Sesc São Paulo. Acompanhe as atividades do MAM através do site (www.mam.org.br) e pelas redes sociais (@mamsaopaulo).

Sobre a Cinemateca Brasileira

A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social. O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 40 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.

Serviço:

MAM na Cinemateca: corpo e cidade em movimento

Data: 16 de julho de 2025, das 19h às 21h30 (sessão acessível às 17h)

Curadoria: Cauê Alves e Miguel Chaia

Realização: MAM São Paulo e Cinemateca Brasileira

Local: Cinemateca Brasileira (Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)

Evento gratuito.

(Com Evandro Pimentel/Assessoria de imprensa MAM São Paulo)

Capacitação impulsiona comunitários do Amazonas rumo ao empreendedorismo da bioeconomia do pirarucu

Amazônia, por Kleber Patricio

Atividade faz parte do projeto “Sistema de rastreabilidade: inovação e inteligência de mercado na cadeia produtiva do pirarucu da RDS Mamirauá”, uma iniciativa da FAS, com recursos da empresa Positivo Tecnologia, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio). Fotos: Divulgação.

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) realizou em abril de 2025 na cidade de Fonte Boa/AM uma ação estratégica de capacitação empreendedora voltada à profissionalização dos manejadores que atuam na cadeia produtiva do pirarucu manejado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá: o Laboratório de Gestão e Modelo de Negócios.

A atividade faz parte do projeto “Sistema de rastreabilidade: inovação e inteligência de mercado na cadeia produtiva do pirarucu da RDS Mamirauá”, uma iniciativa da FAS, com recursos da empresa Positivo Tecnologia, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio). A iniciativa integra uma política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

Direcionado para a equipe de gestão da Salgadeira Cabocla, empreendimento de base comunitária responsável pela salga artesanal do pirarucu, o treinamento abordou temas como comportamento empreendedor, finanças, comercialização, vendas, processo produtivo e controle de qualidade. O objetivo é qualificar as equipes para consolidar um modelo de negócio eficiente, sustentável e com potencial de escala. “Para nós, da Fundação Amazônia Sustentável, a capacitação representa um marco na profissionalização da cadeia produtiva do pirarucu”, afirma Wildney Mourão, Gerente de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da FAS.

“Com a capacitação técnica da equipe de gestão do empreendimento, queremos reforçar as boas práticas gerenciais, adotando uma visão mais estratégica e eficiente do modelo de negócio. Nosso objetivo é proporcionar maior autonomia e garantir que todos os processos da cadeia — desde a origem do pescado até o consumidor final — reflitam o valor agregado e a inovação da bioeconomia amazônica, aliado à maturidade na gestão empresarial”, finaliza.

Ao todo, 23 pessoas participaram da atividade. A capacitação faz parte da fase atual do projeto, focada na preparação do empreendimento para o mercado.

Para Ana Izel, Analista de Projetos da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), capacitar os manejadores não é apenas uma questão de aprimorar processos, mas um passo estratégico para fortalecer a bioeconomia amazônica e contribuir com a economia local. “Estamos profissionalizando a cadeia produtiva e a gestão do negócio que, traduzida em agregação de valor aos produtos oriundos do manejo, chegue às comunidades através de uma repartição justa de benefícios econômicos, ampliando oportunidades e promovendo um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.”

O manejador Moisés Alves participou da capacitação e comentou sobre a importância do projeto. “Para mim, esses cursos são muito importantes, até por causa do aplicativo que será criado e que vai facilitar muito o trabalho dos monitores, onde será feita as anotações sobre o pirarucu, como peso e tamanho. Gostei muito do que aprendi”.

Gestão comunitária e protagonismo feminino

Um dos diferenciais da iniciativa é a gestão do empreendimento ser realizada pelos próprios comunitários e manejadores da RDS Mamirauá. Em uma cadeia produtiva historicamente dominada por homens, as mulheres também têm papel importante, atuando em atividades como a evisceração do pescado, na pesca e em alguns casos, também na liderança da atividade nas comunidades.

“Achei muito importante que o curso ensinasse sobre o cuidado [que se deve ter] no beneficiamento do pescado e que é muito importante para valorizar o nosso produto”, comentou Antônia Fernandes.

A Salgadeira, que atualmente atende principalmente três comunidades da RDS Mamirauá, tem potencial de expansão e poderá beneficiar outras localidades no futuro. Além de gerar renda para as famílias envolvidas, o projeto contribui para fortalecer a economia do município de Fonte Boa (AM) e fomentar práticas sustentáveis de uso dos recursos naturais.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade. Com 17 anos de atuação, a instituição tem números de destaque, como o aumento de 202% na renda média de milhares famílias beneficiadas e a queda de 39% no desmatamento em áreas atendidas.

Sobre o PPBio

O Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) foi criado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) em 2019, é coordenado pelo Idesam e tem como objetivo principal direcionar recursos provenientes dos investimentos obrigatórios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), previstos pela Lei de Informática, para fomentar a criação de novos produtos, serviços e negócios voltados à bioeconomia na Amazônia. Além de impulsionar soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável da região, o PPBio também busca conectar o potencial da Amazônia a soluções inovadoras e sustentáveis.

(Com Emanuelle Araujo Melo de Campos/Up Comunicação)

Pesquisadores criam sistema para gestão da fadiga em controladores de tráfego aéreo

Brasil, por Kleber Patricio

Torre de controle ao fundo, responsável pela complexa operação aeroportuária. Foto: Melanio Salomé Jr./Pexels.

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveram uma ferramenta computacional dedicada ao monitoramento preventivo da fadiga em contextos críticos, como no caso de controladores de tráfego aéreo. O sistema se dedica ao monitoramento de dados em tempo real, com estratégias adaptativas de gestão de risco baseadas em evidências científicas e operacionais.

Parâmetros como carga de trabalho, tempo de atuação e fatores individuais são considerados, em um estudo que contribui para uma mudança de paradigma: da abordagem reativa — em que a fadiga é percebida apenas após incidentes — para uma abordagem preditiva e preventiva capaz de acompanhar a transição da fadiga aguda para a crônica, algo ainda não contemplado por sistemas internacionais. Os resultados foram publicados na revista Production em 11 de julho.

A pesquisa envolveu as áreas de engenharia, ciência da computação e psicologia do trabalho, voltadas a desenvolver uma ferramenta capaz de avaliar os riscos associados à fadiga humana no controle do tráfego aéreo do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta I), em Brasília (DF).

O protótipo passou por oito especialistas em um teste de aceitação que seguiu as quatro fases clássicas de um Fatigue Risk Management System (FRMS): preparação, testes, implementação piloto e melhoria contínua. “A receptividade da proposta por especialistas da área foi muito positiva, o que reforça a relevância da pesquisa. Ficamos satisfeitos por termos conseguido unir teoria, prática e tecnologia em um modelo com potencial de aplicação real”, aponta o Rodrigo Pereira Gomes, autor do estudo.

A ferramenta integra o monitoramento em tempo real a um processo sistemático de avaliação de risco, que se adapta à natureza dinâmica da fadiga — preenchendo uma lacuna percebida pelos cientistas. Apesar de a fadiga humana ser um fator contribuinte para 20% de todos os incidentes e acidentes no ar, segundo pesquisas conduzidas pelo governo dos Estados Unidos, Gomes aponta que ainda existem poucos mecanismos sistematizados para incorporá-la como variável quantitativa nos processos de decisão.

A expectativa é de que o estudo contribua para ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, reduzindo riscos de erro por exaustão; para políticas públicas, ao oferecer um modelo que pode subsidiar diretrizes mais robustas de prevenção e gestão da fadiga, e para a ciência, ao avançar no diálogo entre engenharia, ciências humanas e computação aplicada, abrindo caminho para pesquisas multidisciplinares e práticas baseadas em evidências. “A proposta da ferramenta não substitui o julgamento humano, mas o complementa, oferecendo um suporte estratégico à tomada de decisão e à construção de políticas institucionais mais seguras”, afirma Gomes.

Os próximos passos envolvem monitorar Indicadores de Desempenho de Segurança (SPI), integrar o sistema ao Sigcea (Sistema de Informações Gerências do Subsistema de Segurança Operacional no Controle do Espaço Aéreo) e a outras plataformas do setor, além de realizar testes em ambientes simulados ou reais, em parceria com instituições que atuam no setor aéreo.

(Fonte: Agência Bori)

Paris em 5 paradas imperdíveis para quem busca experiências únicas em 2025

Paris, por Kleber Patricio

A perfumaria Fragrance de L’Opéra. Foto: Divulgação.

Viajar para Paris nunca é apenas sobre visitar pontos turísticos: é sobre viver a cidade com tempo, olhar atento e desejo de se surpreender. Em 2025, a capital francesa segue encantadora — mas também cheia de novidades e experiências que vão além do roteiro tradicional. Selecionamos cinco paradas obrigatórias para quem busca vivências exclusivas, com toques de arte, cultura, bem-estar e luxo sensorial. Ah, e claro, uma dica que só os bons viajantes conhecem — uma boutique de perfumes escondida perto da Opéra que é puro charme. Confira:

1 – Flanar pelas novas praias às margens do Sena

Em preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, Paris tem investido pesado na revitalização de suas margens. Em 2025, o projeto das “praias urbanas” no Rio Sena ganha novos espaços com estrutura para banho, áreas de descanso, arte pública e até quiosques gastronômicos. Uma forma poética de ver a cidade sob nova perspectiva — literalmente debruçado sobre a água.

2 – Reabrir os olhos no Musée Carnavalet

Reaberto após longa reforma, o Museu Carnavalet, dedicado à história de Paris, é uma joia escondida no Marais. Em 2025, ganha nova ala interativa que reconstrói cenas da cidade desde o século XVII. É o tipo de visita que faz a gente sair entendendo melhor o presente — e com vontade de reviver o passado com mais estilo.

3 – Sentir Paris na pele na Fragrance de L’Opéra

Escondida numa charmosa rua ao lado da Opéra Garnier, a Fragrance de L’Opéra é uma perfumaria de nicho que conquista viajantes do mundo inteiro. Com curadoria de fragrâncias raras, atendimento personalizado e atendimento trilíngue (francês, português e espanhol), o espaço é comandado pela brasileira Poliana Palhano, especialista que transforma cada visita em um mergulho sensorial.

Por ali, o perfume vira memória. Você pode escolher entre fragrâncias com notas de flor de laranjeira, chá branco, oud ou íris, em marcas exclusivas que não se encontram em nenhum outro lugar. Um verdadeiro segredo parisiense — e uma experiência perfeita para levar um pedaço da cidade no pulso. 3 Rue du Helder, 75009 Paris

4 – Almoçar como um parisiense no Marché des Enfants Rouges

O mercado coberto mais antigo da cidade continua sendo um dos lugares mais deliciosos para quem gosta de comida com história. De falafels a pratos corsos, passando por bistrôs naturais e queijarias premiadas, o Enfants Rouges é ponto de encontro de moradores e bons garfos. E o melhor: está fora do radar da maioria dos turistas.

5 – Ver um espetáculo na Opéra Garnier — e depois brindar por isso

Mesmo para quem já foi uma vez, o Opéra Garnier é visita obrigatória. A casa de espetáculos do século XIX segue recebendo montagens de ópera, balé e concertos memoráveis. A dica? Compre com antecedência, vista algo especial e reserve um drink no terraço do Hotel Kimpton St. Honoré, ali pertinho, para encerrar a noite com vista para os telhados parisienses.

Bônus: Se quiser uma experiência ainda mais personalizada em Paris, não deixe de marcar visitas guiadas por bairros temáticos como Montmartre ou Saint-Germain-des-Près com agências locais. Ou, se a ideia for fugir do óbvio, uma masterclass de vinhos ou perfumes pode transformar a viagem.

(Com Rafaella Ranulfo/Vira Comunicação)

Pesquisadores atualizam diagnóstico da pobreza no Brasil profundo

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Doze anos após a publicação de Vozes do Bolsa Família, os pesquisadores Alessandro Pinzani e Walquiria Leão Rego voltam seu olhar para o Brasil esquecido pelas políticas públicas, onde o sofrimento social se naturaliza e a pobreza extrema se perpetua. Em Vidas roubadas: sofrimento social e pobreza, lançamento da Editora Unesp, os autores atualizam seu diagnóstico sobre as mazelas enfrentadas pelos mais vulneráveis do país, reunindo análises e entrevistas com moradores de regiões historicamente marginalizadas.
“Assim como procedemos em nosso livro Vozes do Bolsa Família, quisemos dar voz aos sem-vozes, às pessoas emudecidas ou não ouvidas pelos políticos, pela opinião pública e até mesmo por uma parcela relevante de cientistas sociais”, anotam os autores na introdução. “Ouvimos os marginalizados, ‘os vencidos’, que sempre ficaram às margens da história brasileira, do progresso econômico, civil e jurídico, que, conquanto de forma precária e com graves retrocessos, tentou se instalar no país desde a sua independência.” 

A primeira parte da obra traça um panorama das mudanças e retrocessos no cenário político-social da última década, com ênfase na fragilização dos programas de assistência e na negligência estrutural do Estado. Os autores iluminam as macroestruturas que sustentam a exclusão secular de amplas parcelas da população, revelando como a ausência de políticas públicas eficazes e a gestão desastrosa da pandemia agravaram ainda mais as condições de vida nos chamados “rincões do Brasil”.
Na segunda parte do livro, ganham voz os próprios sujeitos dessa realidade – mulheres e homens cuja existência costuma ser reduzida a estatísticas. Suas falas revelam não apenas a luta cotidiana por sobrevivência, mas também o modo como interiorizam a culpa por sua própria condição, em um processo que os autores denominam “sofrimento de segunda ordem”. 

Com forte posicionamento ético, Vidas roubadas questiona a hierarquia de credibilidade que silencia os mais pobres e propõe uma escuta atenta às vozes historicamente desautorizadas, configurando-se como um apelo urgente à reflexão e à transformação social. “O fato de uma parcela majoritária da população brasileira ter ficado quase completamente excluída das vantagens de tal progresso ou de tê-las recebido apenas parcial e descontinuamente dá mostras do caráter social do sofrimento que tentaremos descrever neste livro”, registram. “Fomos movidos pela raiva suscitada por uma sociedade que condena as pessoas que entrevistamos a uma vida de sofrimento socialmente evitável.”  

Sobre os autores | Alessandro Pinzani (UFSC) é especialista em filosofia política e coautor de Vozes do Bolsa Família. Walquiria Leão Rego (Unicamp) pesquisa teoria social e também assina a obra anterior com Pinzani.

Título: Vidas roubadas: sofrimento social e pobreza 

Autores: Alessandro Pinzani, Walquiria Domingues Leão Rego

Número de páginas: 272

Formato: 13,7 x 21 cm

Preço: R$ 69

ISBN: 978-65-5711-292-2

Mais informações sobre a Editora Unesp estão disponíveis no site oficial.

(Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)