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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Em setembro, “Porgy and Bess”, de George Gershwin, estreia no palco do Theatro Municipal de São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Com a obra de Gershwin em contexto brasileiro, a produção ganha novos contornos sob a direção de Grace Passô. Além disso, a programação tem concertos como Texturas Brasileiras, com composições de dois grandes compositores brasileiros Ronaldo Miranda e Arthur Barbosa, e Schubertiades, um especial com composições de Franz Schubert, ambos do Quarteto de Cordas da Cidade, além da Oficina de Regência da Camerata da Orquestra Experimental de Repertório. Foto: Rafael Salvador.

Iniciando a programação de setembro, o Quarteto de Cordas da Cidade, formado por Betina Stegmann e Nelson Rios, violinos, Marcelo Jaffé, viola e Rafael Cesario, violoncelo, apresenta “Texturas Brasileiras” no dia 4, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório do Theatro Municipal de São Paulo. O repertório terá Quarteto Texturas, de Ronaldo Miranda, e Quarteto Brazuca, de Arthur Barbosa. Os ingressos custam R$35, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

O programa tem composições de dois grandes compositores brasileiros e amigos do Quarteto de Cordas, Ronaldo Miranda e Arthur Barbosa. O primeiro é um dos principais e mais atuantes compositores contemporâneos brasileiros, o carioca ocupa a cadeira de número 13 da Academia Brasileira de Música. Já o segundo é compositor, violinista e regente, natural de Fortaleza, o músico é violinista da Orquestra e Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) e regente da orquestra jovem da mesma instituição.

Foto: Rafael Salvador.

Já no dia 12, sexta-feira, às 19h, na Sala do Conservatório, a Camerata da Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Wagner Polistchuk, apresenta Oficina de Regência. O repertório terá composições de Ludwig Van Beethoven, como Abertura Leonora n.1, op.138, Abertura Leonora n.2, op.72a, Abertura Leonora n.3, op.72b e Abertura Fidelio, op.72c. Os ingressos custam R$35, a classificação é livre e duração de 50 minutos, sem intervalo.

Em programação oficial do Ano do Brasil na França, o Balé da Cidade de São Paulo se apresenta no país em turnê especial, com início no dia 18 de setembro, no Teatro Olympia, em Arcachon, com os dois espetáculos de Rafaela Sahyoun, Fôlego e Boca Abissal. Em seguida, de 23 a 27 de setembro, a turnê passará pelo Théâtre de la Ville, em Paris. Nos dias 2 e 3 de outubro, apresentações na La Comédie de Clermont Ferrand, em Clermont Ferrand. Já nos dias 8 de outubro e 9 de outubro, o Balé apresenta as obras de Sahyoun no Château Rouge, em Annemasse. Encerrando a turnê, Lyon recebe os espetáculos entre os dias 15 e 19 de outubro, na Maison de la danse, sendo está apresentação formada por Fôlego e por Réquiem SP, do coreógrafo e diretor da companhia Alejandro Ahmed.

Em mais um concerto do Quarteto de Cordas da Cidade, esse ao lado do convidado especial Robert Suetholz, violoncelista, e apresentam Schubertiades, no dia 18, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório. Com Betina Stegmann e Nelson Rios, violinos, Marcelo Jaffé, viola e Rafael Cesario, violoncelo. O repertório terá Quinteto em Dó Maior, op. 163, de Franz Schubert. Os ingressos custam R$35, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo.

Foto: Larissa Paz.

Destaque da temporada lírica, a ambiciosa obra de George Gershwin, “Porgy and Bess”, chega ao Theatro Municipal. Com direção musical de Roberto Minczuk e o olhar poético e ousado de Grace Passô, que assina a direção cênica e traz à cena o universo multifacetado desta ópera, que cruza as fronteiras do jazz, do teatro e da música clássica para contar uma história de luta e amor. As apresentações acontecem do dia 19 ao dia 27, na Sala de Espetáculos.

O espetáculo contará com o Coro Lírico Municipal, sob regência de Hernán Sánchez Arteaga, e Coral Paulistano, sob regência de Maíra Ferreira. A equipe técnica conta com Marcelino Melo na concepção cenográfica, Vinicius Cardoso com projeto cenográfico, Mario Lopes com criação de movimento e coreografia, Alexandre Tavera com figurino, Ana Vanessa como assistente de direção cênica. Os ingressos custam de R$33 a R$210 e duração de aproximadamente 230 minutos, com intervalo.

A trama de Porgy and Bess gira em torno das dores e paixões dos moradores de Catfish Row, com personagens como Porgy, um homem humilde e com uma deficiência física, e Bess, em busca de redenção após uma vida de provações. Canções como Summertime, My Man’s Gone Now e I Got Plenty o’ Nuttin emergem como clássicos eternos, capturando a alma da música norte-americana.

O baixo Luiz-Ottavio Faria interpreta Porgy em todas as récitas. No papel de Bess, Latonia Moore canta nos dias 19, 21 e 27, enquanto Marly Montoni assume a personagem nos dias 20, 23, 24 e 26. Nas récitas dos dias 19, 21, 24 e 27, Bongani Kubheka interpreta Crown, Jean William será Sportin’ Life e Bette Garcés assume o papel de Clara. Já nas apresentações dos dias 20, 23 e 26, os papéis são interpretados, respectivamente, por Davi Marcondes (Crown), Carlos Eduardo Santos (Sportin’ Life) e Nubia Eunice (Clara). Michel de Souza (Jake) integra o elenco em todas as datas. Mais informações disponíveis no site.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensado Theatro Municipal)

Novo espetáculo do Teatro Kaus Cia Experimental, “As Três Velhas” aposta no melodrama grotesco

São Paulo, por Kleber Patricio

As Três Velhas. Foto: Cuca Nakasone.

Humor, drama e tragédia se misturam na nova peça do Teatro Kaus Cia Experimental, “As Três Velhas”. A obra explora a linguagem do teatro do absurdo e faz uma temporada gratuita na cidade de São Paulo: entre 14 e 24 de agosto, as sessões acontecem no Teatro Arthur Azevedo; de 4 a 14 de setembro, no Teatro Cacilda Becker; e, entre 25 setembro e 5 de outubro, no Teatro Alfredo Mesquita. O horário das apresentações é sempre de quinta a sábado, às 21h, e, aos domingos, às 19h, já no Teatro Alfredo Mesquita o horário das apresentações é sempre de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h.

Escrito em 2003 pelo escritor franco-chileno Alejandro Jodorowsky, dramaturgo, ator, poeta cineasta e quadrinista, o texto teatral conta a história das gêmeas octogenárias Meliza e Grazia, duas marquesas decadentes que vivem em uma mansão em ruínas e são vigiadas pela centenária criada Garga, a tradução desta versão do texto foi feita para o grupo pelo dramaturgo Aimar Labaki.

Em uma noite incomum, devastadas pela fome e pelo abandono, as três mulheres desenterram segredos chocantes que conduzem a trama por caminhos inesperados. Ao longo da narrativa, temas como hipocrisia social, etarismo, patriarcado e violência vão se fazendo presentes.

Desde 1998, o Teatro Kaus pesquisa o surreal e o absurdo, sempre em textos de língua hispânica. “Gostamos de retratar personagens sedentos pela vida e em franco diálogo com o desespero, o abismo e a morte. Há mais de 15 anos queríamos montar algo do Jodorowsky”, comenta Reginaldo Nascimento, diretor e um dos fundadores do grupo.

“As Três Velhas” é definido pelo dramaturgo como um “melodrama grotesco”. “As duas irmãs foram violentadas pelo pai, enfrentam uma série de agressões e vivem na penúria. Mesmo assim, orgulham-se dos seus títulos, mantêm um lindo vestido de baile e sonham com um príncipe encantado”, acrescenta.

Os últimos trabalhos do grupo exploraram um lado mais filosófico do ser humano e eles queriam investir em outra estética. “Falar do feminino e da velhice eram dois assuntos que nos interessavam muito, ainda mais explorando o grotesco”, conta Amália Pereira, também fundadora do grupo, que está em cena ao lado de Tânia Granussi e Vera Monteiro.

Sobre a encenação

Esta montagem parte da ideia de que tudo apodrece, o corpo, a casa, o mundo, e é nesse apodrecimento que nascem outras formas de beleza e potência. Inspirados pela estética do grotesco, do decadente e do melodrama, criamos um espaço onde as três velhas transitam entre ruínas físicas e psíquicas. A atuação se apoia na estilização dos gestos, na construção de máscaras corporais e vozes deformadas, compondo personagens entre o real, o sublime e o grotesco.

O cenário da ideia de tempo que já se foi, evocando uma casa antiga, é composto por tecidos que possam remeter às paredes envelhecidas da casa. A presença de um quadro central no fundo da cena em que figura a imagem do Conde de Felicia, patrono da família, evoca um passado idealizado ou perdido. Três cadeiras de tamanhos e estilos diferentes, simbolizam a hierarquia entre as velhas, mas também sua instabilidade. Essa encenação é um convite ao desconforto, ao riso nervoso e à contemplação do grotesco como forma de resistência estética e política.

Em relação ao figurino, Telumi Hellen vai por um caminho de peças simples que sobraram de um tempo de realeza. Já o visagismo de Louise Helène tem a proposta de apresentar um grotesco belo. “Não queremos retratar uma velhice caricata, até porque o perfil de uma pessoa de 80 anos mudou muito em relação ao passado”, explica Reginaldo.

Além de músicas clássicas pouco conhecidas, a trilha sonora é formada por sons e grunhidos um tanto assustadores. É para dar uma sensação de que tudo naquele lar tem uma vida própria, como se até as paredes falassem.

Por um novo surrealismo

De acordo com Amália, apresentar esse trabalho é encerrar um ciclo de possibilidades estéticas e poéticas iniciado em 2010, com a montagem de “O Grande Cerimonial”, do espanhol Fernando Arrabal. Em 1962, os dois autores, junto com Roland Topor, fundaram o movimento artístico Pânico, que propunha uma arte performática caótica e surreal que se contrapusesse ao já estabelecido surrealismo.

Usando principalmente os ideais de Artaud e homenageando Pã, o deus grego da natureza selvagem e dos pastores, o coletivo defendia a realização de atos violentos e chocantes cujo propósito era gerar emoções intensas nos espectadores. Para eles, a radicalidade era uma importante força catalisadora de transformações.

A temporada de “As Três Velhas” do Teatro Kaus Cia Experimental foi contemplada na 20ª edição do Prêmio Zé Renato de Teatro.

Sinopse

As gêmeas octogenárias Meliza e Grazia, duas marquesas decadentes, vivem em uma mansão em ruínas. Devastadas pela fome e pelo abandono, são sempre vigiadas pela centenária criada Garga. Entre devaneios lúgubres, lembranças distorcidas e jogos perversos, elas alimentam fantasias de juventude, erotismo e poder. As Três Velhas é um melodrama grotesco que habita o universo simbólico de Alejandro Jodorowsky, em que o horror e o riso se encontram, expondo as feridas do corpo, da velhice e de um mundo cruel, onde todos e todas são transformados em mercadorias, vendendo-se a qualquer preço para garantir o pão de cada dia.

FICHA TÉCNICA

Autor: Alejandro Jodorowsky

Tradução: Aimar Labaki

Direção: Reginaldo Nascimento

Elenco: Amália Pereira, Tânia Granussi e Vera Monteiro

Cenário: Reginaldo Nascimento

Figurinos: Telumi Hellen

Visagismo: Louise Helène

Desenho de luz: Denilson Marques

Sonoplastia: Reginaldo Nascimento

Técnico operador de luz: Giovanni Matarazzo

Técnico operador de som: Giovana Carneiro

Técnico de palco: Leandro Gomes

Interpretação em libras: Sabrina Caires

Direção de produção: Reginaldo Nascimento

Produtora executiva: Amália Pereira

Assistente de produção: Giovana Carneiro

Realização: Teatro Kaus Cia Experimental

Produção: Kaus Produções Artísticas

Fotos: Cuca Nakasone

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes

SERVIÇO:

As Três Velhas

Duração: 70 minutos Classificação: 16 anos

TEATRO ARTHUR AZEVEDO

Data: 14 a 24 de agosto, de quinta a sábado, às 21h, e, aos domingos, às 19h

Endereço: Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca

Ingresso: gratuito | Retirar na bilheteria com 1 hora de antecedência

Telefone: (11) 2604-5558

Acessibilidade: o espaço possui acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Obs: Dias 15 e 22 de agosto haverá interpretação em libras

Teatro Cacilda Becker

Data: 4 a 14 de setembro, de quinta a sábado, às 21h, e, aos domingos, às 19h
Endereço: R. Tito, 295 – Lapa
Ingresso: gratuito | Retirar na bilheteria com 1 hora de antecedência
Telefone: (11) 3864-4513
Acessibilidade: o espaço possui acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Obs: Dias 5 e 12 de setembro haverá interpretação em libras

Teatro Alfredo Mesquita

Data: 25 setembro a 5 de outubro, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h

Endereço: Av. Santos Dumont, 1770 – Santana

Ingresso: gratuito gratuito | Retirar na bilheteria com 1 hora de antecedência

Telefone: (11) 2221-3657

Acessibilidade: o espaço possui acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Obs: Dias 26 de setembro e 3 de outubro haverá interpretação em libras

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Teatro Bradesco apresenta Vanessa da Mata e Orquestra Sinfônica Heliópolis em show inédito

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação/Teatro Bradesco.

O Teatro Bradesco Apresenta estreia uma nova fase com o lançamento do espetáculo Vanessa da Mata & Orquestra Sinfônica Heliópolis, já disponível gratuitamente no canal oficial no YouTube (link). Gravado ao vivo, em São Paulo no dia 14 de julho, o show celebra grandes sucessos da cantora em arranjos orquestrais inéditos, proporcionando uma apresentação emocionante que marca o início deste novo momento do projeto.

No repertório, Vanessa interpreta músicas como “Não Me Deixe Só”, “Segue o Som”, “Boa Sorte” e “Ai, Ai, Ai” acompanhada pela Orquestra Sinfônica Heliópolis sob regência do maestro Edilson Ventureli. A apresentação celebra a fusão entre a música popular e a formação sinfônica em um encontro que reúne diferentes gerações e formações musicais.

A Orquestra Sinfônica Heliópolis é o principal corpo artístico do Instituto Baccarelli, iniciativa voltada à formação musical e transformação social de jovens da comunidade de Heliópolis, na zona sul da capital paulista. Com quase três décadas de atuação, a instituição já revelou diversos músicos que hoje atuam em orquestras profissionais no Brasil e no exterior.

O show de Vanessa da Mata é uma parceria com a GTS (Global Talent Services), empresa de management e live business, exclusivamente para o projeto Teatro Bradesco Apresenta, que busca ampliar o acesso à cultura por meio de registros audiovisuais de alta qualidade. O público pode assistir gratuitamente aos espetáculos, entrevistas e conteúdos especiais por meio do canal oficial do Teatro Bradesco no YouTube (link).

Teatro Bradesco Apresenta

Em uma parceria entre o Teatro Bradesco e a Opus Entretenimento, o projeto já reuniu grandes nomes da música nacional em shows inesquecíveis como Seu Jorge e Alexandre Pires, Jota Quest, Jão, Titãs, Ana Carolina, Diogo Nogueira, além de palestras com Leandro Karnal, Monja Coen e muitos outros. O “Teatro Bradesco Apresenta” é uma iniciativa que conecta artistas e públicos de forma acessível, combinando o formato presencial com a conveniência das transmissões online. Para acompanhar, basta acessar o site oficial (link) e seguir as redes sociais por meio dos perfis @teatrobradesco.

SERVIÇO:

Teatro Bradesco apresenta Vanessa da Mata & Orquestra Sinfônica Heliópolis

Onde assistir: Canal oficial do Teatro Bradesco no YouTube: link.

Gratuito | Livre para todos os públicos

Mais informações: teatrobradesco.

(Com Adolfo Morais/Máquina Cohn & Wolfe)

Estudo alerta para riscos da alimentação de macacos-pregos por visitantes em parque paulista

São Paulo, por Kleber Patricio

Macacos-prego do Parque Estadual de Águas da Prata com alimento obtido de seres humanos. Foto: Natascha Scarabelo.

Um novo estudo analisou os impactos da alimentação dada por humanos em macacos-prego no Parque Estadual de Águas da Prata, em São Paulo (a 225 km da capital paulista). Atualmente, 26 indivíduos compõem um único grupo de macacos-prego no parque. A observação direta permitiu identificar uma média de 7,7 eventos de alimentação antrópica por hora, ou seja, momentos em que os animais recebem alimentos diretamente de visitantes ou consomem alimentos das lixeiras. “Entre os alimentos registrados, estavam salgadinhos industrializados, refrigerantes e até situações de compartilhamento de utensílios, como colheres, entre humanos e macacos. Embora essas situações mais extremas representem apenas 4% dos eventos observados, acendem um alerta sobre a conduta dos visitantes”, conta a autora do estudo Natascha Kelly Alves Scarabelo, bióloga da Unicamp e membro do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Mamíferos (LAMA) da instituição, orientada por Eleonore Setz. O estudo foi publicado nesta quinta (31) na Revista do Instituto Florestal.

A metodologia da pesquisa envolveu o uso do scan sampling (ou varredura), técnica que registra as ações dos indivíduos visíveis em intervalos regulares. As observações foram realizadas em 24 dias de visita ao parque, totalizando 66 horas de contato com os animais. Também foram coletadas amostras de fezes para análise da dieta dos macacos, complementando a caracterização do comportamento alimentar. Para identificar os indivíduos do grupo, a pesquisadora utilizou padrões da pelagem, coloração, faixa etária, comportamento e características físicas únicas, como ausência de cauda.

Os dados do estudo, inédito no local, ajudam a compreender a influência da presença humana no cotidiano desses primatas. “A alimentação antrópica pode causar efeitos semelhantes aos de uma dieta inadequada em humanos: desnutrição, deficiências nutricionais, aumento de triglicérides e sódio no sangue, e comprometimento do sistema imunológico. Mas os efeitos não se limitam à saúde física. O oferecimento constante de comida altera o comportamento dos macacos. Com maior concentração na área urbana do parque, os animais ficam mais expostos a riscos como atropelamentos, choques elétricos, ataques de cães e maior vulnerabilidade ao tráfico de animais. Além disso, tornam-se menos arredios com humanos, o que facilita interações perigosas e agressões”, explica Natascha Scarabelo.

Ainda é possível haver mudanças na hierarquia e nas relações sociais dos macacos. Como o alimento antrópico costuma ser escasso e localizado, há maior chance de conflitos entre indivíduos. Machos dominantes podem agredir membros subordinados que recebem comida primeiro, e os filhotes podem deixar de aprender habilidades básicas de forrageamento ao obter alimento dos humanos.

Outros impactos preocupantes incluem o aumento da população, uma vez que a oferta constante de comida pode reduzir o efeito dos invernos secos na taxa de reprodução dos animais e resultar em uma reprodução exacerbada, bem como e a alterar o padrão de atividade dos animais, que se tornam mais sedentários, ao não precisar buscar alimento de forma natural. Há ainda o risco de que os primatas desenvolvam dependência alimentar dos humanos, o que pode levar à fome e mortalidade, quando esse fornecimento deixar de ocorrer.

Do ponto de vista sanitário, o contato próximo com pessoas representa um risco adicional: a transmissão de doenças. Vírus comuns em humanos, como o herpesvírus, podem ser letais para espécies de primatas como os saguis. A proximidade sem controle, portanto, coloca em risco tanto a saúde animal quanto a conservação da espécie.

Para minimizar esses impactos, a autora defende ações de educação ambiental, especialmente em dias de maior visitação. Sugere ainda a capacitação de funcionários do parque e a instalação estratégica de placas informativas com base nos dados de uso do espaço levantados no estudo. “Educar é essencial para evitar o oferecimento de alimentos e promover condutas adequadas durante as interações com a fauna silvestre”, afirma Scarabelo. O trabalho recebeu apoio financeiro do CNPq.

(Fonte: Agência Bori)

Resgate da memória vira ato de resistência em testemunho sobre a ditadura

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Foto: Divulgação/Editora Unesp.

Como uma mãe enfrenta a máquina repressiva de um Estado autoritário? Em Esquecer? Nunca mais!: a saga de meu filho Marcos Arruda, lançamento em edição revista e ampliada pela Editora Unesp, Lina Penna Sattamini descreve com intensidade dramática o sequestro, prisão e tortura do filho Marcos em maio de 1970, durante o período mais violento da ditadura civil-militar. Mais que um relato íntimo, a obra se transforma em documento histórico fundamental sobre os anos de chumbo no Brasil.

“São cada vez mais numerosos e conhecidos os relatos de tantas vítimas da ditadura militar brasileira, que praticou inúmeras atrocidades ao longo de seus 21 anos (1964-1985). Relatos de ex-presos políticos, como os que escrevi, ou narrativas redigidas por filhos e filhas de quem sofreu, na carne e no espírito, o desaparecimento ou o assassinato de seus entes queridos, como em Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva, levado às telas de cinema, em 2024, pela maestria do diretor Walter Salles”, escreve, no prefácio, Frei Betto. “Raros são, porém, os relatos como o deste livro de Lina Penna Sattamini e de outras mães, sobre seus filhos que padeceram nas mãos da repressão civil-militar. A autora descreve, sobretudo, mediante cartas trocadas entre familiares, o implacável terror de Estado que se abateu sobre seu filho Marcos Arruda.” 

Radicada nos EUA como intérprete do Departamento de Estado, Lina mobilizou redes diplomáticas e sua força materna para resgatar o filho, preso por organizar a resistência operária. O livro reúne correspondências familiares, bilhetes clandestinos de Marcos da prisão e relatos cruéis da tortura, oferecendo um retrato vívido dos métodos de repressão. A narrativa combina dor pessoal com precisão histórica, elevando-se a documento político de primeira grandeza.

Esta edição ampliada chega em momento crucial, quando o Brasil reassume o debate sobre memória e democracia. Com textos inéditos – incluindo prefácio do historiador James N. Green e posfácio de Marcos Arruda, que viveu oito anos no exílio –, a obra transcende o memorial familiar para se tornar farol contra o esquecimento. Nas palavras de Frei Betto, “Lina não nos dá apenas um depoimento, mas um legado de coragem para as novas gerações”. 

Sobre a autora | Lina Penna Sattamini, intérprete brasileira radicada nos EUA nos anos 1960, transformou sua jornada pessoal em ato político ao enfrentar o regime militar para salvar o filho. Seu relato permanece como testemunho indelével da resistência civil.

Sobre os organizadores

James Naylor Green é professor de História Moderna da América Latina e foi diretor da Iniciativa Brasil na Brown University, EUA. Especialista em estudos latino-americanos, Green é brasilianista, tendo vivido no Brasil entre 1976 e 1982, e sua trajetória esteve sempre ligada ao ativismo pelos direitos LGBTQIA+ e na defesa da democracia no Brasil. Pela Editora Unesp, publicou “Além do Carnaval” (2000, com 3ª edição revista e ampliada em 2022) e “Escritos de um viado vermelho” (2024).

Marcos Arruda é geólogo e economista, educador do Instituto Pacs (Políticas Alternativas para o Cone Sul) e protagonista do livro.

Título: Esquecer? Nunca mais!: a saga de meu filho Marcos Arruda

Autora: Lina Penna Sattamini

Organização: James N. Green, Marcos P. S. de Arruda

Número de páginas: 316

Formato: 13,7 x 21 cm

Preço: R$ 84

ISBN: 978-65-5711-274-8.

(Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)