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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Feito com bonecos, espetáculo “O Pescador e a Mulher-Esqueleto” realiza apresentações em instituições para pessoas cegas e escolas públicas

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Peça do Grupo Caleidoscópio trata de bullying, preconceito e padrões de beleza, e utiliza a técnica japonesa de manipulação de bonecos Bunraku em montagem sem palavras. Fotos: Arô Ribeiro.

A dificuldade de aceitar o que é “diferente” é o ponto de partida do novo espetáculo infanto-juvenil do Grupo Caleidoscópio“O Pescador e a Mulher-Esqueleto”, com dramaturgia e direção artística de João Bresser e elenco formado pelos atores-manipuladores Anderson Gangla, Cássia Carvalho, Juliana Fegoci e Liz Mantovani. Após percorrer cidades de todo o estado de São Paulo e fazer temporada em teatros da capital no ano passado, a peça se prepara para se apresentar em instituições para pessoas cegas e escolas, a partir de março.

O espetáculo explora a linguagem do teatro de bonecos a partir da técnica japonesa milenar Bunraku, quando até três atores-manipuladores, com movimentos sincronizados, manuseiam bonecos construídos com articulações baseadas no corpo humano.

Março e abril de 2026

Por meio da 21ª Edição do Prêmio Zé Renato, o espetáculo O Pescador e a Mulher-Esqueleto realiza, entre março e abril de 2026, uma circulação voltada prioritariamente a instituições que atuam com pessoas cegas, além de escolas públicas da cidade de São Paulo, alcançando um público estimado de 6 mil pessoas.

Nas instituições que atendem pessoas cegas, a programação contempla uma apresentação e uma oficina em cada local, reafirmando o compromisso do projeto com a acessibilidade, a inclusão cultural e a ampliação do acesso às artes cênicas. A peça passará pelas seguintes instituições: Associação Tocando em Frente (31/03), Fundação Dorina Nowill para Cegos (8/04), ADEVA – Associação Deficientes Visuais Amigos (9/04), Instituição Cadevi (16/04).

Na sequência, o espetáculo circula por 7 escolas públicas, onde serão realizadas quatro apresentações em cada unidade, duas destinadas às turmas do período da manhã e duas às turmas da tarde, além de duas oficinas, sendo uma voltada aos professores da manhã e outra aos professores da tarde.

Sobre a encenação

O Pescador e a Mulher-Esqueleto é baseado no conto milenar homônimo do povo Inuit, uma nação indígena esquimó que habita as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia. A história está presente no livro Mulheres que correm com os lobos: Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, da psicóloga Junguiana norte-americana Clarissa Pinkola Estés.

Na trama, um pescador pesca acidentalmente do fundo do mar uma mulher-esqueleto e, após terem dificuldade para se aceitar, a dupla acaba enredada em uma história de amor. “No conto original, a mulher-esqueleto adquire carne e, em uma metáfora, arranca o coração do pescador, mas não era esse o ponto que me interessava. Eu tive a intuição de mantê-la como esqueleto, para justamente unir dois seres completamente diferentes e fomentar uma discussão sobre preconceito, bullying e aceitação. Assim, o amor, que é o pilar da peça, transformará os dois personagens, mas somente em seus corações, e não em suas aparências”, comenta João Bresser.

O cenário fica em cima de uma bancada de três metros de comprimento e reproduz uma casa com todos os móveis e utensílios de um pescador simples. Os espectadores veem uma cozinha com um forno à lenha, pia, mesa de madeira com duas cadeiras e alguns objetos. No quarto, há uma cama antiga de madeira, com um travesseiro e uma coberta. Ao lado da residência fica um quintal com plantas, uma árvore e um lago.

A vibrante trilha sonora de Ivan Garro contribui para a imersão da plateiaA peça também incorpora a linguagem audiovisual para garantir que o público acompanhe a história nos mínimos detalhes.

Todas as cenas no interior da casa são projetadas no varal localizado no quintal do pescador. Já as cenas no lago e no quintal são vistas sem a necessidade desse recurso. Dessa forma, os dramas dos personagens ganham mais profundidade. “Nós criamos uma sincronia tão perfeita entre os atores-manipuladores, as luzes e as cenas gravadas que o público sempre fica em dúvida se as projeções são ao vivo. Acho isso bastante enriquecedor”, fala Bresser.

Criados por Anderson Gangla e Thais Larizzatti, os dois bonecos em cena medem entre 50 e 60 centímetros e, para o Grupo Caleidoscópio, é um grande desafio dar movimentos realistas a eles. “Precisamos pensar muito bem em como o nosso corpo se comporta quando fazemos ações simples, como o levantar de uma cama. Ao utilizarmos a técnica Bunrako, temos que tornar os movimentos verossímeis, como se fosse mesmo um ser humano. Inclusive, os atores-manipuladores vestem-se de preto para não terem nenhum destaque no espetáculo”, comenta o encenador.

Sobre o Grupo Caleidoscópio

O grupo paulistano dedica-se à pesquisa do Teatro de Animação desde 2003, quando começou o processo de sua primeira criação. O espetáculo O Fantástico Laboratório do Professor Percival estreou em 2004 e utiliza a técnica do Teatro de Objetos. Num segundo momento, inicia-se uma nova pesquisa, tendo como inspiração e ponto de partida a vida do curioso bicho-da-seda. Utilizando a técnica do Teatro de Bonecos com música ao vivo, nasce em 2006, o espetáculo A vida mudada de um bicho mutante.

Já em 2011, estreia o terceiro espetáculo, Andersen sem Palavras, inspirado em cinco contos de Hans Christian Andersen, que são representados através do Teatro de Sombras, sem palavras, tal um cinema mudo, onde imagens, figuras, silhuetas, luzes, sombras e músicas se unem para entreter e emocionar a plateia. O Do Jeito Certo – Um ato sobre o amor, aborda de uma maneira irreverente o machismo nas relações amorosas, utilizando a técnica do Teatro de Objetos. A montagem foi selecionada no Edital ProAC Expresso Lab 36/2020 – Produção de Teatro, com temporada online em abril de 2021 e é a primeira montagem do grupo para o público adulto. A mais recente produção do grupo é “O Pescador e a Mulher-Esqueleto”, contemplado em 2021 pelo Edital 38ª Edição do Fomento ao Teatro de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e Direção Artística: João Bresser

Elenco: Anderson Gangla, Cássia Carvalho, Juliana Fegoci e Liz Mantovani

Cenário e Adereços: Lourenço Amaral e Valter Valverde

Confecção dos Bonecos: Anderson Gangla e Thais Larizzatti

Trilha Sonora: Ivan Garro

iluminação: Thatiana Moraes

Imagens: Capote Filmes

Assistente de Iluminação: Danilo Mora e Marcelo Pessoa

Operação de som e imagens: Gylez Batista e Dante Dantas

Fotografia: Arô Ribeiro

Figurino: Rogério Romualdo

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

Programação Visual: Walmick de Holanda

Projeto Audiodescrição: Gangorra

Oficina de Teatro de Bonecos: Grupo Caleidoscópio

Produção Executiva: Lucas Gonçalves

Coordenação do Projeto: Grupo Caleidoscópio.

Instagram: @opescadoreamulheresqueleto.

SERVIÇO:

O Pescador e a Mulher-Esqueleto

Duração: 50 minutos

Classificação: livre (recomendado a partir de 7 anos)

Acessibilidade: haverá audiodescrição e intérpretes de Libras em todas as apresentações para pessoas cegas ou com deficiência visual. A reserva de equipamento é feita pelo telefone 11 99737-8785.

APRESENTAÇÕES EM INSTITUIÇÕES PARA PESSOAS CEGAS

*Todas as apresentações nas instituições contarão com o recurso de audiodescrição.

Associação Tocando em Frente

R. Miguel Ferreira de Melo – Jardim Santo André – São Paulo – SP (Zona Sudeste)

Dia: 31/03/2026 (terça-feira)

Horário do espetáculo: 15h00

Oficina de Teatro de Bonecos: 13h00

Fundação Dorina Nowill

Rua Doutor Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – São Paulo/SP (Zona Sul)

Dia: 08/04/2026 (quarta-feira)

Horário do espetáculo: 16h00

Oficina de Teatro de Bonecos: 14h00

ADEVA – Associação Deficientes Visuais Amigos

R. São Samuel, 174 – Vila Mariana – São Paulo – SP, 04120-030 ou entrada pela R. Dr. Tirso Martins, 211 A – Vila Mariana – São Paulo – SP, 04120-050 (Zona Sul)

Dia: 09/04/2026 (quinta-feira)

Horário do espetáculo: 13h30

Oficina de Teatro de Bonecos: 10h30

Instituição Cadevi

R. dos Heliotrópios, 338 – Mirandópolis – São Paulo – SP (Zona Sul)

Dia: 16/04/2026 (quinta-feira)

Horário do espetáculo: 15h00

Oficina de Teatro de Bonecos: 13h00

APRESENTAÇÕES EM ESCOLAS

EMEF Solano Trindade

R. Gabriel de Carvalho, 60 – Jardim Boa Vista – São Paulo – SP (Zona Oeste)

Dia: 03/03/2026 (terça-feira) e 04/03/2026 (quarta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h00 e 14h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 12h00 e 16h30

EMEF Pedro Américo

R. Vicente Jorge, 80 – Jardim Marina – São Paulo – SP (Zona Norte)

Dias: 11/03/2026 (quarta-feira) e 12/03/2026 (quinta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 12h15 e 19h00 (no dia 11/03/2026)

E.E. Conselheiro Antônio Prado

R. Vitorino Carmilo, 621 – Barra Funda – São Paulo – SP (Zona Oeste)

Dias: 17/03/2026 (terça-feira) e 18/03/2026 (quarta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 10h00 e 12h00 (no dia 18/03/2026)

EMEF Frederico Gustavo dos Santos

Av. General Penha Brasil, 139 – Vila Angélica – São Paulo – SP (Zona Norte)

Dias: 24/03/2026 (terça-feira) e 25/03/2026 (quarta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 10h00 e 18h30 (no dia 25/03/2026)

E.E. Professor João Evangelista Costa

Av. Cupecê, 2672 – Jardim Prudência – São Paulo – SP (Zona Sul)

Dias: 01/04/2026 (quarta-feira) e 02/04/2026 (quinta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h30 e 15h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 08h40 e 13h00 (no dia 01/04/2026)

E.E. Santos Dumont

Praça Oito de Setembro, 73 – Penha de França – São Paulo – SP (Zona Leste)

Dias: 23/04/2026 (quinta-feira) e 24/04/2026 (sexta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 08h00 e 12h00 (no dia 23/04/2026)

E.E. Professora Florinda Cardoso

Rua Itaúna, 748 – Vila Maria – São Paulo – SP – 02111-031 (Zona Norte)

Dias: 28/04/2026 (terça-feira) e 29/04/2026 (quarta-feira)

Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00

Oficinas de Teatro de Bonecos: 12h30 e 18h30 (no dia 28/04/2026).

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

MASP apresenta exposição sobre coletivo de artistas do povo Wichí

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Claudia Alarcón & Silät, Kyelhkyup — El otoño, 2023. Acervo MASP.

De 6 de março a 2 de agosto de 2026, o MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.

As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.

Claudia Alarcón, Otikyunhayaj n’äyij — Los saltos de mi recordar, 2025. Coleção [collection] Paola Creixell, Houston.

Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.

A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados. “Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.

Claudia Alarcón & Silät, Honatsi — La noche, 2023. Coleção Paola Creixell, Houston.

Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.

Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.

Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.

Claudia Alarcón & Silät, Oyhil ta iwo lhipa — Nuestros tejidos unidos [Nossos tecidos unidos], 2025. Drat Collection, Singapura.

Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.

SOBRE AS ARTISTAS

Claudia Alarcón, Kates tsinhay — Mujeres estrellas, 2023.

A partir de oficinas voltadas para repensar as bolsas yicas, em 2023, as mulheres wichís se articularam formando o coletivo Silät, nome que significa “mensagem” em wichí lhämtes. Composto por mais de cem mulheres das comunidades de La Puntana e Alto de la Sierra, o grupo faz dos têxteis uma ferramenta artística de afirmação política e de protagonismo feminino, articulando saberes ancestrais e debates atuais sobre território, identidade e autonomia. Nascida em 1989 em La Puntana, na província de Salta, no norte da Argentina, Claudia Alarcón se destaca ao liderar as tecedeiras e recuperar o “ponto antigo”, uma trama complexa de fios de chaguar que estava em desuso. As obras de Claudia Alarcón & Silät participaram da Bienal de Veneza de 2024.

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e curadoria de Adriano Pedrosa e Laura Cosendey e conta com ensaios de Cosendey, além das autoras convidadas Andrei Fernández, Lynne Cooke, Natalia Brizuela e Sofia Gotti, e uma entrevista inédita com Alarcón.

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo, que incluem postais, ímãs e marca-páginas.

REALIZAÇÃO

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tem apoio da Renner.

SERVIÇO:

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP

6/3 — 2/8/2026

Edifício Pietro Maria Bardi, 3º andar

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada).

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)

Álbum “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, da Banda Cucamonga, une brasilidade e jazz

São Paulo, por Kleber Patricio

Quinteto apresenta fusão inédita de gêneros musicais revitalizando as possibilidades sonoras que refletem a diversidade cultural do Brasil. Fotos: José de Holanda.

Uma produção que traduz em música a mistura vibrante entre o jazz tradicional de New Orleans e a brasilidade rítmica e festiva. Assim é “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, primeiro álbum da Banda Cucamonga, de São Paulo, disponível em todas plataformas de streaming pelo link.

Formada há 13 anos por Mesaac Brito (trompete), Marcos Lúcio (clarinete), Fernando Thomé (banjo), José Renato (tuba/ souzafone), Ricardo Reis (washboard), a Banda Cucamonga tem a missão de levar ao público música e alegria com improviso e muita criatividade. E a proposta pode ser conferida no álbum “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, composto por faixas autorais e inéditas e dois bônus, gravado em 2025 no Estúdio Arsis, com produção musical e direção artística da própria banda, em um processo 100% intuitivo e colaborativo; ou seja, onde cada faixa soa como se estivesse sendo tocada ao vivo, de forma orgânica, no meio da rua, em algum ponto imaginário.

O processo criativo da Banda Cucamonga fundamenta-se na articulação entre os pressupostos estético-musicais do jazz tradicional — em especial o Dixieland — e matrizes rítmicas e expressivas da música brasileira. “Isso ocorre por meio da improvisação coletiva, entendida não apenas como recurso performativo, mas como método composicional estruturante. Nesse contexto, a improvisação assume papel central na geração, desenvolvimento e organização do material musical, operando como dispositivo de interação, escuta ativa e construção colaborativa”, detalha o trompetista Mesaac Brito.

A incorporação de elementos da música brasileira, como samba, choro, baião, maracatu e marchinhas, ocorre de maneira transversal, influenciando aspectos como acentuação rítmica, condução do pulso, articulação fraseológica e organização formal. “O caráter aberto dos arranjos e a centralidade da improvisação conferem às obras da Banda Cucamonga um elevado grau de variabilidade interpretativa. Cada performance atualiza o material composicional, estabelecendo uma relação direta com o espaço, o contexto sociocultural e a interação com o público, reafirmando a música como prática processual, situada e em constante transformação”, afirma Brito.

Para celebrar o lançamento do álbum, a Banda Cucamonga promoveu a partir de setembro de 2025, uma turnê por São Paulo, com apresentações gratuitas na capital, litoral e interior como Guarulhos, Atibaia, Barueri, Diadema, Taboão da Serra, Boituva, Sorocaba, Santo André, Praia Grande, São Paulo. Ao vivo, o público presenciou o espírito do álbum no palco, com figurinos irreverentes, interações e performances de alta energia, fazendo dos shows uma extensão viva do disco.

A gravação do álbum e os shows das turnês foram viabilizados por editais do Programa de Ação Cultural (ProAC) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Conheça a Banda Cucamonga:

Instagram: @bandacucamonga

Youtube: https://www.youtube.com/@bandacucamongaoficial

Faixas do álbum:

Corjass

Corda Bamba

Brues com R 

Oito, 4 ou meia 

Dona Siriema 

Melgreen

Chegança  

Gui 

Mr. Guga  

Tupiniquim 

Faixas Bônus:

Circus 

St. Inês. 

FICHA TÉCNICA 

Álbum: Banda Cucamonga – Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim

Ano de gravação: 2025

Produção viabilizada pelo: PROAC – PNAB

Local de gravação: Estúdio Arsis

Gravação, Mixagem e Masterização: Adonias (Estúdio Arsis)

Produção Musical, Composição e Arranjos e Direção Artística: Banda Cucamonga

Coordenação de Produção: João Gomes de Sá e Banda Cucamonga

Design Gráfico/Capa: Raro de Oliveira

Fotografia: José de Holanda.

Banda Cucamonga

Trompete – Mesaac Brito

Clarinete – Marcos Lúcio

Banjo – Fernando Thomé

Tuba/ Souzafone – José Renato

Washboard: Ricardo Reis

Letras – João Gomes de Sá

Coro de vozes – Banda Cucamonga.

(Com Ellen Fernandes/EBF Comunicação)

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Márcio Moura (à esquerda) e Alvaro Assad. Foto: Tercianne Melo

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio Gill, com sessões aos sábados e domingos, às 16h. A temporada vai até 29 de março.

Em “Dom Quixote”, a Etc e Tal reinventa o clássico de Cervantes por meio do teatro físico, da narrativa gestual e da pantomima. Objetos cotidianos ganham novos significados, personagens surgem de transformações inesperadas e a imaginação assume o comando da cena. Acompanhamos Dom Quixote (Alvaro Assad) e Sancho Pança (Márcio Moura) em uma jornada cômica, poética e surreal, onde a linha entre realidade e fantasia se dissolve a cada gesto. Um espetáculo que celebra o poder do sonho, do riso e da invenção, com a linguagem inconfundível que consagrou a Etc e Tal no Brasil e no exterior.

Reconhecida nacional e internacionalmente por sua pesquisa continuada em teatro físico e pantomima, a Etc e Tal consolida-se, com esta montagem, como uma das maiores referências da mímica no Brasil, reafirmando uma trajetória de mais de três décadas dedicadas à excelência artística, à invenção cênica e à comunicação direta com o público.

Dirigido por Alvaro Assad, nome central na consolidação da mímica contemporânea brasileira, Dom Quixote propõe uma leitura ousada, cômica e profundamente poética do cavaleiro errante que atravessa séculos como símbolo da imaginação e da resistência ao pragmatismo do mundo. Aqui, palavras dão lugar a gestos precisos, ritmos rigorosos e imagens que se constroem diante dos olhos do espectador – leia-se crianças e adultos.

Objetos cotidianos — um funil, um bule, um espanador, uma tampa de lixo — são constantemente ressignificados, transformando-se em escudos, monstros, barcos, lunetas ou delírios da mente quixotesca. Nada é o que parece. Tudo pode se transformar.

Em cena, Alvaro Assad e Marcio Moura impressionam pela fluidez com que transitam entre personagens e estados, dando vida a Dom Quixote, Sancho Pança, Cavaleiro da Lua, Dulcinéia e uma galeria de figuras imaginárias em uma atuação que combina virtuosismo técnico, humor refinado e lirismo. A comicidade nasce do corpo em ação, do detalhe do gesto e da inteligência do jogo cênico, marca registrada da companhia.

O espetáculo conta ainda com visagismo e adereços de Cleber de Oliveira, figurinos de Fernanda Sabino, trilha sonora original de Rodrigo Lima e iluminação de Aurélio Oliosi, elementos que ampliam o impacto visual e emocional da montagem. Os desenhos de Flávio Souza permeiam a obra como imagens poéticas, ampliando o imaginário e criando pontes entre o universo gráfico, o delírio literário e a cena teatral. A presença da intérprete de Libras Diana Dantas integrada à cena reforça o compromisso da Etc e Tal com a acessibilidade e com a ampliação dos sentidos do teatro.

Mais do que uma adaptação literária, Dom Quixote é uma declaração de princípios: um espetáculo que afirma o poder do corpo como linguagem universal, do riso como ferramenta crítica e da imaginação como força transformadora. Uma experiência cênica potente, atual e necessária — assinada por uma companhia que ajudou a escrever a história da mímica e do teatro físico no Brasil.

Dom Quixote foi contemplado para montagem e estreia com o Prêmio Fluxos Fluminenses – Patrocínio de Montagem, reconhecimento que atesta a relevância artística e cultural do projeto, que é apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.

Toda a programação de 2026 integra o projeto Etc e Tal 30+, que faz parte da programação anual da companhia e compõe a rede de ações artísticas brasileiras fomentada pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, executado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo do Brasil. O projeto consolida mais de três décadas de pesquisa continuada, criação artística e permanência no cenário teatral brasileiro.

Ficha Técnica

Texto Original: Miguel de Cervantes

Atuação e Adaptação sem palavras: Alvaro Assad e Marcio Moura

Direção e Preparação Mímica: Alvaro Assad

Produção: Centro Teatral e Etc e Tal

Figurinos: Fernanda Sabino

Visagismo (maquiagem, cabelos e próteses): Cleber de Oliveira

Música Original: Rodrigo Lima

Desenho de Luz: Aurélio Oliosi

Desenho de Arte: Flávio Souza

Adereços: Cleber de Oliveira

Assistente de Adereços e Visagismo: Lucas Raibolt

Torre de Livros: Marco Monte

Montagem e Contra Regragem: Levi Leonardo

Produção Executiva: Lu Altman

Fotografias: Tercianne Melo

Libras: Diana Dantas

Audiodescrição: Gilson Moreira

Programação Visual: Hannah23

Comunicação: Alexandre Aquino e Cláudia Tisato

Apoio Cultural: Colormake

Projeto agraciado com Prêmio Fluxos Fluminenses do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Ações Continuadas da Funarte

Sobre a Companhia Etc e Tal -Instagram: @cia_etcetal

Com mais de 30 anos de trajetória contínua, a companhia carioca Etc e Tal consolidou-se como uma das principais referências brasileiras em teatro físico, comicidade gestual e criação sem palavras, desenvolvendo uma linguagem própria baseada no corpo do ator, na precisão do gesto e na imaginação como motor da cena. Fundada e com a gestão de Alvaro Assad e Marcio Moura, a companhia construiu um percurso artístico marcado pela pesquisa permanente, pela experimentação estética e pelo diálogo direto com públicos diversos, no Brasil e no exterior.

Ao longo de sua trajetória, a Etc e Tal criou um repertório expressivo e premiado, com espetáculos que circulam entre o universo adulto, familiar e infantojuvenil, sempre mantendo rigor artístico e forte comunicação visual. Entre suas montagens, destacam-se João, o Alfaiate, Victor James – o menino que virou robô de videogame, Esperando Beltrano, No Buraco e O Maior Menor Espetáculo da Terra, obras reconhecidas pela inventividade cênica, pela comicidade refinada e pela capacidade de abordar temas complexos de forma acessível e poética.

A companhia acumula importantes prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, como o Prêmio PRIO do Humor, Prêmio Zilka Salaberry, Prêmio CBTIJ, Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem e o Newcomershow Leipzig, na Alemanha, além de participações em festivais, mostras e circuitos culturais no Brasil e no exterior. Seus trabalhos são frequentemente contemplados por editais públicos de fomento, reafirmando a relevância cultural e a consistência de sua produção artística ao longo das décadas.

Ao longo de mais de três décadas, a Etc e Tal mantém-se fiel a um princípio essencial: criar um teatro onde o corpo fala, o riso provoca reflexão e a imaginação transforma o mundo.

SERVIÇO:

Dom Quixote

Com a Cia Etc e Tal – espetáculo Inédito e sem palavras para o público infantil

Estreia: 7 de março

Temporada: 7 a 29 de março | sábados e domingos às 16h

Faixa etária: a partir de 5 anos de idade

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/nº – Copacabana, Rio de Janeiro, RJ)

Ingressos: R$30 inteira e R$15 meia – Na bilheteria e pelo link https://funarj.eleventickets.com.

(Com Alexandre Aquino Assessoria de Imprensa)

[Jacinta”]: espetáculo revisita caso de mulher negra exposta por 30 anos no Largo São Francisco

São Paulo, por Kleber Patricio

Espetáculo da Cia do Pássaro resgata e honra a história de Jacinta Maria de Santana, tensionando memória, racismo científico e apagamento histórico. Fotos: Bob Sousa.

No começo do século 20, uma mulher negra morre nas ruas da capital paulista e não é sepultada. Seu corpo embalsamado fica exposto como curiosidade científica durante trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Para honrar a sua memória, a Cia do Pássaro volta em cartaz com o espetáculo “Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez”, que faz uma curta temporada gratuita na sede do grupo (R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP), entre os dias 7 e 29 de março de 2026, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/3 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/3 (domingo) às 15h.

Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo utilizado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na cidade de São Paulo. Em cena, a atriz Gislaine Nascimento e o ator Alessandro Marba são acompanhados pela musicista Camila Silva, que conduz a trilha sonora no cavaquinho, remetendo ao universo do samba.

O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

“Jacinta não foi fotografada em vida. As pessoas que compunham seu círculo social nunca foram identificadas. Seus gostos, pensamentos, crenças e dizeres permanecem incógnitos, assim como seu endereço — se é que tinha um. Todos os atributos que lhe conferiam humanidade foram descartados em prol de uma transformação iniciada naquela mesma segunda-feira.” Ponte Jornalismo na matériaComo a principal faculdade de direito do país violou o corpo de uma mulher negra por 30 anos”.

Sobre Jacinta 

Jacinta Maria de Santana, mesmo se tornando vítima das mais diversas violações após a morte, permanecia praticamente anônima até 2021, quando a historiadora e pesquisadora Suzane Jardim leu sobre o caso em um jornal de 1929. O autor da ideia e execução do embalsamamento foi o professor Amâncio de Carvalho, da área de medicina legal da USP. Diferente de Jacinta, que permaneceu desconhecida por décadas, ele virou nome de rua da Vila Mariana, o segundo bairro mais branco da capital paulista, de acordo com dados do Censo Demográfico do IBGE.

Jacinta era uma mulher pobre e sem ocupação fixa que costumava andar pelas ruas do centro de SP. Um dia, sentiu-se mal e caiu na rua Dutra Rodrigues, a 700 metros da Estação da Luz. Quando sua presença foi comunicada às autoridades, Marcondes Machado, médico legista da Polícia Civil, e Pinheiro Prado, delegado da 1ª Circunscrição, compareceram ao local e deram os encaminhamentos para enviá-la à Santa Casa de Misericórdia. Ela não resistiu e morreu no trajeto.

O cadáver foi deixado aos cuidados de Amâncio, que, de acordo com as informações levantadas por Suzane Jardim, queria aperfeiçoar suas habilidades com embalsamento. Ele já havia deixado o corpo mumificado de uma criança exposto por trinta dias no necrotério da polícia. Foi assim que Jacinta permaneceu exposta na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por tanto tempo. Ela só teve direito a um enterro após a morte do médico.

Sobre a montagem 

“O espetáculo ‘Jacinta’ é a segunda parte da nossa ‘Trilogia do Resgate’, dedicada a combater o apagamento da população negra da história brasileira. O primeiro deles foi ‘Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário’, sobre o ex-escravizado Mahommah Gardo Baquaqua, que passou pelo Brasil no século 19”, conta Abranches.

O grupo busca devolver a humanidade às pessoas retratadas, contribuindo para romper estereótipos. Como descreve o projeto contemplado pelo ProAC/PNAB 38/2024 – Manutenção e Modernização de Espaços Culturais, “Jacinta sofreu um processo de despersonalização que a transformou em um objeto de estudo com o qual a ciência corroborou atrocidades impingidas às mulheres pretas, legando-as a papéis de subserviência, exotismo ou exclusão social.”

O espetáculo realizou sua estreia em setembro de 2023 e circulou por diversas unidades dos CEUs da cidade de São Paulo. Na sequência, foi contemplado pelo Projeto PULSAR do Sesc RJ, realizando temporada no Sesc Copacabana. No interior do Estado de São Paulo, apresentou-se em Santo André, Araraquara, Franca, Tatuí, Cubatão, Piracicaba e no Sesc Registro.

Teatro para os mais diversos públicos

Com o objetivo de tornar seu trabalho acessível ao maior número de pessoas, a Cia do Pássaro explora a linguagem do teatro popular. Há momentos de alívio cômico em “Jacinta”, sem perder de vista a seriedade do tema.

A narrativa foi construída de forma poética. Enquanto a atriz Gislaine Nascimento conta a história de Jacinta, é observada pela figura de Exu Tatá Caveira (Alessandro Marba), que manipula o tempo e o espaço e propicia o encontro da atriz com a personagem.

A peça estabelece relações com outras situações representativas da sociedade brasileira, como o surgimento da corrente eugênica no século 20 e o fato de que muitos alunos e ex-alunos da Faculdade São Francisco apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Para a construção dramatúrgica, foram utilizadas como referências os livros “O Pacto da Branquitude”, de Cida Bento (2022); “Performances do tempo espiralar: Poéticas do corpo-tela”, de Leda Maria Martins (2021) e “Tornar-se negro”, de Neusa Santos Souza (1983); além de estudos de Sueli Carneiro e Rosane Borges.

O cenário evoca os tempos e espaços da Universidade, da Calunga e do próprio teatro onde Jacinta pode renascer. Para Dawton Abranches, a ideia da calunga está ligada ao que acreditam os povos bantos, evocando também um sentimento semelhante à saudade.

Sinopse | A peça é baseada no caso real de Jacinta Maria de Santana, mulher negra brasileira que, após sua morte, teve o corpo embalsamado e exposto como curiosidade científica, sendo usado em trotes estudantis por quase trinta anos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na cidade de São Paulo. O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que pretende resgatar do apagamento personalidades pretas históricas com trajetórias emblemáticas no Brasil.

Mais informações podem ser encontradas na página do Instagram da companhia: @cia_do_passaro.

Ficha técnica

Idealização: Cia do Pássaro – Voo e Teatro

Realização: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia

Criativa e Proac – Fomento CultSP – PNAB 38/2024.

Produção: Plataforma – Estúdio de Produção Cultural

Texto e Direção: Dawton Abranches

Elenco: Gislaine Nascimento e Alessandro Marba

Musicista: Camila Silva

Interpretação e Tradução em Libras: Sina – Acessibilidade e Produção

Direção de Movimento: Verônica Santos

Direção Musical: Alexandre Guilherme

Concepção de Iluminação: Alice Nascimento

Concepção de Cenário: Pedro de Alcântara e Dawton Abranches

Concepção de Figurinos: Pedro de Alcântara e Érika Bordin

Operação de Luz: Rebeka Teixeira

Costureira: Érika Bordin

Cenotécnico: Wesley Lopes

Percussionista Convidado Gravação: Julio Cesar

Direção de Produção: Fernando Gimenes e Plataforma – Estúdio de Produção Cultural

Produção Executiva: Alessandro Marba

Produção Financeira: Thalles Terencio e Alessandro Marba

Assistente de Produção e Contrarregra: Irlley de Mello

Fotos: Bob Sousa

Identidade Visual e Designer Gráfico: Murilo Thaveira

Redes Sociais: Jorge Ferreira

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques e Daniele Valério.

Serviço:
Jacinta – Você só morre quando dizem seu nome pela última vez
Duração:
 90min | Classificação: 14 anos | Acessibilidade: Libras em todas as sessões | O espaço também é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Temporada: 7 a 29 de março de 2026, com sessões de sábados, às 20h e domingos, às 19h. Não haverá sessão no dia 21/3 (sábado). Haverá sessão extra no dia 29/3 (domingo) às 15h.

Local: Espaço Cia do Pássaro – Voo e Teatro
Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP
Ingresso: Gratuito – Retirar ingressos com 1 hora de antecedência – Lugares Limitados
Telefone: (11) 94151-3055.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)