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CCBB SP apresenta exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Com curadoria de Betânia Pinheiro, exposição reúne 15 obras que refletem sobre corpo, memória e os saberes transmitidos entre gerações. Obra: Bibelô.

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, primeira mostra individual da artista maranhense na instituição. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição reúne 15 trabalhos produzidos em diferentes momentos da trajetória de Marlene Barros, entre esculturas, bordados, crochês, instalações e objetos, que transformam técnicas tradicionalmente associadas ao ambiente doméstico em linguagem artística para discutir questões relacionadas ao corpo feminino, à memória, ao cuidado e às estruturas históricas que invisibilizaram a produção das mulheres.

Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros construiu uma pesquisa artística que tem o universo feminino como eixo central de sua produção. Em suas obras, linha, tecido, bordado e crochê deixam de ocupar o lugar do fazer utilitário para se afirmarem como instrumentos de elaboração estética, crítica e política.

Obra: Saco de pancadas.

Inspirada em uma pesquisa iniciada durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal, a artista parte da ideia da costura como gesto de reparação simbólica. O projeto nasceu a partir da proposta de intervir em uma casa em ruínas localizada no campus da universidade, experiência que levou Marlene a estabelecer relações entre arquitetura, memória e corpo.

Na exposição, costurar torna-se um gesto de reconstrução, enquanto o entrelaçamento das linhas remete às relações familiares, aos afetos, às heranças culturais e às marcas deixadas pelo tempo. Ao mesmo tempo, a mostra evidencia como atividades historicamente desempenhadas por mulheres foram sistematicamente desvalorizadas e afastadas do reconhecimento institucional no campo das artes.

“Essa exposição nasceu de uma pesquisa muito íntima sobre a condição da mulher, os saberes transmitidos entre gerações, o trabalho invisibilizado, os afetos, as cicatrizes e as resistências que atravessam nossas vidas. Ver esse trabalho ganhar novos sentidos a partir do olhar de cada visitante foi um dos maiores presentes que eu poderia receber. Esse é, para mim, o verdadeiro sentido da arte”, comenta Marlene Barros.

Reunindo obras produzidas em diferentes períodos da trajetória da artista, Marlene Barros: tecitura do feminino apresenta um percurso que atravessa temas como maternidade, identidade, sexualidade, violência, pertencimento e memória. Sem seguir uma ordem cronológica, a mostra propõe um percurso livre, aproximando trabalhos que dialogam entre si por meio da materialidade dos tecidos, dos bordados e das esculturas.

Obra: Útero 1.

Entre os destaques está “Eu tenho a tua cara”, instalação composta por 49 rostos femininos que tensiona as relações entre identidade, alteridade e construção social do indivíduo. Em “Caixa Preta”, fotografias, colagens, intervenções têxteis e escritos formam um autorretrato expandido, atravessado por memórias pessoais e afetivas.

Já “Coso porque está roto” utiliza um casaco bordado para estabelecer relações entre corpo, cura e reparação simbólica, enquanto “Entre nós” propõe uma imersão em peças confeccionadas em crochê que revisitam práticas tradicionalmente atribuídas às mulheres. Em “Quem pariu, que embale”, Marlene Barros questiona a naturalização do cuidado como responsabilidade exclusivamente feminina.

Durante o período expositivo, a programação educativa reúne atividades voltadas a públicos de diferentes idades, como visitas mediadas, oficinas, palestras e experiências de criação coletiva relacionadas aos processos de bordado, costura e crochê. As ações ampliam o diálogo com a exposição e convidam o público a experimentar essas técnicas como formas de expressão, elaboração da memória e compartilhamento de experiências.

“Iniciamos essa conversa em São Luís, ampliamos esse percurso em Belo Horizonte e agora esperamos que o público de São Paulo entre nessa ciranda para dar continuidade a esse diálogo. É uma conversa que não se encerra nas obras, mas se amplia nas experiências compartilhadas entre muitas pessoas. Espero que sigamos refletindo sobre o feminino como uma construção histórica, social e cultural, honrando as ancestrais que abriram os caminhos para que hoje possamos compartilhar experiências, memórias e narrativas de mulheres”, comenta a curadora Betânia Pinheiro.

Obra: Grávidas.

Para Gabriela Azevedo, gerente geral do CCBB São Paulo, “receber esta exposição, que transforma práticas têxteis em expressões poéticas e políticas, é reafirmar a diversidade das expressões femininas na arte brasileira. São esculturas, instalações, objetos que representam práticas e memórias historicamente marginalizadas e realizá-la no CCBB é fortalecer o compromisso com a escuta, a reflexão e ampliação de perspectivas sobre o feminino na contemporaneidade”.

Sobre as ações educativas

Para a exposição Tecitura do Feminino, o programa CCBB Educativo – Arte e Cultura preparou uma série de atividades gratuitas, para toda a família. O público poderá interagir com o Sensorial Estúdio “Tornar-se Pele”, criado como um símbolo de uma travessia por todas as peles que nos vestiram. A programação traz ainda duas ações cênico-musicais. Em Som em Cena: “Tear-te” o trabalho manual se transforma em ritmo, entendendo o gesto repetitivo como composição. Já no InsPIRAção: “COMfiar”, a equipe educativa enreda significados das obras com os visitantes passantes usando fios, nós e tramas.

Aos sábados e domingos, o projeto Tardes Brincantes traz atividades livres e com hora marcada para que, fio a fio, visitante a visitante, sejam tecidas as experiências. O público poderá participar da oficina Primeiro Brincar: “trAvessos”, que convida os pequenos a descobrir o avesso do corpo e adentrar nesses órgãos. Já na Oficininha: “Eu tenho sua máscara”, as crianças são convidadas a criar uma nova face para Cazumbá, personagem do Bumba Meu Boi da Baixada Maranhense.

Outra opção é a FaBrincando: “Tramas em Retalhos”, em que as crianças experimentam o bordado em diferentes suportes, como papel, pedra e madeira. Para os fãs de histórias e leituras, a contação Conto um Conto “De Ponto em Ponto’” traz uma seleção da tradição oral, enquanto o projeto “Que Livro é Esse?” terá como opções as obras Meninas podem ser tudo, Meninos podem ser tudo, O quintal das irmãs, A menina que bordava bilhetes, A tecelã dos sonhos e Este não é um livro de princesas.

Durante o período da exposição é possível conferir ainda a Oficina Integrada: Linha Em fusão, com senhas distribuídas 15 minutos antes de cada sessão. Esta prática de ateliê traz como inspiração a matéria-prima da artista Marlene Barros, ensinando aos participantes o ofício de fiar.
A programação ainda inclui visitas mediadas com a curadora Betânia Pinheiro, workshop sobre curadoria, mediação e acessibilidade, a oficina “Arpilleras de si”, conduzida pela própria artista, além de performances e práticas de ateliê abertas ao público. As atividades contemplam diferentes perfis, entre educadores, artistas, estudantes, produtores culturais e público em geral, criando espaços de troca, experimentação e reflexão a partir dos temas presentes na exposição.

Sobre a artista

Natural de Bacurituba (MA), Marlene Barros é artista visual, pesquisadora e produtora cultural. Com mais de quarenta anos de trajetória, desenvolve trabalhos em escultura, crochê, pintura, performance, instalação e intervenção artística, tendo o universo feminino como principal eixo de investigação.

É coordenadora do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM, espaços dedicados à formação artística e ao fortalecimento da produção cultural maranhense. É bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac e mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

SERVIÇO:

Marlene Barros: Tecitura do Feminino 

Período: 26 de agosto de 2026 a 25 de janeiro de 2027

Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – São Paulo (SP)
Entrada gratuita

Ações Formativas

Visita mediada da exposição

Data: 29 de agosto (sábado)

Horário: 10h

Com: Betânia Pinheiro, curadora

Público: público em geral

Workshop “Tecendo Experiências: Curadoria, Mediação e Acessibilidade”

Data: 24 de outubro (sábado)

Horário: 15h às 17h30

Com: Betânia Pinheiro, curadora

Público: educadores, mediadores culturais, artistas, estudantes, produtores culturais e demais interessados

Oficina “Arpilleras de si”

Data: 12 a 15 de novembro

Horários: quinta e sexta, das 15h às 18h; sábado e domingo, das 10h às 13h

Com: Marlene Barros

Público: mulheres cis e trans, pessoas não binárias, artesãs e artistas maiores de 18 anos

Prática de ateliê

A partir de 04 de setembro

Datas: sextas, sábados e domingos

Horários: 12h30 às 14h e 18h30 às 20h

Público: público em geral

Funcionamento

Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.

Informações

Telefone: (11) 4297-0600

Estacionamento

O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228. Valor: R$ 14 pelo período de seis horas, mediante validação do ticket na bilheteria. O traslado entre o estacionamento e o CCBB é gratuito, das 12h às 21h.

Van gratuita

Saídas da Rua da Consolação, 228, com retorno também ao metrô República, das 12h às 21h.

Transporte público

O CCBB São Paulo está localizado a cerca de cinco minutos da estação São Bento do Metrô. Também há diversas linhas de ônibus com parada nas ruas Líbero Badaró e Boa Vista.

Acessibilidade

Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem utilizar a entrada lateral, localizada à esquerda da entrada principal.

bb.com.br/cultura

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ccbbsp@bb.com.br.

(Com Yasmim Bianco/Assessoria Bianco)

Performance “Escrevendo na cova de alguém”, de Lena Giuliano, convida público a experimentar um velório em vida e refletir sobre a finitude

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Apresentações acontecem de 18 a 30 de agosto no Sesc Avenida Paulista. Foto: Caio Lunardi.

Falar sobre a morte ainda é um dos maiores tabus da cultura ocidental. Em muitos contextos, o tema é evitado por ser associado ao mau agouro, à tristeza ou à morbidez. No entanto, pesquisas apontam justamente o contrário: encarar a finitude pode ampliar a percepção sobre o presente, fortalecer vínculos afetivos, favorecer escolhas mais conscientes e aumentar a valorização da própria vida— é a partir dessa provocação que a performer, dramaturga e pesquisadora Lena Giuliano apresenta “Escrevendo na cova de alguém”, uma experiência individual em que convida cada participante a imaginar a própria despedida. Após uma conversa breve e descontraída, a artista escreve um obituário personalizado e conduz um pequeno “velório em vida”, criando um espaço de escuta, humor e reflexão sobre aquilo que permanece quando pensamos no fim. As apresentações acontecem de 18 a 30 de agosto de 2026, terças, às 16h, sábados e domingos, às 13h30, no Bulevar, ao lado do Sesc Avenida Paulista.

A performance foi concebida no contexto do One to One Art Project, iniciativa internacional financiada pelo programa Creative Europe, dedicada à criação de obras em formato um a um, nas quais artista e espectador compartilham uma experiência íntima. Antes de chegar ao Brasil, onde realizou apresentações na Farofa do Processo, o trabalho passou pela Croácia, Finlândia e Portugal, estabelecendo diálogos com diferentes culturas sobre um tema universal.

Em Escrevendo na cova de alguém, Lena desloca a morte do lugar do medo para o da imaginação. Em vez de tratar a finitude como um acontecimento distante ou exclusivamente doloroso, a performance propõe um exercício de presença: o que gostaríamos que fosse lembrado sobre nós? Quais histórias sobreviveriam? O que ainda queremos viver? Ao transformar essas perguntas em experiência artística, a obra convida o público a olhar para a morte como uma forma de iluminar a própria vida.

Lena nasceu em Buenos Aires, é radicada em São Paulo e graduada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP). A artista desenvolve pesquisas em dramaturgia e escrita performática. Foi bolsista da Fapesp e pesquisadora visitante da Université Sorbonne Nouvelle – Paris III. Participou do espetáculo Perros: diálogos caninos, apresentado na MITsp 2024, e é autora da ópera Juanita: una historia de amor en portuñol, apresentada em 2026, no Theatro São Pedro.

SERVIÇO:

Performance Escrevendo na cova de alguém, com Lena Giuliano

Data: 18 a 30 de agosto de 2026. Terças, às 16h. Sábados e domingos, às 13h30.

Local: Bulevar (ao lado do Sesc)

Duração: 300 minutos

Classificação indicativa: Livre

Grátis

Sesc Avenida Paulista

Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo

Fone: (11) 3170-0800

Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m

Horário de funcionamento da unidade: Terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.

(Com Fernanda Porta Nova Sesc Avenida Paulista)

Aman Venice lança Palazzo Kitchen Table, fusão intimista de culinária veneziana e técnicas japonesas

Veneza, Itália, por Kleber Patricio

The Palazzo Kitchen Table – chef executivo Matteo Panfilio na cozinha do Aman Venice.

O Aman Venice apresenta o Palazzo Kitchen Table, uma nova experiência gastronômica criada para celebrar a excelência dos ingredientes sazonais da região do Vêneto. Com apenas oito lugares, a experiência intimista destaca o melhor da sazonalidade italiana por meio de uma combinação cuidadosa de técnicas culinárias italianas e japonesas, refletindo a visão gastronômica e as paixões do chef executivo Matteo Panfilio.

Ao redor de um balcão aberto em estilo teppanyaki, localizado no térreo do palácio do século XVI, o menu degustação de 10 etapas conduz os convidados por uma jornada inspirada na filosofia omakase, ao mesmo tempo em que homenageia a região do Vêneto com ingredientes como alcachofras-violetas da ilha de Sant’Erasmo, ervas silvestres da costa de Cavallino e frutos do mar frescos do Mar Adriático.

Esses ingredientes são valorizados por técnicas japonesas, como teppanyaki e yakiniku, escolhidas para preservar a pureza e a integridade de cada elemento, e complementadas por molhos e temperos japoneses leves. O calor intenso da chapa teppanyaki preserva os sucos naturais dos ingredientes, enquanto a grelha yakiniku adiciona delicadas notas defumadas e uma sutil caramelização, criando um equilíbrio sofisticado entre intensidade e leveza.

Para completar a experiência, o Aman Venice oferece harmonização de vinhos selecionados a partir da carta da propriedade, além da oportunidade de tornar a noite ainda mais especial com rótulos raros e prestigiados da Master’s Collection.

Para reservas e mais informações, acesse https://www.aman.com/hotels/aman-venice/dining/palazzo-kitchen-table.

Sobre o Aman Group

O Aman foi fundado em 1988 com a visão de criar uma coleção de refúgios intimistas, com a hospitalidade discreta e acolhedora de uma elegante residência particular. O primeiro empreendimento, Amanpuri (“lugar de paz”), em Phuket, na Tailândia, deu origem a esse conceito e, desde então, a marca cresceu para reunir 35 hotéis, resorts e residências de marca, reconhecidos por sua serenidade e exclusividade, distribuídos entre destinos urbanos e remotos em 20 localidades ao redor do mundo. O Aman também mantém um sólido pipeline de novos projetos em desenvolvimento.

Nos últimos anos, o Aman Group expandiu seu estilo de vida para além da hotelaria, lançando a Aman Skincare (2018), a linha de suplementos Sva (2020), a coleção Aman Fine Fragrance (2020), a linha de roupas The Essentials by Aman (2021), a linha de skincare de alta performance Aman Essential Skin (2023) e a Aman Interiors (2023), que oferece peças de mobiliário exclusivas inspiradas no universo Aman.

Tendo a inovação como um dos pilares da filosofia da marca, em 2020 o Aman lançou uma nova bandeira hoteleira: Janu, palavra que significa “alma” em sânscrito. A marca propõe uma nova expressão da hospitalidade, inspirando e energizando seus hóspedes por meio de espaços transformadores, experiências gastronômicas inovadoras e instalações de bem-estar de última geração em uma escala sem precedentes. Em março de 2024, o primeiro hotel da marca, o Janu Tokyo, abriu suas portas, e diversos outros empreendimentos Janu já estão em desenvolvimento.

(Com Erica Jhiane/Azzi+Co.)

Com visto dispensado até 2029, destinos fora da rota clássica ganham espaço no Japão

Japão, por Kleber Patricio

Castelo de Kanazawa, na região central do Japão. Foto: Divulgação/Pixabay.

A decisão do governo japonês de prorrogar até 2029 a isenção de visto para turistas brasileiros chega como um incentivo para quem sonha em conhecer a chamada “Terra do Sol Nascente” ou mesmo voltar. Com menos burocracia para planejar e realizar a viagem, cresce o interesse por roteiros que vão além das paradas em Tóquio, Kyoto e Osaka, revelando um Japão marcado por tradições regionais, paisagens naturais, gastronomia e experiências culturais ainda pouco conhecidas pelos brasileiros. Segundo a Japan National Tourism Organization (JNTO), mais de 110 mil brasileiros visitaram o Japão em 2025 (um aumento de 29% em relação a 2024), reforçando o interesse crescente pelo destino. Para a Quickly Travel, especializada em viagens ao país e integrante do grupo japonês JTB, a prorrogação da isenção de visto deve estimular não apenas as primeiras viagens, mas também roteiros mais personalizados.

Para Mami Fumioka, CEO da Quickly Travel, além de facilitar o planejamento e diminuir custos, a renovação da isenção de visto transmite segurança para quem deseja visitar o país asiático. “A extensão da facilidade até setembro de 2029 reduz uma etapa do planejamento e reforça a confiança do viajante em escolher o Japão como destino. Isso também abre espaço para que as pessoas pensem em roteiros mais completos, incluindo regiões menos conhecidas, e até considerem uma segunda viagem para explorar outras partes do país”.

Com o acordo firmado, brasileiros podem ficar no país por até 90 dias consecutivos. A isenção não é válida para viajantes que exerçam no Japão trabalho remunerado ou atividades que exijam um visto específico.

Seis destinos para descobrir um Japão além da rota clássica

Entre os destinos que podem entrar no roteiro do viajante que quer conhecer um Japão fora do óbvio está Kanazawa, famosa pelos jardins tradicionais, bairros históricos preservados e pela rica gastronomia. Nos alpes japoneses, Takayama conquista visitantes com ruas centenárias, mercados locais e festivais que mantêm vivas tradições japonesas.

Já a pequena ilha de Naoshima tornou-se referência internacional ao transformar arte e arquitetura em suas principais atrações. No sul do país, Kyushu reúne águas termais, vulcões, natureza exuberante e cidades históricas, enquanto Tohoku, no norte, oferece paisagens preservadas, lagos, montanhas e festivais tradicionais que permanecem fora da rota da maioria dos turistas internacionais.

Para quem deseja vivenciar uma das experiências mais tradicionais do Japão, a recomendação é incluir no roteiro uma hospedagem em um ryokan. A tradicional estalagem japonesa combina arquitetura típica, gastronomia regional, trajes típicos que podem ser utilizados pelos visitantes, camas de futon e banhos termais mais conhecidos como onsen. As já citadas regiões de Takayama e Kyushu oferecem muitas opções para quem busca a experiência. Outra opção é Hakone, cidade localizada a cerca de 100 quilômetros de Tóquio e que, em dias de céu aberto, oferece uma bela vista para o Monte Fuji.

Segundo Mami, a facilidade de entrada no Japão por 90 dias também favorece um novo olhar sobre o destino. “Hoje, percebemos que muitos viajantes querem vivenciar o Japão de forma mais profunda. Não se trata apenas de visitar os lugares mais famosos, mas de entender as particularidades de cada região, experimentar sabores locais e viver experiências que dificilmente cabem em um roteiro de poucos dias ou que inclua somente as cidades mais populares”, conclui.

(Com Karina Fusco/Business Factory)

Musical inédito sobre infância de João Guimarães Rosa estreia no Teatro do Sesi-SP

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Inspirado no livro “João Joãozinho, Joãozito – O Menino Encantado”, espetáculo acompanha os primeiros anos de vida do escritor mineiro e transforma sua infância em uma celebração da imaginação, da leitura e da cultura popular brasileira. Fotos: Alan Catan.

Antes de se tornar um dos maiores escritores brasileiros, João Guimarães Rosa (1908–1967) foi um menino curioso, apaixonado pelos livros, pelas línguas, pelos animais e pela descoberta do mundo. É essa infância, vivida em Cordisburgo, interior de Minas Gerais, que inspira “João, Joãozinho, Joãozito”, espetáculo musical inédito que estreia em 29 de agosto no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp. A temporada segue até 13 de dezembro de 2026, com sessões às quintas e sextas, às 11h, e aos sábados e domingos, às 15h. Todas as apresentações de sábado e domingo contam com interpretação em Libras e audiodescrição.

O espetáculo, com direção e dramaturgia de Márcio Araújo, propõe às crianças e aos adultos uma viagem pela imaginação, pela literatura e pela formação de Guimarães Rosa. Com idealização do produtor Daniel Palmeira e inspirado no livro “João, Joãozinho, Joãozito: o Menino Encantado”, de Claudio Fragata, o musical acompanha a infância do escritor, diplomata e médico e sua descoberta do mundo por meio dos livros, dos animais, da natureza e das histórias vividas em sua cidade natal.

A montagem volta o olhar para o menino que foi um observador apaixonado pelo mundo. A narrativa acompanha João desde o nascimento até sua mudança para Belo Horizonte. “O espetáculo mostra como a infância foi determinante para tudo o que Guimarães Rosa se tornou. É um convite para que as crianças percebam que a curiosidade, a imaginação e o desejo de aprender podem transformar seus próprios caminhos”, afirma Márcio Araújo, também compositor na peça, cuja longa carreira está ligada ao universo infantil (entre seus trabalhos, foi um dos criadores do programa “Cocoricó”, da TV Cultura).

Ao longo da narrativa, a montagem também estabelece um diálogo entre a biografia do escritor e sua produção literária. Personagens e referências de algumas obras como “Grande Sertão: Veredas” e um amigo imaginário inspirado em Miguilim acompanham o protagonista ao longo da trama, que surgem na narrativa como pequenas descobertas para quem já conhece o universo roseano e como possível porta de entrada para novos leitores.

Uma das escolhas marcantes da montagem é a construção coletiva do protagonista: todo o elenco se reveza no papel do menino João em diferentes momentos do espetáculo. “Queremos que toda criança se veja no palco, que possa imaginar que também pode ser cientista, médica, escritora, viajar pelo mundo ou aprender outras línguas. Independentemente de onde venha, ela precisa acreditar que seu futuro também lhe pertence”, destaca o diretor. O símbolo da gravata-borboleta, marca pessoal do escritor, migra entre os corpos em cena como laço, presilha ou gravata, unificando essa pluralidade.

“Receber João, Joãozinho, Joãozito no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp, é uma oportunidade de aproximar crianças e famílias da trajetória de um dos maiores escritores da literatura brasileira. A montagem transforma a infância de Guimarães Rosa em uma experiência sensível e inspiradora, que valoriza a curiosidade, a imaginação e o conhecimento como instrumentos de descoberta do mundo. O espetáculo dialoga com o compromisso do Sesi-SP de ampliar o acesso gratuito a produções artísticas de excelência e ao fomento de peças inéditas, promovendo experiências culturais que estimulam a formação de novos públicos e o contato com o patrimônio literário brasileiro”, ressalta Tais Lara, diretora do Centro Cultural Fiesp.

Cenário, figurino, bonecos e trilha sonora original

O projeto foi desenvolvido ao longo de sete anos de pesquisa e traz uma linguagem que privilegia a imaginação. Para tanto, usa bonecos artesanais e outras referências de brinquedos antigos, típicos do interior do Brasil e, particularmente, de Minas Gerais. O cenário de Bruno Anselmo é formado por peças que se transformam continuamente e convidam o público a completar cada imagem com seu próprio olhar.

A trilha sonora original, composta por Tato Fischer e Araújo, tem direção musical de Dagoberto Feliz e reúne nove canções que também dialogam com as situações das infâncias e das manifestações tradicionais. Folia de Reis, cururu, catira e cantos tradicionais ajudam a construir a atmosfera do espetáculo; e os figurinos de Clau Carmo inspirados nas colchas de retalhos e brinquedos artesanais reforçam a memória afetiva de uma infância antiga. Os 19 bonecos são criações de Jésus Sêda, o mesmo do Castelo Rá Tim Bum.

O elenco é formado por nove atores, músicos e manipuladores de bonecos, artistas de diferentes trajetórias e todos se dividem na interpretação de João ao longo do espetáculo, enquanto tocam, cantam, dançam e manipulam: Beatriz Amado, Conrado Caputo, Daniel Aureliano, Elix, João Paulo Bienermann, Neusa de Souza, Rita Almeida, Thiago Claro França e Thiago Mota.

Sinopse

João, Joãozinho, Joãozito acompanha a infância de João Guimarães Rosa em Cordisburgo (MG), sua cidade natal até se mudar para Belo Horizonte, cercado por livros, animais, brincadeiras e descobertas. Em uma narrativa musical e linguagem lúdica, o espetáculo convida crianças e adultos a embarcarem na jornada do menino que transformaria suas vivências no sertão nas obras que o consagraram um dos maiores escritores do Brasil.

Sobre o Sesi-SP

O Sesi-SP oferece atividades culturais gratuitas em linguagens como música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e difusão literária. Juntas, as atividades promovidas já alcançaram a marca de quase 20 milhões de pessoas. São 19 teatros, sete centros culturais, oito espaços de exposição, três estações de cultura, 95 núcleos para iniciação e formação de pessoas nas áreas de música, teatro, dança e circo, além de uma unidade móvel que percorre todo o estado. Em 2026, mais três teatros e três centros culturais devem ser inaugurados.

A entidade reforça seu compromisso de oferecer ao público uma programação diversa, contundente e sempre gratuita, alinhada aos aspectos sociais e artísticos da contemporaneidade. Também de atuar na área de produção cultural, impulsionando a economia criativa e contribuindo para o aperfeiçoamento artístico. Em 2024, a instituição comemorou seis décadas de história, cultura e inovação de um de seus mais importantes projetos de democratização do acesso à cultura: o Teatro do Sesi-SP, palco de espetáculos marcantes ao longo das últimas décadas.

Sobre o Centro Cultural Fiesp

A arquitetura moderna do edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da Fiesp, que também abriga o Sesi, o Senai São Paulo, o Ciesp, e o Instituto Roberto Simonsen (IRS), o torna ponto de referência no skyline da cidade e permite a realização de inúmeras atividades que integram o Centro Cultural Fiesp à Avenida Paulista, incluindo a livre circulação em seu interior e o uso de espaços alternativos, como a área externa e o foyer do Teatro do Sesi-SP, para diferentes manifestações artísticas e culturais que surgem em sua ampla e diversificada programação. O Centro Cultural Fiesp é um importante equipamento de acesso à cultura mantido pela indústria paulista e administrado pelo Sesi-SP; uma referência de qualidade e patrimônio cultural apreciado dos paulistanos. O Sesi-SP é uma instituição que trabalha pela educação, onde a cultura é parte fundamental. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição tem como objetivo a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita, além da promoção da economia criativa nacional.

Ficha técnica

João, Joãozinho, Joãozito, a partir do livro de ​​Claudio Fragata

Texto e adaptação: ​​​Marcio Araújo

Direção Artística​​​: Marcio Araújo

Músicas compostas​​​: Tato Fischer/Marcio Araújo

Direção Musical/arranjos​​: Dagoberto Feliz

Assistente de Direção: ​​​Adriana Salcedo

Elenco/Músicos​​: Rita Almeida, João Paulo Bienermann, Daniel Aureliano, Neusa de Souza, Elix, Conrado Caputo, Beatriz Amado, Thiago Claro França e Thiago Mota

Paisagista Sonoro​​​: Marcelino Ziggy

Desenho de Som​​​: Labsom – Kleber Marques, Juma e Marcelino Ziggy

Microfonista: ​​​​Juma (Juliana Maria)

Técnico de Som: ​​​Kleber Marques

Iluminador/Desenho de Luz: ​​Guilherme Bonfanti

Operador de Luz​​​: Felipe Bonfante

Cenografia: ​​​​Bruno Anselmo

Cenotécnico: Reserva Cênica

Design: Leandro Madeiros

Figurino​​​​: Clau Carmo

Costureira/Modelista: ​​​Salomé Abdala​

Aderecista​​​​: Nilton Araújo

Bonequeiro​​​​: Jésus Sêda

Visagista​​​​: Jonathan Faria

Projeto gráfico: ​​André Kitagawa

Fotógrafo​​​​: Ale Catan

Assistente de Fotografia: ​​Rafael Sá

Vídeos: ​​Sucata Filmes – Vinícius Faé

Preparação Corporal​​​: João Paulo Bienermann​​​

Preparação de Manipulação de bonecos: ​​Eduardo Alves

Direção de Palco: ​​​Marco Loureiro

Maquinista​​​​: Atila Quirino (Chin)

Contrarregra: Arthur Gerizani

Camareira: Cris Quirino

Assessoria de Imprensa: ​​Canal Aberto Comunicação

Mídias Sociais: Tatiana Machado

Intérprete de Libras​​​: Fabiano Campos

Áudio-Descrição: Ver com Palavras

Produção Executiva​​​: William Gibson

Direção de Produção​​​: Daniel Palmeira

Coordenação Financeira​​: Cleo Chaves

Assessoria Contábil​​​: DW Gonzalez Contábil

Assessoria jurídica: Marcelo Mayer

Coordenação Geral /Produção: ​Penta Querobin Produções.

SERVIÇO:

João, Joãozinho, Joãozito

Temporada: 29 de agosto a 13 de dezembro de 2026

Sessões: quintas e sextas, às 11h; sábados e domingos, às 15h

Atenção: Libras e audiodescrição em todos os sábados e domingos da temporada

Local: Centro Cultural Fiesp – Teatro Sesi-SP | Av. Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Ingressos gratuitos. Reservas pelo www.sesisp.org.br/eventos

Classificação indicativa: Livre, indicado para todas as idades.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)