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MASP apresenta percurso sonoro imersivo guiado por Juçara Marçal

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação/MASP.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo “Assis Chateaubriand” passou a oferecer ao público uma nova experiência de visitação baseada em narrativas sonoras e áudio geolocalizado. Batizado de “Visita Viva”, o projeto foi desenvolvido em parceria com a Vivo e a Soundthinkers e propõe um percurso imersivo guiado pela voz da cantora e pesquisadora Juçara Marçal.

Distribuídos em diferentes áreas do museu, incluindo o Vão Livre e os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, os conteúdos em áudio são acionados automaticamente conforme o deslocamento do visitante. A ideia é criar uma camada narrativa que dialogue com a arquitetura do MASP, sua história e sua relação com a cidade.

A condução da experiência fica a cargo de Juçara Marçal, artista conhecida pela pesquisa musical e por trabalhos que transitam entre música, performance e artes visuais. Ao longo do percurso, a narração reúne relatos, observações e referências ligadas ao museu e ao espaço urbano ao redor. “Ao colocar a tecnologia a serviço da experiência cultural, oferecemos uma mediação acessível, gratuita e inclusiva, capaz de dialogar tanto com quem já frequenta exposições quanto com novos visitantes”, explica Sabrina Romero, diretora de Marca e Comunicação da Vivo.

Para acessar a experiência, o visitante deve baixar o aplicativo Stalo XR por meio de QR Codes disponíveis no local e utilizar fones de ouvido durante a visita. O sistema utiliza pequenos transmissores bluetooth, chamados beacons, responsáveis por identificar a localização do público e ativar automaticamente cada faixa sonora.

São 7 pontos, sendo três no Vão Livre, permitindo que o público possa começar a experiência antes mesmo de entrar no MASP, dois no Edifício Lina Bo Bardi e dois no Edifício Pietro Maria Bardi.

Segundo os organizadores, esta é a primeira aplicação da tecnologia Stalo XR em audioguias de museus no Brasil. Desenvolvida pela startup Stalo, a plataforma trabalha com experiências em realidade estendida centradas no áudio e na percepção espacial.

(Com Kátia Gonçalves/Fato Relevante)

Em junho, Theatro Municipal estreia duas coreografias do Balé da Cidade de São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Theatro Municipal de São Paulo. Foto: Stig.

Em junho, o Theatro Municipal estreia duas coreografias do Balé da Cidade de São Paulo: “Coro Umbral”, da coreógrafa colombiana Andrea Peña, e “até que se abra tudo”, da brasileira Michelle Moura. As apresentações acontecem nos dias 20 a 28, na Sala de Espetáculos.

Programação do mês reúne diversos eventos, além da estreia do Balé da Cidade de São Paulo, como os concertos “Quarteto convida Quaternaglia”, “Missa Afro Sambas” com Coral Paulistano, “Orquestra Experimental de Repertório apresenta Assad, Ripke e Stravinsky” e “Diálogos: Bologne, Mozart e Haydn com Quarteto de Cordas”. A agenda apresenta ao público encontros inéditos, estreias mundiais, grandes nomes da música clássica e criações contemporâneas, reafirmando a diversidade artística do Theatro Municipal.

Quarteto de Cordas. Foto: Larissa Paz.

O concerto Quarteto convida Quaternaglia abre o mês no dia 11, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório. O Quarteto de Cordas recebe o grupo Quaternaglia, juntos pela primeira vez no palco, apresentando os repertórios próprios, em formações ampliadas para obras e arranjos encomendados a Alexandre Guerra e Sergio Molina. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração é de 60 minutos, sem intervalo.

Em uma celebração ao encontro entre catolicismo, umbanda e os ritmos do Brasil, o Coral Paulistano apresenta Missa Afro Sambas, sob regência de Maíra Ferreira. As apresentações acontecem nos dias 12, sexta-feira, às 20h, e 13, sábado, às 11h, na Sala de Espetáculos, com patrocínio do Scotiabank. Os ingressos custam R$50, a classificação é livre e a duração de 85 minutos, com intervalo.

Coral Paulistano. Foto: Rafael Salvador.

O repertório destaca o sincretismo religioso brasileiro ao reunir a Missa Afro-brasileira de Batuque e Acalanto, de Carlos Alberto Pinto Fonseca, e os Afro-sambas: I. Lamento de Exu, II. Canto de Xangô, III. Canto de Ossanha (1º interlúdio), IV. Tristeza e Solidão, V. Bocoxê, VI. Canto de Ossanha (2º interlúdio) e VII. Canto de Iemanjá, Baden Powell e Vinicius de Moraes, um marco da música brasileira que valoriza as tradições de matrizes africanas.

Com a participação da flautista Morgana Moreno, claronista Alexandre Ribeiro, contrabaixista Sidiel Vieira, violinista Marlo Júlio e os percussionistas Gabi Guedes, Pedro Pita e Xeina Barros. Demais solistas a serem anunciados.

Orquestra Experimental de Repertório. Foto: Rafael Salvador.

No domingo, 14, às 11h, o concerto Orquestra Experimental de Repertório apresenta Assad, Ripke e Stravinsky, sob regência de Wagner Polistchuk e participação da soprano Larissa Lacerda. Além da estreia mundial de Bonecas de Olívia, de Juliana Ripke, encomendada pelo Theatro Municipal, o repertório tem Bonecos de Olinda, de Clarice Assad, e o clássico Petrushka, de Igor Stravinsky. Os ingressos variam de R$13 a R$50, a classificação é livre e a duração de 60 minutos, sem intervalo. Entre os dias 20 e 28, com o Balé da Cidade de São Paulo apresenta duas estreias, Coro Umbral, da coreógrafa colombiana Andrea Peña e até que se abra tudoda brasileira Michelle Moura. As apresentações acontecem nos dias 20, sábado, e 21, domingo, às 17h; 25, quinta-feira, e 26, sexta-feira, às 20h, 27, sábado, e 28, domingo, às 17h, na Sala de Espetáculos. Os ingressos custam de R$13 a R$100, a classificação é de 16 anos e a duração aproximadamente é de 90 minutos, com intervalo.

Coro Umbral tem direção, concepção de Andrea Peña, a coreografia de Andrea Peña, em colaboração com o elenco do Balé da Cidade, e com assistência de coreografia de Rebecca Margolick. A trilha sonora é assinada por Rodolfo Rueda (CIBER1A) e Coppélia LaRoche-Francoeur. A iluminação é de Caetano Vilela, com assistência de Nicolas Marchi, cenografia de Jonas Soares, adereço de cenografia de Victor Ley, costura de cenário de Enrique Casas, figurino de Marina Dalgalarrondo, assistência de figurino de Gabrielle Gobetti e perucaria de Malonna.

Coro Umbral, de Andrea Peña. Foto: Larissa Paz.

Andrea Peña é uma artista multidisciplinar, nascida na Colômbia e radicada em Montreal, que articula coreografia, design e arte instalativa. Fundadora e diretora artística da Andrea Peña & Artists (2014), desenvolve uma prática que investiga interseções entre corpos, materialidades e singularidades em contextos performativos, marcada por sua herança indígena e formação em design industrial e moda. Suas criações constroem ambientes imersivos que exploram vulnerabilidade, resiliência e transformação, promovendo um espaço colaborativo e de pesquisa que reúne dançarinos e designers em obras que rompem estéticas tradicionais, incorporam hibridez e fazem do palco um território de imaginação radical.

Já até que se abra tudo tem direção, concepção e coreografia de Michelle Moura, dramaturgia de Maikon K e assistência de coreografia de Clarissa Rêgo. A trilha sonora e execução ao vivo ficam a cargo de Kaj Duncan. O design de luz é assinado por Mirella Brandi, o figurino por Thales Cristovão e o acompanhamento de luz por Giorgia Tolaini.

até que se abra tudo, de Michelle Moura. Foto: Larissa Paz.

Michelle Moura, bailarina e coreógrafa brasileira radicada em Berlim, começou sua formação em dança na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), continuou no CNDC d’Angers (França) e Das Choreography (Holanda). Em suas coreografias gosta de explorar o grotesco, especialmente por deslocar representações ligadas à ideia de feminino e humano. É assim que, em suas obras, dá espaço a uma performatividade do “estranho”. Um estranhamento que também se faz presente na composição coreográfica: repetições e distorções geram vertigens formais, em que gestos mínimos são testados até o seu limite. O estranho se instaura assim como lugar de contaminações e encontros impuros, zona de interrogação para os sentidos.

No dia 25, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório, o Quarteto de Cordas retorna com Diálogos: Bologne, Mozart e Haydn, trazendo obras que dialogam com a consolidação do quarteto de cordas no período clássico. O repertório inclui composições de Joseph Bologne, Chevalier de Saint-Georges, além de Haydn e Mozart.

Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensa Theatro Municipal)

Com mais de 20 mil m² de arte e interatividade, experiência noturna “Brilha Sonhos” chega a São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

A partir do dia 14 de maio, São Paulo recebe “Brilha Sonhos”, uma experiência imersiva ao ar livre que promete transformar o Parque Villa-Lobos em um universo onírico de luz, arte e interatividade.

Com uma proposta visual e sensorial envolvente, Brilha Sonhos convida o público a explorar diferentes cenários que combinam instalações luminosas de grande escala, elementos interativos e performances ao vivo, em um formato pensado para encantar todas as idades. A experiência ocupa mais de 20 mil m² e reúne instalações desenvolvidas por artistas proporcionando uma imersão única no universo da luz e da imaginação.

Uma jornada imersiva entre luz, imaginação e interação

A experiência acontece em um percurso ao ar livre, permitindo que cada visitante explore os ambientes no seu próprio ritmo, com diferentes pontos de interação e contemplação ao longo do caminho.

A jornada começa com um portal monumental iluminado, marcando a entrada para esse novo mundo, e evolui para espaços cada vez mais imersivos — como um corredor de laser que cria a sensação de atravessar feixes de luz, ou um “bosque de luz” formado por centenas de tubos de LED que mudam de cor e intensidade ao longo da experiência.

Ao longo do percurso, o público encontra também instalações interativas, como um conjunto de mais de 200 “piano pads” iluminados que reagem ao movimento com luz e som, criando uma experiência dinâmica e participativa.

Cada ambiente foi desenhado como um universo próprio, com estética e estímulos distintos. Entre os destaques estão cenários que exploram contrastes visuais — desde espaços mais lúdicos e contemplativos, como um jardim iluminado com milhares de pontos de luz que simulam vagalumes, até ambientes mais intensos e imersivos que utilizam luz, som e efeitos visuais para criar atmosferas surpreendentes.

A experiência também inclui esculturas e instalações em grande escala, além de marionetes iluminadas manipuladas por artistas, que interagem com o público e reforçam o caráter artístico e sensorial do percurso.

Desenvolvido para todos os públicos, Brilha Sonhos combina tecnologia, cenografia e interação em um formato acessível, ao ar livre e pensado para famílias, grupos de amigos e casais em busca de experiências noturnas diferenciadas.

Produzido pela Fever, principal plataforma global de descoberta de entretenimento ao vivo, Brilha Sonhos reforça a presença da empresa no Brasil com experiências imersivas de grande escala que conectam criatividade, tecnologia e entretenimento.

Os ingressos já estão disponíveis no app ou no site da Fever.

(Com Camila Florio/Sherlock Communications)

Casa Triângulo abre as portas para primeira individual de Thix na galeria

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Pequenos incêndios em terras onde tentaram nos arrancar tudo, 2026. Óleo sobre tela. 80 X 100 cm. Fotos: Cortesia Casa Triângulo, São Paulo.

A Casa Triângulo apresenta a primeira exposição individual de Thix na galeria: “Quarto de dormir, sala de não estar”, reunindo um conjunto inédito de 40 pinturas, objetos e desdobramentos instalativos. O texto crítico é de Maykson Cardoso.

A mostra é também a primeira em que a artista lança mão da instalação, do ready-made e do escultórico como meios de expressão para além da pintura. Na “sala de não estar” da galeria – não lugar que toda galeria é, pois que nelas ninguém habita, mas está sempre de passagem – Thix rearranja carcaças de móveis: cada uma delas é um fragmento com o qual recompõe uma nova totalidade, criando “teatralmente a atmosfera onírica e perturbadora de um ‘quarto de não dormir’”.

Thix. Faceshopping II, 2026. Óleo sobre tela. 70 X 60 cm.

Esse cenário é o centro nevrálgico da exposição, a partir do qual o público é conduzido à recepção das demais obras – todas elas informada pela inquietante biografia da artista: esse quarto é também aquele onde um menino “encarcerado” sonhava ser essa mulher que hoje se tornou. O vestido rosa, que tanto desejava na infância e lhe era vetado, multiplica-se não só nas pinturas, como nos cabides dependurados.

Tudo nessa exposição é, por isso, uma espécie de autorretrato; não só pelas conhecidas cenas de teor narrativo em que a artista se auto representa, mas também naqueles pequenos quadros camp em que figuram bibelôs inventados como “alegorias de si”. É um mergulho no imaginário da artista, atravessado por processos de transformação, luto e fabulação e articulando referências da pintura acadêmica, do artifício performático e de imaginários queer em composições levadas a explorar a fronteira entre o humano, o monstruoso e o alegórico, abarcando o desconforto de existir. Produzir presença no limiar do desaparecimento.

A exposição também inaugura o interesse da artista pela pintura como território expandido, não apenas enquanto técnica, mas como linguagem capaz de contaminar objetos. Trazendo referências da cultura queer, do barroco, da moda e da iconografia religiosa, Thix articula sedução e estranhamento, elaborando uma mitologia própria construída através da artificialidade assumida e da autoficção.

Em suas esculturas, vê-se algo semelhante: sua história estilhaçada e remontada. Remontada não porque restitui o estilhaçado à forma “original”, mas porque lhe confere uma nova, uma outra configuração. A cartela de unhas postiças agiganta-se e torna-se um móbile semelhante à “cadeia de DNA”; a crinolina de ferro lembra mais uma gaiola do que a peça estruturante da indumentária. Mas nada disso é capaz de deter a mulher livre que recusa fixar sua identidade à biologia e interroga, como em um belo verso de Raquel Alves: “como desligar a cópia do modelo | se o bicho copula | com a jaula?”. 

Thix. Sacro Coração, 2026. Óleo sobre linho. 40 x 20 cm.

Desde o processo de começar a pintar um retrato a partir da grisalha – isto é, a partir da “camada morta” e a posterior “velatura” que confere à sua pintura o contraste do chiaroscuro –, tomando como referência uma pintora de envergadura como Artemisia Gentileschi (1593–1654) ou até mesmo através do mobiliário pesado com que reconstrói seu quarto, Thix atualiza algo da estética barroca.

Marca incontestável do Barroco foi a “transitoriedade expressa no lema ‘memento mori’ – ‘lembra-te de que morrerás’ – que se encontrava sua imagem na vanitas”. No trabalho de Thix, a “transitoriedade”, porém, ganha outro sentido. Se a artista nos lembra da morte – como no quadro em que segura sua cabeça outrora barbada –, é para nos lembrar que pode haver muitas mortes necessárias em uma vida e muitas vidas possíveis após uma morte. Isto é, diferente dos artistas barrocos, que aceitavam melancolicamente a finitude inelutável, Thix aqui nos afirma que é preciso lutar, com unhas e dentes e de peito aberto, pela vida. 

SOBRE A ARTISTA 

Thix (Porto Alegre, 1982) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua produção transita entre questões de identidade, memória, corpo e fabulação, articulando diferentes linguagens visuais em exposições individuais e coletivas no circuito contemporâneo brasileiro.

Entre suas individuais recentes destacam-se Retificação (2025), no Paço das Artes, em São Paulo, com texto crítico de Bru Novaes, e Réquiem para um nome (2024), na Galeria Silvia Cintra + Box 4, no Rio de Janeiro, com curadoria da Comadre — Gabriela Davies e Maíra Marques — e texto crítico de Thiago Honório.

Participou de exposições coletivas, como Memento MoriQue Seja Casa, O Amor. Ainda Que Amar Desabrigue (2026), no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba; A Coisa Drag (2025/2026), apresentada no Centro Cultural da UFMG e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; Apocalipse, na Casa França-Brasil; além de Pequenos Formatos e O que te faz olhar pro céu?. Foi indicada ao Prêmio Pipa 2025. 

SERVIÇO:

Exposição Quarto de dormir, sala de não estar – Thix

Texto crítico: Maykson Cardoso

Abertura: 23 de maio – 14h às 18h

Período da exposição: 23 de maio a 04 de julho de 2026

Horário de funcionamento: de terça a sexta das 10h às 19h e sábado das 10h às 17h

Local: Casa Triângulo

Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins – São Paulo

Telefone: (11) 3167-5621 | www.casatriangulo.com  info@casatriangulo.com

Entrada gratuita.

(Com Bernadete Druzian/A4&Holofote Comunicação)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera “Intolleranza 1960”, de Luigi Nono, inédita na América Latina

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Ópera narra a trajetória de um trabalhador migrante em um contexto de violências e opressões; conhecida pelo uso de técnicas experimentais, obra é célebre por montagens inovadoras e experiências surpreendentes. Foto: Rafael Salvador.

Segunda ópera da temporada de 2026, “Intolleranza 1960”, de Luigi Nono, será apresentada no Theatro Municipal de São Paulo em uma estreia da obra no Brasil e na América Latina. Categorizada como uma “azione scenica”, a apresentação dessa obra ao público da capital paulista será sob a direção de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, ambos artistas renomados das artes visuais, além de escritores e cineastas. Criada no pós-guerra, ecoando as marcas do fascismo e da bomba de Hiroshima, a ópera ganha datas nos dias 5 e 6 de junho. A apresentação terá Priscila Bomfim na direção musical e Hernán Sánchez Arteaga na regência do Coro Lírico Municipal.

Com música e libreto do próprio Nono a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino, a obra narra a trajetória de um trabalhador migrante confrontado pela opressão: preso e levado a um campo de concentração, ele se torna símbolo das violências e da luta por direitos humanos no século XX. Segundo Carola Nielinger-Vakil em seu livro “Luigi Nono: a composer in context”, a obra do compositor se trata de “uma combinação única de composição de vanguarda com compromisso político”. A ópera tem patrocínio de Bradesco e Elevadores Atlas Schindler.

Foto: Rafael Salvador.

O libreto reúne textos e referências de grandes nomes do pensamento e da poesia, compondo uma dramaturgia fragmentada e intensa. Ao mesmo tempo, Intolleranza se destaca como criação de vanguarda pelo uso de técnicas experimentais, como projeções, filmes, textos e sons eletrônicos. Nono dedicou a obra ao seu sogro, Arnold Schoenberg, compositor austríaco de música erudita e criador do dodecafonismo, um dos mais revolucionários e influentes estilos de composição do século XX.

Responsável pela montagem ao lado de Eduardo Climachauska, Nuno Ramos explica os signos escolhidos para guiar a dinâmica cênica da obra. Intolleranza 1960 é uma ópera que trata a contemporaneidade enquanto catástrofe. Dessa gigantesca catástrofe elegemos alguns signos. Talvez o mais forte deles seja a cúpula que restou da explosão atômica de Hiroshima. Vamos replicar essa cúpula no palco do Theatro Municipal, e ela será um personagem forte dentro do trabalho”, pontua.

A cenografia é assinada por Renan Marcondes e Marcus Garcia, enquanto o design de luz fica a cargo de Mirella Brandi. O figurino é criado pelo estilista João Pimenta, Celso Kamura é responsável pelo desenvolvimento de visagismo e a direção de movimento e coreografia é de Alejandro Ahmed, diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo. O design de vídeo é desenvolvido por Vic Von Poser e a assistência de direção cênica e musical é realizada por Piero Schlochauer.

Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, responsáveis pela montagem de Intolleranza 1960. Foto: Divulgação.

No dia 6, o elenco conta com Peter Tantsits como Um Imigrante, Maria Carla Pino Cury como Sua Companheira e Caroline De Comi como Soprano Solo. Já no dia 5, os papéis de Um Imigrante, Sua Companheira e Soprano Solo são interpretados, respectivamente, por Giovanni Tristacci, Gabriela Geluda e Laryssa Alvarazi.

“Esta é uma experiência única que o Theatro Municipal propõe ao público brasileiro e latino-americano, afinal, trata-se de uma ópera inédita aqui e de raras montagens ao redor do globo”, explica Andrea Caruso Saturnino, superintendente do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. “Por trabalhar com uma diversidade de linguagens artísticas e acionar temas tão interessantes, essa obra tem sido inesquecível sempre que apresentada. É um acontecimento e uma alegria para todos nós ter esse título no nosso Theatro”, completa.

Vozes, gritos e sobreposições sonoras que transformam o palco em uma espécie de praça pública onde arte e política se confundem e se tensionam continuamente. Pouco conhecida do público brasileiro, Intolleranza se revela um acontecimento artístico radical, intenso e inesquecível, reafirmando sua importância para a renovação da criação operística no século XX e sua potência crítica.

SERVIÇO:

Intolleranza 1960

Ópera com música e libreto de Luigi Nono a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

Datas e horários

5 de junho, sexta-feira, às 20h

6 de junho, sábado, às 17h

Direção musical

Priscila Bomfim

Regência do Coro Lírico Municipal

Hernán Sánchez Arteaga

Direção cênica

Nuno Ramos e Eduardo Climachauska

Cenografia

Renan Marcondes e Marcus Garcia

Design de luz

Mirella Brandi

Figurino

João Pimenta

Desenvolvimento de visagismo

Celso Kamura

Direção de movimento e coreografia

Alejandro Ahmed

Design de vídeo

Vic Von Poser

Assistente de direção cênica e musical

Piero Schlochauer

Elenco

Dia 6

Peter Tantsits – Um Imigrante

Maria Carla Pino Cury – Sua Companheira

Caroline De Comi – Soprano Solo

Dia 5

Giovanni Tristacci – Um Imigrante

Gabriela Geluda – Sua Companheira

Laryssa Alvarazi – Soprano Solo

Todas as datas

Marly Montoni – Uma Mulher

Isaque Oliveira – Um Argelino

Anderson Barbosa – Um Torturado

Programa

Intolleranza 1960

Editor original: Schott Music

Representante exclusivo: Barry Editorial

Ingressos de R$ 47 a R$ 290 (inteira)

Duração de 80 minutos

Classificação: Acima de 14 anos.

(Com Letícia Santos/Theatro Municipal de São Paulo)