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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Sesc Pinheiros recebe a estreia nacional de “A pediatra”, com Debora Lamm e Luis Antonio Fortes

São Paulo, por Kleber Patricio

Inez Viana dirige e assina a primeira adaptação do romance homônimo de Andréa Del Fuego; estreia no Auditório do Sesc Pinheiros será em 12 de março de 2026. Fotos: Rodrigo Menezes.

“A pediatra” é a primeira adaptação para os palcos do romance homônimo que consagrou Andréa Del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago, idealizada por Inez Viana e Luis Antonio Fortes. Sucesso entre leitores, traduzido para sete idiomas, o romance foi considerado uma das melhores leituras de 2022 pelos críticos literários. A montagem teatral conta com adaptação e direção de Inez Viana e elenco formado por Debora Lamm e Luis Antônio Fortes. Debora Lamm interpreta uma pediatra que, paradoxalmente, odeia crianças e suas mães. Descrita como uma “vilã de humor vil”, ela é uma mulher privilegiada, classista e amoral cuja má conduta profissional e falta de empatia a levam a conflitos éticos e humanitários. A temporada de estreia nacional tem início em 12 de março de 2026, no Auditório do Sesc Pinheiros, onde fica em cartaz de quinta à sábado, às 20h30, até 18 de abril.

“Uma personagem como a Cecília encontrar uma atriz como Debora Lamm, é como um astronauta que finalmente encontra o planeta do seu destino. É raro. A personagem foi escrita para uma atriz como Debora Lamm, que pilota os polos humanos na mesma intensidade. Para uma diretora como Inez Viana, que tão bem desenha a crueldade do desejo humano. Não é sempre que a literatura encontra o corpo que ela invoca”, comenta Andréa Del Fuego.

Publicado em 2021, A pediatra consolida Andréa Del Fuego como uma das vozes mais inquietantes da literatura brasileira contemporânea. O romance acompanha Cecília, uma médica pediatra que, a partir de uma prática clínica aparentemente ética e racional, passa a se envolver em uma série de decisões que tensionam de forma radical os limites entre cuidado, controle e violência. Narrada em primeira pessoa, a obra constrói um relato perturbador, no qual a frieza do discurso científico contrasta com a brutalidade dos atos descritos. A protagonista é uma mulher instruída, bem-sucedida e socialmente integrada, mas cuja relação com crianças, mães e corpos infantis revela um desejo profundo de poder e manipulação. Ao se apropriar do vocabulário médico e da autoridade institucional da medicina, Cecília legitima ações que desafiam qualquer noção humanista de cuidado. O corpo – especialmente o corpo infantil – aparece como território de disputa, silenciamento e intervenção, articulando temas como maternidade compulsória, biopolítica, misoginia e abuso de poder. Andrea del Fuego constrói essa personagem sem recorrer a explicações psicológicas fáceis ou a julgamentos morais explícitos, o que intensifica o desconforto do leitor, constantemente colocado diante de um dilema ético sem mediações.

A encenação de Inez Viana toca em questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, a escolha de uma profissão sem paixão, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Pensando nesses temas, o espetáculo pretende envolver o público de maneira cúmplice, onde Cecília contará sua história, o que a ajudará a entender seus conflitos e anseios. A montagem busca ainda promover debates sobre papéis sociais e temas urgentes como aborto e ética profissional.

“Mulher privilegiada, classista, cheia de preconceitos, Cecília não percebe que sua má conduta se volta contra si e, obviamente, contra todas as pessoas à sua volta, perdendo uma oportunidade de praticar a medicina de forma mais humanizada. E aí há uma identificação geral quando pacientes de todas as classes já sofreram e sofrem por negligência médica. No Brasil, médicas e médicos, sobretudo em hospitais públicos onde a sobrecarga e o estresse estão sempre presentes, têm seus trabalhos afetados por atendimentos apressados e impessoais, sentido por seus pacientes. Mas as vezes não é uma escolha, como é para Cecília, que vai na contramão do que seria humanizado, como propõe a figura do outro pediatra Jaime, que se torna seu rival”, pontua Inez Viana.

A respeito de suas personagens, Debora Lamm comenta que “Cecília é uma pessoa amoral, que estudou medicina pela facilidade de seu pai ser um médico benquisto por colegas e pacientes, mas ela mesmo não tem o exercício do afeto e o tempo inteiro testa os limites da ética, vivendo à margem do humano.” Já Luis Antonio Fortes diz que “Celso é um cara de caráter duvidoso e amante de Cecília, a pediatra que fez o parto de seu filho Bruninho, uma criança por quem ela se vê encantada. Mas Celso também está encantado por Cecília.”

Minibios

Andréa Del Fuego – Pseudônimo literário de Andréa Fátima dos Santos, nasceu na cidade de São Paulo, em 1975. Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é autora de romances, contos e livros juvenis. Entre suas obras, é autora do romance “Os Malaquias” (vencedor do Prêmio José Saramago) publicado na Alemanha, Itália, França, Israel, Romênia, Suécia, Portugal e Argentina. Ganhou o prêmio “Literatura Para Todos” do Ministério da Educação com a novela “Sofia, o cobrador” e “O motorista”. Ao lado de outras autoras brasileiras contemporâneas, como Índigo, Cecília Giannetti e Carol Bensimon, teve um conto publicado na coletânea Histórias femininas.

Inez Viana – Atriz, encenadora, professora e dramaturga, iniciou sua carreira em 1984. Tem bacharelado em Artes Cênicas e Pós-graduação em direção artística pelo Instituto CAL, RJ. Dirigiu 20 peças e atuou em mais de 30, além de novelas e filmes. Como diretora, recebeu duas indicações dos prêmios Shell, APTR, Questão de Crítica e APCA; ganhou dois Prêmios Contigo (júri oficial e popular) e o Prêmio FITA. Como atriz, recebeu o Prêmio Qualidade Brasil, Millênium e Questão de Crítica, tendo sido indicada aos prêmios Shell e APTR. Junto com 9 atrizes e atores, fundou, em 2009, a Cia OmondÉ, com 9 peças montadas, muitas indicações e prêmios. Realizou o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino”, que dirigiu e co-roteirizou com Felipe Gali, e que traz o escritor Ariano Suassuna como principal narrador. Em janeiro de 2026, dirigiu Malu Galli e Tiago Martelli em “Mulher em fuga”, no Sesc 14 Bis (SP), que em março de 2026 será apresentado no Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro.

Debora Lamm – Com mais de 40 espetáculos como atriz e diretora, é integrante e fundadora da Cia OmondÉ. No cinema, destaque para as protagonistas de “Muita Calma Nessa Hora”, do premiado “Seja o Que Deus Quiser” de Murilo Sales, sua parceria com a diretora Júlia Rezende em “Como é Cruel Viver Assim”, lhe rendeu a indicação de melhor atriz no festival internacional de cinema da África do Sul. É uma das protagonistas do sucesso da Netflix “Todo Dia a Mesma Noite”, série ficcional baseada na tragédia da Boate Kiss e do próximo lançamento da Conspiração Filmes e do Globoplay “Juntas e Separadas”. Na TV Globo, atuou entre séries e novelas com Mauricio Farias, Walter Carvalho, Dennis Carvalho, Antônio Calmon, Denise Saraceni, Zé Luís Villamarim, Flávia Lacerda, Gilberto Braga, Amora Mautner, Guel Arraes. Nos últimos anos participou da novela de Manuela Dias “Amor de Mãe”, “Quanto mais Vida Melhor” com direção de Alan Fiterman, da minissérie “Histórias Impossíveis” com direção de Luisa Lima, da novela “Mania de Você” de João Emanuel Carneiro e mais recentemente fez parte da equipe de direção do último projeto de humor de Jorge Furtado e Regina Casé.

Luis Antonio Fortes – Ator, professor, diretor, mestrando em Artes Cênicas pela Unirio, é integrante e fundador da Cia OmondÉ, na qual recentemente atuou e produziu o “Último Ensaio”. Foi idealizador, produtor e atuou no espetáculo “Dançando no Escuro”, direção de Dani Barros, indicado a todos os prêmios de teatro em 2018. Produziu “A produtora e a Gaivota” de Jefferson Schoroeder. É professor de teatro no Instituto Meta Educação e no projeto Memoridades para +60 do Museu de Arte do Rio. Em “Luas de Júpiter”, texto de Jô Bilac e Geandra Nobre, pela primeira vez assina a direção artística de um projeto cultural. Foi indicado na categoria melhor ator coadjuvante por “Os Mamutes”, no FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra, em 2012.

Bem Medeiros – Produtor, diretor e pesquisador, com atuação no audiovisual, teatro e em projetos interdisciplinares. Cientista social com pós-graduação em Cinema Documentário (CPDOC/FGV) e especialização em Gênero e Sexualidade (IMS/UERJ), tem ampla experiência em gestão cultural, coordenação de projetos e captação de recursos públicos e privados, por meio de editais, leis de incentivo, coproduções institucionais e estratégias alternativas de financiamento e sustentabilidade de projetos culturais. Como produtor executivo, realizou obras exibidas em festivais como Cannes, Rotterdam e Brasília, com premiações e reconhecimentos em Sundance, Tiradentes e Gramado. No teatro, assinou a direção de produção de “VINTE!” (indicado ao Shell 2026), “Último Ensaio” (indicado ao Shell 2025), “Noite das Estrelas” (indicado ao Shell 2024), “Mariposas Amarillas” (indicado ao APTR 2025), “Mata Teu Pai, ópera balada” (indicado ao Shell 2023) e “Pactos para Reflorestar a Terra”. Atua como coordenador de projetos no movimento cultural Entidade Maré e é diretor de produção da Cia OmondÉ. Criador da marca DRAG-SE, ministrou aulas de produção na Academia Internacional de Cinema e em cursos livres, além de atuar como mentor na formação BROTA (SESC-RJ).

Ficha técnica

Texto: Andréa Del Fuego

Direção artística e adaptação dramatúrgica: Inez Viana

Elenco: Debora Lamm e Luis Antonio Fortes

Direção de produção: Bem Medeiros e Luis Antonio Fortes

Produção executiva: Matheus Ribeiro

Assistência de direção: Lux Nègre

Colaboração artística: Denise Stutz

Cenário: Aurora dos Campos

Figurino: Carla Costa

Direção musical: Navalha Carrera

Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni

Assessoria de imprensa: Ney Motta

Fotografia: Rodrigo Menezes

Design: Laryssa Ramos

Idealização: Inez Viana e Luis Antonio Fortes

Realização: Sesc SP

Produção: Eu + Ela e Suma Produções.

Serviço:

A Pediatra

Temporada: 12 de março a 18 de abril, quintas, sextas e sábados, exceto na Sexta-feira Santa (3 de abril).

Horários: Às 20h30. Dias 27 de março, 10 e 17 de abril haverá sessões também às 16h

Sessão com LIBRAS dias 17 e 18 de abril – 3 sessões

Local: Sesc Pinheiros – Auditório – R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo, SP

Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia entrada) e R$ 15 (credencial plena). Vendas em sescsp.org.br ou na bilheteria de todas as unidades do Sesc SP.

Duração: 60 min | Classificação: 12 anos

Capacidade: 100 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Sesc Pinheiros

Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo (SP)

Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30

Estacionamento com manobrista

Como chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).

Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

(Com Gleice Nascimento/Assessoria de Imprensa Sesc Pinheiros)

Instituto Rubem Alves apresenta “Sinais do Mundo”, resultado do Primeiro Concurso Rubem Alves de Literatura

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Capa.

O Instituto Rubem Alves realiza no dia 14 de março de 2026 (sábado), a partir das 14h, o lançamento do livro “Sinais do Mundo”, obra que reúne as crônicas selecionadas na primeiro edição do Concurso Rubem Alves de Literatura – Gênero: Crônica. O evento acontece na sede do Instituto, em Campinas (SP), com entrada gratuita e aberta ao público.

Organizado por Marcela Comelato, Maria Amélia Moscom e Severino Antônio, e publicado pela Editora Farol das Letras, o livro marca a etapa final do concurso lançado em setembro de 2024, durante o 6º Movimento Rubem Alves, em homenagem aos dez anos de encantamento do educador e escritor Rubem Alves. A iniciativa recebeu quase 400 crônicas de diversas regiões do Brasil, reafirmando a força deste gênero como expressão literária fundamental para reflexão sobre o cotidiano.

Conforme destaca Maria Amélia Moscom, presidente do Instituto Rubem Alves, na apresentação da obra, as crônicas “não buscam decifrar o mundo, mas habitar suas ambiguidades”, revelando a literatura como um exercício de escuta, atenção e implicação ética diante da vida contemporânea.

Para Severino Antônio, membro do Conselho de Literatura e Educação do Instituto Rubem Alves e um dos organizadores do livro, a publicação reafirma o papel essencial da literatura na formação humana. “A literatura é uma necessidade vital. Ela amplia nossa capacidade de sentir, compreender e imaginar. Este livro é um testemunho de que a palavra continua como lugar de encontro, de criação e recriação de sentido”, afirma.

Fotos: Divulgação/IRA.

Responsável pelo projeto gráfico da obra, Marcela Comelato destaca que a concepção visual do livro buscou traduzir a essência do próprio projeto. “Pensar o projeto gráfico de Sinais do Mundo foi também um gesto de escuta das potentes vozes reunidas neste livro, que é um objeto de forte presença, um convite à pausa e à contemplação”, explica.

Os textos selecionados foram anunciados em junho de 2025 e agora integram esta publicação coletiva inédita, celebrando a crônica brasileira contemporânea. A obra reúne narrativas que abordam temas como memória, afetos, relações humanas, cotidiano e busca por sentido, em diálogo com o legado literário de Rubem Alves.

O Primeiro Concurso Rubem Alves de Literatura é uma realização do Instituto Rubem Alves, com apoio da FTD Educação e parceria editorial da Editora Farol das Letras. A iniciativa integra as ações do Movimento Rubem Alves, que promove encontros e projetos voltados à difusão da literatura e à formação de leitores.

O evento de lançamento contará com a presença dos organizadores, autores participantes e convidados, celebrando o nascimento de uma obra que reafirma a literatura como espaço de sensibilidade, reflexão e transformação.

SERVIÇO:

Lançamento do livro Sinais do Mundo

Primeiro Concurso Rubem Alves de Literatura

Data: 14 de março de 2026

Horário: a partir das 14h

Local: Instituto Rubem Alves

Rua Dr. Albano de Almeida Lima, 388 – Jardim Guanabara – Campinas/SP

Realização: Instituto Rubem Alves

Parceria editorial: Editora Farol das Letras

Apoio institucional: FTD Educação.

(Com Raquel Alves/Instituto Rubem Alves)

Back2Black Festival estreia em Paris dia 3 de abril

Paris, França, por Kleber Patricio

Evento ocupará o Théâtre du Châtelet com shows de Gilberto Gil, Agnes Nunes, Blick Bassy, Sandra Baldé (Umafricana), exposição de Carybé, conferência “África-Brasil” e première francesa do documentário “3 Obás de Xangô”. Fotos: Divulgação.

O Back2Black, festival brasileiro criado em 2009, desembarca pela primeira vez em Paris. O evento vai ocupar o Théâtre du Châtelet no diacon3 de abril com shows e apresentações especiais de Gilberto GilAgnes NunesBlick Bassy e DJ Sandra Baldé (Umafricana). O evento também recebe a conferência “África-Brasil”, a exibição inédita em Paris do documentário “3 Obás de Xangô” e uma exposição das obras de Carybé. Os ingressos para o evento já estão à venda e podem ser adquiridos no site oficial do Châtelet.

Gilberto Gil, um dos maiores nomes da história da música afro-brasileira, sobe ao palco do teatro francês ao lado de seus filhos e netos. A apresentação do cantor será após o encerramento no Brasil da turnê “Tempo Rei”, que marca a despedida do músico dos grandes palcos. Em Paris, Gil vai apresentar para o público do Back2Black Festival os grandes clássicos da sua carreira de mais de 60 anos.

Outra atração musical do evento é o show da baiana Agnes Nunes, que vai dividir o palco com o camaronês Blick Bassy. A apresentação musical dos artistas marca o encontro entre dois expoentes do afro-soul contemporâneo em um diálogo de ancestralidade e musicalidade. Agnes Nunes é um dos grandes destaques da música brasileira na atualidade e transita entre gêneros musicais como a MPB, o forró e o blues. Já Blick Bassy é um renomado cantor e compositor africano. O artista é conhecido por misturar a música tradicional do povo Bassa com soul, eletrônica e folk. Ele ganhou notoriedade internacional cantando em Bassa, sua língua nativa.

A cantora brasileira destaca a importância de levar sua arte para a França ao lado de um artista africano. “Muito feliz e contente em participar deste festival tão massa e com nomes tão especiais da música brasileira e mundial. Gil é uma das minhas grandes inspirações e esbarrar com ele mais uma vez, desta vez em Paris, uma cidade tão viva artisticamente, vai ser incrível. Será lindo também dividir o palco com Blick Bassy, um encontro e união muito forte – especialmente em um evento que celebra a cultura africana e brasileira”, diz Agnes Nunes.

Agnes Nunes.

Sandra Baldé (Umafricana) será a responsável pelos sets do festival celebrando o funk, afrobeats e amapiano. A Guineense é DJ, escritora e empreendedora. Com um percurso notório, a Umafricana ja se apresentou em algumas das salas mais emblemáticas de Lisboa, Porto, Algarve, Funchal e Paris, além de grandes festivais. Os seus sets são muito intencionais, refletindo personalidade única e proporcionando uma verdadeira viagem pelos ritmos pulsantes do continente africano – Afrobeat, Amapiano, 3 Step, Gqom, Afrohouse, Kuduro e Afrotech – que se fundem de forma orgânica com influências de Pop/R&B, latinidades e sons contemporâneos.

Além das atrações musicais, o Back2Black Festival também pretende ocupar a Place du Châtelet, praça onde está situado o teatro, com diversas atividades envolvendo gastronomia, música e dança.

Connie Lopes, criadora do festival, destaca que realizar o evento pela primeira vez na França é um convite para que o público possa olhar o Brasil para além do imaginário tropical. “Chegamos a Paris como um sopro novo ocupando um espaço emblemático. Somos mais do que um evento pontual, realizar o Back2Black em Paris é um ato de diplomacia cultural, afirmando a continuidade e a vitalidade do diálogo França-Brasil. É reafirmar que a herança africana é o coração pulsante da música, da dança, dos sabores e da espiritualidade do Brasil. É um momento para mostrar a fonte de sua energia criativa”, diz a idealizadora do projeto.

A programação do Back2Black Paris vai contar, ainda, com a conferência “África-Brasil”, em que os conferentes serão anunciados nas próximas semanas. Outro destaque do evento é a exposição de obras do artista Carybé, recriando o cotidiano e a espiritualidade da cultura afro-brasileira. E a exibição do documentário “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado, sobre a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. Será a primeira vez que a produção audiovisual será exibida na França.
A chegada do festival a Paris marca uma nova etapa: o Back2Black se afirma como um Manifesto Afro-Brasileiro, dotado de um poder singular de emocionar e surpreender o público parisiense. Após as celebrações oficiais do Ano do Brasil na França, o contexto é especialmente favorável à descoberta de leituras mais profundas da identidade brasileira.

Blick Bassy. Foto: Gabriel Dias.

O Back2Black Festival é patrocinado pelo Ministério da Cultura do Brasil e Petrobras através da Lei de Incentivo à Cultura, o evento também tem apoio da Embratur e é uma realização da Natasha Artes e Théâtre du Châtelet.

Sobre o Back2Black Festival

Back2Black não é apenas um festival: É um movimento, uma força viva movida pela alma da África. Há 16 anos, ele abre caminhos, cria pontes e promove encontros. Com 12 edições no Rio de Janeiro e uma em Londres, o festival revela desde 2009 a contribuição essencial do continente africano e destaca os vínculos genéticos, históricos e culturais entre a África e o Brasil, tornando-se o evento de referência para a difusão das culturas afro-brasileiras.

Ao longo dos seus 17 anos de história, as 12 edições do Back2Black Festival receberam nomes históricos africanos como Youssou N’Dour, Salif Keita, Angelique Kidjo, Amadou & Marion, Fatoumata Diawara, Omou Sangaré, nomes afro-brasileiros como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Jorge Ben Jor, Mano Brown, Ice Blue, Seu Jorge, Martinho da Vila, Emicida, IZA, Luiz Melodia e nomes afro-americanos como Missy Elliot, Erykah Badu, Lauryn Hill, Santigold e muitos outros.

SERVIÇO:

BACK2BLACK PARIS – Uma Manifestação afro-brasileira em Paris

Data: 3 de abril (sexta-feira)

Local: Théâtre du Châtelet (Praça do Châtelet, 1, Paris)

Horário: 20h

Ingressos: De €8 a €84

Reservas e informações: Link.

(Com Igor Basilio/Lupa Comunicação)

Pinacoteca de São Paulo abre temporada de exposições com Pascale Marthine Tayou

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Plastic Tree (2015). Imagem: Andrea Rossetti. Cortesia Galleria Continua.

A Pinacoteca de São Paulo apresenta Knockout!, primeira exposição institucional do camaronês Pascale Marthine Tayou no Brasil. A partir de 7 de março, abrindo a programação expositiva do museu, o artista ocupa as sete galerias do edifício Pina Luz com obras que reorganizam materiais e ativam trocas, refletindo sobre a existência dos objetos cotidianos e convidando o público a olhar para a vida coletiva em diálogo com importantes conferências internacionais. A curadoria é de Ana Paula Lopes e Jochen Volz.

A panorâmica apresenta ao público brasileiro os mais de 25 anos de produção de Tayou, trazendo obras fundamentais como Collones Pascale (2010-2026), L’enfer du décor (2023-2026), além de trabalhos inéditos, como Paradi(se) (2026) e Court-circuit (2026).

Nascido em Nkongsamba, Camarões, Pascale Marthine Tayou construiu uma prática artística marcada pela reorganização de materiais e pela transformação poética de elementos do cotidiano, como cadeiras de plástico, bandeiras, fios elétricos, lápis e utensílios domésticos. Sua trajetória é consolidada por participações em algumas das mais relevantes exposições internacionais de arte contemporânea, incluindo a Bienal de São Paulo, Bienal de Veneza, a Documenta e a Serpentine Gallery, em Londres.

“Suas instalações, esculturas e pinturas são cheias de vitalidade”, diz Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca e curador da mostra. “Um dos nomes mais proeminentes na cena artística global ao longo de três décadas, Pascale Marthine Tayou afirma a capacidade da arte de interromper, reverberar e reconfigurar a maneira como nos posicionamos no mundo e como convivemos com nossas diferenças”, conclui.

Sobre a exposição

O título Knockout! sugere confronto, mas também humor e excesso, elementos que atravessam toda a narrativa da exposição, estruturada a partir de sete conferências internacionais: Berlim, Yalta, São Francisco, Roma, Rio de Janeiro, Bandung e Avignon. Desde o final do século XIX, esses encontros reuniram nações para decisões de impacto global, frequentemente guiadas por interesses estratégicos que resultaram em conflitos, dominação e desigualdades históricas.

Na exposição, Tayou entrelaça esses episódios com experiências estéticas, explorando cores, texturas, materiais e tensões, onde o poético e o político se encontram em atrito constante.

Na primeira sala, dedicada à Conferência de Berlim (1884–1885), que legitimou a partilha colonial da África, uma escultura em forma de lápis com quatro metros de altura ocupa o centro do espaço. O objeto articula, de um lado, a energia criativa do desenho e, de outro, seu potencial bélico inscrito na própria forma, revelando como todo gesto de criação convive com a tensão entre invenção e confronto.
A segunda galeria aborda a Conferência de Yalta (1945), que reorganizou o mundo após a Segunda Guerra Mundial. Nela está L’enfer du décor (2023-2025), composta por quatro grandes colagens sobre tela que reúnem 89 bandeiras nacionais, sugerindo a interdependência entre Estados-nação e refletindo sobre a nacionalidade como condição instável e transitória.

Na terceira sala, associada à Conferência de São Francisco (1945), que resultou na criação da ONU, Tayou apresenta Court-circuit (2026). A instalação articula diferentes materiais em uma estrutura que remete à fiação aérea urbana, com seus improvisos, conexões e fragilidades, evocando os desafios da convivência coletiva.

Na sala seguinte está Collones Pascale (2010-2026), um trabalho site specific desenvolvido por Tayou em diferentes contextos desde 2010. O uso da repetição e acumulação, central no trabalho do artista, aparece aqui por meio do empilhamento reiterado de vasos. Em Knockout!, a obra alude à Conferência de Roma, promovida pela ONU em 1974 para discutir a insegurança alimentar. Fazendo uso de potes locais, o artista trabalha com o quartilhão e o marajoara – usado em religiões de matrizes africanas, construindo uma escultura que vai do chão ao teto e que remete a um problema estrutural sem resolução.

L’Enfer du décor (2025). Imagem: Hafid Lhachmi. Cortesia Galleria Continua.

Na sequência, uma grande instalação de galhos secos e sacolas plásticas coloridas denuncia a poluição ambiental causada pelo excesso de plástico. Plastic Tree (2014-2015) dialoga com a Rio-92, conferência voltada às questões climáticas e ecológicas.

Na sexta galeria, uma casa suspensa de cabeça para baixo desafia noções de estabilidade e os sistemas impostos historicamente. Falling House (2014) se relaciona à Conferência de Bandung (1955), que reuniu países africanos e asiáticos em busca de uma posição política coletiva contra a dominação colonial.

A exposição se encerra com a Conferência de Avignon, um evento criado pelo próprio artista como exercício de crítica e fabulação política. Nesta sala estão algumas de suas obras mais icônicas, como Colorful Stones (2015–2026) e Pascale’s Eggs (2019), que refletem sobre a potência transformadora da arte e a política como prática cotidiana.

A exposição tem apoio da Galleria Continua e A Gentil Carioca.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Luz | 7 salas

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Vanessa da Mata é convidada pela Brazil Conference para palestrar em Harvard

Cambridge, Massachusetts, por Kleber Patricio

Artista brasileira participa da 12ª edição do Brazil Conference, que neste ano traz o tema ‘O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso’. Fotos: Divulgação.

A cultura brasileira amplia seu espaço na construção de narrativas sobre o futuro. A cantora e compositora Vanessa da Mata foi convidada pela Brazil Conference a palestrar na Universidade de Harvard, uma das instituições acadêmicas mais prestigiadas do mundo. A artista brasileira integra a programação da 12ª edição da conferência, maior encontro organizado por estudantes brasileiros nos Estados Unidos e hoje consolidado como um dos principais fóruns de reflexão sobre o futuro do Brasil.

Com o tema “O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso”, a conferência será realizada nos dias 27, 28 e 29 de março. A participação de Vanessa está marcada para o domingo, último dia do evento, cujos ingressos encontram-se esgotados — indicativo da relevância e da expectativa em torno desta edição.

A presença de Vanessa como palestrante em Harvard carrega uma dimensão simbólica de grande relevância. Trata-se do reconhecimento de que a cultura é parte estruturante do desenvolvimento de um país — e não um elemento periférico. Ao convidar uma artista de trajetória consolidada, a Brazil Conference sinaliza que o debate sobre o futuro do Brasil não se restringe a indicadores econômicos ou políticas públicas tradicionais. Ele inclui identidade, diversidade cultural e potência criativa.

Vanessa da Mata representa uma geração de artistas que dialoga com múltiplos públicos, transita entre o popular e o sofisticado, e constrói pontes entre o Brasil profundo e o cenário internacional. Sua presença em um espaço acadêmico de excelência reforça a ideia de que a arte também produz conhecimento. A canção, a literatura e a performance são formas legítimas de interpretação social — capazes de traduzir tensões, desigualdades, afetos e esperanças que muitas vezes escapam à linguagem técnica.

Além disso, ao falar sobre a transformação de desafios em progresso, uma artista traz uma perspectiva singular: a da criatividade como ferramenta de reinvenção. O setor cultural brasileiro é historicamente resiliente, inovador e gerador de impacto social e econômico. Levar essa experiência para um fórum internacional amplia o debate sobre soft power, economia criativa e diplomacia cultural, projetando o Brasil como produtor de pensamento e sensibilidade, não apenas como objeto de análise.

A proposta da Brazil Conference é reunir lideranças de diferentes áreas para discutir soluções concretas para os desafios do país nos campos da ciência, tecnologia, cultura, terceiro setor, empreendedorismo, serviço público e educação. No palco de Harvard, Vanessa abordará a centralidade da cultura como força estruturante do desenvolvimento social e econômico. “A cultura é um pilar de identidade, resistência e transformação social. A música é uma ferramenta de libertação e enquanto artista uso a minha voz para falar de temas que precisam ser debatidos na nossa sociedade. Acredito que a música sempre foi um veículo enorme para lutar contra as injustiças e preconceitos”, afirma a artista, destacando a oportunidade de apresentar, em um espaço de excelência acadêmica, a riqueza e a pluralidade da música brasileira.

Além da palestra, Vanessa será mediadora do painel do programa “Cultura em Ação”, iniciativa da Brazil Conference que reconhece e apoia artistas brasileiros engajados em causas sociais por meio da arte. O projeto selecionou dois representantes para se apresentarem nos palcos de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT): o DJ André Garan, representando a região Nordeste, e a professora e coreógrafa Ana Lúcia, representando o Sudeste.

A participação na Brazil Conference é parte de uma intensa agenda internacional. Vanessa percorre o Brasil com a turnê “Todas Elas”, espetáculo baseado em seu álbum homônimo, lançado em maio do último ano, e prepara o anúncio de datas nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, as próximas apresentações incluem Aracaju, Trancoso, Brasília, São Paulo, Curitiba e Lavras. Paralelamente à carreira musical, a artista avança na escrita de seu novo livro, reafirmando sua atuação multifacetada como compositora, produtora, escritora, artista visual e sócia da Casa Natura Musical.

Com mais de um bilhão de streams no Spotify, Vanessa da Mata figura entre as artistas brasileiras mais ouvidas da plataforma. Apenas em 2025, ultrapassou 224 milhões de reproduções e 19,5 milhões de ouvintes, registrando crescimento expressivo em relação ao ano anterior. São mais de 5,5 milhões de ouvintes mensais distribuídos por 184 países, com destaque para Brasil, Portugal, Estados Unidos e Itália.

“Todas Elas” reafirma sua posição entre as grandes intérpretes e compositoras do país. O álbum reúne onze faixas autorais e participações de nomes como João Gomes, Robert Glasper e Jota.pê. No palco, a artista evidencia sua versatilidade ao transitar entre a canção popular e o canto lírico, incluindo uma interpretação da ária “Mio Babbino Caro”, demonstrando domínio técnico e amplitude artística.

O convite para a conferência não apenas celebra a trajetória de Vanessa da Mata, como também projeta a cultura brasileira como força viva de pensamento, sensibilidade e transformação no cenário internacional. Por fim, a participação de Vanessa reforça uma mensagem essencial: desenvolvimento sustentável exige imaginação, sensibilidade e capacidade de escuta. A arte mobiliza essas dimensões. Em um debate sobre progresso, a cultura não é enfeite — é fundamento.

Sobre a Brazil Conference

A Brazil Conference é a principal conferência realizada pela comunidade brasileira fora do país, destacando-se como um catalisador de ideias e transformações para o Brasil, buscando criar um espaço global de discussão sobre o futuro do país e seu papel no cenário internacional. O encontro, realizado nas universidades de Harvard e MIT, reúne acadêmicos, líderes e representantes de diversos setores e empresas do país para discutir temas abrangentes, desde sociedade e política até economia e cultura. A conferência é desenvolvida e mantida por mais de 160 estudantes voluntários de Harvard, MIT e outras instituições acadêmicas ao redor dos Estados Unidos e conta com a participação de diversos especialistas nacionais e internacionais, que vão discutir as principais questões enfrentadas pelo país.

A edição de 2026 conta com 4 copresidentes: Merllin Batista (Presidente de Comunicação), Marcia dos Santos (Presidente de Impacto Social) Felipe Daud (Presidente de Fundraising), Lucas Moreno (Presidente de Logística), além de Caio Silva (Institucional Chair – MIT) e Andre Menezes (Community, Culture & Well-being Officer).

(Com Igor Basilio/Lupa Comunicação)