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No programa A(u)tores, texto de Caio Fernando Abreu que retrata homofobia ganha destaque na voz da companhia mineira de teatro Luna Lunera

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

No livro ‘Aqueles Dois’, Caio Fernando Abreu retrata a relação de Saul e Raul, colegas de trabalho em uma repartição pública, e a discriminação que sofrem por parte dos outros funcionários que acreditam que eles formam um casal. Imagem: Divulgação.

Uma linda amizade ou o início de uma história de amor? Em seu livro, “Aqueles Dois”, Caio Fernando Abreu retrata a relação de Saul e Raul, colegas de trabalho em uma repartição pública, e a discriminação que sofrem por parte dos outros funcionários que acreditam que eles formam um casal. A obra será abordada no episódio desta semana do programa A(u)tores, do canal Futura, e vai ao ar nesta sexta-feira, dia 4 de julho, às 22h30. Na atração, artistas da televisão, do teatro e da música vivenciam experiências por meio da leitura de grandes autores da literatura mundial. Quem fará a leitura será a Cia Luna Lunera, grupo de teatro de Belo Horizonte que já deu vida à obra nos palcos.

“O trabalho da companhia com o Caio nasce a partir de uma necessidade do grupo de realizar algumas pesquisas. A gente estava desenvolvendo estudos sobre contato e improvisação, que são técnicas de dança nas quais o contato entre duas pessoas vai criando imagens e desenhando dois corpos no espaço. Ao mesmo tempo, a gente buscava as ações vocais de Constantin Stanislavski (ator, diretor, pedagogo e escritor russo mundialmente conhecido pelo seu ‘sistema’ de atuação, no qual reflete sobre as melhores técnicas de treinamento) para encontrar um texto que nos permitisse desenvolver as pesquisas. Nessa época, a gente começou a ler o livro ‘Morangos Mofados’, do Caio Fernando Abreu, e depois, mais especificamente, a gente trabalhou com o conto ‘Aqueles Dois’. Então, essa relação com o Caio nasce dessa necessidade de ter um texto para utilizar nos nossos processos de criação. Estamos muito felizes em reviver essa obra, agora no programa A(u)tores”, explica Cláudio Dias, ator da Cia. Luna Lunera.

O artista também explica o processo criativo do espetáculo. “Os atores dirigem e escrevem a dramaturgia da peça. Este é um trabalho muito pautado no conto, em que a gente se dividiu. Cada semana um trouxe uma proposta de direção e, na última semana, além do conto ‘Aqueles Dois, a gente utilizava o livro ‘Caio em 3D’, uma obra que o Caio Fernando Abreu mandava para outras pessoas. A gente leva também para o espetáculo músicas e filmes das nossas vidas, além de músicas que são citadas nessa grande obra do Caio, que é a literatura e as cartas dele”.

Sucesso de público, a Cia Luna Lunera conquistou não apenas o público mineiro com a obra inspirada no texto de Caio Fernando, mas também o coração de fãs pelo Brasil e pelo mundo. “O espetáculo estreou em 2007 e a gente se apresentou, desde então, em Belo Horizonte, outras regiões do Brasil e em mais nove países. Estreamos em um teatro pequeno, em Belo Horizonte, e depois já fizemos o espetáculo em grandes espaços. Este ano, por exemplo, apresentamos a peça aqui em Belo Horizonte, no Grande Teatro Cemig, no Palácio das Artes, que tem capacidade para receber 1700 pessoas. É um projeto muito bem recebido por onde passa, tanto em Belo Horizonte como nos outros estados. Já passamos por 25 capitais brasileiras, fizemos apresentações no Rio de Janeiro, saímos em turnê por países da América Latina, e, inclusive, apresentamos o espetáculo em espanhol. O público tem um carinho muito grande com a peça”, finaliza Cláudio.

Programa com novo formato

A grande novidade da produção A(u)tores, do canal Futura, é o seu formato inédito, que apresenta leituras de obras consagradas, de autores contemporâneos ou do passado, feitas por artistas renomados ou coletivos culturais relevantes para o público do canal. Ao todo, são 13 episódios de 30 minutos de duração.

Nesta temporada, com a ampliação do tempo de exibição da série – que antes era de cinco minutos – Thiago Sacramento, diretor e roteirista do programa ao lado de Marcio Vianna, ambos da Guaraná Conteúdo, buscam ampliar o contato dos expectadores com a leitura de obras a partir de autores que marcaram a literatura nacional e internacional. Outra novidade é a presença da Fabiana de Pinho, doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Ela traz um olhar acadêmico sobre cada autor, com depoimentos em todos os episódios. “Esperamos que o público seja capturado pela beleza, atemporalidade e magnitude de obras escritas por Machado de Assis, Lima Barreto, Clarice Lispector, Carolina Maria de Jesus, Caio Fernando Abreu, Shakespeare, entre outros, e que se permita tanto o prazer de revisitá-las quanto de conhecê-las. E, principalmente, que a série desperte no espectador o enorme prazer que é estar diante de um livro aberto, que certamente é uma das maiores janelas para o mundo”, afirma Thiago.

Marcio complementa: “A série nasceu para mostrar como a leitura pode nos transportar para diferentes universos, das aventuras eletrizantes até as mais tocantes reflexões sobre a vida. A atração sempre contou com o carisma e o talento de artistas para apresentar os textos, tornando o convite ainda mais irresistível para o público. Nessa temporada, com episódios maiores e uma curadoria de autores consagrados, conseguimos mergulhar mais fundo nessa jornada. Com mais profundidade nessa conversa entre o público e os convidados que protagonizam os episódios, numa troca cheia de afeto sobre o prazer de conhecer cada livro, poema ou letra de música declamada”.

No programa, o público poderá embarcar nas obras de Clarice Lispector, Machado de Assis, Carolina Maria de Jesus, Literatura Indígena, Lima Barreto, Fernando Sabino, Mário de Andrade, Cazuza, Djamila Ribeiro, Shakespeare, Caio Fernando de Abreu, Conceição Evaristo e Solano Trindade. A ideia é, junto com eles, despertar conexões e emoções a partir das histórias apresentadas.

Para Mariana Seivalos, supervisora do Canal Futura, essa nova roupagem do A(u)tores mostrará que diferentes linguagens artísticas podem conversar com a literatura. “Ver artistas que admiramos mergulhando nas obras de seus escritores favoritos é uma experiência poderosa. Revela conexões profundas entre diferentes linguagens artísticas e mostra como a literatura continua a inspirar, provocar e transformar. Estamos muito orgulhosos de lançar a quarta temporada deste projeto — agora com episódios mais longos — e de trazer para a tela autores fundamentais como Lima Barreto, Carolina Maria de Jesus, Mário de Andrade, Machado de Assis, entre tantos outros que moldaram a literatura brasileira.”

Os episódios desta temporada trazem Beth Goulart, Martinho da Vila, Maria Gal, Zahy Tentehar, Luis Miranda, Verônica Sabino, Hugo Germano, Emílio Dantas, Luana Xavier, Grupo Galpão, Cia Luna Lunera, Complexo Negra Palavra, Tatiana Tiburcio, Damiana Inês e Luciana Lopes.

Programação

Estreia aconteceu em 25 de abril, às 22h30

Horários alternativos: sábado 12h; domingo 21h; segunda 2h15; terça 15h30; quarta 1h; quinta 10h30

25 de abril – Clarice Lispector por Beth Goulart: interpretou Clarice Lispector nos palcos e compartilha sua jornada

2 de maio – Machado de Assis por Martinho da Vila: debutou no samba-enredo com uma canção sobre Machado de Assis e segue admirando sua obra

9 de maio – Carolina Maria de Jesus por Maria Gal: interpretou Carolina Maria de Jesus no teatro, encantada pelos textos e atitudes ousadas da escritora

16 de maio – Literatura Indígena por Zahy Tentehar: destacou a importância de Ailton Krenak na Academia de Letras e sua conexão com as palavras

23 de maio – Lima Barreto por Luis Miranda: interpretou Lima Barreto no cinema e, desde então, admira sua obra

30 de maio – Fernando Sabino por Verônica Sabino: filha do escritor e cronista, deu um depoimento íntimo sobre sua relação com a Literatura e sobre a obra do seu pai

6 de junho – Mário de Andrade por Hugo Germano: fala sobre sua adaptação de “Macunaíma” no teatro e a obra de Mário de Andrade

13 de junho – Cazuza por Emílio Dantas: interpretou Cazuza em espetáculo musical, compartilha seu processo, valorização das letras e poesias das canções do artista

20 de junho – Djamila Ribeiro por Luana Xavier: brilhou no teatro com o monólogo adaptado do livro de Djamila Ribeiro e nos convidou a conhecer mais sobre a escritora.

27 de junho – Shakespeare por Grupo Galpão: único grupo brasileiro a se apresentar no Globe Theatre, compartilhou sua versão inovadora do clássico “Romeu e Julieta”

4 de julho – Caio Fernando de Abreu por Cia Luna Lunera: companhia encenou texto baseado em um conto de Caio Fernando Abreu, celebra a escrita do autor e sua relação com o cotidiano

11 de julho – Conceição Evaristo por Tatiana Tiburcio, Damiana Inês e Luciana Lopes: texto de Conceição Evaristo foi o ponto de partida do espetáculo “Ponciá”

18 de julho – Solano Trindade por Complexo Negra Palavra: coletivo artístico homenageia o poeta Solano Trindade.

Sobre o Canal Futura

O Futura é uma experiência pioneira de comunicação para transformação social que, desde 1997, opera a partir de um modelo de produção audiovisual educativa, participativa e inclusiva. É uma realização da Fundação Roberto Marinho e resultado da aliança estratégica entre organizações da iniciativa privada unidas pelo compromisso de investir socialmente, líderes em seus segmentos: Sesi – DN / Senai – DN, Fiesp / Sesi – SP / Senai – SP, Fundação Bradesco, Itaú Social, Globo e Sebrae. O Futura está presente nas principais operadoras de TV por assinatura no Brasil e ainda em uma rede de TVs universitárias parceiras com sinal disponível em TV aberta e parabólicas digitais. Acesso gratuito via Globoplay (link) para acompanhar o sinal ao vivo da programação e um catálogo audiovisual com mais de 185 títulos e 4.500 vídeos.

(Com Carmen Lúcia da Silva/Approach Comunicação)

Teatro Sérgio Cardoso recebe estreia nacional de “Que Tal o Impossível?”, nova obra da Cisne Negro Cia de Dança

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra é inspirada na música homônima de Itamar Assumpção e mergulha no universo sonoro e teatral do artista, combinando movimentos contemporâneos, sensibilidade e ludicidade para celebrar a cidade de São Paulo e sua vibrante diversidade cultural. Fotos: divulgação/Reginaldo Azevedo.

O Teatro Sérgio Cardoso recebe nos dias 25, 26 e 27 de julho a estreia nacional de “Que Tal o Impossível?”, novo espetáculo da Cisne Negro Cia de Dança, uma das mais tradicionais e conceituadas companhias de dança do país. Coreografada por Jorge Garcia, a obra é inspirada na música homônima de Itamar Assumpção e mergulha no universo sonoro e teatral do artista, combinando movimentos contemporâneos, sensibilidade e ludicidade para celebrar a cidade de São Paulo e sua vibrante diversidade cultural.

Com ambientação noturna inspirada na vida boêmia da metrópole, a montagem apresenta cenários visuais impactantes e uma narrativa que mistura poesia, ludicidade e a efervescência urbana. Além da estreia de Que Tal o Impossível?, o público também poderá conferir Lampejos: Uma Degustação Visual, obra criada por Andressa Miyazato em 2022.

Antes da estreia oficial, o espetáculo foi apresentado em uma pré-estreia itinerante, que percorreu cinco municípios do estado de São Paulo: Jundiaí, Sorocaba, Americana, São José dos Campos e Santos.

Como parte da programação cultural, o projeto inclui ainda workshops de dança ministrados pelo coreógrafo Jorge Garcia e palestras sobre a vida e a obra de Itamar Assumpção, que foram realizadas durante a pré-estreia itinerante nos municípios citados.

No Teatro Sérgio Cardoso, o público também poderá participar de atividades complementares gratuitas:

26/7 (sábado) 18h00/19h00 — Workshop “Desenho do Corpo”, com o coreógrafo Jorge Garcia. 30 vagas disponíveis.

Inscrições gratuitas pelo e-mail produção@cisnenegro.com.br;

27/7 (domingo) 14h00/15h00 — Palestra com Anelis Assumpção, filha de Itamar Assumpção, sobre a vida e obra do artista.

Inscrições gratuitas pelo e-mail produção@cisnenegro.com.br.

A direção artística de Que Tal o Impossível? é assinada por Dany Bittencourt, com trilha sonora criada por Maurício Badé e mixagem de Bruno Buarque. A curadoria musical ficou a cargo de Anelis Assumpção, enquanto a cenografia é assinada por Leo Ceolin. O figurino, que contribui para a atmosfera única da montagem, foi desenvolvido pelo renomado estilista João Pimenta.

Com quase 50 anos de trajetória, a Cisne Negro Cia de Dança reafirma seu compromisso com a inovação e a excelência artística, promovendo diálogos entre a dança e outras expressões culturais. Que Tal o Impossível? é uma verdadeira celebração da arte e da cultura paulistana, unindo a força da dança contemporânea à irreverência e genialidade de Itamar Assumpção.

Serviço:

Cisne Negro Cia. de Dança em Que Tal o Impossível?

Datas: 25 e 26 de julho, sexta e sábado às 20h | 27 de julho, domingo, às 16h

Ingressos: Plateia: R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia entrada)

Balcão: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia entrada) | Sympla

Local: Teatro Sérgio Cardoso | Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo – SP

Duração: 90 minutos com 15 minutos de intervalo

Classificação indicativa: Livre

Capacidade: 827 lugares (623 na Platéia e 204 no Balcão)

Ficha Técnica – Que Tal o Impossível?

Direção Artística: Dany Bittencourt

Concepção e coreografia: Jorge Garcia

Trilha Sonora: Maurício Badé

Mixagem: Bruno Buarque

Participação Especial: Anelis Assumpção e Rubi Assumpção

Curadoria Musical: Anelis Assumpção

Cenografia: Leo Ceolin

Iluminação: Rossana Boccia

Figurino: João Pimenta

Sobre Jorge Garcia

Responsável pela coreografia de Que Tal o Impossível?, Jorge Garcia é um dos grandes nomes a dança contemporânea brasileira. Iniciou seus estudos em 1991, em Recife. Em 1995 integrou a Cisne Negro Cia de Dança, e, em 1997, passou a atuar no Balé da Cidade de São Paulo, onde também coreografou obras como Divinéia (2001), Desatino do Norte, Desatino do Sul (2003), R.G. (2006), T.A.T.O. (2012) e Árvore do Esquecimento (2015). Em 2005, fundou a Jorge Garcia Companhia de Dança, com um repertório vasto que inclui peças como Um Conto Idiota, Caixa de Vidro, Take a Deep Breath e Plano Sequência.

Garcia também colaborou com importantes nomes da cena internacional, como a coreógrafa alemã Constanza Macras, e participou da estreia de Água, obra de Pina Bausch, no Tanztheater Wuppertal. Coreografou para cinema, teatro, óperas e espetáculos de rua, com destaque para Carandiru, de Hector Babenco, e Anna, de Heitor Dhalia. Desenvolve, desde 2003, um trabalho de pesquisa em improviso, vídeo e performances urbanas com o grupo GRUA – Gentlemen de Rua, em cidades do Brasil e da Europa.

Sobre o Teatro Sérgio Cardoso

Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso mantém a tradição e a relevância conquistada em mais de 40 anos de atuação na capital paulista. Palco de espetáculos musicais, dança e peças de teatro, o equipamento é um dos últimos grandes teatros de rua da capital, e foi fundamental nos dois anos de pandemia, quando abriu as portas, a partir de rígidos protocolos de saúde.

Composto por duas salas de espetáculo, quatro dedicadas a ensaios, além de uma sala de captação e transmissão, o Teatro tem capacidade para abrigar 827 pessoas na sala Nydia Licia, 149 na sala Paschoal Carlos Magno, além de apresentações e aulas de dança no hall do teatro.

Sobre a Cisne Negro Cia de Dança

Fundada em 1977 por Hulda Bittencourt, a Cisne Negro Cia de Dança é uma das mais renomadas companhias de dança contemporânea do Brasil. Com quase cinco décadas de história, a companhia é reconhecida pela inovação artística, técnica apurada e um repertório diversificado que abrange clássicos do balé e criações contemporâneas. A Cisne Negro tem se destacado tanto em palcos nacionais quanto internacionais, representando o Brasil em importantes festivais e turnês em países como Alemanha, Estados Unidos, China, Africa do Sul, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Escócia, Espanha, Inglaterra, Moçambique, Paraguai, Romênia, Tailândia e Uruguai, onde o grupo exibiu-se como um modelo de trabalho dentro da dança brasileira, construído com profissionalismo e paixão.

A companhia é conhecida por suas montagens criativas, incluindo a tradicional temporada de O Quebra Nozes, realizada anualmente, que se tornou um marco na cena cultural brasileira. Com uma equipe de talentosos bailarinos e sob a direção artística de Dany Bittencourt, a Cisne Negro continua a encantar e desafiar plateias ao explorar novos horizontes na dança.

A Cisne Negro Cia de Dança tem em seus valores a inclusão e está sempre atenta à acessibilidade do público, buscando garantir que sua arte seja apreciada por todos. Com um compromisso inabalável com a excelência e a promoção da arte, a companhia segue firme em sua missão de transformar e enriquecer a vida cultural através da dança.

(Com Vanessa Luckaschek/Luar Conteúdo)

Temporada França-Brasil 2025 celebra 200 anos de relações diplomáticas com extensa programação em todo o país

Paris, por Kleber Patricio

Do passado compartilhado à construção de um futuro sustentável, Temporada 2025 une França e Brasil em cultura, ciência e diálogo global. Foto: ®-A-Robin.

A Temporada França-Brasil 2025 – organizada de abril a setembro na França e de agosto a dezembro no Brasil – é um conjunto de eventos e encontros que celebram 200 anos de relação diplomática e amizade entre os 2 países. A decisão de organizar a Temporada foi tomada pelos presidentes Emmanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 2023, em Paris, com o objetivo de impulsionar a cooperação bilateral, fortalecer as respostas conjuntas aos desafios políticos, sociais e ecológicos contemporâneos e apresentar a riqueza e diversidade da cultura de ambos os países. “Da missão artística de Debret à voz de Ailton Krenak, a Temporada 2025 honra uma trajetória de fascínio e enriquecimento mútuo”, afirma Emmanuel Lenain, Embaixador da França no Brasil.

A Temporada está coordenada pelo Institut Français e o Instituto Guimarães Rosa em estreita colaboração com as Embaixadas da França no Brasil e do Brasil na França, sob a autoridade dos ministérios das Relações Exteriores e da Cultura de ambos os países. Os comissários são Anne Louyot (programação no Brasil) e Emilio Kalil (programação na França).

A Temporada no Brasil

300 eventos acontecerão em 15 cidades brasileiras, com participantes vindo de 16 regiões francesas, assim como de vários países africanos, com o objetivo de estreitar as relações e o diálogo entre os 3 continentes. A participação ativa das regiões francesas das Américas (Guiana Francesa, Martinica, Guadalupe) deve ser destacada.

Gê Viana – Loja de ervas, da série Atualizações Traumáticas de Debret, 2020 Impressão digital em papel algodão. Foto: Galeria Superfície/divulgação.

Os eventos são frutos de intercâmbios e cooperações entre festivais, museus, teatros, universidades, empresas, ONGs, artistas, pensadores, pesquisadores, jovens, sociedades civis dos dois países com foco em 3 temas prioritários:

Democracia e globalização justa e inclusiva: Bandeiras comuns dos presidentes Macron e Lula, em defesa dos valores democráticos e do diálogo internacional;

Diversidade e diálogo com a África: valorização da riqueza das culturas indígenas e afrodescendentes na França e no Brasil e desenvolvimento das cooperações com a África, prioridade diplomática e cultural dos dois países;

Clima e transição ecológica: contribuições conjuntas à luta contra a mudança do clima em articulação com a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (Nice, França – junho de 2025) e a COP30 (Belém, Brasil – novembro de 2025).

Vindos de histórias diferentes, mas compartilhando valores e interesses comuns, nossos dois países aspiram a conjugar ainda mais seus trunfos e criatividades, a fim de ‘mudar e perdurar trocando’, para usar as palavras de Edouard Glissant. A Temporada é o momento de reencontro, um momento-incubadora para testar as melhores formas de trabalhar juntos, criar juntos, enfrentar juntos os desafios globais como o futuro do planeta ou a defesa da democracia e da diversidade cultural”, destaca Anne Louyot, comissária geral francesa.

Além de seu impacto simbólico e cultural, a Temporada desempenhará um papel estratégico nas relações internacionais e diplomáticas, consolidando o Brasil como principal parceiro da França na América do Sul nas áreas de cultura, ciência, sustentabilidade e inovação.

Essa iniciativa representa uma oportunidade única para fortalecer os vínculos entre as sociedades francesa e brasileira, promovendo o diálogo, a diversidade e a construção conjunta de um futuro mais sustentável, criativo e solidário.

A Temporada França-Brasil 2025 é apoiada por um comitê de 15 mecenas: Engie, LVMH, ADEO, JCDecaux, Sanofi, Airbus, CMA CGM, CNP Seguradora, L’Oréal, Total Energies, Vinci, BNP Paribas, Carrefour, VICAT e SCOR.

Serviço:

Site Oficial: www.francabrasil2025.com

Instagram: @francabrasil2025

Tiktok: @francabrasil2025

Facebook: https://www.facebook.com/francabrasil2025

Youtube: https://www.youtube.com/@francabrasil2025

LinkedIn: www.linkedin.com/company/francabrasil2025.

(Com Carolina Amoedo/A4&Holofote Comunicação)

Brasil vai sediar ‘Copa do Mundo do Oceano’ em 2027, diz diretor do INPO

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Silas Baisch/Unsplash.

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar a 3ª Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável em 2027. A escolha foi anunciada na última sexta-feira (27), durante a Assembleia da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da Unesco. Para o diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), Segen Estefen, a Conferência terá um grande impacto para a comunidade científica e sociedade civil brasileira. “Acolher essa Conferência é como sediar uma Copa do Mundo. Receber um evento desse porte significa que o assunto vai permear a nossa sociedade, todos vão ficar informados. Isso gera uma repercussão muito grande, que vai acionar vários gatilhos, como o da própria cultura oceânica. Nossa juventude vai conseguir entender melhor o que está se passando quando se fala em preservação e uso sustentável do oceano”, diz Estefen.

A proposta de sediar o evento foi apresentada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – ao qual o INPO está vinculado – com apoio do Ministério das Relações Exteriores. O evento vai ser coorganizado pela COI e pela prefeitura do Rio de Janeiro. Segen Estefen afirma que o INPO tem muito a contribuir para a organização da conferência. “O planejamento desse evento de grande porte é de extrema importância. São esperadas cerca de 2 mil pessoas. É claro que isso será feito pela COI, mas ela vai precisar do apoio local e um dos papéis do INPO é contribuir com esse apoio, para que a gente tenha um evento bem planejado, com os tópicos bem elencados e com convidados aptos a gerar contribuições e recomendações que resultem em políticas públicas”, explica o diretor-geral.

Liderado pelo MCTI, o Brasil foi o primeiro país a estabelecer um comitê nacional dedicado à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, para coordenar ações e contribuições nacionais. Além disso, o país tem encabeçado iniciativas como a implementação do Currículo Azul nas escolas, evidenciando o engajamento brasileiro com a produção de Ciência Oceânica e formulação de políticas públicas voltadas para o ambiente marinho.

No comunicado oficial divulgado pela Unesco para a escolha do Brasil, o secretário-executivo da IOC-Unesco, Vidar Helgesen destacou o envolvimento do país com o tema. “O Brasil, uma nação onde o oceano está profundamente enraizado em sua identidade, tem sido uma força motriz em cada etapa da implementação da Década do Oceano, estabelecendo uma referência global para que outros países sigam”, ressaltou Helgesen. Segundo o Secretário-Executivo, o Brasil lidera mais de 30 Ações da Década, que vão desde a promoção da igualdade de gênero e restauração de manguezais até a reutilização de redes fantasmas e o enfrentamento de microplásticos e toxinas marinhas.

Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável

A Década da Ciência Oceânica (2021 – 2030) foi proclamada pela Assembleia Geral da ONU, em 2017, e prevê a realização de conferências a cada três anos. A primeira foi organizada pela Alemanha, em 2021, de forma virtual e a segunda foi em 2024, na Espanha.

A organização do evento vai ao encontro do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14 da Agenda 2030 da ONU – Vida na Água – que propõe a “conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”, segundo as Nações Unidas. A conferência tem a finalidade de reunir cientistas, formuladores de políticas públicas, sociedade civil e setor privado com o objetivo de gerar soluções para um oceano mais saudável e sustentável.

Sobre o INPO

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) é uma Organização Social vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Inteiramente dedicado à pesquisa e desenvolvimento do oceano, o Instituto conta com uma rede de cerca de 100 pesquisadores ligados às principais universidades e institutos de pesquisa do país.

Referência nacional sobre o tema oceano, o INPO tem como missão promover as ciências do mar viabilizando o enfrentamento dos desafios nacionais nessa área, incluindo as mudanças climáticas. Com base em conhecimento técnico-científico, o INPO contribui com subsídios científicos para formulação de políticas públicas para beneficiar a sociedade brasileira e ampliar o papel do Brasil no cenário internacional, em prol de um oceano sustentável.

(Fonte: Corcovado Comunicação Estratégica)

Interdição parcial de idosos com Alzheimer em fase inicial: desafios práticos e éticos

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Getty Images/Unsplash+.

A trajetória da personagem Rosa, vivida pela atriz Suely Franco na novela “Dona de Mim”, tem comovido telespectadores e colocou holofotes sobre uma questão importante e crucial na vida de inúmeros brasileiros: o que fazer com quem tem diagnóstico de Alzheimer? Fora os caminhos médicos, existem os caminhos judiciais, ligados à família, que precisam ser observados. Um deles é a interdição parcial.

A medida, diga-se, é legal e está prevista no Código Civil. E se trata de delimitar parcialmente as decisões de um idoso ou qualquer pessoa que não esteja apta a decidir por si.  Mas para casos como o trazido à tona em rede nacional, é preciso se observar a necessidade de uma curatela, conforme previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência. A especialista em Direito de Família Vanessa Paiva explica quando é juridicamente indicado iniciar um processo de interdição parcial em casos de Alzheimer em estágio inicial, como o da personagem Rosa. “O processo de interdição parcial é indicado quando a pessoa, embora apresente limitações cognitivas, ainda mantém certa autonomia para atos simples do dia a dia. Nos casos de Alzheimer em estágio inicial, como o da personagem Rosa, o ideal é que a família busque uma curatela proporcional e limitada, para garantir proteção sem anular por completo a vontade e os direitos da pessoa”, aponta Vanessa Paiva.

Na novela, Rosa, assim como a família, terão desafios práticos inclusive no seio empresarial. Neste âmbito, se torna ainda mais complicada a aplicação da interdição sem esbarrar em princípios éticos e jurídicos, já que a empresa é familiar. “Quando há envolvimento em atividades empresariais, a curatela precisa ser ainda mais bem delineada. É fundamental que se preserve ao máximo a participação do interditando, mas que também se garantam os interesses da empresa e da coletividade envolvida. Por isso, o judiciário cada vez mais tem adotado cautela no momento de deferir e definir a curatela”, explica Vanessa Paiva.

Vanessa Paiva é advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, pós-graduada e mestre em direito, professora de Direito de Família, autora de obras jurídicas e sócia administradora do escritório Paiva & André Sociedade de Advogados.

(Com Bruna Ferrão/M2 Comunicação)