Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Susana Vieira leva para Campinas “Lady – Uma Comédia sobre a Vida”

Campinas, por Kleber Patricio

Serão três apresentações no fim de semana no Teatro Oficina do Estudante: na sexta-feira e no sábado às 21h e, no domingo, às 19h. Fotos: Nana Moraes.

A atriz Susana Vieira é a atração do Teatro Oficina do Estudante neste fim de semana, com o espetáculo “Lady – Uma comédia sobre a vida”. O encontro entre Lady Macbeth e Susana Vieira é a base do texto de Vana Medeiros, que intercala a biografia da atriz com alguns dos mais belos trechos da obra original de Shakespeare. Neste monólogo, a protagonista é uma atriz que passa sua vida a limpo faltando poucos minutos para entrar em cena e interpretar Lady Macbeth, a emblemática personagem de Shakespeare.  A vida da própria Susana se une a trechos do autor inglês em uma viagem pela trajetória pessoal e profissional da atriz, que se revela em um texto franco e corajoso.

As apresentações serão realizadas entre os dias 20 e 22 de junho, às 21h na sexta-feira e no sábado e às 19h no domingo. Os ingressos custam de R$ 75,00 a R$ 150,00. A classificação etária é de 10 anos. “Eu sempre sonhei em interpretar Lady Macbeth. Gosto de todas as peças de Shakespeare. São histórias que envolvem os grandes defeitos que nós temos: egoísmo, vingança, inveja, adultério. Eu acho que todos os sentimentos e todos os atos negativos que o ser humano tem, Shakespeare consegue colocá-los no palco e fazer uma reflexão profunda a respeito disso”, diz a atriz Susana Vieira. O espetáculo propõe um diálogo intenso e bem-humorado com a plateia. “Decidi aproveitar e contar a minha história, falar dessa minha vontade de montar um clássico, mas também mergulhar na minha biografia. E aí eu vou conversando com a plateia, contando tudo que eu passei, como foi a minha carreira e presto uma homenagem às grandes atrizes com as quais eu trabalhei”, explica a atriz.

O texto é também uma ode ao teatro. “Tenho grande respeito pelo teatro. Mesmo com novas coisas surgindo, como a inteligência artificial, nada substitui o contato do público com o seu ator, sua atriz, com seu autor preferidos. Enquanto existir um ator vivo no palco, haverá também uma alma viva na plateia, nessa comunhão”, exalta. Para dirigir ‘Lady’, Susana escolheu a atriz Leona Cavalli, pela qual nutre grande admiração, e que tinha um projeto de fazer um documentário sobre ela. “O que me atraiu foi o convite irrecusável da Susana para dirigi-la em uma peça que une momentos da sua vida com uma das maiores personagens da dramaturgia de todos os tempos. Eu sempre admirei a Susana, não só pela atriz magnífica que é, com sua imensa capacidade de ir do drama à comédia em segundos e se comunicar com qualquer tipo de público, mas também por sua autenticidade e força, de uma mulher que encara todos os desafios e se renova constantemente”, explica Leona.

Teatro Oficina do Estudante Iguatemi Campinas

Programação | junho de 2025

Sujeita a alterações

Confira as atualizações no site http://www.teatrooficinadoestudante.com.br

 20, 21 e 22/6, sexta e sábado, às 21h, e no domingo, às 19h

Susana Vieira – Lady – Uma Comédia sobre a Vida

Ingressos: de R$ 75,00 a R$ 150,00

Classificação etária: 10 anos

27/6, sexta-feira, às 21h / extra às 19h

Renato Albani – Novo Show – Stand-up

Ingressos: de R$ 60,00 a R$ 120,00

Classificação etária: 16 anos

28/6, sábado, às 15h e às 18h (extra)

Gabriel e Shirley – Gashi O Show – Infantil

Ingressos: de R$ 150,00 a R$ 300,00

Classificação etária: Livre

29/6, domingo, às 15h

Cleptons – Os Estranhos – Infantil

Ingressos: de R$ 35,00 a R$ 80,00

Classificação etária: Livre

29/6, domingo, às 19h

Rodrigo Marques – O Entusiasta – Stand-up

Ingressos: de R$ 50,00 a R$ 120,00

Classificação etária: 16 anos.

(Fonte: Ateliê da Notícia)

Banda Jovem do Estado homenageia compositores japoneses nos 130 anos do Tratado de Amizade Brasil-Japão

São Paulo, por Kleber Patricio

Concerto da Banda Jovem do Estado. Foto: Robs Borges.

A Banda Jovem do Estado, grupo artístico ligado à Escola de Música do Estado de São Paulo – Emesp Tom Jobim irá realizar dois concertos no mês de junho: dia 26, às 20h, no Teatro Gamaro e dia 29, às 11h, na Sala São Paulo. Os ingressos no Teatro Gamaro custam de R$ 26 (meia-entrada) a R$ 52 (inteira), já na Sala São Paulo a entrada é gratuita.

Com o programa Sakura, as apresentações homenageiam compositores japoneses que escreveram músicas para bandas sinfônicas, a fim de torná-los mais conhecidos do público brasileiro, como explica a regente Mônica Giardini. “2025 marca as comemorações dos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil- Japão, por isso optamos por esse programa”, diz.

Os concertos terão peças de Tomohiro Tatebe, Yasuhide Ito e Toshio Mashima. Além disso, será executada a 5ª Sinfonia “Sakura”, do americano Alfred Reed. “Ele foi decisivo para ensinar orquestração de bandas sinfônicas no Japão, influenciando toda uma escola de compositores”, explica Mônica Giardini.

Em mais de 30 anos de atividades, a Banda Jovem do Estado equilibra em seus programas o repertório tradicional de banda sinfônica com arranjos de peças eruditas, composições populares e concertos temáticos, sob a regência de Mônica Giardini.

SERVIÇO:

BANDA JOVEM DO ESTADO

Sakura

Banda Jovem do Estado

Mônica Giardini, regência

PROGRAMA

TOMOHIRO TATEBE (1957 –)

Dance Celebration – 3’04”

YASUHIDE ITO (1960 –)

Festal Ballade for Band – 9’

ALFRED REED (1921 – 2005)

Fifth Symphony “Sakura” – 21′

TOSHIO MASHIMA (1949 – 2016)

Les Trois Notes du Japon – 17′

I – La Dance des Grues

II – La Riviere Enneigeé

III – La Fête du Feu

Concertos:

26 de junho, quinta-feira, 20h, Teatro Gamaro

Ingressos: R$ 26 (meia) e R$ 52 (inteira), aqui

29 de junho, domingo, 11h, Sala São Paulo

Entrada franca

Duração: 60 minutos

Classificação: Livre

A temporada da Banda Sinfônica Jovem do Estado conta com patrocínio do Bank Of America, Crédit Agricole, Wallerstein e Cultura Inglesa, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e é uma realização da Santa Marcelina Cultura, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo Federal.

MÔNICA GIARDINI, REGENTE

Doutora e mestre pela ECA-USP, com formação em piano, e bacharel em violão e pedagogia plena. Estudou regência orquestral e de banda com os maestros Osvaldo Lupi, Willian Nichols, Roberto Farias, Alceo Bocchino, Fábio Mechetti, Roberto Duarte, Aylton Escobar, Eleazar de Carvalho e Juan Serrano, do qual foi assistente na Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Recebeu o troféu Mulher em Sol Maior, o Prêmio Mulheres no Mercado e o Prêmio Excelência Mulher.

BANDA SINFÔNICA JOVEM DO ESTADO

Com mais de 30 anos de atividades, a Banda Sinfônica Jovem do Estado, grupo ligado à EMESP Tom Jobim – instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela organização social Santa Marcelina Cultura – equilibra em seus programas o repertório tradicional de banda sinfônica com arranjos de peças eruditas, composições populares e concertos temáticos. Com uma proposta que proporciona vivência pedagógica e prática artística versátil aos bolsistas, a Banda os prepara para a rotina profissional.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Amaro Freitas Trio se apresenta no Sesc Belenzinho

São Paulo, por Kleber Patricio

Renomado pianista se inspira em sons da Amazônia para criar seus álbuns. Foto: Micael Hocherman.

Nos dias 21 e 22 de junho, o Sesc Belenzinho recebe Amaro Freitas Trio. O show será no Teatro, com ingressos de R$ 18 (Credencial Sesc) a R$ 60 (inteira). Amaro Freitas é um dos principais nomes da cena atual do jazz, seu trabalho apresenta de melodias marcantes a grooves mântricos, temas que trazem um importante aceno à diáspora africana. Nesta apresentação ele contará com Sidiel Vieira (Contrabaixo Acústico) e Rodrigo “Digão” Braz (Bateria) trazendo uma formação, após o elogioso lançamento do seu último disco solo, Y’Y, e suas apresentações solo.

Com seu último álbum Y’Y, Amaro Freitas adentra um novo reino da criação musical. Um reino enraizado na magia e na possibilidade, temperado por um senso de responsabilidade pelas dádivas da Terra. O Lado A serve como uma expressão de conexão com a Terra e os ancestrais, prestando homenagem à floresta e aos rios do Norte do Brasil tanto com a música quanto com o título do álbum, Y’Y, uma palavra escrita no dialeto Sateré Mawé, um código indígena ancestral que significa água ou rio. E trazendo à vida lições que aprendeu na Amazônia sobre o poder incandescente de espíritos encantados que intervêm em nome da comunidade em tempos de luta. No Lado B, Y’Y mostra as conexões entre a comunidade global de avant-jazz negro. Reunindo o multi-instrumentista Shabaka Hutchings, a harpista Brandee Younger, o baixista Aniel Someillan, o guitarrista Jeff Parker e o baterista Hamid Drake, a música cria uma conversa artística ao entrelaçar tradições do jazz de todo o mundo, mantendo-se enraizada nos sons e rituais únicos encontrados nas culturas afro-brasileira e indígena.

Amaro Freitas Trio é um dos principais nomes da cena atual do jazz, com o posto de revelação do jazz internacional por “uma abordagem do teclado tão única que é surpreendente” (Downbeat), já circulou por turnês no Brasil e exterior, inclusive em festivais importantes, como: Cork Jazz (Irlanda do Norte), Montreux Jazz Festival (Suíça), Pisa Jazz (Itália), e no lendário Newport Jazz Festival (Estados Unidos).

Vencedor do Prêmio Multishow (2024) na categoria: Instrumentista e melhor álbum do ano pela APCA (2024), Amaro consta no seu currículo parcerias com: Lenine, no projeto Em Trânsito, Milton Nascimento e Criolo, no EP Existe Amor, nas faixas: Cais e Não Existe Amor em SP, além da cantora: Sandy em Amor não Testado.

Serviço:

Amaro Freitas Trio

Dias 21 e 22 de junho de 2025. Sábado, 21h; domingo, 18h

Local: Teatro (374 lugares)

Valores: R$ 60 (inteira); R$ 30 (Meia entrada), R$ 18 (Credencial Sesc)

Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc

Classificação: 12 anos

Duração: 90 minutos

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento:

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

Transporte Público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube: @sescbelenzinho.

(Com Priscila Dias/Assessoria de Imprensa Sesc Belenzinho)

84% das pessoas pretas relatam discriminação no Brasil, revela estudo nacional inédito

Brasil, por Kleber Patricio

No Brasil, 70,9% das pessoas pretas relataram mais de uma razão para se sentirem discriminadas. Foto: FreePik.

Pela primeira vez, uma pesquisa nacional mediu como brasileiros percebem e vivem a discriminação no dia a dia, e os resultados revelam uma desigualdade profunda: a cor da pele é o principal fator de discriminação no país. O estudo aplicou em a Escala de Discriminação Cotidiana e mostrou que 84% das pessoas pretas entrevistadas afirmam já ter sofrido discriminação racial. Entre as mulheres pretas, o índice de experiências discriminatórias múltiplas chega a 72%. Os dados são do programa Mais Dados Mais Saúde, realizado por Vital Strategies e Umane, com parceria técnica da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), apoio do Instituto Devive e colaboração do Ministério da Igualdade Racial.

O levantamento ouviu 2.458 pessoas de todas as regiões do país, entre agosto e setembro de 2024, utilizando metodologia online com ponderação estatística baseada no Censo 2022 e na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Os entrevistados avaliaram, por exemplo, se são tratados com menos respeito ou gentileza, se recebem atendimento pior ou são vistos como desonestos. As respostas mostram uma diferença marcante conforme a cor da pele: 57% das pessoas pretas afirmam receber atendimento pior, contra 28,6% dos pardos e 7,7% dos brancos. Situações como ser seguido em lojas, ser alvo de insultos ou ser tratado como inferior também foram muito mais frequentes entre pessoas pretas e pardas.

A discriminação é frequentemente atribuída a mais de uma razão — como raça, renda, aparência física ou origem. A intersecção entre essas causas torna a experiência ainda mais complexa para grupos como as mulheres pretas, as mais afetadas. Segundo Janaína Calu, consultora em equidade racial e saúde da Vital Strategies, “é fundamental que também seja considerado o fato de que os indivíduos frequentemente ocupam mais de uma posição socialmente desfavorecida e que essas podem interagir para moldar suas experiências”. A abordagem da interseccionalidade, nesse contexto, é considerada essencial para compreender o impacto cumulativo da discriminação.

Os resultados mostram ainda que 70,9% das pessoas pretas atribuem duas ou mais razões às situações discriminatórias vividas. A sobreposição entre raça e outros fatores, como gênero, aparência ou classe social, contribui para experiências mais frequentes e severas. Para Layla Pedreira Carvalho, diretora de Políticas de Ações Afirmativas do Ministério da Igualdade Racial, os dados mostram que “não há solução única para enfrentar o racismo institucional” e que “a pesquisa evidencia a importância de fortalecer o monitoramento de práticas discriminatórias em diferentes dimensões da sociedade”.

O impacto da discriminação na saúde pública também é central na análise. Estudos anteriores já relacionavam experiências discriminatórias com impactos negativos na saúde mental e física. Para Pedro de Paula, diretor-executivo da Vital Strategies, o SUS pode ter papel estratégico na mitigação dessas desigualdades: “Gerar evidências sobre a discriminação significa incorporar mais dados a serem considerados ao avaliar a dimensão dos determinantes sociais e do racismo na saúde e informar políticas públicas que visam o combate das desigualdades”.

Segundo Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane, a nova fase do estudo reforça o compromisso do programa com temas urgentes da saúde pública. “Nosso objetivo é que as informações coletadas sirvam de subsídios para o debate público e para a construção e atualização de políticas públicas que promovam maior equidade no acesso a direitos pela população”, afirma.

(Fonte: Agência Bori)

Quem disse que autistas não namoram?

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Андрей Сизов/Unsplash.

É o mês dos namorados e, com ele, é necessária uma reflexão sobre quem, por muito tempo, foi deixado de fora das conversas sobre romance: as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). De acordo com Dr. Matheus Trilico, especialista no tratamento de adultos com TEA, é hora de desconstruir estereótipos ultrapassados. “Existe uma narrativa equivocada de que pessoas autistas não teriam interesse ou capacidade para relacionamentos românticos. Essa visão não apenas é incorreta, como também extremamente prejudicial”, alerta o especialista.

Na prática, o que isso significa? Que sim: pessoas autistas desejam se apaixonar, viver histórias a dois e construir conexões reais. E mais: são totalmente capazes de manter relacionamentos saudáveis, desde que recebam suporte adequado e empatia do parceiro.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Autism and Developmental Disorders, 73% dos adultos com TEA expressam interesse em relacionamentos amorosos, embora muitos relatem dificuldades para iniciar e manter esses vínculos. “As barreiras sociais existem, mas não podem ser vistas como impeditivos definitivos”, explica o neurologista. “Esses desafios estão frequentemente relacionados às características próprias do transtorno, como a interpretação literal da linguagem e a dificuldade em compreender sinais sociais não-verbais”, explica o especialista.

Além disso, Dr. Trilico chama atenção para um ponto delicado: o isolamento social. Entre adultos com TEA, esse distanciamento pode aumentar o risco de depressão e ansiedade. “A literatura médica mostra que, quando não há acolhimento ou espaço para se relacionar, esses indivíduos tendem a desenvolver quadros de sofrimento emocional”, completa.

Nos últimos anos, os diagnósticos de TEA em adultos vêm crescendo — e com eles, a necessidade de ampliar o olhar sobre as questões afetivas dessa população.
Dr. Trilico enfatiza que a comunicação é frequentemente um dos maiores desafios no relacionamento. Pessoas neurotípicas dependem muito de comunicação indireta e sinais sutis que podem não ser imediatamente perceptíveis para aqueles no espectro. No entanto, quando há compreensão mútua e adaptações na comunicação, relacionamentos extraordinariamente profundos podem florescer.

Estratégias para relacionamentos entre neurodivergentes

O especialista compartilha três estratégias práticas que têm demonstrado eficácia em relacionamentos neurodiversos:

Comunicação explícita e direta: Substituir insinuações por solicitações claras e estabelecer um “dicionário emocional” para traduzir sentimentos em palavras específicas.

Criação de rotinas compartilhadas: Desenvolver rituais de conexão previsíveis que proporcionem segurança emocional e reduzam ansiedade.

Implementação de “pausas sensoriais”: Reconhecer sinais precoces de sobrecarga sensorial e estabelecer acordos prévios para momentos de regulação necessários.

“Minha experiência clínica contradiz completamente o estereótipo de que pessoas autistas seriam emocionalmente distantes. Na verdade, muitas demonstram uma lealdade e dedicação extraordinárias em seus relacionamentos, além de uma honestidade que elimina jogos emocionais tão comuns nas relações neurotípicas”, observa Dr. Trilico, compartilhando uma perspectiva raramente discutida.

Estudos da Universidade de Cambridge mostram que pessoas com TEA tendem a desenvolver apego seguro quando suas necessidades específicas são compreendidas e respeitadas dentro dos relacionamentos. Isso contrasta fortemente com o estereótipo de que seriam incapazes de conexão emocional profunda.

A crescente visibilidade de casais onde um ou ambos os parceiros estão no espectro tem contribuído significativamente para mudar percepções. Representações culturais como o documentário “Amor no Espectro” têm auxiliado na desconstrução de preconceitos e na demonstração da diversidade de experiências amorosas entre pessoas autistas. “Cada pessoa no espectro é única, assim como seus relacionamentos. O que observamos clinicamente é que, com suporte adequado e compreensão mútua, esses relacionamentos podem ser tão gratificantes e significativos quanto quaisquer outros”, conclui Dr. Matheus Trilico.

Sobre Dr. Matheus Trilico | Dr. Matheus Luis Castelan Trilico é médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) e mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR com Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista.

Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/.

(Com Andrea Feliconio)