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Saiba como destinar parte do imposto de renda para ajudar vítimas do Rio Grande do Sul

Rio Grande do Sul, por Kleber Patricio

Foto: Marinha do Brasil.

O Rio Grande do Sul está em estado de calamidade pública devido às fortes chuvas que acometem o Estado nos últimos dias. Dados da Defesa Civil apontam que cerca de 90% do total de municípios sofrem com as consequências desses temporais. Diante disso, o Brasil inteiro está se mobilizando para ajudar os gaúchos. Muitas pessoas, de várias partes do país, estão fazendo doações de dinheiro via PIX por meio de ‘vaquinhas’ virtuais. Também estão sendo doados itens essenciais, os quais estão em falta por lá, como água potável, alimentos diversos e roupas em boas condições de uso, entre outros. O especialista em finanças pessoais João Victorino explica que é possível destinar parte do imposto de renda para ajudar as vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul. A iniciativa, que já era prevista em lei, ganha mais visibilidade neste momento, visto que o prazo da entrega da Declaração do Imposto de Renda se aproxima, no dia 31 deste mês.

“As doações podem ser direcionadas a fundos da Criança e do Adolescente, da Pessoa Idosa, bem como a projetos sociais, ambientais (para entidades dedicadas à reutilização, ao tratamento e à reciclagem de resíduos sólidos), culturais e esportivos, respeitando um limite total de dedução de até 6% do imposto devido. Caso o contribuinte deseje doar mais, o valor adicional não poderá ser deduzido do imposto a pagar”, explica o especialista.

João ressalta que ao preencher a declaração, é possível selecionar o estado e a cidade onde os fundos atuam. A opção de doar a projetos sociais está disponível apenas para quem utiliza a declaração completa, não sendo possível para aqueles que optam pela versão simplificada. No entanto, quem já entregou a declaração pode fazer uma retificação para incluir as doações.

No caso dos Fundos da Criança e do Adolescente, é possível escolher a entidade estadual do Rio Grande do Sul ou as entidades dos municípios afetados pelas chuvas. O valor das doações é deduzido diretamente do imposto a ser pago ou restituído posteriormente a quem tem valor a receber.

Para realizar uma doação, basta acessar a plataforma de declaração do IRPF e ir até a seção ‘Pagamentos’. Lá, você pode selecionar os fundos ou projetos que deseja apoiar. Siga os passos abaixo:

– Clique em ‘Doações Diretamente na Declaração’.

– Selecione a aba ‘Criança e Adolescente’ ou ‘Pessoa Idosa’

– Clique na opção ‘novo’.

– Escolha o tipo de fundo: ‘estadual’ e selecione Rio Grande do Sul, ou ‘municipal’ e escolha uma das cidades gaúchas afetadas pelas inundações.

– O programa informará os valores máximos que podem ser doados: 3% para cada tipo de destinação e 6% no total.

– Para doar o total de 6%, repita o processo na outra aba não selecionada no passo dois.

– Após enviar a declaração, imprima o Documento de Arrecadação de Recursos Fiscais e efetue o pagamento até 31 de maio (para moradores de uma das 336 cidades do Rio Grande do Sul em estado de calamidade pública, o prazo se estende até 31 de agosto).

– Se você tiver imposto a pagar, será necessário imprimir um ou mais Darfs adicionais. Na mesma seção ‘Imprimir’, acesse ‘Darf do IRPF’.

Segundo João, também é possível fazer doações diretamente a instituições e declarar essas doações no ano seguinte. “A instituição que recebe a doação deve emitir um comprovante, que o contribuinte precisa guardar. Para que a doação seja deduzida do imposto devido, ela deve ser feita a fundos e instituições supervisionados por conselhos municipais, estaduais, distritais ou nacionais”, finaliza.

(Fonte: Seven PR)

AperiOpera apresenta a ópera ‘Tosca’, de Giacomo Puccini

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Foto: Paolo Chiabrando/Unsplash.

No dia 7 de junho, às 20h, a AperiOpera Brasil apresenta uma experiência cultural única no Altruísta Osteria e Enoteca, um restaurante italiano localizado no bairro Jardins, em São Paulo. Este evento exclusivo que já encantou centenas de brasileiros em São Paulo e em Belém do Pará promete proporcionar uma experiência inesquecível.

Durante a apresentação, os participantes terão a oportunidade de conhecer o mundo da Ópera de uma forma envolvente, diferente e cativante. Um ator especializado guiará os presentes durante aproximadamente 75 minutos, explicando cada ato e acompanhando o espectador pelo enredo da Ópera, na magia da música e do canto. A obra será contextualizada, proporcionando percepções exclusivas sobre os personagens, a história por trás do libreto, o contexto histórico, e outras curiosidades.

Este ano, em especial, será comemorado o centenário da morte do compositor da ‘Tosca’, Giacomo Puccini. Dia 7 de junho será uma boa oportunidade de explorar esta composição. Os ingressos incluem uma mini degustação e uma taça de vinho de 120ml, permitindo que os espectadores desfrutem dos sabores autênticos da Itália. Garanta o seu lugar e desfrute da cultura, música e sabores italianos. Não perca essa oportunidade de vivenciar o AperiOpera – uma experiência que vai além da Ópera. Os ingressos já estão disponíveis.

Local: Altruísta Osteria e Enoteca – Restaurante Italiano

Endereço: Alameda Campinas, 952 – Jardins, São Paulo – SP

Sobre AperiOpera | AperiOpera é uma iniciativa cultural que combina música, narrativa e gastronomia italiana para oferecer experiências únicas aos seus participantes. Com eventos realizados em diversos países, seu objetivo é promover a apreciação da Ópera de forma acessível e envolvente, ultrapassando as fronteiras do tradicional.

(Fonte: A Fonte Comunica)

Espetáculo ‘Depois do ensaio, Nora, Persona’ desdobra diálogo entre Bergman e Ibsen

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: André Voulgaris.

Dando continuidade à pesquisa sobre o terror nas relações cotidianas, em sua dimensão racializada, o encenador José Fernando Peixoto de Azevedo estreia ‘Depois do ensaio, Nora, Persona’. A peça estreia no Sesc Avenida Paulista no dia 24 de maio de 2024 e cumpre temporada até 23 de junho, com sessões às quintas, sextas e sábados, às 19h; aos domingos e no feriado, 30 de maio, às 17h e, na quarta, dia 19 de junho, às 19h.

O trabalho estabelece uma relação entre os textos ‘Depois do ensaio’ e ‘Persona’, do escritor e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918–2007), e ‘Casa de Boneca’, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828–1906). As obras, que discutem temas como o abandono, a inveja, o teatro e o cinema, ganharam novos contornos a partir da dramaturgia de Azevedo. “Desde que montei ‘Ensaio sobre o terror’, em 2023, estamos retomando uma experiência de coletivo. Aos poucos vai se consolidando a Sociedade Arminda, uma plataforma de trabalho, de aquilombamento, inicialmente com Rodrigo Scarpelli e Thainá Muniz”.

Já para este projeto, outros artistas se agregam. É o caso da diretora de arte Beatriz Barros e do diretor musical Muato, além do aprofundamento da parceria com o cineasta André Voúlgaris. “Em mira, os embates que acontecem quando brancos e negros estão juntos. Aqui, nesse ‘juntos’, a cifra do que interessa investigar, apostar, inventar”, diz o diretor.

A questão da interracialidade passou a integrar a trama. Em ‘Depois do ensaio, Nora, Persona’, o público assiste a três peças – uma na sequência da outra. A experiência tem a duração total de 3h40 com um intervalo de 20 minutos. Embora a articulação dos textos não seja imediata, Azevedo realiza uma combinação de trajetórias, fazendo com que uma fábula vá se desdobrando na outra com pequenas adaptações que dão a ver a atualidade do material.

Sobre a encenação

O espetáculo começa com ‘Depois do ensaio’. Na trama, enquanto ensaia para montar ‘Casa de Boneca’, uma jovem atriz negra discute com seu diretor, um homem branco de meia idade, a respeito de certos impasses do trabalho e da vida, fazendo vir à tona aspectos não resolvidos de ambas as trajetórias. Os dois têm visões muito diferentes sobre o fazer teatral, sobre a maneira de politizar o trabalho e como viver/tratar os conflitos.

Ao mesmo tempo, a memória da mãe da jovem – uma grande atriz, amante do diretor, que morreu em crise com suas escolhas – toma a cena, presentificada em sua força falante, um fantasma exigindo justeza entre palavra e gesto, ali, onde a justiça talvez já não seja possível. “Com ‘Depois do ensaio’, estou fazendo algo que eu não fazia há muito tempo: uma cena aterrissando na palavra, sem nada que a enquadre, senão os próprios atores, sem utilizar dispositivos do audiovisual, por exemplo” – esta, uma característica do trabalho do encenador José Fernando.

A segunda parte do trabalho é composta pela montagem de Casa de Boneca, que teve uma versão do próprio cineasta, em 1981, em que atualizava alguns aspectos do original ibseneano. Agora a peça aparece intitulada ‘Nora’, concebida também como um conto de terror. Isso porque a protagonista, em seu casamento com um jovem advogado e banqueiro branco, vivencia uma espiral intensificada de ameaças e devastação, sentindo-se constantemente pressionada por um empréstimo que fez e não deveria. Essa situação evoca aspectos presentes nos dois textos de Bergman, integrando os espetáculos em um movimento de suspense sem solução. E, para criar esse clima aterrorizante, Azevedo retoma um dos elementos centrais das suas montagens: a prática do cinema ao vivo em cena.

Três câmeras estão em cena, telas exibem imagens ao vivo e gravadas e o cenário é construído a partir de chroma key, recurso que permite a substituição de uma cor sólida (no caso, o azul) por uma imagem. A trilha sonora também é executada ao vivo.

Por fim, em ‘Persona’, uma atriz colapsa em cena e perde a voz. Na tentativa de se recuperar, confronta-se com uma jovem mulher: a enfermeira que, no esforço de cuidar da outra, compreende a falta como um abandono de si. São duas mulheres negras tendo que lidar com a palavra que irrompe no silêncio, como desencontro. ‘Persona’, aqui, divide-se em duas partes. Em um primeiro momento, os espectadores acompanham uma espécie de filme sonorizado ao vivo pelos atores. Depois, quando a fala colapsada emerge em cena, recupera-se a dinâmica do filme inteiro sendo feito ao vivo, como acontece com a encenação do ‘Casa de Boneca’.

“Com esse projeto, discutimos a permanência dos corpos negros em cena. Por isso, temos pelo menos três gerações de teatro no trabalho. Em ‘Depois do ensaio’, temos duas gerações radicalmente diferentes de mulheres negras em cena, o que permite uma reflexão sobre teatro, sobre racialidade no teatro, sobre interracialidade e sobre o lugar dessas mulheres no teatro que fazemos”, comenta Azevedo.

Cena de ‘Persona’. Foto: André Voúlgaris.

O jogo entre as atrizes, no trânsito entre uma parte e outra, em cena, e a cena em que vemos a atriz jovem, sua mãe, também atriz; ou a atriz revendo o que ainda é possível considerar de sua personagem, Nora, e, depois, de si mesma, são elementos decisivos que, integrados pela presença da câmera e o cinema ao vivo, fazem ver um tanto da violência estrutural que define nossa sociabilidade no seu momento interracial, quando o silencio é nome de ferida social.

Sinopse | ‘Depois do ensaio, Nora, Persona’: três ensaios sobre a falta e as formas do terror que atravessam processos de mobilidade social na dinâmica interracial disso que ainda chamamos sociedade. Primeiro, o teatro e o que nele se faz na medida em vamos nos inventando a nós mesmos; depois, os confrontos da cena em sua demanda violenta de atualidade sem recuos; por fim, o trabalho de cura sobre os corpos que não esquecem suas dores, mas que as vão mapeando, no esforço de não se perderem em meio a elas, numa reiteração sem fim.

Ficha Técnica

Textos: Ingmar Bergman (Depois do ensaio, Persona) e Henrik Ibsen (Casa de Boneca)

Tradução: Karl Erik Schøllhammer (Depois do ensaio, Casa de Boneca, Persona) e Aderbal Freire-Filho (Casa de Boneca)

Dramaturgia, dispositivo de cena e de imagem, direção geral: José Fernando Peixoto de Azevedo

Elenco: Daniel Tonsig, Castilho, Ellen Regina, Filipe Roseno, Izabel Lima, Rodrigo Scarpelli, Thainá Muniz e Victor Barros

Direção técnica e de imagem: André Voúlgaris

Direção de arte: Beatriz Barros e Maíra Sciuto

Direção musical e trilha: Muato

Desenho de Luz: Denilson Marques

Assistente de direção: Diego Roberto

Operação de câmera e edição de imagens: Fredo Peixoto

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Kelly Santos

Produção: Gabi Gonçalves e Anderson Vieira – Corpo Rastreado.

Serviço:

Depois do ensaio, Nora e Persona

Com Sociedade Arminda e direção de José Fernando Peixoto de Azevedo

De 24 de maio a 23 de junho de 2024 | quintas, sextas e sábados, às 19h; domingos e feriados, às 17h

Quinta, 30/5, às 17h30, 30/05, às 17h

Quarta, 19/6, às 19h

Duração: 230 minutos, com intervalo

Sesc Avenida Paulista

Local: Arte II (13º andar) – Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo – SP

Ingressos: R$50 (inteira), R$25 (Meia) e R$15 (Credencial plena).

(Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

O Auto de Ariano, o Realista Esperançoso

João Pessoa, por Kleber Patricio

João Suassuna, Soni Cassiano e Adeilton Pereira. Foto: Divulgação/Grupo Officina.

No coração de João Pessoa, o museu LUZZCO lançou em abril uma jornada imersiva que promete mergulhar os espectadores nas origens e na obra de um dos maiores ícones da cultura brasileira: Ariano Suassuna. Sob o título ‘O Auto de Ariano, o Realista Esperançoso’, este espetáculo inovador não apenas celebrará a vida e o legado do escritor, dramaturgo e poeta, mas também oferecerá uma experiência sensorial e física única para o público.

A jornada imersiva promete transportar os espectadores através das diferentes facetas da vida e da obra de Suassuna, oferecendo vislumbres de momentos íntimos e raros, como o traje que ele usava e a cadeira em que costumava sentar-se para contar suas histórias. João Suassuna, neto do escritor e uma das mentes criativas por trás da exposição, compartilhou insights sobre o processo de elaboração e montagem: “Costumo dizer que essa é a empreitada mais trabalhosa que entrei, mas também, na mesma medida, a mais prazerosa”, relatou ao Portal de Notícias e Serviços de Turismo.

A itinerância do espetáculo, que começou na Paraíba e seguirá para Pernambuco, reflete não apenas as raízes do artista, mas também sua influência em todo o Brasil. João compartilhou a intenção de levar o espetáculo para além das fronteiras nacionais, revelando convites para apresentações até fora do país.

Ariano Suassuna (1927–2014). Foto: Igor Almeida Suassuna/Pixabay.

O Grupo Officina destaca-se como um importante difusor da cultura nordestina. Além disso, apoia o museu LUZZCO e não poderia deixar de fazer parte dessa homenagem. Adeilton Pereira, cofundador do Grupo, ressalta: “Participar de um projeto tão grandioso é motivo de grande honra para nós. Ariano representa de forma única a riqueza e a alegria do nordeste”.

A exposição imersiva não se limita apenas à contemplação passiva, mas também inclui atividades especiais, como a aula-espetáculo ‘Na Trilha do Mestre’, ministrada pelo neto do autor. Espera-se que essa experiência não só preserve o legado de Ariano Suassuna, mas também inspire uma nova geração de admiradores da cultura brasileira. “Somos loucos, loucos em querer realizar, loucos de querer regar na nossa aldeia e levar para frente o Nordeste que dá certo, o Nordeste que inspira. Eu tinha o sonho de fazer algo relacionado a Ariano. Conversando com João, vi que ele também desejava algo diferente de tudo o que já tinha visto, já que vive Ariano diariamente. Unimos nossos desejos e o resultado foi essa maravilhosa exposição”, declara Jader França, CEO do LUZZCO.

Com essa homenagem à vida e à obra de Ariano Suassuna, o LUZZCO não apenas celebra um dos maiores talentos do Brasil, mas também reafirma o valor da cultura e da arte em nossa sociedade. Como ressalta João Suassuna, “Ariano é um dos grandes da nossa história e está tendo uma homenagem na mesma medida de sua dimensão”.

(Fonte: Lucky Assessoria de Comunicação)

Instituto Tomie Ohtake apresenta o programa expositivo ‘Diásporas asiáticas’

São Paulo, por Kleber Patricio

Kimmi Nii – ‘Brotos e sementes’ – Exposição ‘Tocar a Terra – Cerâmica contemporânea nipo-brasileira’. Foto: Cabrel Escritório de Imagens.

Como aponta o diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, em um espaço cultural que recebe o nome de Tomie Ohtake, pensar as diásporas asiáticas é uma tarefa inevitável. Os numerosos conflitos, crises, invenções, revoluções e guerras ao longo do século XX foram determinantes tanto para a diáspora de importantes parcelas da população asiática quanto para o afluxo de imigrantes de diversas partes do mundo ao Brasil – tendo o estado de São Paulo como um destino comum para muitos fluxos diaspóricos devido a suas dinâmicas econômicas e sociais. “É um processo conflituoso, com perdas e trocas que atravessam as gerações e são definidas pela constante transformação”, completa Miyada.

O programa ‘Diásporas asiáticas’ procura somar forças a esse processo ao sublinhar o impulso criativo de artistas vindos da China, da Coreia do Sul e do Japão (ou mesmo nascidos aqui, em famílias imigrantes), exemplares de seus fluxos migratórios e, ao mesmo tempo, casos singulares dentro da história da arte brasileira. O programa foi produzido com recursos captados via Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Obra de Chen Kong Fang. Foto: Sergio Guerini.

Diásporas asiáticas compreende três mostras, sendo duas individuais dos artistas Chen Kong Fang (Tung Cheng, China, 1931 – São Paulo, SP, 2012) e Hee Sub Ahn (Seul, Coreia do Sul, 1940). A terceira mostra, uma coletiva, apresenta trabalhos dos ceramistas nipo-brasileiros Akinori Nakatani, Alberto Cidraes, Hideko Honma, Katsuko Nakano, Kenjiro Ikoma, Kimi Nii, Kimiko Suenaga, Luciane Sakurada, Marcelo Tokai, Mário Konishi, Megumi Yuasa, Mieko Ukeseki, Renata Amaral, Shoko Suzuki e Tomie Ohtake. Ao lado das obras dos ceramistas, haicais do artista Kenichi Kaneko são dedicados a cada um dos ceramistas reunidos. A presença de Tomie se dá, ainda, por uma parte do folder que acompanha a exposição – cujo acesso pode se dar por QR Code – ser dedicada a suas obras públicas e a sua presença na cidade de São Paulo. A publicação conta ainda com textos inéditos dos curadores das mostras sobre os artistas e os universos retratados nas mostras e ainda com um texto comissionado de Lais Miwa, pesquisadora que vem se destacando no debate acerca da presença e da visibilidade da população asiática no contexto brasileiro.

‘Chen Kong Fang – O refúgio’, com curadoria de Paulo Miyada e Yudi Rafael, se debruça sobre a carreira e a obra desse artista que construiu sua vida no Brasil desenvolvendo a sua prática pictórica no cenário artístico paulistano por cerca de cinco décadas. A exposição, primeira retrospectiva do artista em uma instituição brasileira, reúne um conjunto de mais de cem obras, entre pinturas a óleo e sumi-ês produzidos entre o final dos anos 1940 e o início da última década. Segundo os curadores, em vez de um partido cronológico organizado em fases sucessivas, a mostra enfatiza como o artista, que concebia a pintura como um caminho, fez de seu labor uma lida constante com gêneros pictóricos consolidados. “Tomando partido da reabertura experimental pelas vanguardas modernas, Fang imprimiu sua dicção própria nas ideias de retrato, paisagem e natureza morta”, completam. A exposição ‘Chen Kong Fang – O refúgio’ conta com o patrocínio da CTG Brasil.

Obra de Hee Sub Ahn. Foto: Ricardo Miyada.

A exposição ‘Hee Sub Ahn — O caminho’, com curadoria de Catalina Bergues e Julia Cavazzini, exibe pela primeira vez o trabalho da artista em um contexto institucional. A partir dos mais de cinquenta anos de criação intensa, selecionou-se um recorte das obras produzidas principalmente na década de 1980, poucos anos após sua chegada. Segundo as curadoras, a produção de Hee é atravessada pelas memórias do lugar de origem e pela nova comunidade aqui construída no bairro do Bom Retiro, no qual a artista ocupa papel central. “A disciplinada e rotineira criação artística de Hee se torna um íntimo ritual de dar significado ao que percebe em seu entorno”, destacam Bergues e Cavazzini.

Já ‘Tocar a terra – Cerâmica contemporânea nipo-brasileira’, com curadoria de Rachel Hoshino, curadora convidada, e que conta com assistência de Ana Roman, elege a cerâmica para tratar do tema diáspora japonesa – “por ser ela, simultaneamente, matéria e metáfora: o terreno no qual se aporta, se planta e se habita é a terra tocada com arte pelo ethos nipônico”, explica a curadora. São obras de 15 artistas baseados no estado de São Paulo cujas atividades, pesquisas e repertórios são influenciados pelas tradições do Japão independentemente de sua ascendência. Segundo as curadoras, para além de forma e símbolo, é a experiência de energia latente que faz com que sementes e brotos sejam temas recorrentes em suas obras. “Muitas delas são deixadas em ambiente natural, onde continuam sua metamorfose sob os efeitos de intempéries e da ocupação por outros seres”. Disso, ressalta Hoshino, resulta a outro importante conceito nipônico: ‘wabi-sabi’ (侘び寂び), ideal estético-filosófico segundo o qual o belo reside no imperfeito, no impermanente e no incompleto. “A plasticidade da argila, o respeito pelo tempo e a consciência da interdependência entre tudo fazem com que a cerâmica seja prática favorável ao diálogo do ceramista com a sua história, seu entorno e consigo próprio”, completa Hoshino.

Exposição – Programa Diásporas asiáticas

Chen Kong Fang – O refúgio

Hee Sub Ahn – O caminho

Tocar a terra – Cerâmica contemporânea nipo-brasileira

Em cartaz até 26 de maio de 2024 | terça a domingo, das 11h às 19h | entrada franca

Programação Pública – últimas semanas:

21 de maio – 19h – 21h

Sessão comentada do filme Bem-vindos de novo

Bem-vindos de novo é um filme que conta a história da família do cineasta Marcos Yoshi. Na virada do milênio, seus pais, os descendentes de japoneses Yayoko e Roberto Yoshisaki, foram tentar uma vida melhor no Japão, enquanto seus três filhos ficaram no Brasil com os avós. O casal retorna 13 anos depois e a família passa por uma complexa reconstrução afetiva, documentada por Marcos. A história de uma família dividida entre a necessidade de garantir o sustento e o desejo de permanecer junta. Após a sessão do filme, haverá debate com Marcos Yoshi acerca dos processos de migração, identidade cultural e os laços que unem família e comunidade. Mais informações e inscrições aqui.

24 e 25 de maio

Workshop gratuito de Butoh – Mutsumineiro

Conduzido pelo duo Mutsumineiro, o workshop de Butoh é um espaço de exploração artística e autodescoberta fundamentado nos princípios dessa forma de dança japonesa. Inicialmente, os participantes são introduzidos aos conceitos básicos do Butoh, abrangendo sua história, filosofia e técnicas de movimento. Em seguida, são conduzidos por uma série de exercícios que visam desenvolver a consciência corporal, promover a improvisação e estimular a expressão emocional com o intuito de liberar a energia criativa e alcançar um estado de presença autêntica. O workshop integra ainda práticas de meditação, visualização e exploração do espaço facilitando uma conexão mais profunda entre os participantes e seu ambiente circundante. Esses elementos complementares auxiliam na jornada de autodescoberta e incentivam uma compreensão mais íntima de si mesmo e do mundo ao redor. Mais informações e inscrições aqui.

26 de maio – 16h às 17h

Apresentação artística de Butoh | Tonight or Never – Mutsumineiro

A peça é inspirada no primeiro filme de Daniel Schmid, Tonight or Never, e conta a história de duas almas separadas que se reencontram após uma longa jornada. É um casamento eterno. Quando duas almas estão ouvindo os batimentos cardíacos uma da outra, são abençoadas. Mesmo com uma distância entre a vida e a morte, a morte ama a vida e a vida sopra na morte. Mais informações aqui.

29 de maio – 19h às 20h30

Clube de Leitura – Grama, de Keum Suk Gendry-Kim

O Clube de Leitura é um espaço de conversa com atenção e presença, mas também de descanso e fruição. Os livros de cada ciclo serão selecionados a partir das pesquisas desenvolvidas pelas exposições, dos desejos do grupo e das diferentes leituras de mundo que atravessam o nosso tempo. O livro escolhido para a conversa do mês de maio é o quadrinho Grama, de Keum Suk Gendry-Kim.  A obra, lançada na Coreia do Sul em 2017, já ganhou publicações em outros seis idiomas e tem colecionado prêmios e elogios da crítica no mundo todo. Vagas limitadas. Mais informações e inscrições aqui.

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros, SP

Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela

Fone: (11) 2245-1900.

(Fonte: Instituto Tomie Ohtake)