Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Rota das Artes: novo itinerário turístico mineiro reúne oito cidades e oferece diversas atrações

Minas Gerais, por Kleber Patricio

Palácio da Liberdade, antigo local de trabalho do Governador de Minas Gerais. Foto: Cid Costa Neto – Obra do próprio, CC BY 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1435490. 

O Brasil tem mais um roteiro organizado para aqueles que querem desfrutar de boa culinária, conhecer museus e casas de artesanato, vivenciar a história brasileira e colecionar memórias ao lado de um povo generoso e hospitaleiro. Minas Gerais organizou um novo itinerário que precisa entrar na lista de qualquer viajante: a Rota das Artes.

O percurso contempla experiências espalhadas por oito cidades mineiras: Belo Horizonte, São Joaquim de Bicas, Igarapé, Brumadinho, Congonhas, Ouro Branco, Ouro Preto e Mariana – todas elas já famosas por outros três roteiros disponíveis: o Circuito do Ouro, o Destino Veredas e o Circuito Liberdade.

Lançada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, a Rota das Artes tem 16 atrações sugeridas. Elas começam pela capital do estado, Belo Horizonte, mais precisamente no belíssimo Palácio da Liberdade, sede histórica do governo mineiro, construído em 1895.

No novo roteiro, os turistas têm acesso à arte barroca, modernista e contemporânea, em atrações que proporcionam o envolvimento do visitante. É possível até mesmo confeccionar, com a ajuda de artesãos, uma peça única e exclusiva.

Na parte que também integra o Circuito do Ouro, o viajante se sente dentro de um livro de história do Brasil. O Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, por exemplo, é destino obrigatório para a contemplação de obras em pedra sabão esculpidas por Aleijadinho, carregadas de relevância cultural, religiosa, histórica e artística.

Alguns pontos da Rota das Artes também permitem ao turista vivências ecológicas, como um passeio pelo Instituto Inhotim, na cidade de Brumadinho, o maior museu a céu aberto da América Latina. E, claro, estar em Minas Gerais é garantia de boa comida. O novo circuito traz ainda a indicação de restaurantes que vão além da mesa e contam a trajetória da culinária mineira.

Desenvolvimento local | O novo itinerário turístico de Minas Gerais não é uma boa notícia apenas para os visitantes. Com o roteiro, o Governo do Estado espera impulsionar o desenvolvimento local, gerando emprego e renda no setor. Assim, estabelecimentos como hotéis, pousadas, restaurantes e empreendedores a exemplo de taxistas e artesãos, entre outros tantos trabalhadores, devem ver crescer a chegada de turistas a estas cidades.

Confira o roteiro completo da Rota das Artes:

Circuito Liberdade

Em Belo Horizonte:

  • Palácio da Liberdade
  • Museu das Minas e do Metal.

Circuito Veredas

Em Brumadinho:

  • Inhotim
  • Arte, cerâmica e brunch no Ateliê Nanart
  • Arte em cerâmica na Pousada Estalagem do Mirante
  • Brunch na Vila Lavanda
  • Coração em Branco
  • Alquimia dos Quintais

Em São Joaquim de Bicas:

  • Estações com o chef
  • Da Cozinha ao Quintal da Mestra

Em Igarapé:

  • Arte em Madeira.

Circuito do Ouro

Em Congonhas:

  • Santuário do Bom Jesus de Matosinhos
  • Museu de Congonhas.

Em Ouro Branco:

  • Cerâmica Saramenha

Em Ouro Preto:

  • Restaurante Sebastião

Em Mariana:

  • Ateliê Edney do Carmo.

(Fonte: Ministério do Turismo)

Nova orquídea é descoberta nos jardins do Inhotim

Brumadinho, por Kleber Patricio

Catasetum x inhotimensis, nova orquídea encontrada no Inhotim, resultado do cruzamento de Catasetum hookeri e Catasetum lanciferum. Fotos: Brendon Campos.

A revista científica francesa Richardiana publicou um artigo no mês de março deste ano reconhecendo um novo híbrido natural chamado Catasetum × inhotimensis, descoberto no Instituto Inhotim no final de 2023 pelo biólogo Lucas Assis. O taxonomista participou do Projeto de Atualização de Coleções Botânicas, realizado pela Curadoria Botânica do Instituto no segundo semestre de 2023. A descoberta deste novo híbrido de orquídea é um dos desdobramentos do projeto.

Um híbrido é o resultado do cruzamento entre duas espécies diferentes de plantas. Nesse caso, o cruzamento aconteceu naturalmente (sem intervenção humana). Híbridos naturais podem ocorrer quando as áreas de distribuição de duas espécies se sobrepõem e as condições são adequadas para o cruzamento e podem exibir uma mistura de características das duas espécies parentais. O Catasetum x inhotimensis é resultado do cruzamento de Catasetum hookeri e Catasetum lanciferum e seu nome foi uma homenagem ao local em que foi descoberto.

No Instituto Inhotim, a polinização das plantas é aberta; ou seja, várias espécies diferentes ocupam o mesmo território e a polinização é feita de forma livre por insetos, pássaros, vento ou outros mecanismos naturais. Assim, é comum que o pólen de uma chegue até a outra.

Em geral, esse encontro não resulta em fecundação e não forma sementes férteis para reprodução. Porém, eventualmente, essa transferência natural é bem-sucedida e o pólen de uma espécie pode fecundar outra diferente e é dessa reprodução inesperada que surge o híbrido. Em meios artificiais, especialmente com finalidades de ornamentação e paisagismo, a hibridização é muito utilizada, pois permite gerar plantas com novas formas, cores, tamanhos e texturas.

No Inhotim, o Catasetum x inhotimensis, a princípio, tem seu valor como curiosidade botânica, uma planta útil para ensinar sobre processos de reprodução da flora e como planta de valor ornamental por suas características únicas. Para ações de pesquisa e conservação fora do seu habitat natural, a equipe de Jardim Botânico investe no estudo de espécies raras e ameaçadas de árvores, palmeiras e aráceas, especialmente dos biomas Cerrado e Mata Atlântica.

BGCI Accreditation | Certificação de Jardim Botânico obtida pelo Inhotim

O Instituto Inhotim é o primeiro jardim botânico do Brasil a receber o selo de BGCI Accredited Garden. O BGCI (Botanic Gardens Conservation International) é a maior rede de jardins botânicos do mundo, à qual o Inhotim é filiado desde 2021. A organização é referência na coordenação, capacitação e mobilização de jardins para ações de priorização, planejamento e monitoramento para conservação de plantas.

O processo de certificação teve como objetivo aprimorar sua atuação e se alinhar com os padrões internacionais estabelecidos na rede. Para obtê-la, o Inhotim foi avaliado em critérios que abrangem liderança, gestão de coleções, fitotecnia, educação ambiental, ações de conservação, pesquisa científica, equipe especializada, parcerias institucionais e práticas de sustentabilidade.

O BGCI define componentes básicos para uma instituição ser reconhecida como jardim botânico e que ajudam a medir o seu desempenho e sucesso. A obtenção deste selo é uma conquista importante para o Inhotim, pois certifica que o Instituto opera segundo os mais altos padrões internacionais para jardins botânicos. A certificação obtida também é um recurso que distingue jardins botânicos de outros tipos de jardins e reconhece instituições que colaboram para a conservação da flora.

INFORMAÇÕES GERAIS

INSTITUTO INHOTIM

HORÁRIOS DE VISITAÇÃO

De quarta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30.

Aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30.

Nos meses de janeiro e julho, o Inhotim abre também às terças-feiras.

ENTRADA

Inteira: R$50,00 | Meia-entrada*: R$25,00

*Veja as regras de meia-entrada no site: www.inhotim.org.br/visite/ingressos/

ENTRADA GRATUITA

Inhotim Gratuito: Quarta Gratuita Inhotim – todas as quartas-feiras são gratuitas; Domingo Gratuito Inhotim B3 – último domingo do mês é gratuito; moradores e moradoras de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim; Amigos do Inhotim e crianças de 0 a 5 anos.

LOCALIZAÇÃO

O Inhotim está localizado no município de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte (aproximadamente 1h15 de viagem). Acesso pelo km 500 da BR-381 – sentido BH/SP. Também é possível chegar ao Inhotim pela BR-040 (aproximadamente 1h30 de viagem). Acesso pela BR-040 – sentido BH/Rio, na entrada para o Retiro do Chalé.

INHOTIM LOJA DESIGN | A loja do Inhotim, localizada na entrada do parque, oferece itens de decoração, utilitários, livros, brinquedos, peças de cerâmica, vasos, plantas e produtos da culinária típica regional. É possível adquirir os produtos também na loja online.

GASTRONOMIA | O Inhotim oferece aos visitantes diferentes opções para alimentação. No tradicional Restaurante Tamboril, o público encontra um ambiente integrado aos jardins e ao acervo de arte contemporânea, com um cardápio a preço fixo e extensa carta de vinhos, além de uma mesa de sobremesas com doces diversos. Já o Restaurante Oiticica, localizado próximo à obra ‘Invenção da cor, penetrável Magic Square #5, De Luxe’ (1977), de Hélio Oiticica, traz refeições self-service a quilo com menu que inclui saladas e opções de caçarolas quentes. O Café das Flores, situado próximo à recepção do Inhotim, oferece em seu cardápio o clássico pão de queijo mineiro, além de opções de lanches, bolos e café. Mais opções de cafés, lanches rápidos, hambúrgueres e sobremesas são servidos nas imediações da Galeria True Rouge pelo OOP Café, na Galeria Miguel Rio Branco pelo Bayo e, na Galeria Galpão, com a hamburgueria Hack. Completam as opções de alimentação no Inhotim a Casa de Sucos e a Pizzaria do Teatro.

O Inhotim tem a Vale como Mantenedora Master, a Cemig como parceira estratégica, Shell, Itaú e B3 como Patrocinadores Master e conta com o Patrocínio Ouro do Santander, da Volvo e da CBMM. Os patrocínios são viabilizados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

(Fonte: Instituto Inhotim)

Evento marca doação de 50 mil livros infantis em Campinas

Campinas, por Kleber Patricio

Fotos: Ricardo Lima.

A Fundação Educar e a Secretaria da Educação de Campinas uniram esforços em um evento que reforçou a importância da leitura na formação de cidadãos conscientes desde a infância: a doação de 50 mil livros infantis para escolas públicas da região como um passo significativo na promoção da educação e da cidadania.

Realizado no CEI Profª Sônia Maria Alves Castro Perez, no Jardim Maria Rosa, na manhã do último dia 14, o evento contou com a presença do presidente da Fundação Educar, Luis Norberto Pascoal e do secretário da Educação de Campinas, José Tadeu Jorge. Juntos, eles destacaram o compromisso de proporcionar educação de qualidade para todas as crianças.

“A gente, na Fundação Educar, sempre imaginou que um livro, para a criança, é a única forma de fazê-la sonhar. Agora, na era digital, o livro é mais importante ainda. A Fundação Educar já produziu mais de 50 milhões de livros e quer chegar a 100 milhões de livros, principalmente para crianças e adolescentes. Trata-se de um tema que não tem como discutir: ou o Brasil educa as crianças com livros, ou teremos crianças despreparadas para enfrentar os desafios”, afirmou Luis Norberto Pascoal.

Ação teve início com evento na CEI Profª Sônia Maria Alves Castro Perez, no Jardim Maria Rosa.

O objetivo da iniciativa, que conta com apoio da DPaschoal e da JCP Translog, empresa de transporte e logística que faz a ‘carona solidária’, distribuindo sem custo os livros em todos os pontos, é alcançar todas as escolas e instituições de ensino conveniadas da Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Campinas. Cada criança beneficiada recebe dois livros cuidadosamente selecionados para sua faixa etária, totalizando mais de 24,5 mil crianças em 174 escolas e instituições.

Reforçando a importância do hábito da leitura desde cedo, os organizadores ressaltaram que a mediação de leitura desempenha um papel fundamental na formação de habilidades e no estímulo à imaginação das crianças. Durante a solenidade, as crianças do CEI Profª Sônia Maria Alves Castro Perez participaram de uma emocionante contação de histórias, ilustrando vividamente os benefícios e a magia dos livros. “A educação infantil fornece todas as bases e as condições para as crianças aprenderem e desenvolverem as etapas seguintes da educação, até o fim da vida, porque a gente continua aprendendo sempre. Essa fase da criança é a fase de maior aprendizagem intuitiva que o ser humano possui e ela precisa ser aproveitada. Para isso, o meio lúdico é sempre o mais importante. Então a leitura, a história, abrir para as crianças a imaginação e fazer com que elas aprendam através dessa intuição, é fundamental. E é isso que um livro faz”, disse José Tadeu Jorge.

Os livros doados fazem parte do projeto Leia Comigo!, um programa de incentivo à leitura criado pela Fundação Educar no ano 2000, em Campinas. Ao longo de 24 anos, o Leia Comigo! já distribuiu gratuitamente cerca de 50 milhões de livros em todo o Brasil buscando instigar o prazer pela leitura e democratizar o acesso aos livros.

Livros fazem parte do projeto Leia Comigo!, programa de incentivo à leitura da Fundação Educar.

Além do trabalho de editoração, publicação e distribuição gratuita de livros, a Fundação Educar oferece acesso gratuito ao seu acervo literário em seu site, onde os interessados podem ler online. Além disso, contações de histórias dos títulos estão disponíveis no canal do YouTube da Fundação. Para ampliar ainda mais o acesso à leitura, a Fundação está lançando audiolivros com audiodescrição.

Sobre a Fundação Educar | A Fundação Educar é uma organização sem fins lucrativos mantida pelo investimento social privado da Cia. DPaschoal. Acredita na educação para a cidadania como estratégia de transformação socioeconômica. Para que a cidadania plena seja exercida, é preciso garantir que as pessoas se reconheçam como protagonistas de suas vidas e de suas comunidades, desenvolvam a capacidade de interpretar o mundo por meio da leitura e sejam agentes de mudança para a construção de um futuro melhor. Saiba mais.

(Fonte: Alfapress Comunicação)

Mochila nas costas e pé na estrada: descubra as experiências e aventuras de um professor apaixonado por viajar

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: Chris Anderson/Unsplash.

Cair na estrada e conhecer roteiros incríveis pelo Brasil. A cada nova parada uma descoberta e a consciência que de norte a sul existem riquezas para serem vividas e celebradas. Essa é a nova série do Ministério do Turismo, que traz relatos reais de turistas comuns e suas aventuras pelo país. A série ‘Os Viajantes do Brasil’ vai nos mostrar vários estilos de turistas e como, cada um ao seu modo, vem descobrindo a diversidade dos atrativos turísticos nacionais.

O nosso viajante de hoje é o professor universitário Daniel Azevedo, de 35 anos. Mochileiro e amante de ecoturismo, Daniel costuma fazer viagens longas e sempre se hospeda em hostels para ampliar suas relações sociais, fazer novos amigos e economizar em cada parada. Ele acredita que o turismo é um forte aliado da preservação ambiental e aposta na sustentabilidade para o futuro do setor. Seus destinos preferidos são aqueles que o conectam com o meio ambiente de forma singular. Vem com a gente e vamos conhecer esse Viajante do Brasil.

Para começar, conta para gente que tipo de turista você se considera.

Eu diria que sou a mistura de mochileiro com uma visão mais ecoturista. Então, eu vou sempre na busca dessa visão de compartilhamento, de me hospedar em hostel, com uma pegada mais barata, ao mesmo tempo que gosto dessa vibe mais ‘roots’, de ficar isolado no meio do mato. E nessa perspectiva eu já tive algumas viagens legais no Brasil que refletem isso.

Que tipo de experiências você busca quando vai viajar?

Como eu viajo em um contexto mais isolado, mais mochileiro, eu busco conhecer pessoas novas, compartilhar experiências, conversar sobre mundos diferentes e estar em um lugar que tem uma beleza única conectada à natureza. Seja em um pequeno riacho ou com uma vista exuberante, mas não simplesmente pela vista em si. Acho que o que faz aquilo ter a beleza é também o cuidado que se tem com aquele lugar. É o contato das pessoas que cuidam daquilo, preservam aquele lugar para manter preservado. E isso é fundamental como um turismo que não vem para degradar.

Então, você busca também essa conexão com lugares que tenham essa preservação ambiental?

Com certeza. Não tem sentido você ir para um lugar, desejar viver aquela experiência e não cuidar daquilo para que outras pessoas possam viver também, de uma forma sustentável e consciente. Em certos lugares, por exemplo, tem que se ter cuidado, porque tem ocorrido um evento chamado de ‘overturismo’. No Brasil, já se tem estudos sobre isso, que são destinos que estão saturados por não comportar, especialmente em feriados prolongados, por exemplo, a quantidade de pessoas que estão indo para aquele lugar. Para isso, é preciso de uma gestão que saiba equilibrar o turismo com a preservação ambiental. Isso é fundamental.

Você pode citar algum projeto que presenciou e viu os resultados ligados à preservação ambiental com o turismo?

Acho que um caso legal que me marcou foi passar o ano novo na nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Era uma viagem relativamente curta, mas foi muito especial pois era visível que aquele lugar teve um projeto importantíssimo para a preservação da nascente do rio. Então você visita, mas com toda uma proteção, porque ali simplesmente nasce uma das maiores bacias hidrográficas do Brasil. E antes desse projeto, aquela região estava abandonada, degradada e fizeram toda uma restauração e agora você pode continuar visitando, você pode ir lá, mas com todo um cuidado de preservação ambiental da área. É muito lindo e interessante.

Conta para mim alguma experiência sua de viagem aqui pelo Brasil que marcou assim com essa pegada de ecoturismo.

Olha, acho que uma das coisas que mais me marcaram foi a viagem para o Monte Roraima, que fica ali na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. É um lugar – não sei se você já viu um filme chamado ‘Up – Altas Aventuras’ – de um velhinho que bota balões na casa e vai viajando. Eu gosto muito daquele filme. Botei na internet e vi que o Paraíso das Cachoeiras, que é do filme, existia. E eu vi que era no Brasil. Eu falava “preciso ir ver o Paraíso das Cachoeiras” e, quando eu fui, foi sensacional. Foi uma experiência muito forte. São cinco dias de caminhad – três para ir, dois para voltar, acampando. Perdi duas unhas (risos), porque a gente atravessa rio, sobe rio, anda oito horas por dia com o mochilão nas costas, mas foi talvez umas paisagens naturais mais marcantes que eu já vi na minha vida. E além de tudo, tem a dinâmica social ali da fronteira brasileira, que é bem legal. Então, para mim foi uma experiência muito marcante que você tem a relação com a paisagem, a relação social ali que é bem interessante, são os próprios indígenas que ajudam a gente a levar as coisas para cozinhar, então tem uma troca muito legal.

E como é que você se planeja para as viagens que você faz aqui pelo Brasil?

Então, em geral, eu acho que minhas viagens são até vistas como meio doidas, porque eu gosto muito de viajar sozinho, durante períodos longos, então eu gosto de ficar em hostel. Estar em hostel é parte da viagem, porque ali você conhece gente do Brasil inteiro, a gente acaba criando conexões e conhecendo pessoas que depois pode até marcar uma nova viagem e conhecer outros locais, outras realidades.

Tem gente que acha doideira, porque eu já fiquei em quarto com oito pessoas, com 16 pessoas e tem seus problemas, obviamente, mas tem seus benefícios; então, numa balança de benefícios e problemas, os benefícios superam muito mais para mim.

E para fechar, o que não pode faltar na sua viagem, Daniel?

Olha, se eu definisse uma coisa que não pudesse faltar, eu acho que eu botaria a própria ideia de espontaneidade. Então assim, não planejar muito. Eu não planejo muito. Tem um local que eu quero ir, mas o que eu vou fazer à noite, o que eu vou fazer de manhã, eu não coloco um caderninho, um roteiro definido sobre cada hora do meu dia e para onde eu quero ir. Então, eu deixo livre. Quanto mais espontâneo for a viagem nesse sentido ecoturista e mochileiro, melhor.

E assim, chegamos ao fim dessa série de histórias e experiências dos nossos Viajantes do Brasil. Fica de olho aqui, e em nossas redes sociais, que em breve tem mais.

Conheça o Brasil: Voando | Lançado pelo Ministério do Turismo e o Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com a ABEAR e as empresas aéreas, o programa tem o objetivo de impulsionar o setor de viagens no país por meio de ações e medidas que serão desenvolvidas pelos envolvidos.

A iniciativa une esforços do governo federal e da iniciativa privada para que mais brasileiros voem e conheçam o Brasil, com a adoção de benefícios como o Stopover. A modalidade, já oferecida pela Gol e a Latam em Brasília (DF) e São Paulo (SP), permite que, com apenas uma passagem aérea, clientes conheçam uma localidade intermediária antes de seguir viagem ao destino final.

(Fonte: Ministério do Turismo/Governo do Brasil)

Com texto e direção de Rodrigo França, espetáculo ‘Angu’ combate estereótipos ao contar histórias de pessoas pretas e gays

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Charles Pereira.

Buscando subverter o olhar social fetichista que objetifica, coisifica, criminaliza e hiperssexualiza as ‘bixas pretas’, o espetáculo ‘Angu’, idealizado por Alexandre Paz e Nina da Costa Reis, faz sua primeira temporada em São Paulo. Com direção e dramaturgia de Rodrigo França, a peça fica em cartaz no Sesc Ipiranga entre os dias 25 de maio e 23 de junho, com sessões às sextas e aos sábados, às 20h, e, aos domingos, às 18h. No feriado do dia 30 de maio, quinta-feira, tem sessão às 18h.

Na trama, histórias de ‘bixas pretas’ se entrelaçam mostrando ao público que as vidas dessas pessoas não se resumem apenas às situações de violência. “Nos meus trabalhos, gosto de mostrar que existem outras realidades possíveis. Ficção e documental se misturam no trabalho, gerando empatia dos espectadores”, afirma França. O texto concorreu ao Prêmio Shell de 2024 pelo Rio de Janeiro.

Foto: Rai do Vale.

Além de evocar narrativas passíveis e possíveis envolvendo negros gays, a montagem celebra e agradece ícones como Madame Satã, Gilberto França; o bailarino Reinaldo Pepe; Rolando Faria e Luiz Antônio (Queer Les Étoiles) e Jorge Laffond. Em cena estão Alexandre Paz, João Mabial e Orlando Caldeira.

Sobre a encenação

“Angu é um grito. Não necessariamente de socorro, porque acima de tudo existe potência, amor, desejo e intensidade na vida. O espetáculo é um Ebó. Que saiamos do teatro limpos e reequilibrados daquilo que nos oprime, nos aliena, nos engessa de sonhar”, acrescenta o diretor.

A peça tem a missão de enaltecer esses corpos que estão lutando por sua felicidade e existência. Os espectadores acompanham um sargento da Polícia Militar que honra a sua farda, mas tem a sua sexualidade como alvo de piadas para seus colegas; um jovem estudante de enfermagem que se deslumbra com a classe média branca e deseja ser por ela incluído, porém, é somente hiperssexualizado; um sonhador que fica diariamente sentado no banco da rodoviária e se envolve numa tarde de amor em um banheiro público; um menino encantando com o que dizem do seu tio Gilberto, um homem negro gay que desapareceu no mundo para fazer a sua arte longe da família homofóbica; Madame Satã – transformista que teve que largar a arte para viver à margem como malandro da Lapa; e uma homenagem ao Les Étoiles, icônica dupla queer negra brasileira que abriu as portas da Europa para a MPB.

Foto: Rai do Vale.

Todos os personagens subvertem o esperado: não haverá um homem negro performando a sua masculinidade ultra, mega viril e heteronormativa. “Muito do que vivemos no nosso cotidiano foi incorporado aos personagens, o que enriquece a montagem”, diz Alexandre.

Ao retomar as referências artísticas da negritude, o espetáculo configura-se como um resgate à ancestralidade preta e gay. “Estamos homenageando pessoas que morreram apenas por ser quem são. Gente que foi pioneira e acabou embranquecida, abandonada ou esquecida, principalmente quando se fala na luta LGBTQIAPN+, que costuma ter como protagonista o homem gay e branco”, comenta Rodrigo.

O cenário de Clebson Prates, que concorreu ao Prêmio Shell de 2024, é uma grande metáfora para tudo isso. “Em cena está um grande armário, mas a provocação que fazemos é: quem realmente pode ficar ‘dentro do armário’? Usamos essa ideia para discutir o que é o patriarcado no aspecto cultural, econômico e filosófico. É esse pensamento que mata tudo o que foge dessa estrutura de poder”, defende França.

Foto: Rai do Vale.

Já a trilha sonora assinada por Dani Nega contribui na criação de uma ambiência ritualística para o espetáculo. “Queremos que o público seja transformado pelo nosso Angu. E que celebre as bixas pretas, já que ser bixa preta tem consternado muita gente”, defende Orlando.

Sinopse | A trama conta seis histórias paralelas vivenciadas por pessoas negras gays, ou bixas pretas, buscando subverter o olhar social fetichista que as objetifica, criminaliza e hiperssexualiza.

Ficha Técnica

Idealização: Alexandre Paz e Nina da Costa Reis

Dramaturgia e direção: Rodrigo França

Diretor assistente: Kennedy Lima

Elenco: Alexandre Paz, João Mabial e Orlando Caldeira

Direção de movimento e preparação corporal: Tainara Cerqueira

Direção de imagens: Carol Godinho

Cenário: Clebson Prates

Figurino: Tiago Ribeiro

Visagismo: Diego Nardes

Trilha sonora: Dani Nega

Iluminação: Pedro Carneiro

Operação de som e vídeo: Igor Borges

Contrarregragem: Wil Thadeu

Fotos e vídeos: Charlinhus

Programação visual e mídias sociais: Júlia Tavares

Produção: MS Arte e Cultura

Assistentes de produção: Igor Borges e Wil Thadeu

Produção executiva: Anne Mohamad

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques e Daniele Valério

Coordenação de produção: Alexandre Paz e Orlando Caldeira

Direção de Produção: Aline Mohamad.

Masculinidades Negras: ciclo de bate-papos

Dialogando com o espetáculo Angu e fazendo parte da programação do Festival Sesc Culturas Negras, o Sesc Ipiranga realiza um ciclo de bate-papos sobre Masculinidades Negras. Organizado em quatro encontros, pessoas convidadas especialistas desenvolvem, a cada dia, discussão de um tema específico sobre Masculinidades Negras, expandindo a compreensão sobre as diversas relações étnicas/raciais, de gênero e orientação sexual, que constituem a humanidade dos homens negros em relação à sociedade.

Serviço:

Angu

Data: 25 de maio a 23 de junho, às sextas e aos sábados, às 20h, e, aos domingos, às 18h | No feriado do dia 30 de maio, quinta-feira, tem sessão às 18h

Local: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo – SP

Ingresso: R$50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$15 (credencial plena)

Compre aqui: https://www.sescsp.org.br/programacao/angu/

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 90 minutos

Masculinidades Negras: ciclo de bate-papos

Dia 23/5 – Homens Pretos, Masculinidades e Relações Raciais, com Henrique Restier e Vinicius Zacarias

Dia 6/6 – Masculinidades Negras: uma questão de saúde, com Thiago A. S. Soares, Daniel de Souza Campos e Leonardo Peçanha

Dia 13/6 – Masculinidades Negras, Educação e Gênero, com Douglas Araújo e Mônica da Silva Francisco

Dia 20/6 – Masculinidades Negras, cultura e arte, com Douglas Iesus e Nego Lipão

Data: 23 de maio a 20 de junho, às quintas, às 20h, exceto dia 30 de maio. Grátis.

Não é preciso retirada de ingressos.

Classificação indicativa: Livre

Duração: 90 minutos.

(Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa)