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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Monte Roraima: o que você precisa saber antes de visitar o gigante da tríplice fronteira

Roraima, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

“Quando dizem que o Monte Roraima (RR) é um lugar único no mundo, sim, é verdade” – esse é o relato da viajante Pricilla Tatagiba, que realizou uma expedição ao local. “Não existe vídeo ou imagem que consiga captar aquela imensidão. Existe muito ali que foge do nosso entendimento. Saber ouvir os guias, que têm intimidade real com esse lugar, me fez perceber que eu não conseguiria descobrir tudo numa única visita”, conta.

Paisagens diferentes de tudo que os olhos já viram e sensações diferentes de tudo que o corpo já experimentou. Apesar das palavras serem distintas, a descrição de quem conhece o Monte são as mesmas. Pricilla chegou no destino sem pesquisar ou saber muito; foi aprendendo e entendendo a grandiosidade das formações rochosas, lá mesmo. “Fui sem expectativas e aprendi sobre o lugar in loco, mas me despedir do paredão foi doloroso demais. Caminhar e me distanciar do Monte era muito visceral. É dizer adeus para um grande amor sem a certeza de poder estar ali novamente”.

Quem busca o gigante normalmente não possui metade da consciência do que o espera. Formado há mais de 2 bilhões de anos no período pré-cambriano, numa altitude de 2.875m com a paisagem repleta por rios, cascatas e formações rochosas, cercado de diversos aspectos da espiritualidade de seus anfitriões e protetores indígenas Taurepang, guardado pelo Parque Nacional Monte Roraima (RR), na fronteira do Brasil com a Venezuela e Guiana, o Monte Roraima é uma das montanhas mais antigas do mundo e possui o cume mais extenso do planeta, com 34 km².

É considerado um verdadeiro santuário e meta de ascensão por um número cada vez maior de praticantes de caminhada, o trekking em inglês. De acordo com um relatório da Future Market Insights (FMI), a busca global por turismo de aventura entre os anos de 2023 e 2033 deve aumentar 16,2% ao ano. Além dos viajantes brasileiros, que em sua grande maioria são do sul e sudeste do país e escolhem o Monte como seu destino, estrangeiros também estão na lista. Roraima recebeu turistas, principalmente, do Chile, Argentina e Estados Unidos entre 2022 e 2023, que chegaram pelos aeroportos de Brasília (42,5%) e Guarulhos (22,1%).

Espiritualidade e cosmovisões

Ir até o Monte Roraima para conhecê-lo é, além de uma grande aventura, uma experiência que coloca o viajante frente a frente com a história da Terra. As lendas que o cercam remetem ao seu surgimento, como a que diz que os indígenas Macuxi, que então viviam na área, certo dia notaram uma bananeira no local, seguida de um aviso divino que dizia não ser permitido cortá-la ou comer seus frutos. Após não respeitarem o recado e terem cortado a planta na raiz, a natureza se revoltou e, com raios e trovoadas, fez surgir o paredão.

Mais do que as lendas contadas há séculos, estar no local já é uma verdadeira experiência de um lugar mágico e diferente de todo o resto. “Há aqueles que se aventuram para o Monte para superar desafios físicos; porém, o real sentido dessa expedição está na compreensão dos aspectos sagrados da sabedoria ancestral de indígenas de diferentes etnias, que reverenciam, respeitam e compreendem este espaço único do planeta Terra como fonte de vida, de espiritualidade e, sobretudo, de transformação. O intercâmbio que tive com os Taurepang me transformou completamente e foi um divisor de águas na minha concepção de mundo”, destaca Alberto Rabelo, produtor de experiências Vivalá e do roteiro ao Monte Roraima.

Seus atuais protetores são os indígenas Taurepang, que também são guias e levam os grupos de viajantes pelas trilhas, que devem ser feitas sempre com um local. O roteiro oferece uma imersão na cultura e no folclore Makunaima. “A experiência com os indígenas e venezuelanos da equipe é maravilhosa. Pessoas incríveis, com histórias incríveis e super poderes de transportar todo o equipamento e nos cuidar de forma tão respeitosa, acolhedora, calorosa e carinhosa”, cita Pricilla.

A viajante também relembra o primeiro momento de contato visual com o Monte Roraima, que, apesar de simples, tem um significado especial para quem estava presente. “Lembro que até chegarmos no acampamento base, ele (o Monte Roraima) estava sempre coberto por nuvens, como se não quisesse se mostrar. Mas ali na base, aos poucos, as nuvens foram se dissipando até ele se mostrar por completo. Foi um momento de muita euforia e felicidade para o grupo. O primeiro contato com o paredão foi muito emocionante. Estar lá em cima e ver o tempo mudar em questão de segundos era lindo. Me permitir sentir a energia do lugar, sentir o frio, o vento, o sol, as águas… é tudo mágico se a gente se abrir para a experiência”.

Expedição de dez dias põe o viajante em reencontro com si mesmo

Uma das formas de conhecer o Monte Roraima é por meio de uma Expedição de Aventura, como a collab entre a Vivalá, referência em Turismo Sustentável no Brasil e a Roraima Adventures (RRAdv), especialista na região há 22 anos e pioneira nas expedições ao Monte Roraima. “A Amazônia é o berço da Vivalá e ficamos extremamente felizes de expandir nossa operação para o sétimo dos nove estados da Amazônia Legal, especialmente para um local realmente inacreditável como a experiência no Monte Roraima, que vai oferecer uma experiência incrível e transformadora para nossos viajantes”, afirma Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá.

De acordo com o diretor-geral da RRAdv, Joaquim Magno, a parceria no roteiro se dá pelos objetivos em comum dos negócios sociais. “A contribuição é recíproca, pois as duas empresas proporcionam uma experiência que tem um objetivo comum, que é levar os viajantes a viver uma experiência no destino, mas com qualidade, segurança, impacto positivo e sonho realizado”.

Magno ainda destaca o quão único é o destino. “Datado de 2 bilhões de anos, com formações geológicas pré-cambriana onde a vida pouco evoluiu, com um endemismo de flora e fauna muito específico, com formas rochosas curiosas e pitorescas, o lugar é dotado de uma energia indescritível, com o topo forrado de cristais de quartzo. Isso atrai a atenção de turistas, aventureiros, cientistas, biólogos, antropólogos, esotéricos, místicos e todos aqueles que buscam nesta fascinante aventura o reencontro consigo mesmo e com a origem da vida, levando a todos a repensarem sobre o verdadeiro sentido da vida”.

O roteiro foi criado não somente para oferecer ao viajante uma linda e inesquecível experiência, mas também para impactar positivamente o lugar que irá ser palco da aventura. Esse impacto é fruto do turismo sustentável, que busca contribuir com a preservação ambiental do local, as comunidades participantes e a experiência dos viajantes. “Desde o primeiro contato com nosso material de marketing e equipe de vendas até o retorno da Expedição, nosso viajante recebe todo o suporte e orientação para que sua experiência seja a mais agradável possível, o que inclui boas práticas relacionadas à sustentabilidade e segurança”, destaca Daniel Cabrera que, além de estar à frente da Vivalá, integra o conselho da Abeta – Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura.

“O melhor impacto que o turismo sustentável pode proporcionar ao meio ambiente, se bem conduzido, começa no aspecto social, gerando emprego e renda em comunidades que não têm muitas oportunidades. Mas também avança no aspecto da preservação ambiental, porque a atividade se desenvolve em espaços naturais e isso agrega valor ao conservacionismo. O turismo tem uma responsabilidade de impacto positivo, mas claro, se feito de forma responsável e sustentável”, afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), órgão responsável pela elaboração de normas técnicas adotadas no mundo inteiro, Luiz Del Vigna.

A expedição

O impacto social da expedição ao Monte Roraima inicia na condução do roteiro e durante a subida, guiada por indígenas locais, que conhecem e possuem contato direto com a região. A expedição tem duração de dez dias e é indicada para pessoas que já possuem um preparo físico, pois são 100 km de caminhada.

O dia um é apenas de embarque para Boa Vista (RR), onde no segundo dia de roteiro, todos os viajantes do grupo irão se encontrar e receber as últimas orientações da equipe, principalmente para questões de logística, segurança e desenvolvimento da parte operacional. Após o almoço, o grupo segue viagem até a fronteira com a Venezuela e realiza os procedimentos de aduanas para, então, pernoitar em Santa Elena de Uairén, na Venezuela.

No terceiro dia a grande jornada começa. Após o café é hora de partir até a Comunidade de Paraitepuy, onde será o acampamento da primeira noite, às margens do rio Tek ou Kukenan. Na manhã seguinte o trekking continua até a base para mais uma noite frente ao paredão. O quinto dia possui um dos caminhos com o cenário mais bonito, com paradas para contemplação da paisagem e fotos com os jardins de bromélias, orquídeas e pequenos pássaros. Neste dia, o grupo se aproxima do topo e é possível observar o Monumento de Makunaima, além de ser recepcionado pelos ‘Guardiões da Montanha’, três imensos blocos com formato de observadores.

O dia seis é de imersão total no topo, com destaque para o Vale dos Cristais. “O lugar por si só traz a sensação do Macro e do Micro, dos extremos, do surreal, do cósmico, do inexplicável. A energia desse lugar não se traduz em palavras, mas em suspiros, sons, silêncios, reflexões e observações caladas. Após passar pelo Ponto Triplo, a parada final do dia é o El Fosso”, explica Alberto.

No sétimo dia de expedição, é hora dos viajantes se deslumbrarem com as Piscinas Jacuzzis e com o Mirante La Ventana, sendo possível admirar as quedas d’água e o vale de florestas do Monte Kukenan (Pai dos Ventos). Além de contemplar e se reconectar consigo mesmo, o grupo alcança o ponto mais alto do Monte e avista a Gran Sabana e a trilha que cruzaram até chegar à base. Para finalizar o dia e se sentir dentro de um santuário, é possível visitar o Salto Catedral, antes de ir até o Paso de Los Cristales e repor as energias.

O oitavo dia do roteiro é um momento de despedida da Casa de Makunaina, onde começa a descida até a base, com direito a pernoite com o céu mais estrelado da viagem. No dia seguinte, o grupo realiza os últimos 15 Km de caminhada até a Comunidade de Paraitepuy para embarcar em veículos 4×4 que os levarão até a fronteira para procedimentos de aduanas e pernoite em hotel na capital. O último dia é reservado para check-out e retorno para casa.

Os roteiros têm saídas previstas de uma a duas vezes no mês e incluem o transporte terrestre a partir de Boa Vista até a Comunidade Indígena Paraitepuy, onde o grupo passa tanto na ida, quanto na volta. Com um investimento é de R$5.500, que pode ser feito em 5x no cartão de crédito, PIX ou boleto, a expedição inclui treinamentos antes da viagem, hospedagem em Boa Vista e em Santa Elena de Uairén, transporte, todo o apoio de camping, incluindo equipamentos coletivos de acampamento, alimentação, taxa de entrada nas comunidades e uma equipe capacitada para guiar a expedição. Para mais detalhes sobre o roteiro e reservas em junho ou outras datas, acesse https://www.vivala.com.br/expedicoes/monte-roraima.

Sobre a Vivalá

A Vivalá atua no desenvolvimento do Turismo Sustentável no Brasil, promovendo experiências que buscam ressignificar a relação que as pessoas têm com o Brasil, sua biodiversidade e comunidades tradicionais. Atualmente, a Vivalá atua em 24 unidades de conservação do país, contemplando os biomas da Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, e trabalha em conjunto com mais de 700 pessoas de populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas, sertanejas e caiçaras.

Com 15 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, a Vivalá tem a confiança da Organização Mundial do Turismo, ONU Meio Ambiente, Braztoa, Embratur, Aberta, Fundação do Grupo Boticário, Yunus & Youth, além de ter uma operação 100% carbono neutro e ser uma empresa B certificada, tendo a maior nota no turismo do Brasil e a 7ª maior em todo o setor de turismo no mundo. Até maio de 2024, a Vivalá já embarcou mais de 3 mil viajantes, além de ter injetado mais de R$ 4 milhões em economias locais através da compra de serviços de base comunitária e consumo direto dos viajantes. Para mais informações, acesse https://www.vivala.com.br/.

(Fonte: DePropósito Comunicação de Causas)

Diversão em Cena retorna a Piracicaba com ‘Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos’

Piracicaba, por Kleber Patricio

Foto: Isabele Neri.

O Diversão em Cena leva a Piracicaba o espetáculo ‘Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos’, que tem como tema principal a relação entre pais e filhos e o respeito que devemos ter pelas diferenças individuais de cada ser humano, seja ele pai ou filho. O Teatro Erotídes de Campos recebe a apresentação gratuita no dia 16 de junho, às 16h. Promovido pela Fundação ArcelorMittal há 14 anos, o Diversão em Cena é o maior programa de formação de público de teatro infantil do país.

A obra, que é uma continuação da pesquisa da Companhia do Abração, sobre as primeiras relações do ser humano, tem os ‘Tingas’, três personagens simpáticos e oníricos que estão em busca de um Pai, um norte que oriente para a escolha de caminhos e ‘dê um jeito’ no mundo, que todos temos o dever de cuidar. Uma história de afeto e respeito à diversidade de um mundo ‘bagunçado’, em que são apresentadas várias figuras paternas desde o pai biológico ao adotivo, aquele que educa em casa e na escola, o pai escolhido por afinidade e até mesmo a própria ‘mãe-pai’, entre outras diversas formas de afeto paternalista.

Acesso e formação de público | Para contribuir com a democratização do acesso à cultura, a Fundação ArcelorMittal atua com a formação de público e a formação de profissionais para atuarem na área cultural. Neste contexto, destaca-se o Diversão em Cena. Realizado em parceria com grupos e produtores culturais, que contam com patrocínio da ArcelorMittal e Belgo Arames por meio das Leis Federal, Estaduais e Municipais de Incentivo à Cultura, a iniciativa leva apresentações teatrais gratuitas ou a preços populares a teatros, escolas e praças públicas de todo o Brasil. Em 14 anos de programa, o Diversão em Cena já ultrapassou 3 mil espetáculos pelo país e alcançou um público de cerca de 1,3 milhão de pessoas.

Sobre a Fundação ArcelorMittal | A Fundação ArcelorMittal é o núcleo de investimento e transformação social do Grupo ArcelorMittal, e sua estratégia principal se divide em três eixos de atuação: educação, cultura e esporte. Por meio de projetos e iniciativas nessas áreas, se propõe a transformar a vida de crianças e jovens de forma coletiva e participativa, compartilhando conhecimento e inovação, contribuindo para a inclusão e a formação de cidadãos para um futuro melhor. Saiba mais em www.famb.org.br.

Serviço:

Diversão Em Cena – Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos, com a Companhia do Abração

Piracicaba – 16 de junho | domingo, às 16h

Local: Teatro Erotídes de Campos (Parque do Engenho: Av. Dr. Maurice Allain, 454, Vila Rezende)

Classificação indicativa: a partir de 5 anos

Entrada gratuita | Ingressos distribuídos no teatro 1 hora antes do início do evento, por ordem de chegada.

(Fonte: Locomotiva Cultural)

AperiOpera: um encontro entre música, história e cultura

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação/AperiOpera.

O AperiOpera é um projeto cultural que tem como objetivo proporcionar ao público brasileiro uma experiência profunda e significativa da ópera. Criado com a intenção de desmistificar e tornar a ópera mais próxima, as apresentações proporcionam uma imersão completa na história, iniciando pela explicação da vida e costumes do autor, suas experiências, inspirações e desafios para compor os atos.

A experiência conta com uma apresentação de 75 minutos conduzida por um narrador especializado que introduz o que será assistido, tornando a ópera mais simples, mais emotiva e mais próxima. Todas as inserções contam com recursos visuais trazendo proximidade com a plateia, que consegue absorver de forma mais simples, criando o desejo de conhecer outras obras.

Claudio Scaramella.

O projeto nasceu há pouco mais de um ano e já é um grande sucesso tanto entre os apreciadores quanto entre as mais importantes instituições culturais italianas e brasileiras. Seu conceito flexível permite sua aplicação em diferentes locais, desde parques até empresas, adaptando-se às necessidades e preferências do público. No entanto, sua singularidade é proporcionada com a presença do ator/narrador, que adiciona um componente humano essencial à experiência.

Para Kátia Prado, responsável do projeto no Brasil, o AperiOpera é uma forma inovadora que aproxima as pessoas da ópera, emociona e enriquece na interação com as narrações. “Aperiopera existe na Itália há mais de 5 anos, as apresentações acontecem através da história da ópera narrada. Nosso objetivo é educar e despertar o interesse pelo patrimônio histórico, artístico italiano”, explica a empreendedora.

“Nossa missão é ultrapassar as fronteiras de São Paulo e levar o AperiOpera para todo o Brasil, conscientizando o público sobre a beleza da ópera como patrimônio artístico e cultural da humanidade que deve ser acessível a todos”, conclui Cláudio Scaramella, idealizador do projeto.

Sobre AperiOpera | AperiOpera é uma iniciativa cultural que combina música, narrativa e experiência para oferecer sensações únicas e inéditas aos seus participantes. Com eventos realizados em diversos países, seu objetivo é promover a apreciação da ópera de forma acessível e envolvente, ultrapassando as fronteiras do teatro convencional.

(Fonte: A Fonte Comunicação)

Mudanças climáticas podem gerar perdas de 11% do PIB da América Latina até 2050

América Latina, por Kleber Patricio

Foto: NOAA/Unsplash.

A Allianz Trade, líder global em seguro de crédito comercial, divulgou recentemente o relatório Latin America Shall We Dance?, que revela um panorama dos riscos econômicos em países da América Latina e aponta que o continente pode enfrentar perdas equivalentes a 11% do PIB até 2050 sob o cenário de política atual. Segundo os economistas, as repercussões econômicas das mudanças climáticas vêm tanto dos riscos físicos (por exemplo, ciclones, inundações, ondas de calor) quanto da perda de produtividade do trabalho devido ao aumento do calor. Esses riscos variam de acordo com a localização geográfica e podem mudar ao longo do tempo com base em mudanças na população, crescimento econômico e padrões de migração.

Perda de produtividade no Brasil

Já o Brasil experimentará as perdas mais significativas devido à redução da produtividade causadas pelo calor, estimadas em 6% até 2030. O estudo aponta que as ondas de calor podem diminuir significativamente a produtividade do trabalho, especialmente em setores fisicamente exigentes, como agricultura e construção. Além disso, os problemas são agravados pelo desmatamento e seca, especialmente na Amazônia, onde essas condições intensificam a gravidade da seca, afetando a disponibilidade de água, a biodiversidade e a regulação climática tanto local quanto globalmente.

Ainda assim, o relatório mostra que a Ásia e a África devem enfrentar mais do dobro das perdas econômicas devido ao aquecimento global em comparação com a América Latina, em um cenário em que o aumento da temperatura global atinge 2,0°C acima dos níveis pré-industriais até meados do século, com um potencial de aumento para 2,9°C até o ano 2100. Os maiores custos para a América Latina em 2050 virão via perdas de produtividade de cerca de 5% do PIB, secas (cerca de 3%) e ondas de calor (cerca de 2%). O impacto varia consideravelmente por país.

O gráfico apresenta uma comparação do risco climático em quatro grandes economias latino-americanas, onde as perdas econômicas totais variam de 11,6% a 13,7%. Entre esses países, até 2050, a Argentina será a mais afetada por inundações, com danos projetados representando 2,1% de seu PIB. A economia do Chile será notavelmente impactada por secas, com uma perda de PIB prevista em 7,4%. Enquanto isso, o México sofrerá com os efeitos de ondas de calor severas, que devem causar perdas que chegam a 2,1% de seu PIB.

Em contraste, ciclones tropicais devem contribuir minimamente para as perdas totais nesses países, por isso seus efeitos não são exibidos de forma proeminente na figura. Mas essas ameaças climáticas já estão afetando severamente os países individualmente hoje: a Argentina frequentemente enfrenta inundações significativas, especialmente na região das Pampas, que interrompem a agricultura – um dos setores econômicos cruciais da nação – e levam a perdas econômicas substanciais. As inundações também representam ameaças para áreas urbanas, incluindo Buenos Aires, onde impactam a infraestrutura e a habitação. Além disso, a variabilidade climática influencia o setor agrícola da Argentina com padrões irregulares de chuva e flutuações de temperatura que afetam a produtividade das safras e as condições do gado.

“Para lidar com essas vulnerabilidades, cada país precisa de estratégias de adaptação personalizadas. Isso envolve melhorar a resiliência da infraestrutura por meio do aprimoramento das defesas contra inundações e sistemas de gestão de água e construindo infraestrutura urbana resistente ao calor. Isso também inclui desenvolver práticas agrícolas sustentáveis, como a criação de variedades de safras resistentes à seca, a melhoria da eficiência da irrigação e a adoção de práticas de gestão de terras sustentáveis”, afirmam os autores do estudo.

Por fim, os economistas apontam que iniciativas de saúde pública também são cruciais, incluindo a implementação de planos de ação para o calor, a conscientização pública sobre os riscos do calor e o aprimoramento das respostas dos serviços de saúde às doenças relacionadas ao calor. Além disso, como os impactos socioeconômicos das mudanças climáticas são desproporcionalmente distribuídos, às populações mais vulneráveis com menos recursos tendem a enfrentar os maiores desafios.

Portanto, as estratégias de adaptação devem ser adaptadas localmente, mas coordenadas em uma escala global para mitigar as consequências mais severas das mudanças climáticas de maneira eficaz. O documento aponta que essa abordagem garante que os riscos climáticos, tanto imediatos quanto de longo prazo, preservem a estabilidade econômica e promovam o desenvolvimento sustentável.

(Fonte: Race Comunicação)

Redes da Maré: um exemplo inspirador de como a comunicação pode aproximar a ciência da favela

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Pesquisa Vacina Maré/instagram.com/pesquisavacinamare.

Artigo de opinião por Gabriela Brandão — A ciência sempre pareceu um assunto remoto e inacessível para muitos, mas ela é indispensável para a sociedade e vice-versa; uma não pode ser plenamente realizada sem a outra. Ao longo da pandemia de Covid-19, diversos foram os esforços para que a informação científica chegasse à sociedade. Em comunidades periféricas como o Complexo da Maré, as organizações da sociedade civil foram fundamentais para que a população passasse por esse momento difícil, criando diversos projetos que buscaram assegurar formas de sobreviver à emergência de saúde.

A Redes da Maré, uma organização da sociedade civil, se destacou por fechar parcerias para realizar a vacinação em massa no Complexo da Maré, contribuindo para um estudo inédito sobre os efeitos da vacinação em massa e da Covid longa na comunidade (Pesquisa Vacina Maré). Com mais de 140 mil moradores e localizada estrategicamente próxima à Fiocruz e à UFRJ, a comunidade se torna um local ideal para pesquisas. Apesar da circulação de desinformações sobre vacinas, os moradores enxergam o impacto direto das descobertas científicas na saúde, bem-estar e progresso local. A divulgação científica e a comunicação comunitária são fundamentais na formação dessa percepção positiva.

A divulgação científica garante que os dados obtidos pela ciência sejam acessados pela sociedade. Nas favelas e comunidades periféricas, a comunicação comunitária é estratégica para que essas informações não só cheguem, mas sejam compreendidas pela população. Por meio de canais acessíveis e confiáveis, como jornais comunitários e dispositivos sonoros nas ruas, é possível disseminar amplamente informações essenciais sobre saúde e ciência.

Essa abordagem não apenas fornece conhecimento sobre questões de saúde, mas também constrói confiança e engajamento entre os moradores, promovendo uma participação significativa em pesquisas e ações de saúde pública e garantindo o direito à informação e comunicação em saúde para essa população. Assim, a aceitação da ciência no Complexo da Maré se deu, principalmente, através da comunicação comunitária.

Para garantir canais de comunicação eficazes e justos, devem ser feitos investimentos em programas destinados a estreitar os laços entre o mundo da ciência e as pessoas (como o caso do Conexão Saúde: de olho na Covid!). Durante este processo, grupos da sociedade civil, movimentos sociais e autoridades comunitárias trabalham como mediadores entre a ciência e as comunidades, desenvolvendo uma cultura científica acessível e participativa. Isso nos mostra, também, o quanto a divulgação científica pode e deve aprender com a comunicação comunitária.

E como nós, indivíduos de uma comunidade, podemos auxiliar nesse movimento? Apoiando iniciativas locais e reconhecendo a importância de se envolver ativamente na promoção de uma cultura científica acessível e participativa em nossa própria comunidade. E, ainda, por meio do compartilhamento de informações confiáveis com amigos e familiares, indicando esses coletivos e organizações como a Redes da Maré como fonte segura de informação. Juntos podemos construir uma sociedade mais bem informada, engajada e resiliente diante dos desafios da atualidade.

Sobre a autora | Gabriela Brandão é bióloga e mestra em informação e comunicação em saúde pelo PPGICS – Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/Fiocruz).

(Fonte: Agência Bori – Os artigos de opinião publicados não refletem, necessariamente, a opinião da Agência Bori ou do site Kleber Patricio Online)