Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

[Livros] Chamado à reparação: ‘Céu azul é tempestade’

São Paulo, por Kleber Patricio

As possibilidades de reparação pela injustiça sofrida por pessoas negras escravizadas e os desafios desse processo são o ponto de partida do livro ‘Céu azul é tempestade’, da escritora e jornalista Patricia Xavier. Por meio de uma narrativa ficcional, são abordadas as consequências da escravidão e do racismo vividas pela população negra brasileira nos dias atuais.

Na trama, Tereza e seus filhos Cido e Juninho serão os primeiros contemplados por uma decisão histórica: a retratação financeira pelo trabalho dos antepassados escravizados. Bisneta do fundador de um dos maiores quilombos da região, a protagonista e sua família são escolhidos para dar início ao recebimento da indenização pela prefeitura da cidade.

A conquista, porém, não é aceita pelos donos das terras da pequena Águas Correntes, descendentes daqueles que escravizaram os antepassados de Tereza e de outros habitantes locais. Em uma madrugada, ela recebe uma ameaça: se aceitar a quantia de dinheiro, seus filhos morrem.

Tereza chorava com as costas arqueadas, a pressão pra continuar espremia o peito, fazia a cabeça doer e a garganta fechar. Não saía correndo porque a mente respondia ao corpo que ela não foi escolhida à toa. Sabia da responsabilidade com as mãos cheias de rugas, os olhos vazios de esperança, o cansaço acumulado em séculos de opressão. (Céu azul é tempestade, p. 52)

Foto: Cleo Martins.

Oprimida pela escolha entre sua família e a comunidade, Tereza contará com uma rede de apoio formada pelos filhos, amigos, a população quilombola local e a presença invisível de seu bisavô Bô, que acompanha seus passos e com quem se encontra nas rodas de jongo. Porém, a busca por justiça pode apresentar obstáculos inesperados.

Essa narrativa sensível, que marca a estreia da jornalista Patricia Xavier na literatura, explora as nuances do racismo no Brasil e dos laços que se constroem ao combatê-lo. “No meu primeiro livro, senti que só poderia escrever sobre o que me causa profunda indignação”, comenta. A obra, que chega também com traduções em espanhol e francês, é um estímulo a jovens e adultos para discutir as origens das desigualdades, entender e mudar o Brasil de hoje.

FICHA TÉCNICA

Título: Céu azul é tempestade

Autora: Patricia Xavier

Editora: Caravana Grupo Editorial

ISBN: 9786552232267

Formato: 14×23 cm

Páginas: 76

Preço: R$60 (físico) | R$27,90 (e-book)

Onde comprar: Caravana Editorial | Amazon

Sobre a autora | Patricia Xavier é escritora e jornalista, nascida em São Paulo. É autora de Céu azul é tempestade (Caravana Grupo Editorial, 2024), romance traduzido para o espanhol e francês.  Finalista do Prêmio Anna Maria Martins 2025 da União Brasileira de Escritores com o conto Entre braços, e do Prêmio Off Flip com o conto Proibida de morrer, publicado pelo Selo Off Flip em 2024. Instagram: @patriciaxavierescritora_.

(Com Maria Clara Menezes/LC Agência de Comunicação)

Projeto ‘Forró pra Tocar’ retoma as atividades logo depois do Carnaval

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O projeto Forró pra Tocar retoma as atividades em 2025 na sexta-feira, 7/3, depois do Carnaval. O projeto tem como objetivo despertar a consciência musical entre as pessoas por meio do forró. As oficinas ocorrerão em todas as sextas-feiras do ano, das 16h30 às 18 horas na Praça Ângelo Carlini, em Barão Geraldo. As atividades são gratuitas e abertas ao público em geral.

O projeto foi fundado e é coordenado por Clara Rodriguez junto ao coletivo do FPT. Sanfoneira da cena local, explora o protagonismo feminino na cena do Forró. Formada em Música pela Unicamp, é professora de música e sanfoneira de diversos grupos, cantores e orquestras da região. “Esse forró é pra tocar, pra cantar, pra trocar de instrumento, pra passar o fim de tarde na praça escutando o sonzinho, pra se encontrar, pra aprender música nova, pra ir pegando com o tempo, pra ter saúde, pra ter autoestima, pra celebrar, relembrar e homenagear os antigos nessa terra de forrozeiros que é Barão Geraldo”, conta Clara.

Foto: @angelicaafotografia.

São bem vindas pessoas de todos os níveis de experiência musical que queiram começar ou que já começaram e sentem que precisam de uma orientação a mais, ou que sozinhas não conseguem se desenvolver. Também é voltado para aqueles que acreditam que a música por prazer só faz sentido em coletivo. “É um espaço de aprendizado acessível financeiramente, politizado e feminista, onde o acolhimento e o bem estar estão num nível de importância maior do que a técnica”, explica Clara.

O foco do Forró pra Tocar é o estudo em si, é pegar o instrumento e tocar, é aquele momento sagrado da semana de muitos, que acabam não tendo o tempo, na tentativa de criar um modelo de prática musical menos competitiva e conteudista. Esse clima de acolhimento e colaboração potencializa o aprendizado e torna esse momento do aprendizado mais leve e descontraído. “O Forró pra Tocar é pra você! Pra você sair de casa do jeito que estiver com seu instrumento, ir lá tocar e aprender mais um forró”, convida Clara.

Serviço:

Projeto Forró pra Tocar 

Data:  7/3 (se repete durante todas as sextas-feiras de 2025)

Horário: das 16h30 às 18h

Local: Praça Ângelo Carlini – Barão Geraldo – Campinas, SP.

(Com Carolina Cerqueira/Fábrica de Histórias)

Filarmônica Jovens Músicos e Cármelo de los Santos se apresentam em Campinas, Piracicaba e Jundiaí

Campinas, por Kleber Patricio

Orquestra Filarmônica Jovens Músicos sob a regência do maestro Anderson de Oliveira. Foto: Vinicius Silônio.

A Orquestra Filarmônica Jovens Músicos realiza três apresentações gratuitas de Concertos pela Natureza nas cidades de Campinas, Piracicaba e Jundiaí, com participação do violinista Cármelo de los Santos. A série de concertos em comemoração aos 15 anos da Academia é uma realização do Ministério da Cultura, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e da Academia Jovens Músicos, com Patrocínio Diamante da Andritz e da CPFL Energia; Patrocínio Prata da Phinia, Case IH e Hyundai Motor Brasil; Patrocínio Bronze da Bom Peixe; e Apoio da Painco, Nortex, Unimil, Banco CNH Capital, Instituto CPFL e Consórcio PCJ, com produção cultural da 3marias Produtora.

A estreia do Concertos pela Natureza será no dia 6 de março, às 20 horas, no Teatro Oficina do Estudante Iguatemi, em Campinas. Em Piracicaba, o concerto será realizado no Teatro Municipal Erotídes de Campos – o Teatro do Engenho, no dia 7 de março, às 20 horas. Já o público de Jundiaí poderá conferir a única apresentação no dia 9 de março, às 19 horas no Teatro Polytheama.

Natureza é tema central e inspiração para série de concertos

Diante das questões de urgência climática, a preocupação com o aquecimento global e aos eventos extremos que já ocorrem nas cidades, como o altas temperaturas, tempestades, enchentes, incêndios devastadores, entre outros, a Academia Jovens Músicos, em parceria com o Consórcio PCJ – que abrange as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí – uniram esforços para despertar a reflexão e inspirar ações, conectando a arte da música à natureza.

Violinista Cármelo de los Santos participa do Concerto pela Natureza. Foto: Rawziski.

A natureza será enaltecida no palco através do repertório especial apresentando
As Quatro Estações de Antonio Vivaldi e As Quatro Estações Portenhas de Astor Piazzolla. As Quatro Estações de Vivaldi foram compostas como uma representação musical das estações do ano, refletindo como o compositor percebia e sentia a natureza em cada uma delas. Já Astor Piazzolla, inspirado pela ideia de Vivaldi, criou as Quatro Estações Portenhas a partir de sua própria perspectiva, inserindo a força e a vitalidade do tango argentino, carregando a essência e a energia da cultura argentina.

Através da música, a Academia Jovens Músicos alinha-se às diretrizes ESG (do inglês, Environmental, Social and Governance) e convida o público a reconhecer os desafios climáticos e a compreender o papel de cada indivíduo na proteção do planeta e da humanidade, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O projeto Concertos pela Natureza busca despertar a reflexão e inspirar à ação, conectando a arte à urgência da sustentabilidade, com repertório simbólico e impactante com a participação do solista Cármelo de los Santos”, declarou o maestro Anderson de Oliveira, que será o regente da série de concertos.

Sobre a Academia Jovens Músicos e a Orquestra Filarmônica

A Academia Jovens Músicos, referência em educação musical em Piracicaba, transforma vidas por meio do ensino de excelência e inclusão social. A Orquestra Filarmônica Jovens Músicos, composta por professores e alunos avançados, promove concertos que encantam e educam, levando música de qualidade ao público e revelando talentos.

Sobre Cármelo de los Santos

O violinista Cármelo de los Santos ganhou projeção nacional aos 16 anos quando foi o mais jovem vencedor do importante concurso musical brasileiro: o “VII Prêmio Eldorado de Música”, em São Paulo. Desde então, se apresentou como solista convidado de mais de 40 orquestras, incluindo a New World Symphony, Santa Fe Pro-Musica, as sinfônicas de Southern Mississippi, Santa Fe, e Novo Mexico, a Filarmônica de Montevidéu, de Mendoza, Orquestra Musica d’Oltreoceano (Roma), e as principais sinfônicas brasileiras como a do Estado de São Paulo, Filarmônica de Minas Gerais, Brasileira e Petrobrás. Cármelo é professor titular de violino na Universidade do Novo México, Albuquerque, EUA. Cármelo já participou de diversas atividades na Academia Jovens Músicos como masterclasses e apresentações em concertos.

Sobre o Maestro Anderson de Oliveira

Com uma carreira dedicada à formação musical e à regência, Anderson de Oliveira é um dos pilares da Academia Jovens Músicos. À frente da Orquestra Filarmônica, conduz com paixão e técnica, explorando repertórios desafiadores e inspirando músicos e espectadores com performances emocionantes.

O projeto Jovens Músicos em Concertos pela Natureza envolve também Concertos Didáticos em escolas públicas e entidades, e dois concertos com a cantora Jane Duboc, a serem realizados em abril deste ano.

Serviço:

Concertos pela Natureza

Filarmônica Jovens Músicos convida Cármelo de los Santos

6/3/2025 (quinta-feira) – Campinas, às 20 horas

Local: Teatro Oficina do Estudante Iguatemi

Shopping Iguatemi: Av. Iguatemi, 777 – Vila Brandina, Campinas – SP

Ingressos: Retirar os ingressos gratuitamente pelo site www.ingressodigital.com.

7/3/2025 (sexta-feira) – Piracicaba, às 20 horas

Local: Teatro Municipal Erotides de Campos – Piracicaba (Teatro do Engenho)

Av. Dr. Maurice Allain, 454 – Parque do Engenho Central, Piracicaba

Ingresso Solidário: Retirar os ingressos gratuitamente pelo site www.sympla.com.br e levar 1kg de alimento não perecível que será doado para o Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba (Fussp).

9/3/2025 (domingo) – Jundiaí – às 19 horas

Local: Teatro Polytheama – Jundiaí

Barão de Jundiaí, 176 – Centro, Jundiaí

Ingressos: Retirar os ingressos gratuitamente pelo site www.sympla.com.br

Lei Federal de Incentivo à Cultura

ProAC-ICMS

Patrocínio Diamante: Andritz e CPFL Energia

Patrocínio Prata: Phinia, Case IH e Hyundai Motor Brasil

Patrocínio Bronze: Bom Peixe

Apoio Painco, Nortex, Unimil, Banco CNH Capital, Instituto CPFL e Consórcio PCJ

Produção Cultural: 3marias Produtora Cultural

Realização: Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e Academia Jovens Músicos.

(Com Luciana Correa/Ozônio Propaganda)

Sesc Belenzinho apresenta Sérgio Santos, Maíra Manga e Rafael Altério

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

No dia 9 de março, domingo, às 18h, o Sesc Belenzinho apresenta o show dos cantores Sérgio Santos, Maíra Manga e Rafael Altério. Os ingressos custam R$60 (inteira), R$30 (meia-entrada) e R$18 (Credencial Sesc) e podem ser adquiridos no portal sescsp.org.br e nas bilheterias físicas das unidades do Sesc SP. O show mostra o repertório do disco com o mesmo nome e reúne os artistas Maíra Manga, Rafael Altério e Sérgio Santos. As composições são da autoria de Rafael e Rita Altério e de Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro. Elas tratam das riquezas musicais e poéticas do interior brasileiro, dos congados, das catiras, das modas de viola, das toadas, da música do Brasil profundo.

O cantor, compositor e violonista Sergio Santos se reuniu com a mineira Maíra Manga e o paulista Rafael Altério para mandar para as plataformas digitais o álbum Cortejo (Acari Records). O disco traz 12 faixas, sendo duas de Santos, quatro parcerias dele com Paulo Cesar Pinheiro e o restante de Rita e Rafael Altério. O trabalho conta com as participações de Mônica Salmaso, André Mehmari e da Orquestra de Cordas de São Petersburgo.

Santos conta que a ideia partiu da afinidade musical entre os três amigos. “O que o trabalho propõe é utilizar esse material sem deturpá-lo e, ao mesmo tempo, tratá-lo com uma linguagem composicional contemporânea. ‘Cortejo’ é um trabalho que tem cheiro de mato, com a sonoridade da tradição e com a linguagem da contemporaneidade. O álbum mostra o Brasil da marcha-rancho, da moda de viola, do galope, da catira, do coco, do congado, do baião, do maracatu e da toada”, enfatiza o mineiro. Cortejo, segundo o artista, mostra também o Brasil profundo. “O álbum revela o quanto é rico, vasto e generoso esse universo cheio de possibilidades e que permanece e se recria dia a dia, solto por esse país”, acrescenta o músico. As vozes ficaram a cargo do trio Maíra Manga, Rafael Altério e do próprio Sergio Santos.

Serviço:

Show Sérgio Santos, Maíra Manga e Rafael Altério

Dia 9 de março de 2025; domingo, às 18h.

Valores: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia-entrada) e R$ 18,00 (Credencial Sesc).

Ingressos disponíveis somente nas bilheterias das unidades Sesc.

Limite de 2 ingressos por pessoa.

Local: Teatro (374 lugares). Classificação: 12 anos. Duração: 90 min.

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

Estacionamento:

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$8,00 a primeira hora e R$3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 por hora adicional.

Transporte público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube.

(Com Priscila Dias/Sesc Belenzinho)

Itaú Cultural e Sesc/RS realizam Conexões Norte Sul com espetáculos e olhares sobre as artes cênicas do Rio Grande do Sul e de Rondônia

São Paulo, por Kleber Patricio

Novos Velhos Corpos. Foto: Adriana Marchiori.

O Itaú Cultural apresenta de 6 a 16 de março o Conexões Norte Sul, programação com foco nas artes cênicas produzidas no Rio Grande do Sul e Rondônia, pontos extremos do Brasil, e em suas peculiaridades e dificuldades de circulação em um país de dimensões continentais. Com parceria do Sesc/RS e curadoria de Jane Schoninger, coordenadora de Artes Cênicas, Visuais e Arte Educação da instituição (Porto Alegre/RS) e Andressa Batista (Porto Velho/RO), artista, gestora e produtora cultural, a grade reúne espetáculos de linguagens e temáticas diversas e encontros reflexivos. Os espetáculos serão realizados na Sala Itaú Cultural e no Bulevar do Rádio – espaço ao ar livre entre o IC e o Sesc Avenida Paulista.

Com linguagem teatral, os gaúchos apresentam danças contemporâneas e urbanas e o teatro de manipulação de bonecos para tratar de temas como etarismo, questões sociais e a literatura que inspira as artes cênicas. A temática dos rondonienses passa pela expressão circense e do teatro e gira em torno de questões raciais e de reflexões sobre o estado de espírito dos artistas dentro e fora do palco.

“O Conexões Norte Sul surge da necessidade de falarmos sobre circulação de espetáculos produzidos em um país tão grande como o Brasil. Percebemos essa urgência acompanhando programações em estados como Rondônia e Rio Grande do Sul”, conta Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural. “Observamos que o Norte ainda tem uma barreira geográfica que dificulta a circulação de suas produções. No Sul, as consequências das enchentes do ano passado ainda impactam fortemente as produções artísticas. O resultado dessa tragédia persiste, mas já não é pauta para a mídia”, complementa ela, que acrescenta: “Dividir essa curadoria com o Sesc RS traz para perto um parceiro que também trabalha a proposta de fazer circular pelo país espetáculos vindos de diferentes regiões, assim como oferece um olhar de dentro de um dos estados atualmente mais impactados pela dificuldade de fazer suas produções irem além das fronteiras.”

Meu Amigo Inglês. Foto: Eliane Viana.

Para Jane Schoninger, “as produções de artes cênicas destes dois estados sofrem dificuldades para conseguir espaços nas demais regiões do país, e é sentida a necessidade de estabelecer conexões com esses outros locais, de apresentar o que está sendo produzido localmente”. E a coordenadora do Sesc/RS pontua ainda: “Sabemos que o desenvolvimento de uma cena também se abastece dos intercâmbios entre os diferentes territórios. São lugares que ainda arcam com as consequências de catástrofes climáticas ocorridas no último ano. Aqui, por terras gaúchas, toda uma cadeia de profissionais que recém superavam o período pandêmico, retomando ou recuperando rotinas antigas, inventando novos caminhos, tiveram que enfrentar o cenário perverso da histórica enchente. O Conexões Norte e Sul evidencia essa cena, traz para a conversa uma produção que está ausente da maior parte das programações. É a ausência no centro do debate”.

Como todas as atividades do Itaú Cultural, a programação é gratuita. Os ingressos devem ser reservados na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br, a partir das 12h da terça-feira da semana da apresentação. A exceção são as ações que acontecerão no Bulevar do Rádio (na), as quais são abertas ao público.

Primeira semana

A programação Conexões Norte Sul abre no dia 6 de março (quinta-feira), às 20h, na Sala Itaú Cultural, com o espetáculo gaúcho de dança contemporânea Novos Velhos Corpos 50+, que é reapresentado no dia seguinte, no mesmo horário. Com a proposta de ser uma coreografia-manifesto, a peça leva à cena uma mistura de dança, ao vivo, teatro e projeção de imagens de vídeo para falar sobre longevidade, desafiando preconceitos e estereótipos sobre o envelhecimento.

Nessa celebração à dança e à vida, as forças e as fragilidades são simbolizadas pelo jogo de aproximações e afastamentos feito pelos dançarinos em cena. Esses corpos, que se movem com prazer, sensualidade, humor e leveza, são de um elenco composto por artistas com mais de 56 anos: Eva Schul (76), Eduardo Severino (63), Mônica Dantas (56), Robson Duarte (63), Rossana Scorza (57) e Suzi Weber (60), que também assina a direção do espetáculo.

A Cabeça de Tereza. Foto: Olga Lysloff.

A questão etária também está presente no espetáculo rondoniense Meu Amigo Inglês, que os circenses Chicão Santos e Flávia Diniz apresentam no sábado e no domingo (dias 8 e 9), respectivamente às 20h e às 19h. A história se passa em um circo, onde um casal de palhaços faz o público rir, quando está no picadeiro. Fora do palco, no entanto, a realidade bate diferente: eles são simplesmente marido e mulher, com as dificuldades cotidianas e enfrentando um inimigo silencioso e desleal, o mal de Parkinson.

O texto revela os bastidores da arte, quando os artistas são pessoas comuns, sujeitas aos mesmos sofrimentos e alegrias das outras. Embora mostre as fragilidades do dia a dia longe dos holofotes, a peça também traz pitadas de humor, uma vez que seus personagens são eternamente palhaços, dentro e fora do picadeiro.

No mesmo fim de semana, às 15h do domingo, dia 9, a programação segue do lado de fora do prédio do Itaú Cultural, com a apresentação de Ensaio Geral no Bulevar do Rádio. Neste espetáculo de Rondônia, e igualmente de linguagem circense, o Palhaço Pingo interpretado por Klindson Cruz, compartilha com o público a sua aflição ao fazer um ensaio geral na véspera da estreia e notar a ausência da diretora. Ele faz uma analogia a essa situação a bordo de um barquinho que aprendeu a velejar sem direção.

Novas conexões

Na quinta-feira e sexta-feira (dias 13 e 14), às 20h, tem mais uma produção de Rondônia. Trata-se de A Cabeça de Tereza, peça com dramaturgia e atuação da multiartista e mulher afroamazônida Jam Soares. A trama dirigida por Luiz Lerro se passa em 2035, quando a defensora pública e ativista dos direitos humanos Tereza Sankofa se torna uma foragida procurada pelo regime antidemocrático Estado Fundador que condena à pena de morte quem infringir suas determinações: pessoas não brancas não podem exercer funções de poder; é proibido se rebelar contra o Estado Fundador e ter lembranças é um ato subversivo.

Trivial. Foto: Nando Espinosa.

Encerrando a programação, no sábado e no domingo (dias 15 e 16) são apresentadas duas produções gaúchas. Uma delas é o espetáculo de dança breaking Trivial – Um Espetáculo de B-boys, que sobe ao palco do Itaú Cultural no sábado (dia 15), às 20h, e no domingo (dia 16), às 19h, com direção e coreografia de Driko Oliveira.

Em cena, a B-girl Naju e os Bboys Daniel Cavalheiro, T2, Deaf, B-Boy Julinho RC e César RC mostram o paradoxo existente entre as trivialidades cotidianas de jovens dançarinos de periferia e as suas realidades diárias como profissionais liberais, pais de família e membros de uma sociedade desigual. Nesse ambiente, o breaking é, ao mesmo tempo, uma forma de expressão e uma profissão, que os sustenta emocional e financeiramente.

Por fim, também no domingo, mas a partir das 11h, a mostra Conexões Norte Sul toma mais uma vez o Bulevar do Rádio, com o espetáculo de manipulação de bonecos Teatro dos Seres Imaginários, da Cia. Seres Imaginários. Inspirada no Livro dos Seres Imaginários (1957), dos escritores argentinos Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero, a montagem traz como personagens criaturas oriundas de mitologias, religiões e da imaginação de autores universais.

A encenação acontece em uma caixa de tecido suspensa a 1, 5 metro do chão, com escotilhas na base para que os espectadores coloquem a cabeça e acompanhem tudo o que se passa ali dentro à altura dos olhos. Os personagens sobrevoam neste espaço cenográfico, proporcionando ao público um mergulho em um universo inesperado, no qual o próprio Borges surge como um personagem ilustre. As apresentações acontecem em sessões de 10 minutos assistidas por até 18 pessoas, ao longo de três horas.

Além da cena, debates

Em paralelo às apresentações, a programação Conexões Norte Sul conta com momentos de olhares mais profundos sobre os espetáculos, assim como com mesas sobre a circulação e os modos de produção nestes territórios.

Teatro dos Seres Imaginários. Foto: Rique Barbo.

Pulsações é um bate-papo realizado pelo Itaú Cultural, com a participação dos artistas, espectadores e um especialista das artes cênicas, é um deles. Os encontros acontecem às sextas-feiras e sábados, sempre após os espetáculos apresentados na Sala Itaú Cultural: no dia 6, depois da apresentação de Novos Velhos Corpos 50+; no dia 8, após Meu Amigo Inglês; no dia 13, na sequência de A Cabeça de Tereza; e no dia 16, após Trivial – Um Espetáculo de B-boys.

Nos dias 11 e 12 (quarta-feira e quinta-feira), sempre às 20h, são realizadas mesas com o propósito de mergulhar sobre a produção e a circulação de trabalhos de artes cênicas produzidos nas regiões que dão nome à programação. Na região Norte, o foco é Rondônia; na Sul, o Rio Grande do Sul.

No primeiro dia, Kil Abreu, jornalista, crítico e curador de teatro, conduz o encontro Modos de Produção e seus operários. No segundo, a conversa aborda Curadorias, circulações, com a participação de Jane Schoninger, coordenadora de Artes Cênicas do Sesc RS.

Serviço:

Projeto Conexões Norte Sul

De 6 a 16 de março (quinta-feira a domingo)

No Itaú Cultural

Entrada gratuita – Reservas de ingressos a partir da terça-feira da semana da apresentação, a partir das 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br.

Protocolos – Sala Itaú Cultural: 

– É necessário apresentar o QR Code do ingresso na entrada da atividade até 10 minutos antes do seu início. Após esse período, o ingresso será invalidado e disponibilizado na bilheteria.

– Se os ingressos estiverem esgotados, uma fila de espera presencial começará a ser formada 1 hora antes da atividade. Caso ocorra alguma desistência, os lugares vagos serão ocupados por ordem de chegada.

– O mezanino é liberado mediante ocupação total do piso térreo.

– A bilheteria presencial abre uma hora antes do evento começar.

Devolução de ingresso: Até duas horas antes do início da atividade, é possível cancelar o ingresso diretamente na página da Inti, assim outra pessoa poderá utilizá-lo. Na área do usuário, selecione a opção ‘Minhas compras’ no menu lateral, escolha o evento e solicite o cancelamento no botão disponível.

Programação sujeita a cancelamento: O Itaú Cultural informa que sua programação poderá ser cancelada em virtude de questões extraordinárias. Nesse caso, os ingressos adquiridos perdem a validade. O público que reservou o ingresso será notificado por e-mail. Um eventual reagendamento da programação ficará a exclusivo critério do IC, de acordo com a disponibilidade de agendas, sem preferência para quem adquiriu os ingressos anteriormente.

Itaú Cultural 

Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô

De terça-feira a sábado, das 11h às 20h | domingos e feriados 11h às 19h

Informações: pelo telefone (11) 2168-1777 e wapp (11) 96383-1663

E-mail: atendimento@itaucultural.org.br

Acesso para pessoas com deficiência física

Estacionamento: entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas

www.itaucultural.org.br

www.instagram.com/itaucultural

www.facebook.com/itaucultural

www.youtube.com/itaucultural.

(Com Luís Henrique Cunha/Moglia Comunicação Empresarial)