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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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CAIXA Cultural São Paulo apresenta exposição ‘Cidadela’, da artista visual Maria Ezou

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Mônica Cardim.

No dia 7 de março, chega à CAIXA Cultural São PauloCidadela’, a exposição individual da artista visual Maria Ezou que convida o público para uma experiência imersiva no universo das infâncias, suas sensações e subjetividades. A Cidadela é uma instalação interativa que materializa uma cidade imaginária e biocêntrica, uma fortaleza onírica onde os seres humanos, seus corpos, as casas e o restante da natureza são partes de um mesmo sistema: harmônico e fantástico.

Ao chegar à exposição, o público se depara com um portal de entrada que se assemelha a uma trama de raízes aéreas de mangue e à silhueta de uma montanha. A estrutura, que leva o nome de ‘estufa’, tem suportes que guardam pequenos vasos biodegradáveis com matéria orgânica, sementes nativas do bioma original da cidade de São Paulo, a Mata Atlântica, e lápis e papel. Ali o público pode realizar suas primeiras interações com a obra, seja pelo plantio de mudas que serão destinadas à restauração ambiental ou realizando um autorretrato que integrará a galeria de novos ‘habitantes’ da Cidadela.

Ao adentrar um pouco mais, descortina-se a cidade formada por 15 ‘casas-corpos’ – esculturas feitas a partir do molde do tronco da própria artista, com diminutas janelas e portas em seu ventre que dão acesso a minimundos imaginários. No interior de cada ‘casa-corpo’, o olhar curioso se depara com uma dramaturgia particular, dialogando com um aspecto diferente da infância, interconectado com o fluxo dos corpos e suas distintas emoções, o cotidiano das casas e as dinâmicas da natureza. Para contar cada história, o cenário e objetos em miniatura são animados por autômatos mecânicos e eletrônicos, pela transição de luzes e pela trilha sonora individual de cada casa, além de estímulos auditivos como o som das águas, do vento, do pisar na terra e do crepitar do fogo. Cada ‘casa-corpo’ recebe também uma audiodescrição que promove a acessibilidade.

O fio condutor das obras são as artes têxteis, que Ezou intersecciona com o teatro de animação, a arte eletrônica, o audiovisual, a literatura, as musicalidades e os autômatos artesanais. Ela ainda emprega técnicas auxiliares como marcenaria, serralheria artesanal e colagem e, por fim, as conecta a saberes como mecânica do movimento, arquitetura vernacular, biologia e agroecologia. Assim, Maria tece o enredo que resulta na narrativa maior, o mundo sonhado da Cidadela.

Para proporcionar uma experiência plena às crianças, a expografia respeita as dimensões dos pequenos, e os minimundos são localizados na altura do olhar da criança. Para os adultos, o convite é para que experimentem a Cidadela a partir do ponto de vista dos pequenos. A exposição pretende reafirmar o corpo como espaço de autonomia e alteridade e, por isso, cada espectador escolhe sua trilha de visitação, descobrindo, em cada Casa, um universo particular e a temática inerente à infância daquela obra. Compõem a Cidadela as Casas Gestar, Infância, Memória, Amor, Raiva, Empatia, Espera, Afeto, Alegria, Proteção, Desafio, Preguiça, Liberdade, Medo e Tristeza.

Em Cidadela, o corpo de Maria Ezou é o corpo do universo. Raízes, corpo, montanha. Mulher-natureza guiada por mapas, casas e seus interiores – cartografias que apontam para a direção coletiva. Cartógrafa dos afetos, parte das espacialidades e mergulha nas infâncias como um ato político onde o caminhar coletivo é o único possível.

Hoje as obras de Ezou estão situadas no campo das artes visuais, da performance e da instalação, mas nos primeiros anos de sua trajetória produziu muitos trabalhos para o campo das artes cênicas e com teatros de grupo – assim aprendeu e aprimorou seu ofício na lógica da colaboração e coletividade. Em a Cidadela, essa dinâmica segue presente. As obras da exposição têm a concepção e realização individual de Maria Ezou, mas contam com a colaboração de outros artistas e mestres de diferentes ofícios, que, convidados por Maria, trouxeram sua especialidade para o processo de preparação das obras. Entre os 17 convidados, estão André Mehmari (produtor e intérprete musical), Heloisa Pires Lima (dramaturgia do movimento), Juliana Notari (dramaturgia do movimento), Mônica Cardim (fotografia artística), Leonardo Martinelli (composição musical), Willian Oliveira (desenvolvimento dos sistemas eletrônicos), Cristina Souto (desenho de luz), entre outros.

A exposição, que segue para a CAIXA Cultural Rio de Janeiro e Curitiba na sequência da temporada paulistana, integra o projeto homônimo, Cidadela, que, em diferentes formatos, já passou, desde 2019, por Minas Gerais, Brasília e São Paulo e Fortaleza, somando mais de 31.000 espectadores. Mais informações sobre o Projeto Cidadela.

Maria Ezou – artista visual para as infâncias

Premiada artista, performer e educadora, Maria Ezou é porta-voz do movimento das artes visuais para as infâncias e trabalha o universo onírico e fantástico contando histórias imersivas e sensoriais. Com Licenciatura em Educação Artística (Unesp), chegou a cursar parte do Bacharelado em Artes Plásticas (FAAP) e tem formação em Cenografia. Em uma infância de liberdade, experimentação e integralidade com a natureza, Maria foi uma criança curiosa e apaixonada pelo funcionamento das coisas, dos corpos, dos fluxos e dos lugares. Encantamentos que se tornaram estruturantes em sua obra.

Filha de mãe arquiteta, entrou em contato com a arquitetura vernacular muito cedo e, ainda criança, viajou com a família pela América Latina, quando conheceu as cosmogonias inca e maia. O avô lhe transmitiu a paixão pelos autômatos, em seu “incrível quarto de invenções”. A cozinha de sua avó materna foi uma de suas primeiras inspirações para as manualidades artísticas e a máquina de costura, de sua outra avó, daria vida às suas primeiras criações têxteis. Ezou dialoga com o biocentrismo ancestral de seu país e continente e é possível identificar em sua obra o corpo biocêntrico, as espacialidades e seus fluxos, além do aspecto político. De modo não óbvio, reverencia aspectos culturais comuns aos povos originários do Brasil e da América Latina e revisita saberes desses povos para propor um diálogo das esperanças. A lida com o tecido, entremeada com o fazer artístico – lógica presente em culturas latino-americanas – é um dos exemplos em sua obra.

Os campos de atuação de Maria Ezou são as artes visuais, a performance e a instalação, com a presença recorrente de autômatos e objetos sensíveis. Ela respeita os tempos e o corpo expandido e integral das infâncias, por isso desenvolve obras analógicas e na escala das crianças. A artista das infâncias decoloniais, contempla diferentes contextos das infâncias. Entre seus trabalhos estão: Projeto Cidadela [Exposições: Cidadela-Corpo – Sesc Pompeia (2022), Cidadela Fotos – Circulação Minas Gerais, Brasília e São Paulo (2023), Cidadela – CAIXA Cultural Fortaleza, 2023/24]; Quadro bordado ‘Janelas do Céu’- vencedor do Contrastes MAB FAAP (2003); Performance ‘Fauna InFesta’ – exposição Augusto de Campos, no Sesc Pompéia (2016); Direção de arte dos espetáculos ‘A Ciranda do Villa’ – indicado aos prêmios FEMSA e Cooperativa Paulista de Teatro; ‘Os Saltimbancos’, (2008) – indicado ao prêmio FMSA (2008); ‘O Príncipe Feliz’ – premiado pelo 13º Festival Cultura Inglesa (2009); ‘Grandes Pequeninos’ – Indicado ao Grammy Latino de Música (2010); ‘Mário e os Marias’, premiado pelo APCA de Melhor Espetáculo de Rua para Crianças (2012) e ‘Coágulo’ – performance videoarte premiada no RUMOS Itaú Cultural (2021).

Ficha técnica

Exposição Cidadela

Maria Ezou – Concepção e realização

Colaboradores convidados:

Mônica Cardim – Fotografia casa Memória

Heloisa Pires Lima – Dramaturgia do movimento e textos do Site

Juliana Notari – Dramaturgia do movimento e textos do Site

Gabriela Zuquim – Consultoria ambiental

Leonardo Martinelli – Composição musical

André Mehmari – Produção e intérprete musical

Marina Quintanilha – Animação da Casa Memória

Eduardo Salzane – Consultoria de arte mecânica

Willian Oliveira – Desenvolvimento dos sistemas eletrônicos

Cristina Souto – Desenho de Luz

Fábio Luiz Souza Gomes e Joseane Natali Domingos – Serralheria

Rager Luan – Modelagem das peças em fibra de vidro

Alê Noguchi – Modelagem das peças em bambu

Rita De Cassia Martins – Confecção das roupas das Casas

Mônica Cristina Rocha – Confecção casulos

Joana Bertolini De Araújo – Estagiária assistente

Wanessa Costa – Estagiária assistente

Itinerância CAIXA Cultural

CAIXA – Realização

Maria Ezou – Idealização e Direção Artística

Débora Bruno – Produção Executiva

Plano Nacional ‘Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis’ MST – Plantio Estufa

Nany Gottardi – Locomotiva Cultural – Assessoria de Imprensa

Caia Gusmão Ferrer – Equipe educativa | Coordenação

Coralina De Sordi – Equipe educativa

Murilo Yasmin Soares – Equipe educativa

Mônica Cardim – Fotos de Divulgação

Ana Muriel – Artes Gráficas

Laura Corcuera – Assessoria de comunicação

Kelly Gonçalves – Studio Âmago Mkt– Assessoria de redes sociais

Bruno José – Ilustração site

Alves Tegam – Transportadora

Rogerio Gonzaga – Cenotécnico e Montagem

Douglas Campos – Eletricista.

Serviço:

Exposição Cidadela

Local: CAIXA Cultural São Paulo

Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – próximo à estação Sé do Metrô

Data: de 7 de março a 4 de maio de 2025 | terça a domingo, das 8h às 19h

Classificação indicativa: livre

Entrada franca

Agendamentos para grupos e escolas: e-mail

Acessibilidade: A exposição conta com o recurso de audiodescrição e acesso para pessoa com deficiência

Informações: (11) 3321-4400 ou acesse o site

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal.

(Com Nany Gottardi/Locomotiva Cultural)

‘Ouvido V!u’: o novo trabalho autoral de Marcelo Antunes Martins

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Capa do álbum.

Vivemos um momento deslumbrante do universo visual, apoiado pela tecnologia capaz de produzir realidades virtuais, no entanto as trilhas sonoras dessas maravilhas continuam aprisionadas em duas dimensões: Altura (graves e Agudos) e Comprimento (o decorrer do Tempo). O músico Marcelo Antunes Martins nos revela, por meio de sua obra autoral e de um artigo intitulado Introdução à Percepção Sonora Objetiva, um estudo detalhado sobre a profundidade do espaço-tempo, ambiente onde a música se manifesta.

O álbum Ouvido V!u é um marco histórico e traz 10 exemplares de diferentes gêneros musicais explorando a espacialidade do tempo a partir de diversos pontos de observação. A imaginação do ouvinte com seu fone de ouvido, o universo dos games, o cinema e todas as imagens digitais, ganham novas perspectivas a partir desse álbum, editado pela Arlequim e distribuído pela WMD Distribution.

Faixas:

1 – A outra mão do mágico

Caroline Artêmis (vozes)

Erick Delmora (violão/vozes)

Gaudiê Otero (violão/vozes)

Israel Castro (bateria, percussão e baixo)

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

2 – Deseixo

Caroline Artêmis (vozes)

Erick Delmora (guitarras)

Gaudiê Otero (violão)

Israel Castro (bateria/percussão)

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

3 – A manivela do amolador

Caroline Artêmis (vozes)

Erick Delmora (vozes)

Margarete Ambiel (vozes)

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

4 – Napoleão e Maria Bonita

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

5 – Ouvido V!u

Erick Delmora (guitarras)

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

6 – O que será que

Erick Delmora (guitarras)

Israel Castro (percussão)

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

Vozes: Adriana Jerusa, Bronislaw Drabek, Caroline Artêmis, Estefany Franze, Flávio Lorena. Gaudiê Otero, Margarete Ambiel, Osmar Willians, Silvia La Monica

7 – Fuga centrífuga

Rick Delmora (guitarras)

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

8 – Sublimação

Israel Castro (guitarra)

Marcelo A. Martins (arranjo e instrumentos virtuais)

Vozes: Adriana Jerusa, Caroline Artêmis, Estefany Franze, Margarete Ambiel, Silvia La Monica

9 – Levada da breca

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

10 – Uninversos

Marcelo A. Martins (arranjo e manipulação de instrumentos virtuais)

Ficha Técnica

Gravado na Oficina de Música Concertos em Geral e nos estúdios de Rafael Castro e Gerê Canova

Produção: Marcelo Antunes Martins

Edição: Arlequim Produtora Musical Ltda.

Distribuição: WMD Distribution.

Sobre Marcelo Antunes Martins

O compositor e arranjador Marcelo Antunes Martins. Foto: divulgação.

Nascido em Itu, SP (1961), Marcelo Antunes Martins é compositor e arranjador e dedica-se à pesquisa e interpretação da História da Música Brasileira, trabalho que resultou em numeroso registro fonográfico e edição de partituras pela Gravadora Eldorado e pela editora Arlequim.

No papel de arranjador e regente, realizou shows e gravações com artistas como Dominguinhos, Lenine, Heraldo do Monte, Lobão, Margareth Menezes e Gereba, entre outros.

Compositor premiado, escreveu musicais, óperas, música orquestral e camerística e dedicou ainda inúmeras obras ao público infantil. Trabalha também na criação de trilhas incidentais para novelas e seriados da TV Record e Rede Globo e orquestrações didáticas para o Projeto Guri, Filarmônica Mário de Andrade, Orquestra Escola (idealizada por ele) e outras instituições de ensino musical.

Martins é criador do formato dinâmico de educação e preparação musical Percepção Sonora Objetiva e lança agora o álbum autoral Ouvido V!u, trazendo 10 peças de diferentes gêneros fazendo uso intencional da espacialidade do tempo.

Surdos Fazem Cinema abre inscrições para a edição 2025 em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Curso de cinema gratuito para surdos recebe inscrições até 11 de março. Foto: Guilherme Dantas.

Já imaginou um curso onde alunos surdos são protagonistas na frente e atrás das câmeras? Essa é a proposta do projeto Surdos Fazem Cinema, que está com inscrições abertas para sua terceira edição. O curso, totalmente gratuito, capacita estudantes surdos em todas as etapas da produção cinematográfica, desde a criação de roteiros até a edição final.

Idealizado pelo premiado diretor Ricardo Cioni Garcia, o projeto busca fortalecer a inclusão e ampliar a presença da comunidade surda no audiovisual brasileiro, garantindo espaço para que essas vozes contem suas próprias histórias. “A luta da comunidade surda é histórica, mas suas principais conquistas de inclusão ainda são recentes. Precisamos combater o capacitismo e criar mais oportunidades. Com esse projeto, queremos provar que o surdo pode estar tanto na direção quanto na atuação”, afirma Ricardo Garcia, que já venceu mais de 20 prêmios internacionais e teve filmes selecionados em festivais qualificadores do Oscar.

O Surdos Fazem Cinema nasceu após a realização do curta-metragem ‘Amei Te Ver’, que contou com um ator surdo e uma atriz cega. A experiência sensibilizou o diretor, que percebeu a necessidade de ampliar as oportunidades para pessoas com deficiência no setor cinematográfico. Desde então, o projeto tem revelado talentos e produzido curtas-metragens inovadores e impactantes.

As inscrições para a edição de 2025 já estão abertas e podem ser feitas até o dia 11 de março. Link para inscrição: https://www.surdosfazemcinema.com.br/.

Ricardo Cioni Garcia. Foto: Divulgação.

Sobre Ricardo Cioni Garcia: Com uma carreira internacional consolidada, Ricardo Cioni Garcia tem mais de 20 prêmios e participações em quase 100 festivais, incluindo o Emmy 2022 JCSI Young Creative Awards, que trouxe o prêmio para o Brasil pela primeira vez. Formado em Audiovisual pela USP, Garcia também estudou cinema na China, Canadá e breve estará nos Estados Unidos para dar sequência aos estudos, recebendo bolsas de excelência. Seu compromisso com o cinema e a inclusão social reflete-se no Surdos Fazem Cinema, um projeto que transforma vidas por meio da arte.

Para mais informações e inscrições, acompanhe o projeto Surdos Fazem Cinema nas redes sociais: @surdosfazemcinema.

Apoios e Realização: Butikin Filmes, IST – Instituto Santa Teresinha, Tudo Vira Cult SP, Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa, Lei Paulo Gustavo, Governo Federal – Ministério Da Cultura.

(Com Ricardo Nóbrega/Deu Click Comunicação)

Eduardo Freitas denuncia desigualdades e exploração de trabalhadores em exposição em Portugal

Loures, por Kleber Patricio

Instalação ‘Cem em pregos’, cerâmica vidrada e pratos de porcelana. Imagem: Eduardo Freitas.

Portugal enfrenta uma realidade paradoxal em dois de seus setores essenciais: os restaurantes e as artes. Responsáveis por movimentar a economia e enriquecer a cultura do país, ambos os campos compartilham características preocupantes, como a informalidade, as relações precárias de trabalho e a desvalorização dos trabalhadores. O setor de restaurantes depende fortemente de trabalhadores estrangeiros: 59% da mão de obra é imigrante, sendo desses 79% brasileiros, segundo estudo da AHRESP (Associação as Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) em 2024. Apesar de sua contribuição fundamental para o setor e para o turismo local, esses trabalhadores muitas vezes enfrentam jornadas exaustivas, baixos salários e, no caso dos estrangeiros, xenofobia. Na cena artística, as desigualdades também estão presentes, com remunerações incompatíveis com as funções desempenhadas e uma estrutura que frequentemente priva artistas de condições sustentáveis de trabalho.

É nesse contexto que surge EM.PREGO, exposição do artista brasileiro Eduardo Freitas que inaugurou no dia 22 de fevereiro na Galeria Municipal Vieira da Silva, em Loures. Inspirado por suas próprias experiências como artista e garçom (função desempenhada quando chegou ao país), Freitas combina escultura, multimídia e performance para expor as relações precárias do setor de restaurantes e suas conexões com o universo da arte. Com ironia e críticas afiadas, as obras reimaginam alimentos como órgãos humanos e brincam com as palavras, criando metáforas visuais que questionam os limites do corpo e as estruturas de poder da sociedade neoliberal.

Uma das obras da exposição, Sem fundos, apresenta um prato fixo na parede. Dentro do objeto, o artista exibe o extrato bancário de sua conta no dia da inauguração da mostra, com um saldo de apenas 15,06 euros, visibilizando a instabilidade financeira de sua própria profissão.

Na abertura da exposição, o artista ainda apresentou uma nova iteração da performance Empregado de Mesa, originalmente realizada na última edição da Bienal de Cerveira. Na obra, uma réplica do corpo do artista em cerâmica é colocada sobre uma mesa no centro do espaço. Usando um martelo, o artista quebra a escultura em pedaços, oferecendo seus cacos em uma bandeja aos convidados, em uma narrativa sobre o preconceito e o assédio sofridos pelos trabalhadores de restaurantes.

EM.PREGO convida o público a refletir sobre as condições subalternas impostas aos trabalhadores, seja dentro das cozinhas ou nas galerias de arte, evidenciando os desafios e as desigualdades que permeiam esses espaços. A exposição permanece aberta até o dia 4 de maio de 2025.

Performance ‘Empregado de Mesa’. Imagem: cortesia Galeria Municipal Vieira da Silva.

Freitas tem uma longa trajetória em Portugal, com exposições por todo o país. Atualmente, o artista também participa da coletiva A fragilidade do que persiste, em cartaz até 15 de março na Galeria Jovem, em Vila Franca de Xira, e de uma residência no Imaginarius Centro de Criação, em Santa Maria da Feira.

Serviço:

EM.PREGO

Exposição: até 4 de maio | terça-feira a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h

Local: Galeria Municipal Vieira da Silva

Endereço: Parque Adão Barata, R. Alfredo Duarte Pinto, Loures, Portugal

Instagram.

(Com Patrícia Gil/OMA Galeria)

Me Gusta retorna a Jaguariúna para mais uma celebração da gastronomia local

Jaguariúna, por Kleber Patricio

O Sítio das Fontes. Fotos: Divulgação.

Após o grande sucesso da última edição, o Me Gusta está de volta para mais uma experiência gastronômica autêntica e cheia de sabor. No dia 9 de março, das 12h às 17h, o Sítio das Fontes será novamente o cenário deste evento que fortalece a conexão entre produtores locais e consumidores apaixonados por comida de verdade.

O Me Gusta nasceu com o propósito de valorizar o sistema alimentar local promovendo um encontro direto entre quem produz e quem consome. A proposta é simples e poderosa: incentivar uma relação mais consciente e afetiva com os alimentos, destacando a importância da sazonalidade, do trabalho artesanal e da economia solidária.

Nesta edição, o público poderá degustar e adquirir produtos frescos e de alta qualidade diretamente das mãos dos produtores. Entre os expositores confirmados estão mestres da panificação, queijeiros artesanais, vinícolas, cervejarias, pizzaiolos e horticultores, proporcionando uma experiência completa para os amantes da boa gastronomia.

Além da diversidade de sabores, o evento oferece um ambiente descontraído e acolhedor, perfeito para um dia em família ou entre amigos. Com música ambiente, natureza ao redor e aquele clima de feira gastronômica, o Me Gusta se firma como um ponto de encontro para quem valoriza o consumo consciente e a cultura alimentar regional.

Sobre o Me Gusta

Mais do que um evento, o Me Gusta é um movimento que busca fortalecer o sistema alimentar local, incentivando o consumo de produtos frescos e artesanais, aproximando pequenos produtores do público e criando um espaço de conexão, sabor e transformação. Venha viver essa experiência.

Sobre o Sítio das Fontes

O Sítio das Fontes é um espaço dedicado ao desenvolvimento humano, à educação alternativa e à conexão com a natureza, fundamentado nos princípios da Antroposofia. Localizado em Jaguariúna (SP), oferece cursos livres, imersões e experiências transformadoras em áreas como Pedagogia Waldorf, agricultura biodinâmica e autoconhecimento. Com uma infraestrutura completa, incluindo alojamentos, salas de atividades e espaços ao ar livre, o Sítio das Fontes é um ambiente ideal para quem busca aprendizado vivencial, crescimento pessoal e um estilo de vida mais conectado à natureza.

Serviço:

Local: Sítio das Fontes – Jaguariúna/SP

Data: 9 de março de 2024

Horário: das 12h às 17h

Entrada gratuita

https://megustaartesanal.my.canva.site/

falamegusta@gmail.com.

(Fonte: Me Gusta)