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Praça vira palco da folia carnavalesca em SP

São Paulo, por Kleber Patricio

Programação gratuita traz shows que celebram a diversidade dos ritmos brasileiros. Foto: Divulgação.

A praça do Sesc Pinheiros será palco de uma programação musical especial durante o Carnaval, com apresentações gratuitas que prometem animar foliões de todas as idades. Entre marchinhas, frevo, maracatu e axé, os artistas convidados resgatam e reinventam os ritmos tradicionais da festa.

No sábado e na segunda, dias 1º e 3 de março, a festa começa com Carnaval da Velha Fubica, conduzido por Lili Flor & Paulo Pixu. O show traz a temática Le Petit Peticolá – O Carnaval 2025 é para brincar!, homenageando as infâncias com um repertório que inclui canções populares e brincadeiras tradicionais. Após o almoço, o público poderá dançar ao som do Baile da Samucagem, comandado por Samuel Samuca e sua banda completa. O show resgata a energia dos bailes carnavalescos, com releituras de clássicos do axé dos anos 90, brega, MPB e sucessos da música brasileira.

Já no domingo e na terça, dias 2 e 4 de março, a programação se repete com novas atrações. A Cia da Tribo apresenta Folias do Brasil, um show que celebra a riqueza da cultura popular com ritmos como frevo, maracatu, cavalo-marinho, ciranda e samba entre outros. Com músicas de Ricardo Dutra, a apresentação mistura teatro, dança e bonecos para envolver o público na festa. Mais tarde, às 16h, é a vez de Carnaval dos Quatro Cantos, com Tatá Alves e Rodrigo Régis, que fazem um passeio musical pelos carnavais do Brasil, de São Paulo ao Recife, passando por Salvador e São Luiz do Paraitinga.

Todas as apresentações acontecem na Praça, com entrada gratuita e classificação livre.

Programação:

Carnaval da Velha Fubica – Dias 1 e 3/3, sábado e segunda, às 13h30

Baile da Samucagem – Dias 1 e 3/3, sábado e segunda, às 16h

Folias do Brasil – Dias 2 e 4/3, domingo e terça, às 13h30

Carnaval dos Quatro Cantos – Dias 2 e 4/3, domingo e terça, das 16h às 17h30.

Serviço:

De 1º a 4 de março de 2025

Local: Praça

Livre

Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h

Mais informações: www.sescsp.org.br.

(Com Gleice Nascimento/Assessoria Sesc Pinheiros)

‘O Sonho Americano’, com texto e direção de Luiz Carlos Checchia, faz novas apresentações no Teatro Studio Heleny Guariba

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: João Caldas.

Diante do crescimento do pensamento fascista ao redor do mundo, a Cia Teatro dos Ventos estava interessada em refletir sobre a popularidade da extrema-direita no Brasil. Assim, nasceu o espetáculo ‘O Sonho Americano’, que faz uma nova temporada no Teatro Studio Heleny Guariba entre os dias 15 de fevereiro e 30 de março, com sessões aos sábados, às 20h, e, aos domingos, às 19h. Não haverá apresentações nos dias 1º e 2/3.

Escrita e dirigida por Luiz Carlos Checchia, a peça antifascista é ambientada no início dos anos 1970, no auge do endurecimento da ditadura militar. Na história, Beatriz, uma jovem de classe média baixa, sonha em ir para os Estados Unidos para escapar de uma vida sem perspectivas. Ela disputa uma vaga em Harvard, mas seus planos podem sofrer um revés com a visita de seu primo Bento, um recém ingresso na luta armada.

Para construir esse texto, o dramaturgo se inspirou na maneira como os estadunidenses constroem as suas narrativas, principalmente quando apostam em um registro mais realista. “Não me restringi ao teatro. Li e reli produções de Eugene O’Neill (1888-1953), Arthur Miller (1915-2005), Tennessee Williams (1911-1983), Tony Kushner (1956-), John Steinbeck (1902-1968), Flannery O’Connor (1925-1964) e Ernest Hemingway (1899-1961). Também assisti a muitos filmes dos anos 40, 50 e 60, especialmente os de Billy Wilder (1906-2002). Alguns me marcaram muito, como ‘Farrapo Humano’ (Wilder, 1945) e ‘Entre Deus e o Pecado’ (Richard Brooks, 1960)”, comenta.

Ao mesmo tempo, a obra flerta com o realismo mágico do escritor argentino Júlio Cortázar (1914-1984). Durante a montagem, acontecem algumas situações absurdas, como se fossem devaneios. A intenção do dramaturgo é usar elementos fantásticos para acentuar as contradições do mundo.

Sobre a encenação

“Podemos dizer que ‘O Sonho Americano’ é dividido em dois momentos. Primeiro, há um clima bastante afetivo entre os integrantes da família (primos e tia). Mas, depois, quando Beatriz descobre que conseguiu a bolsa para sua pós-graduação, tudo se torna sombrio e denso, já que ela fica preocupada que a presença de um subversivo na sua casa possa atrapalhar seus planos”, comenta Checchia.

Em cena estão Camila Costa Melo, Cristina Bordin, Flávio Passos, Gabriel Santana e Ruben Pignatari. “Construímos esse trabalho de maneira que não existem mocinhos e vilões. Os personagens são complexos e cheios de falhas”, completa.

A palavra, mais especificamente a musicalidade da fala dos atores e atrizes, tem um papel fundamental para a narrativa, como se fosse a grande protagonista. Para auxiliar na construção da atmosfera de O Sonho Americano, a Cia Teatro dos Ventos ampliou sua pesquisa sobre o significado das cores. Dessa forma, o elenco veste tons de vermelho, remetendo à violência; verde musgo, que dá uma sensação de agonia; e branco, principalmente no sapato de alguns dos homens, recuperando um visual comum para os anos 70.

O cenário também aposta no branco. Mas o maior destaque fica para uma série de molduras sem fotos. “Queríamos dar a sensação de uma família e um país sem memória”, conta o diretor e dramaturgo.

Em 2024, Luiz Carlos Checchia defendeu o doutorado ‘O discurso do capitão: a emergência do bolsonarismo e sua guerra cultural’. Por conta das suas investigações, a peça estabelece conexões entre o período da ditadura militar e o Brasil de hoje. Para ele, é importante discutir como o pensamento de extrema-direita pode impactar tão profundamente as relações familiares.

Sobre a Cia Teatro dos Ventos

Formada no ano 2000, se constitui como grupo autônomo de pesquisa teatral cujas principais características são a busca pela teatralidade, o compromisso crítico, o olhar sobre as questões históricas por um recorte materialista histórico e, sobretudo, as ininterruptas pesquisas acerca das técnicas e estéticas teatrais.

Sinopse | O Sonho Americano se passa no Brasil dos anos 1970, em plena ditadura militar. Beatriz, jovem de classe média baixa, sonha com uma vaga em Harvard para escapar de sua rotina sem perspectivas. Tudo muda quando seu primo Bento, militante da luta armada, pede abrigo após falhar em uma ação contra o regime. Enquanto memórias e debates sobre o futuro emergem, Beatriz descobre que foi aceita em Harvard. Temendo que Bento comprometa seu sonho, ela enfrenta um dilema entre lealdade e ambição.

Ficha Técnica

Elenco: Camila Costa Melo, Cristina Bordin, Flávio Passos, Gabriel Santana e Ruben Pignatari

Texto e direção: Luiz Carlos Checchia

Realização: Cia Teatro dos Ventos

Luz e som: Iohann Iori

Produção: Lavinia Fernandes

Assistentes de Produção: Aline Castilho, André Pignatari e Lígia Gurgel

Apoio: Padaria Pão do Paulo e Espaço de Danças e Artes do Palco Milena L. Marra.

Serviço:

O Sonho Americano

De 15 de fevereiro a 30 de março, aos sábados, às 20h, e, aos domingos, às 19h. *Não haverá sessões nos dias 1º e 2/3

Local: Teatro Studio Heleny Guariba – Praça Franklin Roosevelt, 184 – República, São Paulo – SP

Capacidade: 60 lugares

Duração: 100 minutos

Ingressos: R$60 (inteira) e R$30 (meia-entrada)

Link de compra de ingressos: www.linklist.bio/CiaTeatrodosVentos ou pelo Sympla

Classificação indicativa: 14 anos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Milhares de ribeirinhos da Amazônia estão em situação de risco por erosão e assoreamento de rios

Amazônia, por Kleber Patricio

Mudanças climáticas intensificam eventos como a seca, que agravam o desgaste do solo e o acúmulo de sedimentos; na foto, erosão na comunidade de Coadi. Foto: Paula dos Santos Silva/Acervo pesquisadores.

Mais de cinco mil ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a cerca de 600 quilômetros da capital amazonense, estão em situação de risco devido à erosão e ao acúmulo de sedimentos nos rios. O número representa cerca de metade da população localizada nesta região amazônica que é banhada pelos rios Amazonas e Japurá. É o que indica estudo liderado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá em colaboração com as universidades de Brasília (UnB), do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de Toulouse, na França, publicado na quinta (20) na revista científica Communications Earth & Environment.

A erosão (localmente conhecida como ‘terras caídas’) está relacionada à remoção de sedimentos por desgaste causado pelas variações no nível da água ao longo do ano – na região estudada, a diferença pode chegar a 11 metros. Já o assoreamento se refere à deposição de sedimentos no leito e nas margens do rio, o que pode alterar seu curso, formando praias. Enquanto terras caídas destroem construções e territórios, a criação de obstáculos para acesso da população ao rio em áreas de formação de grandes praias dificulta a locomoção e o acesso a serviços e alimentos. Os impactos são agravados em períodos de diminuição do nível das águas, como durante a seca prolongada que afetou a Amazônia em 2023 e 2024.

A partir de informações de satélite, os pesquisadores consideraram os dados de água na superfície relativos ao período de 1986 a 2021 e combinaram os resultados a informações socioeconômicas da região para mapear o risco de 51 comunidades na região da Amazônia Central. Destas, pelo menos quatro estão sob risco muito alto (comunidades de Santa Domícia, Canariá, Boiador e Acapuri de Baixo) e sete estão sob risco considerado alto (Barroso, Porto Braga, Punã, Ingá, São Raimundo do Panauã, Triunfo e Caburini). Entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade das comunidades, estão a maior distância até os serviços disponíveis nos centros urbanos, a ausência de estruturas de organização social e a falta de experiências prévias com desastres do tipo.

Além disso, foi possível mapear, com o uso de satélites, a ocorrência de perigo de terras caídas e formação de praias em 254 comunidades da Reserva Mamirauá. Do total de comunidades analisadas, 18,5% são afetadas por processos de sedimentação, com impactos importantes no transporte fluvial, 26%, pela erosão das margens fluviais, o que gera perdas diretas de áreas nos territórios, enquanto 55,5% estão em uma situação estável. Mais de 80% destas comunidades estão às margens dos rios e apenas 18% vivem em terras altas, mas que também são impactadas pelo desgaste do solo.

Para o pesquisador André Zumak, do Instituto Mamirauá, as condições da região analisada podem impactar na qualidade de vida dos povos tradicionais da região. Além de ficarem isolados devido à baixa do nível dos rios, eles podem sofrer com insegurança alimentar devido aos reflexos das mudanças no solo na produção agropecuária e na pesca, por exemplo.

O pesquisador alerta ainda que, em decorrência das mudanças climáticas, que intensificam eventos como as secas, os estragos podem ser ainda mais graves. “As secas extremas dificultam a mobilidade dessas comunidades que residem ao longo das margens dos rios. A exposição de algumas áreas durante a seca registrada em 2024, por exemplo, proporcionou eventos chamados de terras caídas, com mortes, inclusive. Isto é uma relação direta com as mudanças climáticas, mas são necessários mais estudos para entender melhor esta relação”, diz Zumak.

A pesquisa destaca o trabalho de mapeamento do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) na região, mas alerta que ainda é preciso implementar mais estudos e ações preventivas de desastres. Para o pesquisador do Instituto Mamirauá, a investigação pode orientar políticas públicas voltadas para solucionar e mitigar os efeitos destes processos. “As informações geradas com esta investigação, principalmente a metodologia, que pode ser replicada em outras áreas, já podem ser utilizadas pelo SGB e Defesa Civil dos municípios auxiliando na identificação de áreas de risco em comunidades ao longo dos rios na Amazônia”, conclui. Baixe o artigo em PDF

(Fonte: Agência Bori)

Bori Entrevista: ‘Conhecimento indígena tem valor’, diz antropólogo que publicou na Science

Amazonas, por Kleber Patricio

O indígena e antropólogo João Paulo Lima Barreto, do povo Tukano. Foto: Alberto César Araujo/Amazônia Real.

Em entrevista exclusiva à Agência Bori, o cientista indígena João Paulo Lima Barreto, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas e um dos autores de artigo histórico publicado recentemente na revista Science, falou dos desafios da comunicação e do efetivo diálogo entre o conhecimento indígena e da ciência ocidental, especialmente diante da mudança climática.

João Paulo afirma que o artigo ‘Indigenizando a conservação para uma Amazônia sustentável’ propõe como alternativa viável para o futuro sustentável do planeta o respeito aos sistemas de formação dos especialistas indígenas, que há milhares de anos lidam com as questões da preservação da Terra, das espécies e também da medicina.

Às vésperas da COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada no mês de novembro em Belém, no Pará, o primeiro indígena a receber o título de doutor na UFAM afirma que a maior barreira ainda é a integração dos saberes, em lugar de uma ciência única e ocidental, e a inclusão dos povos indígenas nas discussões. “Nossos especialistas nunca são convidados para grandes conferências, nem que seja apenas para ouvir o que eles têm a dizer sobre essas questões”, diz.

Recentemente foi a primeira vez que cientistas indígenas publicaram um artigo na prestigiosa revista Science, entre eles o senhor. Gostaria que o contasse como foi esse caminho.

Ficamos mais de um ano trabalhando nesse artigo. O desafio começou com o encontro com os cientistas não indígenas. Existe uma grande fronteira entre dois modelos de conhecimento, o nosso [indígena] e o conhecimento científico, que se coloca como universal. Quando os cientistas se dispõem a ouvir e adentrar os nossos conhecimentos, nós temos que ter um esforço de tradução. O segundo desafio foi chegar aos editores da revista Science, que lidam com dados, que eles chamam de evidências, argumentos racionais, que fogem dos nossos conhecimentos. Foi um processo longo de construção com os pareceristas, que a princípio davam como não ciência, como conhecimento, aquilo que a gente estava falando. Mas a gente teve o grande apoio dos pesquisadores não indígenas para construir esse diálogo.

Poderia trazer alguns exemplos práticos que ajudaram a construir esse artigo e validar a importância do conhecimento indígena?

Quando a gente traz essa terminologia de ciência, não significa dizer que nosso sistema de conhecimento é equivalente a esse modelo científico. Não é isso que a gente está dizendo. Nós estamos dizendo que temos nossos conhecimentos específicos, que são tão importantes quanto esse conhecimento construído no modelo científico. Eu costumo dizer que nós estamos diante de dois modelos diferentes de construção de conhecimento. Nós, povos indígenas, estamos neste território, conforme a idade arqueológica — e da ciência —, há pelo menos 12 mil anos. Em todo esse tempo nós estamos manejando a terra, a floresta, os rios, os lagos, o cosmo, desenvolvendo tecnologias, desenvolvendo medicina. 

E essa ciência que temos hoje como modelo universal de conhecimento desconsidera e desqualifica outros modelos. Mas todos os povos baseiam seu conhecimento em mitos quando a gente vê o passado remoto. Hoje parece que nós somos escravos da razão.

Há outros caminhos de conhecimento e também está muito claro que nós somos povos de oralidade. Nós construímos nossos conhecimentos pela oralidade, reproduzimos nossos conhecimentos pela oralidade. A ciência, ela tem seu modelo próprio, que é a escrita. Portanto, nós estamos diante de dois modelos totalmente diferentes. Nossa ideia é propor diálogos entre modelos de conhecimento diferentes.

Como colocar toda a expertise dos povos originários em interlocução com a ciência ocidental, especialmente diante de um planeta que está passando por questões climáticas tão graves? 

A nossa relação com tudo que está em nosso entorno está baseada em nossas próprias teorias. Não é porque eu sou bonzinho que eu não destruo a floresta, que não destruo a cachoeira. Nós temos um conceito ou uma concepção de que todos os ambientes, seja aéreo, terrestre, floresta ou água, são habitados por humanos, que nós chamamos de Ye’pamahsã. Essa ideia é geral para os povos indígenas. Isso já foi traduzido como espírito e não tem nada a ver, não é algo religioso. Estamos dizendo que são humanos — como nós — com os quais nós devemos dialogar, comunicar, trocar, negociar. 

E por que isso, para nós, é importante? Na cidade, a gente vê que as pessoas têm a prática de cercar seu terreno, sua casa. Deixam vigia, cachorro bravo ou outros mecanismos de proteção. Também esses humanos que habitam a cachoeira, o rio, a floresta, a terra e o espaço aéreo cuidam do seu território. Então toda vez que a gente vai fazer excursões de caça, de pesca, tirar madeira ou fazer roçado, nós devemos negociar. Senão eles vão nos atacar. E esses ataques se dão na forma de doenças, acidentes, conflitos sociais. Então, tudo está ligado. Tudo está sob o cuidado de alguém. Essa concepção para nós é fundamental, porque é essa negociação que garante o equilíbrio. 

Sobre as mudanças climáticas, como é que os povos indígenas entendem essa resposta da Terra? Como são compreendidos esses eventos climáticos extremos?

Não há dúvidas de que a maior parte dessas mudanças climáticas é causada pela destruição, pela poluição. Mas para nós, povos indígenas, vai além disso. É a nossa desconexão de diálogo e de negociação com esses humanos que cuidam das coisas, de todos os espaços habitados e do que está nesses lugares. 

O que acontecia anteriormente, quando a gente não tinha ainda esse contato tão avançado com o mundo exterior, é que toda vez que ia começar a transição de constelações, ou seja, o que chamamos de ‘grande verão’, o nosso especialista entrava em ação para se comunicar com esses humanos que cuidam do Sol, para avisar que estava começando um verão. Tinha dias de sol, depois parava e tinha também alguns dias de chuva, algo intercalado, muito bem intercalado. E hoje não tem mais isso, porque ninguém comunica mais.

Da mesma forma, durante o inverno, havia equilíbrio, porque havia uma comunicação muito boa. Dizem nossos especialistas que eles [os outros humanos] nem sabem o que está acontecendo aqui e nós também não sabemos o que está acontecendo lá.

Estamos nos aproximando da COP30, que será realizada na Amazônia, em Belém (PA). Na perspectiva dos povos indígenas, o que a gente pode esperar do evento?

Sabemos que já existe esse grande investimento de manter a floresta em pé, que é preciso manejar os recursos etc. Todo mundo está nessa questão, indígenas, ONGs, mas não estão discutindo a importância dos conhecimentos indígenas e seus operadores. Os nossos especialistas nunca são convidados para grandes conferências, nem que seja apenas para ouvir o que esses especialistas têm a dizer sobre essas questões. São convidados jovens indígenas, lideranças indígenas, que vão nesse discurso da ciência. Mas, precisamos olhar, de forma inclusiva e séria, os conhecimentos indígenas, e fazer com que eles sejam considerados também em políticas públicas. 

Qual é o desafio para que esse encontro mais harmonioso entre ciência ocidental e ciência indígena?

Nós, indígenas que estamos nas universidades como pesquisadores ou produtores de conhecimento no modelo científico, precisamos sair dessas ‘chaves’ da religião e do ’etno’ para falar do nosso sistema de conhecimentos. Precisamos nos livrar das palavras como ‘casas sagradas’, ‘espiritualidade’, ‘espíritos’, ‘mitos’, ‘lendas’, ‘tabu’, ‘rezador’, ‘benzedor’, ‘fé’, ‘criador’, ‘criatura’. São palavras que são especificamente do campo da religião. O ‘etno’ também traz armadilha: ‘etnobotânica’, ‘etnoconhecimento’, ‘etno-história’, ‘etnomatemática’, ‘etnotudo’! Todas essas palavras que a ciência classifica outros modelos de conhecimentos como uma chave do Etno. O primeiro desafio é nos livrarmos dessas armadilhas. 

(Fonte: Agência Bori)

Trem Patagônico volta a operar e impulsiona o turismo em Bariloche

Patagônia, por Kleber Patricio

O Trem Patagônico. Foto: Divulgação.

O tradicional Trem Patagônico, um dos passeios mais emblemáticos da região, voltou a operar, conectando a Cordilheira dos Andes à imensidão da Estepe Patagônica. O retorno do trem representa não apenas a reativação de um importante meio de transporte turístico, mas também a valorização da cultura e das paisagens que fazem da Patagônia argentina um destino único no mundo.

A Conexão Bariloche–Viedma é um dos serviços de trem que voltaram a operar em 2025 oferecendo aos viajantes uma experiência única e confortável entre duas cidades da Patagônia. Este trecho conecta Bariloche, famosa por suas paisagens de montanhas e lagos, a Viedma, a capital da província de Rio Negro, com um percurso que proporciona vistas deslumbrantes da região.

O serviço também oferece uma viagem noturna partindo da estação de San Antonio Oeste com destino a Bariloche, proporcionando aos passageiros uma experiência que mistura o charme nostálgico do transporte ferroviário com o conforto de vagões modernizados.

Excursão de trem até Los Juncos

Além da viagem principal, uma novidade que vem conquistando os turistas é a excursão de Los Juncos, um passeio complementar que amplia a imersão na natureza patagônica. O trajeto de aproximadamente 50 minutos leva os passageiros da estação de Bariloche até a Estação Perito Moreno, no Paraje Los Juncos, onde é possível vivenciar o contraste entre as paisagens da Cordilheira e da Estepe, especialmente durante o entardecer.

Ao chegar em Los Juncos, os visitantes são recepcionados em um ambiente aconchegante, com uma tradicional Casa de Chá e um jantar típico servido em um espaço rústico, o Quincho, que também conta com área de lazer para crianças. Há uma parada especial na tradicional churrascaria Los Juncos, onde os visitantes podem saborear um delicioso asado preparado no melhor estilo argentino.

Para completar a experiência, a noite é embalada por um emocionante show de folclore com música e danças típicas que celebram as raízes do país. Após o jantar, o trem retorna a Bariloche, completando um roteiro que combina aventura, gastronomia e contemplação da natureza.

Para o secretário de Turismo de Bariloche, Sergio Herrero, a reativação do trem e a oferta de novos roteiros representam um impulso significativo para o turismo local. “O retorno do Trem Patagônico é excelente para Bariloche e para todos que desejam vivenciar a essência da Patagônia. Trata-se de um passeio que vai além do deslocamento, é uma experiência sensorial, cultural e emocional. Com a excursão de Los Juncos, criamos uma combinação perfeita entre história e natureza, que encanta a todos”, complementa.

La Trochita

La Trochita. Foto: Psavreux.

É possível conhecer a pequena Trilha do Rio Negro a bordo de La Thochita, um trem a vapor histórico, em um passeio único pela região. Durante a temporada, o percurso começa na estação Ing. Jacobacci, que está a 200 km de Bariloche, e segue por 15 quilômetros até chegar a Empalme 648.

Ao longo do trajeto, os passageiros têm a oportunidade de vivenciar um pouco da história de um trem antigo, enquanto desfrutam das paisagens deslumbrantes da Patagônia. No destino, há a opção de almoço, antes de embarcar novamente no trem para a viagem de retorno à estação Ing. Jacobacci.

A retomada do Trem Patagônico consolida Bariloche como um destino que valoriza suas raízes e oferece aos visitantes uma forma autêntica de explorar as belezas da região, unindo o passado ferroviário da Patagônia com o turismo contemporâneo. Para mais informações, acesse o site oficial de turismo de Bariloche para planejar sua visita e descobrir mais sobre as belezas naturais da região. Para mais informações de Bariloche:

Site em português: Bariloche – Site Oficial de Turismo

Instagram em português: @barilochebrasil

Facebook em português: @BarilochePatagoniaBR

Site em espanhol: barilocheturismo.gob.ar

Instagram em espanhol: @barilochear.

Sobre a Emprotur Bariloche

A Emprotur é uma entidade mista responsável pelo fomento e promoção turística de Bariloche, um dos destinos mais requisitados da Argentina. A cidade abriga o centro de esqui mais desenvolvido da América do Sul, o Cerro Catedral, além do Cerro Campanário, considerado o oitavo lugar na lista das melhores vistas do mundo, segundo a National Geographic, e outros pontos turísticos ideais para a contemplação, como o Cerro Otto e o lago Nahuel Huapi. Bariloche é a capital nacional do turismo de aventuras, possuindo opções para a prática dos esportes de neve e de outras modalidades, como mountain bike, rafting, navegação e trekking. Localizada na região da Patagônia argentina, também é internacionalmente reconhecida pela produção de chocolates e cervejas artesanais.

(Com Gabrielle Cunha/MAPA360)