Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Instituto Rouanet inaugura parceria inédita com a Fundação Bienal do Mercosul

Tiradentes, por Kleber Patricio

Lorenzo Beust. Fotos: Flavio Rocha.

Com patrocínio do Itaú via Lei Rouanet, o Instituto Rouanet oferece ao público mineiro uma visão do que acontece na 14ª Bienal do Mercosul, um dos eventos mais significativos da arte contemporânea no Brasil. A exposição acontece em Tiradentes simultaneamente à realização da Bienal em Porto Alegre, sendo esta a primeira vez que a mostra do Mercosul expande suas fronteiras para Minas Gerais. Com o título ‘Estalo’, a 14ª Bienal do Mercosul, com curadoria de Raphael Fonseca, acontece de março a junho de 2025expo tematizando a vida, o movimento e a metamorfose. Em Minas, a cooperação institucional viabilizou esta versão exclusiva da exposição, adaptada ao espaço do Instituto, contando com a curadoria conjunta de Raphael Fonseca e Francisco Moreira da Costa, curador da galeria do Instituto Rouanet.

A exposição ‘Mecânica’, do fotógrafo e artista visual Lorenzo Beust, dialoga com o espaço físico e a proposta do Instituto Rouanet de discutir a brasilidade, e interage aqui com o tema da Bienal ‘Estalo’. “Pela sua lente, assim como de outros artistas da Bienal, os lugares seguros são dissolvidos e o espectador é convidado a duvidar das imagens que observa”, destaca Raphael Fonseca.

Instituto Rouanet.

No Instituto Rouanet, Lorenzo Beust apresenta uma série de 28 imagens onde ele observa figuras como cavalos, vacas mecânicas, oficinas e detalhes urbanos construídos que seguem uma lógica mecanizada. Dentro desse panorama, sua fotografia pode ser vista de uma forma singular, uma metáfora do tempo com múltiplos sentidos gerando uma inquietude positiva para o campo das artes visuais. A fotografia digital é ferramenta de importação de diversos códigos, tanto de uma cultura do glitch, quanto da cultura tuning automotiva. Através delas, o artista busca tensionar um imaginário do corpo máquina digital dentro de um tradicionalismo local.

Nas palavras do artista, Mecânica é uma investigação fotográfica iniciada em 2018 em São Gabriel, cidade onde cresci no interior do Rio Grande do Sul. É um estudo sobre o interior e as possíveis aproximações fotográficas do rural e do urbano no pampa gaúcho. Elejo o cavalo e a vaca mecânica como objetos centrais, costurados por imagens da cidade que operam tanto como relato quanto como ficção. Busco deslocamentos em cima dos cânones imagéticos gaúchos que exaltam a presença do homem no campo. Nesse tensionamento, a fotografia atesta processos de desvio. A deriva urbana-rural que registro tenta mostrar os limites difusos desses dois conceitos, mas também evidencia o meu processo de retorno à cidade que cresci e que agora registro. Em uma outra camada, há o deslocamento do cavalo-animal e da vaca-mecânica reforçado pela chapeação-pintura, pelo couro-tela e pelo olhar sobre as escolhas estéticas das pessoas que, como eu, cresceram ali e, diferentemente de mim, ali continuam.”

“Lorenzo faz parte do universo de fotógrafos que expande os limites da imagem fotográfica, pois tem um olhar muito especial para enquadrar o banal e o cotidiano dos pampas gaúchos. A potência da sua fotografia está em como ele enquadra esse trivial, seja em um pedaço de janela ou em uma colcha pendurada no varal. É ressignificando esses fotogramas, que ele nos conta novas histórias, com suas cores e texturas”, aponta Francisco Moreira da Costa, curador da Galeria Rouanet.

A parceria entre Instituto Rouanet com a Fundação Bienal do Mercosul terá ainda outras ações, como um seminário com o importante tema da sustentabilidade das instituições culturais, que acontece em maio deste ano em Porto Alegre.

Adriana Rouanet, diretora executiva do Instituto Rouanet, celebra a parceria com a 14ª Bienal do Mercosul, pelo compromisso das partes com a diversidade, a sustentabilidade e transformação social por meio da educação e da cultura, valores defendidos pelo casal de intelectuais e gestores públicos, Sergio Paulo Rouanet e Barbara Freitag, em toda sua obra, que transcende agora através do Instituto Rouanet. Esta exposição é apenas uma parte das atividades patrocinadas pelo Itaú através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, com apoio cultural da Fundação Itaú.

Desde a abertura como centro cultural em Tiradentes em outubro de 2023, o Instituto Rouanet promove diversas atividades como exposições, mesas redondas, conversas, oficinas de capacitação cultural, mostras e residências artísticas como apoio a artistas em seus processos de produção criativa, viabilizando a realização da expressão artística em todo o espectro da diversidade cultural brasileira.

Localizado na casa da família Rouanet, no centro histórico de Tiradentes/MG, o Instituto é um espaço cultural aberto para visitantes e para a comunidade local, como museu, galeria de arte, e a biblioteca de consulta com mais de 15 mil livros.

Instituto Rouanet – www.institutorouanet.org | @instituto.rouanet

O Instituto Rouanet é uma associação privada sem fins lucrativos que tem a missão de informar, formar e transformar através da Cultura. A inspiração para a atuação vem do legado iluminista, cultural e da prática pública de seus fundadores: Barbara Freitag, a socióloga, educadora e pedagoga, e Sergio Paulo Rouanet, diplomata, filósofo, ex-ministro da Cultura e autor da lei federal que criou o ProNAC, Programa Nacional de Incentivo à Cultura, conhecido como Lei Rouanet.

Serviço:

Instituto Rouanet apresenta a exposição Mecânica, de Lorenzo Beust – 14ª Bienal do Mercosul

De 27 de março a 1º de junho

Local: Instituto Rouanet – Rua Direita, 248 – Tiradentes/MG

Horários de visitação: sextas e sábados, das 10h às 18h e domingos, das 10h às 13h

Entrada franca.

(Com Fabio Gomides/A Dupla Informação)

Teatro Sérgio Cardoso recebe ‘Névoa – From White Plains’ abordando reflexão urgente sobre bullying, homofobia e cancelamento

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Leekyung Kim.

Embora possa parecer ficção, números revelam uma realidade alarmante: o bullying no Brasil cresce cerca de 12% ao ano, enquanto uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ morre de forma violenta a cada 38 horas, segundo a Associação Acontece Arte e Política LGBTI+. Quando o bullying se soma ao cancelamento nas redes sociais, as consequências psicológicas tornam-se ainda mais graves. Esse cenário preocupante é explorado com profundidade e humor ácido em Névoa – From White Plains, espetáculo que retorna a São Paulo, agora na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso. Após sua estreia na cidade em 2022 e uma bem-sucedida temporada no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, permanece em cartaz até 14 de maio, terças e quartas-feiras, às 19h.

A peça de Michael Perlman – dramaturgo e diretor norte-americano conhecido por textos que exploram identidade, memória e questões sociais – com tradução de Jorge Minicelli acompanha Dennis Sullivan, cineasta premiado que, na noite de sua vitória no Oscar, transforma seu discurso de agradecimento em um desabafo público. No que deveria ser um momento de celebração, ele acusa Ethan Rice, um antigo colega de escola, de ser o responsável pelo suicídio de seu melhor amigo, vítima de bullying homofóbico. A revelação desencadeia uma série de reações intensas e imprevisíveis, expondo feridas do passado e levando os personagens a confrontarem as consequências de suas atitudes em um mundo hiperconectado.

O elenco da nova montagem reúne Felipe Hintze (Verdades Secretas, Família é Tudo) em uma atuação intensa ao lado de Fernando Billi (Gênesis – Record), Felipe Ramos e Fernando Vitor. Juntos, conduzem o público por uma narrativa que mescla suspense, emoção e reflexões profundas sobre culpa, responsabilidade e justiça.

Hintze, que interpreta um personagem gay que esconde sua sexualidade da família e dos amigos, celebra a nova fase da peça e ressalta a renovação do elenco, com a entrada de Fernando Vitor e Fernando Billi, que trouxeram uma nova energia ao espetáculo. “Estou muito empolgado em voltar com Névoa após temporadas marcantes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os temas que abordamos – bullying LGBT e o impacto do cancelamento – são mais urgentes do que nunca, especialmente na era das redes sociais. Essa nova fase da peça tem um frescor especial e estou ansioso para compartilhar essa experiência com o público”, afirma Hintze, que marcou sua trajetória em personagens como Moqueca, de Malhação – Viva a Diferença (Globo, 2017).

Sob a direção de Lavínia Pannunzio, com uma narrativa intensa e atuações marcantes, a montagem, que tem conquistado público e crítica por sua abordagem corajosa e atual, promete emocionar novamente o público paulistano. “Mais do que um drama sobre acusações, Névoa investiga como palavras e ações, muitas vezes esquecidas no passado, podem ressurgir com intensidade no presente”, afirma a diretora.

Com direção de produção de Maurício Inafre, a montagem oferece uma experiência teatral intensa e imersiva, combinando momentos de tensão e humor ácido para provocar risos nervosos e reflexões profundas no público.

A nova temporada reafirma o prestígio da obra e a conexão estabelecida com diferentes plateias, reforçando seu impacto no cenário teatral contemporâneo.

Sinopse | Dennis é um cineasta que, ao ganhar um Oscar, denuncia publicamente um ex-colega por bullying homofóbico, desencadeando um cancelamento devastador nas redes sociais. A peça mistura humor ácido e drama para explorar os impactos do bullying e o preço do cancelamento na vida de ambos.

Serviço:

Névoa – From White Plains

Até 14 de maio | às terças e quartas-feiras, às 19h

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno

Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista

Gênero: Comédia Dramática

Duração: 80 minutos

Classificação etária: 12 anos

Capacidade da Sala: 143 lugares + 6 espaços de cadeirantes

Ingressos: R$ 50,00 | R$ 25,00 (meia) |Sympla

Bilheteria: de terça a domingo, das 14h às 19h

Não haverá espetáculo nos dias 15/4 e 6/5

Ficha Técnica

Texto: Michael Perlmann

Tradução: Jorge Minicelli

Direção: Lavínia Pannunzio

Elenco: Felipe Hintze, Felipe Ramos, Fernando Billi E Fernando Vitor

Assistência de Direção: Mariana Leme

Cenografia: Mira Andrade

Figurinos: Felipe Hintze

Iluminação: Aline Santini

Sonoplastia: Rafael Thomazini

Fotografias: Leekyung Kim

Programação Visual: Deko Melo

Captação de Imagens: Rafael Thomazini

Redes Sociais: Vitor Julian

Operação de Luz: Claudio Gutierres

Técnico de Palco: Sergio Sasso

Assessoria de Imprensa: Vicente Negrão Assessoria

Assistência de Produção: Vitor Julian

Direção de Produção e Administração: Maurício Inafre

Produção: Uma Arte Produções Artísticas

Instagram: https://www.instagram.com/nevoaapeca/.

Sobre a Amigos da Arte

A Associação Paulista dos Amigos da Arte, Organização Social de Cultura responsável pela gestão de chamadas públicas, do Teatro Sérgio Cardoso, e do Teatro de Araras, além do Mundo do Circo SP, trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e a iniciativa privada desde 2004. Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo fomentar a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos. Em seus 19 anos de atuação, a Organização desenvolveu cerca de 70 mil ações que impactaram mais de 30 milhões de pessoas. Instagram | Site

(Com Alisson Schafaschek/Vicente Negrão Assessoria)

CineSesc leva ao público o premiado ‘Estranho Caminho’

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Frame do filme.

Aclamado em festivais nacionais e internacionais, o premiado longa-metragem Estranho Caminho, dirigido por Guto Parente, está em cartaz neste mês de abril na programação do CineSesc. O filme foi consagrado em quatro categorias no Festival de Tribeca (2023): Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Performance. No Brasil, também foi reconhecido no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de Tiradentes, consolidando-se como uma das produções mais marcantes do cinema brasileiro recente.

No Rio de Janeiro, serão mais de 20 exibições gratuitas ao longo do mês, em 11 cidades. Também estão programadas exibições no Maranhão, Pará e Paraná.

Sinopse | A trama acompanha um jovem cineasta que, ao visitar sua cidade natal, é surpreendido pelo avanço de uma pandemia e precisa encontrar seu pai, de quem está afastado há mais de dez anos. Depois do encontro, eventos estranhos começam a acontecer. Com uma narrativa envolvente, Estranho Caminho se destaca pelo seu olhar sensível e inovador sobre as relações humanas em tempos de crise.

Programação do CineSesc vai até novembro

O CineSesc 2025 licenciou um rico acervo de 44 longas-metragens nacionais e internacionais, além de um conjunto de curtas, que estarão disponíveis para exibição em todo o país até novembro. A programação completa pode ser consultada nos canais oficiais do Sesc em cada estado.

(Com Fernanda Misailidis/CDN Comunicação)

Reviravolta nos ‘supostos’ Volpis falsos: Justiça anula sentença que condenava a venda de duas obras contestadas pelo Instituto Alfredo Volpi

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra ‘Bandeirinhas com Mastro’, de Alfredo Volpi. Fotos: Divulgação/Galeria Pintura Brasileira.

A 34ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) anulou a sentença de primeira instância que determinava o pagamento de indenização de R$ 238 mil pela Galeria Pintura Brasileira à família de Abilio Diniz (1936–2024) pela venda de duas obras de Alfredo Volpi, cuja autenticidade foi questionada. A decisão também revoga a conclusão do perito nomeado pelo juiz, que havia determinado a falsidade das pinturas, contrariando a certificação da filha biológica, legítima herdeira e inventariante do artista.

Por uma possível falta de atenção aos detalhes, o juiz não considerou defeitos e vícios graves na estrutura do processo. Tais vícios representavam conflitos de interesse, comprometendo a transparência e a imparcialidade do caso, uma vez que recorreram a informações não profissionais, anti-métodos periciais e conclusões que estão alinhadas aos interesses tanto do autor da ação quanto aos da fonte indiretamente envolvida no caso, o Instituto Alfredo Volpi de Arte (IAVAM).

O próprio IAVAM é o epicentro de tal conflito de interesse, pois seus membros – colecionadores e comerciantes de obras de Alfredo Volpi – possuem interesse direto na valorização das telas que certificam, comprometendo assim a imparcialidade do processo. Esse viés se torna ainda mais evidente diante do caso atual, em que alegaram que as obras questionadas não possuíam características da pintura do artista – afirmação que foi refutada por análises e perícia científica que comprovaram, objetivamente, o contrário. Diante desse cenário, surge uma questão inevitável: quantas outras obras podem ter sido desconsideradas ou validadas sob critérios igualmente duvidosos ao longo das décadas?

Diante dos inúmeros vícios e falhas presentes no processo de primeira instância, a Justiça decidiu, por unanimidade, nomear um novo perito imparcial para elaborar um laudo técnico-científico das duas telas. Além disso, determinou que a herdeira, inventariante e filha do pintor, Eugênia Maria Volpi, realize a análise das obras questionadas. O processo retornará à fase de instrução, assegurando que o caso possa seguir corretamente e supra lacunas relevantes ao andamento do caso.

Entenda o caso 

Em 2007, o empresário Abilio Diniz (1936–2024) adquiriu duas obras de Alfredo Volpi – Bandeirinhas e Bandeirinhas com Mastro, ambas do período entre 1985 e 1988 – na Galeria Pintura Brasileira, em São Paulo. Em 2012, transferiu a propriedade das telas para sua mulher, Geyze Marchesi.

10 anos depois, em 2017, o casal ofereceu em sua residência um jantar para a cúpula do Museu de Arte de São Paulo – MASP. No dia seguinte, segundo matéria publicada pela Veja São Paulo em 13 de setembro de 2019, o então diretor-presidente do museu, Heitor Martins, alertou o casal sobre a autenticidade das obras, baseando-se na opinião subjetiva dos integrantes do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna (IAVAM). Após o acontecimento, Abilio Diniz e Geyze Marchesi entraram com um processo contra o galerista Marcelo Barbosa, fundador da Galeria Pintura Brasileira.

A partir disso, Abilio Diniz passou a aceitar as obras como legítimas apenas se os certificados de autenticidade fossem emitidos, exclusivamente, pelo Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna (IAVAM), que se recusou a fornecê-los. O motivo: as obras foram realizadas por Alfredo Volpi entre 1985 e 1988 e não constam no catálogo raisonné do Instituto. No entanto, o próprio presidente do IAVAM, Marco Antonio Mastrobuono, registrou em seu livro Alfredo (2013) que nenhuma obra produzida a partir de 1984 seria incluída no catálogo deles, pois, naquele ano, a herdeira e inventariante, Eugênia Maria Volpi, teria restringido o acesso dos volpistas ao ateliê do pai. “O meu pai não tinha sossego nem para almoçar. Essas pessoas, que se diziam amigos próximos dele, são extremamente gananciosas. Eu não preciso nem citar nomes, mas eles chegavam no ateliê do meu pai em qualquer dia e em qualquer horário – não existia o mínimo de respeito. Eles viviam pedindo e impondo vontades, queriam obras de uma cor, obras de outra… meu pai tinha que fazer do jeito que eles queriam e quando eles queriam. Eu aí eu tive que dar uma brecada e estipulei as visitas somente aos sábados. Acharam ruim, não gostaram, pois formava uma fila enorme”, explica Eugênia Maria Volpi, filha biológica que morou a vida toda com o pai, Alfredo Volpi.

O escândalo tomou proporção nacional e internacional, até pelo fato de Bandeirinhas e Bandeirinhas com Mastro não constarem no catálogo raisonée de Alfredo Volpi elaborado pelo IAVAM. No entanto, a ausência dessas obras no catálogo não implica que sejam falsas, assim como muitas outras obras que são regularmente adicionadas a esse catálogo.

Ambas as telas foram adquiridas na casa de Alfredo Volpi, na mão do próprio Volpi, com a filha como testemunha. No entanto, a negativa do IAVAM levou a um processo de primeira instância falho e a necessidade de uma perícia técnica. “O IAVAM ainda detém o poder de dizer se uma obra de arte vale milhões ou se não vale nada, mantendo controle sobre o legado artístico de Volpi mesmo 40 anos após sua morte. O Instituto não apenas excluiu as obras produzidas a partir de 1984, mas também se recusa a reconhecê-las como autênticas, mesmo sendo validadas por sua única e legítima autenticadora: a filha e herdeira do artista, Eugênia Maria Volpi. Desprezar a produção nos últimos anos de vida de um artista significa excluir uma fase inteira de sua obra, jogar no lixo uma rica e prolífica etapa da criação de um artista”, pontua o galerista Marcelo Barbosa.

Entenda o processo e a perícia técnica realizada até o momento 

Marcelo Barbosa, parte acusada, pontua: “Apesar da provenance irretocável e completa, ainda assim me utilizei dos melhores profissionais do mercado em prol de uma metodologia científica moderna e atualizada para comprovar que as duas obras que eu vendi eram, de fato, telas autênticas de Alfredo Volpi.” 

O caso seguiu na Justiça sob a condução do perito João Carlos Lourenço, que, sem conhecimento algum sobre expertise científica técnica e de Art Law, recorreu ao restaurador Thomas Brixa – frequentemente indicado pelo IAVAM, ‘assistente do autor’. “Quem o João Carlos Lourenço escolheu como assistente para a perícia? Thomas Brixa, o restaurador que consta no site com indicado pelo Instituto Volpi. Isso é justo? Como pode ser aceitável que um perito contrate alguém ligado diretamente à parte acusadora – um grupo com interesse explícito em excluir toda uma fase da obra de Volpi? Todos os que emitiram opiniões subjetivas nesse caso são, de alguma forma, vinculados ao IAVAM. São mercadores que, há décadas, lucram com as obras de Volpi e têm um interesse declarado em manter esse controle. Como poderiam produzir um laudo que contrariasse o próprio sustento? Diante desse cenário, é evidente que a imparcialidade foi comprometida desde o início”, pontua Barbosa.

Ambas as obras foram assinadas incontestavelmente por Alfredo Volpi e, portanto, corroboram para a inegável autenticidade da obra. Essa conclusão veio de uma perícia grafoscópica imparcial contratada, por conta própria, pela Galeria Pintura Brasileira. O perito profissional Vergílio Freixo, que realizou o parecer de grafoscopia, fez uma análise científica e chegou à conclusão incontestável de que as assinaturas de ambas as obras só poderiam ter saído do punho escritor do próprio Volpi. Até o momento, essa é a única verdade científica e objetiva do caso, comprovada por metodologia científica e não por meio de suposições equivocadas e ‘achismos’. “Todos os pontos que eles insinuaram que o Volpi jamais teria feito na pintura dele, nós demonstramos como características inerentes e objetivas da pintura dele; como regra e não exceção. Inclusive, nós demonstramos por meio das próprias telas certificadas pelo IAVAM – foram essas obras que usamos para fazer uma análise comparativa e científica”, explica Marcelo Barbosa.

A exclusão da fase final da obra de Volpi revela um problema maior: o controle do mercado de arte por um grupo que define arbitrariamente o que é autêntico. Esse processo judicial, há anos em curso, expõe não apenas a conduta do IAVAM, mas também um sistema movido por conflitos de interesse, que ameaça o legado de artistas, prejudica herdeiros e impacta colecionadores. “Como alguém pode afirmar que essas obras não são autênticas, se é exatamente isso que elas são? Basta perceber a situação, basta querer enxergar a verdade. E quanto mais insistirem nessa narrativa, pior será aos olhos do público. O Instituto Volpi acredita ter o direito de destruir o patrimônio histórico e cultural brasileiro simplesmente para não admitir um erro. A justiça brasileira nos deu uma oportunidade de ouro, uma chance única de expor os verdadeiros responsáveis por tudo isso. E nós vamos aproveitá-la ao máximo, trazendo à tona um iceberg de práticas que desonram tudo o que o mercado de arte deveria representar”, pontua Marcelo Barbosa.

A sentença de primeira instância prejudicou a todos: o casal Diniz, que almejava que as obras fossem boas; a filha de Volpi, cuja credibilidade foi contestada novamente pelos volpistas, e, acima de tudo, o próprio legado de Alfredo Volpi, que é um patrimônio histórico e cultural do Brasil. Fere a memória do artista, assim como abre precedentes para o mercado de arte e a preservação de nossa cultura a nível mundial.

Processo judicial nº 1073409-90.2017.8.26.0100.

Confira o vídeo de pronunciamento de Marcelo Barbosa, realizado e publicado após perder o processo de primeira instância, em 2023:  https://www.youtube.com/watch?v=JnpfZDLLV-A&feature=youtu.be.

Para entender a repercussão do caso: o vídeo foi publicado originalmente no Instagram, no dia 1º de abril de 2023 e hoje está fora do ar por conta de atualizações na plataforma: https://www.instagram.com/p/CqgmWXkPiI4/.

(Fonte: Marrese Assessoria)

Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba apresenta coletivas ‘Grandes Formatos: A Pintura no Acervo do MACS’ e ‘Árvores’

Sorocaba, por Kleber Patricio

Felipe Góes, Pintura #181, acrílica e guache sobre tela, 70x90cm. Fotos: Divulgação.

No próximo dia 12 de abril, o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) inaugura suas atividades de 2025 com duas exposições que trazem à luz recortes significativos de seu acervo: ‘Grandes Formatos: A Pintura no Acervo do MACS’ e ‘Árvores’. Ambas propõem olhares distintos sobre questões centrais da arte contemporânea, enfatizando diálogos possíveis entre público, espaço expositivo e obras.

Em Grandes Formatos: A Pintura no Acervo do MACS estão reunidos trabalhos de artistas de diferentes gerações e perspectivas técnicas. Não há uma linha curatorial rígida, mas uma trama de aproximações entre pinturas que ocupam o espaço de forma expansiva, instigando reflexões sobre as intenções e gestualidades presentes em obras que naturalmente exigem uma aproximação sensorial. Participam da mostra Paula Klien, Marcus André, Manoel Veiga, Felipe Góes, Sergio Fingermann, Fabio Cardoso, Patricia Leite e Celso Orsini.

Destacam-se duas obras de escalas notáveis: Zig Zag (2019), de Paula Klien, com 190 × 760 cm, trabalhada com nanquim sobre tela, e A Veia Rosa (2003/2004), de Marcus André, com 189 × 500 cm, produzida em têmpera e encáustica.

Rodrigo Braga, Eco seco, Casca de árvore caída na floresta da Tijuca, viga de madeira processada e armação de aço, 5m x 40 cm.

A exposição Árvores apresenta esculturas que refletem poeticamente sobre a ideia de transformação. Jaime Prades e Rodrigo Braga dialogam sobre a potência simbólica e material da árvore como elemento vivo e também conceitual. Nas obras de Jaime Prades, o gesto intuitivo valoriza a madeira descartada, convertendo-a em formas que resgatam algo do ritmo orgânico original. Rodrigo Braga, por sua vez, investiga o limiar entre o natural e o artificial, oferecendo uma reflexão sobre a coexistência ambígua entre homem e natureza.

A partir de julho, esse mesmo acervo e espírito se voltam ao centenário da artista Marina Caram, figura relevante do expressionismo sorocabano. Em setembro, Terra Água Vermelha reunirá Pedro Lopes e Dimas Pires – dois nomes fundadores da arte em Sorocaba – e, em novembro, será a vez da exposição da artista Shirley Paes Leme compondo mais um passo da agenda da instituição.

Carol Paiffer, presidente do museu, enfatiza o amadurecimento institucional: “2025 é um marco. Com a contribuição ativa do Conselho Consultivo, estabelecemos um planejamento estratégico sólido, ampliando o envolvimento dos nossos parceiros e fortalecendo o Conselho Curador, agora renovado com novas vozes sob orientação experiente. Após duas décadas, vemos a instituição ocupar o espaço que sempre imaginamos.”

Sobre o MACS

Fachada do MACS. Fotos: Divulgação.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba é uma instituição cultural eminentemente artística, educativa e inclusiva que prioriza a difusão das artes visuais. Possui acervo próprio, com mais de 750 obras produzidas nas linguagens pintura, gravura, escultura, fotografia, instalações e videoarte.
Mantido pela Associação de Educação Cultura e Arte (AECA), o museu é privado, sem fins lucrativos e qualificado como Organização da Sociedade Civil com Interesse Público. Fundado em 2004, tem uma consolidada programação de atividades sob os eixos das exposições artísticas e das oficinas educativas, dirigidas em especial à população da Região Metropolitana de Sorocaba (27 municípios/2,2 milhões de habitantes), incluindo turistas de outras regiões do Estado de São Paulo, de outros estados, além de estrangeiros.

Serviço:

Exposições Grandes Formatos: A Pintura no Acervo do MACS (Paula Klien, Marcus André, Manoel Veiga, Felipe Góes, Sergio Fingermann, Fabio Cardoso, Patricia Leite e Celso Orsini) e Árvores (Jaime Prades e Rodrigo Braga)

Período Expositivo: 12 de abril a 21 de junho 2025

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – Avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro (ao lado da antiga Estação Ferroviária)

Visitação: terça a sexta-feira das 10h às 17h | sábados, domingos e feriados das 10h às 15h

Acessibilidade | Gratuito

Contato: WhatsApp (15) 99157-4522 | www.macs.org.br | @macsmuseu.

(Fonte: Agência Catu)