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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Núcleo de Cinema de Animação de Campinas comemora 50 anos com intensa programação gratuita

Campinas, por Kleber Patricio

Abertura oficial, no dia 10 de abril, terá participação da cantora Ná Ozetti e do Quinteto de Cordas da Orquestra Sinfônica Municipal. Fotos: Divulgação.

Em 2025, o Núcleo de Cinema de Animação de Campinas celebra meio século de história com uma programação especial e inteiramente gratuita. Reconhecido como um dos mais longevos centros de produção, ensino e pesquisa de animação do Brasil e do mundo, o Núcleo foi fundado em 1975 por Wilson Lazaretti e, desde 1979, conta também com a colaboração de Maurício Squarisi. Ao longo de sua trajetória, mais de 400 curtas-metragens foram produzidos em oficinas e dois longas-metragens autorais foram lançados.

A abertura oficial da agenda de comemorações será no dia 10 de abril, a partir das 16h, com visita guiada à Exposição Comemorativa no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA). Com curadoria de Lucas Vega, Filipe Miranda, Roberta Santana e Rafaela Repasch, a exposição apresenta um panorama da história do Núcleo e contará com a participação especial do escritor João Protetti na abertura. Em seguida, das 19h às 21h, a Noite Musical de Abertura promete emocionar o público com apresentações musicais acompanhando as exibições de dois curtas-metragens históricos do Núcleo. Os convidados são o Quinteto de Cordas da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e cantora Ná Ozzetti, acompanhada pelo músico José Alexandre Carvalho no contrabaixo.

Oficinas para crianças para jovens e adultos aprenderem a produzir animação são uma das marcas do Núcleo.

No dia 11, é a vez do Baile 50 Anos, no Clube Velha Guarda de Valinhos, das 19h às 23h. A noite festiva reunirá convidados e parceiros do Núcleo para celebrar cinco décadas de história e é o único evento da programação com necessidade de reserva de ingressos pelo e-mail nucleoanimacaocps@gmail.com.

No dia 12 de abril, a programação abre espaço para reflexão e valorização da memória do cinema de animação. A partir das 16h, a roda de conversa Núcleo de Animação: resistência, memória e preservação do audiovisual reunirá os animadores Alba Liberato (Salvador), Lula Gonzaga (Olinda) e a roteirista Silvana Delacio (Olinda), com mediação de Rebeca Ribeiro. Logo depois, às 18h, será realizada a exibição de filmes autorais de Wilson Lazaretti, Maurício Squarisi e produções realizadas em oficinas, seguida de uma conversa dos diretores com Cândida Liberato (Salvador) e mediação de Eliana Ribeiro.

A programação completa se estende até o dia 26 de abril, com sessões de cinema com acessibilidade, experiências com projetores em 16mm e 35mm, rodas de conversa sobre a história e o futuro da animação e apresentações musicais. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

O projeto Núcleo de Cinema de Animação de Campinas: 50 anos foi contemplado no Edital Fomento CultSP nº39/2024, por iniciativa da Diálogos Produções Culturais, e tem apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, do Programa de Ação Cultural – ProAC e o Fomento CultSP.

Mais informações podem ser acessadas no novo site do Núcleo (https://ncacampinas.org.br/) ou pelas redes sociais: @ncacampinas no Instagram e Facebook.

Núcleo de Cinema de Animação de Campinas

Em 50 anos de história, o Núcleo de Cinema de Animação de Campinas é um dos núcleos independentes de produção e pesquisa de animação mais antigos e atuantes do mundo. À frente do Núcleo, Wilson Lazaretti e Maurício Squarisi produzem filmes autorais, coordenam e ministram oficinas e cursos de animação, que resultaram na incrível marca de mais de 400 curtas-metragens, além dos dois longas autorais finalizados em 2014. Escrito e dirigido por Mauricio Squarisi, Café um dedo de Prosa conta a história da bebida e sua influência na história do Brasil. História Antes de uma História, com roteiro e direção de Wilson Lazaretti, foi um dos cinco finalistas na categoria de Melhor Filme de Animação na 5ª edição do Prêmio Platino do Cinema Ibero-Americano.

O Núcleo se destaca pela formação de novos talentos e pela realização de oficinas que já passaram por diversas regiões do Brasil e do exterior, incluindo atividades com comunidades indígenas, quilombolas, e com pessoas com deficiência. Mais do que ensinar a técnica, o Núcleo desenvolveu uma filosofia própria: a animação como uma forma de expressão do traço único de cada um, acessível a qualquer pessoa, seja criança, jovem ou adulto.

Oficinas prévias

Antes da abertura oficial das comemorações, o Núcleo realiza duas oficinas comemorativas pelos seus 50 anos: uma voltada a educadores, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. É no dia 03 de abril, no Cefortepe, Centro de Formação, Tecnologia e Pesquisa Educacional “Prof. Milton de Almeida Santos”, em Campinas. No dia 04, acontece uma oficina aberta a crianças e jovens, no Conservatório Carlos Gomes, espaço que sediou as primeiras aulas ministradas por Wilson Lazaretti, em 1975. As produções das oficinas serão exibidas numa sessão especial no dia 26 de abril, no CCLA.

Para acompanhar a programação completa das comemorações pelos 50 anos do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, basta acessar o site do Núcleo: https://ncacampinas.org.br/.

Serviço:

Núcleo de Cinema de Animação de Campinas: 50 anos

Atividades gratuitas

Programação detalhada em: https://ncacampinas.org.br.

(Com Andréa Alves/A2N Comunicação)

Anelo lança música de David Sue sobre universo do autismo, dispensando rótulos sobre o espectro

Campinas, por Kleber Patricio

David Sue. Fotos: Kaique Brito.

O cantor e compositor David Sue, nome artístico de Matheus Cuelbas de Moura, que tem transtorno do espectro autista (TEA) e bipolaridade, apresenta pela primeira vez em sua carreira um single que aborda a sua vivência com essa condição; porém, sem rótulos e buscando mostrar as diferenças e potencialidades de cada pessoa, tenha ela ou não esse diagnóstico. A canção ‘Meu interior’ será lançada pelo Instituto Anelo, que promove aulas de música na periferia de Campinas, em 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

A canção estará disponível nas plataformas digitais tanto do Anelo como do cantor e ganhará uma versão em videoclipe. A letra questiona o que é ser normal, levando qualquer pessoa, independentemente de ser autista, a se identificar. Afinal: “‘Normal’ não passa de invenção”, como diz um dos versos da música, que é fruto da história do cantor, passando inclusive pelo período anterior ao seu diagnóstico, aos 13 anos. “Os autistas não são iguais entre si. Cada um tem a sua própria personalidade.”

David Sue conversa com coordenador do Estúdio Anelo, Júlio Oliveira.

Hoje, com 25 anos, mesma idade do Anelo, o artista entende que a sociedade obriga as pessoas a permanecerem em ‘caixinhas’, só para cumprirem regras e etiquetas. Ele conta que a própria aceitação do autismo foi um processo demorado, e que só compôs sobre o tema em abril de 2023, durante um insight à capela. Para David Sue, que teve seu trabalho divulgado nacionalmente em participação no ‘Caldeirão com o Mion’, da Rede Globo, em 2024, “o excesso de rótulos é para produtos de supermercado, já as pessoas são complexas”. E acrescenta: “Viver à base de rótulos é quase uma sentença de morte para mim”.

Provocação

Conhecido por compor em inglês, David Sue passa por uma transição, trazendo-o de volta à língua nativa. “Faz quase um ano que não componho em inglês. Gosto de explorar coisas diferentes, justamente por não gostar de rótulos”, conta. A mudança se deu quando entrou no Anelo, primeiro como aluno e hoje também contratado como produtor. “Lá tem muita música brasileira. Comecei a fazer amizades e vínculos que me despertaram a curiosidade de compor em português”.

A ideia de compor Meu interior nasceu ainda de uma provocação do músico, cantor e compositor Luccas Soares, fundador do Anelo e pai de um menino autista de 5 anos. Ele lembra que sabia da posição de David Sue de não querer usar o autismo como uma ‘muleta’ para se amparar, e também que o músico já se sentia com bom suporte em sua condição, mas ainda assim considerou que seria importante ele compor sobre o tema, pela causa e conscientização social. “Eu disse ao Matheus (David Sue) que sabia que ele tinha suporte, mas que éramos nós, pais de autistas, que precisávamos dele para se manifestar, para que pudéssemos ver sua evolução e as possibilidades que podem se descortinar para nossos filhos”, conta Luccas. “Não é pelo fato de ele ser autista que o Anelo decidiu lançar a canção, mas porque é muito talentoso e a música dele é muito boa”, diz.

Ritmo, melodia e harmonia

Meu interior apresenta climas musicais diferentes que foram surgindo a partir da necessidade de impedir que a canção ficasse tediosa. “Peguei todas as minhas influências dos anos 70 e botei lá. Além de autista, sou bipolar, então quis ressaltar a montanha russa sentimental dentro de mim”, explica David Sue. “Se a arte expressa vida e a vida não é linear, minha arte nunca irá fugir disso.”

O coordenador do Estúdio Anelo, Júlio Oliveira, que também é produtor e professor de guitarra e violão do Instituto, foi o orientador de David Sue nesta empreitada. “Foi um processo interno do Matheus (David Sue), porque deixei ele concebendo tudo para que pudesse se expressar para o mundo”, explica Júlio, que contribuiu no arranjo e tocando alguns instrumentos. “Toda essa aparente ‘sinfonia’ da canção reflete também a estética artística do David Sue, moldada no rock progressivo dos anos 70, como Genesis, fugindo de qualquer pegada pop.”

Júlio explica que o rock está no trecho do conflito exposto na letra, onde o compositor expressa a crueldade como o mundo o olha. Outro processo criativo foi a capa, onde David Sue aparece sozinho em um parquinho, segurando um porta-retrato com a sua foto, desejando ter um amigo.

Além de Júlio, a musicista, cantora e compositora Marisa Molchansky, conhecida artisticamente como Brisa, também assina a direção geral de todo o processo de lançamento de Meu Interior. “A música do Matheus é de uma verdade incrivelmente linda. No trecho que diz ‘todos nós sentimos a mesma dor’, creio que é algo inerente do ser humano, atravessar a jornada com questionamentos, incompreensões e sentimentos ambíguos”, diz Brisa, que também é professora no Anelo. “Ele expressa essa verdade com delicadeza e garra, usando toda sua musicalidade.”

Meu Interior – Ficha Técnica

Composição:  Matheus Cuelbas

Arranjo: Júlio Oliveira / Matheus Cuelbas

Matheus Cuelbas: Voz, Baixo, Piano, Mellotron VST, Sintetizador VST e Orquestra VST

Júlio Oliveira: Violão, Guitarra, Programação da Bateria e Cordas VST

Estúdio Anelo

Captação de Áudio: Júlio Oliveira / Matheus Cuelbas

Mixagem e Masterização: Júlio Oliveira

Vídeo

Captação e Edição de Imagens: Levi Macedo Lima

Arte Gráfica: Julia Ulbrich

Direção Geral: Marisa Molchansky e Júlio Oliveira

Mais informações sobre o Instituto Anelo: www.anelo.org.br. Siga o Anelo nas redes sociais: Facebook (facebook.com/institutoanelo), Instagram (@institutoanelo), YouTube (Instituto Anelo Oficial), e Linkedin (Instituto Anelo).

(Com Nice Bulhões/Comunicação Compartilhada)

Carne suína brasileira usa o dobro de antibióticos da média global, alerta ONG

Curitiba, por Kleber Patricio

Brasil está entre os maiores consumidores globais de antibióticos na produção animal, elevando riscos para a saúde pública. Foto: Divulgação/Sinergia Animal.

O Brasil está entre os países que mais utilizam antibióticos na produção animal, com a suinocultura nacional registrando uma média de 358 mg de antibióticos por quilo de suíno produzido — o dobro da média global, segundo um estudo da USP. A prática controversa agrava a crise de resistência antimicrobiana, uma das maiores ameaças à saúde pública de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mais de 70% dos antibióticos vendidos no mundo não são usados em pessoas, mas em animais criados em fazendas intensivas. Nesses sistemas, esse tipo de medicamento é comumente usado como promotor de crescimento ou de forma preventiva e não para tratar doenças. O uso inadequado de antibióticos em animais saudáveis contribui diretamente para o surgimento das chamadas superbactérias, que são resistentes a múltiplos antibióticos e representam uma grave ameaça à saúde humana. Se não agirmos agora, podemos enfrentar um futuro onde infecções simples voltarão a ser fatais”, alerta Cristina Diniz, diretora da ONG Sinergia Animal no Brasil.

Só em 2019, estima-se que 4,95 milhões de pessoas morreram devido a doenças associadas à resistência antimicrobiana. Casos alarmantes como surtos de salmonella resistente em frangos e chocolates à base de leite ou a transmissão da bactéria letal MRSA na exportação de porcos — registrada no documentário AMR: Dying to Change the World, de Alex Tweddle, lançado neste ano — evidenciam o risco para humanos. A situação pode ser visualizada em nível global por meio do mapa Resistance Bank, que reúne casos científicos sobre a resistência a antibióticos em animais.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior consumidor global de antibióticos destinados à produção animal, ficando atrás apenas da China. Enquanto a União Europeia já proibiu o uso indiscriminado desses medicamentos na pecuária, o relatório Porcos em Foco da Sinergia Animal aponta que gigantes da indústria nacional como BRF, JBS e Aurora Alimentos ainda permitem o uso de antibióticos em animais saudáveis em larga escala.

Apesar do cenário preocupante, há sinais de mudança. Em fevereiro deste ano, a VPJ Alimentos tornou-se a primeira indústria da suinocultura brasileira a se comprometer em banir a prática, restringindo o uso de antibióticos apenas para fins terapêuticos e eliminando o uso como promotor de crescimento ou para tratamentos preventivos e metafiláticos. “As grandes empresas do setor precisam assumir a responsabilidade e seguir exemplos como o da VPJ Alimentos e da União Europeia, comprometendo-se com uma produção mais segura e ética. Somos o quarto maior país produtor e exportador de carne suína do mundo. A saúde pública e o futuro da eficácia dos antibióticos para milhões de pessoas dependem dessas escolhas”, reforça Diniz.

Para conferir as empresas brasileiras que ainda permitem o uso indiscriminado de antibióticos, acesse o relatório Porcos em Foco: www.sinergiaanimalbrasil.org/porcos-em-foco.

Sobre a Sinergia Animal | A Sinergia Animal é uma organização internacional que trabalha em países do Sul Global para diminuir o sofrimento dos animais na indústria alimentícia e promover uma alimentação mais compassiva. A ONG é reconhecida como uma das mais eficientes do mundo pela renomada instituição Animal Charity Evaluators (ACE).

(Com Jéssica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)

Dia Mundial do Café: a ex-Masterchef Iza Dolabela revela o passo a passo para um café perfeito

São Paulo, por Kleber Patricio

Para comemorar o dia desse que é o queridinho da galera, desde a escolha dos grãos até a infusão perfeita, veja como preparar um café caseiro delicioso. Foto: Divulgação.

Nada como sentir o aroma e o sabor de uma xícara de café recém coado para transformar qualquer momento do dia em uma experiência especial. O queridinho de milhares de pessoas ao redor do mundo tem um dia especial para chamar de seu, e para comemorar a data, a chef Iza Dolabela, do hub gastronômico It.Kitchen, ex-Masterchef Profissional e embaixadora da Le Cordon Bleu Brasil, ensina o passo a passo para o café perfeito. Confira:

1 – Escolha o café ideal

O primeiro passo para um café perfeito começa na seleção do grão ou do pó. Existem variações de sabor como frutado, floral, chocolate, adocicado e amargo. Se for possível optar por café em grãos, moa-os na hora para preservar os aromas e garantir um sabor mais intenso. Além disso, também se possível, escolha cafés especiais – aqueles que atingem mais de 80 pontos nas avaliações internacionais.

2 – Escalde o filtro antes do preparo

Uma etapa essencial, mas muitas vezes ignorada, é escaldar o coador ou filtro de papel com água quente antes de adicionar o pó do café. Esse processo remove impurezas e resíduos de sabor, além de ajudar a manter a temperatura da bebida por mais tempo.

3 – Atenção à água

A água compõe 98% do café, por isso sua qualidade influencia diretamente no resultado final. Sempre utilize água mineral ou filtrada e aqueça entre 90 e 96°C. Se a temperatura for muito alta, a extração dos componentes se intensifica, resultando em um sabor mais amargo e desequilibrado. Esteja atento.

4 – A proporção perfeita

Para acertar no equilíbrio do sabor, siga a proporção de 10g de café (equivalente a uma colher de sopa generosa) para cada 100ml de água. Essa medida garante uma extração balanceada, sem deixar o café muito forte ou aguado.

5 – A arte de passar o café

A paciência é uma aliada na hora de preparar um café de qualidade. O segredo está na pré-infusão: nos primeiros 30 segundos, despeje uma pequena quantidade de água quente sobre todo o pó de café e aguarde até que a água seja absorvida. Esse processo libera notas que potencializam os aromas. Em seguida, despeje o restante da água lentamente, sempre em movimentos circulares concentrados no centro da borra.

Após seguir esses cinco passos, você já pode aproveitar o seu café perfeito. Lembre-se de que quanto mais tempo passar após o preparo, maior será a oxidação, alterando o sabor original da bebida; então, prefira consumir o café fresco.

(Com Wendy Oliveira/Loures Comunicação)

Como surgiram as cantigas de roda? Não sei, só sei que foi assim

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

Contrarides, o homem mais mal-humorado da Ilha de Marajó, sonhou com uma profecia e foi resgatar a amada. Viu uma jovem indígena em apuros nas águas e a salvou, junto de seus animais de estimação: dois sapos-cururu, que passaram a viver à beira do rio. Já na Catalunha, Araquídia era conhecida pelas estranhas promessas. Um dia, disse que a paróquia da cidade precisava estar pronta em um ano, mas, poucos minutos antes do prazo, percebeu um sino faltando no topo. Ela então propôs uma torre humana e a escalou para cumprir com o horário. Depois disso, foi apelidada de Dona Aranha. Como essas situações se tornaram cantigas de roda? Não sei… Só sei que foi assim.

Com uma homenagem a Ariano Suassuna e às mirabolantes histórias de Chicó, Fernanda de Oliveira torna a famosa frase de Auto da Compadecida em título de um projeto literário dividido em dois volumes. Além de Sapo-Cururu e Dona Aranha, Só sei que foi assim, vol. 2 – a publicação mais recente da saga – narra as origens de Papagaio Louro, Alecrim Dourado, Terezinha de Jesus, Na Bahia Tem, Borboletinha, A Galinha do Vizinho e Carneirinho, Carneirão. Também há um conto surpresa sobre Ninoca, uma telefonista com talento nato para as anedotas e que criou tantas outras canções.

Dizem que o casal deu às filhas os mesmos nomes das galinhas, para lhes prestar uma homenagem, pois graças às penosas é que puderam conviver mais em seus quintais abertos, acabando por se apaixonar. Bom, os nomes das gêmeas serem Crizelda e Tibúrcia já acho meio difícil, mas que as duas compuseram juntas a música “A galinha do vizinho”, aí eu tenho garantia. E entre certezas que se avizinham dela, só sei que foi paralelamente assim. (Só sei que foi assim, p. 55)

As peripécias narradas em tom de fofoca celebram a diversidade brasileira ao ambientar enredos em todas as regiões, de Norte a Sul. Com 21 xilogravuras de J. Borges, um dos mais importantes artistas populares do país, e do filho Pablo Borges, a obra destaca a figura dos ciganos, a trajetória dos bandeirantes, a influência espanhola no país, as práticas alimentares e os diferentes dialetos.

Produzido a partir de uma extensa pesquisa sobre os hábitos de várias partes do Brasil, o livro dá continuidade ao primeiro volume e busca unir famílias ao dialogar com uma memória musical compartilhada por todos desde a infância. Para isso, as páginas apresentam QR Codes que conduzem às cantigas. Com arranjos de Giordano Pagotti e voz da própria Fernanda de Oliveira, as canções também homenageiam a cultura ao atravessar gêneros como xote, frevo, forró, maxixe, catira, baião, samba e toada.

Os textos valorizam o repertório estético do leitor, da criança ao adulto, por trazer uma linguagem rica e até rebuscada. “É um projeto que visita a história de cada brasileiro, quando envolvemos a produção da pamonha e do sabão, quando falamos da nossa caatinga, nossas lendas, nossa natureza, das grandes fazendas do interior, das ladeiras de Salvador, dos búfalos de Marajó, entre outros”, explica a autora. Também conhecida como Fê Liz, ela faz jus ao apelido por sempre trazer um final feliz, típico do universo extraordinário e inocente da infância.

FICHA TÉCNICA

Título: Só sei que foi assim, vol.2

Autora: Fernanda de Oliveira

Editora: Melhoramentos

ISBN: ‎978-6555397857

Páginas: 72

Preço: R$ 55,90

Onde comprar: Amazon.

Foto: Bruno Nacarato.

Foto: Bruno Nacarato.

Sobre a autora | Conhecida como Fê Liz, Fernanda de Oliveira é escritora, compositora, cantora e produtora de peças de teatro com mais de 25 anos dedicados ao público infantojuvenil. Nascida em Brasília, atualmente mora em Copenhague, na Dinamarca, e realiza atividades culturais de aproximações entre o Brasil e diversos lugares do mundo. É autora de 37 obras infantojuvenis e já foi reconhecida por importantes instituições e projetos, como a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o Selo Cátedra Unesco de Leitura da PUC-RIO, o PNLD e o selo AEILIJ, da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil. Por meio dos livros Só sei que foi assim, vol. 1 e Só sei que foi assim, vol. 2, promoveu uma exposição homônima no Consulado-Geral do Brasil em Barcelona, que também será feita na Embaixada do Brasil em Copenhague.

Redes sociais da autora:

Instagram: @fernandinhaoliveira | @fe.feliz

Linkedin: Fernanda de Oliveira

Facebook: /felizdeoliveira

Youtube: @canaldafeliz

Site da autora: www.fernandadeoliveira.com.

(Com Gabriela Bubniak/LC Agência de Comunicação)