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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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CAIXA Cultural São Paulo recebe exposição em homenagem a Carolina Maria de Jesus

São Paulo, por Kleber Patricio

Crédito da foto: Acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

A CAIXA Cultural São Paulo abre, nesta sexta-feira (14), aniversário de nascimento de Carolina Maria de Jesus, a exposição ‘Carolinas’, em homenagem à escritora. Reunindo obras de 11 artistas negras contemporâneas, a mostra busca destacar o legado da renomada escritora nas novas gerações e reforçar o impacto de sua multifacetada produção artístico-literária para a arte e cultura brasileira. Com visitação gratuita, de terça a domingo, das 8h às 19h, a exposição segue em cartaz até 18 de maio.

Formada por obras de múltiplas técnicas e elementos, como pinturas, esculturas, bordados, entre outros, a exposição reúne trabalhos das artistas Ana Paula Sirino, Antonia Maria, Bianca Foratori, Chris Tigra, Gugie Cavalcanti, Isa Silva, Mayara Amaral, Negana, NeneSurreal, Siwaju e Soberana Ziza. Essas artistas apresentam obras que permeiam o universo de Carolina trazem referências em suas cores e simbologias. “A vida e obra de Carolina permitem vislumbrar análises profundas da sociedade brasileira, bem como críticas à condição da negritude no país, construídas a partir de sua própria travessia por cidades, bairros, becos e vielas. Seu percurso é marcado pelo enfrentamento da precarização e pela luta diária contra a fome – um tormento que ainda ecoa em grande parte da população. ‘O que colocarei na mesa esta noite?’ foi uma pergunta que a acompanhou ao longo da vida”, destacam as curadoras da exposição, Thais de Menezes e Vera Nunes. Elas ainda completam: “Mas foi sobre essa mesma mesa que escreveu madrugadas inteiras, transformando em literatura suas vivências, indagações e, ao mesmo tempo, sua inabalável esperança”.

Sobre Carolina Maria de Jesus

Nascida em 14 de março de 1914, em Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus foi uma mulher de grande destaque nacional cuja vida e obra reverberam até os dias de hoje. Apesar de ter cursado apenas dois anos de estudo formal, encontrou na escrita uma ferramenta para dar voz às suas experiências como mulher negra e registrar de forma ímpar a realidade social do Brasil. A escritora faleceu em 13 de fevereiro de 1977.

As obras de Carolina de Jesus já foram lançadas em 46 países e traduzidas para 16 idiomas. Ela deixou mais de 5 mil páginas escritas, entre romances, poemas e canções. O livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, lançado em 1960, é a obra mais famosa da escritora. Entre 1977 e 2018, após a sua morte, foram publicadas mais cinco obras: Diário de Bitita (1982), Meu Estranho Diário (1996), Antologia Pessoal (1996), Onde estaes Felicidade? (1977) e Meu sonho é escrever (2018).

Serviço:

[Artes Visuais] Carolinas

Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo – SP

Abertura: 14 de março (sexta), às 11h

Visitação: 14 de março a 18 de maio de 2025

Horário: terça a domingo, das 8h às 19h

Classificação: Livre

Entrada franca

Acesso a pessoas com deficiência

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CAIXA)

Cia. do Tijolo reconstrói, em cena, Canudos além de Euclides, no Sesc Belenzinho

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Flávio Barollo.

Estreia no próximo dia 14 de março, no Sesc Belenzinho,Restinga de Canudos’, novo espetáculo da Cia. do Tijolo que reconstrói, em cena, a vida na Vila de Canudos para além do massacre registrado por Euclides da Cunha, em ‘Os Sertões’. Com direção de Dinho Lima Flor, que também assina a criação e dramaturgia junto de Rodrigo Mercadante, a peça dá protagonismo à comunidade anônima que ergueu o povoado no sertão baiano, antes de ser arrastada para a guerra sob a liderança de Antônio Conselheiro. Em cartaz até 27 de abril, a temporada do espetáculo também contará com uma programação de ações formativas voltadas para a ampliação do debate sobre Canudos e sua atualidade.

O espetáculo desvela Canudos pelo olhar de duas professoras antes do conflito, revelando a dinâmica cotidiana dos sertanejos, poetas populares, beatos, indígenas e ex-escravizados que estiveram na gênese não só de um povoado, mas de um mito histórico — já muito explorado pela cultura brasileira.

Foto: Alécio Cézar.

“Qual a contribuição que nós, da Cia. do Tijolo, pretendemos dar ao tema? Em primeiro lugar, contar a partir da construção da Vila e não de seu massacre”, afirma o cocriador, diretor e ator Dinho Lima Flor, que explica: “Não queremos que o crime perpetrado pela recém-nascida república brasileira ofusque o lado vencedor da comunidade criada por Conselheiro e a comunidade de Canudos“.

Segundo Dinho, o espetáculo mergulha nas águas do Açude de Cocorobó, onde submerge o sítio histórico de Belo Monte e o povoado de Canudos. “Se conseguirmos despertar a curiosidade do espectador e, no melhor dos cenários, o amor do público pela força de Belo Monte, teremos cumprido nosso intento”.

Restinga de Canudos dá continuidade à pesquisa da Cia. do Tijolo sobre educação popular e arte como ferramentas de transformação social. Inspirada na ética freireana, a Companhia reafirma a importância dos professores na formação da consciência crítica. No palco, essa presença se manifesta por meio da figura da professora de história, que conduz a plateia na costura entre passado e presente.

Foto: Alécio Cézar.

Como parte da programação do espetáculo, a companhia também irá promover o programa formativo Canudos: Além da Cena, que visa ampliar as reflexões sobre a memória e os desdobramentos históricos da Guerra de Canudos. A programação inclui encontros musicais abertos ao público, conduzidos pelo Núcleo Musical da Cia., nos quais serão trabalhados as sonoridades e o repertório do espetáculo.

Além disso, o bate-papo Conversa a Contrapelo contará com a participação da professora e pesquisadora Silvia Adoue (Unesp e Florestan Fernandes) e do diretor e ator Cleiton Pereira (Grupo Contadores de Mentira), que discutirão as conexões entre Canudos e as lutas sociais contemporâneas.

Sinopse | Restinga de Canudos enxerga as ruínas de Canudos, cidade submersa, e mergulha nas águas do açude de Cocorobó em busca das histórias de suas gentes. Para além da visão de Euclides da Cunha e da narrativa do massacre, o espetáculo recria, a partir dos olhos de duas professoras, uma comunidade viva, forte, próspera e vitoriosa na invenção de formas próprias de existência. Restinga de Canudos traz professoras, beatos fazendo reza, guerra e festa numa Canudos recriada para o tempo presente.

FICHA TÉCNICA

Criação e dramaturgia: Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante

Direção geral: Dinho Lima Flor

Elenco: Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Odília Nunes, Artur

Mattar, Jaque da Silva, Danilo Nonato, João Bertolai, Marcos Coin, Dicinho Areias, Jonathan Silva, Juh Vieira

Atriz colaboradora: Vanessa Petroncari

Movimento e corpo: Viviane Ferreira

Composições originais: Jonathan Silva

Direção musical: Cia. do Tijolo e William Guedes

Desenhos: Artur Mattar

Cenário: Cia. do Tijolo e Douglas Vendramini

Assistência de cenotécnica: Tati Garcez e Gonzalo Dorado

Figurino: Cia. do Tijolo e Silvana Marcondes

Iluminação: Cia. do Tijolo e Rafael Araújo

Som: Hugo Bispo

Fotos: Alécio Cézar e Flávio Barollo

Design gráfico: Fábio Viana

Assessoria de imprensa: Rafael Ferro e Pedro Madeira

Direção de produção: Garcez Produções (Suelen Garcez)

Produção executiva: Suelen Garcez

Assistência de produção: Tati Garcez

Ações Formativas – Canudos: Além da Cena

Núcleo de Formação e Criação Musical da Cia. do Tijolo

Terças, quartas e quintas, de 8 a 17 de abril, das 19h às 21h

A Cia. do Tijolo realiza encontros musicais gratuitos e abertos ao público, de seu Núcleo Musical desde 2017. Essa experiência formativa perene tem sido realizada paralelamente aos processos de montagem dos espetáculos da Cia. A oficina visa ampliar o alcance das discussões sobre o tema, uma vez que ao longo dos encontros serão trabalhadas as sonoridades e o repertório musical do espetáculo “Restinga de Canudos”, além de dar continuidade às práticas formativas da Cia. Canudos é, acima de tudo, uma experiência comunitária e a experiência de cantar em coro expressa, no plano simbólico e sensorial, de forma exemplar a experiência do ‘comum’. Repertório: Serão trabalhadas canções relacionadas ao processo de criação do espetáculo.

Local: Sala Espetáculos II – Sesc Belenzinho

Atividade gratuita (senhas distribuídas 30 minutos antes de cada encontro)

Conversa a Contrapelo (Bate-Papo)

Segunda-feira, 21 de abril, das 14h às 16h

Na história do teatro brasileiro, muitos grupos já se debruçaram sobre o tema da construção de Belo Monte e do massacre de Canudos. Não é à toa. Há temas que precisam ser elaborados, reelaborados e, mesmo assim, não cessam de gritar e querer falar. Para enriquecer a recepção da obra e ampliar o debate para além da cena, a Cia. do Tijolo convida o público para um bate-papo com Silvia Adoue e Cleiton Pereira, estudiosos do assunto, com mediação de Rodrigo Mercadante.

Convidados:

Silvia Adoue – Professora da Unesp e da Escola Nacional Florestan Fernandes do MST, pesquisadora dos movimentos populares e da auto-organização das comunidades.

Cleiton Pereira – Diretor e ator, fundador do grupo Contadores de Mentira, pesquisador da Antropologia Teatral e do massacre de Canudos.

Mediação: Rodrigo Mercadante (Cia. do Tijolo)

Local: Sala Espetáculos II – Sesc Belenzinho

Atividade gratuita (senhas distribuídas 30 minutos antes do evento).

Sobre a Cia. do Tijolo

Desde 2008, a Cia. do Tijolo construiu um repertório que une teatro, música e poesia para revisitar figuras e episódios da história brasileira. O grupo já recebeu o Prêmio Shell de Música e o Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro por ‘Concerto de Ispinho e Fulô’ (2010) e ‘Cantata Para um Bastidor de Utopias’ (2014), que também venceu o Prêmio Shell de Melhor Cenário e foi indicado ao Prêmio Governador do Estado. O ‘Avesso do Claustro’ (2016) também concorreu ao Prêmio Governador do Estado, consolidando a companhia como uma das mais relevantes da cena teatral contemporânea. Além dos prêmios, o grupo mantém o Núcleo Musical da Cia. do Tijolo, que desde 2017 pesquisa a interseção entre sonoridade e dramaturgia. Atualmente, a companhia prepara ‘Restinga de Canudos’, espetáculo que revisita a história do sertão baiano sob a ótica da resistência popular.

Serviço:

Espetáculo Restinga de Canudos, com Cia. do Tijolo

De 14 de março a 27 de abril de 2025

Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 17h.

Valores: R$50 (inteira), R$25 (meia-entrada), R$15 (Credencial Sesc).

Ingressos à venda no Portal SescSP e nas bilheterias das unidades.

Limite de 2 ingressos por pessoa.

Local: Sala de Espetáculos 2 (120 lugares).

Classificação: 12 anos.

Duração: 150 minutos

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

Estacionamento:

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$8,00 a primeira hora e R$3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 por hora adicional.

Transporte público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube.

(Com Priscila Dias/Sesc Belenzinho)

Chico César celebra trinta anos do álbum ‘Aos Vivos’ no Sesc Pinheiros

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: José de Holanda.

O ano era 1995 e Chico César colocava seu excelente álbum de estreia ‘Aos Vivos’ no mundo. Trinta anos depois, o disco, que se tornou um clássico da música brasileira, ganha uma turnê de celebração. Acompanhado do grupo Nova Orquestra, Chico canta na íntegra o icônico trabalho, além de outros sucessos da carreira, no Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros, nos dias 28 (sexta), 29 (sábado) e 30 (domingo).

Quando apareceu, em 1995, ‘Aos Vivos’ marcou o surgimento de Chico César como artista para o grande público, saindo do seu nicho considerado cult e underground da noite paulistana. Na primeira música do disco, ‘Beradêro’, o paraibano apresenta uma canção aboio, gênero passado entre gerações de vaqueiros do sertão. Na sequência, já temos dois grandes sucessos ‘Mama África’ e ‘À Primeira Vista’, em versões espontâneas e intimistas. Segue-se então um desfile de músicas autorais, como ‘Saharienne’, ‘Mulher Eu Sei’ e ‘Clandestino’, junto a parcerias e interpretações de outros artistas, como em ‘Paraíba’, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e ‘Alma não tem cor’, de André Abujamra. Isso sem falar nas participações de Lenine e Lanny Gordin.

Resumindo, o disco é uma verdadeira obra-prima e finalmente ter a oportunidade de escutá-lo integralmente no palco do Teatro Paulo Autran, onde Chico sempre faz apresentações absolutamente catárticas, é, no mínimo, imperdível. E para tornar tudo ainda mais especial, o cantor vem acompanhado pela primeira vez, no Sesc Pinheiros, pela Nova Orquestra. Formado por jovens talentos que acreditam no repertório popular como porta de entrada para a música clássica, o grupo propõe uma visão moderna sobre a adição de elementos da música de câmara aos sucessos do artista paraibano.

Serviço:

CHICO CÉSAR E NOVA ORQUESTRA | 30 ANOS DE ‘AOS VIVOS

Dias: 28, 29 e 30 de março | sexta e sábado, às 21h e domingo 18h

Duração: 90 minutos

Local: Teatro Paulo Autran

Classificação: 12 anos

Ingressos: R$70 (inteira); R$35 (meia) e R$21 (credencial plena)

Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h.

(Com Titita Dornelas/News Assessoria & Comunicação)

Estudo da Nature analisa mais de 4.000 espécies e mostra que é preciso grandes áreas de floresta para preservar diversidade

São Paulo, por Kleber Patricio

Plantação de cana-de-açúcar localizada na Mata Atlântica em Alagoas; estudo mostra que grandes extensões de floresta não perturbada são melhores para abrigar a biodiversidade. Foto: Adriano Gambarini.

Florestas grandes e intocadas são melhores para abrigar a biodiversidade do que paisagens fragmentadas, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature. Há consenso entre ecólogos de que a perda de habitat e a fragmentação das florestas reduzem a biodiversidade nos fragmentos remanescentes. No entanto, há debate sobre a priorização da preservação de muitas áreas pequenas e fragmentadas ou de grandes paisagens contínuas. O estudo liderado pelo ecólogo brasileiro da Thiago Gonçalves-Souza, da Universidade de Michigan, chega a uma conclusão sobre esse debate que já dura décadas. “Fragmentação é prejudicial. Este artigo mostra claramente que a fragmentação tem efeitos negativos sobre a biodiversidade em diferentes escalas. Isso não significa que não devamos tentar conservar pequenos fragmentos quando possível, mas precisamos tomar decisões sábias sobre conservação”, afirma Gonçalves-Souza.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan, da Universidade Estadual de Michigan e mais dez universidades brasileiras, entre elas Unesp, USP, UFPB e Unicamp. Eles analisaram 4.006 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas em 37 locais ao redor do mundo.

O objetivo foi fornecer uma síntese global comparando diferenças de biodiversidade entre paisagens contínuas e fragmentadas. Os pesquisadores descobriram que, em média, as paisagens fragmentadas tinham 13,6% menos espécies na escala do ponto de coleta (chamada pelos autores de ‘escala da mancha’) e 12,1% menos espécies na região (chamada de escala da paisagem). Além disso, os resultados sugerem que espécies generalistas —aquelas capazes de sobreviver em diversos ambientes— são as que predominam nas áreas fragmentadas.

Os cientistas investigaram três tipos de diversidade nesses locais: alfa, beta e gama. A diversidade alfa se refere ao número de espécies em um fragmento específico, enquanto a diversidade beta mede a diferença na composição de espécies entre dois locais distintos. Já a diversidade gama avalia a biodiversidade de toda a paisagem.

Gonçalves-Souza usa um exemplo para ilustrar o conceito: ao dirigir por campos agrícolas no Norte do Espírito Santo, pode-se notar pequenos fragmentos de floresta entre as plantações de cana ou pastos com criação de gado. Cada fragmento pode abrigar algumas espécies de aves (diversidade alfa), mas a composição dessas espécies pode variar de um fragmento para outro (diversidade beta). Já a biodiversidade total da paisagem—seja composta por fragmentos ou por uma floresta contínua—representa a diversidade gama da região.

“O cerne do debate é que algumas pessoas argumentam que a fragmentação não é tão ruim porque, ao criar habitats isolados, geramos composições diferentes de espécies, o que pode aumentar a diversidade gama”, explica Gonçalves-Souza. “Por outro lado, argumenta-se que, em áreas contínuas e homogêneas, a composição de espécies é muito semelhante.”

No entanto, pesquisas anteriores não compararam adequadamente paisagens fragmentadas e florestas contínuas, afirmou Gonçalves-Souza. Por exemplo, alguns estudos analisaram apenas um componente da diversidade ou compararam um pequeno número de florestas contínuas com dezenas de fragmentos.

“Nossa pesquisa mostrou que, ao utilizar dados padronizados e controlar a distância entre fragmentos, a fragmentação do habitat tem efeitos negativos sobre a biodiversidade”, diz o coautor Mauricio Vancine, ecólogo e pesquisador de pós-doutorado da Unicamp. “Isso tem implicações teóricas para a Ecologia e, mais importante, reforça que a fragmentação não pode ser vista como benéfica para a conservação das espécies.” 

Para corrigir essa limitação, os cientistas levaram em conta as diferenças na amostragem entre diversas paisagens. Eles descobriram que a fragmentação reduz o número de espécies em todos os grupos taxonômicos e que o aumento da diversidade beta nas paisagens fragmentadas não compensa a perda de biodiversidade na escala da paisagem.

Além da biodiversidade, Gonçalves-Souza diz que a fragmentação das paisagens também compromete sua capacidade de armazenar carbono. “Ou seja, a fragmentação não apenas reduz a biodiversidade, diminuindo a diversidade alfa e gama, mas tem implicações para a prestação de serviços ecossistêmicos como o estoque de carbono.”

O pesquisador espera que o estudo ajude a comunidade conservacionista a superar o debate sobre paisagens contínuas versus fragmentadas e focar na restauração de florestas. “Em muitos países, restam poucas florestas grandes e intactas. Portanto, nosso foco deve estar no plantio de novas florestas e na restauração de habitats cada vez mais degradados. A restauração é crucial para o futuro, mais do que debater se é melhor ter uma grande floresta ou vários fragmentos menores.”

(Fonte: Agência Bori)

Sono: a base da saúde que não pode ser ignorada

Campinas, por Kleber Patricio

Dr. Edilson Zancanella, coordenador do Serviço de Distúrbios do Sono do IOU – Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço/ Unicamp e presidente da Academia Brasileira do Sono. Foto: Divulgação.

Uma boa noite de sono é essencial para a saúde física e mental, mas cada vez mais pessoas estão dormindo menos do que deveriam. É preciso reforçar a importância de tratar o sono como um hábito saudável, assim como a alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas. O Dia Mundial do Sono, lembrado anualmente em 14 de março, tem como mote em 2025 ‘Faça da saúde do sono uma prioridade’. “Dormimos cerca de um terço da nossa vida, e a privação do sono tem consequências diretas na memória, concentração, humor e no ganho de peso”, alerta o Dr. Edilson Zancanella, coordenador do Serviço de Distúrbios do Sono do IOU – Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço/Unicamp e presidente da Academia Brasileira do Sono.

Entre os problemas mais comuns que afetam a qualidade do sono estão a apneia, que pode atingir mais de 30% da população economicamente ativa, e a insônia, que impacta cerca de 25% das pessoas, sendo mais comum em mulheres no pós-climatério. Além disso, a restrição do sono é um problema generalizado devido aos hábitos modernos, como o uso excessivo de telas antes de dormir e a falta de uma rotina adequada.

Sono e saúde

De acordo com o Dr. Zancanella, a relação entre sono e saúde está cada vez mais evidente na literatura científica. A privação do sono está associada a doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e até câncer. No sistema imunológico, o sono adequado desempenha um papel essencial na produção de citocinas inflamatórias e na proliferação de células T, fundamentais para combater infecções. Além disso, sua relação com a saúde mental é inegável: noites mal dormidas impactam a memória, a concentração e aumentam o risco de depressão e ansiedade.

Nos últimos anos, o diagnóstico dos distúrbios do sono evoluiu consideravelmente. Exames domiciliares estão cada vez mais acessíveis, e os dispositivos vestíveis (wearables) estão sendo validados para auxiliar na análise do sono. No tratamento, avanços incluem novos medicamentos para insônia e narcolepsia, além de técnicas inovadoras para tratar a apneia, como a neuroestimulação do nervo hipoglosso. Os equipamentos de CPAP também estão cada vez mais sofisticados, oferecendo mais conforto aos pacientes.

Quando procurar um especialista | Sinais como sonolência diurna, ronco frequente, alterações de humor, dificuldades de memória e concentração indicam a necessidade de buscar um especialista. Para melhorar a qualidade do sono, é recomendado manter uma rotina de horário fixo para dormir e acordar, evitar telas antes de dormir e tratar o sono como uma prioridade para a saúde.

Referência em distúrbios do sono

O IOU se destaca no atendimento de distúrbios do sono. Com uma equipe multiprofissional composta por otorrinolaringologistas, pneumologistas, neurologistas, dentistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, oferece tratamentos completos pelo SUS. Recentemente, o Instituto ampliou sua infraestrutura, passando a contar com oito leitos para polissonografia e o Teste de Múltiplas Latências do Sono, essencial para diagnosticar sonolência excessiva e narcolepsia, um serviço inédito na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

A Unicamp acaba de estruturar o Núcleo do Sono e a iniciativa representa um marco para a medicina do sono no Brasil. Este serviço unifica os avanços e pesquisas de diversas áreas, como neurologia, otorrinolaringologia, pneumologia e saúde coletiva, além de fomentar a criação de uma residência médica e multiprofissional na área.

O Núcleo também se destaca pelo uso de tecnologia avançada, incluindo dispositivos vestíveis e novas técnicas de seleção de máscaras para CPAP. Além disso, o IOU está estabelecendo parcerias com instituições acadêmicas e empresas de tecnologia para o desenvolvimento de novas terapias para distúrbios do sono. “O novo equipamento abre portas para colaborações tanto nacionais quanto internacionais, permitindo avanços significativos na área”, destaca Zancanella, representante da América Latina na Sociedade Mundial do Sono.

Sobre o IOU

O Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço-IOU, na Unicamp, é um centro de excelência em saúde pública dedicado a milhares de pacientes do SUS, entre crianças e adultos. Preparando-se para atender 200 mil pessoas por ano e 4 mil cirurgias, o IOU oferece atendimento especializado de alta complexidade nas áreas de otorrinolaringologia, câncer de cabeça e pescoço, tratamento multidisciplinar de deficiência auditiva e distúrbios de respiração, deglutição, fonação e comunicação.

Além de ser um hospital, o IOU é um local onde tecnologia e cuidado se unem para proporcionar uma nova chance para muitos. O IOU também é um polo de ensino, pesquisa e difusão de conhecimento, formando profissionais qualificados e contribuindo para o avanço no tratamento de doenças complexas, assegurando um legado de cuidado e inovação na medicina brasileira. Mais informações: Site |@instituto_iou.
(Com Kátia Nunes/Antonia Maria Zogaeb Assessoria de Imprensa)