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Estratégias para contornar a escassez de água

Brasília, por Kleber Patricio

IrrigaPote: Tecnologia Social certificada pela Fundação Banco do Brasil. Foto: Acervo projeto IrrigaPote.

Renata Campos é administradora e decidiu trocar o emprego em uma rede de supermercados para se dedicar ao cultivo de produtos orgânicos numa pequena propriedade em Tucuruí, no Pará. “Essa é minha paixão”, revela. Ela estudou, fez pesquisas e cursos para produzir de forma sustentável. “Aprendi a cuidar do solo, fazer compostagem, utilizar o sistema agroflorestal, a plantar sem o uso de agrotóxicos”. Ela só não contava com um obstáculo: a falta de água. “Com a seca no verão acabei perdendo boa parte da plantação”, conta.

Mas ela não desistiu. Fez mais pesquisas, buscou ajuda, foi atrás de parcerias e trocou conhecimentos com outros produtores e especialistas. Com o apoio da promotora de Justiça Agrária Alexssandra Mardegan, do Ministério Público do Pará, e da pesquisadora Lucieta Guerreiro Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, foi implantada na propriedade da Renata uma tecnologia simples e de baixo custo denominada IrrigaPote para armazenar água da chuva e garantir a irrigação da plantação, mesmo nos períodos de estiagem. “O método é tão simples que chegamos a duvidar se realmente funcionaria. Mas a técnica deu certo e resolvemos levar a solução a outros agricultores familiares e pequenos produtores da região que sofriam com o mesmo problema”. 

A Tecnologia Social IrrigaPote foi certificada em 2024 pela Fundação Banco do Brasil. Essa metodologia consiste em armazenar água pluvial durante o período chuvoso e distribuí-la de maneira eficiente para potes de argila enterrados no solo. Por meio de calhas instaladas nos telhados, a água é captada e direcionada para um cano enterrado no solo. Esse cano se estende até a área de cultivo e conectores mantêm o fluxo hídrico controlado por meio de uma boia instalada na tampa do pote, assegurando que esteja sempre abastecido de forma autônoma. “Quando o solo está seco, as raízes das plantas procuram a água na parede externa dos potes, possibilitando uma absorção precisa para atender às suas demandas hídricas”, explica Renata.

“As Tecnologias Sociais certificadas pela Fundação Banco do Brasil são soluções inovadoras que efetivamente promovem a transformação social. Esse conjunto de técnicas combinam o saber popular, a organização social e o conhecimento científico, sendo de baixo custo, sustentáveis e de fácil adoção pelas comunidades”, esclarece Kleytton Morais, presidente da Fundação BB.

Recuperação de áreas degradadas

Segundo a Organização das Nações Unidas, a escassez de água afeta mais de 40% da população mundial. Para Kleytton Morais, o trabalho de formação em práticas sustentáveis e de fortalecimento de comunidades rurais é uma das estratégias essenciais para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, preservação das águas e contenção da degradação ambiental e social.

Recuperar uma área degradada devido ao monocultivo de eucalipto era o desafio da Tania Aguiar e dos demais agricultores familiares do assentamento Canaã, localizado na região da bacia do Alto Descoberto, no Distrito Federal. “Esta área é responsável por boa parte do abastecimento de água do Distrito Federal. Por isso, a preservação do meio ambiente aqui é de suma importância”, reforça Tania.

Além do empobrecimento do solo, o monocultivo prolongado gerou erosão e o assoreamento de cursos d’água, comprometendo o abastecimento na região. Para mudar a realidade do local e garantir a preservação da bacia foi criado o projeto Comunidades Agroflorestais – Plantando Água e Tecendo Vidas. “Hoje trabalhamos para regenerar o solo, reflorestando com plantas nativas, fazendo o manejo de sistemas agroflorestais e produzindo sem agrotóxicos. Nosso objetivo é contribuir com a manutenção da bacia do Alto Descoberto, pois sem ela não temos água, e sem água não tem produção e não tem abastecimento para a cidade”, observa.

A Fundação Banco do Brasil realizou um investimento social de R$ 1,8 milhão neste projeto que promove a formação teórico-prática em agroecologia e contribui para a recuperação de áreas produtoras de água nas bacias do rio Paranoá e do Alto Descoberto. “As ações adotadas pelo projeto têm repercussão na gestão sustentável das bacias, fortalecendo, assim, a segurança hídrica, alimentar, climática e energética e a integridade ecológica da capital federal do Brasil”, diz o presidente da Fundação BB.

Sobre a Fundação BB | Há 40 anos, a Fundação Banco do Brasil busca inspirar cada brasileiro a se tornar um agente de transformação da sociedade. A instituição acredita na força do coletivo para encontrar soluções viáveis na superação dos desafios e promoção do desenvolvimento sustentável. Nos últimos 10 anos, foram investidos R$ 2,7 bilhões em 10 mil iniciativas que impactaram positivamente a vida de 6,8 milhões de pessoas de 3.400 municípios.

(Com Carol Veiga)

Diversidade segue como prioridade no Brasil em meio à reavaliação de políticas internacionais

São Paulo, por Kleber Patricio

Com foco em resultados, inclusão segue como prioridade no Brasil, sem perder de vista as tendências globais. Foto: Getty Images/Unsplash+.

As recentes mudanças nas políticas corporativas nos Estados Unidos têm gerado reflexões sobre a abordagem das empresas em relação à diversidade, equidade, inclusão e pertencimento (DEIP). Enquanto algumas companhias internacionais ajustam suas estratégias, no Brasil, as empresas seguem investindo em inclusão e vinculando essas práticas a métricas de engajamento e desempenho.

Segundo um levantamento do Investing.com, ao menos 12 grandes empresas americanas, incluindo Meta, Amazon e Google, reorientaram seus investimentos em diversidade, reduzindo recursos para iniciativas como vagas afirmativas. O impacto desse movimento vai além do território norte-americano, influenciando subsidiárias e redes de negócios ao redor do mundo. No Brasil, esse cenário contrasta com pesquisas do Instituto Ethos, que indicam que 80% das empresas enxergam a diversidade como uma estratégia essencial para inovação e competitividade.

O impacto do cenário internacional no Brasil

De acordo com Laura Salles, fundadora e CEO da PlurieBR, plataforma especializada em gestão de dados em tempo real de diversidade, equidade, inclusão e pertencimento (DEIP), essa movimentação global levanta discussões sobre o futuro dessas políticas no Brasil. “Empresas com forte presença internacional precisam equilibrar suas práticas entre as diretrizes de suas matrizes e as expectativas do mercado brasileiro, onde consumidores e investidores valorizam iniciativas de diversidade”, afirma Laura.

A especialista avalia que essa conjuntura representa uma oportunidade para empresas brasileiras consolidarem suas estratégias de inclusão. “A diversidade não pode ser tratada como uma tendência passageira ou uma questão ideológica. Ela tem um impacto real no desempenho organizacional e na capacidade de inovação das empresas. No Brasil, vemos um movimento de fortalecimento das práticas de DEIP, independentemente das revisões estratégicas que ocorrem em outros mercados”, destaca.

Boas práticas e tendências para 2025

Apesar das incertezas globais, as empresas brasileiras vêm avançando na construção de ambientes mais diversos e inclusivos. Um dos focos para 2025 é atrelar as iniciativas de DEIP às métricas de negócio, garantindo que os investimentos na área gerem impactos mensuráveis. “O sucesso das ações de diversidade depende da capacidade das empresas de medir e demonstrar seus resultados. Quando bem implementadas, essas iniciativas trazem ganhos concretos, como maior engajamento dos colaboradores e melhoria na reputação corporativa”, pontua Laura.

Enquanto algumas empresas internacionais revisam suas estratégias, a União Europeia mantém uma postura firme de apoio à diversidade. A Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), implementada em 2024, exige que empresas divulguem indicadores detalhados sobre diversidade e equidade, reforçando a necessidade de compromissos sólidos. “Com esse cenário em evidência, as empresas brasileiras que reforçarem suas estratégias de diversidade poderão se destacar no mercado e consolidar a inclusão como um pilar fundamental de suas culturas organizacionais”, finaliza.

Sobre a PlurieBR

A PlurieBR é a primeira plataforma SaaS do Brasil especializada em gestão e acompanhamento de dados em tempo real de diversidade, equidade, inclusão e pertencimento (DEIP). Com foco em transformar ambientes corporativos por meio de métricas em tempo real e ações direcionadas, a plataforma oferece uma solução robusta e inovadora para empresas que buscam integrar DEIP em sua cultura organizacional. Fundada por Laura Salles, a PlurieBR utiliza tecnologia para mapear, monitorar e promover iniciativas inclusivas, ajudando organizações de diversos setores a alcançar resultados concretos e sustentáveis na promoção da diversidade e inclusão. Para mais informações, visite o site oficial, o LinkedIn ou o Instagram.

Sobre Laura Salles 

Foto: Divulgação.

É fundadora e CEO da PlurieBR, primeira plataforma SaaS de gestão e acompanhamento de dados em tempo real de diversidade, equidade, e inclusão e pertencimento (DEIP) do Brasil, que mapeia métricas em tempo real e apoia ações direcionadas nessa área. Laura, que possui mais de oito anos de experiência em gestão de operações, comunicações e pessoas, é formada em hospitalidade, e é especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão pela Universidade Cornell. Atua também como conselheira de inovação da ACSP, e professora do MBA de ESG da Saint Paul e de cursos de DEI da Trevisan. Para mais informações, visite o Linkedin e o  Instagram.

(Com Carolina Lara)

Negócios, boas tacadas e lazer mil estrelas próximo a Curitiba

Paraná, por Kleber Patricio

Campo do Alphaville Graciosa Golf Club anexo ao hotel. Fotos: Divulgação (mais fotos em @kleberpatricioonline no Instagram).

Viagens corporativas não precisam se limitar a compromissos e reuniões. Sempre há espaço para uma pausa de lazer, boa gastronomia, momentos de relaxamento no spa e até um esporte favorito – no caso, o golfe. Essa é a proposta do Suryaa Curio (vem de ‘curioso’) Collection by Hilton, que alia hospitalidade premium a uma localização estratégica, a apenas 500 metros do Alphaville Graciosa Golf Club, na Grande Curitiba.

O campo, projetado pelo arquiteto norte-americano Dan Blankenship, ocupa 628,5 mil m² e preserva as belezas naturais da região com lagos, matas nativas e áreas verdes. Reconhecido pela crítica nacional e internacional, recebe torneios de alto nível e oferece desafios tanto para jogadores experientes quanto para iniciantes.

O elegante lobby do Suryya.

No Suryaa, o dia começa com um café da manhã tranquilo de frente para o campo. Quem se hospeda por lá tem transporte exclusivo em carrinho de golfe e condições especiais para green fees, além da chance de aprimorar tacadas com o atleta profissional e embaixador do hotel Ulisses Junior. Para quem nunca teve contato com o esporte, também há a opção de agendar uma aula experimental – oportunidade perfeita para viver o golfe em um dos destinos mais cobiçados do Brasil.

Ao fim do dia, o hóspede pode relaxar à beira da piscina, apreciar o pôr do sol ou degustar pratos que valorizam ingredientes frescos no restaurante do hotel. Quando chega o momento de descansar, as suítes acolhedoras e a atmosfera serena garantem o equilíbrio ideal entre o ritmo acelerado de uma viagem de negócios e a tranquilidade de uma experiência única no universo do golfe.

Alta gastronomia e coquetéis autorais

A combinação entre o restaurante e o bar é um convite ao paladar mais exigente.

Suíte Golf, Twin, Suryya Curio Collection.

Restaurante Koré Suryaa, por Manu Buffara: reconhecida internacionalmente, a chef imprime ao cardápio a força de ingredientes frescos e técnicas contemporâneas, resultando em criações autorais cheias de delicadeza. Cada prato é uma jornada sensorial que reflete o respeito ao produto e às origens brasileiras.

Mixologia por Marcio Silva: o bartender, célebre por projetos como o Eximia Bar, apresenta drinques que exaltam insumos regionais e sazonais. O bar do Suryya se transforma em um laboratório de coquetéis inusitados e sofisticados, perfeitos para encontros ao entardecer ou celebrações especiais.

Bem-estar e exclusividade

Para quem busca momentos de relaxamento, o spa oferece terapias e rituais assinados pela renomada Tereza Zanchi, complementando a sensação de escapada do cotidiano. O hotel dispõe ainda de sauna, academia e acesso facilitado ao campo de golfe, reforçando seu propósito de integrar bem-estar e lazer. Aos fins de semana, o Suryya se converte em um destino ideal para revitalização, combinando experiências gastronômicas, práticas esportivas e contemplação da natureza.

Arquitetura, design e atmosfera

Fachada que é puro design. 

O projeto arquitetônico mescla referências internacionais com uma estética moderna que valoriza a luz natural e o contato com o verde. Linhas retas, grandes superfícies em vidro e mobiliário de alto padrão conferem ao Suryya um ar contemporâneo, enquanto a paisagem do campo de golfe e a atmosfera tranquila de Alphaville Graciosa convidam o hóspede à desconexão. O rooftop panorâmico e a piscina com borda de vidro – parte interna, parte externa – tornam o cenário ainda mais exclusivo.

Curio Collection by Hilton | Curio Collection by Hilton é uma das ‘soft brands’ do portfólio Hilton, criada para reunir hotéis e resorts de personalidade única em diferentes regiões do mundo, mas que ainda contam com a chancela de qualidade e os benefícios do programa de fidelidade da rede (Hilton Honors). Em outras palavras, cada propriedade tem identidade e estilo próprios, refletindo a cultura local e oferecendo experiências autênticas, porém com os padrões de serviço, hospitalidade e suporte de reservas característicos da Hilton.

(Com Lucia Paes de Barros)

‘Cheval Blanc’: o novo livro da Editora Assouline

França, por Kleber Patricio

O livro. Fotos: Divulgação.

Criado no espírito de um álbum de fotos de família, o livro Cheval Blanc dá vida a um dos empreendimentos de hospitalidade mais exclusivos e excepcionais do mundo, em detalhes íntimos e comoventes – uma lembrança perene das propriedades da marca. O hotel é chamado de ‘Maison’ (casa em francês), já que cada um é concebido como um verdadeiro lar familiar, mantendo uma identidade própria e oferecendo privacidade absoluta e um serviço personalizado para criar memórias inesquecíveis.

A jornada do Cheval Blanc começou em 2006 com a abertura de seu primeiro chalé em Courchevel, na França. Desde então, a marca expandiu seu legado para seis destinos, com um sétimo previsto para ser inaugurado em breve na Sardenha, na Costa Esmeralda. Esses estabelecimentos distintos são lindamente retratados no livro Cheval Blanc, apresentando as propriedades da marca em Courchevel, Randheli (Maldivas), St-Barth, St-Tropez, Paris e Seychelles.

Assim como os hóspedes ao chegarem, os leitores são imediatamente imersos no inconfundível ‘Art de Recevoir’ do Cheval Blanc (‘a arte de receber’) e em seu senso inigualável de detalhes. Estes não são apenas destinos extraordinários, mas experiências sensoriais, onde cada aspecto é cuidadosamente orquestrado para proporcionar uma sinfonia de luxo absoluto e modernidade ousada, combinando artesanato local e elegância atemporal, serviço sob medida e momentos inesperados de encanto. Para reforçar a sensação de um diário de viagem particular, notas manuscritas podem ser encontradas ao longo da narrativa, como se fossem as reflexões discretas de um amigo ou membro da família sobre suas estadias.

Essas Maisons, projetadas por renomados arquitetos como Jean-Michel Gathy, Jacques Grange, Jean-Michel Wilmotte e Peter Marino, refletem as particularidades de suas histórias e localizações. Um chalé familiar em Courchevel, uma casa provençal em Saint-Tropez, um ícone parisiense dentro das míticas paredes da La Samaritaine — cada história é uma oportunidade para celebrar a alma de um lugar sem alterá-la, preservando elementos que conectam todos os seis destinos. E, naturalmente, há também os gestos refinados e a etiqueta impecável transmitidos por um rigoroso treinamento — posturas, eloquência e uma atitude que não é nem formal nem excessivamente familiar, mas sim cheia de atenção e cuidado.

Acima de tudo, nestas páginas, assim como nessas Maisons, o objetivo é apresentar aos leitores seu novo destino favorito, um lugar tão querido quanto – ou até mais do que – a sua casa de infância. “Nossos clientes vêm aqui para um interlúdio positivo, para fechar a porta, por um instante, de uma página de suas vidas diárias e entrar no mundo alegre, mas muito real, do Cheval Blanc”, diz Arnaud Donckele, chef três estrelas do Cheval Blanc St-Tropez e do Cheval Blanc Paris.

Sobre a Assouline

Fundada em Paris em 1994 por Prosper e Martine Assouline, a Assouline é a primeira marca de luxo dedicada à cultura. Surgiu do desejo de criar um novo e contemporâneo estilo de livro, utilizando o olhar experiente do casal para histórias visualmente ricas e narrativas envolventes.

Guiados por sua paixão pelo conhecimento, cultura e viagens, os Assoulines expandiram sua visão para quase 2.000 títulos em cinco coleções principais, além de edições especiais, fragrâncias para casa e acessórios exclusivos para bibliotecas — uma grandiosa obra de criações inspiradoras. Ao longo dos últimos trinta anos, a marca estabeleceu uma rede de boutiques internacionais em locais de destaque ao redor do mundo.

Com uma equipe distinta de talentos criativos — incluindo o filho dos fundadores, Alexandre — a marca continua a reinventar a noção de verdadeiro luxo. A Assouline colabora com algumas das marcas, artistas, fotógrafos, escritores e designers mais respeitados do mundo, mantendo um estilo inconfundível e um savoir-faire elegante que redefiniu globalmente a publicação de luxo.

Dados técnicos: 25 x 33cm | 196 páginas | 205 imagens | capa dura | ISBN: 9781649804488 | Preço: US$120 | Venda online no site da Assouline (assouline.com).

(Com Elza Barroso)

MASP celebra sua história em exposição retrospectiva

São Paulo, por Kleber Patricio

Cartaz da exposição Chefs-D’Oeuvre du Musée D’Art de São-Paulo – De Mantegna a Picasso, realizada no Musée de l’Orangerie (Paris, França), 1952-1953. Acervo do [Collection](1).

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand revisita mais de sete décadas de sua trajetória na exposição ‘Cinco ensaios sobre o MASPHistórias do MASP’, em cartaz de 28 de março a 3 de agosto. Em um momento de expansão, marcado pela inauguração do Edifício Pietro Maria Bardi, a mostra, realizada no sexto andar, reflete sobre a história do museu e sua importância para a constituição de um projeto de museu moderno.

Em formato de linha do tempo, a mostra coloca em diálogo 74 obras do acervo do MASP com uma documentação raramente exibida do Centro de Pesquisa do museu, abrangendo fotografias, documentos, cartazes, livros, catálogos, jornais e revistas. Essa seleção apresenta a memória da instituição de maneira didática e panorâmica, abordando temas como a criação do museu, a formação de seu acervo, sua primeira sede na 7 de abril, a mudança para a Avenida Paulista, além de exposições e eventos que fizeram história nas últimas décadas. A curadoria é de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora e de acervo, MASP, Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.

A exposição Cinco ensaios sobre o MASP — Histórias do MASP se desdobra pela sala expositiva e se inicia com um preâmbulo sobre o encontro de Assis Chateaubriand, empresário que dirigia os principais canais de comunicação da época, com o crítico e marchand Pietro Maria Bardi, primeiro diretor artístico do MASP, e Lina Bo Bardi, arquiteta que projetou tanto o edifício do museu como importantes montagens expográficas.

Amedeo Modigliani, Retrato de Leopold Zborowski [Portrait of Leopold Zborowski], 1916-19. Acervo MASP.

O casal Bardi viajou ao Brasil em 1946 para a realização da exposição Arte italiana antiga, no Rio de Janeiro, mostra que reuniu muitas obras as quais, posteriormente, passaram a compor o acervo do MASP. Um exemplo é Virgem com o Menino e São João Batista criança (1490–1500), de Sandro Botticelli e ateliê, adquirido nesse momento embrionário da coleção do museu, além de pinturas incorporadas logo nos primeiros anos, como As cinco moças de Guaratinguetá (1930), de Di Cavalcanti, e Madame Cézanne em vermelho (1888–90), de Paul Cézanne.

A fundação do MASP, em 1947, na sede dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, e os anos seguintes são relembrados com o primeiro cartaz do museu, desenhado por Roberto Sambonet, vistas das primeiras exposições e fotos do desfile da Dior, realizado no próprio espaço expositivo em 1951. A mostra também aborda o período das ‘grandes aquisições’, entre 1947 e 1958, quando o MASP incorporou a maior parte das obras que o tornaram o museu com a principal coleção de arte europeia do hemisfério sul. Nos anos 1950, o museu realizou exposições na Europa e nos Estados Unidos, internacionalizando a coleção e divulgando o trabalho realizado no Brasil. “Organizamos a exposição a partir da data de incorporação das obras no acervo. Isso conta para o público uma outra história, destacando como o museu estava se colocando nesse circuito e desenhando o perfil da instituição”, explica Guilherme Giufrida.

Para além do acervo, a mostra aborda a crescente importância do museu para a arquitetura, a paisagem urbana e a vida política na cidade de São Paulo. Imagens mostram a construção do icônico edifício na Avenida Paulista desde a sua inauguração, com a presença da Rainha Elizabeth II, em 1968. Depois de mais de 20 anos em concreto aparente, os pórticos do edifício recebem a marcante cor vermelha. Em 1992, as manifestações pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no vão livre reforçam a dimensão pública desse espaço para a cidade. No mesmo período, o projeto Som do meio-dia atraiu grande público para assistir aos shows de Olodum e Daniela Mercury.

Rafael, Ressurreição de Cristo, 1449 – 1502. Acervo MASP.

A história mais recente do MASP, após a aposentadoria de Bardi, em 1992, até os dias atuais, também é retratada na exposição, como a incorporação de obras para tornar o acervo mais representativo e diverso. A partir de 2014, o museu recebeu doações que aumentaram a presença de artistas mulheres, incluindo obras de Guerrilla Girls, Maria Auxiliadora, Adriana Varejão e Anna Maria Maiolino, entre outras, além de comodatos como o da coleção Landmann, uma das mais representativas de arte pré-colombiana do Brasil. “Uma mostra como essa é um enorme desafio… abordar a história de um museu de quase 80 anos que tem uma coleção viva, buscando responder às questões da arte dos diferentes tempos que atravessou. Estamos apresentando momentos-chave da trajetória do MASP de uma forma bastante visual”, comenta Laura Cosendey.

Histórias do MASP, Artes da África, Renoir, Geometrias e Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado integram os Cinco ensaios sobre o MASP, série de exposições pensadas a partir do acervo e da história do museu para inaugurar o novo Edifício Pietro Maria Bardi.

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos, disponíveis no site e no canal do YouTube do museu, podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral.

Realização

Cinco ensaios sobre o MASP — Histórias do MASP é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tem patrocínio de AkzoNobel e parceria estratégica do Itaú.

Serviço:

Cinco ensaios sobre o MASP — Histórias do MASP

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora e de acervo, MASP, Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP

6° andar

Edifício Pietro Maria Bardi

Visitação 28/3 — 3/8/2025

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1510 – Bela Vista, São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada) | R$ 37 (meia-entrada)

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Com Carla Gil/Conteúdo Comunicação)